Mostrando postagens com marcador Artur Griz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artur Griz. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 09, 2018

ORTEGA Y GASSET, OGDEN NASH, GRIMALDI, ALESSANDRA FERRI, CÂMARA CASCUDO, ARTUR GRIZ, CELSO MACHADO & KATIE MELUA

A LUTA DO RESGATE, OU: EITA, ATÉ QUE ENFIM! – (Prefácio do livro Cantos, contos, crônicas. Palmares/PE: Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho/Bagaço, 1988). - Quando conheci a obra de Artur Griz, de sopetão me deparei com um volume enciclopédico que mal se conseguia apalpar, anunciando-se outros volumes à referida pesquisa. Era a famigerada Enciclopédia Griz. Afora isto, alguns poemas publicados n´A Notícia, artigos avulsos, crônicas. Depois o Zé Ripe, cantor das modas mais brejeiras, compôs uma canção próxima da beleza real, sobre o poema “Resto de Caminho”. Foi a partir de então que se sentiu a necessidade de conhecer melhor a obra deste poeta, escritor, enciclopedista, etc. Artur Griz, pessoa que não tive oportunidade de conhecer mais de perto, exceto quando passava apressado pela praça Maurity onde eu residia, ou quando caiu rebentadamente e armado de um penico e escova de dentes da escadaria fatídica de sua residência. Só foi mesmo por meio de Jessiva Savino, nobre madrinha da atividade cultural jovem da cidade dos Palmares, que se conhecia algo mais. Mas o bolo grosso estava entulhado entre roupas, detritos, traças e abandono, num recanto amaldiçoado da casa. Amigo próximo da família herdeira do poeta, é que tive oportunidade de vasculhar mais algumas obras de Artur, além de conhecer livros que até então sequer havia colocado a vista. De imediato me deparei com a primeira edição do livro “Caminhos da solidão”, de Hermilo Borba Filho, além de livros de Juan Ramon Jimenez, Otto Maria Carpeaux, Aldous Huxley, edições primárias de Erico Veríssimo, livros raros e traduções antigas. Nessa época estávamos editando a Revista A Região que fez publicar um artigo na procura inicial de resgatar e fazer sensibilizar as autoridades competentes para a necessidade de se publicar sua obra, a exemplo do que deve ser feito com o Fenelon Barreto, ainda longe de se conhecer sua obra teatral, poética e prosaica. Quando tomei nas mãos este volume, um compromisso assumido entre as Edições Bagaço e o prefeito de então, Luis Portela de Carvalho havia sido firmado no sentido de resgatar, antes que o tempo o consumisse, fiquei deveras surpreso. Passando a vista em artigos como “Hermilo Borba Filho”, “Palmares do Passado”, Um jornal para Palmares” e “A condição adversa do escritor pobre” e poemas como “Saudação a Palmares”, Decreptude” próximo do “Resto de Caminho” e o poemeto “Estrofe”, entre outros poemas já apresentados na edição dos Poetas dos Palmares, organizada pelo poeta Juarez Correya, havia, sim, constatado o valor literário do poeta em questão. Por fim, prosa e verso reunidos num só volume, dando conta parcialmente da obra deste autor que fez parte da história dos tempos do Clube Literário, trazendo a lembrança do tempo em que Palmares fervilhava na desenvoltura artística. De certa forma traduz-se uma dor: a dor da reminiscência. Mas é com satisfação que tais páginas possam revelar o talento literário do autor. No mais, com a palavra: Artur Griz. Palmares/PE, junho de 1987. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e compositor Celso Machado: Brasil Violão, Violão & Jongo Lê; da cantora e compositora britânica Katie Melua: On te road again, Avo Session & com a The Stuttgart Philharmonic Orchestra; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que hoje mais nos comove talvez em seu tempo tenha parecido apenas mais uma devastação. [...] É o tempo que os faz olhar essas paisagens da mesma maneira que olhamos as obras de arte: como configurações de outros mundos dos quais apenas podemos imitar interiormente o porvir. [...]. Pensamento extraído da obra A estética da bela natureza: problemas de uma estética da paisagem (CFUL, 2011), do filósofo francês Nicolas Grimaldi.

