Mostrando postagens com marcador Irène Jacob. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Irène Jacob. Mostrar todas as postagens

sábado, junho 27, 2015

GUIMARÃES ROSA, ANAXIMANDRO, IDA PRESTI, KIESLOWSKI, LELIA, BARALDI, LAVINIA, ANAMARIA & SCHWITTERS.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? IH, ESQUECI! - Imagem: Anna Blossom, do pintor, escultor e poeta alemão Kurt Schwitters (1887-1948) - Quem ainda não passou pelo vexame de querer se lembrar de algo e, mesmo na ponta da língua, a lembrança se escondia nos cafundós do esquecimento? Nossa! Deu branco. Já paguei trocentos micos nessa saia-ajusta. Principalmente agora, cinquentão, estudante de Psicologia. Por exemplo: lembrar dos nomes da tuia de hormônios ou dos neurotransmissores na prova oral, nossa! A professora perguntava e na hora agá eu respondia: Carolina, gasolina, Severina, estricnina e por aí vai. Nada a ver. Mesmo fazendo associação das ideias, a coisa não vingava, fugiu. Vexame costumeiro que vem desde que passei pelo curso de Direito com as expressões latinas, tão comuns nos dizeres professorais. E olhe que eu já havia estudado Latim no curso de Letras. Mas, nada. Quando ouvia Nemo condemnatus nisi auditus vel advocatus, eu na hora ficava: - Hem? Saber, sabia; cadê eu soltar a resposta certa? Ah, passei muito aperto por causa dessa minha até então fortuita amnésia. O pior mesmo era na hora de lançamento dos meus livros: a pessoa na minha frente, anos de conhecida e cadê o nome do distinto no quengo? Puxava conversa, desconversava; contava risíveis situações vividas com ele ou familiares, perguntando por um e por outro – e nada do nome para eu autografar -, enrolando como podia e a fila lá esperando que eu despachasse. Nessa hora não aparecia ninguém para saudá-lo. Fazia de tudo para trazer à tona pelo menos o sobrenome e nada. E a bomba? Lá vai eu perguntar pela mãe dele e peitar tragédia de vê-lo lacrimejar e com a voz embargada: - Você não soube? Cadê buraco no chão preu me socar? Ela havia recentemente falecido e eu não sabia ou não me lembrava. Pode? Pois é. Já pelejei muito na ideia para sapecar com categoria algo que insistia em não ser pronunciado na hora que eu precisava mencioná-lo. Cheguei a ponto de não saber se o defeito estava na minha memória de curto prazo ou se eu havia me divorciado da de longo prazo – êta vida besta essa minha de nem sequer conseguir guardar nada de seguro pra rememorar. Alguns já mangam: - É a idade, mô fio! Realmente, agora, mais do que nunca, é que é difícil de decorar as coisas. Poemas e músicas que componho hoje são sacrifícios para recitá-los de cabeça ao pé da letra: ou falta um verso, ou esqueço tudo. Isso devia acontecer também com as coisas ruins que vira e mexe rondam na recordação das voltas do cérebro, não era não? Isso a gente não esquece nunca, pelo menos eu. Agora, na hora da precisão, vixe! Sim, mas eu estava falando mesmo do quê? Ih, esqueci! Vôte! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Minerva Dressing (1613), Oil on canvas, Galleria Borghese, Rome, da pintora italiana Lavinia Fontana (1552-1614).

Curtindo The Art of Ida Presti (2012), da violonista clássica francesa Ida Presti (1924-1967), compilation includes the Villa-Lobos , Visée, Bach, Albeniz, Malats, Fortea, Moreno-Torroba, Sor, Pujol & Lagoya.

SOBRE A NATUREZA – A obra Sobre a natureza, do matemático, astrônomo, geógrafo e filósofo grego Anaximandro de Mileto (610-547aC), é considerada a primeira obra filosófica, dela restando apenas alguns fragmentos e noticias de filósofos posteriores. Atribui-se a ele a confecção de um mapa do mundo habitado, a introdução na Grécia do uso do gnômon e a medição das distancias entre as estrelas e o calculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega). Ampliando a visão de Tales, foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total. Acreditava o filósofo que o princípio de tudo - o arché das coisas - era o apéiron, isto é, uma matéria infinita da qual todas as outras se cindem., sendo algo insurgido e imortal, preocupando-se inclusive com as coisas todas que saem do princípio. Ele diz que o mundo é constituído de contrários, que se autoexcluem o tempo todo. Para ele o mundo surge de duas grandes injustiças: primeiro, da cisão dos opostos que "fere" a unidade do princípio; segundo, da luta entre os princípios onde sempre um deles quer tomar o lugar do outro para poder existir. De sua obra destaca-se os trechos traduzidos pelo filosofo alemão Friedrich Nietzsche: [...] De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade; pois têm de pagar penitencia e de ser julgadas por suas injustiças, conforme a ordem do tempo. [...] O verdadeiro critério para o julgamento de cada homem é ser ele propriamente um ser que absolutamente não deveria existir, mas se penitencia de sua existência pelo sofrimento multiforme e pela morte: o que se pode esperar de um tal ser? Não somos todos pecadores condenados à morte? Penitenciamo-nos de nosso nascimento, em primeiro lugar, pelo viver e, em segundo lugar, pelo morrer. [...] O que vale vosso existir? E, se nada vale, para que estais aí? Por vossa culpa, observo eu, demorai-vos nessa existência. Com a morte teris de expiá-la. Vede como murcha vossa Terra; os mares se retraem e secam; a concha sobre a montanha vos mostra o quanto já secaram; o fogo, desde já destrói vosso mundo, que, no fim, se esvairá em vapor e fumo. Mas sempre, de novo, voltará a edificar-se um tal mundo de inconstância: quem seria capaz de livrar-vos da maldição do vir-a-ser? [...] De onde as coisas têm seu nascimento, para lá também deve afundar-se na perdição, segundo a necessidade; pois elas devem expiar e ser julgadas pela sua injustiça, segundo a ordem do tempo. Veja mais aqui e aqui.

