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terça-feira, dezembro 19, 2017

NIETZSCHE, CALLADO, TEILHARD DE CHARDIN, EUCLIDES DA CUNHA, AL DI MEOLA, PETRARCA, ALISA WEILERSTEIN, NATHAN OLIVEIRA, BRIAN BOOTH CRAIG & CULTURA DE PERNAMBUCO

TANTO JUNTOU & BABAU! – Imagem: Alongtimealone, do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010) - Anclotinato era tinhoso, sabido, astucioso, menino feito os pés da doida, duma vivacidade surpreendente. Tanto que foi crescendo de ninguém se dar conta, aprendeu a ler na cacunda dos outros e a escrever com a munheca alheia. De tão liso, passava pito, chegava na frente, maior mangação: se era pintomba, aos cachos mais que qualquer; manga rosa, de tuia; abacate, aos montes. Vendia de tudo, até do vizinho. Juntava os trocados escondidos a sete chaves, ninguém que soubesse. Esmolava até, se possível, só pra dar o gostinho de manhar engodo. Mais taludo, fazia que dava com a direita o que escondia com a esquerda, ladino, enrolador. Tapiava todo mundo, incólume. Adolescia engabelando quem lhe aparecesse na frente, e na maior lábia aplicou das suas e embuchou uma, duas, três. Quando falaram em casório, ele deu maior pinote. E assim foi, daqui pra acolá, engravidando as achegadas. Nem sabia dos rebentos até o dia que aportou em Alagoinhanduba e o seu cerco se fechou. Danou-se! Casar de mesmo, nunca; amancebou-se com uma das reboculosas vítimas, produzindo uma infieira de bruguelo de não ter mais fim. Trocava de mulher, bastava não querer mais da encheção de saco. Ardiloso, jamais perdia tempo nem sucumbia em contratempos, aprontava e só. Chegava a hora dos meninos pra escola, e ele: Eu só estudei até a segunda série ginasial e aprendi de tudo com a vida, a minha escola é a vida. A mulher insistia, ele botou a filharada em escola pública, era de graça. Gastar não era com ele, nunca gostou de perder nada, mesmo quando foi reprovado três vezes no segundo ginasial, abandonando e aprendendo com a cara e a coragem o que pra ele era o suficiente para aprender: tirar proveito dos bestas e enricar, só. Acossado pelo desvio de um dos rebentos metido a sabochão, ele berrou: Menino, vá pra escola pra ser gente, vá! Nem deu tempo o menino virar as costas e ouvir dele: Se eu descobrir quem inventou estudo, eu mando matar. O menino saiu confuso, o que aprendia na escola, desaprendia com ele. Mais tivesse de desatino, mais disparate prosperava. Exemplo que é bom, ao contrário. Até o dia que ele botou todos os filhos que tinha por enteados pra correr mundo afora. Ficou sozinho na sua mancebia, lapadas e peiadas diárias, com prevenção pra não vê-la mojada. Esperto, sequer sabia o que possuía, tudo oculto, ninguém que desse ciência, valha-me, nada de olho gordo no seu quinhão, para tanto, lamuriava muito, maldizia da vida, sempre a provocar a caridade de desavisados. Mão de figa, ralhava a mulher da vez. Ele, nem nem. Um dia ele teve um troço e bateu as botas. Fizeram farra nas sua fortuna, um tesouro quase perdido, agora festa nos seus restos mortais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o guitarrista estadunidense Al di Meola: One of These Nights & Jazzwoche Burgghausen; e da violoncelista clássica estadunidente Alisa Weilerstein: Haydn Concert in D major MVT 1 & Hindemith Cellokonzert HR-Sinfonie Orchester. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Mal estamos emergindo de nossos ancestrais irracionais, motivo de nossas comuns recaídas animais. A humanidade ainda não está senão na aurora de sua existência. Pensamento do filósofo, paleontólogo e teólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Veja mais aqui.

ECCE HOMO - [...] O dizer sim à vida, mesmo em seus problemas mais estranhos e difíceis; a vontade de viver, no rehozijo sobre sua própria inexauribilidade, e mesmo no próprio sacrifício de seus tipos mais altos – isso é o que eu chamei dionisiaco, isso é o que compreendi como a ponte para a psicologia do poeta trágico. Não com fim de nos livrarmos do terror e da piedade, não com o fim de nos purgarm,os de uma emoção perigosa através de sua liberação [...] mas com o fim de sermos nós mesmos a eterna alegria de destruir, além do terror e da piedade – essa alegria que inclui até a alegria de destruir [...]. Trecho da obra Ecce homo: Wie man wird, was man ist (1888 – Como tornar-se o que se é – Simões, 1957), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui, aqui & aqui.

