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quinta-feira, junho 05, 2008

D.H. LAWRENCE, JASPERS, SAINT-JOHN PERSE, MARIO PEI, ROBERT RAUSCHENBERG, LITERÓTICA & TEIBEI

A arte artista estadunidense Robert Rauschenberg (1925-2008).

LITERÓRICA: ENCONTRO DO PÍCO VIGOROSO AO TERRAÇO DA JÓIA – Primeiro tempo: do flerte à dança, o desvario da paixão: Agora o momento conspira favoravelmente e mais persevera quando flagro a divícia de toda a sua compleição convidativa que dá provas inequívocas do requinte da sedução. Eu mereço, tenho certeza, esse pulcro e luzidio jeito menina sapeca a me enfeitiçar com o semblante misto entre angelical e satânico, com um cumprimento no olhar chamativo num estro a não perder jamais de vista – pálpebras lânguidas de inesperadas ternuras, suspiros ao léu, com o frêmito nos lábios com gosto de primavera vigente, com jeito dócil no pescoço a descoberto, nas alças fulgurantes da blusa a expor toda a atmosfera do decote emanando fulgurante pôr do sol entre os seios de fruta no pomar, com indulto na cintura que vai dar na circunferência da saia colada no corpo Maracanã das minhas emoções – corpo matéria-prima do milagre -, girando, girando a exalar o frescor da vida para meu sobressalto e delírio. É espetáculo demais de desejos entreabertos para o trapézio do amor, onde os beijos estalam adocicados e insinuam jogadas na pequena área de nossas contumazes deprecações de satisfação; que saltam do seu olhar de ébano a desnudar-me a alma e levá-la folha seca pela ventania forte e nas vazantes etéreas de sua imantação, que me dá conta dos seus lábios rubros e que por tal fresta vem o sopro vital nas minhas narinas e me assalta o toque macio que ao menor contato me eletriza a ponto de invulgar combustão pélvica e que nos abrasa a embolar no meio de campo a confundir de nós a própria vida. É chegada a hora e pronto já test-drive vou margeando, contornando, walkaround, até cravar as minhas garras nessa delícia geográfica além do querer, aspirando do infinito nas asas da sua graciosidade que dá o braço a torcer, tomada de assalto pela minha agonia faminta e já se faz pronta na rendição dos meus galanteios mais lúbricos. Segundo tempo: a nudez, o toque e o prazer estufando o gol do amor Vê-la nua é o sabor do instante na maravilha de estar vivo, onde me faço ourives a deslindar toda alvura carnuda imarcescível de sua extrema condição de amante, carregada com nova leva de carícias para o meu estopim mais arvorado. O seu corpo é a cidade onde habito com todos os temores e explosões, onde cultivo a crença que professo quando o dia começa a romper, onde semeio o que há de melhor em mim para a completa comunhão do dar e receber. É o seu corpo o verdadeiro prêmio que cobiço, é a estrada que transito e me perco e me encontro quando me expõe os seios, montanhas do Cáucaso de meus delírios, à minha bocarra insaciável devolvendo a plena vida sugando o sal da terra. Eu solapo todas as medidas com o exame tátil de nossas inquietações na furiosa tempestade a devassar todos os limites dos domínios e nas dimensões do seu corpo que predispõe a loucura do gozo e vou num ritmo ideal de jogo com todas as firulas e mando de campo, encarando a zaga e na jogada, lance de bandeja, vou buscar a enfiada profunda para alcançar o conteúdo das suas redes mais ao rés-do-chão do paraíso almejado. Eu corro perigo com o assédio dos seus encantos como se fosse o meu refeitório eivado de luxúria de completa adrenalina quando penetro entre as suas pernas oblíquas e avultamos nossos urros, nos dizimamos um ao outro em nossos apegos mais íntimos, até que nossos corpos caiam estiolados fenecendo de prazer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA – [...] O turbilhão da existência moderna subtrai ao homem uma visão límpida do que, na realidade, acontece. Vagamos na existência como num mar sem que possamos escapar-lhe ou espraiar-nos numa margem firme a permitir-nos uma perspectiva nítida da totalidade. O redemoinho só permite abranger o que, por ele arrastados, logramos. [...] Tudo é atingido pela crise, inabarcável em todos os seus elementos e incompreensível do ponto de vista das suas causas, de efeitos ineutralizáveis, que nos compete assumir como parte integrante do nosso destino, sofrer e superar. Enuncia-se, sob formas bem diversas, o carácter fugidio desta crise. [...]. Trechos extraídos da obra A situação espiritual do nosso tempo (Moraes, 1968), do filósofo e psiquiatra alemão Karl Theodor Jaspers (1883-1969). Veja mais aqui.

LÍNGUA & LINGUAGEM – [...] Todas as línguas, sem exceção, tem de ter um conjunto de fonemas, ou sons, de significado claro para os que as falem; um conjunto de palavras que indiquem ações e conceitos; um conjunto de formas gramaticais, que podem ser principalmente morfológicas (isto é, consistir de desinências ou modificações das palavras destinadas a transmitir alterações de significados básicos) ou principalmente sintáticas (isto é, baseadas na ordem em que as palavras são emitidas). [...]. Trecho extraído da obra Voices of Man: The Meaning and Function of Language (Harper & Row, 1962), do linguista italiano Mario Pei (1901-1978).

O PÂNTANO – [...] Seguia-a minuciosamente, enquanto se movia, altiva e decidida, pelos campos abaixo, em direção ao pântano, como qualquer coisa que fosse empurrada, e não movida por uma atividade voluntária. Ali ficou um momento sobre a margem, sem nunca levantar a cabeça. Depois penetrou vagarosamente na água [...] A moça erguera-se perto, e ele agarrou-lhe a roupa e, atraindo-a a si, voltou-se para se dirigir novamente para terra. [...] Depositou-a na margem, em completa inconsciência e escorrendo água. Fez-lhe sair água pela boca, e empregou esforço para a reanimar. [...] depois levantou-a nos braços, afastou-se cambaleando da margem e atravessou os campos. [...] Então ela inclinou-se para a frente, sobre os joelhos e prendeu-o nos braços, prendeu-lhe as pernas, apertando o peito contra os seus joelhos e coxas, cravando nele os dedos com uma certeza estranha e convulsiva, apertando-lhe as coxas contra si, atraindo-o para o seu rosto, para a sua garganta, ao mesmo tempo que erguia os olhos para ele, uns olhos brilhantes e humildes de transfiguração, triunfantes com a primeira posse. [...]. Trechos do conto O pântano, do escritor britânico D. H. Lawrence (1885-1930). Veja mais aqui.

