Mostrando postagens com marcador Boff. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Boff. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, maio 10, 2018

UNAMUNO, MEREDITH, BOFF, REGINA SILVEIRA, EHRENZWEIG, DIEGO RIBEIRO & GABRIELA MONTERO

ZÉ GULU & A TRUPE DOS COSCUVILEIROS – Imagem: Encuentro, da artista plástica e arte-educadora Regina Silveira. - A trupe dos coscuvilheiros não se entendia, nem havia jeito no meio de tanta leseira. O que tinha de mutreta, tinha de pacutia. É que a patota reunida – respeite o time: Doro, Zé-Corninho, Robimagaiver, Afredo, Mamão, Biritoaldo e Zé Bilola -, discutia como ganhar umas bufunfas a mais no pé do cipa e, cada qual, com suas mirabolantes ideias inúteis: nenhuma delas proveitosas, nem serventia pro que queriam, muito menos. Só se ouvia o estrupício: Ah, vai lamber sabão, fi-duma-égua. Xô pra lá, ranheta! Lubrifica a gaia que é melhor, corno! Vamos organizar essa zona, comboio de fresco! E por aí vai. Pelo visto, como não se entendiam, foram ter com quem? O doutor Zé Gulu, naturalmente. E lá estava ele debruçado sobre aquele calhamaço da coleção desaparecida, quando os intrépidos arrodearam a mesa dele, cheios de interrogações. Nessa hora, assim que viram os intrigantes se aproximarem do sabichão, Tomé e Zé Peiúdo engrossaram o caldo pra pegar carona na coisa. Doutor Zé Gulu, como vai o senhor? O que vocês querem? A gente quer ser, assim, tipo especialista, sabe? Assim sabido e todo taful feito o senhor, ganhando uns cascaios pra nossa salvação, sacumé? Não, não sei. Assim, graduado feito o senhor. Como assim? Oxe, doutor, o senhor sabe. Sei não. Assim tipo machucho, bargado e posudo bacharel, cheio das granas. Ah, vão arrumar o que fazer! Ah, doutor, só o senhor pode nos ajudar! Não sei não. Sabe, doutor, a gente quer ser assim sábio como o senhor. Sábio? Sim! O senhor sabe de tudo! Ah, sei não, muitos anos de universidade, com mestrado e doutoramento no exterior, mais de quarenta e cinco anos de banca de estudo e, ainda hoje, não sei de nada. Sabe, sim, doutor, ajude a gente, com isso que o senhor disse, mas sem escola. Como? Veja só, explico, doutor, olhe pra gente: o Zé-Corninho mesmo, o nome já diz: faz uma tuia de coisa imprestável, mas só sabe mesmo é ser corneado. O Robimagaiver, valha-me, só tem faro e só faz merda! O Afredo, coitado, só sabe queimar o toba. O Mãmão é um ré-pra-trás. Zé Bilola é um jumento pau mandado! O Birito, uma lástima. Esses outros, nem se fala. Eu sou o único: a bola que ninguém nunca chutou. Então, a gente quer folgar cheio das gaitas feito os especialistas diplomados. Ah, tá. Ora, é só ir pra escola, fazer o madureza – ou Artigo 99, sei lá mais como se chama! Ah, tipo Educação de Jovens e Adultos (EJA) -, depois fazer o vestibular, entrar numa faculdade, se graduar, se especializar, fazer um mestrado e, no fim, um doutoramento, se preparando mesmo para ler muitos livros e participar de muitos debates e seminários. Eita, doutor! A gente quer ser especialista sem ter que ler nada, doutor! Assim, na moleza, sabe? Não, não sei. Assim... Olhem, não conheço nenhum gênio que tenha chegado a tal, sem passar por tudo isso, queimando as pestanas nos livros por noites e dias, pesquisando, anotando, virando a noite pelo dia. Sim, sei, doutor, mas veja... Ninguém ganha competência e sabedoria assim do nada. Sei, doutor. Não há como ser de forma diferente, tem que passar por tudo isso. Sei, doutor. Ah, num tem onde comprar isso não? Tem ghost writer pra tudo! O quê? Ah, deixa pra lá, esqueci a impressão digital de vocês. Sabe, doutor, a gente quer assim tipo nariz empinado, rei na barriga, metido a falar difícil, essas coisas. Ah, tem tanto doutor marca bosta por aí, só sabe ganhar dinheiro engalobando e enchendo os outros de nó pelas costas, e vocês ainda querem empiorar o negócio, é? Isso, doutor, daquele tipo que aprendeu sem se ensinar! É isso que vocês querem, é? Se não tiver esse negócio de estudo, a gente topa! Ah, meus amigos, já dizia Habermas: Não pode haver intelectuais se não há leitores! Quem? Ele saiu arretado e deixou todos falando sozinho. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e guitarrista Diego Ribeiro: Live in Cyprus, Copenhagen Jazz Festival & Take Five; da pianista venezuelana Gabriela Montero: Latin Concert, Improvisation Bach & Summertime; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] O conhecimento está a serviço da necessidade de viver. E essa necessidade criou no homem os órgãos do conhecimento... O homem vê, ouve, apalpa, saboreia e cheira aquilo que precisa ver, ouvir, apalpar, saborear ou cheirar.. [...]. Pensamento extraído da obra O sentimento trágico da vida (Educação Nacional, 1953), do filósofo, escritor e dramaturgo espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936). Veja mais aqui.

O CAOS DA ARTE CONTEMPORÂNEA – [...] O pensamento consciente é estreitamente focalizado e bastante diferenciado nos seus elementos; quanto mais penetramos nas imagens e nos fantasmas subterrâneos, mais a pista única divide-se e se ramifica em direções ilimitadas para finalmente dar a sua estrutura um aspecto caótico. Um pensamento criador é capaz de oscilar entre seus modos diferenciados e indiferenciados e atrelá-los juntos para lhes confiar tarefas bem determinadas. [...] Até certo ponto, todo trabalho verdadeiramente criador implica o descarte das cristalizações agudas do pensamento racional e a fabricação de imagens. Dessa forma, a criatividade implica a autodestruição – o que talvez explique por que a arte tantas vezes se ateve à tragédia. [...]. Trechos extraídos da obra A ordem oculta da arte (Zahar, 1969), do teórico austríaco de arte e música modernas, Anton Ehrenzweig (1908-1966).

O CANTO DA FLAUTA MÁGICA: O UIRAPURU - Havia na tribo um jovem que tocava maravilhosamente flauta. Não era bonito e não tinha nada de especial, apelidaram-no de Catuboré, que na língua dos índios significa “flauta mágica”. Por causa dos sons melodiosos de sua flauta era cobiçado pelas meninas da aldeia. No entanto, somente a simpática Mainá conseguiu conquistar seu coração. Marcaram o casamento para a primavera. Mas aconteceu uma tragédia. Certo dia, Catuboré saiu para pescar num lago distante da maloca, escureceu e nada de ele chegar. Mainá procurou durante um dia inteiro, com o coração apertado e com maus pressentimentos. No dia seguinte, a tribo inteira procurou o índio por todos os caminhos, e finalmente o encontrou. Estava morto, ao pé de uma grande árvore. Logo entenderam: uma serpente venenosa lhe havia picado mortalmente a perna. Todos choraram, de modo especial Mainá. Como estavam distantes da aldeia resolveram enterrar Catuboré ali mesmo, ao pé da árvore que assistira à sua morte. Mainá, quando a saudade batia mais forte, chorava aos pés da árvore, onde estava enterrado o seu amado. A alma de Catuboré, vendo a tristeza da namorada, não conseguia ficar em paz. Pediu, então, ao espírito da mata que o transformasse em um pássaro, mesmo que fosse pequeno e feio, contando que fosse cantador, seria capaz de consolar Mainá. E foi transformado, então, no irapuru. O irapuru é parecido com Catuboré, não possui nada especial, mas canta como ninguém na floresta, num som semelhante ao da flauta. Conta-se, que ocasionalmente o irapuru canta e, todos os animais sentem-se atraídos uns pelos outros, começando a namorar e a se beijar. Os outros pássaros se calam completamente em respeito ao canto do irapuru à sua amada. Lenda extraída da obra O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil (Salamandra, 2001), escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. Veja mais aqui.

AMOR MODERNO - Assim o piedoso amor encerrou o que idealizara: / a união desse par tão diferente! / Lembravam dois ágeis falcões numa armadilha / condenados a imitar o voo do morcego. / Armando-se, sob o céu de maio, / caminhavam sem rumo, puros como o orvalho nas flores. / E não cuidavam das horas que avançavam: / seus corações ansiavam pelo dia que se extinguira. / Então um cravou no outro o punhal implacável, / indagação profunda que sonda uma angustia infinita. / Ah, que resposta rude a alma encerra / quanto à vida das certezas dessa nova vida! / Qual a trágica lembrança, vede o que se move eternamente / nas trevas, como a força do oceano, à meia noite, soando como o tropel trepidante dos cavalos das hostes guerreiras, / e lança uma linha esmorecida e tênue sobre a praia. Poema do poeta, romancista e ensaísta inglês George Meredith (1828-1909).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica e arte-educadora Regina Silveira
Veja maisa aquiaqui e aqui.


Colóquio Internacional Memória e Identidade Insular: Religiosidade, Festividades e Turismo nos arquipélagos da Madeira e Açores & muito mais na Agenda aqui.
&
Palavra, palavrinha & palavrão!, o pensamento de Norman Fairclought, a arte de Edwin IJpeij, o cinema de Maurizio Ponzi & Maria Grazia Cucinotta aqui.
 

quarta-feira, abril 25, 2018

LYGIA CLARK, BOFF, ROSSETTI, PETER BERGER, BALINT, ROBERTO MINCZUK & NILZE CARVALHO, SAÚDE & INCLUSÃO.