REFORMA AGRÁRIA - [...] Existe no Brasil um passe de mágica interlectual, ou um truque epistemológico que consiste no seguinte: problemas antigos e que continuam sem solução são dados como resolvidos. Ou passam à categoria de problemas chatos, obsoletos. Arrisca-se, por isso, a um certo ridículo quem fala ainda em reforma agrária no Brasil, o argumento principal sendo que a agricultura hoje nada mais é do que a parte antiquada da agroindústria moderna. A indústria domina o campo e as multinacionais, a indústria. Falar em camponês, parceiro, meeiro, peão – prossegue o argumento – seria falar nos direitos do servo da gleba, escudeiros ou palafreneiros. [...] Trechos extraídos da obra Entre Deus e a vasilha: ensaio sobre a reforma agrária, a qual nunca foi feita (Nova Fronteira, 2003), do jornalista, romancista, biógrafo e dramaturgo Antonio Callado (1917-1997). Veja mais aqui, aqui & aqui.

OS SERTÕES - [...] Não vimos o traço superior do acontecimento. Aquele afloramento originalíssimo do passado, patenteando todas as falhas da nossa evolução, era um belo ensejo para estuarmo-las, corrigirmo-las ou anularmo-lãs. Não entendemos a lição eloqüente. Na primeira cidade da República, os patriotas satisfizeram-se com o auto-de-fé de alguns jornais adversos, e o governo começou a agir. Agir era isso – agremiar os batalhões. [...]. Trecho da obra Os sertões (Francisco Alves, 1936), do escritor e jornalista Euclides da Cunha (1866-1909). Veja mais aqui, aquiaqui & aqui.

SONETO - Vós que escutais em rimas espalhado / deste meu peito o suspirado ardor / e que o nutria ao juvenil error / quando era muito divbersoo meu estado; / o incerto estilo por quê eu hei variado / entre a vã esperança e o vão temor, / se vós houverdes entendido amor / terá vossa piedade despertado. / Vejo que a todos meu amor assim / quase sempre foi fábula somente. / E agora eu, de mim mesmo me envergonho. / De minha vida vã vergonha é o fim / e o arrepender-se e o ver mui claramente / quanto aparaz ao mundo é breve sonho. Poema do livro Sonetos (Sol Negro, s/d), do escritor, intelectual humanista e filosofo italiano Francesco Petrarca (1304-1374). Veja mais aqui e aqui,.

MAPA CULTURAL DE PERNAMBUCO
Veja aqui.

Veja mais:
A música de Edith Piaf aqui & aqui.
O teatro de Jean Genet aqui e aqui.
A poesia de Manoel de Barros aqui e aqui.
A literatura de Emily Brontë aqui.
A literatura de Rubem Braga aqui, aqui & aqui.
Livros do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010).
Veja mais aqui.

AS ESCULTURAS DE BRIAN BOOTH CRAIG
Art by Brian Booth Craig.
 