EDUCAÇÃO & PESQUISA - [...] Por que existem atividades docentes? Por que a pedagogia é uma atribuição e uma preocupação do homem? O ser humano se ocupa e se preocupa com o ensino por uma razão tão simples quanto severa e tão severa quanto lamentável. Para viver com firmeza, desenvoltura e honestidade é preciso saber enorme quantidade de coisas. E o fato é que a criança e o jovem têm uma capacidade limitadíssima de aprender [...] hoje mais do que nunca o próprio excesso de riqueza cultural e técnica ameaça converter-se em uma catástrofe para a humanidade, porquanto a cada nova geração lhe é mais difícil ou impossível de absorvê-lo. Urge, pois, instaurar a ciência do ensinar, seus métodos, suas instituições, partindo deste humilde e esmirrado princípio: a criança ou o jovem é um discípulo, um aprendiz, e isto quer dizer que um ou outro não pode aprender tudo o que teria de ser-lhe ensinado – Princípio da economia do ensino [...] não é ciência aprender uma ciência nem ensiná-la, nem tampouco usá-la ou aplicá-la [...]. Saber não é pesquisar. Pesquisar é descobrir uma verdade ou seu oposto: demonstrar um erro [...]. A ciência é criação, e a ação pedagógica se propõe apenas ensinar essa criação, transmiti-la, injetá-la e digeri-la [...] é preciso, portanto, sacudir a árvore das profissões de um excesso de ciência, a fim de que dela reste o estritamente necessário e se possa cuidar das próprias profissões, cujo ensino se acha por completo em estado silvestre. Neste ponto está tudo por começar [...] o homem que não vive à altura de seu tempo, vive debaixo daquilo que seria sua autêntica vida, ou seja, falsifica ou rouba sua própria vida, ele a desvive. Hoje atravessamos – indo de encontro a certas presunções e aparências – uma época de terrível incultura [...] Urge que o homem de ciência deixe de ser o que hoje é com deplorável frequência: um bárbaro que sabe muito a respeito de uma determinada coisa [...]. Tudo preme para que se torne uma nova integração do saber, que hoje anda em pedaços pelo mundo [...]. Trechos extraídos da obra Missão da universidade (EDUERJ, 1999), do filósofo e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.

A MENINA DOS BRINCOS DE OURO - Uma Mãe, que era muito severa para os filhos, deu de presente a sua filhinha um par de brincos de ouro. Quando a menina ia à fonte buscar água e tomar banho, costumava tirar os brincos e botá-los em cima de uma pedra. Um dia ela foi à fonte, tomou banho, encheu o pote e voltou para casa, esquecendo-se dos brincos. Chegando em casa, deu por falta deles e com medo da mãe brigar com ela e castigá-la correu à fonte para buscar os brincos. Chegando lá, encontrou um velho muito feio que a agarrou, botou-a nas costas e levou consigo. O velho pegou a menina, meteu ela dentro de um surrão (um saco de couro), coseu o surrão e disse à menina que ia sair com ela de porta em porta para ganhar a vida e que, quando ele ordenasse, ela cantasse dentro do surrão senão ele bateria com o bordão. Em todo lugar que chegava, botava o surrão no chão e dizia: Canta, canta meu surrão, Senão te meto este bordão. E o surrão cantava: Neste surrão me meteram, Neste surrão hei de morrer, Por causa de uns brincos de ouro Que na fonte eu deixei. Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho. Quando foi um dia, ele chegou à casa da mãe da menina que reconheceu logo a voz da filha. Então convidaram Ele para comer e beber e, como já era tarde, insistiram muito com ele para dormir. De noite, já bêbado, ele ferrou num sono muito pesado. As moças foram, abriram o surrão e tiraram a menina que já estava muito fraca, quase para morrer. Em lugar da menina, encheram o surrão de excrementos. No dia seguinte, o velho acordou, pegou no surrão, botou às costas e foi-se embora. Adiante em uma casa, perguntou se queriam ouvir um surrão cantar. Botou o surrão no chão e disse: Canta,canta meu surrão, Senão te meto este bordão. Nada. O surrão calado. Repetiu ainda. Nada. Então o velho meteu o cacete no surrão que se arrebentou todo e lhe mostrou a peça que as moças tinham pregado. Extraído da obra Contos tradicionais do Brasil para jovens (Global, 2006), do historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Veja mais aqui.

