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quarta-feira, abril 09, 2008

VALÉRY, JASPERS, NELLY BLY, PASCAL, JAROSLAV ZAMAZAL, ORLANDI, PSICOLOGIA SOCIAL, ESTATÍSTICA, TOLINHO & BESTINHA

 
A arte d artista plástico tcheco Jaroslav Zamazal (1900-1983)


TOLINHO & BESTINHA - IX - Quando o mundo fica pequeno pros andejos de cabeça inchada - O clima ficou pesado. Bum! Tempo fechado de se ver o pega-prá-capar! Segura a onda! E o que é pior: comigo no meio. Mas rapaz, logo eu que sempre me esquivei de bronca, findar agora em palpos de aranha? Eita. Isso é uma camisa de trezentas mil varas com dez nós cegos no meio! Verdade. Os caras num tem o menor senso de ridículo. São capazes dos mais enlouquecidos disparates, não se dando para prever o mínimo das conseqüências, são tudo pau de dar em doido! Mexeu, vespeiro macho dá na maior urucubaca, de só se ver o enterro voltando truculentamente. O pior rebuliço dos revoltados! Destá. O ar tão sinistro pairava com aquele bafo capaz de reunir todas as desgraças juntas, a ponto de uma tragédia braba sem precedentes na história, suspender o ritmo natural da vida ínfima dos coadjuvantes envolvidos nessa presepada. Uma bombástica situação daquelas de deixar meio mundo de gente de queixo caído. Óóóóóó. Dava até para prever o sinal de extrema-unção, carpideiras, blém-blém, missa-de-sétimo-dia, maior atmosfera funérea. Não seria tão tosca se não fosse evidentemente da maior bizarrice. Parecia mais que uma bomba de num sei quantos megatons estava prestes a explodir reduzindo tudo a migalhas. Ou nem isso sobrando. Deu prá sentir, num é? Graças a intervenção salvadora do Boca-de-frô, conseguiu-se reconduzir os propósitos iniciais dessa empreitada, não antes meio mundo de recomendações condicionadas para tal. Hum! Para maior munganga desembestada, um rol de condições, chega superar todos os dogmas, todas as bulas, todas as regras, toda a codificação, teve que ser acertada, remoída, reiterada, para que tudo pudesse prosseguir a bom termo. Bote beligerância nos acertos cuspindo desavenças, ameaças, alardes, um verdadeiro cu-de-boi! Eita! Pode? Graças, entre mortos e feridos parece que escaparam todos, pelo menos. O pior não é nada, tratando-se de coisas tão fúteis que não vale o que priquito voa, desarrazoado desse é pinto. É cada chute no pau da barraca de só se ver os estilhaços voando feito canivete. Danou-se! Disso, ficou acertado, para contrariedade dos muitos aficcionados das lorotas cabeludas desmedidas que estouram a maior dimensão da lógica e para não esticá-la mais que o convincente no raio do verossímil, que Tolinho e Bestinha, por fim, arribaram putos da vida, fecharam-se em copas, criando uma redoma incomunicável entre os dois e o resto do mundo, ameaçando até peticionar judicialmente, exigindo danos morais num litígio com o maior boi de fogo contra quem investisse insinuações para as bandas deles. É mole? E isso dá cabimento para as maiores maloqueragens. Melhor deixar o dito pelo não dito, passar uma borracha em tudo e reconsiderar novas circunstâncias para o melhor andamento de nossa narrativa. Principalmente pelo fato de jamais haver acordo na peitica dos ofendidos que reclamaram exaustivamente indenização pecuniária de vulto, daquelas correspondentes a dez vezes mais o montante da dívida externa brasileira. Um exagêro, claro, mas cada qual tem o direito de atrevimento e de petulância próximas da estupidez. Notadamente para quem não tem limites nem trafega na dimensão do razoável. O que não seria nenhuma coisa do outro mundo, vez que a gente já sabe, pelo que já foi visto, que limites não existem e, se existissem, estariam usurpando até os confins dos paradoxos, excedendo contradições, sobrepujando a sensatez e a coerência. Isto quer dizer que devemos contar tudo no mundo do escandaloso, quanto mais extravagância, melhor. Aproveitando-se disso e vingando-se propositalmente ao mesmo tempo da dupla insana, Lombreta-boca-de-frô, que não é nenhuma flor que se cheire e tem um rabo enorme para deixar queimar na fogueira das maledicências, assumiu, por sua própria conta e risco, a epopéia das toupeiras. Assim, de agora em diante, tudo correrá conforme suas informações. Tratando-se de uma arapuca braba, entenda-se que não há o que temer, eles que são brancos que se entendam. Eu, apenas, empresto minha pena na tentativa de organizar as presepadas que aqui serão narradas, nada mais. E, para começo de conversa, introdutoriamente Lombreta fez questão veemente de deixar claro sua exacerbada formação religiosa, deixando escapar suas inclinações nazistas, sua predileção em imitar o Enéias e a desabusada mania de botar tudo no eixo do certo. - Vamo aprumá a cunversa! -, disse, pondo todos os pontos nos iis. E, com a sua providente explanação, colocou tudo em