sábado, novembro 18, 2017

SKARMETA, MICHELET, ALDA LARA, IBERÊ CAMARGO & PANELAS

A PROFESSORA & A FESTA DO ESPALHAFATO - Acordei com uma surpresa: Carma estava ao meu lado, brincando com um Mané-Gostoso: - Cadê o meu netinho, munitinho! Eita! Acordar assim ao lado dela era mais que sonhar, companhia que sempre me proporcionara o maior prazer, exatamente por seu sorriso sempre presente em todos os momentos e isso até hoje. Logo também apareceu Pai Lula trazendo um catavento: - Esse é mais um presentinho pro meu neto! Presente duplo e dos que eu mais gostava: Mané-Gostoso e catavento. O dia seria por isso maravilhosamente demais. Ah, mas eles estavam assim porque pregaram uma surpresa para mim. Gostou, meu netinho? Gostei Carma. E também do presente de Pai Lula. Ah, mas ainda temos uma supresinha pra você. Mais surpresa ainda? Sim, uma surpresa inesquecível que sabemos que você vai adorar ainda mais no dia de hoje. Mas hoje não é meu aniversário, Carma! A gente sabe que não é seu aniversário. Acontece que uma pessoa muito especial veio lhe ver. E logo entrou Tia Conça: - Cadê meu sobrinho predileto! E logo entrou me abraçando e me beijando. Ah, se for Tia Conça a surpresa, aviso logo que já gostei. Não, meu sobrinho, não sou eu a surpresa do dia, é muito melhor. Muito melhor? Sim. Muito, muito? Sim. O que poderia ser melhor do que acordar ganhando presentes e carinho de Carma, Pai Lula e Tia Conça? Não há nada melhor que isso! Ah, há sim, meu netinho, não é Pai Lula? É Carma, há sim. Pois se coisa há melhor que vocês três eu ainda não sei, o que poderia ser? Ah, então feche os olhos que vamos levá-lo pra surpresa que você gostará muito, venha. Bem, vendaram meus olhos e me encaminharam quarto afora, acredito que atravessamos a sala de jantar e parece que havíamos chegado à varanda. Chegando lá, ouvi que tinha mais gente no recinto, contaram até três no maior viva e de repente vejo diante de mim, a professora Hilda! Nossa! Que bom estar com a minha professorinha! Logo ela abraçou-me dizendo: O motivo é parabanizá-lo pela passagem de ano na escola, você foi aprovado! Que bão! Eu não me continha em pé, abracei a professorinha e saí abraçando um por um: Bichim, o Cravo, Mindinho, Jeguim, Alvoradinha, a Rosa, Seu-Vizinho, Gordim, Maior-Todos, Maluquim, Ciganinha, Fura-Bolos, Nitinha, Iaravi, Cata-Piolho, o Super-Pontinho, as fadinhas, até o Lobisomem Zonzo e os animais todos do terreiro. Virou uma festa só. A professorinha iniciou, então, encenações, dramatizou de improviso coisas do tempo que ela fazia teatro e contracenou comigo, com todos os presentes, até com os passarinhos, borboletas e outros bichos que foram chegando. Enquanto ela desfilava personagens, recitava poesias, rodopiava com danças e levantava a plateia pra brincar de caboclinos, de bumba-meu-boi, de fandango e de quadrilha, rastava pé no coco, na embolada, e quando a cena voltava ela encerrava com passos na maior frevada. E foram servidos doces, salgados, ponches e frutas pra gente se esbaldar na maior brincadeira. Pai Lula puxou uma adivinha, Tia Conça o que é o que é, Carma com um trava-língua e professorinha recitou quadrinhas que muito alegraram aos presentes. Salvas e palmas, cada um agradecia pelo momento, eu mesmo fiquei tão emocionado e ao chegar a minha vez, não sabia o que dizer. Foi aí que saí com essa: Meus amigos, minhas amigas, obrigado a todos vocês, vamos entoar cantigas e fazer tudo outra vez. Aplaudido pela generosidade dos que ali se apresentavam, cada um contou história: a do Falange, falanginha, falangeta, a do Cravo e da Rosa, a do Alvoradinha nas águas, a da Princesa e do Jacaré, a da Turma do Brincarte, a do Frevo e do Teatro, a do Lobisomem Zonzo, até que no fim de tudo, findamos era contando a história do Reino Encantado de Todas as Coisas. Ai entrou pela perna de pinto, saiu pela perna de pato, cada um sua lorota no maior espalhafato! (Veja mais abaixo) © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a saudosa cantora Elis Regina (1945-1982) ao vivo & no Monteux Jazz Festival; do compositor e guitarrista estadunidense Al Di Meola ao vivo com One of these nights & Jazzwoche Burghausen; a cantora e compositora Claudia Telles com seus grandes sucessos & o violonista Felipe Coelho com Cata Vento & Musadiversa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA: ISONOMIA – [...] A igualdade perante a lei refere-se ao cumprimento de determinado dispotivo normativo, devendo abranger de forma uniforme todas as pessoas, bens ou situações que estejam em igualdade de situações. [...] A garantia de igualdade entre os homens e as mulheres também abrange os homossexuais, tanto os masculinhos quantoos femininos, os bissexuais e os transexuais. A Constituição, ao garantir a intimidade e ao proibir a discriminação, protegeu a livre opção sexual, impedindo qualquer tipo de preconceito. [...]. Trechos extraídos do Curso de direito constitucional (Forense, 2008), do professor e pós-doutor pela Université Montesquieu Bordeaux IV, Walbert de Moura Agra. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PANELAS – O município de Panelas está localizado na microrregião do Brejo Pernambuco, na região do agestre, e formada administrativa pelos distritos sede, Cruzes, São José e São Lázaro. Obteve a sua autonomia municipal em 18 de maio de 1870, pela Lei Provincial 919, desmembrando-se de Caruaru e de São Bento do Una. A Maratona de Cruzes é realizada desde 1983, tornando-se um evento tradicional esportivo, reunindo além de desportistas, atividades culturais como bacamarteiros, bumba-meu-boi, capoeira, mamulengo, banda de pífanos e Antônio da Boneca, além de três dias de muito forró com bandas reconhecidas nacionalmente. A Maratona de Cruzes recebe cerca 60 mil pessoas ao longo de sua programação. A vila de São José do Bola foi criada na década de 1940, recebendo esta denominação porque havia uma intensa vegetação com inúmeros tatus-bola, com eventos que reúnem o tradicional "Casamento do Matuto" e concurso de fantasia de carros-de-bois. Também são destaques locais a vila de São Lázaro, a escultura em homenagem ao Festival Nacional de Jericos, a escultura feita de pedra em homenagem ao trabalhador localizada na entrada da cidade de Panelas, o Escorrego do Sítio Contador, a Serra, o Cruzeiro e o Mirante Serra da Bica. Veja mais aqui.

