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quinta-feira, junho 22, 2023

RUPI KAUR, ODED GALOR, SAPKOWSKI, ANTÔNIO CÂNDIDO & POESIA NA ESCOLA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som A Water Cello de Jim McWilliam para Charlotte Moorman (9º Festival Anual de Vanguarda de Nova York, em South Street Seaport, em Nova York, 1962), com as 6 performances di Carlotte Moorman nel 1989 alla ex Caserma Zucchi a Reggio Emilia e as cenas do filme Topless Cellist (1995), todos destacando a arte da violoncelista e artista performer da vanguarda estadunidense Charlotte Moorman (1933 – 1991). Veja mais aqui.

 

AS CINZAS NO PÉ-DE-VENTO, VERBI GRATIA – Daqui o céu é perto, inverno sobre a cidade tal chuveiro no peito: maior a solidão da tarde. Queria atravessar rios, outras margens e relevos na correnteza dos dias. Fosse mais cedo semearia canções em Sol maior, a alma nas tintas e pincéis, versos de solitude. Se a hora entardecida chora escuto Françoise Sagan: A capacidade de rir juntos é o amor... A única coisa que eu lamento é que nunca vou ter tempo para ler todos os livros que quero ler... A minha casa é uma selva e só não me sinto tão só por conta das hestórias que tomam forma como frutos brotando pelos galhos e, de um deles, emerge Zelda Mishkovsky: Cada folha contém inúmeros conselhos e bondade para os seres humanos. Agora essa planta tem uma existência dupla; sua própria existência, e a existência que perdura dentro de minha alma... E da minha a vida ádvena no crepúsculo turvo à espera da noite para trazer a estrela fugitiva tartéssia, da colorida Nebulosa da Laguna. Se ela não vem é como o degelo de Thwaites. Não me desaponta o frio porque Silveira Bueno assoma no corredor: O maior inimigo que devemos combater é a mediocridade... A intelecção é parte capital: o que a razão não compreende, o coração dificilmente experimenta em toda a sua verdadeira força emocional... Da última vez restou dela a iridescência do aceno de quem foi embora sem olhar sequer para trás. Drummond que acudiu solidário: Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas... Quantos favores não fizeram o molho para me devorar, restaram cinzas no pé-de-vento, verbi gratia.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

[,,,] Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização. Penso que o movimento pelos direitos humanos se entronca aí, pois somos a primeira era da história em que teoricamente é possível entrever uma solução para as grandes desarmonias que geram a injustiça contra a qual lutam os homens de boa vontade à busca, não mais do estado ideal sonhado pelos utopistas racionais que nos antecederam, mas do máximo viável de igualdade e justiça, em correlação a cada momento da história. [...] Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. Esta me parece a essência do problema, inclusive no plano estritamente individual, pois é necessário um grande esforço de educação a fim de reconhecermos sinceramente este postulado. Na verdade, a tendência mais funda é achar que os nossos direitos são mais urgentes que os do próximo. [...] A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. [...] Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável. [...].

Trechos extraídos do ensaio Direito à literatura (1988), do sociólogo e escritor Antônio Cândido (1918-2017), extraído do volume O direito à literatura (EdUFPE, 2012, organizado por Aldo de Lima. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