pratos limpos para que não se pairem a menor dúvida sobre os fatos que aqui serão amiudamente relatados. - Hum, hum -, pigarreou Boca-de-frô, afinando a goela. - Bem, falá de Tolinho e Bestinha, mi dá o maió dos prazê. Incrusivel, essa roda tá muito istreita, tem qui botá mais gente queimando nesse fogaréu. Por exemplo, mermo, o Bráulio. Num sei pruqui caiga-d´água esse molambo de gente num tá na roda! Tem qui intrar, é uma das minha ejigência. À guisa de esclarecimento, todavia, o Bráulio-cabeça-de-pica, o rei-da-cocada-preta, é o seu maior desafeto e olhe que ainda são parentes. Deles, uma inimizade criada na base de muita lenha prá queimar e ingicada de instante a instante por causa do adiantamento do dissimulado. Tudo porque deu sopa, pimba! Marcou bobeira, num dá um prego num peido de véia mas tira vantagem de tudo. O Zé-ruela, para o Boca-frô, é feito um soco na boca do estômago: o desregrado namorava e papava as irmãs dos dali e tomava as namoradas dos outros. Logo o Boca-de-frô que ficava no meio do maior pastoril: cinco do cordão encarnado, seis do cordão azul, tudo daquelas lindezas cobiçadas por qualquer marmanjo de sã consciência, isso batia nos nervos do sorteado dele ficar horas e mais horas xingando o atrevimento do sujeito. Sai fora! O Bráulio era um verdadeiro bicho-papão, o verdadeiro calango fudedor, playboy, cabelo nos ombros, todo malabanhado, desbocado, cheio de nó pelas costas, desassombrado e mais desavergonhado de não temer nenhuma reprimenda de quem quer que fosse. Desse espaço, o cabra timbunga dentro com a maior cara lisa. Ôxe, o maior penetra e arregueiro das coisas impossíveis. O mais constrangedor de tudo era quando o Bráulio se referia ao Lombroso como sendo o mais metido a besta da trupe, exaltando-se a sua mania culta de douto das ciências ocultas e letras de culturas inúteis, possuidor de apetrechos maiores que telescópio Hubble e com o fosquete com mais de 600 KV de potência, capaz de fazer a NASA pedir penico para obter suas informações exclusivistas. E mais: conciliando o trancendental ao imanente e mangando da mania hipocondríaca dele, de tudo virar uma doença braba a partir do mais leve toque de uma mosquinha de nada pousando na pele de quem quer que seja. O bafafá entre os dois num tinha trégua. Para redimir, Lombroso contava com o Tolinho que sustentava a ira dele. Ou melhor, Tolinho gozava da amizade de ambos. Sem preferência. Na hora agá: o Bráulio que era espirituoso, espaçoso, carregava na boléia toda trupe para as piores situações. No final, só mangação. - Tome! Num disse? Vá comê sal cum ele, vá? Só dá nisso, maió rebuceteio! Narra, então, que no início a amizade entre ele, Bráulio e Tolinho era referendada no primado. Isto é, por serem parentes se entendiam. Mas Boca-de-frô logo percebeu as maleitas do Bráulio e partiu para as intrigas e fuxicos para tirá-lo da roda. Assevera, assim, que nunca fizeram nada de mais, agindo como qualquer criança em fase de crescimento. É claro, diz ele solenemente, que não se pode negar as brechadas nas portas dos banheiros femininos, o levantamento de saias para ver as bundas-ricas, a puxada nas presilhas dos sutiãs, as pedradas nos quengos alheios, as quebradas de vidraça da vizinhança, as arterices que redundavam em pisas exageradas, mas que quando um levava uma surra, os outros dois saíam do aperto depois de umas lamboradas gerais. Era assim: onde o cacete come num, come em todos. O seu testemunho alega que não houve nada das sandices contadas sobre Tolinho com as freiras, mentira. Tudo mentira. É verdade só, que numa doidice, ele próprio decepou um colhão. Isso sim. Mas o resto é tudo invencionice. Aquelas coisas todas atribuídas ao Tolinho, na verdade, era cometida pelo Bráulio, este que tudo que dizem de Tolinho era ele quem pintava e bordava. Tolinho que levava a culpa, coitado. O Bráulio que era o sacana e para se defender dizia que foi o Tolinho quem havia praticado isso ou aquilo. Ele próprio, o Boca-de-frô, fora vítima de num sei quantas aperturas e reprimendas por causa das dedurações do Bráulio. Por isso que se afastaram do enredeiro quando conheceram Bestinha, outro vítima de inverdades. Se bem que, ressalta Boca-de-frô, de Bestinha ele não pode botar a mão no fogo, no máximo no gelo, porque é mentiroso demais e sai inventando coisas descabidas para banda de todo mundo. Na vera, só defendia mesmo o espinhaço de Tolinho, a quem tratava por irmão de sangue. Depois de haver cochichado as considerações iniciais, Lombreta mandou passar a régua nas preliminares e pigarreou, novamente, afinando o verbo, prometendo abrir o jogo de Bestinha e Bráulio, dando por iniciada a maior enredagem que se tenha notícias sobre essas duas almas penadas. Vamos nessa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  