A GENTE TERRÍVEL – Gente que tem o de que necessita gosta muito de dizer às pessoas / que não têm o de que necessitam que estas realmente de nada necessitam. / Eu queria poder juntar toda essa gente num Castelo sombrio no Danúbio e contratar meia dúzia de Dráculas eficientes para aterrorizá-la. / Não me importa que tenham muito dinheiro e não me importa como o empregam. / Mas penso que deviam admitir que gozam do seu dinheiro. / Entretanto insistem em ser dissimulados acerca dos prazeres da riqueza. / E a posse de uma boa renda anual lhes fazem pensar em que dizer duro é / fazer os extremos se tocarem e isto é o seu sagrado dever. / Não se concebe uma ocasião / em que se encontrem sem alguma evasiva apropriada. / Sim, sem dúvida em argumentos são fecundos. / O primeiro ponto é que o dinheiro não é tudo, / e que, de qualquer maneira, não possuem dinheiro, é o segundo. / O dinheiro de alguns foi merecido / o de outros foi herdado. / Mas, venha donde vier, / falam dele como se fosse alguma coisa junto com a qual contraíssem uma doença. / Pode ser isso certo. / Mas se for assim por que não se livram / eles desse peso, transferindo-o para os pobres necessitados, ou para mim? / Talvez a posse de riquezas seja uma tristeza constante, / mas quase desejaria receber toda a maldição da riqueza se pudesse ao mesmo / tempo receber todas as suas bênçãos. / Os únicos males incuráveis do rico são os males que o dinheiro não pode curar / e estes são males ainda mais maléficos para os que são pobres. / Certamente já muitas coisas na vida que o dinheiro não compra, mas, é engraçado... / já tentou alguém comprá-las sem dinheiro? Poema do poeta estadunidense Ogden Nash (1902-1971).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina prima italiana Alessandra Ferri.
Veja mais aqui.


Semana Ascenso Ferreira & muito mais na Agenda aqui.
&
Vou danado com Ascenso com vontade de voar!, A escola, Eduardo Galeano, Oscar Niemeyer & a fotografia de Ilona Shevchishina aqui.