A LEITURA DA POESIA – [...] A poesia é uma captação da realidade, que se caracteriza por uma espécie de imediatez ou tato. Uma forma de apalpar as coisas com o coração. Poesia é algo que nos obriga a ir além daquilo que se vê, a transpor as palavras. Tentamos produzir em nós uma sensação ou sentimento semelhante ao do poeta. Nesse sentido, toda poesia exige um poeta, ou antes, dois: o poeta-autor e o poeta- leitor. Com isso não se exclui o outro lado da poesia, que não é agradável, mas que nem por isso deixa de ser emoção [...] Existe um lado violento nela; também se realiza pela emoção, embora a maioria das emoções sejam emoções agradáveis. O ódio é uma emoção; sob esse aspecto, pode ser expresso em poesia. Mas a verdade é que o amor é uma emoção mais fundamental, portanto mais poética. [...] o ritmo poético recupera o ritmo da circulação sangüínea e da respiração [...] é a linguagem repetida com a finalidade de torná-la veículo apropriado da emoção [...] na poesia lírica as palavras a rigor nunca valem apenas pelo seu significado representativo; em todas, ou quase todas, emerge o elemento sensorial acústico, e não raro a comunicação lingüística repousa praticamente nele. Nem sempre – é verdade – há uma motivação sonora propriamente dita, mas sempre há, pelo menos, um conteúdo estético determinado pelos sons constitutivos do vocábulo. [...]. Trechos extraídos da obra A poesia: uma iniciação à leitura poética (Uniprom, 2000), do poeta e crítico de arte Armindo Trevisan, na qual o autor pretende formular uma iniciação que proporcionará uma segura leitura mais atenta aos detalhes sonoros e formais da magia poética. Já na obra Reflexões sobre a poesia (InPress, 1993), ele expressa que [...] Viver é não deixar-se desviver, é decidir a favor de si e do mundo. Para tanto, deve o homem acionar suas reservas de emoção [...] Pensamento e intuição, razão e imaginação procedem, em última análise, da bipolaridade mencionada, isto é, do consciente que se movimenta nas ações que exigem controle; e do inconsciente, nas ações que não exigem [...] palavra, ou antes, a frase, que o poeta trabalha constitui uma realidade própria com leis físicas e metafísicas [...]. Ele também expressa em suas conversas que: A arte é uma pedagoga que conduz até o umbral da perfeição, mas não dá respostas. Veja mais a respeito aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

POESIA NA SALA DE AULA – Aprofundando os estudos acerca da poesia deparei-me com a obra Poesia na sala de aula (Parábola, 2018), de Hélder Pinheiro, que expressou a respeito: [...] o livro nasceu da vivência da leitura do poema em sala de aula nos mais diversos níveis de ensino. E com o tempo fomos incorporando novas reflexões, leituras, indicações. Mas a base é pensar caminhos para leitura do poema, fugindo do modelo tradicional fornecido pelo livro didático. [...] A poesia contribui e muito para formação dos alunos se for trabalhada cotidianamente, visando formar sua sensibilidade, sua percepção do mundo, das pessoas, dos fatos, naquele sentido de que falou Antonio Candido no ensaio sobre “O direito à literatura”. [...] Uma estratégia de que sempre lanço mão é a leitura em voz alta. Ler e reler os poemas, buscar as inflexões adequadas, os ritmos, os andamentos. Experimentar estas descobertas com os próprios alunos sempre traz bons resultados – entendo por resultados o envolvimento dos leitores em formação. Debater poemas, trazer textos que abordam os mesmos temas e compará-los. A comparação sempre rende bons debates, boas descobertas. Encenações, a depender dos poemas e das turmas, às vezes rende boas experiências. Há um capítulo no livro em que fazemos inúmeras sugestões. Mas é bom sempre reforçar: uma boa estratégia usada à exaustão, pode perder sua eficácia. Talvez a melhor das estratégias seja ler cotidianamente poemas, sem atrelá-los a exercícios e outras atividades. [...]. Nesta mesma direção encontrei o artigo A mágica arte da leitura poética: um chamariz para aprender, da professora Marina Amélia Honorato, extraído do volume Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor (Cadernos PDE, 2013), no qual ela destaca que: [...] A experiência em relacionar a poesia com o cotidiano do aluno, com músicas, dramas, tramas, filmes, versos e reversos, traduzidos em ensino capaz de gerar aprendizagem, proporcionando experiências, acordando a esperança de ensinar que a leitura tem que ser estudada, aprendida para poder ser lida em todos os suportes que aportam os gêneros textuais. [...] Ler nas entrelinhas do texto escrito pelo autor, buscando compreender esse impasse que se traduz entre autor\texto\leitor – aluno, enquanto interlocutor audaz, com capacidade de ler e internalizar aprendizagem de leitura extensiva à vida. [...]. Também nos estudos desenvolvidos na dissertação de mestrado Poema na sala de aula: estratégias para a formação do aluno leitor (PROFLETRAS- UFMTS, 2015), da professora Kelly Brambilla Kolano Nicolau, ela expressa que: [...] O efeito do poema reside nas tramas de sua composição, na maneira com que se organiza, como por exemplo, na sonoridade, nas inversões sintáticas, nos jogos de palavras, nas imagens que eles contêm, e cada leitor, poderá, com seu horizonte de expectativas e seu repertório reagir de forma particular de acordo com sua sensibilidade, a esses elementos. Compreender mostrou-se, portanto, uma etapa de um processo maior que, de acordo com as reações dos alunos, passa pelas impressões subjetivas do leitor. [...] com base em nossa pesquisa que obtivemos um resultado bastante expressivo em relação ao envolvimento dos alunos com a leitura, isso reflete na formação do leitor, o qual também poderá levar para a vida além dos muros da escola. A realização da pesquisa –“Poema na sala de aula: estratégias para a formação do aluno leitor” – possibilitou uma experiência bastante desafiadora: levar o aluno a gostar de ler, por meio de poemas. O resultado foi bastante revelador e atéinesperado, pois (re)afirma que os alunos gostam de ler e o professor deve saber como trazer essa leitura para a sala de aula de forma que melhore o desempenho do aluno em relação ao entendimento e o gosto da leitura. Portanto, é necessário ter uma metodologia que agregue boas estratégias de leitura bem planejadas, proporcionando o prazer e a própria fruição da leitura. [...]. Com estas conclusões pode-se inferir com Ruth Rocha que: O processo de leitura possibilita essa operação maravilhosa que é o encontro do que está dentro do livro com o que está guardado na nossa cabeça. E também com Murilo Mendes ao expressar que: A poesia não pode nem deve ser um luxo para alguns iniciados: é o pão cotidiano de todos, uma aventura simples e grandiosa do espírito. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