SAÚDE: QUEM É QUEM NO BRASIL - Gentamiga, vamos aprumar a conversa! Do mesmo modo como promovem a tragédia da educação brasileira, também a saúde é envolvida por um sistema perverso que a faz ineficiente. Já falei aqui a respeito, mas quero botar de novo o dedo na ferida. A coisa é muito simples, só botar a cachola para funcionar: o Ministro da Saúde é escolhido por um conluio entre políticos e um pool formado por segmentos interesseiros, como os dos planos de saúde, os da cadeia produtiva da rede hospitalar privada e os dos que querem levar vantagem em tudo, urubus sobre a nossa carniça. Com a escolha do nome para o Ministério, também vão junto aqueles que vão compor a gestão do SUS, da ANS e de todo sistema de saúde pública. Trocando em miúdos: raposas soltas no galinheiro. A desgraceira vai se amontoando com quem vai para as secretarias de saúde dos Estados e Municípios brasileiros: ou médicos, ou políticos ligados à rede hospitalar privada. E esses ocupantes vão inviabilizar todo sistema público para que todos nós recorramos à rede privada de saúde. Certo? Por outro lado, a bem da verdade, é preciso saber que o SUS é copiado e implantado em todo mundo justamente porque dá certo, só que no Brasil, não. E por que não? Isso é Brasil, onde as coisas são problematizadas, embananadas, complicadas e, acima de tudo, não muito bem ou quase nunca entendidas ou esclarecidas pelo tanto de confusão que se fomenta nos gabinetes palacianos com leis, normas, regras, portarias e procedimentos. Ou seja, tem que deixar a coisa pra lá de contraproducente para que ninguém dê conta do pandemônio. Pra aumentar mais ainda o desacerto, há o fato de que o sistema securitário brasileiro sempre foi superavitário, quando os seus componentes dão prejuízo, ou seja, são deficitários. Dá pra entender? Pois é, pra quem não sabe, o Sistema de Seguridade Social é justamente formado por Saúde, Previdência e Assistência Social. E isso com meio mundo de gente provando por a+b que todo sistema é superavitário, porque todo ano ocorre a transferência dos 20% referentes à Desvinculação das Receitas da União (DRU) – vide aqui. Mas, como é que pode? No Brasil pode tudo! Todas as gestões quando não apenas incompetentes, são ocupadas justamente por quem não quer que nada dê certo no Brasil. Percebeu? Acredito que sim, tanto é que agora dá pra sacar de verdade os escândalos que a Polícia Federal acha um bocado de malas e colchões, tudo entupido com milhões e zilhões de dinheiro em espécie por aí na casa de algumas autoridades ou prosélitos do sistema governamental brasileiro. Entendeu ou quer que eu desenhe? Não há outra constatação: a educação e a saúde são a tragédia porque estamos no Reino da Espórtula do Brasilsilsilsilsil. Agora é que a coisa pega, vamos ou não aprumar a conversa, gente? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o maestro Roberto Minczuk: Kabbalah de Marlos Nobre, Bachianas nº 2 – Trenzinho Caipira de Villa-Lobos & Sinfonia nº 3 – Heróica – de Beethoven; da cantora, compositora e bandolinista Nilze Carvalho: Choro canção, Brasileirinho & Ao vivo; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] o fim da prática médica geral e da psicoterapia é libertar as pessoas, na medida do possível, dos sofrimentos inúteis da existência humana [...]. Trecho extraído da obra Place de la psichotérapie em medicine (Payot, 1970), do psicanalista e bioquímico húngaro Mihály Balint (1896-1970).

SISTEMA SIMBÓLICO – [...] a matriz de todos os significados socialmente objetivados e subjetivamente reais. A sociedade histórica inteira e toda a biografia do indivíduo são vistas como acontecimentos que se passam dentro deste universo. [...] O universo simbólico é evidentemente construído por meio de objetivações sociais. No entanto, sua capacidade de atribuição de significações excede de muito o domínio da vida social, de modo que o indivíduo pode “localizar-se” nele, mesmo em suas mais solitárias experiências. [...]. Trecho extraído da obra A construção social da realidade (Vozes, 1973), do sociólogo e teólogo austro-americano Peter Berger (1929-2017).

O CUIDADO DOS GRANDES PELOS PEQUENOS – [...] Quando o mundo foi criado, a noite não existia. Havia só o dia e a luz penetrava em todos os espaços. Só num ligar, nas águas profundas, a luz não chegava. Os Maué, por mais que quisessem, não podiam dormir nunca. Viviam cansados e com os olhos irritados pelo excesso de luz. Certo dia, um deles encheu-se coragem e foi falar com Boiúna, a Cobra Grande, também chamada de sucuriju. [...] A Cobra Grande ouviu as lamentações do índio Maué e, vendo a sua pele amorenada pelo sol escaldante e seus olhos avermelhados pelo excesso de luminosidade, teve pena dele. [...] E disse: - Eu sou grande e forte. Sei me defender. Não preciso de ninguém. Mas muitos dos meus parentes são pequenos e indefesos. [...] Assim vocês, Maué, quandocaminharem por ai, cuidarão bem onde vão meter os pés, para não pisarem nos bichinhos pequenos. Eles terão como se defender. Em troca, lhe darei um coco cheio de noite. O Maué aceitou prazerosamente a proposta. [...] No momento da troca, a sucuriju recomendou: - Não abra o coco fora da maloca, só lá dentro. Não abra de jeito nenhum. [...] E foi então que sobreveio a desgraça. Ao abrir o coco fora da maloca, as trevas cobriram o mundo. Não se via mais nada. o sol sumiu no firmamento. A floresta ficou uma mancha escura e as montanhas ao longe viraram uma sombra nebulosa. E uma angustia imprevista e terrível invadiu o ânimo dos Maué. Houve uma correria geral. No foge-foge precipitado, ninguém pensou nos bichinhos pequenos que já haviam recebido o veneno da Cobra Grande, a sucuri. Os primeiros a receber foram as cobras pequenas e os escorpiões. Esses se defenderam das pisadas dos índios, mordendo-lhes e picando-lhes os pés e as pernas. Aconteceu uma grande calamidade. Os poucos que sobreviveram às mordidas e picadas venenosas, sabem agora como se comportar. Também aprenderam a desconfiar das aranhas, às quais a Cobra Grande também deu veneno em excesso. E a partir de então, todos os índios começaram a tomar cuidado com os bichinhos pequenos, procurando não pisar neles para não serem perigosamente picados ou mordidos e, assim, até os dias de hoje eles convivem juntos, pacificamnente e no maior respeito mútuo. Trechos extraídos da obra O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil (Salamandra, 2001), escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. Veja mais aqui.

BALADA DAS DAMAS MORTAS DE FRANÇOIS VILLON - Dizei-me, onde se escondeu / Flora, a romana sedutora? / Onde está Hiparquia e onde está Tais, / todas essas mulheres maravilhosas? / Onde se encontra o Eco, invisível aos homens, / que só se ouve no rio e na lagoa, - / aquela, cuja beleza era mais que humana? / mas onde estão as nevez de antanho? / Onde está Heloisa, a monja sábia? / Por amor de quem Abelardo, creio / trocou as vestes civis pelas sacerdotais? / (Foi o amor que lhe encheu de tristeza e pesar) / e, suplico-vos, onde está a Rainha / ansiosa de que Buridan descesse o Sena / atada à boca de um saco? / Mas, onde estão as neves de antanho? /A nívea Rainha Blance, como a rainha dos lírios, / com a sua voz de sereia, - / Bertha Broadfoot, Beatriz, Alice, / e Emengarda, a dama do Maine, - / e aquela, suave Joana que, em Rouen, / os ingleses condenaram e queimaram viva, - / Mãe de Deus, onde estarão elas, então? / Mas, onde estão nas neves de antanho? / Não, não indagueis, esta semana, bom senhor, / nem mesmo este ano, para onde elas foram, / evitai assim uma palavra demais, - / mas, onde estão as neves de antanho? Poema do poeta, ilustrador e pintor inglês Dante Gabriel Rossetti (1828-1882).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da arte da pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988). 
Veja mais aquiaqui e aqui.


INCLUSÃO NA BIBLIOTECA – com a palestra Importância da relação entre escola e família na inclusão escolar do aluno com TEA, com a professora Sil Neves e o diretor da biblioteca, João Paulo Araújo, & muito mais na Agenda aqui.
&
Álbum de fotografias, o pensamento de Albert Einstein, a arte de Ruth Rachou, Sampa de Caetano Veloso, Carlos Alberto Riccelli & Bruna Lombardi aqui.
 

quarta-feira, janeiro 31, 2018

CLARICE, ROSEMONDE, THOMAS KUHN, BASIL BERNSTEIN, ANTONIO MADUREIRA, MIRIAM LEMLE, ROSANA PAULINO, YARA, JULES FEIFFER & THATHI