ANABASE (FRAGMENTO) - Estabelecendo-me com honra sobre três grandes estações, / auguro bem do solo onde fundei a minha lei. / As armas na manhã são belas e o mar. / Exposta a nossos cavalos, a terra sem amêndoas / traz-nos este céu incorruptível. E o sol não é sequer nomeado, / mas o seu poder está entre nós
e o mar na manhã como uma conjectura do espírito. / Poder, tu cantavas nas nossas estradas noturnas!… / Nos idos puros da manhã que sabemos nós do sonho, nossa procedência? / Por mais um ano ainda entre vós! / Senhor do grão, senhor do sal, e a coisa pública sobre justas balanças! / Nunca chamarei por gentes doutra margem. / Não traçarei nunca grandes / bairros urbanos pelas encostas com o açúcar dos corais. / Mas tenciono viver entre vós. / No limiar das tendas inteira glória! a minha força entre vós! / e a ideia pura como um sal faz-se pública em pleno dia. / Parado o meu cavalo sob a árvore que arrulha, / lanço um assobio mais puro… E paz àqueles que, se vão morrer, / não chegaram a ver este dia. / Mas de meu irmão, o poeta, tivemos nós notícias. / Mais uma vez escreveu uma coisa muito doce. / E alguns tiveram dela conhecimento
… Poema do poeta e diplomata francês Saint-John Perse (Alexis Leger – 1887-1975).
A arte artista estadunidense Robert Rauschenberg (1925-2008).


NA VOLTA DA TEIBEI: FILOSOFIA DE BOTECO.
(recolhida pelo Karl Leite)

'Transar é arte, gozar faz parte, engravidar é moda, assumir é que é foda!'

'A diferença entre uma mulher na TPM e um seqüestrador, é que com o seqüestrador ainda existe uma possibilidade de negociação'.

'Os problemas da vida são como um tarado bem dotado: é melhor enfrentar,
porque se você virar as costas, vai ser bem pior!'

'Ninguém vencerá a guerra dos sexos. Há muita confraternização entre os inimigos'.

'O Brasil é um país geométrico... tem problemas angulares, discutidos em mesas redondas, por um monte de bestas quadradas.'

'Mulher é igual a macarrão: você enrola, enrola, enrola... e come!'

'Casar é trocar a admiração de várias mulheres, pela crítica de uma só!'

'O chifre é como o consórcio... quando você menos espera é contemplado.'

'Homem feio é igual à ventania: só quebra galho'.

'A diferença entre o homem e a mulher é que o pau que está entre as pernas do homem é sempre o mesmo'.

'Sogra é como onça: todos temos que preservar, mas ninguém quer ter em casa.'

'Mulheres são como traduções: as boas não são fiéis e as fiéis não
são boas.'

'Mulher de amigo é que nem muro alto: a gente trepa, mas dá um medo...'.

'A diferença entre a mulher decidida e o homem mulherengo é que a mulher decidida está sempre pronta para o que der e vier, e o homem mulherengo está sempre pronto para quem vier e der.'

'O que há em comum entre um bolo queimado, cerveja estourada no congelador e mulher grávida? Nada; mas se você tivesse tirado antes nada disso teria acontecido...'.

Vamos proutra rodada? Vamos é aprumar a conversa & tataritaritatrá!!!



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Fecamepa: quando a coisa se desarruma, até na descida é um deus nos acuda! Aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando a festa do Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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quarta-feira, abril 09, 2008

VALÉRY, JASPERS, NELLY BLY, PASCAL, JAROSLAV ZAMAZAL, ORLANDI, PSICOLOGIA SOCIAL, ESTATÍSTICA, TOLINHO & BESTINHA

 
A arte d artista plástico tcheco Jaroslav Zamazal (1900-1983)