PENSAMENTO DO DIA - [...] Só nos momentos em que exerço minha liberdade é que sou plenamente eu mesmo: ser livre significa ser eu mesmo. [...]. Pensamento do filósofo e psiquiatra alemão Karl Theodor Jaspers (1883-1969). Veja mais aqui.

PARA QUE SERVEM AS GAROTAS? – [...] O que, exceto a tortura, poderia gerar insanidade mais rápido do que este tratamento? Aqui uma classe de mulheres foi enviada para ser curada. Gostaria que os médicos especialistas, que me condenaram por minhas ações, que provaram suas habilidades, que peguem mulheres perfeitamente saudáveis e sãs, que calem suas bocas e as façam sentar das seis da manhã às 8 da noite em bancos duros, que não deixem que elas falem ou se movam durante essas horas, sem dar-lhes nada para ler ou conhecimento sobre o mundo lá fora, dando-lhes comida de péssima qualidade e um tratamento brutal, e vejam quanto tempo levará para que elas se tornem loucas. Dois meses as destruiriam mental e fisicamente. [...]. Relato da jornalista e escritora estadunidense Elizabeth Cochram Seaman (1864-1922), mais conhecida como Nelly Bly, pioneira em reportagens investigativas, passando por insana para estudos numa instituição de tratamento de doentes mentais. Ela iniciou sua carreira ao criticar uma matéria intitulada “What Girls Are Good For”, ela impressionou o editor, pelo qual foi contratada, assumindo o seu pseudônimo, escrevendo sobre diversas temáticas sobre os direitos das mulheres e denunciando suas terríveis condições laborais. Insatisfeita foi pro México e publicou, em 1888, o livro “Six Months in Mexico”. Retornando para Nova Iorque, passou a investigar um hospital psiquiátrico, como paciente, resultando numa experiência terrível por dez dias. Ali conheceu mulheres que não possuíam nenhum distúrbio psicológico, bem como outras que não recebiam tratamento adequado, todas sendo abusadas, amarradas, agredidas e ignoradas pelos médicos, resultando, ao sair da instituição, na publicação do livro “Dez dias em um hospício”. Por conta disso, o governo tomou providências e decretou mudanças no hospital. Depois disso, ela ficou conhecida por todo o país e seguiu escrevendo sobre pobreza, política e outras questões sobre as quais as mulheres anteriormente não tinham opinião (ou melhor, não podiam expressar suas opiniões). Seus textos e denúncias ajudaram a mudar a sociedade e a inspirar outras mulheres a seguirem o caminho não usual e desafiar os padrões de gênero há muitas décadas. Em 2015 foi publicado um filme e um documentário sobre sua vida e legado. Veja mais aqui e aqui.

DIGNIDADE & PENSAMENTO - [...] Não é no espaço que devia buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu os abarco. [...]. Extraído de Pensamentos (Abril Cultural, 1973), do filósofo, físico e teólogo francês Blaise Pascal (1623-1662). Veja mais aqui.

