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domingo, fevereiro 21, 2016

PRIMO LEVI, NATHALIE HANDAL, FRANKL, VICKI BAUM, CHALAMET, MEG CABOT & GERALDO AZEVEDO

 


POR ENTRE AS PALMAS DESTE LUGAR... (Aprumando a conversa com Geraldo Azevedo) – Fiz duas entrevistas com Geraldinho. A primeira, quando ele gozava o prestígio de lançar o premiado álbum De Outra Maneira (Echo/RCA, 1986). Lá estava eu me dirigindo ao camarim do Circo Relâmpago, em Recife, cantarolando sua canção Coqueiros, sua parceria com Marcus Vinicius. Recepcionado pela produtora Beth Salgueiro, logo fui apresentado ao artista que me recebeu com bastante espalhafato e intimidade. É que fui logo passando às suas mãos, os meus livros Intromissão do Verbo (Pirata, 1982) e Raízes & Frutos (Bagaço, 1985), além dos folders do meu show Por um novo dia (1985/86). Elogiou muito e não parou de admirar estupefato: Rapaz, queria ser organizado assim! E rimos muito pernambucanamente. Sentamo-nos um de frente pro outro no pequeno espaço disponível e, sem delongas, tasquei perguntas pra cima e pra baixo, as quais passo a relatar: Pernambucano de Petrolina, Geraldo Azevedo de Amorim aprendeu a tocar violão aos 5 anos de idade, depois de ganhar de presente o instrumento confeccionado por seu próprio pai. Logo falou de Jatobá, local na área rural onde nascera à beira do rio São Francisco; da sua mãe, a professora Dona Nenzinha, que cantava e promovia eventos culturais na escola que funcionava em sua própria casa. Autodidata, na adolescência encantou-se com a música de João Gilberto e começou a trabalhar na difusora da cidade, no programa de rock de Reinaldo Belo. Com a criação da emissora de rádio rural, A Voz do São Francisco, ele apresentou o programa Por Falar em Bossa Nova, ocasião em que passou a integrar o grupo Sambossa. Mudou-se, então, para o Recife, quando ele viu pela primeira vez o mar: Rapaz, que açudão! Hehehehe. O seu objetivo na capital pernambucana era de cursar Arquitetura, momento em que ganhou de presente dos colegas de curso o seu primeiro violão profissional, passando a trabalhar como projetista arquitetônico. Neste período conhece Naná Vasconcelos e Teca Calazans, abandonando o curso e integrando o grupo Construção. Fundou o grupo Raiz, em 1965, para apresentar o programa Chegou a Vez, na TV Jornal do Commércio e atuar nas artes teatrais, literárias e musicais nas peças de Hermilo Borba Filho. Ôpa, que coincidência! Palmarense como você, né? Outras gargalhadas. Em parceria com Carlos Fernando, compõe melodias para os poemas dos espetáculos do Teatro Popular do Nordeste, ocasião em que ganhou o 1º lugar no Festival de Música Popular do Nordeste, com a canção Aquela Rosa, em parceria com Carlos Fernando, gravada por Teca Calazans. No ano seguinte ele assumiu a direção do 2º Festival de Música do Nordeste e, foi por esta época, que conheceu a cantora e atriz Eliana Pittman, mudando-se para o Rio de Janeiro para integrar a banda da cantora nos shows Eliana em tom maior e É preciso cantar, atuando ao lado dos músicos Antonio Adolfo, Novelli, Marcos Vinicius e Victor Manga. Em 1969, ele passou a integrar o Quarteto Livre, ao lado de Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin da Flauta, que, a partir de então, passaram a acompanhar Gerado Vandré. Abre-se aí um parêntese, por conta da pergunta que fiz sobre a parceria e a Canção da Despedida. Foi que durante a ditadura, Vandré se exilou e concluiu a parceria de ambos: a Canção da Despedida. O grupo se dissolveu e ele passou a atuar no Teatro Gláucio Gil, coletando assinaturas, ao lado de Glauber Rocha, Caetano Veloso, entre outros, de um manifesto contra a censura. Por conta disso, foi preso por 40 dias, duramente torturado, e, a sua esposa, Vitória, passou 80 dias na prisão. Ao ser solto voltou a trabalhar como projetista numa empresa de engenharia e a desenhar para publicações e jornais, em protesto contra o regime ditatorial militar. Novamente foi preso pela ditadura militar, em 1974, ele e sua esposa, Vitória, grávida e obrigada a ouvir os gritos de tortura do marido. Logo ela foi solta e ele ficou na solitária, duramente maltratado, sendo solto, depois de ser obrigado a tocar e cantar durante os interrogatórios pros torturadores. O clima deveras baixou no papo e eu já levantava a bola proutra pergunta, quando de repente, alguém avisou que era hora da passagem do som. Já havíamos transcorrido 1 hora de gravação e quase no meio da 2ª fita, quando ele insistiu para que eu fosse com ele passar o som. Aceitei e, na subida da escadaria, ele virou-se pra mim: Que música eu canto na passagem? Na ponta da língua: Moça bonita. Ele então gritou pros músicos: Moça bonita, gente! Chegamos ao palco, uma multidão já esperava. Gente, agora é só a passagem do som, tá? Moça bonita pro meu amigo Luiz Alberto Machado! Foi uma ovação. Encostado ao lado do palco, eu assistia e gravava aquele momento do público cantando com ele. Houve um improviso e, depois, ele avisou pra plateia que voltava já. Às pressas me chamou e descemos para o local de antes. Foi aí que ele falou que no início dos anos 1970, ele recepcionou o conterrâneo Alceu Valença afirmando: Tinha desistido da música, estava traumatizado com a tortura sofrida e só voltei pro palco por causa