Mostrando postagens com marcador Felipe Coelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Felipe Coelho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, janeiro 12, 2018

ADÉLIA PRADO, LÉVINAS, SUZANNE VALADON, FLAUBERT, STIGLITZ, FELIPE COELHO, TOULOUSE-LAUTREC, ANETTE NAIMAN & CLARICE FALCÃO.

DEVARZINHO & EU - Imagem: Sous-bois (1914), da pintora francesa Suzanne Valadon (1867-1938). - O menino Devarzinho passou apressado. Pronde vai nessa carreira? Sequer olhou pra mim, apenas riu gostosamente na correria. Cadê teu pai, menino? Mais se ria e se distanciava. Resolvi acompanhá-lo, chamando-o e ele mais depressa olvidando dos meus reclamos. Subiu uma escadaria íngreme que dava para um bairro periférico. Vai pra onde, meu filho? Ele só ria e seguia pelo aclive, eu ao seu encalço. Quando cheguei lá em cima dei de cara com umas passarelas feitas com táboas – como ele passou por aqui, hem? -, coisa difícil pra mim, tenho problemas com altura. Vi-o atravessando umas três delas, já se preparando para descer o morro do outro lado. Chamei-o e não obtive êxito. Equilibrando como quem via a hora se esborrachar lá embaixo, consegui vencer lentamente, uma a uma das pontes improvisadas e adiantei o passo para alcançá-lo já lá embaixo numa escadaria que ele já embolava aos choros e a perder de vista. Fiz o que pude para chegar rapidamente lá embaixo, quase me arrebento, até aterrissar esbaforido, só encontrei pessoas com olhares desconfiados. Cadê o menino? Ninguém respondia, fitavam-me com ares severos e hostis. Cadê o menino? Eles se entreolhavam e percebi que vinham de todos os lados em minha direção, como se tivesse chegado a hora de me capturar, também. Percebi o mal-estar, girei em torno e percebi todos ao meu redor, sisudos, vingativos. Andando de costas, tropecei em algo, era um misto de rifle/revolver, não sei, sei lá, nunca tinha visto. Era uma arma, empunhei, abri o tambor: duas balas calibre 12, de um lado; várias calibre 38, de outro. Fechei o tambor e encarei a turba, agora parada, à espreita. Vi quando se mexeram no interior de um compartimento com balcão e me dirigi para lá: Cadê o menino? Ignoravam minhas perguntas, me tinham por invisível. Vi um policial que vinha em minha direção. Agora vamos resolver, pensei comigo, a polícia já chegou. Ao contrário começou a me inquirir, logo apareceram outros. Pediram minha arma enquanto eu explicava o ocorrido. Um deles, parecendo-me de patente superior, veio conversar comigo em tom ameaçador. Fizeram-me sentar numa maca. Logo um dos policiais se aproximou de mim e cravou um instrumento metálico na minha nuca, dizendo: Não vai doer nada. Ao dizer isso, ouvi que outros tantos policiais e os demais populares que presenciavam tudo caíram na gargalhada. Senti algo penetrando pelo meu cérebro, rasgando até alcançar-me a boca pelo lado de dentro do meu crânio, como se fosse uma broca odontológica limpando meus dentes por dentro. Aos poucos fui ficando sonolento, perguntavam-me coisas que nem entendia o que era, uma dor de cabeça tremenda e a ordem do comandante pra que eu respondesse às suas perguntas. Um deles avançou sobre mim com ameaça, encostando um objeto pontiagudo sobre o meu arco zigomático, deslizando até a têmpora, no qual ouvi um estampido e fez-se um silêncio absurdo. Nada mais ouvia e, acho que adormeci. Despertei à beira de um lago que dava em um caminho sinuoso até uma mata. A paisagem me era familiar, acho, tinha a certeza de que depois da mata era Água Preta, essa a minha crença, o que me deu ânimo de levantar, seguir a estrada contornando o lago que mais parecia um brejo à segunda olhada, o brejo da minha infância no quintal da minha avó. Trilha que não sabia, temores inatos, a busca por abrigo. A paisagem mudava a cada passada, ora uma campina, doutra um agreste, chão quente sob os pés descalços, sertão dos mandacarus, litoral da areia praieira. Segui adiante e o mistério rondava os meus passos em cada estação que se confundia primavera a verão, outono a inverno. Enfrentei tudo na jornada, lua minguante, cheia, crescente e nova. Aprendi a cara ao vento, poeiras e pedras do solado às faces. Sempre me guiei pro leste. Mas não há só leste, e tive de percorrer de norte a sul, até o oeste, passando por frustrantes dificuldades, não sabia o que me esperava, superava empecilhos com espírito de explorador pelo inexplorado, cego sem guia. Peregrino solitário, eu decidi empreender minha jornada por meus próprios esforços e sacrifícios, a minha tribulação sem mapa, sem rumo certo, por vacilações e situações auspiciosas, trovões, relâmpagos. Ousava seguir pro desconhecido, a densa mata, treva na qual eu perdi a noção do tempo e espaço, sabia: estou real agora, sou eu. Quero ir mais longe, onde vivo, o lugar que ocupo, o papel que desempenho, ah, nem sei mais nem quem sou, e penetro por meu esforço até onde me levar, não sei, não há consenso, nunca haverá, não tenho convicções, estou perdido no breu profundo de uma noite sem estrelas, entre batidas de asas, bafos, grasnados, alaridos estranhos, lufadas, silvos, rastejados, estalidos, todos os fantasmas e as sinistras sensações da escuridão na minha caminhada. Eu só tinha a mim mesmo, nada mais. Quanto mais andava, mais sentia a vida se distanciando. Seguia, ia, não era a vida que se distanciava, agora eu sei, era eu mesmo que me descobria a mim mesmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão: Monomania & Problema meu; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] A inovação está no coração do sucesso de uma economia moderna. A questão é como melhor promove-la. Os países em desenvolvimento são mais pobres não só porque têm menos recursos, mas porque há um hiato em conhecimento. Por isso, o acesso ao conhecimento é tão importante. [...]. Pensamento do economista e Prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz.

