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quarta-feira, junho 20, 2018

DESBORDES-VALMORE, KITARO, PERNIOLA, VOLTAIRINE DE CLEYRE, BLANCHOT, NICOLE KIDMAN, ELLY SMALLWOOD & FÁBIO DE CARVALHO


O QUE FIZ DE MIM E NÃO SEI – Imagem: arte da artista visual canadense Elly Smallwood. - No topo de um imenso morro, um cenário paradisíaco: o regato, as matas, o encontro do mar, será o fim do mundo? Como cheguei aqui nem o que fazia agora, não sabia. Mais parecia um filme, eu o protagonista perdido numa linda paisagem que não sei se amanhecia ou se preparava o anoitecer, o Sol escondido apenas seus raios no céu, tudo parecia parado, embora uma brisa fresca me envolvesse. Procurei identificar aquelas paragens, não era a Serra da Prata nem da Russa, as mais próximas, nem nenhuma das que já tivesse passado, porém familiar. Inquieto, não parava de me perguntar como fui parar nesse ponto do mundo, e me desesperava porque não sabia como sair dali. Fiz a volta em torno de mim mesmo, não havia caminhos por onde pudesse ter chegado ou pudesse voltar. Parei no mesmo ponto de antes, fitei todos os limites e uma voz soou do nada: Lindo cenário. Era uma voz que não era desconhecida e não havia ninguém. Arrepiei e tornei a procurar ao meu redor, intrigado. Sabe você quem é? Estava próximo de mim, não conseguia ver quem era. Sabia ali, não visível. Veja ali você ontem, disse-me. E de repente vinha alguém no matagal denso, e via perfeitamente, andando, à procura de algo que não consegui distinguir. Ontem? Sim, na eternidade, um dia é igual a todo tempo de uma encarnação. Ao dizer-me isso, uma cobra enorme e ameaçadora passou-me entre as pernas em direção àquele outro eu que subia investigando todos os lugares que pisava. Fiquei assustado. Não se assuste, olhe ali seus familiares. Ao virar, constatei uma reunião de muitas pessoas desconhecidas: Não conheço ninguém ali. Sim, você não se lembra nada do que fez ontem, não há como rememorar as tantas coisas feitas, nem a família, os amigos, os prazeres, os caprichos, nada, mesmo assim você é hoje o que fez ontem. Ao dizer-me isso, percebi que a serpente alojou-se justamente em local que aquele eu se aproximava, ela pronta pro bote. Tentei gritar, avisando. Não adianta, disse-me a voz invisível. E dali a pouco presenciei o ataque: a víbora voou ao pescoço daquele eu, enroscou-se ao tronco coibindo qualquer ação dos braços e desferiu golpes às mordidas na jugular, até vê-lo cair imóvel à sua sanha venenosa. Como pode? Você não pode fazer nada. Dois estranhos apareceram naquele instante e avistaram aquele eu sendo atacado. A malacatifa logo se desenrolou daquele eu e fugiu rastejando. Logo tentaram socorrê-lo e gritaram por ajuda. Os estranhos que se reuniam lá embaixo, logo se dirigiram subindo ao encontro dos outros dois que tentavam reanimá-lo. Foram vindos homens, mulheres e crianças, todos que nunca tinha visto, choravam e se lamentavam agarrados ao morto que, após algum tempo, foi levado morro abaixo para onde não sei. Acompanhei a descida, quando a voz me disse: Aquele ali é você anteontem. Anteontem? Sim. Onde? Ali. E me virei e era aquele eu remando desesperado pela corredeira, sozinho escapando de não sei quê. Você não se lembra do que fez anteontem. Não, não me lembrava de nada, mesmo, nem daquele eu tão agoniado para salvar-se. Da mesma forma, não se lembra dos parentes, achegados, vitórias e derrotas, luxúria e malquerenças, não há de ter a menor noção, porque hoje você é o que foi ontem e anteontem. Impressionado eu acompanhava a pugna com as águas revoltas, a noite escura, nenhum lugar. Só muito depois que vi o voo, a cachoeira, um corpo em queda, uma jangada desgovernada que caía e um remo que levitava para se enterrar no chão, ao lado de um corpo inchado e sem vida. Quando vi direito, aquele eu boiava na margem, até ser encontrado por pessoas estranhas: Esses são seus familiares de anteontem. Também não reconheci. A voz então disse: Hoje você está aqui, se lembra do que fez hoje? Virei-me, ninguém do lado, respondi assim mesmo negativamente, não recordava de nada. Quer ver seu futuro? Abri os olhos espantados esperando uma resposta. Por um instante não disse nada, um silêncio absoluto tomou conta de tudo por ali. Um porco rosnou distante, pássaros em revoada, um cheiro de rosa, um vulto de mulher passou rente, mãos apertadas, olhos no vazio, faces perdidas. Então, ele me falou: Não, não há mais futuro, chegou a hora. Vamos. Baixei a cabeça e não sabia o que fazer. Como de um sonho, acordei; e estava tão desencontrado quanto perdido. Apenas me sabia vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor, música e mult-instrumentista japonês Kitaro: Live in America, Live na Enchanted Evening, Daylught Moonlight Live & Oasis & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] E quando todos tenham passado novamente através de mim, porque embora eu não me lembre, eles já passaram uma vez; e além de outras considerações, quando todos tenham passado de novo através de mim, será uma imensa satisfação, porque eu lhes poderei dizer a todos que são o primeiro, que aquelas coisas que faço com eles não as fiz nunca com ninguém [...]. Pensamento extraído da obra Tiresia (Silva, 1968), do filósofo italiano Mario Perniola (1941-2018), que noutra obra, Do sentir (Presença, 1993), expressa: [...] Não nos devemos deixar arrebatar pelo impulso exterior e devemos refletir com tempo e deixar que o repouso acalme completamente a emoção! [...]. Veja mais aqui.