ACIMA DE TUDO AME – acima de tudo ame \ como se fosse a única coisa que você sabe fazer \ no fim do dia isso tudo \ não significa nada \ esta página \ onde você está \ seu diploma \ seu emprego \ o dinheiro \ nada importa \ exceto o amor e a conexão entre as pessoas \ quem você amou \ e com que profundidade você amou \ como você tocou as pessoas à sua volta \ e quanto você se doou a elas.

MEU PULSO ACELERA – meu pulso acelera diante \ da ideia de parir poemas \ e é por isso que nunca vou parar \ de me abrir para concebê-los \ o amor \ pelas palavras \ é tão erótico \ que ou estou apaixonada \ ou excitada pela \ escrita \ ou ambos.

Poemas da escritora ndiana Rupi Kaur, autora de obras como Milk and Honey (2014), The Sun and Her Flowers (2017) e Home Body (2021).

 

SANGUE DE ELFOS – [...] Erros, ele disse com esforço, „também são importantes para mim. Não os apago da minha vida, nem da minha memória. E eu nunca culpo os outros por eles. [...]. Trecho extraído da obra Blood of Elves (The Orion, 2009), do escritor polonês Andrzej Sapkowski, que noutra de suas obras, a Sword of Destiny (Orbit, 1992), expressou que: [...] Nunca há uma segunda oportunidade para causar uma primeira impressão [...]. Dele também o pensamento: Aos homens agrada inventar monstros e monstruosidades. Com isso, sentem-se menos monstruosos. Quando se embriagam, são capazes de trapacear, roubar, bater na esposa, deixar morrer de fome a velha vovozinha, matar a machadadas uma raposa pega numa armadilha ou ferir com flechas o último unicórnio do mundo.