da insistência dele! A parceria artística entre ambos resultou no álbum Quadrafônico (Copacabana, 1972), afora participações em festivais e apresentações ao lado de Jackson do Pandeiro. Compôs músicas para o teatro e a televisão, quando conheceu Elba Ramalho. Lançou o álbum Geraldo Azevedo (Som Livre, 1977) e, dois anos depois, o álbum Bicho de 7 Cabeças (CBS, 1979), este com participação da sua mãe, Dona Nenzinha do Jatobá e de Dori & Danilo Caymmi, Dominguinhos, Robertinho de Recife, Amelinha, Zé & Elba Ramalho. Em seguida veio o álbum Inclinações musicais (Ariola, 1981), com participações especiais de Sivuca, Jackson do Pandeiro e Dori Caymmi. E, no ano seguinte, o álbum For all para todos (Ariola, 1982). Aí reuniu-se, então, com Xangai, Vital Farias e Elomar, para lançar os álbuns Cantoria 1 & 2 (Kuarup, 1984/1988) e, ao mesmo tempo, lançar seu álbum Tempo tempero (Barclay/Ariola, 1984), com participação de Nana Caymmi e arranjos de Wagner Tiso e Hugo Fattoruso. A partir disso desenvolveu o projeto autoral independente Luz do Solo, lançando o álbum ao vivo, Geraldo Azevedo (1985), com participações de Zé & Elba Ramalho. Independente de gravadoras, ele, por fim, lançou o premiado álbum De outra maneira (1986), no qual se destacaram as parcerias com Fausto Nilo, os sucessos Chorando e cantando e Dona da minha cabeça, bem como a autoral O princípio do prazer, com participação de Nana Vasconcelos. Papo vai, papo vem sobre as músicas e a recepção positiva de público e crítica, o que nos levou a tantas gargalhadas e comemorações. Era chegada a hora do show, fui convidado novamente pra subir ao palco com ele e a banda, avisando logo que eu tinha que retornar para editar a entrevista e lançá-la no dia seguinte no Destaque do meu programa Panorama, na Quilombo FM. Abraçamo-nos afetuosamente e nos despedimos antecipadamente, não antes eu gravar e curtir do palco a interação entre artista e público na apoteose da arte. Tudo isso foi registrado na entrevista exclusivíssima para o programa que, neste domingo, bateu o recorde de audiência. Saravá! ETERNO PRESENTE... - A segunda entrevista com Geraldo foi 2 anos depois, uma coletiva de lançamento do álbum Eterno Presente (RCA/ BMG Ariola, 1988), seu oitavo disco solo. Lá estava eu no salão de eventos do então Hotel 4Rodas, ao lado de trocentos jornalistas e sobrecarregado de expectativas para saber das novidades musicais. Todos abrimos os microfones e gravadores e ele começou a falar da proposta do trabalho, suas expectativas e perspectivas, pouco mais de 20 minutos. Encerrada a entrevista, servimo-nos dos comes e bebes, tentando uma brecha para puxar uma exclusiva. Foi impossível, bastante assediado, mesmo assim ele me abraçou ao receber meu livro Canção de Terra (Bagaço, 1986), não deixando de sapecar um espalhafatoso: Arretado! Ele me abraçou de novo e nos despedimos. Outra vez o Destaque dominical do meu programa Panorama na Quilombo FM bateu novo recorde de audiência, com a entrevista e o desfile de músicas como Sétimo Céu (Fausto Nilo/Geraldo Azevedo), Parceiro das Delícias (Capinam/Geraldo Azevedo) e Tanto Querer (Geraldo Azevedo/Nando Cordel), sem contar com a participação especial de Dominguinhos na faixa Todo Jeito Ela Tem. Assim foram as duas entrevistas que ele me concedeu. Posteriormente publiquei as entrevistas no meu tabloide impresso Nascente - publicação lítero cultural na edição de nº 8, de 1997. Evidente que não deixei de acompanhar a trajetória dele noutras emissoras de rádio que trabalhei. Tanto que acompanhei o lançamento do álbum Bossa Tropical (Ariola, 1989), do internacional e independente Berekekê (1992), do premiado Geraldo Azevedo ao vivo... Comigo (1994), do projeto Dueto que redundou n’O Grande Encontro 1 & 2 (1996/97), com Alceu, Zé & Elba, bem como do álbum Futuramérica (1996), do álbum duplo Raízes e Frutos (BMG, 1998 – coincidentemente título do meu 3º livro a ele presenteado na entrevista de 1986. Também os álbuns Hoje Amanhã (BMG, 2000), O Brasil Existe em Mim (Sony&BMG, 2007), Salve São Francisco (Biscoito Fino/Geração/Bacana/Terra Brasilis, 2011), Assunção de Maria e Geraldo Azevedo (Biscoito Fino/Geração/Nossa Música, 2011) e É O Frevo, É Brasil (ONErpm, 2019). Dele acompanhei tudo que me foi possível: das trilhas sonoras pro cinema e teatro, da sua direção e participação como Severino no filme A noite do espantalho (1974), do Sérgio Ricardo; da sua participação no cordel Estória de João-Joana, com textos de Drummond, música do Sérgio Ricardo & Orquestra Sinfônica; e de solfejar invariavelmente seus grandes sucessos nas parcerias com Fausto Nilo (Dona da minha cabeça, Sétimo Céu & Chorando e cantando), com Capinan (Moça Bonita & Ser dos seres), com Nando Cordel (Tanto querer), com a esplendorosa Neyla Tavares (Mulher) e a inesquecível com Renato Rocha (Dia Branco), entre tantas outras. Enfim, deste grande compositor, cantor e violonista, que se tornou um dos mais representativos artistas brasileiros, contribuindo para a difusão da arte musical nordestina, com expressividade rítmica que unem frevo, forró, xote, maracatu e baião, com canções que fazem um bem danado ao coração brasileiro, pra ele, a mais infinita reverência do meu efusivo, espalhafatoso & de pé: aplausos! Veja mais dele aqui.