SONHO & SEMELHANTE – [...] O sonho é o despertar do interminável [...]. O sonho toca a região onde reina a pura semelhança. Tudo nele é semelhante, cada figura nele é uma outra, é semelhante a outra, e ainda a uma outra, e esta a uma outra. Procura-se o modelo original, quer-se ser remetido a um ponto de partida, a uma revelação inicial, mas nada disso existe: o sonho é o semelhante que remete eternamente ao semelhante. […] Viver um acontecimento em imagem não é ter desse evento uma imagem nem tampouco dar-lhe a gratuidade do imaginário. O acontecimento, nesse caso, tem lugar verdadeiramente e, no entanto, terá ele lugar “verdadeiramente”? O que acontece nos arrebata, como nos arrebataria a imagem, ou seja, nos despoja, de si e de nós, mantém-nos de fora, faz desse fora uma presença em que o “Eu” não “se” reconhece. [...] Essa duplicidade não é tal que se possa pacificá-la por meio de um ou isto ou aquilo, capaz de autorizar uma escolha e de apagar da escolha a ambiguidade que a torna possível. Essa duplicidade remete ela própria a um duplo sentido sempre mais inicial. [...] Aqui, o sentido não escapa para um outro sentido, mas para o outro de todo sentido e, por causa da ambiguidade, nada tem sentido, mas tudo parece ter infinitamente sentido: o sentido não é nada além de uma aparência, a aparência faz com que o sentido se torne infinitamente rico. [...]. Trechos extraídos da obra L’espace littéraire (Galimard, 1955), do escritor, ensaísta e crítico de literatura Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui e aqui.

AÇÃO DIRETADo ponto de vista daquele que se julga capaz de discernir uma rota constante para o progresso humano, e segue por ela, e desenha tal rota no mapa de sua mente, certamente resolverá indicá-la aos outros; fazê-los ver as coisas como ele vê; convencê-los com argumentos claros e simples que expressem seus pensamentos -- diante disso é um sinal de pesar e de confusão de espírito o fato da frase «Ação Direta» adquirir de repente na mente das pessoas em geral um significado circunscrito, que não tem, e que certamente nunca teve, nem mesmo no pensamento de seus adeptos. Porém, essa é mais uma ironia que o Progresso lança naqueles que se julgam capazes de fixar metas e lutar por alcançá-las. Inúmeras vezes, nomes, frases, lemas, divisas, palavras de ordem, são viradas ao avesso, colocadas de cabeça para baixo. [...] Logo após a chegada dos Quakers em Massachusetts, os Puritanos os acusaram de “aborrecer todo mundo com seus discursos”. Os Quakers não aceitavam jurar submissão a governo algum e nem admitiam que sua igreja pagasse impostos. (Fazendo essas coisas eles eram praticantes da ação direta, coisa que poderíamos chamar de ação direta negativa.) Assim, os Puritanos, sendo ativistas políticos, aprovavam leis para excluir, deportar, multar, encarcerar, mutilar, e finalmente, até mesmo para enforcar os Quakers. Todavia, os Quakers continuaram praticando suas idéias (que era ação direta positiva); há registros na história que depois de enforcarem quatro Quakers e de arrastarem Margaret Brewster presa ao para-choques de um carro pelas ruas de Boston, “os Puritanos desistiram de tentar silenciar os missionários; a persistência e não-violência quacre acabou prevalecendo”. [...] pessoas que perderam o hábito de lutar por si mesmas enquanto indivíduos, pessoas que se submetem a toda injustiça esperando que uma maioria seja formada, são metamorfoseadas em humanos de alto poder explosivo por um mero processo de empacotamento! Eu concordo totalmente que as fontes da vida, e toda a riqueza natural da terra, e as ferramentas necessários à produção cooperativa, tem que estar livremente acessíveis a todos. [...]. Trechos extraídos de The Voltairine De Cleyre Reader (AK Press, 2004), da escritora e ativista anarquista estadunidense Voltairine de Cleyre (1866-1912). Veja mais aqui.