 

JORNADA DA HUMANIDADE – […] A mão humana é outra. Em conjunto com nossos cérebros, nossas mãos também evoluíram em parte em resposta à tecnologia, especificamente os benefícios de criar e utilizar ferramentas de caça, agulhas e utensílios de cozinha. [...] A educação, tolerância e maior igualdade de gênero são as chaves que levarão nossa espécie à prosperidade nas próximas décadas e séculos. [...] Assim, a abundante evidência histórica indica que os avanços tecnológicos durante a Revolução Industrial levaram a um maior retorno dos investimentos em capital humano, redução da diferença salarial entre homens e mulheres, rejeição do trabalho infantil, aumento da expectativa de vida e aumento da migração de áreas rurais para regiões urbanas, e que esses fatores contribuíram para o declínio nas taxas de natalidade durante a transição demográfica. […]. Trechos extraídos da obra The Journey of Humanity: The Origins of Wealth and Inequality (Dutton, 2022), do economista israelense Oded Galor, autor pioneiro na exploração do impacto da evolução humana, diversidade populacional e desigualdade no processo de desenvolvimento durante a maior parte da existência humana.

 

POESIA PERNAMBUCANA

[...] A poesia praticada nas academias, nos bares, nas ruas, nas praças, nos mercados, nas pontes do Recife, em mais de quatro séculos de produção contínua, dificilmente chega às nossas escolas. Repousa em velhos jornais e nas seções de obras raras das poucas bibliotecas públicas. [...].

Trecho da apresentação de Alexandre Kruse ao volume da Antologia didática de poetas pernambucanos – Do pós-guerra à década de 80 (SED/DSE/SE, 1986), organizada por Cremilda Aquino de Matos, Ésio Rafael e Izabel Maria Martins da Silva. Veja mais aqui e aqui.

 


quinta-feira, setembro 24, 2020

SCOTT FITZGERALD, EDNA O’BRIEN, LIPOVETSKY, FRANÇOISE SAGAN, ELEANOR CATTON, ELZA COHEN & LUIZ MARINHO


  

DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... ANÁBASE VERTIGINOSA - No meio do caminho, escuridão vertiginosa. Tantos degraus vencidos. Um vulto irreconhecível, encostado num dos cantos, acendeu um cigarro: Subindo? Sim. E me contou que havia descido há tempo, não se sentia bem nem lá em cima, nem cá embaixo, preferia a solidão entre meios. Pude reconhecê-lo com a claridade, era Francis Scott Fitzgerald: A vida é toda um processo de demolição. Existem golpes que vêm de dentro, que só se sentem quando é demasiado tarde para fazer seja o que for, e é quando nos apercebemos definitivamente de que em certa medida nunca mais seremos os mesmos. A vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas pela capacidade de começar de novo. Nunca desejei que houvesse um Deus para invocar - desejei frequentemente que houvesse um Deus para agradecer. Ouvi-lhe cada palavra, mais ainda o seu silêncio. Afastou-se sem se despedir. Respirei fundo para retomar minha escalada e uma jovem e bela mulher pousou ao meu lado. Falou-me de sua catábase, apenas por experiência, logo voltaria. Encantado, não consegui identificá-la. Apresentou-se e era a escritora neozelandesa, Eleanor Catton: A terra era apenas para viver e amar. Todos nós queremos ser amados... E precisamos ser amados, eu acho. Sem amor, não podemos ser nós mesmos. A mente acredita no que vê e faz aquilo em que acredita: esse é o segredo da fascinação. Estranhei o tempo verbal da primeira frase, mas não havia tempo para questionar. Ela apressou-se com um beijo, e já se esgueirava na descida, anunciando que logo voltaria, se eu quisesse esperar. Deu-me um aceno de adeus, quase refiz tudo por ela. Era hora de ascender.