 



DITOS & DESDITOS

A fama sempre traz consigo a solidão. O sucesso é tão frio e solitário quanto o Polo Norte... A coragem vem e vai. Aguente firme até a próxima dose... A paciência é parte integrante do talento... Existem atalhos para a felicidade, e dançar é um deles...

Pensamento da escritora e roteirista austríaca Vicki Baum (Hedwig Baum – 1888-1960). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU

Foi depois da faculdade que comecei a dizer a mim mesma que precisava perseverar, que precisava lidar com o desconforto e deixar que todas as dúvidas e perguntas tivesse... às vezes elas simplesmente têm que ficar ao seu redor, e você não consegue respondê-las...

Pensamento da atriz, diretora e escritora franco-estadunidense Pauline Chalamet (Pauline Hope Chalamet). Veja mais aqui.

 

CARTA DE AMOR – Eu gostaria de ser um santuário, para que eu possa aprender com as orações das pessoas a história dos corações. Eu gostaria de ser um lenço para que eu possa colocá-lo sobre o meu cabelo e entender outros mundos. Eu gostaria de ser a voz de um cantor soprano para que eu possa me mover através de todas as fronteiras e vê-los desaparecer com cada nota de feitiços. Eu gostaria de ser claro, então eu ilumino o escuro. Eu gostaria de ser água para encher corpos para que possamos flutuar suavemente juntos indefinidamente. Eu gostaria de ser um limão, ser raspas o tempo todo, ou uma oliveira para brilhar prata na terra. Acima de tudo, eu gostaria de ser um poema, para alcançar seu coração e ficar. Texto da poeta, dramaturga, tradutora, editora e professora haitiana na Universidade de Nova York, Nathalie Handal, que no seu livro The Neverfield Poem (Post Apollo Pr, 1999), expressa o poema: O poeta que vi uma vez... \ mas cujas palavras há muito tempo estão em minha mente, \ janelas de velas invencíveis...