O DESEJO & A ALTERIDADE - [...] O desejo metafísico tende para coisa totalmente outra, para o absolutamente outro [...] Na base do desejo comumente interpretado encontrar-se-ia a necessidade: o desejo marcaria um ser indigente e incompleto ou decaído de sua grandeza passada. Coincidiria com a consciência do que foi perdido. Seria essencialmente nostalgia, saudade. Mas, desse modo, nem sequer suspeitaria o que é o verdadeiramente outro... Porque se fala levianamente de desejos satisfeitos ou necessidades sexuais ou, ainda, de necessidades morais e religiosas... O desejo metafísico tem outra intenção, deseja o que está além de tudo o que possa simplesmente completá-lo, como a bondade e o Desejado não o cumula mas o escava. Generosidade alimentada pelo Desejado, relação que não é desaparecimento da distância, não é aproximação ou, tomando de mais perto a essência da generosidade e da bondade, relação cuja positividade vem do distanciamento, da separação... Distanciamento que só é radical se o desejo não é possibilidade de antecipar o desejável, não pensa previamente e vamos para ele numa aventura, isto é, para a alteridade absoluta, inantigível, como vamos para a morte... [...] Para o Desejo esta alteridade, inadequada idéia, tem um sentido. É entendida como alteridade de Outrem e como do Altíssimo... Morrer pelo invisível, eis a metafísica. Extraído da obra Totalidade e infinito (70, 2008), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui e aqui.

FRASES DE SUZANNE VALADON – [...] Não se pode fazer nada muito bem a não ser com muito amor. [...] A natureza me traz o controle da verdade sólida para a construção de minhas telas, concebidas por mim, mas sempre motivadas pela emoção da vida. [...] Três grandes mestres, tirei o melhor de cada um deles, de seu ensinamento e de seu exemplo. Eu me encontrei, me fiz e disse, creio, o que tinha a dizer. [...] Sou atéia, já que nunca vou à igreja. Sejamos francos, de que serve isso? No entanto, ninguém bate em vão à minha porta. Trechos extraído da obra Suzanne Valadon (Martins Fontes, 1989), de Jeanne Champion, sobre a pintora francesa pós-impressionista Suzanne Valadon (1867-1938), Marie-Clémentine Valade de nascimento, personalidade marcante na cena artística parisiense no período que precede o cubismo. Na sua vida de filha de mãe solteira que era lavadeira, foi garçonete dos cafés e acrobata, Por sua beleza impressionante, tornou-se modelo de Renoir, Puvbis de Chavannes e Toulouse-Lautrec e iniciou-se na pintura com Edgar Degas. Foi amante de Van Gogh, Guaguin, Picasso e Modigliani, além do compositor Erik Satie. Com exposições bvem sucedidas, logo a sociedade burguesa ficou muito chocada com a sua arte, que a par da sua conduta sexual, desafiava as convenções. Veja mais aqui.

SALAMBÔ - [...] Salambô apeara-se da liteira, mas continuava a caminhar sob o dossel, muito vagarosamente. Depois atravessou o terraço para ir assentar-se no fundo, numa espécie de trono, feito de uma casca de tartaruga. [...] Desde os tornozelos até aos quadris, estava envolvida numa rede malhas muito pequenas, imitando as escamas de um peixe e que luziam como nácar; o corpo era-lhe cingido por uma faixa azul, na qual, por duas aberturas em forma de crescente, se lhe viam os seios, de cujas pontas pendiam grandes pingentes de carbúnculos. [...] Salambô, tendo assim o povo a seus pés, acima da cabeça somente o firmamento, em torno de si a imensidade do mar, o golfo, as montanhas e as perspectivas das províncias, confundia-se resplandecente com Tanit e parecia ser o próprio gênio de Cartago, a sua alma personalizada. [...]. Trecho extraído do romance histórico Salambô (1862 - Chardon, 1905), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

COM PERDÃO DA PALAVRA, QUERO CAIR NA VIDA: Meu coração bate desamparado onde minhas pernas se juntam. É tão bom existir! 1. Objeto de amor: De tal ordem é e tão precioso / o que devo dizer-lhes / que não posso guardá-lo / sem a sensação de um roubo: / cu é lindo! / Fazei o que puderdes com esta dádiva. / Quanto a mim dou graças / pelo que agora sei / e, mais que perdôo, eu amo. 2. Entrevista: Um homem do mundo me perguntou: / o que você pensa do sexo? / Uma das maravilhas da criação eu respondi. / Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas / e esperava que eu dissesse maldição, / só porque antes lhe confiara: / o destino do homem é a santidade. / A mulher que me perguntou cheia de ódio: / você raspa lá? Perguntou sorrindo, / achando que assim melhor me assassinava. / Magníficos são o cálice e a vara que ele contém, / peludo ou não. / Santo, santo, santo é o amor que vem de Deus, / não porque uso luva ou navalha. / Que pode contra ele o excremento? / Mesmo a rosa, que pode a seu favor? / Se "cobre a multidão dos pecados e é benigno, / como a morte duro, como o inferno tenaz", / descansa em teu amor, que bem estás. Poemas da escritora, professora e filósofa Adélia Prado. Veja mais aqui.