XEMENEXEM ENCARNA QUIXOTE! -  Imagem: As filhas de Eva (2014), da artista visual Rosana Paulino. - Xemenxem despertou atordoado com a abertura das cortinas para entrada do dia e a faxina que a funcionária realizava no seu quarto. Olhos aboticados de zarolho, ele deu de cara logo com o bundão da serviçal quase na sua venta, remexendo o corpo com a varrição e nas coisas para arrumação. Boquiaberto pensava consigo: Isso é que é um desmantelo de mulher. Espichou o pescoço e conferiu dos pés à cabeça: Essa camareira é de endoidar um, vai ser gostosa assim aqui na minha cama. Como se seu pensamento falasse em voz alta, logo ela se virou: Ah, acordou, bonitão? Seu quarto já está pronto, roupa limpa e lavada na gaveta e, quando quiser, pode descer pro café da manhã. Mais arregalado ficou quando viu os seios fartos no decote, de ficar imóvel de boca aberta por um bocado de tempo. Ela então balançou as mãos às vistas dele para ver se olhos piscavam e ele lá, imobilizado pelo impacto daquele corpanzil sedutor. Ei, quer se levantar para eu arrumar a cama? Posso não, enfermeira. Como não pode? Estou em estado interessante. Como assim? Ele se encolheu abraçado nos joelhos ao peito, insistindo: Posso não! Vamos, homem, é hora do café da manhã. A tesão do mijo não deixa. Ah, safadinho, você é bonitão, vou buscar lençol e fronha enquanto você se recupera. E saiu. Ele apressou-se pro sanitário, deu uma mijada demorada, aliviando-se. De repente ela entra, invade o banheiro para pendurar a toalha, ao vê-lo indefeso protegendo os seus guardados, havia sustado a micção e estava segurando com tudo de fora. Ela passou um rabo de olho e saiu. Ufa! Foi por pouco, hem? Acalmou-se e urinou por uns dez minutos ininterruptos. Eita! A bexiga estava cheia, hem? Agora, sim, posso ir pro café da manhã. Cheirou as axilas, os braços, as mãos, os pés, a cueca, nada fedia, então foi. Desceu a escadaria e ao chegar à praça da alimentação, deparou-se com uma multidão: Isso é gente como a praga! O hotel deve ser dos bons mesmo. E desceu, entrou na fila olhando os demais hóspedes, todos de pijama como ele, escolhiam sua comida. Depois de um bom tempo, chegou sua vez: Hummmm, cuscuz, salsichas, queijo, pão, café com leite, ah, posso vir depois buscar mais? Pode. Então tá. Pegou a bandeja e dirigiu-se para a primeira mesa vazia, bateu palma, psiu e gritou: Atenção, todos! Senhoras e senhores, ladys e gentlemans! Fez-se silêncio. Ham, ham. Pra quem não me conhece - pigarreia, imposta a voz: Sou Jerry Xemenexem! Aplausos. Uma jovem levantou-se aplaudindo: Nome de artista, hem? Mais aplausos. Sim, sim, obrigado. Mais aplausos. Obrigado. Sou cantor, compositor, ator e cineasta, por enquanto, para não abusar dos meus dotes artísticos. Aplausos. Obrigado, obrigado. Estou nesse hotel para selecionar elenco pro meu próximo filme. Os interessados, comparecerem ao apartamento 37, para os testes. Obrigado, bom apetite e um bom dia para todos. Obrigado. Foi uma gritaria: Eu! Eu! Eu! Eu! Eu! Eu! Calma, minha gente, tem espaço para todos no elenco. Só a partir das 11 horas que começo os testes, daqui pra lá, comam bem e estejam prontos. Saravá! E encarou a comilança, repetindo o prato umas três vezes e só não mais pela quarta, porque um dos cozinheiros fez uma cara feia e ele resolveu recolher-se ao seu quarto. Mal se deitou, entrou uma senhora já de idade, muito simpática, risonha e acompanhada duns 15 gatos. Bom dia. Bom dia. O senhor é? Sou Jerry Xemenexem, seu criado ao dispor. Ah, nome de artista. E sou mesmo. Muito bem. O que o senhor mais gosta? Na verdade, o que mais gosto é de cantar, mas componho, filmo, atuo, faço de tudo um pouco, sou multiuso. Muito bem. E pra comer? Adoro galinha guisada, meu prato preferido. De si para si, pensou: Ah, deve ser a nutricionista, hotel dos bons mesmos. Enquanto pensava, ela falou abrindo um caderno de anotações tirado do bolso: Conte-me sua vida... aí ele debulhou que era um entre 29 irmãos, 9 da mãe dele – santa dona Zefinha, veneração genuflexa com todas as orações dos céus e da terra  -, 13 da Lurdinha e 7 da Valdinete, todos irmãos por parte de pai. Isso não é um pai, é um garanhão fodedor! Gostei do nome, quando eu comprar minha Ferrary, vou apelidá-la de garanhão fodedor. Ah, mas continuando: que dessa tuia de irmãos, 16 são fêmeas de honrar as saias – tem uma que é bem doidinha, sei não, e 4 são meninas ainda - e os demais, uns machos e outros nem tanto assim, porque 5 são franguinhos ainda, afora dois que dão sinais de desmunhecar mesmo. Como é o nome do seu pai? Zé Xemenexem, mas só o chamam de Zé Flor, não sei por que, pois ele catinga que só, não sei como elas aguentam a fedentina, mas deve ser por ser aquele que tem três maridas, coisas de apelido mesmo. Você não gosta dele? Bem, gostar de mesmo, muito não, ele é rude, trata a gente na base do tapa-olho, bofete no maluvido e dedada no furico. As meninas, também? Oxe, não escapa umazinha sequer! O prazer dele é enfiar o dedão no cu de levantar a gente pra balançar as pernas soltas no ar e depois ficar cheirando o dedo, amolegando a peia. E olhe que o dedão dele é daqueles bem engrossado, viu? É quando ele dá risadas de gargalhar. Afora isso, é todo bruto a dar lapadas, cascudos, beliscões e corretivos em quem passar por perto. E a sua mãe? Ah, a minha mãe é uma santa. E as outras duas? Ah, são de lua! Um dia de careta, dois de xingamentos e, uma vez na vida, os dentes abrem, mas não muito, logo piram e viram o diabo. Sei. O senhor tem algum problema? Tenho. Qual é? Queria ter um dinheirinho pra comprar cigarro, a senhora empresta? Ela meteu a mão no bolso do jaleco, puxou duas cédulas e entregou pra ele. Obrigado, minha senhora, sou-lhe devedor pro resto da vida. De nada. Agora descanse pro almoço, amanhã a gente se vê nessa mesma hora. Bom dia. Mal ela saiu, apareceram dois olhos na beira da porta, que se escondiam e reapareciam. Entre. Pareciam brincar. Ele levantou-se e pegou o brincalhão pelas orelhas: Diga. Eu vim pro teste do cinema. Ótimo, como é seu nome? Napoleão. Muito bem, Napoleão, o que você faz da vida? Nada. Como nada? Sou o imperador, Napoleão Bonaparte. Ah, tá. Só isso? Posso ser Dom Pedro I, quer? Não, basta ser Napoleão mesmo. Já fez cinema? Bem, fazer de mesmo, não, mas eu corria na rua e meu primo batia umas fotos pruns monóculos, quer ver? Não. Já está quase na hora do almoço, enquanto isso me conte sua vida de artista. E saíram confabulando quando uma bela jovem esbarrou nele, ao se virar ele imaginou estar diante de uma dessas atrizes excêntricas com vestes estranhas – na verdade, ela estava descalça, descabelada e enrolada nos lençóis -, tudo fazendo crer uma grande atriz. Ela esticou o pé e levantou a perna, e ele: Pés de atriz, pernas de atriz, joelhos de atriz – aí ela soltou o vestido impedindo de que ele continuasse a examinar, esticando o braço e expondo a mão, e ele: dedos de atriz, mãos de atriz, pulso de atriz, braço de atriz, até muque de atriz ela tem, está vendo Napoleão? Ela fechou os braços e ele: Cabelo de atriz, testa de atriz, bochechas de atriz, olhos de atriz, nariz de atriz, lábios de atriz e... Ela fazia biquinho pra ele e, não teve dúvidas, foi lá e deu uma bitoca nela, dele tomar um susto na hora! O que é que é isso, meu Deus? Não é uma atriz, é uma deusa, é a Dulcineia del Toboso, a dona do meu coração. Fez uma mesura cavalheiresca e, qual Dom Quixote, convidou-a pra jantar! Ela aceitou. Então vamos, deram-se os braços e Napoleão acompanhou-os como se fora Sancho Pança. Sentaram-se elegantemente e ficaram aguardando o atendimento, ninguém apareceu. Sancho, meu fiel escudeiro, procure um garçon para nos servir e diga que não atrasem com a ceia. Mas, meu mestre, ainda não é nem meio-dia? Não discuta, Sancho. Com a saída de Sancho, ela se levanta com um olhar tentador, abre o vestido e mostra-se completamente nua. Ele não resistiu e voou em cima dela, vuque-vuque ali mesmo, impado, chamego, ali deitados no chão, dela estremecer toda, gritar enloquecida até desmaiar. E ele resfolegante, inquieto no maior ajeitado, estertorando numa tremedeira braba, sentiu gozar depois de semanas e meses na secura das mãos, saçaricando em cima dela, empurrando-se, espremendo-a, cavoucar, pelejar, e no maior estupor, quedou vertiginosamente até cair duro espalhado sobre ela e ali, sobre o macio dela, rendeu-se em sono profundo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o violonista, maestro e compositor Antonio José Madureira: Violão, Instrumentos populares do Nordeste & Rosa Armorial; a cantora, compositora, guitarrista e multi-instrumentista Thathi: Recomece, Um dia a mais & Jardim japonês; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA –[...] Tal como os artistas, os cientistas criadores precisam, em determinadas ocasiões, ser capazes de viver um mundo desordenado [...] essa necessidade [...] é a “tensão essencial” implícita na pesquisa científica. [...]. as mudanças de paradigma realmente lebam os cientistas a ver o mundo definido por seus compromissos de pesquisa de uma maneira diferente. Na medida em que seu único acesso a esse mundo dá-se através do que vêem e fazem, poderemos ser tentados a dizer que, após uma revolução, os cientistas reagem a um mundo diferente. [...]. Trechos extraídos da obra A estrutura das revoluções científicas (Perspectiva, 1998), do físico e filósofo da ciência estadunidense Thomas Kuhn (1922-1996). Veja mais aqui.

USO DA LÍNGUA NA ESCOLA – [...] A sua missão não é a de fazwer com que os educandos abandonem o uso de sua gramática “errrada” para a substituírem pela gramática “certa”, e sim a de auxili´-alos a adquirirem, como se fora uma segunda língua, competência no uso das formas lingüísticas da norma socialmente prestigiada, à guisa de um acrescimento aos usos lingüísticos regionais e coloquiais que já domunam. A noção essencial aí é a de adequação: existem usos adequados a um dado ato de comunicação verbal, e usos que são socialmente estighmatizados quando usados fora do contexto apropriado. A comparação com as regras de uso de vestimenta é esclarecedora: assim como difere o tipo de roupa a ser usada segundo o tpo de ocasião social, também diferem segundo a ocasião social as características da linguagem apropriada. Ficam socialmente estigmatizados os falantes inadimplentes às regras tácitas do jogo, tal como as pessoas que não cumprem as convenções sociais. Trecho de Heterogeneidade dialetal: um apelo à pesquisa (Tempo Brasileiro, abr/sey, 1978), da linguista e professora Miriam Lemle. Veja mais aqui.