APRENDER: DISCURSO & LEITURA - [...] Compreender, eu diria, é saber que o sentido poderia ser outro [...] Compreender, na perspectiva discursiva, não é, pois, a tribuir um sentido, mas conhecer os mecanismos pelos quais se põe em jogo um determinado processo de significação. [...] Extraídos de Discurso e leitura (Cortez/Unicamp, 1993), da professora e pesquisadora Eni Pulcinelli Orlandi. Veja mais aqui.

POESIAEm poesia, trata-se antes de mais nada de fazer música (de palavras) com a própria dor a qual diretamente nada importa. Pensamento do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui e aqui.

PSICOLOGIA SOCIAL – O livro Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas, de José Luis Álvaro e Alicia Garrido, trata de temas como as origens do pensamento psicossociologico na segunda metade do século XIX, o desenvolvimento das ciências sociais, o positivismo e a tese da unidade da ciência, a sociologia como ciência em Émile Durkheim, o estudo da imitação de Gabriel Tarde, a psicologia das massas de Gustave Le Bom, a consolidação da psicologia experimental, as ideias psicossociologicas de Karl Marx, o princípio da seleção natural, a teoria evolucionista de Hernert Spencer, o pragmatismo, a diferenciação da psicologia social no contexto da psicologia, Wilhelm Wundt, a psicologia da Gestalt, William McDougall e a teoria dos instintos, a teoria psicanalista, Watson e o Behaviorismo, Alpport e o behaviorismo na psicologia social, Max Weber e a teoria da ação social, Gerog Simmel e o estudo das ações recíprocas, Charles Horton Cooley e as bases psicossociais das relações interpessoais e da vida social, William I. Thomas e o estudo das atitudes sociais com objeto da psicologia social, George Herbert Mead e o interacionismo simbólico, o positivismo lógico e Circulo de Viena. Karl Mannheim e a sociologia do conhecimento, o neobehaviorismo, a hipótese da frustração-agressão, Kurt Lewin e a teoria de campo, o estudo experimental dos grupos, Frederic Bartlett e a teoria dos esquemas, Lev Vygotski e o estudo dos processos cognitivos, o funcionalismo estrutural e a teoria sociológica de Talcott Parsons, o método experimental, a mensuração das atitudes, a percepção social, a consistência cognitiva e a teoria do equilíbrio de Fritz Heider, a teoria da comparação social e da dissonância cognitiva de Leon Festinger, a comunicação persuasiva e Carl Howland no programa de pesquisa, a teoria da facilitação social de Robert Zajonc, a teoria do intercâmbio social de John Thibaut e Harold Kelley, a aprendizagem social, a teoria do desamparo aprendido de Marting E. P. Seligman, a teoria de intercambio de George Homans, sociologia fenomenológica e a psicologia social de Alfred Schutz, a etnometodologia, o modelo de covariação de Harold Kelley, categorização social e estereótipos, Alberto Bandura e o behaviorismo mediacional à teoria cognitiva social, categorização e identidade social, a identidade social e relações intergrupais, a teoria da auto-categorização, a teoria das representações sociais, a psicologia social de Martin-Baró, o construcionismo social de Keneth Gergen, o enfoque etogênico de Tom  Harré, a análise do discurso e a psicologia social, o enfoque retórico de Michael Billing, análise das conversações, o interacionismo simbólico e a concepção estrutural de Sheldon Stryker, a teoria da estrutura de Anthony Giddens, a sociologia figurativa de Norbert Elias, o construtivismo estruturalista de Pierre Bordieu, a polêmica com relação à metodologia quantitativa ou qualitativa, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: ALVARO, José Luis; GARRIDO, Alicia. Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.

PSICOLOGIA SOCIAL – A obra Psicologia social dos valores humanos: desenvolvimentos teóricos, metodológicos e aplicados, organizado por Maria Ros e Valdiney V. Gouveia, aborda temas como a perspectiva história da psicologia social dos valores, aspectos universais na estrutura e no conteúdo dos valores humanos, o individualismo e o coletivismo normativo, procedimentos de escala para medição de valores, consenso e estabilidade nos valores sociais abstratos, validade dos modelos transculturais sobre os valores, internalização de valores sociais e estratégias educativas parentais, valores e redução do preconceito, os significados da saúde e a saúde como um valor, os significados da identidade nacional como valor pessoal, descrições das culturas, indicadores psicológicos e macrossociais comparados com as posições em valores das nações, valores do trabalho e das organizações, valores culturais e decisões de comportamento nas organizações de trabalho, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: ROS, María; GOUVEIA, Valdiney. Psicologia social dos valores humanos: desenvolvimentos teóricos, metodológicos e aplicados. São Paulo: Senac, 2006.