A ARTE ANETTE NAIMAN: NAVALHA NA CARNE & OUTRAS CENAS
A atriz formada em cinema e televisão e fundadora do Teatro Garagem, Anette Naiman, mantém sua trajetória com a proposta de fazer um teatro independente, libertário e transformador. Atualmente ela está em cartaz com o espetáculo Navalha na carne, de Plínio Marcos, com direção de Marcos Loureiro, todas as quartas e quintas, às 21hs, no Teatro Garagem - Rua Silveira Rodrigues, 331a – Vila Romana (SP). Informações (11) 99122-8696, temporada até o dia 08 de fevereiro. Veja mais aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
A arte de Toulouse-Lautrec aqui, aqui e aqui.
A vida solta no calor do coração, a música de Teodora Dimitrova, a escultura de Carlos Baez Barrueto, a fotografia de Claudia Rogge & a pintura de Robert Delaunay aqui.
Ah esse olhar no Crônica de amor por ela, Marc Augé, Rubem Braga, Wolfgang Amadeus Mozart, Gabriela Mistral, Mitsuko Uchida, Analy Alvarez, David Nutter, Francisco Ribera Gomez, Kate Holmes, Carmen Verônica & Iolita Domingos Barbosa Campos aqui.
Tarsila do Amaral, Hannah Arendt, Edward Grieg, Eleanor Gibson, Lígia Moreno & Rubem Braga aqui.
De antemão & Fecamepa aqui.
A mulher celta aqui.
A mulher suméria aqui.
Prelúdio aqui.
Só a poesia torna a vida suportável aqui.
Escapando & vingando sonhos aqui.
Só desamparo no descompromisso social aqui.
Literatura e história do teatro aqui.
Pequena história da formação social brasileira de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
A teoria da norma jurídica de Norberto Bobbio aqui.
Como se faz um processo de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal de Francesco Carnelutti aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora francesa Suzanne Valadon (1867-1938). 
Veja mais aqui & aqui.

sábado, novembro 18, 2017

SKARMETA, MICHELET, ALDA LARA, IBERÊ CAMARGO & PANELAS

A PROFESSORA & A FESTA DO ESPALHAFATO - Acordei com uma surpresa: Carma estava ao meu lado, brincando com um Mané-Gostoso: - Cadê o meu netinho, munitinho! Eita! Acordar assim ao lado dela era mais que sonhar, companhia que sempre me proporcionara o maior prazer, exatamente por seu sorriso sempre presente em todos os momentos e isso até hoje. Logo também apareceu Pai Lula trazendo um catavento: - Esse é mais um presentinho pro meu neto! Presente duplo e dos que eu mais gostava: Mané-Gostoso e catavento. O dia seria por isso maravilhosamente demais. Ah, mas eles estavam assim porque pregaram uma surpresa para mim. Gostou, meu netinho? Gostei Carma. E também do presente de Pai Lula. Ah, mas ainda temos uma supresinha pra você. Mais surpresa ainda? Sim, uma surpresa inesquecível que sabemos que você vai adorar ainda mais no dia de hoje. Mas hoje não é meu aniversário, Carma! A gente sabe que não é seu aniversário. Acontece que uma pessoa muito especial veio lhe ver. E logo entrou Tia Conça: - Cadê meu sobrinho predileto! E logo entrou me abraçando e me beijando. Ah, se for Tia Conça a surpresa, aviso logo que já gostei. Não, meu sobrinho, não sou eu a surpresa do dia, é muito melhor. Muito melhor? Sim. Muito, muito? Sim. O que poderia ser melhor do que acordar ganhando presentes e carinho de Carma, Pai Lula e Tia Conça? Não há nada melhor que isso! Ah, há sim, meu netinho, não é Pai Lula? É Carma, há sim. Pois se coisa há melhor que vocês três eu ainda não sei, o que poderia ser? Ah, então feche os olhos que vamos levá-lo pra surpresa que você gostará muito, venha. Bem, vendaram meus olhos e me encaminharam quarto afora, acredito que atravessamos a sala de jantar e parece que havíamos chegado à varanda. Chegando lá, ouvi que tinha mais gente no recinto, contaram até três no maior viva e de repente vejo diante de mim, a professora Hilda! Nossa! Que bom estar com a minha professorinha! Logo ela abraçou-me dizendo: O motivo é parabanizá-lo pela passagem de ano na escola, você foi aprovado! Que bão! Eu não me continha em pé, abracei a professorinha e saí abraçando um por um: Bichim, o Cravo, Mindinho, Jeguim, Alvoradinha, a Rosa, Seu-Vizinho, Gordim, Maior-Todos, Maluquim, Ciganinha, Fura-Bolos, Nitinha, Iaravi, Cata-Piolho, o Super-Pontinho, as fadinhas, até o Lobisomem Zonzo e os animais todos do terreiro. Virou uma festa só. A professorinha iniciou, então, encenações, dramatizou de improviso coisas do tempo que ela fazia teatro e contracenou comigo, com todos os presentes, até com os passarinhos, borboletas e outros bichos que foram chegando. Enquanto ela desfilava personagens, recitava poesias, rodopiava com danças e levantava a plateia pra brincar de caboclinos, de bumba-meu-boi, de fandango e de quadrilha, rastava pé no coco, na embolada, e quando a cena voltava ela encerrava com passos na maior frevada. E foram servidos doces, salgados, ponches e frutas pra gente se esbaldar na maior brincadeira. Pai Lula puxou uma adivinha, Tia Conça o que é o que é, Carma com um trava-língua e professorinha recitou quadrinhas que muito alegraram aos presentes. Salvas e palmas, cada um agradecia pelo momento, eu mesmo fiquei tão emocionado e ao chegar a minha vez, não sabia o que dizer. Foi aí que saí com essa: Meus amigos, minhas amigas, obrigado a todos vocês, vamos entoar cantigas e fazer tudo outra vez. Aplaudido pela generosidade dos que ali se apresentavam, cada um contou história: a do Falange, falanginha, falangeta, a do Cravo e da Rosa, a do Alvoradinha nas águas, a da Princesa e do Jacaré, a da Turma do Brincarte, a do Frevo e do Teatro, a do Lobisomem Zonzo, até que no fim de tudo, findamos era contando a história do Reino Encantado de Todas as Coisas. Ai entrou pela perna de pinto, saiu pela perna de pato, cada um sua lorota no maior espalhafato! (Veja mais abaixo) © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui. 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a saudosa cantora Elis Regina (1945-1982) ao vivo & no Monteux Jazz Festival; do compositor e guitarrista estadunidense Al Di Meola ao vivo com One of these nights & Jazzwoche Burghausen; a cantora e compositora Claudia Telles com seus grandes sucessos & o violonista Felipe Coelho com Cata Vento & Musadiversa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA: ISONOMIA – [...] A igualdade perante a lei refere-se ao cumprimento de determinado dispotivo normativo, devendo abranger de forma uniforme todas as pessoas, bens ou situações que estejam em igualdade de situações. [...] A garantia de igualdade entre os homens e as mulheres também abrange os homossexuais, tanto os masculinhos quantoos femininos, os bissexuais e os transexuais. A Constituição, ao garantir a intimidade e ao proibir a discriminação, protegeu a livre opção sexual, impedindo qualquer tipo de preconceito. [...]. Trechos extraídos do Curso de direito constitucional (Forense, 2008), do professor e pós-doutor pela Université Montesquieu Bordeaux IV, Walbert de Moura Agra. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PANELAS – O município de Panelas está localizado na microrregião do Brejo Pernambuco, na região do agestre, e formada administrativa pelos distritos sede, Cruzes, São José e São Lázaro. Obteve a sua autonomia municipal em 18 de maio de 1870, pela Lei Provincial 919, desmembrando-se de Caruaru e de São Bento do Una. A Maratona de Cruzes é realizada desde 1983, tornando-se um evento tradicional esportivo, reunindo além de desportistas, atividades culturais como bacamarteiros, bumba-meu-boi, capoeira, mamulengo, banda de pífanos e Antônio da Boneca, além de três dias de muito forró com bandas reconhecidas nacionalmente. A Maratona de Cruzes recebe cerca 60 mil pessoas ao longo de sua programação. A vila de São José do Bola foi criada na década de 1940, recebendo esta denominação porque havia uma intensa vegetação com inúmeros tatus-bola, com eventos que reúnem o tradicional "Casamento do Matuto" e concurso de fantasia de carros-de-bois. Também são destaques locais a vila de São Lázaro, a escultura em homenagem ao Festival Nacional de Jericos, a escultura feita de pedra em homenagem ao trabalhador localizada na entrada da cidade de Panelas, o Escorrego do Sítio Contador, a Serra, o Cruzeiro e o Mirante Serra da Bica. Veja mais aqui.