JOÃO PORÉM, O CRIADOR DE PERUS – O livro Tutameia: terceiras estórias (José Olympio, 1976), reúne quarenta contos dispostos em ordem alfabética do escritor, médico e diplomata João Guimarães Rosa (1908-1967), com histórias extremamente curtas que rompem com o estilo até então cultivado pelo escritor. Entre os escolhidos destaco João Porém, o criador de perus: Agora o caso não cabendo em nossa cabeça. O pai teimava que ele não fosse João, nem não. A mãe, sim. Daí o engano e o nome, no assento de batismo. Indistinguível disso, ele viçara, sensato, vesgo, não feio, algo gago, saudoso, semi-surdo; moço. Pai e mãe passaram, pondo-o sozinho. A aventura é obrigatória. Deixavam ao Porém o terreno e, ainda mais, um peru pastor e três ou duas suas peruas. E tanto; aquilo tudo e egiptos. Desprendado quanto ao resto, João Porém votou-se às aves – vocação e meio de ganho. De dele rir-se? A de criar perus, os peruzinhos mofinos, foi sempre matéria atribulativa, que malpaga, às poucas estimas. Não para o João. Qual o homem e tal a tarefa: congruíam-se, como um tom de vida, com riqueza de fundo e deveres muito recortados. Avante, até, próspero. Tomara a gosto. O pão é que faz o cada dia. Já o invejavam os do lugar – o céu aberto ao público – aldeiazinha indiscreta, mal saída da paisagem. Ali qualquer certeza seria imprudência. Vexavam-no a vender o pequeno terreiro, próprio aos perus vingados gordos. Porém tardava-os, com a indecisão falsa do zarolho e o pigarro inconcusso da prudência. Tornaram; e Porém punha convicção no tossir, prático de economias quiméricas, tomadas as coisas em seu meio. Desistiram então de insistir, ou de esperar que, mais-menos dia, surgida alguma peste, ele desse para trás. Mas lesavam-no, medianeiros, no negócio dos perus, produzidos já aos bandos; abusavam de seu horror a qualquer espécie de surpresas. Porém perseverava, considerando o tempo e a arte, tão clara e constantemente o sol não cai do céu. No fundo, coqueirais. Mas inventaram, a despautação, de espevitar o espírito. Incutiram-lhe, notícia oral: que, de além-cercanias, em desfechada distância, uma ignorada moça gostava dele. A qual sacudida e vistosa – olhos azuis, liso o cabelo – Lindalice, no fino chamar-se. João Porém ouviu, de sus brusco, firmes vezes; miúdo meditou. Precisava daquilo, para sua saudade sem saber de quê, causa para ternura intacta. Amara-a por fé – diziam, lá eles. Ou o que mais, porque amar não é verbo; é luz lembrada. Se assim com aquela como o tivessem cerrado noutro ar, espaço, ponto. Sonha-se é rabiscos. Segredou seu nome à memória, acima de mil perus extremadamente. Embora de lá não quisesse sair, em busca, deixando o que de lei, o remédio de vida. – Não ia ver o amor? – instavam-no, de graça e com cobiça. Arrendar-lhe-iam o sítio, arranjavam-lhe cavalo e viático… Se bem pensou, melhor adiou: aficado, com recopiada paciência, de entre os perus, como um tutor de órfãos. Sustentava-se nisso, sem mecanismos no conformar-se, feito uma porção de não-relógios. A moça, o amor? A esperança, talvez, sempre cabedora. A vida é nunca e onde. E vem que o tiveram de louvar – sob pressão de desenvolvimento histórico: um, dos de caminhão, da cidade, fechara com o Porém dos perus tráfico ajuste perfeito; e a bela vez é quando a fortuna ajuda os fracos. Nem se dava disso, inepto exato, cuidando e ganhando, só em acrescentamentos, homem efetivo, já admirado, tido na conta de outro. Pasmavam, os outros. Pudera crer na inventada moça, tendo-a a peito? Ágil, atentivo, sempre queria antigas novidades dela. De dó ou cansaço, ou por medo de absurdos, acharam já de retroceder, desdizendo-a. porém prestou-lhe a metade surda de seus ouvidos. Sabia ter conta e juíxo, no furtivar-se; e, o que não quer ver, é o melhor lince. Aceitara-a, indestruía-a. Requieto, contudo, na quietude, na inquietude. O contrário da idéia-fixa não é a idéia solta. – “Aconteceu que a moça morreu…” – arrependidos tiveram então de propor-lhe, ajuntados para o dissuadir, quase com provas. Porém gaguejou bem – o pensamento para ele mesmo de difícil tradução: – Esta não é minha vez de viver… – quem sabe. Maior entortou o olhar, sinceramente evasivo, enquanto coléricos perus sacudiam grugulentos. Tanto acreditara? Segurava-se à falecida – pré-anteperdida. E fechou-se-lhe a estrada em círculo. Porém, sem se impedir com isso, fiel à forte estreiteza, não desandava. Infelicidade é questão de prefixo. Manejava a tristeza animal, provisória, perturbável. Se falava, era com seus perus, e que . Era só um homem debaixo de um coqueiro. Vem que viam que ele não a esquecia, viúvo como o vento. Andava o rumo da vida e suas aumentadas substituições. Ela não estava para trás de suas costas. Porém, Lindalice, ele a persentia. Tratava centena de peruzinhos em gaiolas, e outros tantos soltos, já com os pescoços vermelhos. Bem que bem – e porque houvesse justo o coincidir fortuito – moveram de o fazer avistar-se com uma mocinha, de lá, também olhos azuis, lisos cabelos, bonita e esperta, igual à outra, a urdida e consumida. Talvez desse certo. Pois, por sombras! Porém aqui suspendeu suma a cabeça, só zarolhaz, guapamente – vez tudo, vez nada – a mais não ver. Deixaram-no, portanto, dado às aranhas dos dias, anos, mundo passável, tempo sem assunto. E Porém morreu; nem estudou a quem largar o terreno e a criação. Assustou-os. Tinham de o rever inteiro, do curso ordinário da vida, em todas as partes da figura – do dobrado ao singelo. João Porém, ramerrameiro, dia-a-diário – seu nariz sem ponta, o necessário siso, a força dos olhos caolhos – imóvel apaixonado: como a água, incolormente obediente. Ele fora ali a mente mestra. Mas, com ele não aprendiam, nada. Ainda repetiam só: –  “Porém! Porém…” Os perus, também. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