MONÓLOGO DE POPULAREu pensava que era pobre. Aí, disseram que eu não era pobre, eu era necessitado. Aí, disseram que era autodfesa eu me considerar necessidade, eu era deficiente. Aí, disseram que deficiente era uma péssima imagem, eu era carenta. Aí, disseram que carente era um termo inadequado. Eu era desprivilegiado. Até hoje eu não tenho um tostão, mas tenho já um grande vocabulário. Extraído de cartum do humorista, escritor, cenógrafo e cartunista estadunidense Jules Feiffer. Veja mais aqui.

MÃE & FILHO NO ÔNIBUSPrimeiro diálogo - Mãe: Segure firme, querido. Criança: Por quê? Se você não segurar, vai ser jogado para a frente e vai cair. Por quê? Porque se o ônibus parar de repente, você vai ser jogado no banco da frente. Por quê? Agora, querido, segure firme e não crie caso. Segundo diálogo - Mãe: Segure firme. Criança: Por quê? Segure firme. Por quê? Segure firme. Por quê. Você vai cair. Por quê? Eu mande você segurar firme, não mandei? Trecho da obra Estrutura social, linguagem e aprendizagem (Queiroz, 1982), do sociólogo britânico Basil Bernstein (1924-2000).

O PRIMEIRO BEIJO –[...] De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro hole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos. Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estatua fitando-o e viu que era a estatua de uma mulher e que era a boca da mulher que saia a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água. E soube então que havia colado sua boca na boca da estatua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra. Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado: mas não é de uma mulher que sai o liquido vivificador, o liquido germinador da vida... olhou a estátua nua. Ele a havia beijado. [...] Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido. Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil. Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem. Trechos extraídos da obra O primeiro beijo & outros contos: antologia (Ática, 1995), da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui e aqui.

VERSOS AO BEM AMADOSe me disseres que se pressente / o hálito sutil da borboleta / ao adejar sobre as flores; / que foi achada a sandália de cristal / que, em sua fuga, Cendrillon perdeu... / se me disseres que a poesia é prosa; / que à mulher se pode confiar segredos; / que os lírios falam; / que o azul é róseo... / se me disseres que o astro luminoso / ao vagalume rouba o seu lugar; / que o Sol não passa de uma joia rara / que a Noite usa presa em seus véus;/ se me disseres que não existe mais / uma só amora à bera das estrdas; / que as penas d’um beija-flor são mais pesadas / que as penas dum coração... / quando me falas foge a tristeza, vencida, escravizada. / Se me disseres que a Ventura existe, e que me adoras... - / Vê que absurdo, amor! / eu te crerei. Poema da poeta e atriz francêsa Rosemonde Gérard (1866-1953).

YARA: O FASCINIO IRRESTIVEL DA MULHER
Yara, linda mulher cor de jambo, de traços finos e de figura soberba, vivia passeando pelas praias do Amazonas. Gostava de banhar-se em igarapés tranqüilos e de águas claras. Os jovens seguiam para conquistar-lhe a atenção e, com a atenção, o coração. Os velhos a olhavam com olhares languidos, sabendo de antemão da impossibilidade de qualquer favor. Yara via e sentia tudo. mas se dava demasiada importância, negando-se a todos. Passva, altaneira, como se desfilasse, solitária, diante de uma multidão de admiradores.  Fazia ouvidos moucos tanto aos elogios educados de alguns quanto aos assobios atrevidos de outros. Certo dia, o sol já posto, estava a linda Yara divertindo-se inatenta nas águas corredias do igarapé que mais apreciava. O tempo corria e ela se entregava ao prazer do corpo que emergia, ainda mais fascinante, do borbulhar das águas. Eis que escutou vozes barulhentas se aproximando. Não eram de seus irmãos e irmãs da tribo. Voltando-se, viu que eram homens brancos. Falavam uma língua estranha, com sons de agressividade. Traziam botas pesadas e roupas rudes. Seus olhares eram de cobiça e não de enternecimento. Pareciam animais famintos. As vozes em sua direção se faziam ameaçadorass. Yara, feminina, tudo pressentiu. Tentou fugir. Seu corpo era escorregadio e ela ágil. Mas mãos fortes a agarraram. Eram muitas. Todas a tocavam em todas as partes. A intimidade foi ameaçada. Com violência foi jogada ao chão. as areaias, antes macias, agora pareciam espinhos. Yara foi amordaçada e imobilizada. Por fim, violada por todos, um após o outro, em fila. Yara desmaiou. Parecendo morta, foi jogada ao rio. Os homens animalizados se afastaram no escuro da mata. Fez-se noite. O Espírito das águas teve imensa pena de Yara. Acolheu seu corpo machucado. Inspirou-lhe vida e devolveu-lhe todo o esplendor de sua beleza. Mas, para que não pudesse nunca mais ser violada, transformou-a em sereia. Metade do seu corpo, a parte de cima, de mulher, fascinante, de olhos de mel e de cabelos longos luzidios. Os homens sentir-se-ão atraídos por eçla. Jogar-se-ão atrevidos e loucos às águas para agarrá-la, abraçá-la e beijá-la. Mas a outra metade do corpo, a de baixo, escondida nas águas, tem a forma de peixe. Com isso pode viver sempre nas águas como em sua casa. Conversa com os peixes grandes e pequenos, que brincam ao seu redor, beliscando-lhe inocentemente a pele cor de jambo. Mas ai daqueles que lhe quiserem fazer mal, agarrá-la com violência e arrancar-lhe o afeto. Yara os tome, firme, pelas mãos e os leva, como se estivessem enfeitiçados para as águas profundas. E nunca se ouviu dizer que alguém voltou de lá vivo.
Entraído da obra O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil (Salamandra, 2001), do escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. Imagem: Art by Yara Damian. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
Reflexões de jornada à sombra da amendoeira, o pensamento de Albert Einstein, a música de William Byrd, a pintura de Jeff Kolker & Otgo aqui.
Mulher & Solidariedade, Sêneca, Molière, a música de Joyce & Julia Crystal, a pintura de Paulo Paede, a literatura de Nilza Amaral, a poesia de Dilercy Adler, o cinema de Neil Jordan & Ruth Negga, a arte de Claudinha Cabral & A mulher medieval aqui.
Zygmunt Bauman, Filosofia & Psicologia de Ken Wilber, a literatura de Kenzaburo Oe, A música de Franz Schubert & Maria João Pires, Kate Beckinsale, a pintura de Tereza Costa Rego & Tunga aqui.
Qualidade no atendimento do serviço público aqui.
Big Shit Bôbras: o carnaval, a terceira emboança aqui.
Solidariedade aqui.
Carlo, uma elegia aqui.
O ex-mágico de Murilo Rubião aqui.
A magia do olhar de quem chega aqui.
Papa Highhirte de Oduvaldo Vianna Filho aqui.
Wilson cantarolando pé de serra, Direito & Psicologia da Saúde aqui.
A arte de Zé Linaldo, Direito, Abuso Sexual, Psicologia & Sociologia aqui.
Contratos Mercantis & Denise Dalmacchio, Fernanda Guimarães, Jussanam, Consiglia Latorre, Aline Calixto & Fátima Lacerda aqui.
Hora de chegada aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Rosana Paulino.
Veja mais aqui.
 

quinta-feira, março 07, 2013

CHAPMAN CATT, GREENE BALCH, SUSANNAH YORK, JACQUES VACHÉ, LANZA DEL VASTO, VIDAS SECAS & LITERATURA

 


TRÊS PRA ABRIR A CONTA – UMA: É PRECISO TER CORAGEM – Nunca fui de abrir da vela, ou me acovardar. Sempre fui até o limite, às vezes até mais. A coisa pegou mesmo na adolescência, quando tive acesso aos dizeres da ativista estadunidense Carrie Chapman Catt (1859-1947): Arregace as mangas, decida-se a fazer história e lute de tal forma pela liberdade que o mundo inteiro respeitará nosso sexo. Quando uma causa justa atinge sua maré alta, como aconteceu com a nossa naquele país, o que quer que esteja no caminho deve cair diante de seu poder avassalador. Este mundo não ensinou nada de habilidoso à mulher e depois disse que seu trabalho não tinha valor. Não lhe permitia opiniões e dizia que não sabia pensar. Proibiu-a de falar em público, e disse que o sexo não tinha oradores. Negou-lhe as escolas e disse que o sexo não tinha genialidade. Isso roubou dela todos os vestígios de responsabilidade e então a chamou de fraca. Se as meninas levavam um incentivo, por que não eu, jovem mancebo que queria ir além que os próprios limites, não deu outra: emboquei sério e persegui meus ideais, mesmo que nada tenha dado certo até agora. Tentei e continuo tentando, sou persistente. DUAS: PACIÊNCIA NUNCA É DEMAIS – Como eu dizia, desde menino fui hiperativo! Fazia tudo às carreiras, às pressas. Ao dirigir, o acelerador do automóvel era pé fundo, tinha que dar o tanto do velocímetro. Na hora da pergunta mais demorada, na metade eu já respondia, o que me levou muitas vezes a reconsiderar porque o inquiridor não tinha terminado. Pois bem, é preciso ter paciência. E isso aprendi com a escritor e economista estadunidense, Emily Greene Balch (1867-1961): É natural tentar entender o próprio tempo e procurar analisar as forças que a movimentam... Vamo-nos pacientes um com o outro e até mesmo pacientes com nós mesmos. Nós temos um longo caminho de ir. Não precisa apressar ao longo da estrada, o caminho da ternura e generosidade humana, podemos encontrar as mãos do outro no escuro. Por isso mesmo, hoje mais que cinquentão, digo: calma, paciência nunca é demais. (Veja mais dela aqui e aqui). TRÊS: O AMOR É LINDO – Tive oportunidade de assistir alguns dos muitos filmes da linda atriz e ativista britânica Susannah York (1939-2011). Tanto é que até uma frase dela eu decorei e guardo até hoje: Sinto que gostaria de compartilhar minha sorte e minha vida. Estar apaixonado é a melhor coisa do mundo... Comungo com ela, afinal o amor é mesmo muito lindo.