O HOMEM E A MULHER - [...] O homem, por mais freaco que possa ser moralmente, não deixa de estar numa estrada de ideais, de invenções e descobertas, tão rápido que o trilho incadescente lança faíscas. A mulher, fatalmente deixada para trás, continua na trilha de um passado que ela mesma pouco conhece. Está distanciada, para nossa infelicidade, mas não quer ou não pode ir mais depressa. O pior é que ambos não parecem ter pressa de se aproximar. Parece que nada têm para dizer um ao outro. O lar está frio, a mesa muda e a cama gelada. [...] Cumpre dizer claramente a coisa como ela é. Eles já não têm ideias comuns, nem linguagem comum, e mesmo sobre o que poderia interessar as duas partes, não sabem como falar. Perderam-se muitro de vista. Em breve, se não se tomar cuidado, apesar dos encontros fortuitos, já não serão dois os sexos, mas sim dois povos. [...] Trechos extraídos da obra A mulher (Martins Fontes, 1995), do filósofo e historiador francês e Jules Michelet (1798-1874). Veja mais aqui e aqui.

O CARTEIRO E O POETA - [...] Com um gesto de toureiro desprendeu o avental de Beatriz, sedoso rodeou sua cintura e despencou seu pau pelas coxas, como ela gostava, conforme provavam os suspiros que tão fluidamente soltava com essa seiva enlouquecedora que lubrificava sua boceta. Com a língua molhando a orelha e as mãos levantando suas nádegas, meteu de pé, na cozinha, sem se preocupar em tirar a sala. – Vão nos ver, meu amor – arquejou a garota, ajeitando-se para que o pau entrasse até o fundo. Mario começou a girar com golpes secos e, empapando os seios da garota de saliva, balbuciou: - Pena não ter o Sonu aqui para gravar esta homenagem a dom Pablo. E, num átimo, promulgou um orgasmo tão estrndoso, borbulhante, desmedido, estranho, bárbaro e apocalíptico que os galos acharam que tinha amanhecido e começaram a cocoricar com as cristas infladas, os cachorros confundiram o uivo com o apito do norturno ao sul e começaram a ladrar para a lua como se estivessem acompanhando um convenio incompreensível, o companheiro Rodriguez, ocupado em moldar as orelhas de uma universitária comunista com a rouca saliva de um tango de Gardel, teve a sensação de que um catafalto lhe cortava o ar na garganta e Rosa, viúva do Gonzalez, teve que tentar cobrir com o microfone na mão o “Hosana” de Mario, trinando mais uma vez A vela com um sonsonente operático. Agitando os braços como asas de moinho, a mulher estimulou Domingo Guzmán e Pedro Alarcón a redobrarem pratos e tambores, sacurdirem maracás, soprarem trombetas, trutucas ou, em sua falta, aumentarem o som da flauta, mas o maestro Guzmán, contendo o menino Pedro com um olhar, disse: - Fique tranqüilo, maestro, que se a viúva está tão saltitante é porque agora é a vez da filha. [...] desgarrou-se o orgasmo de Beatriz em direção à noite sideral, com uma cadencia que inspirou aos casais nas dunas (“um assim, filhinho”, pediu a turista ao telegrafista), que deixou escarlates e fulgurantes as orelhas da viúva e que inspirou as seguintes palavras ao pároco, em seu desvelo lá na torre: magnificat, stabat, pange língua, dies ira, benedictus, kirieleison, angélica. Ao final do último trinado, a noite inteira pareceu umedecer e o silêncio que se seguiu teve algo de turbulento e turvo. [...]. Trechos extraídos da obra O carteiro e o poeta (Record, 1996), do escritor chileno Antonio Skarmeta. Veja mais aqui.

