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segunda-feira, julho 14, 2014

LEÏLA SLIMANI, YANA YAZOVA, HUGH LACEY, RUTH RENDELL & WANDA GÁG

 


UMA VEZ & QUANDO MAIS, YANA... – Ah, Lyuba, poderia eu ser o último dos pagãos que ouvira seu nome ecoar entre amanheceres nos meus versos anoitecidos, enquanto os seus de Dams singravam minhas vísceras incendiando o meu sangue. Quem a Ana Dulgerova na pena transcrita de Lyuba Todorova, quem o capitão que trilhou a trilogia balcãs de sua prodigiosa invenção. Sou mais que erradio seguindo seus passou. Rejeitada por todos, obrigada a desaparecer. Sumiu no mundo e era Lyuba Gancheva para as crianças da Blok em festa na reclusão rebelde diante da pressão comunista. Quem Levsky ameaçava-lhe a morte para sumirem todos os manuscritos sem deixar o menor vestígio: A obra constrói o seu criador. A treva de um destino dramático, não se sabe direito a razão, assassinada irrespondivelmente, heroína das sombras - vi-lhe Salt Gulf e era só Yana Yzova... Veja mais abaixo e mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Nossos filhos, quando pequenos, são parte de nós mesmos. Quando crescem, são apenas outras pessoas... Mal era uma palavra estúpida. Tinha o mesmo tipo de sentido, em grande parte sem sentido, amorfo, difuso, confuso, aplicado ao “amor”. Todos tinham uma vaga ideia do que significava, mas ninguém poderia defini-lo com precisão. Parecia, de certa forma, implicar algo sobrenatural... Existe visão mais triste do que uma biblioteca incendiada?... Pensamento da escritora britânica Ruth Rendell (Ruth Barbara Grasemann – 1930-2015), escrevia com o pseudônimo Barbara Vine. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Não suporto pensar em seguir os passos dos outros. E é isso que estão nos ensinando a fazer aqui na Ilustração... Muitas vezes penso: "e se meus leitores e várias pessoas que aparentemente têm uma opinião elevada sobre mim, e se soubessem que posso sentir amor por mais de um homem ao mesmo tempo, que durante anos houve três homens no meu amor- horizonte, que eu me entregue a ritos de amor bizarros e esotéricos com meus amantes! Será que eles, sabendo disso, me considerariam menos bom?... Pensamento da desenhista, escritora e artista estadunidense Wanda Gág (1893-1946). Veja mais aqui e aqui.

 

ENTENDER O MUNDO – [...]. entendemos o mundo em relação a um pano de fundo fornecido pelos paradigmas, que são essencialmente históricos e definem as estratégias de restrição e seleção da pesquisa, até mesmo o léxico das categorias que podem ser empregadas nas representações teóricas e nas descrições empíricas [...]. Trecho extraído da obra Valores e atividade científica (Scientiae Studia, 2008), do filósofo australiano Hugh Lacey. Veja mais aqui.

 

NO JARDIM DO OGRO - [...] Pessoas que nunca estão satisfeitas destroem tudo ao seu redor. [...] Se ela tivesse dito sim em voz alta, se tivesse concordado em participar voluntariamente da cena de amor, a excitação teria diminuído. Porque o que excitou a alma foi justamente ser traída pelo corpo que agiu contra a sua vontade, e testemunhar essa traição [...] Cada estação, cada aniversário, cada acontecimento na vida de alguém corresponde a um amante com o rosto borrado. em sua amnésia flutua a sensação reconfortante de ter existido mil vezes através do desejo dos outros. [...] Ela sempre gostou de estar com fome. Sentindo-se dobrar, mas não quebrar, ouvindo seu estômago gemer vazio e então conquistando sua necessidade, provando-se acima de tudo isso. A magreza tornou-se um modo de vida. [...] O amor é apenas paciência. Uma paciência piedosa, fanática e tirânica. Uma paciência excessivamente otimista. Ainda não terminamos. [...]. Trechos da obra Dans le jardin de l'ogre (Gallimard, 2014), da escritora e jornalista marroquina Leïla Slimani.