 

AVALON - [...] Às vezes, alguém atraente não é quem aparenta ser, exceto pela sua beleza... isso é inegável... [...] dobrar a vontade de um inimigo pela força militar é a última maneira que uma nação deve usar para resolver seus problemas. [...] Trechos extraídos da obra Avalon High (Haper Collins, 2005), da escritora e roteirista Meg Cabot (Meggin Patricia Cabot e o pseudônimo de Jenny Carroll), autora de obras como: Sanctuary (2011), Haunted (2004), Big Boned (2007), Darkest Hour (2001), Princess on the Brink (2007), Forever Princess (2009), Queen of Babble in the Big City (2007) e Airhead (2008). Sobre suas obras ela expressa: Se você ama algo, deixe-o livre. Se era para ser, voltará para você. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

É ISTO UM HOMEM? - Vocês que vivem seguros \ em suas cálidas casas, \ vocês que, voltando à noite, \ encontram comida quente e rostos amigos, \ pensem bem se isto é um homem \ que trabalha no meio do barro, \ que não conhece paz, \ que luta por um pedaço de pão, \ que morre por um sim ou por um não. Pensem bem se isto é uma mulher, sem cabelos e sem nome, \ sem mais força para lembrar, \ vazios os olhos, frio o ventre, \ como um sapo no inverno. \ Pensem que isto aconteceu: \ eu lhes mando estas palavras. Gravem-na em seus corações, \ estando em casa, andando na rua, \ ao deitar, ao levantar; \ repitam-nas a seus filhos. \ Ou, senão, desmorone-se a sua casa, \ a doença os torne inválidos, \ os seus filhos virem o rosto para não vê-los. Poema extraído da obra É isto um homem? (Rocco, 1988), do químico e escritor italiano, Primo Levi (1919—1987), autor de obras como: Os afogados e os sobreviventes: os delitos, os castigos, as penas, as impunidades (Paz e Terra, 2004), L'altrui mestiere (Einaudi, 2001), Another monday- three poems (The American Poetry Review, 2011), La chiave a stella (Einaudi, 1978), La ricerca delle radici: antologia personale (Einaudi, 1981), Se não agora, quando? (Companhia das Letras, 1999), A tabela periódica (Relume Dumará, 1994), A trégua (Companhia de Bolso, 2010), entre outros. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A CONQUISTA – No livro A conquista (1899), do escritor e professor Coelho Neto (1864-1934), um romance de formação e de vida boêmia, narra as aventuras e desventuras (e falta de dinheiro e às vezes até de perspectivas de sucesso) de sua geração de poetas, teatrólogos, jornalistas, intelectuais, boêmios na cidade do Rio de Janeiro nos anos do final do século XIX, em que a campanha abolicionista e o movimento republicano estão a pleno vapor e que culminam com a libertação dos escravos no Brasil. Da obra destaco o trecho: [...] Imagina a minha situação. Tenho um caso de amor, amor fino; o meu lunch de hoje vai ser um fruto proibido. É uma dama da elite: loura, de olhos azuis, uma cabecinha de Bottielli. Vive a bocejar entre os sessenta anos gelados e impertinentes do marido e a ferrenha catadura do avô reumático, que enche a casa de gemidos quando a não abala com os roncos. Esse lírio formoso espera-me hoje às 3 horas da tarde, enquanto o marido discute no Senado uma prudente medida de salvação nacional e o avô toma o seu choque elétrico. A ocasião é das mais favoráveis. Dá-se, porém, o caso grave de eu não ter, no momento, calçado idôneo. As mulheres têm o olhar curioso e  essa então, que é pudica, no primeiro instante baixará os olhos e dará pelos meus sapatos, que começam a descambar em alpercatas. Tenho ali um par de botinas, mas apertam-me como credores, e tu compreendes que um homem que vai para tão arriscada fortuna deve ir preparado para todos os casos, principalmente para correr. Imagina que morre um senador e suspendem a sessão ou que, por excesso de umidade não funciona a máquina elétrica, como hei de eu, com os pés entalados, fugir à cólera do marido ou à fúria do avô? Um é bravio na oposição, deve ser tremendo em se tratando da honra doméstica; o avô foi revolucionário, viu muito sangue, e feroz. Demais, as minhas botinas (falo-te como a um irmão) têm um vício inveterado que me fazer perder um tempo precioso sempre que delas me sirvo. Tenho os minutos contados, devo seguir diretamente, aladamente se possível for, para Laranjeiras e, se eu as puser nos pés, sei que vou ter à secretaria de Agricultura. [...] Veja mais aqui.


Imagem: The Temptation of St. Hilarion (1894), do artista plástico Victor Karlovich Shtemberg (1863-1017). 