O HOMEM E A MULHER - [...] O homem, por mais freaco que possa ser moralmente, não deixa de estar numa estrada de ideais, de invenções e descobertas, tão rápido que o trilho incadescente lança faíscas. A mulher, fatalmente deixada para trás, continua na trilha de um passado que ela mesma pouco conhece. Está distanciada, para nossa infelicidade, mas não quer ou não pode ir mais depressa. O pior é que ambos não parecem ter pressa de se aproximar. Parece que nada têm para dizer um ao outro. O lar está frio, a mesa muda e a cama gelada. [...] Cumpre dizer claramente a coisa como ela é. Eles já não têm ideias comuns, nem linguagem comum, e mesmo sobre o que poderia interessar as duas partes, não sabem como falar. Perderam-se muitro de vista. Em breve, se não se tomar cuidado, apesar dos encontros fortuitos, já não serão dois os sexos, mas sim dois povos. [...] Trechos extraídos da obra A mulher (Martins Fontes, 1995), do filósofo e historiador francês e Jules Michelet (1798-1874). Veja mais aqui e aqui.

O CARTEIRO E O POETA - [...] Com um gesto de toureiro desprendeu o avental de Beatriz, sedoso rodeou sua cintura e despencou seu pau pelas coxas, como ela gostava, conforme provavam os suspiros que tão fluidamente soltava com essa seiva enlouquecedora que lubrificava sua boceta. Com a língua molhando a orelha e as mãos levantando suas nádegas, meteu de pé, na cozinha, sem se preocupar em tirar a sala. – Vão nos ver, meu amor – arquejou a garota, ajeitando-se para que o pau entrasse até o fundo. Mario começou a girar com golpes secos e, empapando os seios da garota de saliva, balbuciou: - Pena não ter o Sonu aqui para gravar esta homenagem a dom Pablo. E, num átimo, promulgou um orgasmo tão estrndoso, borbulhante, desmedido, estranho, bárbaro e apocalíptico que os galos acharam que tinha amanhecido e começaram a cocoricar com as cristas infladas, os cachorros confundiram o uivo com o apito do norturno ao sul e começaram a ladrar para a lua como se estivessem acompanhando um convenio incompreensível, o companheiro Rodriguez, ocupado em moldar as orelhas de uma universitária comunista com a rouca saliva de um tango de Gardel, teve a sensação de que um catafalto lhe cortava o ar na garganta e Rosa, viúva do Gonzalez, teve que tentar cobrir com o microfone na mão o “Hosana” de Mario, trinando mais uma vez A vela com um sonsonente operático. Agitando os braços como asas de moinho, a mulher estimulou Domingo Guzmán e Pedro Alarcón a redobrarem pratos e tambores, sacurdirem maracás, soprarem trombetas, trutucas ou, em sua falta, aumentarem o som da flauta, mas o maestro Guzmán, contendo o menino Pedro com um olhar, disse: - Fique tranqüilo, maestro, que se a viúva está tão saltitante é porque agora é a vez da filha. [...] desgarrou-se o orgasmo de Beatriz em direção à noite sideral, com uma cadencia que inspirou aos casais nas dunas (“um assim, filhinho”, pediu a turista ao telegrafista), que deixou escarlates e fulgurantes as orelhas da viúva e que inspirou as seguintes palavras ao pároco, em seu desvelo lá na torre: magnificat, stabat, pange língua, dies ira, benedictus, kirieleison, angélica. Ao final do último trinado, a noite inteira pareceu umedecer e o silêncio que se seguiu teve algo de turbulento e turvo. [...]. Trechos extraídos da obra O carteiro e o poeta (Record, 1996), do escritor chileno Antonio Skarmeta. Veja mais aqui.

TESTAMENTO DE ALDA LARA
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...
Poema extraído da obra Poemas (Maianga, 2004), da poeta angolana Alda Lara (1930-1962). Veja mais aqui.