 

UM POEMA – Cores - minhas músicas, role \ minhas pedras afiadas. \ Meu povo é pequeno, está \ no campo, ele não consegue ouvir! \ E eu tenho peste neles, \ vampiros, lhamas… \ Mas minhas canções não podem, não querem \ morrer tão em vão!… Poema da escritora búlgara Yana Yazova (1912-1974), que também se assinava sob o pseudônimo de Liuba Todorova Gancheva e Liuba Gantcheva, autora dos livros Yazove (1931), Revolt (1934), Crosses (1935), Ana Dyulgerova (1936), The Captain (1940), Balkans (1987-1989), Alexander of Macedon (2002) e Salt Gulf (2003). Dela as frases recolhidas: O perdedor da batalha nem sempre é derrotado. Um homem que não conhece a história não tem olhos. Ele nunca pode lucrar com os bons exemplos e perde o trabalho em mil erros que foram cometidos antes dele. Os escravos só podem esperar algo bom se se tornarem soldados! Estar com frio e passar fome ao perseguir um objetivo, sim!... Não apenas ficar sentado em um moinho de vento e passar fome. Isso é miséria!... Ele pode congelar e morrer de fome o quanto quiser por apenas um ideal! Todo objetivo é alcançado por meio de atividades comuns e cotidianas. De vocês, cientistas, os simples devem entender o que é humanidade, honestidade, perseverança, amor ao próximo e finalmente aprender o que é pátria, liberdade! Se nossa vida servil for uma floresta impenetrável, nela nos tornaremos lobos! Se a natureza nos dá o direito natural de nos defendermos quando somos atacados, havia alguma lei aqui em seu país que desse esse direito a um escravo? A queda não é assustadora, mas é assustador aceitar a queda e justificá-la. Ninguém diga: é destino humano pisar na lama! Um homem inquieto não deve ter uma boa casa, mas uma cabana que dê pouca alegria aos seus inimigos.

 