HIPÓTESE DE MAIO, AMOR TIRANO & REFLEXO – No livro Poesia Reunida (1956-2006 / Bem-te-vi, 2012), da premiada escritora, antropóloga e crítica de arte Lelia Coelho Frota (1938-2010), reúne os poemas do período de 1956/2006, entre os quais destaco Reflexo: Neste balão de vidro discorria / em breve imagem, o nosso eu-vermelho; / e inscrustava no fundo de si mesmo / a paragem oclusa, sem relógios, / onde (não mais miragens) nos riremos / de fluido riso igual todo setembro: / um riso fotográfico, fixado / A íntimos corredores do cristal / que a ninguém iludirá – cristal, / cristal será – estilhaçado em mil / cristais, il risos mudos teceriam / o escarlate de nosso ser-espelhos: / aprisionado em cor. E mesmo ausentes / e outros, não nos desvencilhamos, vasta / é a planicia sanguínea deste escrínio / dócil, sem violência. Entre poentes / permanentes se multiplica em prisma / esta contemplação despreocupada. / Vidro, som vazado em vermelho, vidro / contra as garras mais finas de teu gelo / se arremessa a nossa forma disforme, / inconformada. E vidro em ser vibrante / clausura musical que recaptura / para a retina pobre o antigo encanto / e o reflete em presente, sob meu canto. Também o seu Amor tirano: Invejável clausura / Tem o fauno da fonte / da Avenida da Liberdade. / Não sabe o que é saudade: / ele dura. Por fim, o seu magistral poema Hipótese de maio: Sobre a mesa o relógio /anuncia meu tempo / que se desfaz em crivo / de aflito pensamento. / De que jardins me evado / de que amores provenho / de que enredo impreciso / se armara o que estou sendo / entre meus dicionários / fragmentos de retratos / os rútilos canários / enfunadas cortinas. / Os amigos inquietos / o silêncio a aumentar / concêntrico, severo / em torno das conversas / além da ausência, / além dos constantes afetos. / Resíduos de passeios / em paisagens alheias / empinham-se em gavetas —/ cartas de amor nos seus / macios envelopes / risadas e conchinhas / a voz que fala sempre / no fundo da sonata / diletantes poemas / todos concordemente / citando o Coração / ladeado de flores / zéfiros sorridentes / (e os sabia chorosos). / As gavetas estufam / o que nelas se havia / adquire vida própria / um sitiado encanto / e expulsa da memória / de que participava / com escassa competência / eu, que leve o lembrava. / O conteúdo humano / desse ditoso espólio palpita, e entretanto /— semicerrados olhos / agitar de cambraia — / invencível o sono / se engolfa na dolência. / Sono maior que o escuro / a corromper a luz / diuturna nostalgia / de um sonho, não sei mais / ao certo o que seria. / Coágulo sombrio / adensando-se em zona / fechada, onde me perco / neste mês-de-maria / pensando o que seria / de mim, no dissolvido / rumor que me povoa / sem conduzir à fala / da sempre poesia / sem revelar o muito / de amar que pretendia / antes de antes, não sei / ao certo o que seria. / Mas bem que perfazia / um circuito profundo / onde a primeira imagem / (início e ata finda) / que ainda se reflete / é a da jovem correndo / pela campina, soltos / cabelos, e as glicínias / a descer pelos ombros / prendendo-se na boca / primavera garrida / pelo azul florentino. / Na mão direita tinha / uma roseira viva / juritis entoavam / campestres ladainhas / pela transparência / de sua carnação / via-se-lhe o coração / com um só nome gravado / a rubro, fulcro infenso. / Corria na campina / fantástica, e ainda / posso lembrar que em fuga / amava sempre, e ria. Veja mais aqui.