A SINCERA - Você quer comprar? / Coração à venda. / Você quer comprar, / Sem ter que brigar? / Deus o fez de aço; / E você que o renda; / Deus o fez de aço / Para um só abraço! / Eu decido o preço; / Você quer saber? / Eu decido o preço; / Não fique surpreso. / Você tem o seu? / Dê! ganhe meu ser. / Você tem o seu, / Pra pagar o meu? / Se seu não é mais, / Só tenho um desejo; / Se seu não é mais, / Pra mim não há paz. / O meu seguirá, / Cerrado sem pejo; / O meu seguirá, / E Deus o terá! / Pois para a paixão, / A vida é tão rara; / Pois para a paixão, / Não há duração. / A alma só corre / Como a água clara; / A alma só corre, / Só ama! e morre. Poema da poeta maldita francesa Marceline Desbordes-Valmore (1786-1859). Veja mais aqui.

A ARTE DE NICOLE KIDMAN
A arte da sempre linda e extremamente talentosa atriz australiana Nicole Kidman. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Fábio de Carvalho & banda em show & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: arte da artista visual canadense Elly Smallwood.
Veja mais aqui.
&
A poesia de Fábio de Carvalho aqui e aqui.
&
A bolsa da vera bandoleira, Civilização e barbárie de Jean-François Mattei, a poesia de Marceline Desbordes-Valmore, a ação direta de Valtairine de Cleyre, a Venus Aphrodite Callipyge & a música do OuroBa aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

segunda-feira, março 09, 2009

PERNIOLA, HUSSERL, ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA, CYANE PACHECO, MULHER EGÍPCIA, SEXUALIDADE & VIÚVA DE ARAPIRACA

Arte da artista visual e poeta Cyane Pacheco. Veja mais abaixo.

DITOS & DESDITOSO que pretendo sob o título de filosofia, como fim e campo das minhas elaborações, sei-o, naturalmente. E contudo não o sei... qual o pensador para quem, na sua vida de filósofo, a filosofia deixou de ser um enigma?... só os pensadores secundários que, na verdade, não se podem chamar filósofos, estão contentes com as suas definições. do filósofo e matemático alemão Edmund Husserl (1859-1938). Veja mais aqui.

MUDANÇAS & RETROCESSOS – [...] Na substituição da ideologia pela sensologia, da burocracia pela mediocracia, do narcisismo pelo especularismo, dá-se uma verdadeira subordinação do pensar e fazer em relação ao sentir, que adquire o poder do conferir aos pensamentos e às ações uma dimensão efectual que por si sós jamais conseguem atingir. [...]. Trechos da obra Do sentir (Presença, 1993), do filósofo italiano Mario Perniola (1941-2018). Veja mais aqui e aqui.

