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terça-feira, maio 08, 2018

BAUDELAIRE, BACHELARD, ARCHIBALD MACLEISH, LITA CABELLUT, FRANCASTEL, ENCICLOPÉDIA GRIZ, KIKO LOUREIRO & CLARICE FALCÃO

O MISTÉRIO DA ENCICLOPÉDIA GRIZ - O doutor Zé Gulu andava sumido, há meses não dava as caras por aquelas bandas. Os bisbilhoteiros davam por conta duma pulada de cerca dele, à alcova duma senhora distinta, a qual o marido andava fungando pelos quatro cantos do mundo, de sair bafo de raiva pelas ventas. Quem? Ninguém sabia quem era ela, nem o enfezado da vítima das duas de quinhentos. Só podia ser, falavam, e de outra cidade, por certo. Outros enredadores asseguravam dele estar amancebado com alguma vitalina reboculosa no fim do mundo, ou que pegara o corujão devido algum delito de pouca monta, escapulindo para lugar incerto e não sabido. Outras bisbilhotices davam noutras situações mais curiosas, como a de ter ele viajado com Pai Lula num foguete rumo outras galáxias perdidas no universo, ou de estar acoloiado com o Padre Bidião nalgum planeta distante, ou de ter se envultado depois de rezar a oração da Cabra Preta, ou de ter sido apagado da vida pelo ateísmo numa furiosa intervenção divina, e por aí vai, entre as mais disparatadas situações. Não, na verdade não era nada disso. Quando ele deu sinal de vida, adentrando no recinto com o peculiar aceno, riso de beiços fechados e sem mencionar uma só palavra, recolheu-se ao canto de costume, empunhou um calhamaço de capa dura, fazendo sinal pro garçom da bebida de sempre e folheando as páginas amareladas do alfarrábio. Todo mundo ligou a curiosidade de plantão. O Doro logo se aproximou: Doutor Zé Gulu andava sumido, que bíblia é essa, hômi? Não é bíblia, é um volume de uma enorme coleção desaparecida. Ah, tá. Os olhos aboticados queriam saber mais e ele concentrado, correndo o dedo pelas páginas, revirando-as como se estivesse à procura de alguma informação. Desaparecida, doutor? Sim, sim, infelizmente. Como tá desaparecida se o senhor tá com ela na mão? Ah, esse é o primeiro volume, tem outros mais. Cuma assim, doutor? Ah, eu era ainda um galalau duns treze anos mais ou menos, havia sido levado para uma cidade distante do Vale do Una, e meu pai me deixou esperando por umas providências dele, numa sala de bilhar, e lá vi chegar um senhor que havia andado sete dias a cavalo à procura dum charadista que escrevera uma coleção enciclopédica de mais de 32 volumes, cada um com mais de mil páginas. Fiquei intrigado com a informação e só anos mais tarde tomei conhecimento de que o distinto que dera essa informação, era o escritor Hermilo não sei o quê. Com o tempo esqueci disso, mas o destino prega das suas e dez anos depois eu, sem mais nem menos, presenciara uma palestra sobre memórias políticas de uma luta clandestina, de um certo senhor chamado por Paulo de não das quantas, que falou da mesma exótica e piramidal enciclopédia, misturada de dicionário e analecto, significados pouco comuns e expressões idiomáticas do tempo do ronca. De novo? Lá estava eu intrigado com isso. Foi a partir de então que pedi uma licença da universidade, aluguei uma jangada e saí pelo solo caeté do Una, procurando embaixo d’água, em grutas, montes, buracos, relheiras, valas, da nascente até a foz, conseguindo encontrar embaixo do maior monturo, este primeiro volume que, à primeira vista, parecia mais o Livro de Areia do Borges. De quem? Ah, deixa pra lá, vocês não entenderam mesmo. Pois bem, de posse desse volume, caí em campo por todo canto do planeta, atrás dos outros trinta e um volumes. Procurei o autor que já morrera, dele só encontrando uma antologia de cantos, contos e crônicas, organizada por uma editora local e mais nada. Indaguei por familiares, todos sumidos, um ou outro que dava alguma notícia de parentes que sequer sabiam dessa coleção. Fiz pacto com todo tipo de gente e assombração, até fiz um acerto com São Lunguinho pra ver se encontrava e construiria uma igreja pra ele, tudo para ver se conseguia o paradeiro do acervo. Aí visitei bibliotecas, lixões e terrenos baldios que serviam de alfurjas, nada de encontrar uma mínima pista ou rastro. Há pouco mais de seis meses, soube que o desaparecimento se dera por força de um catimbó ineivado e muito bem feito por um desafeto do dicionarista, que redundou numa enchente em 1975 que levou da cidade todos os volumes da edição. O catimbozeiro descobrira depois ainda alguns exemplares, refez a mandinga redobrada que quase acaba com a cidade todinha com uma verdadeiro tsunami. Por conta disso, peguei a jangada e saí catando por todo canto possível e inimaginável, logrei insucesso, só este livrão aqui, talvez o único exemplar existente de toda a coleção de trinta e dois volumes. Hômi, seu minino, isso é que é um livro amaldiçoado do estopô calango! Não, não é não, é uma obra rara que merece ser estudada. Oxe, tá doido, doutor? Isso é obra do cabrunco febrento! Cruz-credo! Xô! Isso é lá coisa que guarde? Só enjeitado por Deus que se arrancha com uma praga dessa! Quem vê, morre! Ora, ora. E aos poucos, um a um dos presentes foram caindo fora, às benzeduras, sai-te pra lá, coisa ruim! Depois de completamente esvaziado, até o próprio doutor Zé Gulu fora convidado a sair do estabelecimento, vez que do jeito que ia, findaria falindo até o negócio. Claro que ele saiu indignado dali, jurando nunca mais voltar. E não voltou mais, mesmo. Ainda está à cata dos livrões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico multi-instrumentista, compositor e guitarrista Kiko Loureiro: Sound of innocence, Universo inverso & Ojos verdes; da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão: Monomania, Problema meu & Oitavo andar; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] A arte de hoje indica que caminhamos em direção a um mundo de relações novas, onde o Homem deixa de ser o modelo e o centro de todas as coisas. Não é mais a Natureza que é feita à imagem do homem, agora o Homem é que é feito à imagem da Natureza, o Homem enriquecido por uma experiência mais profunda daquilo que o cerca e de si próprio, que começa a formar figuras e um espaço medidos pela extensão de suas experiências técnicas e psíquicas e orientados para um novo ilusionismo. [...].Pensamento extraído da obra Pintura e sociedade (Martins Fontes, 1990), do historiador de arte francês Pierre Francastel (1900-1970).