GERAÇÃO TRIANON – A premiada peça teatral Geração Trianon - Texto elaborado a partir de frases, expressões, citações e situações da nossa História Teatral nas décadas de 10, 20 e 30, da dramaturga, diretora de teatro, autora de telenovelas e roteirista Anamaria Nunes, foi contemplada com o Prêmio Shell de melhor autora (1988), entre outras premiações, contando a história do teatro Trianon do Rio de Janeiro, no qual ocorreram espetáculos com os grandes nomes da época, quando a companhia discute a ausência do público. Da obra destaco a Cena VIII: [...] Cena VIII – MARCONDES — Que é isso? O senhor aqui outra vez? EULAMBIA — Fui eu. MARCONDES — Foste tu? EULAMBIA — (à parte) Terá desconfiado? MARCONDES — O senhor está cá em cima quando devia estar lá embaixo. Ponho-o no olho da rua, seu vadio. ROSINHA — (para Eulambia) Defenda-o. EULAMBIA — Fui quem o chamou, meu amor. MARCONDES — (à parte) Meu amor? EULAMBIA — Para me trazer sabão... MARCONDES — Sabão? Pois se pegaste ontem... EULAMBIA — Já se acabou. MARCONDES — Aqui há cousa! ANTONICO — (saindo) Já trago o sabão, dona Eulambia. ROSINHA — Quer que ensaboe a roupa agora? EULAMBIA — Eu mesma ensaboo. Arruma a sala, é mais leve. ROSINHA — Sim, senhora. EULAMBIA — Precisas de alguma cousa, meu amor? Estou às tuas ordens. MARCONDES — Meu amor? Eu? Sei. (Eulambia sai) Então é ela que ensaboa a roupa? E eu já sou meu amor! E tu, Rosinha, sem mais pra que, passas a ser tratada como uma filha... ROSINHA — É pra ver. Depois de apanhar até! MARCONDES — Que transformação súbita é esta? ROSINHA — Parece milagre. MARCONDES — Milagre? É, é um milagre. Não, aqui há manobra, oh se há... ROSINHA — Deve ser remorso. Judiou tanto de mim. MARCONDES — E de mim então? Mas vamos deixar disso e voltar aquela nossa palestrinha... ROSINHA — Já vem o senhor outra vez. MARCONDES — Não sejas tolinha. Dou-te toda a garantia. ROSINHA — E a patroa? MARCONDES — Nunca saberá Tu vais contar? Eu vou contar? Está visto que não. ROSINHA — Não é isso. O que 44 o senhor vai fazer dela? MARCONDES — Fica por aí, como um traste imprestável. É um estafermo. ROSINHA — Dona Eulambia não vai se conformar. Ela ainda está conservada. MARCONDES — Conservada? Já tem até gogó como galinha velha! (Atirando-se) Tu sim, tetéia, minha candonga, tu é que és da gente arregalar o olho! ROSINHA — Sai daqui, seu Marcondes. MARCONDES — Malvada! Mas se quiseres a casinha. Tu lá dentro. E eu, de vez em quando também. Sempre não, que eu sou um negociante conhecido na praça e faço parte da União dos Varejistas. ROSINHA — Não sei... MARCONDES — Aceita, pombinha! ROSINHA — Se falhar uma outra cousa que tenho em vista, aceito. MARCONDES — Que outra cousa? ROSINHA — Quero tudo que o senhor me promete, mas casando. MARCONDES — Casando? Na Igreja? ROSINHA — Contento-me com a Pretoria. MARCONDES — Ainda assim é difícil. Não complica as cousas. Aceita a casinha e o meu amor... Anda cá, senta-te aqui, ao meu colo, vamos conversar! ROSINHA — Pode vir alguém... MARCONDES — Não virá. Senta-te, meu bijuzinho! ROSINHA — Mas dona Eulambia... MARCONDES — Chama-me de meu amor. Está mansa. Não há perigo. Deixa-te de luxo e senta-te. É só um minuto, tetéia. Dou-te um beijinho e está tudo combinado, ROSINHA — Não. (Ouve passos fora) Então vá lá. (Senta-se) MARCONDES — Vem gente! [...] Veja mais aqui.