A MULHER EGÍPCIA – O Egito era dividido em classes, sendo a mais poderosa a sacerdotal, acima mesmo da dos soberanos. A ela cabia dois terços da renda das terras cultivadas, para manter os serviços do culto. Em seguida, os soldados, lavradores, artífices e pastores. Segundo a lei egípcia, homens e mulheres eram virtualmente iguais, embora isto conferisse às mulheres uma liberdade de ir e vir. Algumas mulheres deixaram marcas na história, entre elas Meryet-nit, rainha da primeira dinastia, por volta 3000aC.; a rainha Hatshepsut, Tiy, Nefertiti, Arsínoe, Berenike e Cleópatra. As mulheres egípcias não eram todas semelhantes à de Anúbis, formando casais unidos e amando seus filhos: Tomei-te por esposa quando era jovem. Estive contigo e não fiz sofrer teu coração -, relato de um marido desesperado pela morte da esposa. Elas se casavam jovens, em muitos casos encontram-se registros de casamento aos seis anos de idade, ou desde a idade da puberdade e tinham vários filhos. O casamento era um contrato civil e nas classes abastadas a mulher podia mais ou menos esposar quem queria, com a exceção dos casamentos dinásticos entre membros da família real. De acordo com documentos encontrados, as jovens eram apresentadas aos celibatários, graças às recomendações de gente de classe mais alta; pediam a deusa Hathor para dar um marido à viúva e um lar à virgem, parecendo que os maridos mostravam-se tolerantes com as esposas. As mulheres sobreviviam das profissões de dançarina, musicista e prostituição. Estudos realizados em esqueletos sugerem que as mulheres da classe inferior eram submetidas a uma boa dose de intenso trabalho físico, não sendo incomum que apanhassem dos maridos. Uma alta incidência de braços fraturados, estudados por antropólogos médicos, revelou serem tais fraturas do tipo geralmente resultante de proteger-se a cabeça contra uma pancada. E quando o marido de uma mulher era condenado por algum crime, a lei egípcia punia também a esposa e os filhos, em geral tornando-se escravos. Elas podiam se divorciar dos maridos e em caso de adultério, se não fosse em flagrante, bastava um juramento de inocência que o suficiente para ser absolvida. A poliginia foi muito comum durante o terceiro milênio antes da era cristã, sendo gradualmente substituída pela monogamia. Excetuando-se os faraós, havia uma plena compensação para as concubinas e escravas suplementares, e a mulher livre era propriedade do pai durante a infância e do marido, a partir da adolescência. A menos que houvesse intervenção do amor, a mulher se tornava para o marido essencialmente a mãe dos filhos dele e dona de casa, uma espécie de criada de nível superior, a ser bem tratada, a menos que falhasse em seus deveres, quando então podia ser dispensada ou receber uma pensão a critério do homem. embora ela pudesse permanecer de posse do seu dote e até mesmo herdar do marido, a provisão financeira a lhe ser feita continha uma nota ressentida. Dinheiro e bens eram para os filhos desejados tão ansiosamente, não para as mulheres. Segundo registram as Máximas do escriba egípcio Ani: Casa com uma mulher enquanto forem jovens e ela trará teu filho ao mundo. Deixa que ela dê nascimento por ti, enquanto fores jovem. É sábio produzir filhos; feliz o homem cuja família é numerosa. A preocupação com os filhos significava que os problemas da concepção mereciam um estudo especial. Era recomendado ao médico egípcio que: Para saber-se qual mulher conceberá e qual não conceberá: melancia, triturada e engarragada com o leite de uma mulher que deu à luz um filho homem; fazer para uma dose. A ser engolido pela mulher, se ela vomitar, conceberá. Se arrotar, jamais conceberá. Há registros de que no primeiro século antes da era cristã, os egípcios circuncidavam os homens e extirpavam as mulheres. Veja mais aqui.