DISCURSO DO MÉTODO, DE RENÉ DESCARTES - [...] Aqui está por que, apenas a idade me possibilitou sair da submissão aos meus preceptores, abandonei totalmente o estudo das letras. E, decidindo-me a não mais procurar outra ciência além daquela que poderia encontrar em mim mesmo, ou então no grande livro do mundo, aproveitei o resto de minha juventude para viajar, para ver cortes e exércitos, para frequentar pessoas de diferentes humores e condições, para fazer variadas experiências, para pôr a mim mesmo à prova nos reencontros que o destino me propunha e, por toda parte, para refletir a respeito das coisas que se me apresentavam, a fim de que eu pudesse tirar algum proveito delas. Pois acreditava poder encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um forma no que se refere aos negócios que lhe interessam, e cujo desfecho, se julgou mal, deve penalizá-lo logo em seguida, do que naqueles que um homem de letras forma em seu gabinete a respeito de especulações que não produzem efeito algum e que não lhe acarretam outra consequência salvo, talvez, a de lhe proporcionarem tanto mais vaidade quanto mais afastadas do senso comum, por causa do outro tanto de espírito e artimanha que necessitou empregar no esforço de torná-las prováveis. E eu sempre tive um enorme desejo de aprender a diferenciar o verdadeiro do falso, para ver claramente minhas ações e caminhar com segurança nesta vida. A verdade é que, ao limitar-me a observar os costumes dos outros homens, pouco encontrava que me satisfizesse, pois percebia neles quase tanta diversidade como a que notara anteriormente entre as opiniões dos filósofos. De forma que o maior proveito que daí tirei foi que, vendo uma quantidade de coisas que, apesar de nos parecerem muito extravagantes e ridículas, são comumente recebidas e aprovadas por outros grandes povos, aprendi a não acreditar com demasiada convicção em nada do que me havia sido inculcado só pelo exemplo e pelo hábito;e, dessa maneira, pouco a pouco, livrei-me de muitos enganos que ofuscam a nossa razão e nos tornar menos capazes de ouvir a razão. Porém, após dedicar-me por alguns anos em estudar assim no livro do mundo, e em procurar adquirir alguma experiência, tomei um dia a decisão de estudar também a mim próprio e de empregar todas as forças de meu espírito na escolha dos caminhos que iria seguir. Isso, a meu ver, trouxe-me muito melhor resultado do que se nunca tivesse me distanciado de meu país e de meus livros. [...] O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu nãoconhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele. O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las. O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir. Essas longas séries de razões, todas simples e fáceis, que os geômetras costumam utilizar para chegar às suas mais difíceis demonstrações, tinham-me dado a oportunidade de imaginar que todas as coisas com a possibilidade de serem conhecidas pelos homens seguem-se umas às outras do mesmo modo e que, uma vez que nos abstenhamos apenas de aceitar por verdadeira qualquer uma que não o seja, e que observemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode existir nenhuma delas tão afastada a que não se chegue no final, nem tão escondida que não se descubra. E não me foi muito dificultoso procurar por quais deveria começar, pois já sabia que haveria de ser pelas mais simples e pelas mais fáceis de conhecer; e, considerando que, entre todos os que anteriormente procuraram a verdade nas ciências, apenas os matemáticos puderam encontrar algumas demonstrações, ou seja, algumas razões certas e evidentes, não duvidei de modo algum que não fosse pelas mesmas que eles analisaram; apesar de não esperar disso nenhuma outra utilidade, salvo a de que habituariam meu espírito a se alimentar de verdades e a não se satisfazer com falsas razões. Mas não foi minha intenção, para tanto, tentar aprender todas essas ciências particulares que habitualmente se chamam matemáticas; e, vendo que, apesar de seus objetos serem distintos, não deixam de concordar todas, pelo fato de não conferirem nesses objetos senão as diversas ações ou proporções que neles se encontram, julguei que convinha mais analisar apenas estas proporções em geral, e presumindo-as somente nos suportes que servissem para me tornar seu conhecimento mais fácil; mesmo assim, sem restringi-las de modo algum a tais suportes, a fim de poder aplicá-las tão melhor, em seguida, a todos os outros objetos a que conviessem. Depois, havendo percebido que, a fim de conhecê-las, ser-me-ia algumas vezes necessário considerá-las cada qual em particular, e outras vezes apenas de reter, ou de compreender, várias em conjunto, julguei que, para melhor considerá-las em particular, deveria presumi-las em linhas, visto que não encontraria nada mais simples, nem que pudesse representar mais diferentemente à minha imaginação e aos meus sentidos; mas que, para reter, ou compreender, várias em conjunto, era necessário que eu as designasse por alguns signos, os mais breves possíveis, e que, por esse meio, tomaria de empréstimo o melhor da análise geométrica e da álgebra, e corrigiria todos os defeitos de uma pela outra. [...] A primeira era obedecer às leis e aos costumes de meu país [...] Minha segunda máxima consistia em ser o mais firme e decidido possível em minhas ações, e em não seguir menos constantemente do que se fossem muito seguras as opiniões mais duvidosas, sempre que eu me tivesse decidido a tanto. [...] Minha terceira máxima era a de procurar sempre antes vencer a mim próprio do que ao destino, e de antes modificar os meus desejos do que a ordem do mundo; e, em geral, a de habituar-me a acreditar que nada existe que esteja completamente em nosso poder, salvo os nossos pensamentos, de maneira que, após termos feito o melhor possível no que se refere às coisas que nos são exteriores, tudo em que deixamos de nos sair bem é, em relação a nós, absolutamente impossível. [...] Mas confesso que é preciso um longo adestramento e uma meditação frequentemente repetida para nos habituarmos a olhar todas as coisas por este ângulo; e acredito que é principalmente nisso que consistia o segredo desses filósofos, que puderam em outros tempos esquivar-se do império