TOLINHO & BESTINHA - IX - Quando o mundo fica pequeno pros andejos de cabeça inchada - O clima ficou pesado. Bum! Tempo fechado de se ver o pega-prá-capar! Segura a onda! E o que é pior: comigo no meio. Mas rapaz, logo eu que sempre me esquivei de bronca, findar agora em palpos de aranha? Eita. Isso é uma camisa de trezentas mil varas com dez nós cegos no meio! Verdade. Os caras num tem o menor senso de ridículo. São capazes dos mais enlouquecidos disparates, não se dando para prever o mínimo das conseqüências, são tudo pau de dar em doido! Mexeu, vespeiro macho dá na maior urucubaca, de só se ver o enterro voltando truculentamente. O pior rebuliço dos revoltados! Destá. O ar tão sinistro pairava com aquele bafo capaz de reunir todas as desgraças juntas, a ponto de uma tragédia braba sem precedentes na história, suspender o ritmo natural da vida ínfima dos coadjuvantes envolvidos nessa presepada. Uma bombástica situação daquelas de deixar meio mundo de gente de queixo caído. Óóóóóó. Dava até para prever o sinal de extrema-unção, carpideiras, blém-blém, missa-de-sétimo-dia, maior atmosfera funérea. Não seria tão tosca se não fosse evidentemente da maior bizarrice. Parecia mais que uma bomba de num sei quantos megatons estava prestes a explodir reduzindo tudo a migalhas. Ou nem isso sobrando. Deu prá sentir, num é? Graças a intervenção salvadora do Boca-de-frô, conseguiu-se reconduzir os propósitos iniciais dessa empreitada, não antes meio mundo de recomendações condicionadas para tal. Hum! Para maior munganga desembestada, um rol de condições, chega superar todos os dogmas, todas as bulas, todas as regras, toda a codificação, teve que ser acertada, remoída, reiterada, para que tudo pudesse prosseguir a bom termo. Bote beligerância nos acertos cuspindo desavenças, ameaças, alardes, um verdadeiro cu-de-boi! Eita! Pode? Graças, entre mortos e feridos parece que escaparam todos, pelo menos. O pior não é nada, tratando-se de coisas tão fúteis que não vale o que priquito voa, desarrazoado desse é pinto. É cada chute no pau da barraca de só se ver os estilhaços voando feito canivete. Danou-se! Disso, ficou acertado, para contrariedade dos muitos aficcionados das lorotas cabeludas desmedidas que estouram a maior dimensão da lógica e para não esticá-la mais que o convincente no raio do verossímil, que Tolinho e Bestinha, por fim, arribaram putos da vida, fecharam-se em copas, criando uma redoma incomunicável entre os dois e o resto do mundo, ameaçando até peticionar judicialmente, exigindo danos morais num litígio com o maior boi de fogo contra quem investisse insinuações para as bandas deles. É mole? E isso dá cabimento para as maiores maloqueragens. Melhor deixar o dito pelo não dito, passar uma borracha em tudo e reconsiderar novas circunstâncias para o melhor andamento de nossa narrativa. Principalmente pelo fato de jamais haver acordo na peitica dos ofendidos que reclamaram exaustivamente indenização pecuniária de vulto, daquelas correspondentes a dez vezes mais o montante da dívida externa brasileira. Um exagêro, claro, mas cada qual tem o direito de atrevimento e de petulância próximas da estupidez. Notadamente para quem não tem limites nem trafega na dimensão do razoável. O que não seria nenhuma coisa do outro mundo, vez que a gente já sabe, pelo que já foi visto, que limites não existem e, se existissem, estariam usurpando até os confins dos paradoxos, excedendo contradições, sobrepujando a sensatez e a coerência. Isto quer dizer que devemos contar tudo no mundo do escandaloso, quanto mais extravagância, melhor. Aproveitando-se disso e vingando-se propositalmente ao mesmo tempo da dupla insana, Lombreta-boca-de-frô, que não é nenhuma flor que se cheire e tem um rabo enorme para deixar queimar na fogueira das maledicências, assumiu, por sua própria conta e risco, a epopéia das toupeiras. Assim, de agora em diante, tudo correrá conforme suas informações. Tratando-se de uma arapuca braba, entenda-se que não há o que temer, eles que são brancos que se entendam. Eu, apenas, empresto minha pena na tentativa de organizar as presepadas que aqui serão narradas, nada mais. E, para começo de conversa, introdutoriamente Lombreta fez questão veemente de deixar claro sua exacerbada formação religiosa, deixando escapar suas inclinações nazistas, sua predileção em imitar o Enéias e a desabusada mania de botar tudo no eixo do certo. - Vamo aprumá a cunversa! -, disse, pondo todos os pontos nos iis. E, com a sua providente explanação, colocou tudo em pratos limpos para que não se pairem a menor dúvida sobre os fatos que aqui serão amiudamente relatados. - Hum, hum -, pigarreou Boca-de-frô, afinando a goela. - Bem, falá de Tolinho e Bestinha, mi dá o maió dos prazê. Incrusivel, essa roda tá muito istreita, tem qui botá mais gente queimando nesse fogaréu. Por exemplo, mermo, o Bráulio. Num sei pruqui caiga-d´água esse molambo de gente num tá na roda! Tem qui intrar, é uma das minha ejigência. À guisa de esclarecimento, todavia, o Bráulio-cabeça-de-pica, o rei-da-cocada-preta, é o seu maior desafeto e olhe que ainda são parentes. Deles, uma inimizade criada na base de muita lenha prá queimar e ingicada de instante a instante por causa do adiantamento do dissimulado. Tudo porque deu sopa, pimba! Marcou bobeira, num dá um prego num peido de véia mas tira vantagem de tudo. O Zé-ruela, para o Boca-frô, é feito um soco na boca do estômago: o desregrado namorava e papava as irmãs dos dali e tomava as namoradas dos outros. Logo o Boca-de-frô que ficava no meio do maior pastoril: cinco do cordão encarnado, seis do cordão azul, tudo daquelas lindezas cobiçadas por qualquer marmanjo de sã consciência, isso batia nos nervos do sorteado dele ficar horas e mais horas xingando o atrevimento do sujeito. Sai fora! O Bráulio era um verdadeiro bicho-papão, o verdadeiro calango fudedor, playboy, cabelo nos ombros, todo malabanhado, desbocado, cheio de nó pelas costas, desassombrado e mais desavergonhado de não temer nenhuma reprimenda de quem quer que fosse. Desse espaço, o cabra timbunga dentro com a maior cara lisa. Ôxe, o maior penetra e arregueiro das coisas impossíveis. O mais constrangedor de tudo era quando o Bráulio se referia ao Lombroso como sendo o mais metido a besta da trupe, exaltando-se a sua mania culta de douto das ciências ocultas e letras de culturas inúteis, possuidor de apetrechos maiores que telescópio Hubble e com o fosquete com mais de 600 KV de potência, capaz de fazer a NASA pedir penico para obter suas informações exclusivistas. E mais: conciliando o trancendental ao imanente e mangando da mania hipocondríaca dele, de tudo virar uma doença braba a partir do mais leve toque de uma mosquinha de nada pousando na pele de quem quer que seja. O bafafá entre os dois num tinha trégua. Para redimir, Lombroso contava com o Tolinho que sustentava a ira dele. Ou melhor, Tolinho gozava da amizade de ambos. Sem preferência. Na hora agá: o Bráulio que era espirituoso, espaçoso, carregava na boléia toda trupe para as piores situações. No final, só mangação. - Tome! Num disse? Vá comê sal cum ele, vá? Só dá nisso, maió rebuceteio! Narra, então, que no início a amizade entre ele, Bráulio e Tolinho era referendada no primado. Isto é, por serem parentes se entendiam. Mas Boca-de-frô logo percebeu as maleitas do Bráulio e partiu para as intrigas e fuxicos para tirá-lo da roda. Assevera, assim, que nunca fizeram nada de mais, agindo como qualquer criança em fase de crescimento. É claro, diz ele solenemente, que não se pode negar as brechadas nas portas dos banheiros femininos, o levantamento de saias para ver as bundas-ricas, a puxada nas presilhas dos sutiãs, as pedradas nos quengos alheios, as quebradas de vidraça da vizinhança, as arterices que redundavam em pisas exageradas, mas que quando um levava uma surra, os outros dois saíam do aperto depois de umas lamboradas gerais. Era assim: onde o cacete come num, come em todos. O seu testemunho alega que não houve nada das sandices contadas sobre Tolinho com as freiras, mentira. Tudo mentira. É verdade só, que numa doidice, ele próprio decepou um colhão. Isso sim. Mas o resto é tudo invencionice. Aquelas coisas todas atribuídas ao Tolinho, na verdade, era cometida pelo Bráulio, este que tudo que dizem de Tolinho era ele quem pintava e bordava. Tolinho que levava a culpa, coitado. O Bráulio que era o sacana e para se defender dizia que foi o Tolinho quem havia praticado isso ou aquilo. Ele próprio, o Boca-de-frô, fora vítima de num sei quantas aperturas e reprimendas por causa das dedurações do Bráulio. Por isso que se afastaram do enredeiro quando conheceram Bestinha, outro vítima de inverdades. Se bem que, ressalta Boca-de-frô, de Bestinha ele não pode botar a mão no fogo, no máximo no gelo, porque é mentiroso demais e sai inventando coisas descabidas para banda de todo mundo. Na vera, só defendia mesmo o espinhaço de Tolinho, a quem tratava por irmão de sangue. Depois de haver cochichado as considerações iniciais, Lombreta mandou passar a régua nas preliminares e pigarreou, novamente, afinando o verbo, prometendo abrir o jogo de Bestinha e Bráulio, dando por iniciada a maior enredagem que se tenha notícias sobre essas duas almas penadas. Vamos nessa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  