TESTAMENTO DE ALDA LARA
À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...
Poema extraído da obra Poemas (Maianga, 2004), da poeta angolana Alda Lara (1930-1962). Veja mais aqui.

Veja mais:
Homenagem à professora Hilda Galindo Corrêa & o blog Profetas de amor e mais aqui, aqui, aqui & aqui.
Dia da Consciência Negra aqui, aqui & aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher aqui.
Quebra de Xangô aqui & aqui.
Entrevista com a cantora Cláudia Telles aqui & mais dela aqui, aqui & aqui.
O pensamento de Jacques Maritain aqui.
A literatura de Toni Morrison aqui & aqui.
A poesia de Margaret Atwood aqui.
A arte de Alan Moore aqui.
A liteartura de Marcel Proust aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de cordel de Leandro Gomes de Barros aqui & aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor Iberê Camargo (1914-1994).
Veja mais aqui.



segunda-feira, julho 17, 2017

MOACIR SCLIAR, ELIS REGINA, SPENCER LEWIS, AL DI MEOLA, CLÁUDIA TELLES, HENRY YAN, FELIPE COELHO & DOMINGO NA MASSAGUEIRA

DOMINGO NA MASSAGUEIRA - É domingo, dia de botar a cara na vida: dietas, etiquetas, tudo pro escambau, oxe, hoje vale tudo! E o tempo, chove ou faz sol? Céu azulzinho pra achar graça de tudo. Apruma pro sul, Massagueira - simbora, cambada! Ô lugar bonito danado! Pra lá vai de qualquer jeito! Vixe! Adivinharam foi? O mundo todo na mesma direção: passou Taperaguá? Estamos em Barra Nova, doido! Ah, vamos dar uma chegada na Boca da Caixa! Melhor pro Broma. Não, melhor pra Bica da Pedra. Você está brincando, né? Vamos pra Praia do Saco! Qualé? Ao invés de esclarecer, complica. Ninguém se entende e passa Riacho, Morros, Mucuri, Campo Grande, Tororonba, quanta gente, querem atrapalhar meu lazer, é? Gente de todo tipo: quem se mata toda semana pra viver esse dia, quem negocia até o ar que respira, quem desama e quer se ajeitar, quem saiu da clausura dos livros para ver como é mesmo que é, quem posa de bonzinho pra cagar raio a partir de amanhã, incubadores de intriga com as garras de deliberados falsos, hipócritas suicidas, todos botam os dentes no estandarte: hoje é dia pra viver o ar puro, água de coco, negociando talheres, goles, pacutias, uma bocada no sururu, uma garfada no arroz de coco com pirão de peixe – queria era uma feijoada da panela de barro no trempe de pedra! Vôte! Olha o guaiamum, gente! Está na hora da golada no cachimbo, vira, virou: essa é boa, levanta até quem tá caiando! Agora deu: o cara já ta porrado, cercando frango. Visse aquela estirada na esteira de piripiri? Olha o efeito, na hora! Tô vendo só o amolegado do cipó! Merece uma bronha! Eita! Vai tirar o atrasado ou é só o vício mesmo? É mais fácil mentir que enganar. Que espertáculo a soberba com seus motores raçudos rasgando as águas: sai da frente, pescador! Arriba, jangadeiro! Só revelando temperamentos: um cara ou coroa entre a Ilha do Maranhão e a Ribeira. Tanto faz Canal de Dentro ou de Fora, a ilha de Santa Rita. Vamos até o Pilar e de lá a gente volta até o mar! Começou o delírio! Visse a carreira da catenga? Não, estava grudado na Burrinha! Aonde? Ah, lá do outro lado. Vixe, gosta disso, é? Lá vem Esquenta Mulher! Tem gosto pra tudo, avalie. Melhor O casamento de um feiticeiro com a negra de um peito só! Que é que é isso? Ah, daquele cantador Eneas Pica-Pau. Tem outra? Tem a do Defunto que falou no dia de finado! Danou-se! Essas coisas não me caem bem, gosto disso não. Olha o Nelson da Rabeca! Pronto, nunca vi mais gordo. É deputado, senador, prefeito, o quê? Ah, dizem que é o melhor tocador! O que? Músico, sei lá. Ah, meu, que papo é esse, hem? Ué, as coisas do lugar. Quero lá saber disso, hoje é domingo, a gente veio aqui pra beber ou conversar? O povinho bom dali assiste a tudo: os homens pescam, a mulher tece a renda, filé e labirinto. Isso é que é vida, quando eu me aposentar vou morar aqui, na beira da lagoa! Antes disso já tem é morrido, bocó! Ué, posso sonhar não? Hoje é o primeiro ou o sétimo dia da semana? Hoje é domingo, bestão, não é sábado. Não entendi. Ah, vai se catar! Gostei da comida! É da boa! E o que sobrou? Junta todo o resto de lixo! Juntei e agora? Joga esse troço aí na água mesmo, ora! Vamos pescar? Pra quê? Perda de tempo, tem mais peixe aí não. Não tem? Dizem que não tem mais não, já pescaram tudo! Besteira, é só comprar na primeira barraca, fresquinho, assado ou cozido! Já está escurecendo, vamos simbora? Vambora. Vamos dar um trocado pra ajudar esse povo, coitado. Esmola, dou não! Nem Deus com gancho e o diabo com garrancho! Até parece, raposa muda de pelo, mas não deixa de comer galinha. E eu com isso? Um gambá cheira a outro. Eu quero é me arrumar e só, se não sair da frente ou passo por cima. É mesmo, que se danem! Enquanto isso, lá no fundo da lagoa, Zé Bagre e Bagre Zé que acompanharam movimento do dia todo, conversavam com todos os pontos e vírgulas: todo domingo é assim! É mesmo. E a gente ó. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A FACE OCULTA DO SEXO DE MOACIR SCLIAR
O sonho da razão engendra monstros, disse Goya. E fantasias também, acrescentou Freud. Agora, nada para criar fantasias, belas ou monstruosas, como o sexo — porque nada proporciona campo mais fértil para a imaginação, sadia ou doentia. Ao longo da história da humanidade, as pessoas pagaram um triste tributo a fantasias que, ao fim e ao cabo, representam a punição pelo pecado original, o pecado que consiste em descobrir prazer em algo que, na maioria das espécies, serve tão somente para a reprodução. Aqui está uma lista de dez históricas fantasias ligadas ao sexo e à vida sexual. A fantasia do útero voador: os antigos acreditavam que o útero era não parte da anatomia feminina, mas uma criatura dotada de vida própria, que poderia sair do corpo da mulher, voando em busca da criança que depois iria nascer. A fantasia do afrodisíaco infalível: uma substância que foi procurada desde a antigüidade em ostras, em insetos (cantárida, por exemplo) e em alimentos variados. Algumas dessas coisas devem ter funcionado: nada como a auto-sugestão. A fantasia do pênis pequeno: pouca coisa incomoda tanto os adolescentes. Há quem procure médico para solucionar o problema. Que na verdade nem é tão problema. Esse é um caso típico do “tamanho não é documento”. A paixão faz o serviço. A fantasia do ovário perigoso: no século 19, a histeria das mulheres era freqüentemente atribuída a um excesso de funcionamento ovariano. Muitos ovários foram assim retirados das pacientes. Uma lição de humildade para a medicina. A fantasia do rejuvenescimento: vários métodos foram propostos, desde a injeção de extrato testicular de animais até a novocaína, esta preconizada por uma médica romena chamada Ana Aslan, que enriqueceu com o método. A vigarice médica é um curioso, e ainda não bem estudado, capítulo da história do comunismo. A fantasia do clitóris perigoso: justificativa para a clitoridectomia, ainda praticada em muitas culturas, e que precisa ser urgentemente erradicada. A fantasia sobre o vento e a gonorréia: era muito difundida na campanha gaúcha a idéia de que urinar contra o vento causava gonorréia. Considerando a falta de latrinas e considerando a freqüência com que sopra o minuano, não era difícil explicar o surgimento da doença. A fantasia da tábua do vaso: poucas coisas são tão perigosas, segundo essa fabulação. Pela tábua do vaso, se transmitiria a gonorréia. A tábua do vaso poderia até causar gravidez. A fantasia das impressões sobre a grávida: “Comi morango enquanto estava grávida, então meu filho nasceu com isso aí”. Isso aí:  uma lesão vascular longinquamente semelhante à fruta. A necessidade de encontrar explicações persegue as pessoas. A fantasia do cabaré das normalistas: essa é uma homenagem ao folclore porto-alegrense (mas também foi registrada em Curitiba pelo escritor Dalton Trevisan). Segundo a lenda, haveria na cidade um cabaré freqüentado só pelas jovens e deliciosas alunas do curso normal, um lugar cujo endereço uns poucos choferes de praça conheciam. Nada mais parecido à Ilha da Fantasia.
Dez históricas superstições sobre sexo, extraído da obra A face oculta — inusitadas e reveladoras histórias da medicina (Artes e Ofícios, 2001), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011). Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O dono da razão, A canção do exílio de Murilo Mendes, Identidade & etnia de Carlos Rodrigues Brandão, A socioantropologia de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Francisco Zúñiga & Mônica Alves Torres, a arte de Jules Pascin & a música de Ju Martins aqui.