Veja mais:
Homenagem à professora Hilda Galindo Corrêa & o blog Profetas de amor e mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Dia da Consciência Negra aqui, aqui & aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher aqui.
Quebra de Xangô aqui & aqui.
Entrevista com a cantora Cláudia Telles aqui & mais dela aqui, aqui & aqui.
O pensamento de Jacques Maritain aqui.
A literatura de Toni Morrison aqui & aqui.
A poesia de Margaret Atwood aqui.
A arte de Alan Moore aqui.
A liteartura de Marcel Proust aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de cordel de Leandro Gomes de Barros aqui & aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor Iberê Camargo (1914-1994).
Veja mais aqui.



quarta-feira, outubro 18, 2017

HERMILO, JESSIE BOUCHERETT, LUIZ BERTO, PINTANDO NA PRAÇA & SERRA DO QUATI – CAPOEIRAS

SERRA DO QUATI, CAPOEIRAS - Imagem: Serra do Quati/Capoeiras/Raimundo Lourenço. - Nasci na beira do Una, andejo do dia singrando na vida. Do outro lado o Mundaú vai pra Alagoas, até mais, boa viagem, eu sigo por conta do Planalto da Borborema para ser o que for feito por força do querer. Sou meio de rio, águas que de mim são correntezas de sonhos e anseios. Sou caeté da sina de ontem e vou pelo sítio Imbé, onde a minha raiz quilombola beija a brisa na minha abissal alegria agreste. Sou do mato viceja na beira da estrada, sou da mata densa dos bichos da infância, folhas que matizam as minhas manhãs e tardes, flores que perfumam aonde quer que eu vá. E vou célere assíduo pelo açude Gurjão, pra ir pro Riacho do Mel, atalhando o Mimoso, chegando em Maniçoba e de lá seguir pelo Mocambo como quem vai para Alegre dizer que vou pra Pau Ferro levar as boas novas. Sou desse chão que também sou e lavo meus os pés no Cajarana porque me batizei no da Pracinha, no Bom Destino, no do Mel do Meio e no de São Pedro e quero ir pra festa da Praça quando a noite chegar. E quando alta madrugada meu peito em poesia seguir até a Serra do Quati, ao reluzir o amanhecer, eu serei o espetáculo: assim como em cima, é embaixo. O céu, as nuvens, o universo no êxtase das mãos, na chuva a me banhar, alma lavada na imensidão, a comunhão do meu íntimo: tudo e todas as coisas, o infinito, mais que a mim mesmo, o prazer de estar cônscio de que há muito mais do que possa ver, muito além do que consiga enxergar: o prazer de estar vivo e viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista Nelson Freire: Bachianas Brasileiras & Alma Brasileira de Villa-Lobos & Estampes de Debussuy; daq cantora Maria Bethânia: Maricotinha ao vivo, O canto do Pajé – 25 anos & Pássaro Probido; do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; e da cantora, instrumentista e compositora Ceumar: Dindinha, Silencia, Sempre Viva & Meu nome. Para conferir é só ligar o som e curtir.

OS 500 ANOS DE DIOGO DE PAIVA - [...] A história repercutirá intensamente e, como é de seu costume, sustentará o governo e sua polícia uma versão que a tudo contraria, desde as evidências até o correto uso da razão. Porque assim lhes convém. Porque é imperioso que se sepulte com Diogo de Paiva uma incomensurável quantidade de fatos escabrosos, comprometedores e altamente incriminadores das elites governantes e influentes do país. Mesmo que de há muito estes fatos já sejam com conhecimento de toda a população. Mas há que se manter as aparências. Como tem acontecido desde os tempos do descobrimento. Ironicamente, o julgamento, a condenação e a execução de Diogo de Paiva, decidida em secreto e restrito tribunal, são levados a cabo apenas pelos seus cometimentos recentes, quando atuou como tesoureiro na campanha de um presidente corrupto que, afinal, perdeu o mandato antes do final. Toda a vida pregressa de Diogo de Paiva, até por ser desconhecida do tribunal que o julgou, não é levada em consideração. Enfim, um julgamento inglório e mesquinho, em total descompasso com a monumentalidade de sua figura. [...] São esses instantes finais, ao lado da jovem amante, bela em sua quietude de morte, uma faísca de luz em sua cabeça, unindo sua chegada em 1500 à posse do seu filho em 2003. Nos instantes imediatamente anteriores ao disparo que lhe atinge o peito, Diogo de Paiva tem uma fugaz visão do céu nordestino, pela janela do seu quarto que dá para a praia e constata, com os olhos cheios de luze o coração cheio de ternura, que é o mesmo céu brilhante de azul que se apresentou às suas vistas naquela manhã em que se fez menos na frota do Capitão Vicente Yañez Pinzon. Com a alma risonha e com a certeza de haver cumprido honradamente sua missão na construção e no estabelecimento do Mundo Novo, entrega sua presença a Deus. Trechos da obra Memorial do Mundo Novo (Bagaço, 2008), do escritor Luiz Berto. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

PINTANDO NA PRAÇA
DIA DO PINTOR – Exposição do projeto Pintando na Praça, realização do poeta e artista plástico Paulo Profeta, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares – PE. Veja mais aqui.