ESTATÍSTICA APLICADA A CIÊNCIAS HUMANAS – O livro Estatística aplicada a ciências humanas, de Jack Levin, trata de assuntos como a natureza da pesquisa, hipóteses, estágios da pesquisa, séries numéricas, funções da estatística, organização de dados, distribuições de frequências e cumulativas, posto percentil, representações gráficas, gráficos setoriais, gráficos de barras, polígonos de frequência, medidas de tendência central, moda, mediana, média aritmética, medidas de variabilidade, amplitude total, desvio médio e padrão, a curva normal, probabilidade, métodos de amostragem, distribuição binomial, erro amostral, intervalos de confiança, estimativa de proporções, amostras e populações, tomada de decisões, hipótese nula e experimental, níveis de significância, análise de variância, somas de quadrados, testes não-paramétricos, prova exata de Fisher, prova de Mann-Whitney, dupla analise de variância por postos de Friedman, análise da variada por postos de Kruskai-Wallis, subsequências, experimento binomial, correlaão, aplicação de procedimentos estatísticos a problemas de pesquisa, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: LEVIN, Jack. Estatística aplicada a ciências humanas. São Paulo: Harbra, 1987.

ESTATÍSTICA NÃO-PARAMÉTRICA PARA CIÊNCIAS DO COMPORTAMENTO – O livro Estatística não-paramétrica para ciências do comportamento, de Sidney Siegel e N. John Castellan Jr., aborda uso de testes estatísticos em pesquisa, hipótese nula, escolha do teste estatístico, nível de significância e tamanho da amostra, distribuição amostral, região de rejeição, decisão, exemplo ilustrativo, referências, modelo estatístico, eficiência, mensurações, testes estatísticos paramétricos e não-paramétricos, teste binomial, teste qui-quadrado de aderência, teste de Kolmogorov-Smirnov de uma amostra, teste para inferência de simetrias de distribuições, teste das series de uma amostra para aleatoriedade, o teste ponto-mudança, discussão, teste de mudança de McNemar, teste do sinal, teste de postos com sinal de Wilcoxon, o teste de permitação para replicações emparelhadas, amostras independentes, amostras relacionadas, amostras independentes, medidas de associação e testes de significância, os coeficientes de Cramér, Spearman, Kendall, variáveis ordenadas e a estatística gama G, associação assimétrica, estatística lambda e para variáveis ordenadas, entre outros assuntos. REFERÊNCIA; SIEGEL, Sideny; CASTELLAN JR, N. John. Estatística não-paramétrica para ciências do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2006.

INTRODULÃO À ESTATÍSTICA – O livro Introdução à estatística: enfoque informático com o pacote estatístico SPSS, de Rafael Bisquerra, Jorge Castellá Sarriera e Francesc Martínez, trata de assuntos como a pesquisa científica e a análise de dados, a informática, estatística descritiva univariada, teoria da decisão estatística, provas de homoscedasticidade, prova T de student de contraste entre duas médias, prova de qui-quadrado, análise da variância, correlação e regressão, contrastes e correlação não-peramétrica, mediação e avaliação em educação, análise de pesquisas de resposta múltipla, entre outras abordagens. REFERÊNCIA: BISQUERRA, R.; SARRIERRA, J. C.; MARTÍNES, F. Introdução à estatística: enfoque informático com o pacote estatístico SPSS. Porto Alegre: Artmed, 2004.


A arte d artista plástico tcheco Jaroslav Zamazal (1900-1983)




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quarta-feira, outubro 31, 2007