 


DUAS PALAVRAS & MUITOS TEXTOS – Da obra da premiada dramaturga e escritora irlandesa Edna O’Brien, conheci a peça teatral Virginia (Theatre Royal, 1981) – muito embora soubesse de uma adaptação de Ifigênia, escrita especialmente para o palco do Crisol em Sheffield em 2003, e de outras mais dum volume reunido -, como também dos romances da trilogia The Country Girls (1960), do livro de memória Mother Ireland (1976), da rumorosa biografia James Joyce: a life (1999) e da aclamada biografia Byron in love (2009). Dela, o belo pensamento: A escuridão é atraída pela luz, mas a luz não o sabe; a luz deve absorver a escuridão e, portanto, encontrar a sua própria extinção. Em nossos momentos mais profundos dizemos as coisas mais inadequadas. Todos nós nos deixamos. Morremos, mudamos - é principalmente mudança - superamos nossos melhores amigos; mas mesmo se eu te deixar, terei passado para você algo de mim mesmo; você será uma pessoa diferente por me conhecer; é inevitável... Leitura em dia, retomo meu percurso, a estrada é longa e fragal.

 


TRÊS PASSOS PARA ASCENÇÃO DO AMOR - Imagem: arte da fotógrafa, videógrafa, produtora cultural e curadora musical, Elza Cohen: Fotografar é expressar em forma de imagem a minha paixão pela diversidade humana. É praticar empatia e o ativismo social que me são inerentes. - Aos quatro cantos e ventos minha vida entre sombras, voos e interrogações: emoções indeléveis, pecados e trevas. Padeço de fome e sede, o que há em mim, vem com o apuro de Françoise Sagan: Desejo tanto que respeitem a minha liberdade que sou incapaz de não respeitar a dos outros. Para mim, a felicidade, é acima de tudo sentir-se bem. Amar não é somente querer, é sobretudo compreender. Amei até a loucura. O que chamam de loucura é, para mim, a única forma sensata de amar. Nem bem assimilo suas palavras, do outro, a inesperada consideração de Gilles Lipovetsky: Na verdade, qual idealização é capaz de se manter, qual sonho pode persistir indefinidamente, quando confrontado com a precariedade natural dos seres e a monótona cantilena da eterna repetição das coisas? Quanto mais os indivíduos são informados, mais se encarregam de sua própria existência, mais o Ego é objeto de cuidados, de autossolicitudes, de prevenções. É de se refletir... Não sei de ódio, aminimigos, perplexidades! A despeito de intolerantes, a cada qual, as trevas dos seus próprios desejos. Da minha parte, cabeça a mil e pés na terra, vivo a fonte de todas as coisas. Até mais ver!

 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.


CORPO CORPÓREO / A ESTRADA, DE LUIZ MARINHO

[...] Por esta porta foram-se todos os meus bens... eram simples de boa alma! Ah! Esta casa!... esta casa era uma sinfonia perpétua! Sabe?... Depois que Olívia se foi, não mais fiz sexo. O prazer da carne, já não me toca! Minha excitação, é-me absolutamente indiferente! As poluções noturnas, me são odiosas! Manifestam-se sem sonhos nem estímulos, chegam como indesejáveis e repugnantes vômitos. Eu, apenas existo, como existe uma pedra... Um argueiro... Duramos, apenas... Já não saio paraa o mundo... Meus passos limitam-se até aí nessa soleira... Todos os dias vem um mensageiro, trazer o que necessito. Sabe que não pode entrar, nem esquecer o vinho. No recanto dessa porta, fica dinheiro bastante para lhe prover. Nós não nos simpatizamos, mas, somos necessários um ao outro. [...].

O mensageiro, trecho extraído da obra Corpo corpóreo / A estrada (Comunicarte, 1995), do premiado dramaturgo Luiz Marinho (1926-2002). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 



terça-feira, junho 21, 2016

FRANÇOISE SAGAN, MAGGIE COLE, ARISTÓTELES, HANNAH HÖCH, CATHERINE DENEUVE, ORLY FAYA, CHARLES BAPTISTE & LITERATURA BRASILEIRA