A IMAGINAÇÃO E A REALIDADE – [...] Deve-se definir um homem pelo conjunto das tendências que o impelem a superar a condição humana. [...] A adesão ao invisível, eis a poesia primeira, eis a poesia que nos permite tomar gosto por nosso destino íntimo. Ela nos dá uma impressão de juventude ou de adolescência, restituindo-nos incessantemente a faculdade de maravilhar-nos. A verdadeira poesia é uma função de despertar. [...]. Trechos extraídos da obra A águia e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria (Martins Fontes, 1997), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui.

A MULHER - [...] A mulher está no seu direito e cumpre mesmo uma espécie de dever em dedicar-se a parecer mágica e sobrenatural; é preciso que ela surpreenda, encante; ídolo, deve dourar-se para ser adorada. Deve, portanto, emprestar de todas as artes os meios de elevar-se acima da natureza, para melhor subjugar os corações e impressionar os espíritos [...] Eu me contentaria com pedir por ela aos verdadeiros artistas, assim como às mulheres que receberam ao nascer uma centelha desse fogo sagrado com o qual gostariam de se iluminar por inteiro. [...]. Trecho extraído da obra Curiosidades estéticas (Júcar, 1988), do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui e aqui.

O FIM DO MUNDO – De repente, como Vasserot, / o ambidestro sem braços, acendia / um fósforo entre o chupelão e o segundo artelho / e Ralph, o leão, se ocupava em morder / o pescoço da madame Sossman, enquanto o tambor / apontava, e Teeny estava para tossir / em ritmo da valsa balançando Jocko pelo polegar, / de repente a tampa pulou: / E ali, ali em cima, ali, ali, debruçaram-se / aquelas mil faces brancas, aqueles olhos ofuscados / ali no escuro sem estrela, a pausa, a indecisão: / ali com as grandes asas através os céus cancelados / ali na abrupta negrura do negro pálio / do nada, nada, nada, absolutamente nada. Poema do poeta e bibliotecário estadunidense Archibald MacLeish (1892-1982).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora cigana espanhola Lita Cabellut.
Veja mais aqui.


Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (Connepi) & muito mais na Agenda aqui.
&
A literatura do escritor, jornalista e dicionarista Artur Griz aqui e aqui.
&
As elucubrações do Doutor Zé Gulu aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
Solilóquio, O julgamento de Gandhi, o pensamento de Eric Hobsbawm & a arte de Poty Lazzarotto aqui.
 

sexta-feira, janeiro 12, 2018

ADÉLIA PRADO, LÉVINAS, SUZANNE VALADON, FLAUBERT, STIGLITZ, FELIPE COELHO, TOULOUSE-LAUTREC, ANETTE NAIMAN & CLARICE FALCÃO.

DEVARZINHO & EU - Imagem: Sous-bois (1914), da pintora francesa Suzanne Valadon (1867-1938). - O menino Devarzinho passou apressado. Pronde vai nessa carreira? Sequer olhou pra mim, apenas riu gostosamente na correria. Cadê teu pai, menino? Mais se ria e se distanciava. Resolvi acompanhá-lo, chamando-o e ele mais depressa olvidando dos meus reclamos. Subiu uma escadaria íngreme que dava para um bairro periférico. Vai pra onde, meu filho? Ele só ria e seguia pelo aclive, eu ao seu encalço. Quando cheguei lá em cima dei de cara com umas passarelas feitas com táboas – como ele passou por aqui, hem? -, coisa difícil pra mim, tenho problemas com altura. Vi-o atravessando umas três delas, já se preparando para descer o morro do outro lado. Chamei-o e não obtive êxito. Equilibrando como quem via a hora se esborrachar lá embaixo, consegui vencer lentamente, uma a uma das pontes improvisadas e adiantei o passo para alcançá-lo já lá embaixo numa escadaria que ele já embolava aos choros e a perder de vista. Fiz o que pude para chegar rapidamente lá embaixo, quase me arrebento, até aterrissar esbaforido, só encontrei pessoas com olhares desconfiados. Cadê o menino? Ninguém respondia, fitavam-me com ares severos e hostis. Cadê o menino? Eles se entreolhavam e percebi que vinham de todos os lados em minha direção, como se tivesse chegado a hora de me capturar, também. Percebi o mal-estar, girei em torno e percebi todos ao meu redor, sisudos, vingativos. Andando de costas, tropecei em algo, era um misto de rifle/revolver, não sei, sei lá, nunca tinha visto. Era uma arma, empunhei, abri o tambor: duas balas calibre 12, de um lado; várias calibre 38, de outro. Fechei o tambor e encarei a turba, agora parada, à espreita. Vi quando se mexeram no interior de um compartimento com balcão e me dirigi para lá: Cadê o menino? Ignoravam minhas perguntas, me tinham por invisível. Vi um policial que vinha em minha direção. Agora vamos resolver, pensei comigo, a polícia já chegou. Ao contrário começou a me inquirir, logo apareceram outros. Pediram minha arma enquanto eu explicava o ocorrido. Um deles, parecendo-me de patente superior, veio conversar comigo em tom ameaçador. Fizeram-me sentar numa maca. Logo um dos policiais se aproximou de mim e cravou um instrumento metálico na minha nuca, dizendo: Não vai doer nada. Ao dizer isso, ouvi que outros tantos policiais e os demais populares que presenciavam tudo caíram na gargalhada. Senti algo penetrando pelo meu cérebro, rasgando até alcançar-me a boca pelo lado de dentro do meu crânio, como se fosse uma broca odontológica limpando meus dentes por dentro. Aos poucos fui ficando sonolento, perguntavam-me coisas que nem entendia o que era, uma dor de cabeça tremenda e a ordem do comandante pra que eu respondesse às suas perguntas. Um deles avançou sobre mim com ameaça, encostando um objeto pontiagudo sobre o meu arco zigomático, deslizando até a têmpora, no qual ouvi um estampido e fez-se um silêncio absurdo. Nada mais ouvia e, acho que adormeci. Despertei à beira de um lago que dava em um caminho sinuoso até uma mata. A paisagem me era familiar, acho, tinha a certeza de que depois da mata era Água Preta, essa a minha crença, o que me deu ânimo de levantar, seguir a estrada contornando o lago que mais parecia um brejo à segunda olhada, o brejo da minha infância no quintal da minha avó. Trilha que não sabia, temores inatos, a busca por abrigo. A paisagem mudava a cada passada, ora uma campina, doutra um agreste, chão quente sob os pés descalços, sertão dos mandacarus, litoral da areia praieira. Segui adiante e o mistério rondava os meus passos em cada estação que se confundia primavera a verão, outono a inverno. Enfrentei tudo na jornada, lua minguante, cheia, crescente e nova. Aprendi a cara ao vento, poeiras e pedras do solado às faces. Sempre me guiei pro leste. Mas não há só leste, e tive de percorrer de norte a sul, até o oeste, passando por frustrantes dificuldades, não sabia o que me esperava, superava empecilhos com espírito de explorador pelo inexplorado, cego sem guia. Peregrino solitário, eu decidi empreender minha jornada por meus próprios esforços e sacrifícios, a minha tribulação sem mapa, sem rumo certo, por vacilações e situações auspiciosas, trovões, relâmpagos. Ousava seguir pro desconhecido, a densa mata, treva na qual eu perdi a noção do tempo e espaço, sabia: estou real agora, sou eu. Quero ir mais longe, onde vivo, o lugar que ocupo, o papel que desempenho, ah, nem sei mais nem quem sou, e penetro por meu esforço até onde me levar, não sei, não há consenso, nunca haverá, não tenho convicções, estou perdido no breu profundo de uma noite sem estrelas, entre batidas de asas, bafos, grasnados, alaridos estranhos, lufadas, silvos, rastejados, estalidos, todos os fantasmas e as sinistras sensações da escuridão na minha caminhada. Eu só tinha a mim mesmo, nada mais. Quanto mais andava, mais sentia a vida se distanciando. Seguia, ia, não era a vida que se distanciava, agora eu sei, era eu mesmo que me descobria a mim mesmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do violonista e compositor Felipe Coelho: Cata Vento, Musadiversa & Telhados; da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão: Monomania & Problema meu; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] A inovação está no coração do sucesso de uma economia moderna. A questão é como melhor promove-la. Os países em desenvolvimento são mais pobres não só porque têm menos recursos, mas porque há um hiato em conhecimento. Por isso, o acesso ao conhecimento é tão importante. [...]. Pensamento do economista e Prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz.