terça-feira, maio 08, 2018

BAUDELAIRE, BACHELARD, ARCHIBALD MACLEISH, LITA CABELLUT, FRANCASTEL, ENCICLOPÉDIA GRIZ, KIKO LOUREIRO & CLARICE FALCÃO

O MISTÉRIO DA ENCICLOPÉDIA GRIZ - O doutor Zé Gulu andava sumido, há meses não dava as caras por aquelas bandas. Os bisbilhoteiros davam por conta duma pulada de cerca dele, à alcova duma senhora distinta, a qual o marido andava fungando pelos quatro cantos do mundo, de sair bafo de raiva pelas ventas. Quem? Ninguém sabia quem era ela, nem o enfezado da vítima das duas de quinhentos. Só podia ser, falavam, e de outra cidade, por certo. Outros enredadores asseguravam dele estar amancebado com alguma vitalina reboculosa no fim do mundo, ou que pegara o corujão devido algum delito de pouca monta, escapulindo para lugar incerto e não sabido. Outras bisbilhotices davam noutras situações mais curiosas, como a de ter ele viajado com Pai Lula num foguete rumo outras galáxias perdidas no universo, ou de estar acoloiado com o Padre Bidião nalgum planeta distante, ou de ter se envultado depois de rezar a oração da Cabra Preta, ou de ter sido apagado da vida pelo ateísmo numa furiosa intervenção divina, e por aí vai, entre as mais disparatadas situações. Não, na verdade não era nada disso. Quando ele deu sinal de vida, adentrando no recinto com o peculiar aceno, riso de beiços fechados e sem mencionar uma só palavra, recolheu-se ao canto de costume, empunhou um calhamaço de capa dura, fazendo sinal pro garçom da bebida de sempre e folheando as páginas amareladas do alfarrábio. Todo mundo ligou a curiosidade de plantão. O Doro logo se aproximou: Doutor Zé Gulu andava sumido, que bíblia é essa, hômi? Não é bíblia, é um volume de uma enorme coleção desaparecida. Ah, tá. Os olhos aboticados queriam saber mais e ele concentrado, correndo o dedo pelas páginas, revirando-as como se estivesse à procura de alguma informação. Desaparecida, doutor? Sim, sim, infelizmente. Como tá desaparecida se o senhor tá com ela na mão? Ah, esse é o primeiro volume, tem outros mais. Cuma assim, doutor? Ah, eu era ainda um galalau duns treze anos mais ou menos, havia sido levado para uma cidade distante do Vale do Una, e meu pai me deixou esperando por umas providências dele, numa sala de bilhar, e lá vi chegar um senhor que havia andado sete dias a cavalo à procura dum charadista que escrevera uma coleção enciclopédica de mais de 32 volumes, cada um com mais de mil páginas. Fiquei intrigado com a informação e só anos mais tarde tomei conhecimento de que o distinto que dera essa informação, era o escritor Hermilo não sei o quê. Com o tempo esqueci disso, mas o destino prega das suas e dez anos depois eu, sem mais nem menos, presenciara uma palestra sobre memórias políticas de uma luta clandestina, de um certo senhor chamado por Paulo de não das quantas, que falou da mesma exótica e piramidal enciclopédia, misturada de dicionário e analecto, significados pouco comuns e expressões idiomáticas do tempo do ronca. De novo? Lá estava eu intrigado com isso. Foi a partir de então que pedi uma licença da universidade, aluguei uma jangada e saí pelo solo caeté do Una, procurando embaixo d’água, em grutas, montes, buracos, relheiras, valas, da nascente até a foz, conseguindo encontrar embaixo do maior monturo, este primeiro volume que, à primeira vista, parecia mais o Livro de Areia do Borges. De quem? Ah, deixa pra lá, vocês não entenderam mesmo. Pois bem, de posse desse volume, caí em campo por todo canto do planeta, atrás dos outros trinta e um volumes. Procurei o autor que já morrera, dele só encontrando uma antologia de cantos, contos e crônicas, organizada por uma editora local e mais nada. Indaguei por familiares, todos sumidos, um ou outro que dava alguma notícia de parentes que sequer sabiam dessa coleção. Fiz pacto com todo tipo de gente e assombração, até fiz um acerto com São Lunguinho pra ver se encontrava e construiria uma igreja pra ele, tudo para ver se conseguia o paradeiro do acervo. Aí visitei bibliotecas, lixões e terrenos baldios que serviam de alfurjas, nada de encontrar uma mínima pista ou rastro. Há pouco mais de seis meses, soube que o desaparecimento se dera por força de um catimbó ineivado e muito bem feito por um desafeto do dicionarista, que redundou numa enchente em 1975 que levou da cidade todos os volumes da edição. O catimbozeiro descobrira depois ainda alguns exemplares, refez a mandinga redobrada que quase acaba com a cidade todinha com uma verdadeiro tsunami. Por conta disso, peguei a jangada e saí catando por todo canto possível e inimaginável, logrei insucesso, só este livrão aqui, talvez o único exemplar existente de toda a coleção de trinta e dois volumes. Hômi, seu minino, isso é que é um livro amaldiçoado do estopô calango! Não, não é não, é uma obra rara que merece ser estudada. Oxe, tá doido, doutor? Isso é obra do cabrunco febrento! Cruz-credo! Xô! Isso é lá coisa que guarde? Só enjeitado por Deus que se arrancha com uma praga dessa! Quem vê, morre! Ora, ora. E aos poucos, um a um dos presentes foram caindo fora, às benzeduras, sai-te pra lá, coisa ruim! Depois de completamente esvaziado, até o próprio doutor Zé Gulu fora convidado a sair do estabelecimento, vez que do jeito que ia, findaria falindo até o negócio. Claro que ele saiu indignado dali, jurando nunca mais voltar. E não voltou mais, mesmo. Ainda está à cata dos livrões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do músico multi-instrumentista, compositor e guitarrista Kiko Loureiro: Sound of innocence, Universo inverso & Ojos verdes; da cantora, atriz, compositora, roteirista e humorista Clarice Falcão: Monomania, Problema meu & Oitavo andar; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] A arte de hoje indica que caminhamos em direção a um mundo de relações novas, onde o Homem deixa de ser o modelo e o centro de todas as coisas. Não é mais a Natureza que é feita à imagem do homem, agora o Homem é que é feito à imagem da Natureza, o Homem enriquecido por uma experiência mais profunda daquilo que o cerca e de si próprio, que começa a formar figuras e um espaço medidos pela extensão de suas experiências técnicas e psíquicas e orientados para um novo ilusionismo. [...].Pensamento extraído da obra Pintura e sociedade (Martins Fontes, 1990), do historiador de arte francês Pierre Francastel (1900-1970).