 


DITOS & DESDITOS - Na guerra não se deseja a paz: é a vitória, coisa bem diferente... Engano grosseiro pensar que a paz consiste em permanecer imóvel; não há paz, mas em uma ascensão contínua. A guerra que irrompe é a guerra que se mostra; o que eles chamam de paz é a guerra que está escondida. Se você quer evitar a guerra, faça as pazes... Aquele que prega a paz ao mundo e não a carrega dentro de si é um impostor, e o mundo não se engana. A filosofia suprema é a doutrina da conciliação dos opostos. Pensamento do filósofo, artista, ativista e escritor italiano Lanza del Vasto (Giuseppe Giovanni Luigi Maria Enrico Lanza di Trabia-Branciforte – 1901-1981).

 

ALGUÉM FALOU: Nada mata mais um homem do que ser forçado a representar um país... Pensamento do escritor francês Jacques Vaché (1895-1919), autor do livro Cartas de Guerra, que influenciou André Breton.

 

Foto: Franz Larese, Erker-Galerie, Easter 1971, Burano, Italy

EZRA POUND: ABC DA LITERATURA - O poeta, músico, crítico norte-americano e uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do séc. XX, Ezra Weston Loomis Pound (1885-1971), é autor de obras como “A lume spento”, “The spirit of romance”, “Instigations”, “Cantos”, dentre outras. Foi co-editor da revista Blast e editor da Little Review.
Contribuiu para formação de diversos movimentos literários, a exemplo do Imagismo e do Vorticismo. Suas idéias levaram-no à defesa do fascismo italiano resultando na sua prisão em 1945 e, posteriormente, internado num hospital psiquiátrico nos Estados Unidos como mentalmente incapaz. Por sua obra, Pound continua sendo um dos maiores renovadores da linguagem poética e um controverso intelectual do século passado. Dentre as suas obras é encontrada “ABC da Literatura”, traduzido por Augusto de Campos e José Paulo Paes, onde Poind traz estudos acerca de como estudar poesia, abordando questões como condições de laboratório, método ideogrâmico, Literatura, utilidade da linguagem, compasso, testes e exercícios de composição, liberdade, estudo, percepção, gostos, instrução, documentos, estilos de época e uma mini-antologia do Paideuma Pondiano reunindo Homero, Safo, Catulo, Ovídio, Dante, Shakespeare, Browning, Fitzgerald, Rimbaud, Corbiére, dentre outros. É indubitavelmente uma obra importante para os estudantes, leitores e militantes Literatura.  Veja mais aqui e aqui.

POUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo: Cultrix, 1977.


O QUE SE DEVE LER PARA CONHECER O BRASIL - SODRÉ, Nelson Werneck Sodré. O que se deve ler para conhecer o Brasil. Rio de Janeiro: INEP/MEC, 1960. - O livro “O que se deve ler para conhecer o Brasil”, do eminente historiador carioca Nelson Werneck Sodré (1911-1999) é dividido em 3 partes: a primeira, compreendendo o desenvolvimento histórico onde aborda a Europa no séc. XV, a formação nacional portuguesa, a técnica de navegação, a expansão ultramarina, a feitoria e o escambo, o indígena, a colonização e as donatarias, a cultura do açúcar, o tráfico negreiro e trabalho servil, a catequese religiosa, bandeirismo de apresamento, domínio holandês, a expansão geográfica, a mineração do ouro, a conquista do sertão, a conquista das pastagens sulinas, a sociedade colonial, o declínio colonial e as inconfidências, a elaboração da independência, a crise da regência, o apogeu do império, a questão platina, o declínio do império, a abolição, a república, o governo das oligarquias e a revolução brasileira. Na segunda parte do livro estão os estudos especiais que compreendem estudos históricos, econômicos, sociais, institucionais, geográficos, militares, antropológicos, lingüísticos, educacionais e territoriais. A terceira parte do livro compreende a cultura brasileira abordando o folclore, as artes, a ciência, a literatura, a imprensa e os costumes.
OBRAS DE NELSON WERNECK SODRÉ: Panorama do Segundo Império (1939);Oeste. Ensaio sobre a Grande Propriedade Pastoril (1941; 1990); Orientação do Pensamento Brasileiro (1942); Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil (1943); Formação da Sociedade Brasileira (1944); O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil (1a edição em 1945; 8a edição em 1988); Nabuco e o Pan-americanismo (1949);Martírio e Glória do Alferes Tiradentes (1952);O Tratado de Methuen (1957); As Classes Sociais no Brasil (1957); Introdução à Revolução Brasileira (1a edição em 1958; 4a edição em 1978); Narrativas Militares (1959);Raízes Históricas do Nacionalismo Brasileiro (1959); Revisão de Euclides da Cunha (1959);A Ideologia do Colonialismo (1a edição em 1961; 3a edição em 1984);Formação Histórica do Brasil (1a edição em 1962; 13a edição em 1990);Quem é o Povo no Brasil? (1962; 1963); Quem Matou Kennedy (1963; 1964);História da Burguesia Brasileira (1a edição em 1964; 4a edição em 7984);Evolución Social y Económica del Brasil (1964);História Nova do Brasil (1964), em co-autoria; História Militar do Brasil, Rio (1a edição em 1965; 3a edição em 1979);O Naturalismo no Brasil (1965; 1991);Ofício de Escritor (1965);As Razões da independência (1a edição em 1965; 4a edição em 1984); História da Imprensa no Brasil (1a edição em 1966; 3a edição em 1983);Memórias de um Soldado (1967; 1986);Fundamentos da Estética Marxista (1968), organizador;Fundamentos da Economia Marxista (1968), organizador;Fundamentos do Materialismo Histórico (1968), organizador;Fundamentos do Materialismo Dialética (1968), organizador;Síntese de História da Cultura Brasileira (1a edição em 1970; 17a edição em 1994);Memórias de um Escritor (1970);Brasil. Radiografia de um Modelo (1a edição em 1974; 7a edição em 1987);Introdução à Geografia (1a edição em 1976; 9a edição em 1993);A Verdade sobre o 1SEB (1978);Oscar Niemeyer (1978);A Coluna Prestes (1a edição em 1978; 5a edição em 1986);Vida e Morte da Ditadura (1984; 1984);Contribuição à História do PCB (1985);História e Materialismo Histórico no Brasil (1985; 1987);O Tenentismo (1985);História da História Nova (1986; 1987);A Intentona Comunista de 35 (1987);O Governo Militar Secreto (1987);Literatura e História no Brasil Contemporâneo (1987);Em Defesa da Cultura (1988);Educação Social e Econômica do Brasil (1988; 1996);A Marcha para o Nazismo (1989);A República. Uma Visão Histórica (1990);Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil (1990);A Luta pela Cultura (1990);O Fascismo Cotidiano (1990);A Ofensiva Reacionária (1992);História Nova do Brasil (1993);A Fúria de Calibã (1994);A Farsa do Neoliberalismo (1a edição em 1995; 3a edição em 1996).História da Literatura Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos (1 edição em 1938; 8a edição em 1988)

REFERÊNCIAS :
SODRÉ, Nelson Werneck. A Farsa do Neoliberalismo. 3a ed. Rio de Janeiro, Graphia, 1996.
________. A Luta pela Cultura. Rio de Janeiro, 1990.
________. Do Estado Novo à Ditadura Militar. Memórias de uni Soldado. Petrópolis, Vozes, 1988.
________. Do Tenentismo ao Estado Novo. Memórias de um Soldado. Petrópolis, Vozes, 1986.
________. Formação Histórica do Brasil. São Paulo, Brasiliense, 1973.
________. História da Imprensa no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966.
________. História da Literatura Brasileira. Seus Fundamentos Econômicos. São Paulo, Cultura Brasileira, 1938.
________. Introdução à Revolução Brasileira. Rio de Janeiro, 1967.
________. Memórias de um Escritor. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1970.
________. Síntese de História da Cultura Brasileira. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1989.
________.Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil. São Paulo, Livraria Marfins, 1943.




LITERATURA, CULTURA E SOCIEDADE – O livro “Literatura, cultura e sociedade”, organizado por José Niraldo de Farias e Sheila D. Maluf traz uma série de abordagens, a exemplo da de Belmira Magalgães acerca dos desejos de Sinhá Vitoria e a construção autoral de Graciliano Ramos em Vidas Secas, de Claudia Canuto sobre o arquétipo, história e a critica junguiana da cultura, Enaura Quizabeira Rosa e Silva entre Eros e Tânatos, a alegoria barroca, de Gunter Jarl Pressler com a teoria da recepção da obra literária: uma proposta à revisão da historiografia literária brasileira, Ivia Alves com as escritoras baianas do final do século XIXC, Izabel Brandão com mulheres na imprensa de Alagoas: esboço para um retrato em branco e preto; José Niraldo de Farias com mito, cultura e sociedade em Vozes Anoitecidas de Mia Couto; Lenice Pimentel com O fascínio do olhar: movimento barroco; Magnolia Rejane Andrade dos Santos com Fronteiras da continuidade: leitura criativa de poéticas visuais; Shaila D. Maluf com O publico no teatro convencional e no psicodrama – uma estética da recepção; Teoberto Landim com uma leitura da ficção contemporânea; e Vera Lucia Romariz Correia de Araujo com a tradição judaico-cristã na literatura ocidental: uma retórica, historia e macula.
FONTE:
FARIAS, José Niraldo; MALUF, Sheila D. Literatura, cultura e sociedade. Maceio: EDUFAL/PPGLL, 2001.





ANGUSTIA: 70 ANOS DEPOIS – O livro “Angustia: 70 anos depois”, organizados pelo professora Enaura Quixabeira Rosa e Silva traz apresentação de Francisco Reynaldo Amorim de Barros, a professora Enaura Q. R. e Silva abordando releituras de um texto desafiado, Luiz Gutemberg com Angustia – cânone alagoano, Belmira Magalhães com a política do favor na modernidade brasileira periférica, Lucia Maria Vieira da Rocha e Enaura Q. R. e Silva com Angustia – o romance de Maceió, Izabel F. O. Brandão com Marina de Graciliano e o poder devastador das idealizações, Marcos Serafim com o caráter dualista do herói, Maria Helena Melo de Moraes com Luis da Silva: o discurso da angustia, Roberto Sarmento Lima com Angustia: um ensaio das Memórias (ou as memórias de um eu encarcerado)?,Solange Chalita com o mundo sombrio de um herói problemático e Paulo Mercadante com o dominio da desventura em Graciliano Ramos.