O DESEJO & A ALTERIDADE - [...] O desejo metafísico tende para coisa totalmente outra, para o absolutamente outro [...] Na base do desejo comumente interpretado encontrar-se-ia a necessidade: o desejo marcaria um ser indigente e incompleto ou decaído de sua grandeza passada. Coincidiria com a consciência do que foi perdido. Seria essencialmente nostalgia, saudade. Mas, desse modo, nem sequer suspeitaria o que é o verdadeiramente outro... Porque se fala levianamente de desejos satisfeitos ou necessidades sexuais ou, ainda, de necessidades morais e religiosas... O desejo metafísico tem outra intenção, deseja o que está além de tudo o que possa simplesmente completá-lo, como a bondade e o Desejado não o cumula mas o escava. Generosidade alimentada pelo Desejado, relação que não é desaparecimento da distância, não é aproximação ou, tomando de mais perto a essência da generosidade e da bondade, relação cuja positividade vem do distanciamento, da separação... Distanciamento que só é radical se o desejo não é possibilidade de antecipar o desejável, não pensa previamente e vamos para ele numa aventura, isto é, para a alteridade absoluta, inantigível, como vamos para a morte... [...] Para o Desejo esta alteridade, inadequada idéia, tem um sentido. É entendida como alteridade de Outrem e como do Altíssimo... Morrer pelo invisível, eis a metafísica. Extraído da obra Totalidade e infinito (70, 2008), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui e aqui.

FRASES DE SUZANNE VALADON – [...] Não se pode fazer nada muito bem a não ser com muito amor. [...] A natureza me traz o controle da verdade sólida para a construção de minhas telas, concebidas por mim, mas sempre motivadas pela emoção da vida. [...] Três grandes mestres, tirei o melhor de cada um deles, de seu ensinamento e de seu exemplo. Eu me encontrei, me fiz e disse, creio, o que tinha a dizer. [...] Sou atéia, já que nunca vou à igreja. Sejamos francos, de que serve isso? No entanto, ninguém bate em vão à minha porta. Trechos extraído da obra Suzanne Valadon (Martins Fontes, 1989), de Jeanne Champion, sobre a pintora francesa pós-impressionista Suzanne Valadon (1867-1938), Marie-Clémentine Valade de nascimento, personalidade marcante na cena artística parisiense no período que precede o cubismo. Na sua vida de filha de mãe solteira que era lavadeira, foi garçonete dos cafés e acrobata, Por sua beleza impressionante, tornou-se modelo de Renoir, Puvbis de Chavannes e Toulouse-Lautrec e iniciou-se na pintura com Edgar Degas. Foi amante de Van Gogh, Guaguin, Picasso e Modigliani, além do compositor Erik Satie. Com exposições bvem sucedidas, logo a sociedade burguesa ficou muito chocada com a sua arte, que a par da sua conduta sexual, desafiava as convenções. Veja mais aqui.