A IMAGINAÇÃO E A REALIDADE – [...] Deve-se definir um homem pelo conjunto das tendências que o impelem a superar a condição humana. [...] A adesão ao invisível, eis a poesia primeira, eis a poesia que nos permite tomar gosto por nosso destino íntimo. Ela nos dá uma impressão de juventude ou de adolescência, restituindo-nos incessantemente a faculdade de maravilhar-nos. A verdadeira poesia é uma função de despertar. [...]. Trechos extraídos da obra A águia e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria (Martins Fontes, 1997), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui.

A MULHER - [...] A mulher está no seu direito e cumpre mesmo uma espécie de dever em dedicar-se a parecer mágica e sobrenatural; é preciso que ela surpreenda, encante; ídolo, deve dourar-se para ser adorada. Deve, portanto, emprestar de todas as artes os meios de elevar-se acima da natureza, para melhor subjugar os corações e impressionar os espíritos [...] Eu me contentaria com pedir por ela aos verdadeiros artistas, assim como às mulheres que receberam ao nascer uma centelha desse fogo sagrado com o qual gostariam de se iluminar por inteiro. [...]. Trecho extraído da obra Curiosidades estéticas (Júcar, 1988), do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui e aqui.

O FIM DO MUNDO – De repente, como Vasserot, / o ambidestro sem braços, acendia / um fósforo entre o chupelão e o segundo artelho / e Ralph, o leão, se ocupava em morder / o pescoço da madame Sossman, enquanto o tambor / apontava, e Teeny estava para tossir / em ritmo da valsa balançando Jocko pelo polegar, / de repente a tampa pulou: / E ali, ali em cima, ali, ali, debruçaram-se / aquelas mil faces brancas, aqueles olhos ofuscados / ali no escuro sem estrela, a pausa, a indecisão: / ali com as grandes asas através os céus cancelados / ali na abrupta negrura do negro pálio / do nada, nada, nada, absolutamente nada. Poema do poeta e bibliotecário estadunidense Archibald MacLeish (1892-1982).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora cigana espanhola Lita Cabellut.
Veja mais aqui.


Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação (Connepi) & muito mais na Agenda aqui.
&
A literatura do escritor, jornalista e dicionarista Artur Griz aqui e aqui.
&
As elucubrações do Doutor Zé Gulu aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
Solilóquio, O julgamento de Gandhi, o pensamento de Eric Hobsbawm & a arte de Poty Lazzarotto aqui.
 