PENSAMENTO DO DIA - [...] Só nos momentos em que exerço minha liberdade é que sou plenamente eu mesmo: ser livre significa ser eu mesmo. [...]. Pensamento do filósofo e psiquiatra alemão Karl Theodor Jaspers (1883-1969). Veja mais aqui.

PARA QUE SERVEM AS GAROTAS? – [...] O que, exceto a tortura, poderia gerar insanidade mais rápido do que este tratamento? Aqui uma classe de mulheres foi enviada para ser curada. Gostaria que os médicos especialistas, que me condenaram por minhas ações, que provaram suas habilidades, que peguem mulheres perfeitamente saudáveis e sãs, que calem suas bocas e as façam sentar das seis da manhã às 8 da noite em bancos duros, que não deixem que elas falem ou se movam durante essas horas, sem dar-lhes nada para ler ou conhecimento sobre o mundo lá fora, dando-lhes comida de péssima qualidade e um tratamento brutal, e vejam quanto tempo levará para que elas se tornem loucas. Dois meses as destruiriam mental e fisicamente. [...]. Relato da jornalista e escritora estadunidense Elizabeth Cochram Seaman (1864-1922), mais conhecida como Nelly Bly, pioneira em reportagens investigativas, passando por insana para estudos numa instituição de tratamento de doentes mentais. Ela iniciou sua carreira ao criticar uma matéria intitulada “What Girls Are Good For”, ela impressionou o editor, pelo qual foi contratada, assumindo o seu pseudônimo, escrevendo sobre diversas temáticas sobre os direitos das mulheres e denunciando suas terríveis condições laborais. Insatisfeita foi pro México e publicou, em 1888, o livro “Six Months in Mexico”. Retornando para Nova Iorque, passou a investigar um hospital psiquiátrico, como paciente, resultando numa experiência terrível por dez dias. Ali conheceu mulheres que não possuíam nenhum distúrbio psicológico, bem como outras que não recebiam tratamento adequado, todas sendo abusadas, amarradas, agredidas e ignoradas pelos médicos, resultando, ao sair da instituição, na publicação do livro “Dez dias em um hospício”. Por conta disso, o governo tomou providências e decretou mudanças no hospital. Depois disso, ela ficou conhecida por todo o país e seguiu escrevendo sobre pobreza, política e outras questões sobre as quais as mulheres anteriormente não tinham opinião (ou melhor, não podiam expressar suas opiniões). Seus textos e denúncias ajudaram a mudar a sociedade e a inspirar outras mulheres a seguirem o caminho não usual e desafiar os padrões de gênero há muitas décadas. Em 2015 foi publicado um filme e um documentário sobre sua vida e legado. Veja mais aqui e aqui.

DIGNIDADE & PENSAMENTO - [...] Não é no espaço que devia buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu os abarco. [...]. Extraído de Pensamentos (Abril Cultural, 1973), do filósofo, físico e teólogo francês Blaise Pascal (1623-1662). Veja mais aqui.

APRENDER: DISCURSO & LEITURA - [...] Compreender, eu diria, é saber que o sentido poderia ser outro [...] Compreender, na perspectiva discursiva, não é, pois, a tribuir um sentido, mas conhecer os mecanismos pelos quais se põe em jogo um determinado processo de significação. [...] Extraídos de Discurso e leitura (Cortez/Unicamp, 1993), da professora e pesquisadora Eni Pulcinelli Orlandi. Veja mais aqui.

POESIAEm poesia, trata-se antes de mais nada de fazer música (de palavras) com a própria dor a qual diretamente nada importa. Pensamento do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA SOCIAL – O livro Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas, de José Luis Álvaro e Alicia Garrido, trata de temas como as origens do pensamento psicossociologico na segunda metade do século XIX, o desenvolvimento das ciências sociais, o positivismo e a tese da unidade da ciência, a sociologia como ciência em Émile Durkheim, o estudo da imitação de Gabriel Tarde, a psicologia das massas de Gustave Le Bom, a consolidação da psicologia experimental, as ideias psicossociologicas de Karl Marx, o princípio da seleção natural, a teoria evolucionista de Hernert Spencer, o pragmatismo, a diferenciação da psicologia social no contexto da psicologia, Wilhelm Wundt, a psicologia da Gestalt, William McDougall e a teoria dos instintos, a teoria psicanalista, Watson e o Behaviorismo, Alpport e o behaviorismo na psicologia social, Max Weber e a teoria da ação social, Gerog Simmel e o estudo das ações recíprocas, Charles Horton Cooley e as bases psicossociais das relações interpessoais e da vida social, William I. Thomas e o estudo das atitudes sociais com objeto da psicologia social, George Herbert Mead e o interacionismo simbólico, o positivismo lógico e Circulo de Viena. Karl Mannheim e a sociologia do conhecimento, o neobehaviorismo, a hipótese da frustração-agressão, Kurt Lewin e a teoria de campo, o estudo experimental dos grupos, Frederic Bartlett e a teoria dos esquemas, Lev Vygotski e o estudo dos processos cognitivos, o funcionalismo estrutural e a teoria sociológica de Talcott Parsons, o método experimental, a mensuração das atitudes, a percepção social, a consistência cognitiva e a teoria do equilíbrio de Fritz Heider, a teoria da comparação social e da dissonância cognitiva de Leon Festinger, a comunicação persuasiva e Carl Howland no programa de pesquisa, a teoria da facilitação social de Robert Zajonc, a teoria do intercâmbio social de John Thibaut e Harold Kelley, a aprendizagem social, a teoria do desamparo aprendido de Marting E. P. Seligman, a teoria de intercambio de George Homans, sociologia fenomenológica e a psicologia social de Alfred Schutz, a etnometodologia, o modelo de covariação de Harold Kelley, categorização social e estereótipos, Alberto Bandura e o behaviorismo mediacional à teoria cognitiva social, categorização e identidade social, a identidade social e relações intergrupais, a teoria da auto-categorização, a teoria das representações sociais, a psicologia social de Martin-Baró, o construcionismo social de Keneth Gergen, o enfoque etogênico de Tom  Harré, a análise do discurso e a psicologia social, o enfoque retórico de Michael Billing, análise das conversações, o interacionismo simbólico e a concepção estrutural de Sheldon Stryker, a teoria da estrutura de Anthony Giddens, a sociologia figurativa de Norbert Elias, o construtivismo estruturalista de Pierre Bordieu, a polêmica com relação à metodologia quantitativa ou qualitativa, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: ALVARO, José Luis; GARRIDO, Alicia. Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.