SARAMAGO, VALÉRY, TORQUATO NETO, MARTIN-BARBERO, PEDRO DEMO, SIMONE FERRAZ, FECAMEPA: A CANA, CORONÉIS & MAMOEIROS


A CANA: DOS CORONEIS AOS MAMOEIROS -  Imagem: Ivonaldo.-  Gente, é sério mesmo, o que se parece uma broquice da maior risadagem, não tem graça nenhuma. Verdade, se olhar direitinho vai ver que enquanto os de lá saboreavam a doçura no paladar dos privilégios, a amargura pegava pesado numa tragédia que se fincava na touceira de cana dos daqui até hoje. Para se ter idéia, o cenário da época era de que a coisa fervia virada na porra por aqui e pras bandas de lá dos invasores, estava faltando terreno com áreas cultiváveis para a cana-de-açúcar, uma gramínea perene, do gênero Saccharum, cujo produto estava escasso e custando os olhos da cara deles. Só luxo mesmo. Originária possivelmente do Sudeste da Ásia e desenvolvida mais precisamente na Nova Guiné, a cana "crioula" chegou aqui quase meados dos século XVI e foi explorada até o início do século XIX, quando passou a apresentar variedades híbridas, tratadas hoje com fungicidas, herbicidas e fertilizantes, cultivada na base das queimadas e que constitui a principal fonte primária para fabrico do açúcar, do álcool, aguardente, papel e de outros produtos, além de ser a responsável pela patriarcal, escravocrata e latifundiária realidade brasileira desde então. Cultivada então desde antes de 1500 quando já era utilizada de forma sólida por árabes e chineses em épocas bastante remotas, ela foi trazida por Colombo para as Américas e, logo depois, os portugueses adotaram seu cultivo nas ilhas de Cabo Verde, Açores e Madeira. Em 1532 ela chegou em Pindorama por causa da expedição de Martim Afonso de Souza. E como aqui, solos aluviais de massapé e eluviais de barro vermelho, clima tropical quente e úmido, em se plantando tudo dá e, ainda, contando com o privilégio da mão-de-obra escrava dos índios e, depois, dos negros africanos, claro que não podia dar mais certo, né não? Quer mais moleza, ora! Fomentada pelas capitanias hereditárias, a cana foi desmatando a mata atlântica por toda costa litorânea, se estabelecendo em São Vicente - São Paulo, e São Tomé - Rio de Janeiro, mas só teve seu esplendor com Duarte Coelho, em Pernambuco, inaugurando o primeiro centro açucareiro daqui. Foi aí que o olho gordo foi crescendo para nossa banda, a ponto dos batavos apoiados pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa fundada em 1621, e pelos Estados Gerais das Províncias unidas – a Holanda de então, descerem aqui de mala e cuia em 1630, ficando por 24 anos até serem expulsos em 1654, talvez uma das maiores senão a maior cagada de toda nossa história. Pois é, bronca da peste. Se pros estrangeiros a coisa não ia boa, pior ainda para quem era tratado como figurante nessa história. Quem? Quem? É, nos engenhos de açúcar, conforme relato encontrado do padre Antonio Vieira, do século XVII: “Quem via na escuridade da noite aquelas fornalhas tremendas perpetuamente ardentes (...) o ruído das rodas, da gente toda de cor da mesma noite, e gemendo tudo, sem trégua e descanso (...) toda a máquina e aparato confuso e estrondoso daquela Babilônia não poderá duvidar, ainda que tenha visto Étnas e Vesúvios, que é uma semelhança do inferno”. Essa denúncia é feita em 1532 e se perpetuou até os dias hoje, isto porque a jornada dos escravos da cana-de-açúcar sempre foi de sol a sol, como ainda é feito pelos “Andorinhas” – os itinerantes clandestinos bóias-frias –, que migram invisíveis pendurados no pau-de-arara por todo território nacional onde ocorrem safras e entresafras nas grandes propriedades canavieiras. Eita, boba-torreiro da peste mesmo, hem? É. No desenrolar do carretel histórico, chega-se ao surgimento no século XIX dos engenhos centrais e, logo após, as usinas produtoras de açúcar demerara e de açúcar branco. Os engenhos começam a desaparecer depois de meados do século XX, lá pelos anos 60/70, tudo engalobado pela usina, restando alguns que resistem no tempo. É importante frisar que a cana também fez surgir primeiro de tudo a figura do coronel, o oligárquico senhor de engenho que tinha poder total sobre todos os moradores de sua propriedade e sobre a sua região com sua escravaria: "os escravos são as mãos e os pés do senhor do engenho, sem eles no Brasil, não é possível fazer, conservar e aumentar a fazenda, nem ter engenho corrente". Tais senhores cagavam-raio e eram donos dos currais eleitorais com a sua arrogância usurpando todas as barreiras para conter as tensões e conflitos, tangendo o povo e determinando o destino de tudo, caracterizando o tipo sanguinolento de sociedade autoritária, aristocrata e violenta no paraíso do açúcar. Bastava ele puxar um fiapo do bigode e tudo se estropiava ao seu mando, pois quando o homem roncava valentia, era de se aviar pois o mundo se