domingo, novembro 08, 2015

MARIA CLARA, STOCKER, COPPOLA, ANDUJAR, PALMARES, BRINCARTE DO NITOLINO & MUITO MAIS!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? SE O MUNDO DEU O CRÉU, SORRIA! - Tem dia que dá o créu do sujeito não querer mais nem saber se é do cordão azul ou encarnado, quem pintou a zebra, qual bola da caçapa ou qual rumo da venta na bifurcação. Segura o trupé! Tem dia que o caldo entorna e bote ingresia pra maior desaprumo. Segura as tripas e o espinhaço que o catombo é na vera. Isso é quando a bronca convoluta aperta e o cara sai de braguilha virada enchendo o mundo de perna e chutando o pau da barraca e o despacho na encruzilhada, levando tudo no muque e tome na base da mucheca, empurrando quem quer que seja pro buruçu da Romênia. Maior desatino. Não tem cipoada que valha quando não se tem nem onde cair morto. Pra você vê, já vi o Doro pegar no bico da chaleira fervendo de virá-la pelo avesso só pra mostrar destrambelhado quem é que manda nele mesmo, depois, depois, ficar assoprando os dedos numa careta arretada. O Zé Corninho mesmo, num dia de pisar nas próprias pegadas de rastro de corno, mordeu-se possesso de dar um nó nas gaias e ficar birutando de brincar com os beiços e lambendo os dedos, bilu-teteia. Robimagaivi que sempre sonhou vida de Lopes, um dia lá, furioso de invocado, enfiava o dedão no fiofó dele mesmo de ficar dando pinotada a dizer: - Toma safado, toma! Virou vício nas horas de penúria. Tolinho também outro dia pulava num pé só armado de uma faca cega para decepar o próprio pingulin na marra: - Hoje eu corto essa desgraceira! Até hoje o que conseguiu foi embuchar um bocado de mancebas perdidas. Bestinha em atitude funesta saiu cortando os seus retratos com a tesoura fazendo roleta russa nos seus dedos em cada talho dele chiar de dor. Quase fica maneta. Até Vera indignada, em dias de TPM agudíssima, virou-se desgrenhada de bruxa da tanga voar toda quase nua a mandar tudo se catar no raio que o parta: - Eu sou eu e o resto que se dane! Nossa, deu a louca no mundo! No trânsito mesmo, não é difícil ouvir uma buzinada insistente acompanhada de um insulto; na rua é comum vê-se barruadas de egos com piores humores se estranhando com impropérios cabeludos; já é habitual haver sinal de arranca-rabo na esquina, na travessa, até nos templos de religião. Ô povim ofendido e mal-humorado esse, hem? Olha o coice! Parece mais que todo mundo ou tá mal acomodado quando dorme de findar rancoroso dia a dia, ou tá com a raivosidade remoendo no tutano dos ossos. Nossa, a passada de recibo na lata da desavença, dá baixa em qualquer sinal de avença amistosa. Xá pra lá! Todo mundo cagando raio! A-há! Chega dá saudade de ver Dominguinhos riso no canto dedilhando melodias fascinantes embalando corações, como se o dia amanhecesse para todos sermos felizes. E a vida é pra sermos felizes mesmo, mas como dizia Freud: quando o princípio do prazer dá de cara com o princípio da realidade, vôte, sai de baixo que a felicidade é coisa de antanho ou do reino da carochinha. Administrar umbigo entre querer e ter, é brabo. Segura a oniomania! Ao invés disso, é melhor sair por cima da buraqueira só no xaxado e sorrindo de tudo, até da légua tirana, porque se a alpercata é boa com pé na estrada, é só ter cuidado pra não levar topada nem perder o caminho de casa. E vamos aprumar a conversa aqui!

 Imagem: Marinha com Sol e Palmeiras, do artista plástico, ilustrador, pintor e escultor autodidata Aldemir Martins (1922-2006).


Curtindo o álbum Witt: Orchestral Works (MD&G Records, 2005), do compositor e violoncelista alemão Fridrich Witt (1770-1836), Hamberger Symphoniker, conductor Johannes Moesus, performer solista Susanne Barner, flauta.

BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs (no horário de verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem atrações especiais chamando a meninada com Olavo Bilac, Turma da Mônica, Turminha do Tio Marcelo, Bananas de Pijamas, A turma do Seu Lobato, Paulo Zola & Francis Monteiro, Bob Zoom, Angelina Ballerina, Galinha Pintadinha, The Smurfs, Patati & Patatá, Moranguinho & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