SER PERNAMBUCANO – [...] Você foi dizer o que era e terminou como terminou. Aliás, todas as vezes em que a gente insiste em dizer o que é mesmo, lasca-se. Posso fazer um pouco de lirismo barato, confessando que para sair pela tangente? Isto é o tipo de coisa subjetiva e não posso falar pelos outros, somente por mim, mesmo correndo o risco de que já falei. Mas vamos lá: ser pernambucano é estar ao lado dos movimentos libertários, é não se conformar com o subdesenvolvimento da zona rural, é tremer de horror diante dos mocambos e alagados, é não admitir que os ricos se tornam mais ricos e os pobres mais pobres, é comer os quitutes da nossa cozinha, é falar mal do Recife e não conseguir desprender-se dele, é amar e ter inimigos, é pedir ao garçom mais uma dose de Passport. Mas isto são atributos de qualquer homem em qualquer lugar. E chego a uma conclusão muito séria: não sei o que é ser pernambucano [...]. Trecho extraído da obra Agá (Civilização Brasileira, 1974), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Poema em voz alta, Cidadania & Meio Ambiente, O erotismo de Gerges Bataille, Ciranda dos libertinos de Marquês de Sade, Decameron de Pasolini, o pensamento de Maryam Namazie, a escultura de Leroy Transfield, a pintura de Paul Cezzane & Olivia de Berardinis, A mulher suméria, a música de Karina Buhr, Núpcias do NUA, Estado Imediato, a entrevista de Frederico Baarbosa & o grafite de Mozart Fernandes aqui.
Rio Una: eu nasci entre um rio e um riso de mulher, A energia espitirual de Henri Bergson, Menino de Engenho de José Lins do Rego, Poema & Oração do Milho de Cora Coralina, a música de Heitor Villa-Lobos & Nelson Freire, Humor e alegria da educação de Valéria Amorim Arantes, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a arte de Grande Otelo, Brincarte do Nitolino, a pintura de Manuel da Costa Ataíde & Luis Sergio Mafra aqui.
O corpo dela é o pomar do amor & programa Tataritaritatá aqui.
A psicologia de Pierre Weil, Psicoterapia mente-corporal de Alexander Lowen & Doro nas eleições aqui.
Os lábios da mulher amada, Crônica de amor por ela & Cantarau Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, Fecamepa & Big Shit Bôbras aqui.
Falando de sexo, Isabel Allende  & Zine Tataritaritatá aqui.
Saúde no Brasil, HapVida & Derinha Rocha aqui.
Moto perpétuo, a psicologia de Martin Buber & Priscilla Larocca, A essência da poesia de T. S. Eliot, Hope 2050, A música de Carl Nielsen & Cecília Zilliacus, a teoria literária de Kenneth Burke, o teatro de Mário Viana, a arte de Zuzana Vejvodova, Ponto G, a pintura de Rick Nederlof & Francisco Zuniga aqui.
Autismo, Educação Inclusiva & Tataritaritatá na Difusora de Alagoas aqui.
A arte de Rosana Simpson aqui.
Vera indignada & O segundo sexo de Simone de Beauvoir aqui.
Maceió & Lagoa Mundaú aqui.
La rebelión de lãs massas de Ortega y Gasset, Eu voltarei ao sol da primavera de Ascenso Ferreira, a música de Alexander Scriabin, A função do orgasmo de Wilhelm Reich, O orgasmo de Esperantina, a pintura de Renato Alarcão & Pablo Garat aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

TODO DIA É DIA DE JESSIE BOUCHERETT
Homenagem à escritora e ativista inglesa dos direitos das mulheres, Jessie Boucherett (1825-1905), uma das fundadoras da Society for Promotying the Training of Women, em 1859; promotora do sufrágio feminino e apoiadora do Ato de Propriedade das Mulheres Casadas de 1882, fundadora da Englisgwoman’s Review em 1866, e co-fundadora do Women’s Sufragge Journal.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

segunda-feira, julho 17, 2017

MOACIR SCLIAR, ELIS REGINA, SPENCER LEWIS, AL DI MEOLA, CLÁUDIA TELLES, HENRY YAN, FELIPE COELHO & DOMINGO NA MASSAGUEIRA