TUDO NÉVOA-NADA - O sono os surpreende no meio da conversa, quando agasalham-se mutuamente. No meio da floresta, o clima é favorável aos abraços e arrolos, na medida exata, do sonho de ambos. No aposento, onde hospedam-se nos sumos dias da semana, desenham nas paredes, abrigam obras de arte, abrem a janela (para sentir o vento refrescar seus corpos suados e brincar com os cães). Querem realizar um longo percurso: na criação de um modo de dizer ao outro, sobre o continente mágico, o afeto pujante, o máximo que puderem gerar de vida saudável. Naquela casa, transformada numa biblioteca, onde tecem diálogos amiúde, durante mais de uma dúzia de horas, sentem-se protegidos das bífidas línguas. É verdade que tomam banho de chuva, que acordam para assistir o nascimento do sol ou perdem o senso das horas. Há momentos de silêncio, quando ele lê e, ela reproduz seu rosto em nanquim, bastão de cera ou cria monotipias - semblante caro em sua existência. Ela o ama e surpreende, quando ele levanta e ergue as pálpebras. Seu riso e seu olhar, dizem do passado e do futuro. O esmero, é um detalhe na louça antiga, no beijo sôfrego, no banco antigo de trem, onde sentam juntos para folhearem álbuns e descobertas dos dias em que ficam apartados. Repousa, na esquina da sala contígua, um rolo de papel canson, cujas medidas assusta os amigos que os frequentam: dois metros por dez, guardam-no para brincarem de cadavre-exquis, quando se reunirem, à mesa central, localizada no centro do abraço dos livros, com seus afetos. É possível decoro na interlocução dos amantes, basta não macular os lagos que transmudam autoestima em narcisismo enfermiço, desses que escavam às próprias imagens. Sabem-se distantes dos ardis e dos desesperos alheios. Sabem que podem participar, além deles, dezesseis amigos sentados. Ainda sobre a reinação do desenho, imaginam prazenteira, a súbita comoção de vê-lo finalizado. Entre eles, não há muros simbólicos ou físicos, não há distâncias ou índices de estranhezas e deselegâncias, nem guerras frias: há fogo, uma chama que salvam, conjuntamente, das vistas alheias, dos imensos olhos que circundam o tempo de sua cira. Quando não há ninguém, desnudam-se e dançam, pois acreditam no riso e na potência dos afetos sãos. Eles ouvem a música da música e do silêncio. Desde o primeiro roçar de suas peles, entenderam a duração do amor: um dia apenas. Desde então, todos os dias, sentem crescer o encantamento que os une e engrandece suas singularidades. Sabem que houve uma vaga de dor, que foi diminuindo aos poucos, à medida em que a saudade que sentem um do outro, se expande. O desalento recua e deixa em seu lugar, um par de asas, que utilizam nos voos que empreendem nas redondezas do paraíso. Não imaginam algo que não possa guardar a translucidez dos vitrais, a clarividência dos olhares, a argúcia do pensamento e a especular sincronia que até hoje, os deixa abismados. É preciso retirar o hialino que cada alma guarda em si e, entregá-lo ao outro. A vítrea verdade, apenas reconhecida pelos que amam sem vaidade ou orgulho, ultrapassando os territórios da melancolia. Sobre os devires, reconhecem a impermanência dos gestos, como fomento dos seus desígnios. Ele a alimenta com sua saliva e seu ardor. conhecem à completude, naquilo que parece maior do que suas individualidades, quando estão juntos. Vivem no sítio de todos os tempos, onde se despojam da vaidade perversa. Onde tudo névoa-nada. Conto da artista visual e escritora Cyane Pacheco. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PELA PÁTRIA - Ouve, meu Filho: cheio de carinho, / Ama as Árvores, ama. E, se puderes, / (E poderás: tu podes quanto queres!) / Vai-as plantando à beira do caminho. / Hoje uma, outra amanhã, devagarinho. / Serão em fruto e em flor, quando cresceres. / Façam os outros como tu fizeres: / Aves de Abril que vão compondo o ninho. / Torne fecunda e bela cada qual, / a terra em que nascer: e Portugal / Será fecundo e belo, e o mundo inteiro. / Fortes e unidos, trabalhai assim... / - A Pátria não é mais do que um jardim / Onde nós todos temos um canteiro. Poema do poeta português António Correia de Oliveira (1879-1960).

MITOS E TABUS DA SEXUALIDADE HUMANA – O livro Mitos e tabus da sexualidade humana: subsídio ao trabalho em educação sexual, de Jimena Furlani, trata de temas como mitos sexuais, tabus sexuais, masturbação, virgindade, ato sexual, homossexualidade, bissexualidade, sexo anal, sexo oral, sexo grupal, lojas eróticas, corpo perfeito, orgasmo, performance individual, pênis, sexo vaginal, estimulação clitoriana, esterilidade, pílula anticocepcional, preservativo, ginecomastia, álcool e atividade sexual, iniciação sexual, casamento, adultério, incesto, sexo na terceira idade, prática sexual, climatério, zoofilia, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: FULANI, Jimena. Mitos e tabus da sexualidade humana: subsídio ao trabalho em educação sexual. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. Veja mais aqui, aqui & aqui.



SANDRA DA SILVA: A GUERREIRA – A escorpiana paulista desempregada, Sandra da Silva, é uma viúva de 29 anos e mãe de 4 filhos que são a sua vida. Sua profissão, segunda ela própria, é autônoma e reside atualmente na cidade de Arapiraca, em Alagoas. Apesar disso tudo, ela mantém o sorriso brasileiro estampado no rosto e com a esperança em dia.

LAM - Sandra, vamos começar pelo lugar que você nasceu: o que você acha do lugar onde nasceu? É só uma lembrança ou tem importância e faz com que você se orgulhe do lugar onde nasceu?