PSICOLOGIA SOCIAL – A obra Psicologia social dos valores humanos: desenvolvimentos teóricos, metodológicos e aplicados, organizado por Maria Ros e Valdiney V. Gouveia, aborda temas como a perspectiva história da psicologia social dos valores, aspectos universais na estrutura e no conteúdo dos valores humanos, o individualismo e o coletivismo normativo, procedimentos de escala para medição de valores, consenso e estabilidade nos valores sociais abstratos, validade dos modelos transculturais sobre os valores, internalização de valores sociais e estratégias educativas parentais, valores e redução do preconceito, os significados da saúde e a saúde como um valor, os significados da identidade nacional como valor pessoal, descrições das culturas, indicadores psicológicos e macrossociais comparados com as posições em valores das nações, valores do trabalho e das organizações, valores culturais e decisões de comportamento nas organizações de trabalho, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: ROS, María; GOUVEIA, Valdiney. Psicologia social dos valores humanos: desenvolvimentos teóricos, metodológicos e aplicados. São Paulo: Senac, 2006.

ESTATÍSTICA APLICADA A CIÊNCIAS HUMANAS – O livro Estatística aplicada a ciências humanas, de Jack Levin, trata de assuntos como a natureza da pesquisa, hipóteses, estágios da pesquisa, séries numéricas, funções da estatística, organização de dados, distribuições de frequências e cumulativas, posto percentil, representações gráficas, gráficos setoriais, gráficos de barras, polígonos de frequência, medidas de tendência central, moda, mediana, média aritmética, medidas de variabilidade, amplitude total, desvio médio e padrão, a curva normal, probabilidade, métodos de amostragem, distribuição binomial, erro amostral, intervalos de confiança, estimativa de proporções, amostras e populações, tomada de decisões, hipótese nula e experimental, níveis de significância, análise de variância, somas de quadrados, testes não-paramétricos, prova exata de Fisher, prova de Mann-Whitney, dupla analise de variância por postos de Friedman, análise da variada por postos de Kruskai-Wallis, subsequências, experimento binomial, correlaão, aplicação de procedimentos estatísticos a problemas de pesquisa, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: LEVIN, Jack. Estatística aplicada a ciências humanas. São Paulo: Harbra, 1987.

ESTATÍSTICA NÃO-PARAMÉTRICA PARA CIÊNCIAS DO COMPORTAMENTO – O livro Estatística não-paramétrica para ciências do comportamento, de Sidney Siegel e N. John Castellan Jr., aborda uso de testes estatísticos em pesquisa, hipótese nula, escolha do teste estatístico, nível de significância e tamanho da amostra, distribuição amostral, região de rejeição, decisão, exemplo ilustrativo, referências, modelo estatístico, eficiência, mensurações, testes estatísticos paramétricos e não-paramétricos, teste binomial, teste qui-quadrado de aderência, teste de Kolmogorov-Smirnov de uma amostra, teste para inferência de simetrias de distribuições, teste das series de uma amostra para aleatoriedade, o teste ponto-mudança, discussão, teste de mudança de McNemar, teste do sinal, teste de postos com sinal de Wilcoxon, o teste de permitação para replicações emparelhadas, amostras independentes, amostras relacionadas, amostras independentes, medidas de associação e testes de significância, os coeficientes de Cramér, Spearman, Kendall, variáveis ordenadas e a estatística gama G, associação assimétrica, estatística lambda e para variáveis ordenadas, entre outros assuntos. REFERÊNCIA; SIEGEL, Sideny; CASTELLAN JR, N. John. Estatística não-paramétrica para ciências do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2006.

INTRODULÃO À ESTATÍSTICA – O livro Introdução à estatística: enfoque informático com o pacote estatístico SPSS, de Rafael Bisquerra, Jorge Castellá Sarriera e Francesc Martínez, trata de assuntos como a pesquisa científica e a análise de dados, a informática, estatística descritiva univariada, teoria da decisão estatística, provas de homoscedasticidade, prova T de student de contraste entre duas médias, prova de qui-quadrado, análise da variância, correlação e regressão, contrastes e correlação não-peramétrica, mediação e avaliação em educação, análise de pesquisas de resposta múltipla, entre outras abordagens. REFERÊNCIA: BISQUERRA, R.; SARRIERRA, J. C.; MARTÍNES, F. Introdução à estatística: enfoque informático com o pacote estatístico SPSS. Porto Alegre: Artmed, 2004.


A arte d artista plástico tcheco Jaroslav Zamazal (1900-1983)




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terça-feira, fevereiro 12, 2008

RIMBAUD, LEIBNIZ & MONADOLOGIA, BRAULIO TAVARES, JASPERS, CAROLINE WESTERHOUT, BICHO DE PALHA & BIG SHIT BÔBRAS

A arte da artista plástica e visual holandesa Caroline Westerhout.

Imagem: Derinha Rocha.

BIG SHIT BÔBRAS - O PAREDÃO: QUEM VAI TOMAR NO CU?!