O DIA AMANHECE E É MARAVILHOSO VIVER (Imagem: acervo LAM) - Ainda ontem não sabia o que pensar, fazer o que não fiz, dizer o que não disse. Coisas e lembranças, aventuras e destroços, festas e escombros, radiações e monturos, o flagra e divagar. O que era guerra fria hoje é iminente. Anteontem a quimera do futuro, hoje horagá. A vida passa depressa, eu vou devagar. Havia tanta incerteza, farsas, ratatá. Aqui há muito mais além de possibilidades, consequências, o que é que há? Houve um tempo em que tudo era factível, infância, adolescência, ah, não mais, só o impossível se revelar, desvelar, abrir o breu e tudo raiar. Afinal, o que já foi saiu da moldura, desbotou, quase sumiu e não cabe mais nem sequer cogitar, ou o que vai, o que terá de ser, será. O que se sabe é quase nada, fiapinho dagora, cabelinho de sapo, o triz, já fora de moda, o perene descartável. Vale ainda o aperto de mão, o abraço amigo, o eflúvio das rosas, a luz, o luar. Melhor a surpresa e tudo passar ou desandar, correr ou parecer que para tudo e tudo não para, deslizes, acomodações. Melhor é saber que nasce o dia e que é lindo o amanhecer, como é maravilhoso viver e viver e viver. Vamos adiante pro imprevisível e tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 Imagem: The Beautiful Girl, fotomontagem da artista visual alemã Hannah Höch (1889-1978), representante do movimento dadaísta e precursora da fotomontagem, refletiu no seu trabalho as representações culturais, dos papéis de gênero na sociedade e da sexualidade das mulheres, abordando os medos, possibilidades e novas esperanças.


Curtindo o álbum Bach: Goldberg Variations/Keyboard Works -Italian Concerto / Partita nº 1/Chromatic Fantasia – (Veritas/Virgin Records, 1999), da pianista estadunidense Maggie Cole.

PESQUISA
Introdução à literatura no Brasil (Civilização Brasileira, 1978), do professor, critico literário e ensaísta Afrânio Coutinho (1911-2000), tratando sobre as amplas perspectivas para o estudo em profundidade das letras nacionais, expondo de forma clara os fundamentos metodológicos e observações críticas, originais e inteligentes acerca da Literatura no Brasil. Veja mais aqui.

LEITURA 
La Chamade (1965), romance da dramaturga e romancista francesa Françoise Sagan (1935-2004), adaptado para o cinema pelo diretor Alain Chevalier e estrelado pela sempre musa e atriz Catherine Deneuve, contando a história de uma bela mulher que é a paixão de maduro empresário, porém ela se apaixona por um jovem de quem tem um filho, desaparecendo a paixão repentina para reencontrar seu antigo enamorado. Veja mais aqui, aquiaqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Uma andorinha não faz verão, nem o faz um dia só. [...] Pelo que é de todos ninguém se interessa. Toda a gente inclina-se a fugir a uma obrigação quando espera que outrem a desempenhe [...] e a tarefa principal do legislador consiste em criar em todos os homens disposição cooperativa. Cabe inteiramente ao legislador a obrigação de prover ao interesse público por meio de altruística reciprocidade dos interesses privados dos cidadãos. Para esse fim não deve haver uma distinção rígida entre as classes, particularmente entre as classes dos dirigentes e a classe dos dirigidos. Na verdade, todos os cidadãos deveriam, igualmente, a seu turno, governar e ser governados, com a cláusula geral de que os velhos são os mais indicados para governar, e os jovens para obedecer [...].
Trecho do pensamento extraído das obras do filósofo grego Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Arte Yoga – Dia Mundial do Yoga

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino & Psicologia Infantil, Jean-Paul Sartre, Machado de Assis, Adélia Prado, William Shakespeare, Dante Alighieri, Eumir Deodato, Jean-Luc Godard, Carlos Scliar, Sarah Adler, Nade Dieu & Ballet Stagium aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens do álbum La symphonie pornographique (Robert Records, 2015), do músico Charles Baptiste.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: Projeto Gaia - Bodypainting in Peru, do artista visual Orly Faya.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...