do destino e, apesar das dores e da pobreza, pleitear felicidade aos seus deuses. [...] Por fim, para a conclusão dessa moral, decidi passar em revista as diferentes ocupações que os homens exercem nesta vida, para procurar escolher a melhor; e, sem pretender dizer nada a respeito das dos outros, achei que o melhor a fazer seria continuar naquela mesma em que me encontrava, ou seja, utilizar toda a minha existência em cultivar minha razão, e progredir o máximo que pudesse no conhecimento da verdade, de acordo com o método que me determinara. [...] Além do que, as três máximas precedentes se baseavam apenas no meu intento de continuar a me instruir: pois, tendo Deus concedido a cada um de nós alguma luz para diferenciar o verdadeiro do falso, não julgaria dever satisfazer-me um único instante com as opiniões dos outros, se não tencionasse utilizar o meu próprio juízo em analisá-las, quando fosse tempo; e não saberia dispensar-me de escrúpulos, ao segui-las, senão esperasse não perder com isso oportunidade alguma de encontrar outras melhores, caso existissem. [...] logo em seguida, percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava. [...] tal qual os pintores que, não conseguindo representar igualmente bem numa tela plana todas as diversas faces de um corpo sólido, escolhem uma das principais, que põem à luz, e, sombreando as outras, só as fazem aparecer tanto quanto se possa vê-las ao olhar aquela; receando dessa forma, não colocar em meu discurso tudo o que havia em meu pensamento, tentei apenas expor bem amplamente o que concebia da luz; depois, na ocasião propícia, acrescentar alguma coisa a respeito do sol e das estrelas fixas, porque a luz provém quase inteiramente deles; a respeito dos céus, porque a transmitem; a respeito dos planetas, dos cometas e da Terra, porque a refletem; e, em particular, a respeito de todos os corpos que existem sobre a Terra, porque são ou coloridos, ou transparentes, ou brilhantes; e, por fim, a respeito do homem, porque é o seu espectador. [...] Em princípio, procurei encontrar os princípios, ou causas primeiras, de tudo quanto existe, ou pode existir, no mundo, sem nada considerar, para tal efeito, senão Deus, que o criou, nem tirá-las de outra parte, salvo de certas sementes de verdades que existem naturalmente em nossas almas. Em seguida, examinei quais são os primeiros e os mais comuns efeitos que se podem deduzir dessas causas: e parece-me que, por aí, encontrei céus, astros, uma Terra, e também acerca da terra, água, ar, fogo, minerais e algumas outras dessas coisas que são as mais triviais de todas e as mais simples, e, consequentemente, as mais fáceis de conhecer. Depois, quando quis descer às que eram mais específicas, apresentaram-se-me tão variadas que não acreditei que fosse possível ao espírito humano distinguir as formas ou espécies de corpos que existem sobre a Terra, de uma infinidade de outras que poderiam nela existir, se fosse a vontade de Deus aí colocá-las, nem, por conseguinte, torná-las de nosso uso, a não ser que se busquem as causas a partir dos efeitos e que se recorra a muitas experiências específicas. Como consequência disso, repassando meu espírito sobre todos os objetos que alguma vez se ofereceram aos meus sentidos, atrevo-me a dizer que não observei nenhum que eu não pudesse explicar muito comodamente por meio dos princípios que encontrara. Mas é necessário que eu confesse também que o poder da natureza é tão amplo e tão vasto e que esses princípios são tão simples e tão gerais que quase não percebi um único efeito específico que eu já não soubesse ser possível deduzi-lo daí de várias formas diferentes, e que a minha maior dificuldade é comumente descobrir de qual dessas formas o referido efeito depende. Pois, para tanto, não conheço outro meio, a não ser o de procurar novamente algumas experiências tais que seu resultado não seja o mesmo, se explicado de uma dessas maneiras e não de outra. Afinal de contas, encontro-me agora num ponto em que me parece ver muito bem qual o meio a que se deve recorrer para realizar a maioria das que podem servir para esse efeito; mas vejo também que são tais e em tão grande número que nem as minhas mãos, nem a minha renda, ainda que eu possuísse mil vezes mais do que possuo, bastariam para todas; de maneira que, à medida que de agora em diante tiver a comodidade de realizá-las em maior ou menor número, avançarei mais ou menos no conhecimento da natureza. Fato que prometia a mim mesmo tornar conhecido, pelo tratado que escrevera, e mostrar tão claramente a utilidade que daí podia resultar para o público, que obrigaria a todos aqueles que desejam o bem dos homens, ou seja, todos aqueles que são em verdade virtuosos, e não apenas por hipocrisia, nem apenas por princípio, tanto a comunicar-me as que já tivessem realizado como a me ajudar na pesquisa das que ainda há por fazer. DISCURSO DO MÉTODO – O filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650), em sua obra Discurso do método para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências, estabeleceu um método como ponto de partida para a universalidade da razão, da qual todos os homens participam, identificando no intelecto, em sua pureza, duas faculdades essenciais: a intuição, pela qual pode-se ter imediatamente presentes no espírito ideias claras, perfeitamente determinadas e distintas, simples e irredutíveis; e a dedução, pela qual pode-se descobrir conjuntos de verdades ordenadas racionalmente. O método constitui-se de quatro regras de utilização da intuição e da dedução, para se possa estender a certeza matemática ao conjunto do saber. Pela regra da evidência, deve-se evitar todas as prevenções, ou seja, conjunto de preconceitos, e precipitação, para acolher apenas ideais claras e distintas. Pela regra da análise, deve-se dividir as verdades mais simples, independentes e absolutas, das verdades mais complexas, condicionadas e relativas. Essa regra pressupõe a ordenação das partes segundo o critério da relação constante entre elas, de modo que possam ser comparadas com base na mesma unidade de meda. Pela regra da enumeração, deve-se selecionar exclusivamente o que for necessário e suficiente para a solução de um problema, evitando as omissões. Veja mais aqui.