DOMINGO NA MASSAGUEIRA - É domingo, dia de botar a cara na vida: dietas, etiquetas, tudo pro escambau, oxe, hoje vale tudo! E o tempo, chove ou faz sol? Céu azulzinho pra achar graça de tudo. Apruma pro sul, Massagueira - simbora, cambada! Ô lugar bonito danado! Pra lá vai de qualquer jeito! Vixe! Adivinharam foi? O mundo todo na mesma direção: passou Taperaguá? Estamos em Barra Nova, doido! Ah, vamos dar uma chegada na Boca da Caixa! Melhor pro Broma. Não, melhor pra Bica da Pedra. Você está brincando, né? Vamos pra Praia do Saco! Qualé? Ao invés de esclarecer, complica. Ninguém se entende e passa Riacho, Morros, Mucuri, Campo Grande, Tororonba, quanta gente, querem atrapalhar meu lazer, é? Gente de todo tipo: quem se mata toda semana pra viver esse dia, quem negocia até o ar que respira, quem desama e quer se ajeitar, quem saiu da clausura dos livros para ver como é mesmo que é, quem posa de bonzinho pra cagar raio a partir de amanhã, incubadores de intriga com as garras de deliberados falsos, hipócritas suicidas, todos botam os dentes no estandarte: hoje é dia pra viver o ar puro, água de coco, negociando talheres, goles, pacutias, uma bocada no sururu, uma garfada no arroz de coco com pirão de peixe – queria era uma feijoada da panela de barro no trempe de pedra! Vôte! Olha o guaiamum, gente! Está na hora da golada no cachimbo, vira, virou: essa é boa, levanta até quem tá caiando! Agora deu: o cara já ta porrado, cercando frango. Visse aquela estirada na esteira de piripiri? Olha o efeito, na hora! Tô vendo só o amolegado do cipó! Merece uma bronha! Eita! Vai tirar o atrasado ou é só o vício mesmo? É mais fácil mentir que enganar. Que espertáculo a soberba com seus motores raçudos rasgando as águas: sai da frente, pescador! Arriba, jangadeiro! Só revelando temperamentos: um cara ou coroa entre a Ilha do Maranhão e a Ribeira. Tanto faz Canal de Dentro ou de Fora, a ilha de Santa Rita. Vamos até o Pilar e de lá a gente volta até o mar! Começou o delírio! Visse a carreira da catenga? Não, estava grudado na Burrinha! Aonde? Ah, lá do outro lado. Vixe, gosta disso, é? Lá vem Esquenta Mulher! Tem gosto pra tudo, avalie. Melhor O casamento de um feiticeiro com a negra de um peito só! Que é que é isso? Ah, daquele cantador Eneas Pica-Pau. Tem outra? Tem a do Defunto que falou no dia de finado! Danou-se! Essas coisas não me caem bem, gosto disso não. Olha o Nelson da Rabeca! Pronto, nunca vi mais gordo. É deputado, senador, prefeito, o quê? Ah, dizem que é o melhor tocador! O que? Músico, sei lá. Ah, meu, que papo é esse, hem? Ué, as coisas do lugar. Quero lá saber disso, hoje é domingo, a gente veio aqui pra beber ou conversar? O povinho bom dali assiste a tudo: os homens pescam, a mulher tece a renda, filé e labirinto. Isso é que é vida, quando eu me aposentar vou morar aqui, na beira da lagoa! Antes disso já tem é morrido, bocó! Ué, posso sonhar não? Hoje é o primeiro ou o sétimo dia da semana? Hoje é domingo, bestão, não é sábado. Não entendi. Ah, vai se catar! Gostei da comida! É da boa! E o que sobrou? Junta todo o resto de lixo! Juntei e agora? Joga esse troço aí na água mesmo, ora! Vamos pescar? Pra quê? Perda de tempo, tem mais peixe aí não. Não tem? Dizem que não tem mais não, já pescaram tudo! Besteira, é só comprar na primeira barraca, fresquinho, assado ou cozido! Já está escurecendo, vamos simbora? Vambora. Vamos dar um trocado pra ajudar esse povo, coitado. Esmola, dou não! Nem Deus com gancho e o diabo com garrancho! Até parece, raposa muda de pelo, mas não deixa de comer galinha. E eu com isso? Um gambá cheira a outro. Eu quero é me arrumar e só, se não sair da frente ou passo por cima. É mesmo, que se danem! Enquanto isso, lá no fundo da lagoa, Zé Bagre e Bagre Zé que acompanharam movimento do dia todo, conversavam com todos os pontos e vírgulas: todo domingo é assim! É mesmo. E a gente ó. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A FACE OCULTA DO SEXO DE MOACIR SCLIAR
O sonho da razão engendra monstros, disse Goya. E fantasias também, acrescentou Freud. Agora, nada para criar fantasias, belas ou monstruosas, como o sexo — porque nada proporciona campo mais fértil para a imaginação, sadia ou doentia. Ao longo da história da humanidade, as pessoas pagaram um triste tributo a fantasias que, ao fim e ao cabo, representam a punição pelo pecado original, o pecado que consiste em descobrir prazer em algo que, na maioria das espécies, serve tão somente para a reprodução. Aqui está uma lista de dez históricas fantasias ligadas ao sexo e à vida sexual. A fantasia do útero voador: os antigos acreditavam que o útero era não parte da anatomia feminina, mas uma criatura dotada de vida própria, que poderia sair do corpo da mulher, voando em busca da criança que depois iria nascer. A fantasia do afrodisíaco infalível: uma substância que foi procurada desde a antigüidade em ostras, em insetos (cantárida, por exemplo) e em alimentos variados. Algumas dessas coisas devem ter funcionado: nada como a auto-sugestão. A fantasia do pênis pequeno: pouca coisa incomoda tanto os adolescentes. Há quem procure médico para solucionar o problema. Que na verdade nem é tão problema. Esse é um caso típico do “tamanho não é documento”. A paixão faz o serviço. A fantasia do ovário perigoso: no século 19, a histeria das mulheres era freqüentemente atribuída a um excesso de funcionamento ovariano. Muitos ovários foram assim retirados das pacientes. Uma lição de humildade para a medicina. A fantasia do rejuvenescimento: vários métodos foram propostos, desde a injeção de extrato testicular de animais até a novocaína, esta preconizada por uma médica romena chamada Ana Aslan, que enriqueceu com o método. A vigarice médica é um curioso, e ainda não bem estudado, capítulo da história do comunismo. A fantasia do clitóris perigoso: justificativa para a clitoridectomia, ainda praticada em muitas culturas, e que precisa ser urgentemente erradicada. A fantasia sobre o vento e a gonorréia: era muito difundida na campanha gaúcha a idéia de que urinar contra o vento causava gonorréia. Considerando a falta de latrinas e considerando a freqüência com que sopra o minuano, não era difícil explicar o surgimento da doença. A fantasia da tábua do vaso: poucas coisas são tão perigosas, segundo essa fabulação. Pela tábua do vaso, se transmitiria a gonorréia. A tábua do vaso poderia até causar gravidez. A fantasia das impressões sobre a grávida: “Comi morango enquanto estava grávida, então meu filho nasceu com isso aí”. Isso aí:  uma lesão vascular longinquamente semelhante à fruta. A necessidade de encontrar explicações persegue as pessoas. A fantasia do cabaré das normalistas: essa é uma homenagem ao folclore porto-alegrense (mas também foi registrada em Curitiba pelo escritor Dalton Trevisan). Segundo a lenda, haveria na cidade um cabaré freqüentado só pelas jovens e deliciosas alunas do curso normal, um lugar cujo endereço uns poucos choferes de praça conheciam. Nada mais parecido à Ilha da Fantasia.
Dez históricas superstições sobre sexo, extraído da obra A face oculta — inusitadas e reveladoras histórias da medicina (Artes e Ofícios, 2001), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011). Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O dono da razão, A canção do exílio de Murilo Mendes, Identidade & etnia de Carlos Rodrigues Brandão, A socioantropologia de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Francisco Zúñiga & Mônica Alves Torres, a arte de Jules Pascin & a música de Ju Martins aqui.