LOGOTERAPIA – A logoterapia, segundo seu criador Viktor Frankl, está baseada no confronto do paciente com o sentido de sua vida e o reorienta para o mesmo, tendo em vista ser oriunda do termo grego Logos que significa "sentido", sendo, com isso, "cuidar do sentido", sentido esse como significado de meta ou finalidade e a principal força motivadora no ser humano. A logoterapia possui dimensões denominada de noética, que compreende as projeções das dimensões biológicas, psicológicas e sociais se expressam em uma dimensão espiritual que se totaliza na existência. É somente nessa dimensão que o indivíduo pode sair de suas condicionalidades e visualizar o seu sentido. O termo Vontade de sentido compreende a busca da pessoa por um sentido que se identifica como a motivação primária em sua vida e que está na pessoa como mola impulsionadora de sua existência. O sentido é único e específico para cada um e deve ser vivido somente por aquele indivíduo. Ao tratar da frustração existencial e das neurose noogênicas, o autor assevera que existem pessoas que ainda não encontraram o sentido em suas vidas, tornando-se aflitas por um estado que chamado de frustação existencial. Essa frustação pode culminar em uma espécie de neurose. Essas são as neuroses noogênicas ou noógenas que são sempre de cunho espiritual e se baseiam em conflitos da existência onde as frustrações existenciais desempenham um papel central. Outro termo criado pelo autor é a noodinâmica que é a tensão interna existente entre o que uma pessoa é e aquilo que ela deveria ser de acordo com a sua realidade, seus valores e o seu sentido de vida. Esse estado noodinâmico é aquele estado entre aquilo que se é e aquilo que se deveria ser, sendo o mais adequado à normalidade do homem, superando seus obstáculos, desde que aceite o desafio de seguir em frente sem o receio do fracasso. Já o termo vazio existencial compreende a verificação de quando as pessoas não encontraram o sentido para as suas vidas. Este vazio se manifesta principalmente num estado de tédio, pelo domínio da rotina, necessitando-se de um sentido para viver. Dessa forma, a bovinidade do vazio existencial transparece sob as mais diversas máscaras como forma compensadora, ou seja, pelo conformismo, submissão, obcessões por poder, dinheiro ou sexo. Nesse sentido, o autor entende que o sentido da vida é único e característico de cada pessoa, suas peculiaridades e particularidades da vida de cada um, principalmente seus valores e tudo que definem o seu sentido da vida. Para o autor "[...] não é o que a vida pode lhe proporcionar, mas o que você pode fazer pela vida". A logoterapia afirma que o fim da vida não é a autorrealização, mas a autotranscendência, sendo, pois, aquela consequência desta. No que tange ao sentido do amor, o autor menciona que o encontro com o outro somente se dá quando dá-se abertura para aceitação da maneira que ele realmente é. Ninguém consegue ter plena abertura para conhecer outro ser humano se não amá-lo e, além disso, somente o amor o torna capaz de conscientizar o ser amado daquilo que ela pode e deveria vir a ser. Já que concerne ao sentido do sofrimento, expressa o autor que durante a vida o ser humano se defronta com situações nas quais o sofrimento é inevitável, em que não há mais esperança ou diante de uma fatalidade que não pode ser mudada, restando mudar a si mesmo, enfrentando o sofrimento com dignidade e coragem. Já o supra sentido é aquele que excede e ultrapassa toda e qualquer compreensão intelectual do ser humano, podendo ser bem exemplificado na fé religiosa, onde as pessoas confiam naquilo que não veem ou compreendem e esperam por um futuro do qual não tem provas que possa existir. Esse princípio, muitas vezes, impulsiona e dá forças às pessoas para superar as adversidades. A transitoriedade da vida confere ao fato da finitude humana, principalmente a iminente, que tende a tirar o sentido da vida. Para superar o sentimento de transitoriedade, o autor valoriza a historicidade manifesta no passado do indivíduo. Entre as técnicas logoterápicas estão a intenção paradoxal, baseada no fato de que o medo produz aquilo que se tem medo, ou seja, a ansiedade antecipatória; e a desreflexão, que se baseia no fato de que a intenção excessiva impossibilita aquilo que se deseja. EM BUSCA DE SENTIDO – O livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração, de Vikton E. Frankl, traz um relatório de prisioneiro nos campos de concentração nazista, a apatia, o escárnio, os sonhos dos prisioneiros, a fome, a sexualidade, a ausência de sentimento, política e religião, a fuga para dentro de si, Espinosa, sofrimento como realização e a psicologia do campo de concentração, bem como após a libertação, os conceitos fundamentais da logoterapia, a vontade de sentido, frustração existencial, neuroses noogênicas, noodinâmica, o vazio existencial, o sentido da vida, a essência da existência, o sentido do amor, o sentido do sofrimento, problemas metaclínicos, logodrama, o supra-sentido, a transitoriedade da vida, a técnica logoterápica, a neurose coletiva, critica do pandeterminismo, o credo psiquiátrico, o otimismo trágico e reemanização da psiquiatria. A BUSCA DO SIGNIFICADO – O livro A busca do significado: logoterapia e vida, de Joseph B. Fabry, aborda temas como a descoberta pessoal, a dimensão humana, qual o sentido da vida, o valor dos valores, nossa consciência intuitiva, a essência da humanidade, a desintegração das tradições, o desafio da liberdade, aplicações da logoterapia, a realidade da religião e um prefácio de Viktor E. Frankl. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
FABRY, Joseph. A busca do significado: logoterapia e vida. São Paulo: EXE, 1984.
FRANKL, Viktor. Em busca do sentido: um psicólogo no campo de concentração. São Leopoldo: Sinodal/Petrópolis: Vozes, 1991.
______. Psicoterapia: uma casuística para médicos. São Paulo: E.P.U, 1976.
______. Fundamentos antropológicos da psicoterapia. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
RODRIGUES, R. Fundamentos da logoterapia na clínica psiquiátrica e psicoterápica. Petrópolis: Vozes, 1991.
XAUSA, I. A. M. O sentido dos sonhos na psicoterapia em Viktor Frankl. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.