LA DOUBLE VIE DE VÉRONIQUE – O filme La double vie de Véronique (A dupla vida de Véronique, 1991), do cineasta polonês Krzystof Kieslowski (1941-1996) e com trilha sonora de Zbigniew Preisner, conta duas histórias paralelas sobre duas mulheres idênticas: uma que vive na Polônia – Weronika que estuda numa escola de música, trabalha duro, leva uma queda e morre em sua primeira performance; a outra que vive na França – Véronique, que numa reviravolta resolver não ser cantora. Elas não sed conhecem e suas vidas são profundamente ligadas. O filme arrebatou diversos prêmios no Festival de Cannes (1991), Cesar Awards (1992), Sindicato dos Críticos de Cinema da França (1992), Globo de Ouro, Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles, Premio Sant Jordi Barcelona (1993), Festival Internacional de Cinema de Varsóvia, entre outros. O destaque do filme é para a lindíssima atriz franco-suíça Irène Marie Jacob. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 Charges do livro Moro num país tropicaos (Publisher, 2002), do cartunista e criador da logomarca Tataritaritatá Márcio Baraldi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Ah, se estou vivo, tenho mais o que fazer, a literatura de Liev Tolstói, Funil do ser de Nauro Machado, Teatro & a cena dividida de Gerd Bornheim, a pintura de Lasar Segall, a música de Joyce, a arte de Patrick Conklin & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, a música de Gustav Mahler, Amor por anexins de Artur Azevedo, a pintura de Lasar Segall, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, a arte de Ekaterina Mortensen & Kiki Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
Lampião & Ascenso Ferreira, A música de Gustav Mahler, a pintura de Marc Chagall, Teatro a vapor de Artur Azevedo, a arte de Bee Scott & muito mais aqui.
As trelas do Doro & o escambau aqui.
Fecamepa: Quando um país vive só de nhenhenhém, não dá outra: o pencó engancha na cornice e nada vai pra frente aqui.
A lenda do Curare aqui.
Brincarte do Nitolino, Questão de método de Jean-Paul Sartre, A cartomante de Machado de Assis, Bagagem de Adélia Prado, o teatro de William Shakespeare, a música de Eumir Deodato, o cinema de Jean-Luc Godard, a arte de Carlos Scliar, Decio Otero & Ballet Stagium aqui.
Princípios de uma nova ciência de Giambattista Vico, a poesia de Anna Akhmátova, Hora e vez de Augusto Matraga de João Guimarães Rosa, O cravo brasileiro de Rozana Lanzelotte, Devassos no paraíso de João Silvério Trevisan, a pintura de Eliseo d'Angelo Visconti & Moacir, a arte de Dercy Gonçalves & Programa Tataritaritatá aqui.
Viva São João, a música de Luiz Gonzaga, a poesia de Ascenso Ferreira, Terra de Caruaru de José Condé, Tratado da lavação da burra de Ângelo Monteiro, o teatro de Artur Azevedo, o cinema de Sérgio Silva & Dira Paz, Brincarte do Nitolino, a xilogravura de José Barbosa & Severino Borges, a pintura de Rosangela Borges & Valquíria Barros aqui.
O amor de Naipi & Tarobá, Arte e percepção visual de Rudolf Arnheim, Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, a pintura de Fernand Léger, a música de Vivaldi & Max Richter, Improvisação para teatro de Viola Spolin, a fotografia de Fernand Fonssagrives, a arte de Regina Kotaka & Eugénia Silva aqui.
Penedo, às margens do São Francisco, História social do Brasil de Manoel Maurício de Albuquerque, Asvelhas de Adonias Filho, a música de Bach & Rachel Podger, A arte maldita de Georges Bataille, a pintura de Jaroslav Zamazal, a arte de Marcel Duchamp, a fotografia de Karin van der Broocke, Vanguard & Kéfera Buchmann aqui.
Ela, marés de sizígia, Mulher de Yone Giannetti Fonseca, Tratado de argumentação de Chaïm Perelman & Lucie Olbrechts-Tyteca, a música de Guilherme Arantes, Pensamento crítico, Vaudezilla & Urban Jungle, a pintura de Tom Pks Malucelli & Time Honored Desins, a arte de James Halperin & Luciah Lopez aqui.
As olimpíadas do Big Shit Bôbras, Os dragões do éden de Carl Sagan, O discurso da difamação de Affonso Ávila, a música de Peter Machajdik, a pintura de Brian Keeler & Gray Artus, Microbiologia dos alimentos & Casa do Contador de Histórias aqui.
Só a poesia torna a vida suportável, Vanguarda nordestina de Anchieta Fernandes, Estado de choque de Walmir Ayala, Vanguarda & subdesenvolvimento de Ferreira Gullar, o cinema de Anna Muylaert, a pintura de Károly Lotz, a música de Ira Losco, a arte de Jean Dubuffet & Michael Mapes aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
(Imagem: La liseuse nude - Woman reading nude - ArteNude)
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.

Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


terça-feira, abril 07, 2015

PRIMO LEVI, SAFI FAYE, NANCY MITFORD, GABRIELA MISTRAL & WORDSWORTH


 

A SOLIDÃO DE NANCY... - Era a filha mais velha do barão Redesdale e foi educada particularmente. Uma jovem que era uma promessa brilhante logo deu o ar de sua graça e os pendores literários com a publicação dos escritos: Highland Fling. Logo brilhou com a publicação de Christmas Pudding e, logo em seguida o primeiro amor levou-a ao casamento. Publicou outro livro, o Wigs on the Green e o relacionamento conjugal, por tanto que durou, não resistiu à insatisfação mútua e ao divórcio. A sonhadora em busca do amor logo publicou Pigeon Pie. Contudo, foi com a publicação dos manuscritos que seriam seu primeiro grande sucesso: The Pursuit of Love, mantendo a chama viva da paixão. Estava definitivamente estabelecida a sua reputação de escritora. E foi durante a segunda guerra que se envolveu com o segundo amor, publicando em seguida Love in a Cold Climate. Logo desenvolveu o conceito de língua U e não-U: as palavras identificavam as origens sociais. Era uma piada, mas foi levada a sério por muita gente. Vieram então os livros The Blessing, a biografia de Madame de Pompadour, a biografia Voltaire in Love e Don't Tell Alfred. A sua sagacidade afiada e provocativa foi amainando com o fracasso do relacionamento e a saúde deteriorada: a sua marca ficou para sempre. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se não é possível ser feliz, é preciso se divertir. Há coisas piores que a pobreza, embora eu não consiga lembrar quais são no momento. É engraçado que as pessoas estejam sempre prontas para admitir que não têm talento para desenho ou música, enquanto todos imaginam que são capazes de amar de verdade, o que é um talento como qualquer outro, só que muito mais raro. O que é tão bom e tão inesperado sobre a vida é a maneira como ela melhora conforme avança. Acho que você deveria incutir esse fato em seus filhos porque acho que os jovens têm uma sensação horrível de que a vida está passando por eles e eles precisam fazer alguma coisa - pegar alguma coisa - eles não sabem bem o que, enquanto eles só precisam esperar e tudo vem. A grande vantagem de viver em uma família grande é a lição precoce da injustiça essencial da vida. Às vezes fico entediado com as pessoas, mas nunca com a vida. Pensamento da escritora britânica Nancy Freeman-Mitford (1904-1973). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu fiz o meu melhor. Não preciso convencer o público. Realmente não acredito em religiões monoteístas e, portanto, defendo religiões africanas baseadas em espíritos. Talvez eu tenha ousado mostrar o que acontece à noite e sobre o qual as pessoas nunca falam durante o dia. “Cavalgar” não é um problema. Tudo é fruto da imaginação – minha imaginação. Por que todos os filmes devem conter uma mensagem, ser instrutivos ou educativos? Criatividade não é uma atividade analítica. Para mim, os filmes nascem da imaginação. Como minha mãe diz, é o destino. Estava escrito que eu tinha que passar por esse julgamento, mesmo depois de 20 anos no ramo. Havia um mistério em torno do filme. Eu tinha dado direito de autoridade ao produtor francês designado que tinha adquirido – sem nosso conhecimento – os direitos do filme, bem como todo o financiamento que eu tinha obtido da Itália e da Suíça. Tudo desapareceu no ar. Por seis anos; eu tive que lutar sozinha até o fim do processo judicial. De qualquer forma, meu filme foi inteiramente filmado em 1990, quando Mossane tinha 14 anos. O que aconteceria se faltassem algumas cenas, agora que Mossane tem 21? Quero esquecer os últimos seis anos. Mossane está pronto e estou feliz por finalmente ter chegado lá. Eu gosto muito deste filme. Pensamento da cineasta e etnóloga senegalesa Safi Faye (1943-2023).

 