ENCONTRO, TRANSCEDÊNCIA & ESPIRITUALIDADE – No livro Holismo, ecologia e espiritualidade: caminhos de uma gestalt plena (Summus, 2009), do psicólogo e professor Jorge Ponciano Ribeiro, destaco o trecho Contato, transcendência e espiritualidade: Somos essencialmente seres de relação e isso é uma propriedade construtiva da pessoa humana. estamos no mundo, somos do mundo e, entretanto, nos relacionamos com ele como se fossemos duas realidades distintas, embora, por natureza, intradinamicamente interligadas. Mundo e pessoa não podem ser pensados isoladamente. Um é função do outro. Mundo/pessoa se constituem em um imenso campo unificado de forças. Assim como as árvores são filhas da terra, o homem é filho da terra e é por ela constituído no universo. Não se trata de uma opção, é assim. E o que o diferencia de uma árvore é o modo como ele se encontra com uma realidade cósmica mais ampla do que ele e o que o constitui. Somos do mundo, pertencemos a ele, assim como os mares e as estrelas. [...] O encontro é uma conditio sine qua non para que o contato aconteça. Assim, todo contato supõe encontro, cuidado e presença, embora nem todo encontro se transforme, necessariamente, num verdadeiro contato. O contato é o instrumento pelo qual duas realidades diferentes mergulham uma na outra à procura do que de igual elas possuem, e por meio do qual elas podem se encontrar. [...] Somos feitos para essa caminhada, esse é o nosso destino, caminhar por mil partes, por mil detalhes, até constituirmos a totalidade que nos é possível, restando-nos um infinito caminho a ser percorrido à busca de um significado total. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DRÁCULA - O romance Drácula (Zahar, 2010), do escritor irlandês Bram Stocker (1847-1912), é uma das mais famosas e horripilantes histórias de terror de todos os tempos, baseado no folclore da Transilvania, do personagem real Vlad, que vive num castelo desolado nas sombrias florestas do lugar, no qual um jovem inglês é mantido em cativeiro, à espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos. Da obra destaco o trecho inicial O diário de Jonathan Harker: 3 de maio, Bistritz. Parti de Munique às 20h35 da noite, chegando a Viena na manhã seguinte. A chegada estava prevista para as 6h45 da manhã. O nosso trem, porém, se atrasara em uma hora. Pelo que pude apreciar ainda do trem, através do clarão de suas luzes, e de uma breve caminhada pelas ruas, Budapeste pareceu-me uma cidade realmente maravilhosa. Não obstante, limitei-me a uma rápida excursão em torno da estação ferroviária, pois, em virtude do atraso, devíamos partir o mais cedo possível. Tive então a impressão de que o Ocidente ficara para trás e que agora entrávamos no Oriente. A mais ocidental das portentosas pontes que cruzam o Danúbio, cujo leito aqui nos impressiona por sua amplitude e profundidade, põe-nos inopinadamente em contato com as tradições do mundo turco. Deixamos Budapeste com a desejada pontualidade e, já ao anoitecer, atingimos Klausenburgo. Aqui fiz uma pausa e pernoitei no hotel Royale. À guisa de jantar ou, antes, de uma ceia, serviram-me um frango condimentado com uma espécie de pimenta vermelha, prato bastante saboroso, o qual, entretanto, me deixou com muita sede. (Lembrete: obter uma receita para Mina.) Indaguei do garçom e ele me disse que se tratava de paprika hendl, preciosidade da culinária nacional que poderia ser saboreada ao longo de toda a rota dos Cárpatos. Começava eu então a avaliar a verdadeira utilidade local dos arremedos de alemão que, às vezes, conseguia articular. E, efetivamente, não saberei jamais como teria prosseguido se não fosse capaz de apelar para semelhante ginástica linguística. Dispondo de algum tempo livre durante minha permanência em Londres ali frequentei o Museu Britânico, consultando livros e mapas geográficos na biblioteca, a fim de recolher dados sobre a Transilvânia. Eu estava convencido de que um certo conhecimento prévio a respeito daquela região dificilmente deixaria de ser válido para estabelecer mais sólidas relações com um nobre do mesmo país. Verifiquei então que o distrito por ele citado se achava localizado no extremo oriental do território, precisamente na faixa limítrofe de três Estados: Transilvânia, Moldávia e Bukovina, no centro da cadeia dos Cárpatos, um dos mais selvagens e desconhecidos sítios da Europa. Em nenhuma das muitas obras e mapas consultados me foi possível estabelecer a exata localização do Castelo de Drácula, porquanto ainda não existem cartas geográficas da área em causa, comparáveis às que são editadas pelo nosso Serviço Geodésico oficial. Descobri, porém, que Bistritz, a vila postal indicada pelo Conde Drácula, corresponde a uma localidade razoavelmente bem conhecida. Incluirei aqui algumas de minhas anotações, pois as mesmas servirão para ativar minha memória quando relatar esta viagem ao voltar para junto de Mina. [...]. A obra foi adaptada para o cinema com o título Dracula ou Bram Stoker's Dracula (Drácula de Bram Stoker – o amor que nunca morre, 1992), dirigido pelo renomado diretor Francis Ford Coppola, num dos mais belíssimos filmes de terror já visto. Veja mais aqui.