Fonte:
SILVA, Enaura Quixabeira Rosa (Org). Angustia: 70 anos depois. Maceió: Catavento, 2006.




Ilustração de Vinicius Mattoso.

Marco na literatura brasileira, por trazer um relato contundente sobre a luta pela sobrevivência do sertanejo nordestino, além de abarcar uma crítica social às causas da miséria e do flagelo da estiagem, “Vidas Secas” já vendeu um milhão e meio de cópias e se encontra na sua centésima sétima (107ª) edição.
Intitulado “Vidas, para sempre secas?”, o evento-homenagem a Graciliano Ramos acontecerá a partir deste sábado, 1º de novembro (prosseguindo até o dia 30), nos Centros Culturais Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108) e Cariri (rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855) – este, em Juazeiro do Norte, na região sul do Ceará.
Atualidade e permanência da obra: Através de atividades como oficinas de leitura, mesas de debates, leituras guiadas, exposição temática e bibliográfica, seminário avançado, exibição de filmes, documentários e depoimentos, conduzidas por professores vinculados a várias universidades brasileiras (Ceará, São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal), além de pesquisadores e artistas, o evento multimídia tem por finalidade criar uma interação entre o mundo daquelas vidas secas e a sensibilidade de quem se propõe a conhecê-las. O objetivo é discutir a atualidade e a permanência de “Vidas Secas”, romance representativo da cultura brasileira contemporânea, conforme avaliação da Fundação William Faulkner (EUA). A série de atividades contará com palestras e debates com a professora Elizabeth Ramos (neta de Graciliano), da pós-graduação em Letras da Universidade Federal da Bahia, e com o professor, ensaísta, editor e pesquisador Wander Melo Miranda, supervisor do projeto de reedição da obra completa de Graciliano Ramos, autor do livro “Folha Explica Graciliano Ramos” e titular de Teoria da Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais, entre outros estudiosos da obra do romancista.
O evento multimídia em torno da obra e vida do escritor alagoano tem curadoria e produção dos professores, pesquisadores e ensaístas Fernanda Coutinho e Miguel Leocádio Araújo, ambos da pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará. Leitura guiada para alunos de escolas públicas: O evento tem início neste sábado, 1º, às 10h30, no CCBNB-Fortaleza, com uma leitura guiada do romance “Vidas Secas” (Fragmentos de Vidas: a trilha de Fabiano e sua família), para grupos de alunos de escolas públicas de Fortaleza e da região metropolitana, dentro do programa Escola de Cultura. A leitura guiada pela professora Fernanda Coutinho e Sávio André Cavalcante, graduando em Letras pela UFC, prossegue até às 12h30. No próximo dia 7 (sexta-feira), também de 10h30 às 12h30, será exibido o filme “Vidas Secas”, longa-metragem dirigido e lançado pelo cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos em 1963, em preto-e-branco (p&b), com duração de 103 minutos. Este foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca. Nesta película, é perceptível a influência marcante do neo-realismo italiano na obra do diretor Nelson Pereira dos Santos. O filme foi premiado nos Festivais de Cannes (França, 1964) e de Gênova (Itália, 1965). Exposição temática e seminário avançado: no dia 12 (sexta-feira), às 17 horas, será aberta a exposição temática “Caras Murchas das Vidas Secas”. Com curadoria de Fernanda Coutinho e Miguel Leocádio Araújo, a mostra traz farta bibliografia e material iconográfico sobre a obra magna de Graciliano Ramos, bem como a sua fortuna crítica. A exposição fica em cartaz até 30 de novembro. Por sua vez, o seminário avançado “Vidas, para sempre secas?” acontece no CCBNB-Fortaleza, nos dias 12 e 13 (quarta e quinta-feira), de 17h às 20h, e no CCBNB-Cariri, no dia 14 (sexta-feira), de 15h às 20h. Em Fortaleza, no dia 12, com mediação da professora Neuma Cavalcante (Letras, UFC), serão apresentados os seguintes temas: “Gestos e palavras: a sabedoria feminina em Vidas Secas”, com Vera Moraes (Letras, UFC); “Graciliano Ramos: ‘não silenciou sobre seu tempo’, com Odalice de Castro Silva (Letras, UFC); “O devir animal e criança em Vidas Secas”, com Peregrina Cavalcante (Sociologia, UFC); e o professor Zenir Campos Reis (Letras, USP), com tema ainda não definido.
Série de debates e leituras dramatizadas: O seminário prossegue no dia 13 no CCBNB-Fortaleza, a partir das 17h, com mediação do professor Adriano Espínola (Letras, UFC). Nesse dia, serão apresentadas as seguintes palestras: “Estranhos à festa”, com a neta de Graciliano, professora Elizabeth Ramos (Letras, UFBA); “Uma certa aliança: o amor representado em Vidas Secas”, com Mirella Márcia Longo (Letras, UFBA/CNPq); “As contas de Vidas Secas: fuga ou mudança?”, com Hermegildo Bastos (Letras, UnB); e “Animais e seres humanos: formas de conviviabilidade”, com Fernanda Coutinho e Miguel Leocádio Araújo. No dia 14, o seminário se transfere para o CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte. Lá, a partir das 15h, acontecerá uma leitura dramatizada de trechos do romance “Vidas Secas”. Às 16h, os professores Elizabeth Ramos, Fernanda Coutinho e Miguel Leocádio Araújo debatem com a platéia o tema “O que Vidas Secas nos quer dizer?”. O encerramento do seminário será às 20h. No dia 25 de novembro (terça-feira), a partir das 19h, o programa de debates Literato terá como figura central o professor, ensaísta, editor e pesquisador Wander Melo Miranda (UFMG), responsável pela reedição da obra completa de Graciliano Ramos. No programa, ele dialogará com a professora Fernanda Coutinho, sobre as dimensões adquiridas pela obra do escritor alagoano no cenário cultural brasileiro, desde a sua inserção no Romance de 1930 até às leituras efetuadas pela nossa contemporaneidade.



VIDAS SECAS - Resumo do romance “Vidas Secas”: O livro “Vidas Secas” retrata a vida de pessoas que vivem no sertão brasileiro e o sacrifício delas para sobreviver. Tendo como tema a luta pela sobrevivência diante do flagelo da estiagem, o autor traz em seus personagens muito da alma nordestina nos traços de Fabiano e sua família. Os principais personagens são: Fabiano, Sinhá Vitória, Menino mais Velho, Menino mais Novo, a cachorra (Baleia) e o papagaio, que a família come para aliviar a fome. Foi publicado em 1938 e aborda a problemática da seca e da opressão social no Nordeste do Brasil. Ao contrário dos romances anteriores, é uma narrativa em terceira pessoa, com o discurso indireto livre predominante, com a finalidade de penetrar no mundo introspectivo dos personagens, já que esses não têm o domínio da linguagem necessário para estabelecer a comunicação. O romance tem um caráter fragmentário. São “quadros”, episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Como coloca o crítico Affonso Romano de Sant’Anna: “estamos sem dúvida diante de uma obra singular, onde a história é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedece a um critério aleatório”.



"Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer"