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quinta-feira, julho 18, 2013

DONELLA MEADOWS, SANDRO PENNA, MCCULLOUGH, DELVAL, ANNIE SPRINKLE, ERIKA JAMES & ZÉ RIPE


ZÉ RIPE ENTRE AMIGOS & PÉ DE SERRA

Luiz Alberto Machado

Em quase meados da década de 1970 (acho, não lembro bem se 72, 73 ou 74), conheci José Rodrigues Filho, já apelidado de Ripe à época. Estudávamos no Colégio Diocesano onde engrossávamos uma trupe de fazedores de versos, de músicas, de pintura, doidices e artes (isso pela corda que a gente levava de professores como Erivan Félix, Inalda, Zé Pedro, João da Silva, Pedro Victório, entre outros).

A gente se reunia para bolar jograis, melodramas e musicais que eram apresentados aos alunos depois do recreio na quadra do colégio, com a anuência do bispo Dom Acácio Rodrigues Alves e, posteriormente, com a complacência do amigo José Durán y Duran, então diretor do educandário.

Lá estávamos eu, ele, Ozi, Gulú, Mauricinho Melo Junior, Célio Carneirinho e outros achegados que compunham nossa patota de arteiros. E foram tantas apresentações que a gente já sonhava ser artista famoso.

Nessa recada o Ripe era percussionista, vocal e responsável pelos cenários e organização de palco. O Ozi na viola de 10 cordas, Gulu no violão, Célio na percussão e voz, Mauricinho era o desafinado que só batucava ou ficava nos bastidores bolando as coisas comigo, eu na voz e concepção do roteiro e textos, além de outros amigos que se dispunham a figurar no ritmo da arteirada.

Depois o Ripe aprendeu a tocar violão e foi logo compondo maravilhas que ainda hoje embala a ruma de gente toda da terrinha e de outros rincões.

Lembro duma vez quando ensaiávamos nossa batucada numa sala de aula do colégio, empolgados com nossa desenvoltura musical, o negócio estava tão ineivado que até a natureza quis participar. É que no epílogo do arranjo, todo mundo tocando em êxtase sem a conclusão que era adiada por falta de um tom e porque a gente não sabia mais como parar, aí, de repente, um trovão daqueles dos mais estrondosos, deu por sacramentada toda tocada. Teibei. Ficamos arrepiados da cabeça aos pés, entreolhando-nos de espantados. Nessa hora o Ripe olhou pra gente e cochichou amedrontado:

- Gente, como é que a gente vai convocar esse trovão para fechar na hora?

Doutra feita, promovi a IV Feira de Música que também foi apresentada na quadra do mesmo colégio. Havendo um empate entre as finalistas na escolha do júri, o apresentador, poeta Juareiz Correya, solucionou o embate com voto popular. As finalistas eram músicas de Mazinho, Ripe e Fernando Melo (este último com duas músicas de parceria comigo que omiti do júri por questões éticas). Na hora de levantar os braços, eu saí cutucando todo mundo pra votar nas minhas porque eu queria minimizar os gastos que já redundavam no prejuízo, quando cutuquei Ripe e ele bronqueou:

- Oxe, bicho, eu também sou concorrente!!!!!

Resultado: em primeiro lugar Mazinho, segundo Fernandinho Melo e em terceiro o Ripe com a sua inesquecível Mata Sul, parceria dele com Célio Carneirinho.