Vera chegou freiada e tão acelarada que nem deixou o Zé Peiúdo anunciar a melecada toda. E com a voltagem topada e dedo na mira de todos, ela sapecou: - Os 3 do paredão: padre Bidião, Doro e Zé Bilola! Foi um escarcéu. O padre Bidião ficou amuado e se recolheu para arrumar os seus muafos. Solidária, Prazeres do Céu seguiu-lhe os passos. Zé Bilola mais que inconformado, protestou veementemente em cima dum tamborete, chamando tudo aquilo de farsa, perseguição política e incompetência de liderança. Descascou bravo, Doro, mais manhoso que os outros, tentava conciliar distribuindo uns golezinhos da Teibei para aliviar os ânimos. Foi aí que Vera, irredutível, exigiu o cumprimento. Zé Peiúdo revalidou suas indicações: no paredão padre Bidião, Doro e Zé Bilola. E quanto mais os ânimos se acirravam entre os fodidos emparedados, seus asseclas, babaovos e simpatizantes, o Doro arreava nos copos das vítimas do sobrado mais Teibei para todos se animarem sem animosidade. Isso não vai dar certo, destá. - Briguem, mas num arenguem. -, dizia o Doro com toda gaiatice que lhe é peculiar. Marcialita mesma tomou uns goles para aliviar na irritação. Ximênia, nem se fala, idem. Prazeres do Céu, piorou: estava já arrumando suas trouxas para debandar dali com o padre. E por falar nisso, cadê o padre, hem? Quando foram olhar, o padre estava rezando com os olhos arregalados enfiando o seu cordão sagrado nas intimidades da sua Thérése Philosophe.


Imagem: Thérése Philosophe.

Um escândalo. Foram expulsos a bem da moral e dos bons costumes sob ruidoso apupo incentivado pelos organizadores do evento. Como passaram a organizar a zona, Zé Peiudo então anunciou que estavam no paredão somente Doro e Zé Bilola, já que o padre Bidião e a Prazeres do Céu foram expulsos da casa por mau procedimento. E que para substituir os dois, haveria um Quizz envolvendo dois sorteados que foram, por coincidência, Marcialita e Ximênia. O Doro gostou do sorteio já antevendo que ia se dar bem nessa. E deu mesmo. Na primeira pergunta feita para Marcialita, se ela acertasse salvava ele; e se errasse, ele estava fudido a tomar no cu no paredão. Ela acertou e ele lavou a jega. Veio então a segunda pergunta, se ela acertasse ficariam os dois, se ela errasse somente ela era expulsa da casa. - Ôxe, pruquê num mi disseru que inda tinha essa? -, indagou fula Marcialiata. Para se ter idéia, a primeira pergunta foi: qual a data de nascimento do seu marido. Uma baba, né? Ela, na batata. A segunda pergunta, sei não: qual a raiz quadrada de 1 quaquaquilhão, 3 trilhões, 10 bilhões, 999 milhões, 659 mil e 19 centavos? Nem errou, nem acertou, não sabia. Expulsa. Ela ficou braba que só uma capota-choca. Foi preciso intervenção do batalhão da polícia militar para retirar a ingicada do recinto. - Oi, diga logo as duas preguntas que num quero caí in tocaia feito a Marcialita não, viu? -, exigiu Ximênia. - Todas as preguntas são supresas! -, informou solenemente Zé Peiudo. Para Ximênia a coisa empenou com a primeira pergunta: Quantos livros escreveu Ascenso Ferreira? - Ôxe, sei lá quem é esse, doido! -, gracejou ela com cara atarantada. - Fudi-me, vou tomar no cu de qualquer jeito mesmo -, lamentou Zé Bilola. Como Ximênia não sabia e o Doro tinha sido salvo pela Marcialita, Zé Bilola ia tomar mesmo no cu, quando veio a segunda pergunta sob a condição de: se acertar, estava salva; se errasse, tinha que fazer um estrupício toda nua e se esfregando em quem vai tomar no cu no paredão. Estava em casa, afinal, era o seu marido que estava lascado e ela salvaria mesmo. Pois bem, quando lascaram a pergunta, não deu outra: - Nem comendo bosta de cigano tem quem adivinhe! -, mangou Doro. Resultado: Zé Bilola enfezou-se, pegou a mulher pela mão e abandonou a casa. Uma chacota só. Aí tiveram que escolher novas vítimas para tomar no cu do paredão. Foi quando entre eles começou a votação. Escore: 20x0 no Afredo Bocoió. - Eita, inté eu mermo votei neu mermo, foi? Pareci inté que sincumbináru, né? -, gracejou Afredo. Aí foi que o Zé Peiudo leu edipianamente a sentença: - O emparedado filho-da-puta, tem que ficar nu de 4 com as mãos amarradas no tronco. Primeiro castigo, os homens comem seu cu. Segundo, as mulheres dão-lhe uma pisa de chicote. E está expulso do sobrado! - Tome, seu fresco! -, espinafrou Mamão que foi o primeiro a arregaçar a peia no caneco do vitimado. E assim foi. Era pêia no rabo e lapada no toitiço. Afredo saiu de maca desacordado e com o cu todo afolosado.

PRÓXIMO CAPÍTULO: A JOGATINA DO JORGE E DA JÚLIA NO CONTATO COM UM ET. Veja aqui


PENSAMENTO DO DIA - [...] O poeta se faz vidente através de um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos [...]. Pensamento extraído da obra Rimbaud por ele mesmo (Martin Claret, 1994), do poeta Arthur Rimbaud (1854-1891). Veja mais aqui.