Graciliano Ramos (1892-1953) é considerado um dos mais importantes escritores do moderno romance brasileiro. Ele nasceu no sertão alagoano e começa publicando na revista carioca "O Malho" sonetos sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença. Depois adota outros pseudônimos: S. de Almeida Cunha, Soares de Almeida Cunha e Lambda, este usado em trabalhos de prosa, além de Soeiro Lobato. Chegou a ser prefeito de Palmeira dos Índios, dedicando-se posteriormente ao jornalismo e à publicidade, sendo revisor de jornais no Rio de Janeiro e diretor da imprensa e da instrução do estado de Alagoas de 1930 a 1936, sempre demonstrando preocupação com o ensino no Brasil. Foi preso em 1936, sob a suspeita de ligação com o Partido Comunista Brasileiro, sendo humilhado dentro dos presídios por onde passou. Em 1945, filia-se ao Comunismo, viajando por vários países socialistas. No início dos anos 50, já consagrado como romancista, falece de câncer na capital carioca. Suas principais obras: Romances: Caetés (1933); São Bernardo (1938); Angústias (1936); Vidas Secas (1938). Conto: Insônia (1947). Memórias: Infância (1945); Memórias do Cárcere (1953); Viagem (1954); Linhas Tortas (1962); Viventes das Alagoas (1962). Literatura Infantil: Histórias de Alexandre (1944); Dois dedos (1945); Histórias Incompletas (1946).
Gracialiano Ramos se destaca como romancista da segunda fase do Modernismo (1930 - 1945), tornando sua obra mais uma vertente de nosso rico romance regionalista. Com estilo seco, conciso e sintético, muitas vezes frio, enxuto e impessoal, repleto de senso psicológico, o autor deixa de lado o sentimentalismo a favor de uma objetividade e clareza, sabendo exprimir a amarga realidade do homem nordestino com agudeza.
Umas das suas mais importantes obras é Vidas Secas, um romance narrado em terceira pessoa, com narrador onisciente, com discursos indiretos livres, revelando o interior dos personagens através de monólogos interiores. O foco narrativo ganha destaque ao converter em palavras os anseios e pensamentos das personagens. O tempo de narrativa medeia duas secas. A primeira que traz a família para a fazenda e a segunda que a leva para o Sul. Mesmo possuindo algumas referências cronológicas na obra, o tempo é psicológico e circular. O espaço é físico, refere-se ao sertão nordestino, descrito com precisão pelo autor.
VIDAS SECAS aborda a problemática seca e a opressão social. O romance tem um caráter fragmentário . São "quadros", episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Mesmo com esse tipo de estrutura, há uma proximidade entre o primeiro capítulo: Mudança- a chegada de uma família de retirantes - e o último: Fuga - a mudança da família que , diante da seca, foge para o sul. Esse caráter mostra que o romance é cíclico, onde o mundo se fecha para a família de Fabiano, saindo de uma mera classificação regionalista para mostrar o drama que o Homem sofre com a opressão do mundo. Os personagens, Fabiano e sua família, pessoas de pouca fala. Fabiano é um nordestino pobre e ignorante que desesperadamente procura trabalho, bebe muito e perde dinheiro no jogo. Sinhá Vitória, mulher de Fabiano, sofrida, mãe de 2 filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito na vida. Os meninos são crianças pobres sofridas e que não tem noção da própria miséria que vivem. A ausência de nomes e de caracteres específicos acaba por projetá-los ao anonimato, formulando assim um caráter de denúncia. Baleia, a cadela da família, tratada como gente, muito querida pelas crianças. Seu Tomás Bolandeira é um personagem que só aparece por meio de lembranças e tido como referência para Fabiano e sinha Vitória. Já o soldado amarelo, o dono da fazenda, o fiscal da prefeitura e o seu Inácio dono do bar, são representantes das instituições sociais que oprimem Fabiano. A história começa com a fuga de uma família nordestina fugindo da seca do sertão. No primeiro capítulo – Mudança -, traz o trajeto de quatro pessoas retirantes – o pai, Fabiano, sua família -, e uma cachorrinha, a Baleia, que se arrastam numa peregrinação silenciosa pela paisagem hostil do sertão nordestino. Até que chegam numa fazenda abandonada e pretendem ali se estabelecer. No segundo capítulo – Fabiano -, a família retirante se aloja na fazenda, mas são expulsos logo depois, conseguindo, o pai ficar ali como vaqueiro. E sobreviveram. No terceiro capítulo – Cadeia -, Fabiano vai à feira para compra de mantimentos, aproveita e toma umas pingas, quando conhece o soldado amarelo que o convida para um jogo de cartas. Perderam dinheiro no jogo, quando Fabiano é humilhado até se desentender com o soldado que o leva preso. No capítulo quarto - Sinhá Vitória -, irritada discutia com o Fabiano uma cama melhor. Era o desejo deles: uma cama nova. Vem, então, o quinto capitulo – O menino mais novo -, Fabiano vaqueiro domava égua brava, enchendo de orgulho o filho caçula que imitava o pai. Tentando imitá-lo o menino tenta dominar uma cabra que o domina, humilhando-o na frente do mais velho. No sexto capítulo – O menino mais velho -, o mais graúdo dos filhos fica intrigado com o inferno, inquirindo pai e mãe a respeito, obtendo indiferença, entendendo tratar-se de um lugar ruim e perigoso, cheio de jararacas e pessoas levando cascudos e pancadas com a bainha da faca. Já no sétimo capítulo – Inverno -, o cenário apresenta a reunião da família em torno do fogo contra o frio do vento e da água agitada. Era a certeza de que a seca não chegaria tão cedo. No oitavo capítulo – Festa – a família reunida segue para a cidade nos festejos natalinos. A família segue para a igreja e depois para o carrossel e as barracas de jogos. Fabiano embriagou-se e armou-se de valentia, até que aquietou-se e dormiu no chão. Sinha Vitória, aflita, tinha que olhar os meninos, não podia deixar o marido naquele estado. Os meninos também estavam aflitos. Baleia sumira na confusão de pessoas, e o medo de que ela se perdesse e não mais voltasse era grande. Distante de tudo, Fabiano roncava e sonhava com soldados amarelos. No nono capítulo – Baleia –, a cadelinha debilitada, considerada um membro da família, foi sacrificada pelo pai. No décimo capítulo – Contas -, o vaqueiro Fabiano recolhia os rendimentos dos cabritos e bezerros, foi fazer acerto das contas com o patrão. Sentia-se enganado e cada vez mais endividado. Seu destino era trabalhar para os outros, assim como fora com seu pai e seu avô. No décimo primeiro capítulo – O soldado amarelo -, Fabiano caçava uma égua fugida quando se depara com o soldado amarelo que o prendera e humilhara anos atrás. Houve um clima de confronto, mas Fabiano tirou o chapéu numa reverência e ainda ensinou o caminho ao amarelo. No décimo segundo capítulo - O Mundo Coberto de Penas -, a seca ameaçava, era sinal de uma nova peregrinação, uma nova fuga. Era só desgraça atrás de desgraça. Era necessário ir embora daquele lugar maldito. Quando o décimo terceiro capítulo – Fuga -, quando Fabiano vê tudo esgotado ao seu redor e reuniu a família, partiram de madrugada, abandonando tudo como encontraram. O caminho era o do sul. A cidade, talvez, fosse melhor. Até uma cama poderiam arranjar. Deveria haveria uma nova terra, cheia de oportunidades, distante do sertão a formar homens brutos e fortes como eles. REFERÊNCIA: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Livraria Martins, 1969.

GRACIALINAO RAMOS: Biografia - Primogênito de dezesseis filhos do casal Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ramos, Graciliano viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Volta para o Nordeste em setembro de 1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano, casa-se com Maria Augusta de Barros, que morre em 1920, deixando-lhe quatro filhos. Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Manter-se-ia no cargo por dois anos, renunciando em 10 de abril de 1930. Segundo uma das auto-descrições , “(...) quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas”. Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Schmidt, editor carioca que o animou a publicar “Caetés”, em 1933. Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública de Alagoas. Em 1934, havia publicado “São Bernardo”, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado pelo presidente Getúlio Vargas após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar “Angústia” (1936), considerada por muitos críticos como a melhor obra. Graciliano Ramos é libertado em janeiro de 1937. As experiências da cadeia, entretanto, ficariam gravadas em um obra publicada postumamente, “Memórias do cárcere” (1953), relato franco dos desmandos e incoerências da ditadura (Estado Novo) a que estava submetida o Brasil. Em 1938, publicou “Vidas Secas”. Em seguida, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945, ingressou no Partido Comunista do Brasil – PCB (que nos anos 1960, dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro – PCB – e Partido Comunista do Brasil – PcdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes. Nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro “Viagem” (1954). Ainda em 1945, publicou “Infância”, relato autobiográfico. Adoeceu gravemente em 1952. No início de 1953 foi internado. Faleceu em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão. O estilo formal da escrita e a caracterização do eu em constante conflito (até mesmo violento) com o mundo, a opressão e a dor seriam marcas da sua literatura. Dono de estilo contundente e direto, Graciliano Ramos é um dos mais importantes autores da literatura brasileira, cujo interesse estético é inseparável do comprometimento ético. Seja por suas intervenções no campo político, pelo empenho em favor dos oprimidos ou ainda pela defesa do artista no mundo moderno, Graciliano Ramos reafirma, de modo inconfundível, o vínculo entre literatura e vida. Ler os livros do escritor alagoano é tarefa fundamental para todos que têm interesse em entender o Brasil – e entender a si mesmos. Veja mais aqui e aqui.


LEONARDO BOFF: TEOLOGIA DO CATIVEIRO E DA LIBERTAÇÃO

O teólogo, escritor e professor universitário Leonardo Boff (Genério Darci Boff), é um dos expoentes da Teologia da Libertação. Neste sentido escreveu o livro “Teologia do cativeiro e da libertação” onde aborda questões como a hermenêutica da consciência histórica da libertação, a teologia a partir do cativeiro e da libertação, a teologia como libertação e esta como teologia, o processo de libertação, a anti-história dos humilhados e ofendidos, a estrutura da modernidade, ensaio crítico de de-construção e de construção teológica, vida religiosa no processo de libertação, a igreja no processo de libertação e pobreza e libertação dentro da espiritualidade de compromisso e solidariedade.

BOFF, Leonardo. Teologia do cativeiro e da libertação. São Paulo: Círculo do Livro, 1980.


Coleção editada pela editora portuguesa Presença em conjunto com a Livraria Martins Pontes, onde o ensaísta, poeta e critico literário espanhol Guillermo de Torre aborda em 6 volumes, o conceito e evolução da vanguarda, função da crítica literária e os movimentos futurismo, expressionismo, cubismo, ilogismo, instantaneísmo, dadaísmo, surrealismo, imaginismo, decadentismo, ultraísmo, modernismo, personalismo, existencialismo, iracundismo, frenetismo, cinematografismo, condutismo, concretismo, dentre outros.

TORRE, Guillermo. História das literaturas de vanguarda. Portugal/Brasil: Presneça/Martins Fontes, 1972.


HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL 
CARPEAUX, Otto Maria. História da Literatura Ocidental. 8 volumes. Rio de Janeiro: Alhambra, 1980.
O ensaísta, crítico literário, historiador e jornalista brasileiro, Otto Karpfen ficou conhecido como Otto Maria Carpeaux (Viena, 1900-Rio de Janeiro, 1978), realizou durante 50 anos de participação pública no Brasil, uma extensa obra, dentre elas, os oito volumes da História da Literatura Ocidental, abordando a herança da literatura grega, o mundo romano, o cristianismo, a fundação da Europa, o universalismo cristão, a literatura dos castelos e aldeias, a oposição burguesa e eclesiástica, a transição do Trecento, a Renascença e Reforma no Quatrocento e Cinquecento, o Barroco e Classicismo, o Rococó e a revolução pré-romântica, o Romantismo, a literatura burguesa do Realismo ao Naturalismo, o Fin de Siécle do Simbolismo até as revoltas modernistas e as tendências contemporâneas.

HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA
ROMERO, Silvio. História da Literatura Brasileira. 5 volumes. Rio de Janeiro/Brasília: J. Olympio/INL, 1980.
Silvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero (1851-1914) foi critico literário, ensaísta, poeta, filósofo, professor e político sergipano de expressão nacional. Dentre suas obras, está a História da Literatura Brasileira, em 5 volumes, abordando contribuições para o estudo do folclore brasileiro, o Brasil social e os elementos que o plasmaram, da crítica e sua exata definição, o período de formação, o período de desenvolvimento autonômico, a transição e a transformação romântica, retrospecto literário, artigos esparsos e quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira.



MIGUEL TORGA - Acabo de ser presenteado pela minha amiga médica, presidente da Sociedade Alagoana de Reumatologia e crítica literária, Cidinha Madeiro, com o livro “Miguel Torga: o médico e o poeta”, de Hilton Seda. O autor é professor emérito da PUC-Rio, Mestro de La Reumatologia Panamericana, professor Honoris Causa da UFBA e membro emérito da Academia Brasileira de Reumatologia.Contando com prefácio de Mario Viana Queiroz, apresentação de Fernando Neubarth e epílogo com o texto “Ao mestre, com carinho” da Cidinha Madeiro, o livro traz o exercício clínico do dr. Adolfo Correia da Rocha nos diários de Miguel Torga, Miguel Torga e a política, a religião e Deus, e a convivência do poeta com a sua doença.