desvirava todo. Depois, vieram os usineiros, os donos cheios das bufunfas dos complexos industriais sustentados pelo trabalho clandestino de bóias-frias esbagaçados no eito, que carregam aqueles antiquados preceitos tradicionais de rigidez, verticalização, burocracia e montados naquele secular e decadente paradigma mecanicista que vige na alegria dos seus lucros: vinhos novos em odres velhos. Pois é, esses eram os desconfiados e sabidos, faziam tudo circular no ciclo que vai da festa na botada e da tristeza tumular na pejada. A roncadeira não era menor: quando queriam, faziam, pintavam e bordavam. E ainda freiam tudo, não se engane. Indagorinha mesmo aprontaram e continuam aprontando até sabe-se lá quando. Pois é, o coronel vivia da escravaria enquanto que o usineiro vive da itinerância do bóia-fria. E esses dois tipos empestados protagonizaram a rede de mamatas e nebulosidades que enriqueceram demais o anedotário do país. O anedotário só não, os índices de violência e a desgraça brasileira. Eles sempre foram festejados e mantidos sob um proselitismo que enoja com a babada da claque de seus lambecús e puxa-saco, e tidos por todos como deus no céu e eles na terra. São sempre condecorados como patronos, paraninfos, cidadãos exemplares e até pela Abrinq como "Amigos da criança", mesmo que eles queimem a vida e as carteiras profissionais de trabalhadores e promovam subempregos com pífios salários; que mijem nos copos dos bares e obriguem seus freqüentadores a ingerirem sua urina deificada como aperitivo; que estuprem virgens em nome de sua extravagância; que rasguem leis e tenham todas as ordens sob o seu mando; que pisem com todos os seus mais descabidos caprichos e cuspam na cara de qualquer sujeito - para eles, uma qualquer bosta de cavalo do bandido -; que quando contrariados mudam o rumo dos ventos só para serem paparicados pela covardia subserviente de todas as autoridades federais, estaduais e municipais; isso tudo e meio mundo de coisa mais intragável, inconcebível e injustificável. Esses caras são nó-cego mesmo, num duvide! Além do mais, são eles detentores daquela ultrapassadíssima política autocrática, caracterizada pela postura rígida e impositiva de sua figura mandonista, agindo de modo arbitrário e legalista, somente fazendo concessões se as leis e os acordos atenderem seus próprios interesses. São tão reacinários que acomodam os dois culhões do lado direito, a ponto de Castelo Branco (aquele mesmo do golpe de 64) dizer que usineiro é a raça mais retrógrada do país - o que diria, por exemplo, o Gregório Bezerra quando os apelidou de “mamoeiros”, hem? Pois é, são tão conservadores que insistem no curral eleitoral dos antigos coronéis. Prova disso é a eleição de políticos que dispensam comícios e sequer botam a cara no guia eleitoral nas épocas de campanha política. Quando a gente vê, o cara tá eleito: como? Dinheiro, meu, poder do dinheiro, compram voto, dignidade, gente, mundiça, tudo. Esses semideuses são fortemente armados e acompanhados de seus capangas trogloditas, exigindo o respeito de serem tratados por "dr. Fulano patrão". E depois de mamarem em todas as tetas possíveis e imagináveis da mãe-pátria - dizem os mais linguarudos que esculhambaram o pró-alcóol, foderam o IAA, são isentos de impostos e quando não sonegam, velhacam; etc etc etc -, exigem anistia de seus débitos e zarpam para outras pradarias deixando só os ferro-velhos de cangalha pro ar. Isso tudo ainda não é tudo, pois, gozam de prestígio imaculado, aumentam sempre as áreas de cultivo, renovam o parque industrial e as frotas, ampliam a produção com suas máquinas de última geração, isso sempre contando com apoio suntuoso do BNDES com o seu Moderfrota, mantém as Coopergatos que são as cooperativas de prestação de serviço que eliminam qualquer responsabilidade do empregador sobre o empregado; e possuem polícia sob o seu mando para proteger seus patrimônios e a justiça comprada no seu bolso. Aliás, todas as autoridades só fazem qualquer coisa depois de pedirem sua bênção. Ademais, usurpam leis, são privilegiados por anistias fiscais e tributárias, fazem confissões de dívidas nunca honradas, desafiam e se juntam belicosamente para defender seus sagrados interesses, possuem na mão e sob seu severo domínio desde presidente da república até o vereador mais xucro da menor cidadela, vilarejos, arruados e taco de terra do território nacional. Eita, estopô calango da peste!!! Pois é, da cana nasce toda raiz histórica do país que passa pelos peidarrotos dos coronéis canavieiros, atravessa toda topada e vuque-vuque dos séculos todos, até a catinga do reino dos mamoeiros dos últimos tempos. Por essa, dá para se ter a mínima idéia de como a coisa deu e está pegando até agora, né não? E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais Fecamepa aqui