REFERÊNCIA
DESCARTES, René. Discurso do método: para o bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências. São Paulo: Abril Cultural, 1979.



 Imagem: Nu reclinado deitada de bruços e enfrenta certo (1910), do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918)

Ouvindo Jade, de João Bosco.

Aqui meu irmão ela é coisa rara de ver
É jóia do Xá retina de um mar
De olhar verde já derramante
Abriu-se Sézamo em mim
Ah! meu irmão aqualouca tara que tem ímã
Mergulha no ar me arrasta me atrai
Pro fundo do oceano que dá
Prá lá de Bagdá prá cá de além
Pedra que lasca seu brilho
E que queima no lábio um quilate de mel
E que deixa na boca melante
Um gosto de língua no céu
Luz talismã misterioso cubanacã
Delícia sensual de maçã
Saborosa manhã
Vou te eleger vou me despejar de prazer
Essa noite o que mais quero é ser
1001 pra você....
Jade...Jade...Jade...


DENISE STOKLOS – A dramaturga, encenadora e atriz Denise Stoklos iniciou sua carreira em 1968, especializando-se em mímica na Inglaterra no final dos anos 1970 e para os Estados Unidos, nos anos 1980. É autora dos livros Amanhã será tarde e depois de amanhã não existe (1993), Teatro Essencial (1993), Tipos (poesia, 1993), Calendário da Pedra (2001), entre outros, e do método Teatro Essencial, bem como de diversas peças teatrais. Já foi premiada pela Fundação Guggenheim (USA), tendo se apresentado em Moscou, Pequim e Ucrânia. No teatro ela apresentou Mary Stuart, em Nova York, entre tantas de suas peças teatrais. Na televisão ela participou da novela Ninho da Serpente (Band, 1982), além de contar na sua filmografia Antonio Conselheiro e a Guerra dos Pelados (1977) e Maria Bethânia – Brasileirinho ao vivo (2004). A sua arte já foi tema de estudos acadêmicos no Brasil e no exterior. Certa vez ela falou: “A luta hoje não é com o inimigo, diretamente [...] Estamos agora na micropolítica. Introjetamos o inimigo. Quanto mais agirmos no plano pessoal, individual, mais teremos condição de libertar o outro. Como ensinam Deleuze e Guattari, é preciso desmontar indíviduo por indíviduo. [...] para Nietzsche, é preciso submeter o que nos reprime a uma transformação, para torná-lo uma força positiva. A matéria negativa tem de ser um empurrão para a afirmação. e ele nos remete para o devir, o acontecimento”.  Veja mais aqui.