MÔNADA & MONADOLOGIAA Mônada […] é apenas uma substância simples que entra nos compostos. Simples, quer dizer: sem partes. Visto que há compostos, é necessário que haja substâncias simples, pois o composto é apenas a reunião ou aggregatum do simples. [...] as Mônadas são os verdadeiros Átomos da Natureza, e, em uma palavra, os Elemenros das coisas. Delas também não há o temer qualquer dissolução: é inconcebível que uma substância simples possa perecer natualmente. [...] as Mônadas só podem começar ou acabar instantaneamente ou, por outras palavras, só lhes é possível começar por criação e acabar por aniquilamento, ao passo que todo composto começa e acaba por partes. [...] As Mônadas não têm janelas por onde qualquer coisa possa entrar ou sair. [...] as Mônadas precisa ter algumas qualidades, pois, caso contrário, nem mesmo seriam entes. [...] as Mônadas diferem entre si, porque na Natureza nunca há dois seres perfeitamente idêntidos, onde não seja possível encontrar uma diferença interna ou fundada em uma denominação intrínseca. [...]. O estado passageiro, envolvendo e representando a multiplicidade na unidade ou na substância simples, é precisamente o que se chama Percepção, que deve distinguir-se da apercepção ou da consciência [...].Pode chamar-se Apetição à ação do princípio interno que provoca a mudança ou a passagem de uma percepção a outra. [...] Poder-se-iam denominar Enteléquias todas as substâncias simples ou Mônadas criadas, pois contém em si uma certa perfeição (ekhousi tò entelés), e tem uma suficiência (autárkeia) a torna-las fontes das suas ações internas e, por assim dizer, Autômatos incorpóreos. [...] A memória dá às almas uma espécie de consecução que imita a razão mas que deve distinguir-se dela. [...] Há um só Deus, e esse Deus é suficiente. [...] Há em Deus a Potência, origem de tudo; depois o Conhecimento, contendo a particularidade das ideias; por fim a Vontade, que provoca as mudanças ou produções segundo o princípio melhor. [...] A cada Mônada, cuja natureza representativa nada conseguiria à representação de uma só parte das coisas, muito embora, na verdade, esta representação seja confusa apenas nos pormenores de todo o universo, e distinta apenas em pequena parte das coisas, isto é, ou nas mais próximas ou nas maiores, relativamente a cada uma das Mônadas [...] cada Mônada criada represente todo o universo, representa mais distintamente o corpo que lhe está particularmente afeto e de que constitui a Enteléquia; e como esse corpo exprime todo o universo, pela conexão de toda a matéria no pleno, a alma representa também tudo o universo ao representar esse corpo que lhe pertence de um modo particular. O corpo pertence a uma Mônada (que é a sua Enteléquia ou Alma) [...]. por isso rigorosamente não há nem geração completa, nem morte perfeita, no sentido de separação da alma. O que chamamos Gerações são desolvivemtnso e crescimentos, assim como o que chamamos Mortes são envolvimentos e diminuições. [...]. Trechos extraídos da obra Os princípios da filosofia ditos a Monadologia (Abril, 1979), do filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716). Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO FILOSÓFICO – [...] Mas como se põe o mundo em relação com a filosofia? Há cátedras de filosofia nas universidades. Atualmente, representam uma posição embaraçosa. Por força de tradição, a filosofia é polidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo. A opinião corrente é a de que a filosofia nada tem a dizer e carece de qualquer utilidade prática. É nomeada em público, mas – existirá realmente? Sua existência se prova, quando menos, pelas medidas de defesa a que dá lugar. A oposição se traduz em fórmulas como: a filosofia é demasiado complexa; não a compreendo; está além de meu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale a dizer: é inútil o interesse pelas questões fundamentais da vida; cabe abster-se de pensar no plano geral para mergulhar, através do trabalho consciencioso, num capítulo qualquer de atividade prática ou intelectual; quanto ao resto, bastará ter “opiniões” e contentar-se com elas. A polêmica torna-se encarniçada. Um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a filosofia. Ela é perigosa. Se eu a compreendesse, teria de alterar minha vida. Adquiriria outro estado de espírito, veria as coisas a uma claridade insólita, teria de rever meus juízos. Melhor é não pensar filosoficamente. Muitos políticos vêem facilitado seu nefasto trabalho pela ausência da filosofia. Massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho. É preciso impedir que os homens se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a filosofia seja vista como algo entediante. Oxalá desaparecessem as cátedras de filosofia. Quanto mais vaidades se ensinem, menos estarão os homens arriscados a se deixar pela luz da filosofia. Assim, a filosofia se vê rodeada de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A auto-complacência burguesa, os convencionalismos, o hábito de considerar o bem-estar material como razão suficiente para a vida, o hábito de só apreciar a ciência em função de sua utilidade técnica, o ilimitado desejo de poder, a binomia dos políticos, o fanatismo das ideologias, a aspiração a um nome literário – tudo isso proclama a anti-filosofia. E os homens não percebem porque não se dão conta do que estão fazendo. E permanecem inconscientes de que a anti-filosofia é uma filosofia, embora pervertida, que se aprofundada, engendraria sua própria aniquilação. [...]. Trecho extraído da obra Introdução ao pensamento filosófico (Cultrix, 1965), do filósofo e psiquiatra alemão Karl Jaspers (1883-1969). Veja mais aqui.

CONTANDO HISTÓRIAS EM VERSOS - A obra Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil (34, 2005), de Braulio Tavares, trata sobre a poesia, a poesia narrativa do romanceiro, os elementos, a sonoridade, a rima e os seus esquemas, a rima consoante e toante, as rimas pobres e ricas, o verso branco, a métrica da música, o verso longo e curto, o poema narrativo e não narrativo, o romanceiro ibérico, como contar uma história e os seus elementos, a canção narrativa, o romanceiro popular do nordeste, a memória narrativa, a cultura oral, o romance antigo e moderno, a literatura de cordel nordestina, a estrutura do cordel, o mistério dos três aneis e Viagem a São Saruê. Veja mais aqui e aqui.