A TRÉGUA – […] Hurbinek era um nada, um filho da morte, um filho de Auschwitz. [...] Hurbinek continuou, enquanto viveu, as suas experiências obstinadas. Nos dias seguintes, todos nós o ouviamos em silêncio, ansiosos por entendê-lo, e havia entre nós falantes de todas as línguas da Europa: mas a palavra de Hurbinek permaneceu secreta. Não, não devia ser uma mensagem, tampouco uma revelação: era talvez o seu nome, se tivesse a sorte de ter um nome; talvez (segundo uma de nossas hipóteses) quisesse dizer “comer” ou “pão”; ou talvez “carne” em boêmio, como sustentava, com bons argumentos, um dos nossos, que conhecia essa língua. Hurbinek, que tinha três anos e que nascera talvez em Auschwitz e que não vira jamais uma árvore; Hurbinek, que combatera como um homem, até o último suspiro, para conquistar a estrada no mundo dos homens, do qual uma força bestial o teria impedido; Hurbinek, o que tinha nome, cujo minúsculo antebraço fora marcado mesmo assim pela tatuagem de Auschwitz; Hurbinek morreu nos primeiros dias de março de 1945, liberto mas não redimido. Nada resta dele: seu testemunho se dá por meio de minhas palavras. [...] Em suas conversas, o verdadeiro, o possível e o fantástico formavam um nó imbricado, variável e inextricável. Falava da prisão e do tribunal como de um teatro, onde ninguém é realmente ninguém, mas cada um representa, demonstra a sua habilidade, entra na pele de outro, interpreta um papel; e o teatro, por sua vez, era um grande símbolo obscuro, um instrumento tenebroso de perdição, a manifestação externa de uma seita subterrânea, malvada e onipresente, que impera para dano de todos, e que bem bater à nossa porta, para nos agarrar, pôr em nós uma máscara, para que sejamos o que não somos e façamos o que não queremos. Essa seita é a Sociedade: o grande inimigo, contra quem o Pôr-do-Sol sempre combatera, e sempre fora vencido, conseguindo, porém, reerguer-se heroicamente todas as vezes. [...] roubaram todas as suas palavras, seus gestos de desapontamento, e assim fizeram com que se tornasse ator à sua revelia. Roubaram-lhe a imagem, a sombra, a alma. Foram eles que o fizeram tramontar, e o batizaram Pôr-do-Sol. [...] o homicídio polposo é quando alguém enfia a faca não no peito, ou na barriga, mas aqui, entre o coração e a axila, na polpa; e é menos grave. [...] o fato de sentir pela primeira vez, debaixo de nossos pés, um pedaço da Alemanha [...] somava ao nosso cansaço um estado de alma complexo, feito de impaciência, de frustração e de tensão. Parecia que tínhamos algo a dizer, coisas enormes a dizer, a cada alemão em particular, e que cada alemão tinha coisas a nos dizer: sentíamos a urgência de tirar conclusões, de perguntar, explicar e analisar, como fazem os jogadores de xadrez no final do jogo [...]. se não sabiam, deviam, deviam sagradamente ouvir, saber de nós, de mim, tudo e depressa: eu sentia o número tatuado no braço queimando como uma chaga. [...] parecia-me estar caminhando entre tropas de devedores insolventes, como se cada qual me devesse alguma coisa e se negasse a pagar. [...] Mas ninguém olhava em nossos olhos, ninguém aceitou o desafio: eram surdos, cegos e mudos, entrincheirados entre as próprias ruinas como num fortim de desejado desconhecimento, fortes, ainda, capazes de ódio e desprezo, prisioneiros ainda do antigo nó de soberba e culpa. [...] mas sabíamos que nas soleiras de nossas casas, para o bem ou para o mal, nos esperava uma provação, e antecipávamos com temor. [...] sinto uma angústia sutil e profunda, a sensação definida de uma ameaça que domina [...]. Tudo agora tornou-se caos: estou só no centro de um nada turvo e cinzento. [...]. Trechos extraídos da obra A treva (‎Companhia de Bolso; 2010), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A TERRA – Na antologia poética da poeta chilena Gabriela Mistral (1889-1957), destaco o seu belíssimo poema A Terra, na tradução de José Jeronymo Ribera: Indiozinho, se estás cansado / Tu te recostas sobre a Terra, / fazes igual se estás alegre, / vai, filho meu, brinca com ela... / Que de coisas maravilhosas / soa o tambor índio da Terra: / se ouve o fogo que sobe e desce / buscando o céu, e não sossega. / Roda e roda, se ouvem os rios / em cascatas que não se contam. / Se ouve mugir os animais; / comer o machado a selva. / Ouve-se soar teares índios. / Se ouvem trilhos e se ouvem festas. / Aonde o índio está chamando, / o tambor índio lhe contesta, / e tange perto e tange longe, / como o que foge e que regressa... / Tudo toma, tudo carrega / o corpo sagrado da Terra: / o que caminha, o que adormece, / o que se diverte e o que pena; / os vivos e também os mortos / leva o tambor índio da Terra. / Quando eu morrer, não chores, filho: / peito a peito junta-te a ela / e se dominas o teu fôlego / como quem tudo ou nada seja, / tu ouvirás subir seu braço / que me jungia e que me entrega / e a mãe que estava quebrantada / tu a verás tornar inteira. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Imagem: Female nude (for the decoration of Bristol club), do pintor português Almada-Negreiros (1893-1970)

Ouvindo: Concerto for sitar and orchestra (BGO Records, 1990), do compositor e músico indiano Ravi Shankar (1920-2012), arranjos de Ali Arkbar Khan e o autor, conductor André Previn and London Symphony Orchestra.

BOCA DO INFERNO – O romance Boca do Inferno (Companhia das Letras, 1990), da escritora Ana Miranda é desenvolvido no séc. XVII na Bahia colonial, durante o governo tirânico do militar Antonio de Souza de Menezes, alcunhado de Braço de Prata, por usar uma peça deste metal no lugar do braço perdido numa batalha naval contra os invasores holandeses. Entre os perseguidos pela fúria do brutal governador, está o grande poeta brasileiro Gregório de Matos Guerra (1633-1696), envolvido por suas ligações com os Ravasco e por suas sátiras aos poderosos, perdendo seus cargos e tendo que fugir com medo de ser preso ou morto. Ilustra bem a situação esse soneto da lavra desse autor: A cada canto um grande conselheiro, / Que nos quer governar cabana e vinha; / Não sabem governar sua cozinha, / E podem governar o mundo inteiro. / Em cada porta um bem frequente olheiro, / que a vida do vizinho e da vizinha / Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, / Para o levar à praça e ao terreiro. / Muitos mulatos desavergonhados, / Trazidos sob os pés os homens nobres, / Posta nas palmas toda a picardia, / Estupendas usuras nos mercados, / Todos os que não furtam muito pobres: / E eis aqui a cidade da Bahia. Veja mais aqui e aqui.