PENSAMENTO DO DIAToda descrição reduz-se à enumeração das partes e dos aspectos de uma coisa vista, e esse inventário pode ser elaborado numa ordem qualquer, o que introduz na execução uma espécie de acaso. Pensamento do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui.

A LINGUAGEM DA JUVENTUDE – [...] Os pais jogam a culpa nos meios de comunicaçãoe os professores também, sem perceber que os jovens estão expressando a emergência de outras culturaas, de outra sensibilidade. Sabem o que significa a música? A música é o idioma em que se expressa a juventude de hoje. Isto é novo, é uma coisa estranha, o fato de que toda a juventude deseje expressar-se através da música [...] A juventude aparece como um novoator social, que tem rosto próprio e aqui vem o problema: os jovens estão construindo um novo modelo de identidade. [...] As identidades dos jovens, hoje, são, para o bem e para o mal, fluidas, maleáveis. Acho que uma das coisas mais importantes da juventude [...] é que ela pode combinar, amalgamar elementos de culturas muito diversas, que para nós seriam incompatíveis. [...]. Trecho de Sujeito, comunicação e cultura (Revista Comunicação e Educação, 1999), deo semiólogo, antropólogo e filósofo colombiano Jesus Martin-Barbero.

A EDUCAÇÃO & A ESCOLA - [...] A escola, por ser um dos lugares de exercício do método dialético [...] deve possibilitar as vivências das contradições presentes na realidade. Nela, os alunos, por meio da apropriaçãosólida dos métodos científicos, devem analisar as manifestações da vida e ampliar o conhecimento da realidade para que possam, assim, contirbuir para sua transformação. Para estudar a realidade atual, os alunos devem vivê-la intensamente, se impregnar dela, estabelecer todas as relações possíveis, vivenciando a essência dialética de tudo que existe [...]. Trechos extraídos da dissertação de mestrado Formação de professores e avaliação: um estudo da percepção dos discentes de um curso de pedagogia (Universidade Estadual de Campinas, 2006), da professora doutora Maria Simone Ferraz Pereira.

APRENDER & PESQUISA – [...] Uma coisa é aprender pela imitação, outra pela pesquisa. Pesquisa não é somente produzir conhecimento, é sobretudo aprender em sentido criativo. É possível aprender escutando aulas, tomando nota, mas aprende-se de verdade quando se parte para a elaboração própria, motivando o surgimento do pesquisador, que aprende construindo. Trecho extraído de Pesquisa: princípio científico e educativo (Cortez, 2003), do sociólogo e professor Pedro Demo. Veja mais aqui.

OBJETO QUASE - O rapaz vinha do rio. Descalço, com as calças arregaçadas acima do joelho, as pernas sujas de lama. Vestia uma camisa vermelha, aberta no peito, onde os primeiros pelos da puberdade começavam a enegrecer. Tinha o cabelo escuro, molhado de suor que lhe escorria pelo pescoço delgado. Dobrava-se um pouco para frente, sob o peso dos longos remos, donde pendiam fios verdes de limos ainda gotejantes. O barco ficou balouçando na água turva, e ali perto, como se espreitassem, afloraram de repente os olhos globulosos de uma rã. O rapaz olhou-a e ela olhou-a a ele. Depois a rã fez um movimento brusco e desapareceu. Um minuto mais e a superfície do rio ficou lisa e calma, e brilhante como os olhos do rapaz. A respiração do lodo desprendia lentas e moles bolhas de gás que a corrente arrastava. No calor espesso da tarde, os choupos altos vibraram silenciosamente, e, de rajada, flor rápida que do ar nascesse, uma ave azul passou rasando a água. O rapaz levantou a cabeça. No outro lado do rio, uma rapariga olhava-o, imóvel. O rapaz ergueu a mão livre e todo o seu corpo desenhou o gesto de uma palavra que não se ouviu. O rio fluía, lento. Extraído da obra Obecto quase (Companhia das Letras, 1988), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui.

GO BACKVocê me chama / eu quero ir pro cinema / você reclama / meu coração não contenta / você me ama / mas de repente a madrugada mudou / e certamente / aquele trem já passou / e se passou / passou daqui pra melhor, / foi! / Só quero saber / do que pode dar certo / não tenho tempo a perder. Extraído da obra Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro (M. Limonad, 1982), do poeta, jornalista, letrista e experimentador da contracultura, Torquato Neto (1944-1972). Veja mais aquiaqui.



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