E mais:
O culto da rosa: canção à flor, mulher amada, Totalidade & infinito de Emmanuel Lévinas, Mundo fantasmo de Bráulio Tavares, a música de Wojciech Kilar, A arte do teatro de Gordon Craig, Erotic Symphony de Jess Franco & Susan Hemingway, a pintura de Paul Delaroche, as gravuras de Paul-Émile Bécat & a poesia de Fernanda Guimarães aqui.
Poemas de Paul Verlaine & Denise Levertov, a pintura de Paul Delaroche, a fotografia de Patricia Hampl, a música de Marcoliva & a poesia de Lourdes Limeira aqui.
Alegoria da loucura, O livro do cortesão de Castiglione & Coríntios aqui.
Fecamepa, Gestalt-terapita de Friederich Perls, Contos e novelas de Jean de La Fontaine, a poesia de Laurindo Rabelo, Auto da alma de Gil Vicente, Crônica da cidade amada de Carlos Hugo Christensen, a música de Diversões Lúdicas, a pintura de Ignaz Epper, Brincarte do Nitolino & Cia Ópera na Mala aqui.
Espectro da fome de Josué de Castro, A ilíada de Homero, a música de Mercedes Sosa, Conversation Noturne de Martha Angerich, a pintura de Tamara de LempickaEliezer AugustoAna Botafogo & a poesia de Genesio Cavalcanti aqui.
Outra globalização de Milton Santos, À sombra das raparigas de Marcel Proust, As nuvens de música de Véronique Gens & Stark Naked Orchestra, Cleópatra & Elizabeth Taylor, a poesia de Clevane Pessoa de Araújo Lopes, a pintura de Camille Pissarro & Howard Chandler Christy aqui.
Primeiro de maio, o pensamento de Mahatma Gandhi, Kark Marx, Adam Smith, David Ricardo, O trabalho & os dias de Hesíodo, a pintura de Tarsila do Amaral, a música de Chico Buarque & Milton Nascimento aqui.
As drogas & as campanhas antidrogas, O pensamento de Milton Friedman, On the Road de Jack Kerouac, A droga é só um pretexto de Francis Curte, Bioética de Javier Gafo Fernández, a música do Yes, a pintura de Carlos Schwabe & Félicien Rops aqui.
A vida, a terra, o homem & a bioética, A condição humana de Hannah Arendt, Grande sertão veredas de João Guimarães Rosa, Pau Brasil de Oswald de Andrade, a poesia de Patativa de Assaré, Dos confins do sertão de Elomar Figueira de Mello, Cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, a arte de Fernand Khnopff, a pintura de Shere Crossman & Antonio Cláudio Massa aqui.
Que país é esse, Brasilsilsilsilsilsil, As coroas & máscaras de Eduardo Galeano, Não verás país nenhum de Ignácio de Loyola Brandão, Aos trancos & barrancos de Darcy Ribeiro, Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de Castro Alves & Affonso Romano de Sant’Anna, Samba do crioulo doido de Sérgio Porto, Ary Barroso, Juca Chaves, Dias Gomes & Ferreira Gullar, Gonzaguinha & Ivan Lins, Chico Buarque & Ruy Guerra, Canto das Três Raças, Flávio Rangel & Millôr Fernandes, Maurício Tapajós & Aldir Blanc, Joyce & Fernando Brant, Renato Russo & Cláudia Alende aqui.
Credibilidade da imprensa brasileira, História da imprensa brasileira de Nelson Werneck Sodré, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, Cervantes & Millôr Fernandes, Notícias dum Brasil de Eduardo Gudin & a jornalista Enki Bracaj aqui.
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O ENVENENAMENTO MENTAL DE SPENCER LEWIS