Terra que o diabo vadeia
Mulher tira homem pra dançar pra dançar pra dançar
Coragem não existe nessa terra
Urubu quer uma cana pra almoçar
A carniça já tá toda ocupada
Em contrato com tudo que é doutô
O pior é que a coisa sempre cai
Na mesa do trabalhadô, sim, sinhô, sim, sinhô.

Depois dessa, o Ripe começou a compor coisas inesquecíveis como Monte Alegre, Ciganada, Predestinação, Morena (essa que eu adoro e que um dia aprendo a cantá-la de tão linda que é) e outras tantas que nem sei o nome, mas se tocar um acorde de qualquer uma, eu ouso desafinar com minha mania de berrar do começo ao fim, pois sei de cor e salteado um montão das coisas belíssimas que ele compôs.

O Ripe que já tinha virado o artista Zé Ripe, sempre esteve comigo nas biritas, no cotidiano, nos acochos da vida, nas comemorações das derrotas e vitórias inglórias, na minha primeira peça teatral O Prêmio (que na época tinha um título horrível de grande), no Circo Itinerante, nos recitais, apresentações, fuleragens e o escambau.

Depois ele compôs um bocado de frevo para o desfile do bloco carnavalesco As Puaras.

Lembro-me que participei do show dele A resistência dos versos, quando fui convocado a tocar teclado numa apresentação que ele faria em Catende. Ôxe, me agarrei com o meu Digitone, ensaiamos e lá estávamos no palco do Leão XIII no maior arrasta-pé. No final, eu todo cheio das vaidades por tocar com um artista como ele, chegou perto de mim e bafejou:

- Ouvi tudo, menos o seu teclado.

Rimos muito e tomamos de todas as misturas etílicas noitedia tardes adentro, madrugada afora, amigos de fé, de copo, de vida e de coração. Estávamos sempre juntos com toda rapazeada do nosso time, fumaçando, bebericando, rindo e mangando pelas ruas, pelas estradas que nos levaram um dia numa caminhada até a base da Serra da Prata, pelos matos até Água Preta, versando, dedilhando e pintando o sete. Até ousamos compor umas músicas que não deram certo: a música dele, um primor; minhas intervenções, um desastre. Foi quando descobri que ele é o maior poeta dele mesmo. Até arengamos algumas vezes por causa disso que eu falava, entretanto, acho que ele entendeu que não era mangação, era que eu assumia minha completa incapacidade de fazer algo que prestasse e que servisse para ser parceiro nas coisas bonitas e boas que ele sempre fez e fará.

Depois disso resolvi convocá-lo pra tocar percussão no meu show Por um novo dia. Também não deu certo, é que ele possuía o vício feio de só se acordar depois de meio dia e eu ensaiava com a banda a partir das sete da manhã. Não me fiz de rogado e convoquei-lo para uma participação especial no meio do show. Foi bonito de se ver, quase que a plateia não deixava ele sair, vez que a apresentação dele foi melhor que tudo que eu fiz na apresentação toda. Até eu esqueci que o show era meu e queria mesmo era assisti-lo com a moçada que o acompanhava.

Os anos se passaram e nunca mais nos encontramos. Hoje ele é um artista feito: poeta, cantador, violeiro, compositor múltiplo de pé-de-serra, maracatus, bumba meu boi, frevos, xotes, forrós e canções, premiado em festivais, gravado por Alcymar Monteiro, Santanna o Cantador, Cikó Macedo, ZéLinaldo, Marcos Catende, Wilson Monteiro, entre outros, artesão dos bons, gente da melhor cepa e sujeito meritório de aplausos e de boa amizade.

Quando vejo agora os seus vídeos na rede, digo cá comigo como a gente diz na terrinha: - Esse cara é bom c´a porra! Eita cabra bom medonho!!!! E tenho orgulho de nossa amizade. Tanto é que me inspirei nele para compor Desnorteio, que foi gravada por meu amigo Wilson Monteiro. Procê, Ripe amigo, meu abração fraterno e desejo de sucesso!