E mais:
O culto da rosa: canção à flor, mulher amada, Totalidade & infinito de Emmanuel Lévinas, Mundo fantasmo de Bráulio Tavares, a música de Wojciech Kilar, A arte do teatro de Gordon Craig, Erotic Symphony de Jess Franco & Susan Hemingway, a pintura de Paul Delaroche, as gravuras de Paul-Émile Bécat & a poesia de Fernanda Guimarães aqui.
Poemas de Paul Verlaine & Denise Levertov, a pintura de Paul Delaroche, a fotografia de Patricia Hampl, a música de Marcoliva & a poesia de Lourdes Limeira aqui.
Alegoria da loucura, O livro do cortesão de Castiglione & Coríntios aqui.
Fecamepa, Gestalt-terapita de Friederich Perls, Contos e novelas de Jean de La Fontaine, a poesia de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada de Carlos Hugo Christensen, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
Espectro da fome de Josué de Castro, A ilíada de Homero, a música de Mercedes Sosa, Conversation Noturne de Martha Angerich, a pintura de Tamara de LempickaEliezer AugustoAna Botafogo & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Outra globalização de Milton Santos, À sombra das raparigas de Marcel Proust, As nuvens de música de Véronique Gens & Stark Naked Orchestra, Cleópatra & Elizabeth Taylor, a poesia de Clevane Pessoa de Araújo Lopes, a pintura de Camille Pissarro & Howard Chandler Christy aqui.
Primeiro de maio, o pensamento de Mahatma Gandhi, Kark Marx, Adam Smith, David Ricardo, O trabalho & os dias de Hesíodo, a pintura de Tarsila do Amaral, a música de Chico Buarque & Milton Nascimento aqui.
As drogas & as campanhas antidrogas, O pensamento de Milton Friedman, On the Road de Jack Kerouac, A droga é só um pretexto de Francis Curte, Bioética de Javier Gafo Fernández, a música do Yes, a pintura de Carlos Schwabe & Félicien Rops aqui.
A vida, a terra, o homem & a bioética, A condição humana de Hannah Arendt, Grande sertão veredas de João Guimarães Rosa, Pau Brasil de Oswald de Andrade, a poesia de Patativa de Assaré, Dos confins do sertão de Elomar Figueira de Mello, Cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, a arte de Fernand Khnopff, a pintura de Shere Crossman & Antonio Cláudio Massa aqui.
Que país é esse, Brasilsilsilsilsilsil, As coroas & máscaras de Eduardo Galeano, Não verás país nenhum de Ignácio de Loyola Brandão, Aos trancos & barrancos de Darcy Ribeiro, Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de Castro Alves & Affonso Romano de Sant’Anna, Samba do crioulo doido de Sérgio Porto, Ary Barroso, Juca Chaves, Dias Gomes & Ferreira Gullar, Gonzaguinha & Ivan Lins, Chico Buarque & Ruy Guerra, Canto das Três Raças, Flávio Rangel & Millôr Fernandes, Maurício Tapajós & Aldir Blanc, Joyce & Fernando Brant, Renato Russo & Cláudia Alende aqui.
Credibilidade da imprensa brasileira, História da imprensa brasileira de Nelson Werneck Sodré, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, Cervantes & Millôr Fernandes, Notícias dum Brasil de Eduardo Gudin & a jornalista Enki Bracaj aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

O ENVENENAMENTO MENTAL DE SPENCER LEWIS
A mente humana tem muitas características estranhas e muitas tendências espantosas [...] A primeira é que a mente ou consciência humana tem uma tendencia, um impulso muito definido, de acreditar e aceitar como verdade aquilo em que ela quer acreditar, ou o que sente ser um cumprimento a sua capacidade de raciocinar e de chegar a conclusões corretas. A segunda é uma inclinação sempre presente de aceitar como crença, como verdade, como um princípio incontestável, uma ideia ou uma conclusão que concorda com outra ideia ou grupo de ideias anteriormente estabelecidas na mente ou consciência, a partir de experiências pessoais. [...] uma terceira inclinação, está aquela fraqueza, de preferir aceitar e adotar uma ideia extraordinária, incomum, singular ou distintamente diferente sobre certas questões, se esta ideia ou crença incomum for compatível ou estiver em harmonia com as crenças e ideias anteriores aceitas pela mente. [...] uma conclusão singular e que difere das opiniões aceitas pela mente das massas. [...] Minha opinião está certa porque difere da das massas e prova que sou melhor em meu raciocínio, mais inteligente ou mais astuto em minha analise lógica das coisas, e mais generoso em minha concepção mental dos fatos e princípios. [...] verificamos que a mente humana, mesmo na pessoa mais inculta, iletrada ou despreparada, gosta de considerar-se superior, em muitos aspectos, à mente da pessoa mediana com quem entra em contato. [...] Homens e mulheres têm preparado deliberadamente doses de veneno mental e se esforçado ao máximo para ministrá-las a suas vitimas inocentes. [...] Por essas razões e muitas outras, cabe a todo homem (e mulher) guardar cuidadosamente seus pensamentos, suas palavras, seus gestos e ações. [...] Podemos distribuir alegria em lugar de tristeza. Podemos ministrar esperança em lugar de desespero. Podemos verter na mente e na consciência de outrem uma atitude sorridente, uma determinação cada vez maior de força de vontade, um quadro de um futuro bonito, uma porta aberta à oportunidade, um poder purificador que atingirá todas as partes do corpo e um brilho divino de alegria espiritual que rejuvenescerá e redimirá a mais infeliz das criaturas. [...].
Trechos extraídos da obra Envenenamento mental (Renes, 1976), do escritor, ocultista e místico Dr. Ph.D Harvey Spencer Lewis (1883-1939). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com a saudosa cantora Elis Regina (1945-1982) ao vivo & no Monteux Jazz Festival; do compositor e guitarrista estadunidense Al Di Meola ao vivo com One of these nights & Jazzwoche Burghausen; a cantora e compositora Claudia Telles com seus grandes sucessos & o violonista Felipe Coelho com Cata Vento & Musadiversa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

DESTAQUE: CLÁUDIA TELLES
Sou fã da cantora e compositora Cláudia Telles, filha da eterna cantora Sylvinha Telles e do violonista Candinho, desde 1976, quando ela lançou um compacto com a música Fim de tarde (CBS, 1976), dos compositores Robson Jorge & Mauro Motta. A partir daí passei a acompanhar a trajetória dessa grande cantora que, alguns anos atrás, concedeu uma entrevista falando de sua carreira e do seu trabalho. Confira a entrevista aqui & mais dela aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, professor e desenhista chinês Henry Yan.
Veja mais aqui.

TODO DIA É DA MULHER: MEU CORPO MINHAS REGRAS



SHAILJA PATEL, JAY KRISTOFF, AYAAN HIRSI ALI & MARCELO GOMES

    Imagem: Acervo ArtLAM . Boboca pelas fantasmagorias do ciclo circadiano… - João Pila tinha muitos sonhos, todos de olhos abertos; n...