A mente humana tem muitas características estranhas e muitas tendências espantosas [...] A primeira é que a mente ou consciência humana tem uma tendencia, um impulso muito definido, de acreditar e aceitar como verdade aquilo em que ela quer acreditar, ou o que sente ser um cumprimento a sua capacidade de raciocinar e de chegar a conclusões corretas. A segunda é uma inclinação sempre presente de aceitar como crença, como verdade, como um princípio incontestável, uma ideia ou uma conclusão que concorda com outra ideia ou grupo de ideias anteriormente estabelecidas na mente ou consciência, a partir de experiências pessoais. [...] uma terceira inclinação, está aquela fraqueza, de preferir aceitar e adotar uma ideia extraordinária, incomum, singular ou distintamente diferente sobre certas questões, se esta ideia ou crença incomum for compatível ou estiver em harmonia com as crenças e ideias anteriores aceitas pela mente. [...] uma conclusão singular e que difere das opiniões aceitas pela mente das massas. [...] Minha opinião está certa porque difere da das massas e prova que sou melhor em meu raciocínio, mais inteligente ou mais astuto em minha analise lógica das coisas, e mais generoso em minha concepção mental dos fatos e princípios. [...] verificamos que a mente humana, mesmo na pessoa mais inculta, iletrada ou despreparada, gosta de considerar-se superior, em muitos aspectos, à mente da pessoa mediana com quem entra em contato. [...] Homens e mulheres têm preparado deliberadamente doses de veneno mental e se esforçado ao máximo para ministrá-las a suas vitimas inocentes. [...] Por essas razões e muitas outras, cabe a todo homem (e mulher) guardar cuidadosamente seus pensamentos, suas palavras, seus gestos e ações. [...] Podemos distribuir alegria em lugar de tristeza. Podemos ministrar esperança em lugar de desespero. Podemos verter na mente e na consciência de outrem uma atitude sorridente, uma determinação cada vez maior de força de vontade, um quadro de um futuro bonito, uma porta aberta à oportunidade, um poder purificador que atingirá todas as partes do corpo e um brilho divino de alegria espiritual que rejuvenescerá e redimirá a mais infeliz das criaturas. [...].
Trechos extraídos da obra Envenenamento mental (Renes, 1976), do escritor, ocultista e místico Dr. Ph.D Harvey Spencer Lewis (1883-1939). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com a saudosa cantora Elis Regina (1945-1982) ao vivo & no Monteux Jazz Festival; do compositor e guitarrista estadunidense Al Di Meola ao vivo com One of these nights & Jazzwoche Burghausen; a cantora e compositora Claudia Telles com seus grandes sucessos & o violonista Felipe Coelho com Cata Vento & Musadiversa. Para conferir é só ligar o som e curtir.

DESTAQUE: CLÁUDIA TELLES
Sou fã da cantora e compositora Cláudia Telles, filha da eterna cantora Sylvinha Telles e do violonista Candinho, desde 1976, quando ela lançou um compacto com a música Fim de tarde (CBS, 1976), dos compositores Robson Jorge & Mauro Motta. A partir daí passei a acompanhar a trajetória dessa grande cantora que, alguns anos atrás, concedeu uma entrevista falando de sua carreira e do seu trabalho. Confira a entrevista aqui & mais dela aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, professor e desenhista chinês Henry Yan.
Veja mais aqui.

TODO DIA É DA MULHER: MEU CORPO MINHAS REGRAS



NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...