Veja mais Crônicas Palmarenses. E mais de Zé Ripe aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Amor e ódio são cruéis, só gosto é gentil... Cada um de nós tem algo dentro de nós que não será negado, mesmo que nos faça grite em voz alta para morrer. Nós somos o que somos, é tudo. Como a velha lenda celta do pássaro com o espinho em seu peito, cantando seu coração e morrendo. Por precisar, seu autoconhecimento não pode afetar ou mudar o resultado, pode? Todo mundo cantando sua própria pequena canção, convencida de que é a música mais maravilhosa que o mundo já ouviu. Você não vê? Criamos nossos próprios espinhos e nunca paramos para contar o custo. Tudo o que podemos fazer é sofrer a dor, e diga a nós mesmos que valeu a pena. Pensamento da escritora australiana Colleen McCullough (1937-2015). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU... - Há muita dor e sofrimento por aí. Acho que precisa ter mais alegria, amor e orgasmos no mundo. Somos uma sociedade negativa ao. O sofrimento é muito mais aceitável. E quero dizer às mulheres que elas são seres sexualmente poderosas, mas muitas vezes não se envolvem em contato com isso porque são socializadas para agradar aos homens... O sexo é normal e natural, e nós o tornamos anormais e antinaturais... A chave mais importante para o sexo que já descobri é a respiração rítmica consciente; quanto mais você respira, mais você sente e mais você ganha vida. Muitos de nós respiramos apenas o suficiente para sobreviver, mas não para viver plenamente. A respiração profunda é uma porta para acordar para a cura e para uma liberdade mais pessoal. Todo o meu propósito é trazer o que está escondido à tona para que as pessoas possam ver e discutir. E o material sexualmente orientado é muito importante para estudar em um ambiente acadêmico. A controvérsia faz parte da diversão. Pensamento da sexóloga, artista performática & stripper estadunidense Annie Sprinkle. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CONHECIMENTO & EDUCAÇÃO – [...] O importante é que sejam capazes de refletir sobre o universo físico e sobre o universo social. O que precisam aprender é essa atitude diante das coisas e essa atitude somente será alcançada com a prática, exercitando em sala de aula o pensamento rigoroso e criativo diante de problemas novos. Poderíamos dizer que o que é preciso aprender é a compreender a natureza da atividade científica, que é, acima de tudo, uma forma de tratar as coisas, de interrogar a realidade, de duvidar das explicações geralmente admitidas e de examinar as consequências de nossas conjecturas. [...]. Trecho extraído da obra Crescer e pensar: a construção do conhecimento na escola (Artes Médicas, 1998), do filósofo espanhol Juan Delval, pesquisador na área da Psicologia Evolutiva e da Educação. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

PENSANDO EM SISTEMAS – [...] Lembre-se, sempre, de que tudo o que você sabe, e tudo o que todos sabem, é apenas um modelo. Divulgue seu modelo onde ele possa ser visualizado. Convide outras pessoas para desafiar suas suposições e adicionar suas próprias. [...]. Trecho extraído da obra Thinking in Systems (Chelsea Green, 2008), da cientista ambiental, professora e escritora estadunidense Donella Meadows (1941-2001).

 

CINQUENTA TONS DE CINZA – […] Juro solenemente que protegerei e manterei no fundo do meu coração nossa união e você... Prometo amá-lo fielmente, abandonando todos os outros, nos bons e nos maus momentos, na doença e na saúde, independentemente de onde a vida nos leve. Vou protegê-lo, confiar em você e respeitá-lo. Vou compartilhar suas alegrias e tristezas e confortá-lo em momentos de necessidade. Prometo cuidar de você, defender suas esperanças e sonhos e mantê-lo seguro ao meu lado. Tudo o que é meu agora é seu. Eu te dou minha mão, meu coração e meu amor a partir deste momento enquanto nós dois vivermos. [...] Você realmente tem que me deixar lutar minhas próprias batalhas. Você não pode constantemente me questionar e tentar me proteger. É sufocante, Christian. Eu nunca vou florescer com sua interferência incessante. Eu preciso de alguma liberdade. Eu nem sonharia em me intrometer em seus assuntos. …se quisermos ter alguma esperança de um futuro juntos, você tem que confiar em mim e confiar em meu julgamento. Sim, às vezes errarei - cometerei erros, mas tenho que aprender. …Eu sei que você quer controlar tudo, e eu entendo o porquê, mas você não pode. É uma meta impossível... você tem que aprender a deixar ir. [...]. Trechos extraídos da obra Fifty Shades Freed (‎Doubleday, 2013), da escritora e roteirista britânica E. L. James (Erika James). Veja mais aqui.

 

TRÊS POEMAS – I - Feliz quem é diferente \ sendo ele diferente.\ Mas há alguém que é diferente\ ele sendo comum. II – \ Deixaram-me só\ no campo, sob\ a chuva fina, só.\ Olhavam-me mudos\ admirados\ os álamos nus: sofriam\ a minha dor: dor\ de não saber nitidamente…\ E a terra molhada\ e os negros e altíssimos montes\ calavam-se vencidos. Parecia\ que um deus malvado \ tivesse com um só gesto\ petrificado tudo. \E a chuva lavava aquelas pedras. III- A manhã tem olhos de criança. A tarde\ Clara parece uma garota arrogante.\ Mas a noite tem minha cor escura,\ a cor de um brilho triste. Poemas do escritor e jornalista italiano Sandro Penna (1906-1977). Veja mais aqui.

 


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