INGMAR BERGMAN – Sou um eterno apaixonado pela obra do cineasta e dramaturgo sueco Ingmar Bergman (1918-2007). Muitos dos seus filmes, desde o primeiro que vi que foi O Ovo da Serpente (Ormens Ägg, 1976), depois Persona (1966), Sonata de Outono (Höstsonaten, 1978), o premiado Morangos Silvestres (Smultronstället, de 1957), entre outros, um dos que mais me chamou mais atenção foi Da Vida das Marionetes (Ur Marionetternas Liv, de 1980), uma história quebra-cabeça que se passa com um casal envolvidos com suas amantes, ele que estrangula a prostituta e dorme com o ursinho, ela que tem o psiquiatra dele por amante: um filme de rostos. Outro apaixonante filme dele é Monika e o desejo (Sommaren med Monika, de 1953) que traz a nudez feminina de Harriet Andersson e os quatro protagonistas: Monika, Harry, Bergman e o espectador, quando o cinema jamais seria o mesmo depois desse filme. Nada melhor que assistir a filmografia completa do Bergman. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


SANDRA REGINA ALVES MOURA – Conheci a arte da poeta e compositora Sandra Regina no Caiuby: amiga sempre presente e que nos dá o prazer de contar sempre com sua poesia e sua amizade. No blog dela tem belos poemas e textos, destacamos Som e Cor que foi musicado pela Suzete Dutra: “Imagino à noite / Cintilando no meu quarto / Vejo o céu azulado / Todo estrelado / A luz prata da lua / Que reflete e destaca / Deslumbra o meu olhar / No escuro do quarto / Entretons / O azul é a cor / A cor do meu amor / Sobressaindo aos sons / Ativo e intenso / Provocando o desejo / É vida sem direção / Permutação dos sentidos / É sinestesia! / Ouço e vejo... /  O som é cor / Soa lindo como / O azul da melodia / Eu sinto... / É coisa de pele / Que arrepia / É metáfora do sentimento / Que energiza / Trazendo a calma intuitiva / Que reacende e define / Que o som é cor / E rege o meu amor”. Parabéns, poetamiga, feliz aniversário!


BERNADETHE RIBEIRO – Tenho acompanhado o trabalho artístico da cantora, poeta, compositora e violonista Bernadethe Ribeiro há bastante tempo e, cada vez mais, passo a admirá-la por ser quem é. Hoje destacamos o seu poema Planeta Menino: “Abraça minha alma. Não tenha medo! / Existe luz em seu caminho! / Vamos ter fé! Ainda há tempo. / A humanidade lhe dará carinho. / Eu sei... O chão é de Cristal... / Mas o teto é Deus! ...É o infinito / Você sabe. O bem sobreporá ao mal / E o nosso sonho será bendito! / Sinto um raio de luz pular do meu peito. / Isto é amor, menino bonito! / Mas a dor dói aguda. Dói de um jeito!... / Será que o homem está perdido? / O tempo urge. Veja o grito! / O planeta derrete... e chora sentido”. Veja outra homenagem que fizemos pra ela aqui.


DANNY CALIXTO – Outra artista que adoro ouvir cantar é a cantora, atriz, compositora e violonista gaúcha Danny Calixto, desde o seu cd Abracadabra e o que vem por aí A linha do tempo prometendo muita coisa boa. Curtindo a sua belíssima canção Do avesso que estará entre as atrações do programa Tataritaritatá desta terça, 15 de julho. Daqui nossos parabéns, feliz aniversário Danny. Veja uma simples homenagem que fizemos pra ela aqui.


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A arte do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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sexta-feira, março 08, 2013

OPNSV DE VCA, SUE TOWNSEND, YOUSSEF RZOUGA, DOLORES HUERTA, RAVINDRA PRABHAT, SULLIVAN & MUSAS CANTORAS

 