BICHO DE PALHA - Contam que um homem muito rico enviuvou e casou novamente, tendo uma filha, Maria, que se punha mocinha e que era linda. A madrasta antipatizou logo com a enteada e se tomou de ódio quando teve uma filha e esta era relativamente feia, comparada com Maria. O homem possuía propriedades espalhadas e vivia viajando, dirigindo seus negócios. Durava pouco tempo em casa e nesses momentos, Maria passava melhor. Na ausência do pai a madrasta obrigava-a aos serviços mais rudes e pesados, alimentando-a do que havia de pior e em quantidades insignificantes. A vida ficou insuportável para a moça que se consolava rezando e chorando. No caminho do rio onde ia lavar roupa, encontrava sempre uma velhinha de feições serenas e muito boa. Maria acabou contando seus sofrimentos e o silêncio para não magoar o pai. A velhinha animava-a com palavras cheias de doçura. Como a madrasta fosse se tornando mais violenta e brutal, a enteada resolveu abandonar a casa e ir procurar trabalho longe daquele inferno. Encontrou-se com a velhinha e confessando sua idéia, a velha concordou, aconselhou-a muito, deu-lhe a bênção e na despedida, tirou uma varinha pequenina e branca como prata, dizendo: – Leva esta varinha, Maria, e quando estiveres em perigo, desejo ou sofrimento, deves dizer: "minha varinha de condão, pelo condão que Deus te deu, dai-me". E tudo sucederá como pedires. Maria agradeceu muito e fugiu. Antes, obedecendo ao conselho da velha, fez uma grande capa de palha entrançada com um capuz onde havia passagem para olhar, e meteu-se dentro. Depois de muito andar, chegou a uma cidade importante. Pediu emprego num palácio e lhe disseram não haver mais lugar. Ia saindo, triste e com fome, quando um empregado lembrou que precisavam de alguém para lavar as salas, corredores e escadas e limpar os aposentos da criadagem. Maria aceitou o encargo e, graças ao seu vestido singular, só a chamavam "Bicho de Palha". Suja, silenciosa, retirada pelos cantos, trabalhando sempre, Bicho de Palha não incomodava ninguém e todos a toleravam. O palácio era de um príncipe moço, bem feito e airoso, que ainda tinha mãe, e estava na idade de casar. Noutro palácio, no lado oposto da cidade, realizariam festas durante três dias. As moças estavam alvoraçadas com os bailes, assistidos pelos rapazes da sociedade. No palácio a conversa versava sobre os bailes. Amas, visitantes e criadas comentavam a organização e o esplendor das três noites elegantes. Finalmente chegou a primeira noite. Bicho de Palha, através dos orifícios de sua máscara, olhava o príncipe e o amava sinceramente. Rondava, discretamente, por perto dele, ansiando por uma ordem. Já de tarde, não havendo outra empregada por ali, o príncipe gritou: – Bicho de Palha! Traga uma bacia com água... Bicho de Palha levou a bacia e o príncipe lavou o rosto. Depois, todos foram para o baile, uns para dançar e outros para ver. Ficando sozinha no seu quarto escuro, Bicho de Palha despiu a capa, pegou a varinha e comandou, como a velhinha lhe ensinara: – Minha varinha de condão! Pelo condão que Deus te deu, dai-me uma carruagem de prata e um vestido da cor do campo com todas as suas flores. Palavras ditas, apareceu a carruagem de prata, cocheiros e servos, um vestido completo, do diadema aos sapatinhos cor do campo com todas as suas flores. Bicho de Palha vestiu-se, tomou a carruagem e foi para o baile onde causou sensação. O príncipe veio imediatamente saudá-la e só dançou com ela, não permitindo que os outros moços se aproximassem. Confessou que estava impressionado e perguntou onde ela residia. Bicho de Palha ensinou: – Moro na Rua das Bacias... À meia-noite em ponto, pretextando ir respirar o ar livre, a moça correu para sua carruagem que desapareceu na estrada. O príncipe ficou inconsolável e saiu da festa logo a seguir. No outro dia, no palácio, as criadas contavam ao Bicho de Palha as peripécias do baile e a princesa misteriosa que fora a roupa mais bela e o rosto mais formoso da noite. O príncipe despachara muitos criados para procurar a Rua das Bacias, mas todos regressaram sem saber informar. Nessa tarde, o príncipe pediu a Bicho de Palha uma toalha. Quando todos partiram para a festa, Bicho de Palha pegou a varinha e obteve uma carruagem de ouro e um vestido da cor do mar com todos os seus peixes. Vestiu-se e foi para o palácio do baile. Logo na entrada, toda a gente a reconheceu e aclamou-a como a mais elegante, graciosa e simpática. O príncipe não saía de perto dela, conversando, dançando, fazendo mil perguntas. Insistiu pelo endereço da moça. – Não moro mais na Rua das Bacias e sim na rua das Toalhas. Mudei-me hoje. Aconteceu como na primeira noite. Bicho de Palha inventou uma desculpa e meteu-se na carruagem que correu relâmpago. O príncipe saiu também e passou o outro dia suspirando e mandando procurar, em toda a cidade, a tal Rua das Toalhas. Bicho de Palha ouviu as impressões entusiásticas dos empregados na cozinha, todos contando a paixão do príncipe e a beleza da moça. Na tarde desse dia o príncipe pediu a Bicho de Palha um pente. Vendo-se sozinha no palácio, Bicho de Palha invocou o poder da varinha de condão e recebeu uma carruagem de diamantes e um vestido da cor do céu com todas as suas estrelas. Entrando no salão do baile, Bicho de Palha recebeu as saudações como se fora uma rainha. Ninguém jamais vira moça tão atraente e um vestido tão raro. O príncipe andava atrás dela como uma sombra, servindo-a e perguntando tudo, doido de amor. Bicho de Palha disse que se havia mudado para a Rua dos Pentes, definitivamente. E dançaram muito. Perto da meia-noite, sabendo que era a hora em que moça desaparecia como se fosse encantada, o príncipe chamou seus criados e mandou abrir uma escavação junto do portão do palácio, esperando que a carruagem parasse. Tal, porém, não se deu, Bicho de Palha saltou para a carruagem e esta disparou como um raio, pulando o fosso, mas, o solavanco fora tão brusco que um sapato de Bicho de Palha, atirado fora da portinhola, perdeu-se. Um criado achou-o e levou-o ao príncipe, que ficou satisfeitíssimo. Debalde procuraram na cidade a tal Rua dos Pentes. O príncipe deliberou encontrar a moça por outra maneira. Mandou levar o sapatinho a todas as casas, calçando-o em todos os pés. Quem o usasse perfeito, nem largo, nem apertado, seria a encantadora menina dos bailes. Os criados andaram rua acima e rua abaixo, calçando sapatinho nos pés das moças e das velhas. Nenhuma conseguia dar um só passo com ele no pé. Voltaram os criados para o palácio e experimentaram calçar os chapins nas empregadas e amas. Nada. Finalmente uma criada encarregada lembrou que Bicho de Palha não fora convidada para calçar o mimoso calçado. Riram todos, mas, para que o príncipe não os acusasse de ter deixado alguém de calçar o sapatinho, mandaram buscar Bicho de Palha, como motivo de riso, e lhe disseram que experimentasse. Bicho de Palha com a. varinha na mão, pediu que lhe aparecesse no corpo, por baixo da capa de palha, o vestido da terceira noite da festa. O príncipe veio assistir, Bicho de Palha, cercada pela criadagem que ria, meteu o pé no sapatinho e este lhe coube perfeitamente. Depois estirou o outro pé e todos viram que calçava sapatinho igual ao primeiro. Mal podiam crer no que viram, quando caiu a palha e apareceu a moça formosa dos três bailes, com o vestido da cor do céu com todas as estrelas, o diadema com a lua de brilhantes, tudo rebrilhando como as próprias estrelas do firmamento. O príncipe precipitou-se abraçando-a e chamando por sua mãe para que conhecesse a futura nora. Casaram logo. Bicho de Palha contou sua história, e a varinha de condão, cumprida a vontade da velhinha, que era Nossa Senhora, desapareceu, deixando-os muito felizes na terra. Extraído da obra Brasil no folclore (Aurora, 1980), de José Ribeiro. Veja mais aqui.

A arte da artista plástica e visual holandesa Caroline Westerhout.




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