O CARVALHO DE GUERNICA – Em uma coletânea de poemas selecionados por David Ferry (Dell Publishing, 1960), reunindo poemas do maior poeta romântico inglês, William Wordsworth (1770-1850), destaco o seu poema O carvalho de Guernica: O antigo / carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural / mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa / Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos / respeitar os seus foros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo / é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810. / Carvalho de Guernica! Árvore mais / Sagrada que em Dodona a que escondia / Uma divina voz (a fé o cria) / Dando da aérea fronde altos sinais! / Como podes florir em tempos tais? / Que esperança o Sol te traz, ou que alegria? / São-te trazidas pela maresia, / Ou por leves orvalhos matinais? / Benvindo seja o golpe que em ti caia, / E em terra alongue a tua fronde imensa, / Se nunca mais, à sua sombra densa, / Venham legisladores sentar-se uivantes, / Senhores e camponeses, como dantes, / Guardiães das liberdades da Biscaia. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

TROIS COULEURS: ROUGE – O drama Trois couleurs: Rouge (A fraternidade é vermelha, 1994), é o terceiro filme da Trilogia das Cores do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996), conta a história de uma jovem modelo Valentine que está dirigindo seu carro de volta para casa quando atropela algo em seu caminho. Ao descer do veículo, encontra uma cadela ferida, com o endereço de seu dono na coleira, quando conheceu um juiz aposentado que termina seus dias espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás deste estranho comportamento, está o enigma de um homem cujo motivo vital é tomar posse da intimidade daquelas pessoas e acompanhar passo a passo o desenrolar de seus destinos. Destaque para o trabalho da atriz franco-suíça Irène Jacob no papel da protagonista. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.



Veja mais sobre:
Dois quentes & um fervendo, a poesia de James Joyce, A música viva de Koellreutter & Carlos Kater, a pintura de Jan Sluijters, a arte de Karel Appel, a música de Brahms & Giorgia Tomassi aqui.

E mais:
Exercício de admiração de Emil Cioran, Abril despedaçado de Ismail Kadaré, o teatro de Meyerhold, a arte de Fridha Khalo, a música de Badi Assad, a pintura de Karel Appel, o cinema de Carla Camurati & Marieta Severo, Carlota Joaquina & Clube Caiubi de Compositores aqui.
Doro na Caixa do Fecamepa aqui.
Constitucionalização do direito penal aqui.
Literatura Infantil, a poesia de Hermann Hesse, o teatro de Constantin Stanislavski, Leviatã de Thomas Hobbes, o cinema de Krzysztof Kieslowski & Juliette Binoche, a música de Tom Jobim & Lee Ritenour, Tiquê: a deusa da fortuna, a arte de Bette Davis, a pintura de Jean-Honoré Fragonard & Alexey Tarasovich Markov aqui.
O lado fatal de Lya Luft, a literatura de Marcia Tiburi, Afrodite & o julgamento de Páris, a música de Diana Kral, o teatro de Cacilda Becker & José Celso Martinez Corrêa, o cinema de Krzysztof Kieslowski & Julie Delpys, a arte de Jeanne Hébuterne, a pintura de Débora Arango & Enrique Simonet aqui.
A salvação bidiônica depois da bronca, o pensamento de István Mészarós, Mal de amores de Ángeles Mastretta, Horror econômico de Viviane Forrester, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a pintura de Auguste Chabaud, a música de Tatjana Vassiljeva, a arte de Lia Chaia & Wesley Duke Lee aqui.
Colocando os pingos nos iiiiis, A teoria da viagem de Michel Onfray, Discurso & argumentação de Débora Massmann, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Neurofilosofia & Neurociência, a música de Natalia Gutman, a poesia de Viviane Mosé, a fotografia de Cris Bierrenbach, a arte de Mira Schendel, Conversa de bar & filho não reconhece pai & Quando se pensa que está abafando, das duas, uma: ou contraria ou se expõe ao ridículo. Cadê o simancol, meu aqui.
A gente tem é que fazer, nunca esperar que façam por nós, O enigma do artista de Ernest Kris & Otto Kurz, Os catadores de conchas de Rosamunde Pilcher, As viagens de Marco Polo, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Respeito aos idosos, a música de Silke Avenhaus, a arte de Beth Moyses & Antonio Saura, Os passos desembaraçados nos emaranhados caminhos & Quando os ventos sopram a favor, tudo fica mais fácil aqui.
Que coisa! Quando eu ia, todos já voltavam, a poesia de Sylvia Plath, Estruturas sociais da economia de Pierre Bourdieu, Rede e movimentos sociais de Maria Ceci Misoczky, Gravidez na adolescência de Laura Maria Pedrosa de Almeida, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, a música de Coeur de Pirate, a arte de Luciah Lopez, O feitiço do amor & Quando algo der errado, não adianta chilique: cada um aprende mesmo é com suas escolhas aqui.
No reino da competição todo mundo tem de ser super-homem – o ser humano não é nada, As causas da pobreza de Simon Schwatzman, A crise da educação de Hannah Arendt, a literatura de Abraham B. Yehoshua, Aprender e suportar o equivoco de Clemencia Baraldi, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, A primeira paixão de Ximênia, a música de Ernesto Nazareth & Maria Teresa Madeira, a pintura de Arturo Souto & Mikalojus Konstantinas Ciurlionis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


NÊGO BISPO, IA GENBERG, JOUMANA HADDAD & FUXICO CULTURAL

  Imagem: Acervo ArtLAM . Bródio na pareidolia do perdulário pendular... - Alagoinhanduba estava em polvorosa com os estardalhaços causad...