Nasci em São Paulo. É um lugar maravilhoso, agitado, mas ficou só como uma lembrança onde um dia só quero ir visitar. Fica só como lembrança de onde nasci mesmo :).

LAM - Qual a importância da familia para você? Seus pais acompanham e dialogam com você? E seus irmãos e parentes?

Minha familia é tudo pra mim, estão sempre preocupados comigo, o que estou fazendo ou onde estou. Apesar da idade em que ja estou, amo meus pais, minhas irmãs, e principalmente meus filhos os mais importantes da minha vida, e por eles que estou aqui firme e forte :) .

LAM - O que você pretende ser e alcançar profissionalmente na vida? Você tem algum objetivo na vida?

Meu objetivo de vida é lutar pra educar meus filhos o máximo possivel nesse mundo em que estamos. Educar e fazer deles pessoas importantes na vida, não tenho profissão nem terminei meus estudos, mas não quero isso pra eles, tenho certeza que vou alcançar meu objetivo transformar meus filhos em profissionais, em adultos educados :).

LAM - O que você espera da vida? Você espera um milagre ou está pronta para batalhar pelo que deseja e anseia?

Milagres é bom crer, mas eu prefiro ficar com os pés no chão e lutar pelo que desejo e pelos meus sonhos :)

LAM - Quais as suas principais preferencias musicias, nutricionais, sociais e pessoais? O que você gosta de fazer nas horas vagas?

Adoro forró romântico, como de tudo um pouco, não sou muito chegada a regimes, adoro ler romances literários, tambem gosto muito dessa era da internet, minhas horas vagas são pra ler ou assistir filmes com meus filhos :)

LAM - Que experiência positiva você tem do seu período escolar?

Meu periodo escolar foi pouco mais valeu a pena sim, me preparou com a educação e com inteligência pra seguir no tipo de negocio em que eu trabalhava tenho certeza que me tornei uma cidadã decente graças a educação em que recebi :).

LAM - O que você mais detestou na escola? Existe algo que deveria mudar na escola?

O que eu detesto é ver que mesmo formada algumas professoras se tornam as mais mal educadas, já tive problemas sérios na época em que eu estudava e hoje vejo esses problemas acontecer com meus filhos.
Acho que o que deveria mudar é que professora é pra ensinar e não pra maltratar e nem xingar seus alunos.
Acho que o que é errado aqui em Alagoas é a mal formação das nossas professoras e com certeza vem a acontecer com os nossos filhos se agente deixar.
Tem um ditado que diz que a educação se aprende na escola e eu digo que educação hoje se aprende em casa com seus pais :) .

LAM - Como você vê seus amigos? O que voce espera deles? As pessoas valem a pena ser consideradas ou a vida é uma onda mesmo?

Ja tive a infeliz oportunidade de conhecer "amigos falsos" que fizeram de tudo pra me destruir, mas graças a Deus nada me aconteceu, não conseguiram, e hoje eu tenho a oportunidade de conhecer amigos de verdade onde esses sim estão do meu lado sempre em que preciso e sempre que estou bem.
Eu nao perdi a confiança, sei que existem sim pessoas que possam ser chamadas de "amigos " de verdade :)

LAM - O que você acha do Brasil? É o melhor país do mundo ou precisa dar um jeito nessa troçada toda?

Temos muito o que mudar no nosso Brasil, mas eu ainda acho que ele é o melhor do mundo sim, existem países piores com certeza, é so a gente esperar aparecer alguem que possa nos ajudar a ajeitar o nosso Brasil ne? :) .

LAM - Qual a mensagem que você já teve a oportunidade de ter conhecimento e gostaria de dividir com outras pessoas ?

Não sei se posso considerar uma mensagem, mas eu tive a oportunidade de conviver com a perda e ela me ensinou muito.
Trabalhamos e conseguimos tudo que desejamos e do nada perdemos tudo, não digo coisas materiais, mas sim pessoas queridas. Mas eu aprendi que Deus nos tira algo que nos é importante por que ele tem outros objetivos para nós.
Paciencia. É assim que é a vida nascemos e morremos.
Temos que aprender a conviver com isso. Eu aprendi, é difícil, mas temos que conseguir :)
Obrigada por essa oportunidade e espero que eu faça valer a pena a expectativa que depositou em mim, beijinho no seu coração...

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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Recital Musical Tataritaritatá
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