FONTE:
SEDA, Hilton. Miguel Torga: o médico e o poeta. Porto Alegre: Kalligraphos, 2008.



IDEOGRAMA – o livro “Ideograma: lógica, poesia e linguagem”, organizado por Haroldo de Campos, reune uma série de estudos realizados pelo organizador, Ernest Fenollosa, Sierguei Einsenstein, Chang Tung-Sun, Yu-Kuang Chu e S. I. Hayakawa, abordando temas como ideograma, anagrama, diagrama, uma leitura de Fenollosa, os caracteries da escrita chinesa como instrumento para a poesia, o principio cinematografico e o ideograma, a teoria do conhecimento de um filosofo chines e o que significa estrutura aristotélica da linguagem.

FONTE:
CAMPOS, Haroldo (Org). Ideograma: logica, poesia, linguagem. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1977.

TEORIA DA LITERATURA – FORMALISTAS RUSSOS

A Teoria Literária dos formalistas russos R. Jakobson, J. Tynianov, O. Brik, B. Tomachevski, V. Propp, V. V. Vinogradov, B. Eikhebaum, V. Chklovski, V. Jirmunski, L. Trotsky, dentre outros, organizada por Dionísio de Oliveira Toledo com prefacio de Boris Schnaiderman, trata, na primeira parte, da problemática do formalismo, onde é abordado temas como a teoria do método formal, a arte como procedimento e a escola poética formalista e o marxismo. Na segunda parte trata das tarefas da estilística, os problemas dos estudos literários e lingüísticos, a noção de construção, a evolução literária e do reinado artístico. A terceira parte trata do poema sob a ótica do ritmo, sintaxe e o verso. Na última parte vem a narração sob o questionamento acerca da teoria da prosa, temática, a construção da novela e do romance, como é feito O capote de Gogol e as transformações dos contos fantásticos.

FONTE:
EIKEBAUM et al. Teoria da literatura: formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1978.

ROGEL SAMUEL é poeta, escritor, webjornalista e colunista do Blocos On Line, além de ser professor aposentado adjunto e doutor do Departamento de Ciência da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Dentre as suas obras, já publicou: Crítica da Escrita, em 1979; Manual de Teoria Literária, já com 14 edições; Literatura Básica, em 3 volumes, em 1985; O que é Teolit?, em 1986; 120 Poemas, em 1991; Novo manual de teoria literária, 4ª. Edição, em 2007 e o romance “O amante das amazonas”, 2005. Entre as suas obras está destacado o “Novo Manual de Teoria Literária”, excelente livro onde o autor aborda os conceitos básicos da teoria literária, a natureza do fenômeno literário, as questões do belo, do mito, do trágico e do fantástico, os gêneros literários, as teorias críticas, a dialética hegeliana, Nietzsche e a crítica dos valores, o século XIX no Brasil, a transição, o formalismo russo, a estilística, o New criticism, o estruturalismo, a semiologia, a hermenêutica literária, a crítica de Bachelard, a crítica psicanalítica, a critica marxista e neomarxista, a literatura e a história, a literatura comparada, os best sellers, cinema, TV, as teorias pós-modernas,a modernidade, a pós-modernidade, a teoria da recepção, pós-estruturalismo, Michel Foucault, desconstrução, teoria pos-colonial, a crítica feminista, a estética da contingência, poesia e filosofia da linguagem, interpretação e crítica, literatura e internet e, por fim, a terceira margem da crítica como exemplo de leitura de texto. O livro é fundamental para estudiosos da teoria literária e indispensáveis para estudantes graduandos e pós-graduandos.

FONTE:
ROGEL, Samuel. Novo Manuel de teoria literária. Petrópolis/RJ: Vozes, 2007.

RAÚL H. CASTAGNINO – TEMPO E EXPRESSÃO LITERÁRIA

O livro “Tempo e expressão literária” do doutor em Letras e catedrático das universidades de Buenos Aires e La Plata, Raúl H. Castagnino é dividida em duas partes: tempo e literatura, a primeira. E a segunda: tempo e teatro. Na primeira parte o autor trata acerca da dimensão tempo, da distância interior, a época, o tempo objetivo, subjetivo e psicológico em relação à lírica e ao romance. Na segunda parte trata acerca do fato teatral e o fato literário ante o tempo, o aristotelismo e o antiaristoteliosmo, o tempo relativista e o atual, J. W. Dunne e o tempo serial, Dunne e o tempo e os Conways de Priestley, o valor de teatro ou de ilustração de teorias e uma síntese bibliográfica.

FONTE:
CASTAGNINO, Raul. Tempo e expressão literária. São Paulo: Mestre Jou, 1970.


LINGÜÍSTICA E POÉTICA – O livro “Lingüística e poética” de Daniel Delas e Jacques Filliolet, aborda as aproximações retóricas desde a antiga e clássica até a lingüística, as aproximações intersubjetivas, estrutural e estilística, língua e fala, teoria lingüística e teoria do sujeito, mensagem poética e informação, a função poética, as realidades lingüísticas da mensagem poética, materiais para a descodificação sintática, semântica e prosódica, a poesia musical, poesia visual, marcas extensas e modelo métrico, espaço textual, espacialização, ideografia, percepção poética, seleção e integração, marcas internas de poeticidade, estrutura concreta e abstrata, percepção, integraão e lugares, gramática e comunicação.

FONTE:
DELAS, Daniel; FILLIOLET, Jacques. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1973.



OLIVEIROS LITRENTO – o escritor alagoano e advogado doutorado em Direito pela UFPE, Oliveiros Litrento, foi tenente-coronel professor de Direito Constitucional Penal Militar e Internacional Público na Aman, na UFRJ e na Gama Filho, premiado pela Academia Brasileira de Letras pela sua obra Apresentação da Literatura Brasileira. Esta sua obra trata as coordenadas da literatura brasileira, desde a herança etnográfica e o meio como elementos circunstanciais do estilo operando sobre o fator básico do tempo, as origens da literatura brasileira, a Renascença e o Barro na literatura colonial, o Neoclassicismo e o Arcadismo, Romantismo e independência literária, antecedentes pré-modernistas e o Modernismo, o Neomodernismo e as ramificações contemporâneas.

FONTE:
LITRENTO, Oliveiros. Apresentação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Forense/Universitária, 1978.


A obra “Sindicalismo X repressão – a história de Zé Eduardo, o líder do maior sindicato de camponeses do Brasil”, escrito pelo poeta sergipano Paulo Menezes, aborda questões atinentes ao processo de iniciação na luta sindical – engenho Limão, berço do sindicalismo e seus companheiros -, as ligas camponesas e os sindicatos, a vida de cubículos, o exílio na própria terra e o retorno à Palmares. O autor Paulo Menezes é licienciado em Pedagogia pela UFSE, professor e autor dos livros “Marcas do Silêncio” e do “Jogo-Vivo” em parceria com Felipe Maldaner.



Foto: Portal Salgueiro

RAIMUNDO CARRERO: OS SEGREDOS DA FICÇÃO
O premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero é autor de diversos livros e realiza uma série de trabalhos voltados para a Literatura. Como jornalista já trabalhou no rádio, televisão e jornais, tendo desempenhado funções de assessor de imprensa da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade Federal de Pernambuco. Integrou o Conselho Municipal de Cultura do Recife e já foi presidente da Fundação de Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco – FUNDARPE. É membro da cadeira 3 da Academia Pernambucana de Letras e dentre as suas obras publicou “Os segredos da ficção”, importante livro para quem almeja trabalhar no ofício de escritor.
O livro “Os segredos da ficção” é composto por quatro partes, sendo a primeira dela dedicada à Voz Narrativa, tecendo esclarecedora abordagem na busca do estilo e personalidade do escritor. A segunda parte é dedicada ao Processo Criador, onde o autor aborda questões acerca do impulso, intuição, técnica, pulsação narrativa e organização do processo criador. A terceira parte traz a Construção do Personagem, onde trata da gênese, conhecimento, apresentação do Rito e Autonomia, apresentação do esquema de olhares, a classificação e desenvolvimento. Na quarta e última parte o livro traz uma excelente bibliografia comentada. O livro é fundamental para iniciantes, aprendizes e confirmados escritores. Imperdível.

CARRERO, Raimundo. Os segredos da ficção: um guia da arte de escrever narrativas. Rio de Janeiro: Agir, 2005.


SEBASTIÃO HELENO & ECOS DEODORENSES – O livro “Ecos deodorenses” de Sebastião Heleno traz a história do município alagoano Marechal Deodoro, o patrimônio histórico, o povoado do Francês, o distrito da Massagueira, filhos ilustres, fotografias, perfil geral, fatos e curiosidades.

FONTE:
HELENO, Sebastião. Ecos deodorenses. Maceió: Edição do autor, 2009.




Veja mais sobre:
Por você na Crônica de amor por ela, Safo, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Autran Dourado, Regina Silveira, Khadja Nin, Alexandre Dáskalos, Sam Taylor-Wood, Erika Leonard James, Eduardo Schloesser, Dakota Johnson & Kel Monalisa aqui.

E mais:
Darcy Ribeiro, Autran Dourado, Damaris Cudworth Masham, Loius Claude de Saint-Martin, Juan Orrego-Salas, Irina Vitalievna Karkabi, Doença & Saúde aqui.
Farra do Biritoaldo aqui.
Educação Ambiental aqui.
Albert Camus, Maceió, Robert Musil, Denys Arcand, Jools Holland, Eugene Kennedy, Pál Fried, Sandu Liberman, Lady Gaga, Anna Luisa Traiano, Gestão do Conhecimento & do Capital Humano aqui.
Judicialização do SUS aqui.
Educação por água abaixo pra farra dos mal-educados aqui.
Depois da tempestade nem sempre uma bonança aqui.
É preciso respeitar as diferenças aqui.
Pra fazer do Brasil um país melhor tem que começar tudo em casa aqui.
A teoria de Anthony Giddens & a Introdução à estética de Ariano Suassuna aqui.
Solidariedade aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando no Tataritaritatá!!!!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...