SOMOS ASSIM & OUTROS POEMAS – O poeta, contista, cronista, dicionarista e jornalista, Artur Griz era conhecido como uma das maiores expressões da vida cultural palmarense, autor da Enciclopédia Griz e vários livros, entre eles, Vultos de Palmares desaparecidos, Pelejas e desafios, e O livro de Zulmira. Dele, postumamente, foi publicado o livro Cantos, contos, crônicas (Fundação de Hermilo Borba Filho/Bagaço, 1988), do qual destaco inicialmente o soneto Somos assim: Como somos pequenos e rasteiros, à semelhança dos batráquios! Não / mais, apenas, pobres verdadeiros / anuros, em coleios pelo chão. / Vemos, até no espaço, em altaneiros / remígios, voos, pairando em ascensão, / os urubus altivos, zombeteiros, / as águias, os condores, o faisão. / Almas inferiores, humilhadas, / somos lesmas humanas, limitadas / à condição de míseros viventes... / Nesse eterno arrastão de vis criaturas / vegetando, à distância das alturas, / como vivem os sapos repelentes... Também o soneto Miragem: Pensava em ti, lembrando esse passado / quando, feliz, dono de teu amor, / eu vivia num mundo alcandorado, / sob um divino céu encantador... / E nos meus devaneios de acordado / (Para mim quanto foi consolador!) / apareceste, súbito, a meu lado / com teu amigo e mágico esplendor... Sim, eras tu, que eu tanto quis outrora, / tu mesma, sim, perto de mim agora. / De volta, linda, cheia de bondade / tudo logo, porém, tornou-se em bruma, / - Sonho, miragem, névoa, nada, em suma, / para só acordar minha saudade. Por fim, o soneto Último acorde: Vê o que resta, enfim, agora, desse amor / que outrora decante em líricas baladas: / as cartes que escrevestes... um retrato... uma flor, / uma rosa infeliz, de pétala mirradas. / Agora paira em tudo um lívido palor... / esperança talvez para sempre acabadas. / Cinzas... e um coração cheio de pranto e dor / relembrando, a chorar, promessas apagadas. / Eis aí, doce ausente, em que tudo se encerra...  desse amor só ficou um tédio que me mata, / um desengano atroz, um desgosto profundo. /...e outra não há de haver que ame, sobre a terra, / hei de morrer pensando em ti, porque, ingrata, / só tive coração para te amar, no mundo. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A AVENTURA DO TEATRO – No livro Aventura do teatro (José Olympio, 1988), da escritora e dramaturga Maria Clara Machado (1921-2001), fundadora da escola de teatro O Tablado, encontro textos da autora que dialogam com a arte e com seus leitores: Outro dia me perguntaram: - De onde é que você tira estas histórias que escreve? Respondi: - Tiro da minha cabeça. – Então é só tirar a ideia da cabeça e pronto? – Pronto, nada, disse eu, aí é que a coisa começa a ficar difícil. Primeiro, a gente tem que aprender a escrever bem o português. Depois, temos que botar a ideia nas frases. Estas têm que ser entendidas por todo mundo. – Então, todo mundo que tem ideias pode escrever histórias? – Bem, disse, poder pode, mas é preciso que tenha outras coisas, além disso. Por exemplo, é preciso saber botar a história no estilo ou jeito (cada escritor tem o seu) que os outros gostem e compreendam. Em seguida, é preciso transformar a ideia em história, escrita ou representada. – E isto é difícil? – É trabalhoso. A gente tem que suar um pouco. Um escritor famoso americano disse uma vez que para se escrever era preciso 100 por cento de talento e 100 por cento de suor. Ele quis dizer com isso que não era só talento, isto é, a ideia na cabeça, que fazia um bom escritor, mas que também era preciso uma dose muito grande de esforço. Como vocês veem, tudo o que é bom para se realizar exige muito trabalho e dedicação, até mesmo botar no papel uma boa ideia. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REQUIEM FOR A DREAM – O drama Requiem for a dream (Réquiem para um sonho, 2000), dirigido por Darren Aronofsky, é adaptado do livro homônimo do escritor Hubert Selby Jr (1928-2004), descrevendo diversas formas de vícios e conduzindo os personagens ao aprisionamento em um mundo ideal, que é então tomado e devastado pela realidade. O filme se desenvolve por três estações do ano das vidas de mãe e filho, em que cada um dos personagens terminará destruído pelo vício e pelo delírio. O diretor utiliza montagens de cenas extremamente curtas durante o filme, bem como de recursos usados na divisão da tela e anáfora cinematográfica, que consiste na repetição de cenas, para dar ênfase. As cenas intensas do filme são alternadas rapidamente, e acompanhadas por uma trilha sonora que cresce em intensidade. Após o clímax, há uma breve serenidade até o final retratando quatro vidas devastadas. O destaque é para a premiadíssima atriz estadunidense Ellen Burstyn. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa e repórter suíça radicada no Brasil, Claudia Andujar.
Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico, a partir do meio dia (horário de verão), com a reprise de toda programação da semana e apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA
Veja mais detalhes aqui.
 

RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...