SALAMBÔ - [...] Salambô apeara-se da liteira, mas continuava a caminhar sob o dossel, muito vagarosamente. Depois atravessou o terraço para ir assentar-se no fundo, numa espécie de trono, feito de uma casca de tartaruga. [...] Desde os tornozelos até aos quadris, estava envolvida numa rede malhas muito pequenas, imitando as escamas de um peixe e que luziam como nácar; o corpo era-lhe cingido por uma faixa azul, na qual, por duas aberturas em forma de crescente, se lhe viam os seios, de cujas pontas pendiam grandes pingentes de carbúnculos. [...] Salambô, tendo assim o povo a seus pés, acima da cabeça somente o firmamento, em torno de si a imensidade do mar, o golfo, as montanhas e as perspectivas das províncias, confundia-se resplandecente com Tanit e parecia ser o próprio gênio de Cartago, a sua alma personalizada. [...]. Trecho extraído do romance histórico Salambô (1862 - Chardon, 1905), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

COM PERDÃO DA PALAVRA, QUERO CAIR NA VIDA: Meu coração bate desamparado onde minhas pernas se juntam. É tão bom existir! 1. Objeto de amor: De tal ordem é e tão precioso / o que devo dizer-lhes / que não posso guardá-lo / sem a sensação de um roubo: / cu é lindo! / Fazei o que puderdes com esta dádiva. / Quanto a mim dou graças / pelo que agora sei / e, mais que perdôo, eu amo. 2. Entrevista: Um homem do mundo me perguntou: / o que você pensa do sexo? / Uma das maravilhas da criação eu respondi. / Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas / e esperava que eu dissesse maldição, / só porque antes lhe confiara: / o destino do homem é a santidade. / A mulher que me perguntou cheia de ódio: / você raspa lá? Perguntou sorrindo, / achando que assim melhor me assassinava. / Magníficos são o cálice e a vara que ele contém, / peludo ou não. / Santo, santo, santo é o amor que vem de Deus, / não porque uso luva ou navalha. / Que pode contra ele o excremento? / Mesmo a rosa, que pode a seu favor? / Se "cobre a multidão dos pecados e é benigno, / como a morte duro, como o inferno tenaz", / descansa em teu amor, que bem estás. Poemas da escritora, professora e filósofa Adélia Prado. Veja mais aqui.

A ARTE ANETTE NAIMAN: NAVALHA NA CARNE & OUTRAS CENAS
A atriz formada em cinema e televisão e fundadora do Teatro Garagem, Anette Naiman, mantém sua trajetória com a proposta de fazer um teatro independente, libertário e transformador. Atualmente ela está em cartaz com o espetáculo Navalha na carne, de Plínio Marcos, com direção de Marcos Loureiro, todas as quartas e quintas, às 21hs, no Teatro Garagem - Rua Silveira Rodrigues, 331a – Vila Romana (SP). Informações (11) 99122-8696, temporada até o dia 08 de fevereiro. Veja mais aqui, aqui & aqui.

Veja mais:
A arte de Toulouse-Lautrec aqui, aqui e aqui.
A vida solta no calor do coração, a música de Teodora Dimitrova, a escultura de Carlos Baez Barrueto, a fotografia de Claudia Rogge & a pintura de Robert Delaunay aqui.
Ah esse olhar no Crônica de amor por ela, Marc Augé, Rubem Braga, Wolfgang Amadeus Mozart, Gabriela Mistral, Mitsuko Uchida, Analy Alvarez, David Nutter, Francisco Ribera Gomez, Kate Holmes, Carmen Verônica & Iolita Domingos Barbosa Campos aqui.
Tarsila do Amaral, Hannah Arendt, Edward Grieg, Eleanor Gibson, Lígia Moreno & Rubem Braga aqui.
De antemão & Fecamepa aqui.
A mulher celta aqui.
A mulher suméria aqui.
Prelúdio aqui.
Só a poesia torna a vida suportável aqui.
Escapando & vingando sonhos aqui.
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Pequena história da formação social brasileira de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
A teoria da norma jurídica de Norberto Bobbio aqui.
Como se faz um processo de Francesco Carnelutti aqui.
As misérias do processo penal de Francesco Carnelutti aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora francesa Suzanne Valadon (1867-1938). 
Veja mais aqui & aqui.

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...