OPNSV DE VCA - Ora pro nobis, Agnus Dei, porque desde a destruição de Cártago que o Holocausto grassa jorrando sangue de judeus, tútsis, romanis, circassianos, bósnios, timorenses, hererós, namaquas, cambojanos, armênios, e salve-se quem puder! O poeta avisa no Cântico Branco: o barro da morte incutiu desejos no homem, o desespero se esmera e a morte não mais demora depois da estéril e noturna orgia. Ora pro nobis, Carpe Diem, porque o Holomodor mudou de nome e não é só ucraniano, têm outros nomes e tantas outras vítimas! O poeta mira A morte e o Rosto: Cada um tem que tomar a si sua morte - os castelos da utopia são de areia movedição ilusão os erguem como ossos de pássaros em voo branco, o tempo mói e o pó do osso espalha no túmulo, vermes não perdem tempo e a perda do rosto, horta ruinosa que a morte nada. Ora pro nobis, Carpe noctem, enquanto Rufus não detona, porque as Gadget e Fat Man já fizeram a desgraça de Hiroshima e Nagasaki. Com a mandíbula eleata de um cântico escuro o poeta invoca Pusckin numa epígrafe de Montale, citando Jorge de Sena à sombra do gasômetro, no meio de luzir e azedo com Ungaretti e algazarra no bazar para o apocalipse líquidoe o anjo degradado no meio de uma legião angélica. Ora pro nobis, Frui vita, pra quem não se lembra do golpe de 1964, ou de Chernobyl, nem de Fukushima, do terremoto do Haiti, da guerra de Biafra, da erupção do Krakatoa, do tsunami do Oceano Índico, da erupção do Vesúvio, do Ciclone de Calcutá, do terremoto de Valdivia, não aprendemos nada e nenhuma lição! O poeta ensaia educação pela palavra, poema de Heidegger, pemanência do poente e lição de abandono, coisas de Breton. Ora pro nobis: Non videmus manticae quod in tergo est, porque o genocídio dos povos originários e todos nós brasileiros está mais que em curso e mantido em sua em marcha secular! O poeta empunha o coração de barro barroco para dar dois poemas da lírica áulica pra Clarice Lispector, e ao ágio das horas piedade de cádmio, cádmio piedoso, luz cardeal, alto como voo de gozozo gozo e Vênus vem. Ora pro nobis, Hoc non pereo habebo fortior me, meditação de pedra com versos de Juana Inés de la Cruz, três fragmentos de Drummond para a confissões, a começar imedida, alteridiática do poeta no vento de Mário de Andrade, por dias de chumbo e ira, piedade bovina para Gerardo de Mello Mourão, meditação de pedra para Perse, cítara ártica e a palavra fragmentada, incêndios caídos, candelabros trêmulos, inventário crível, d’água diz ex-positis: ora pro nobis, Scânia Vabis. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Podemos viver em um mundo de fraternidade e paz sem doenças, medo e opressão? Temos que ficar do lado das pessoas que estão sendo oprimidas. E se não pudermos fazer isso, então não estamos fazendo nosso trabalho, porque as pessoas naquela comunidade minoritária ou naquela comunidade não terão nenhuma fé no programa médico que está lá se você não puder aceitar o lado deles. Você não pode ajudar as pessoas pobres e ficar confortável. Você sabe, as duas coisas simplesmente não são compatíveis. Se você realmente deseja prestar bons cuidados de saúde às pessoas pobres, deve estar preparado para se sentir um pouco desconfortável e colocar um pouco de sacrifício por trás disso... Nunca me senti esquecida porque não esperava nenhum tipo de reconhecimento. Acho que isso é muito típico das mulheres. Fui aculturada para ser solidário, para ser complacente, para apoiar os homens no trabalho que eles fazem. Nunca pensamos em obter crédito ou reconhecimento ou mesmo assumir o poder. Não pensamos nesses termos. Claro que acho que isso está mudando agora e há uma onda de mulheres que não estão apenas concorrendo a cargos, mas sendo eleitas. Isso poderia fazer uma diferença incrível em nosso mundo. Nunca teremos paz no mundo até que as feministas assumam o poder. Acho que a única coisa que aprendemos em nossa união é que você não espera. Você simplesmente sai e começa a fazer as coisas. Pensamento da ativista estadunidense Dolores Huerta, cofundadora da Associação Nacional de Camponeses, que mais tarde se juntou ao Sindicato Geral de Camponeses (United Farm Workers).

 

ALGUÉM FALOU - Se um blogueiro morre sem transformar seu conhecimento para a nova geração, o conhecimento não tem sentido. Se um exemplo se uma bruxa não pode transformar seu conhecimento para ninguém, ela faz um buraco onde ela morre... Pensamento do escritor e jornalista hindu, Ravindra Prabhat, autor do poema Aliteração da mente: Templo, a vida é uma canção primaveril de lua de mel nos lábios da humilde abelha, / Alcoólatra realizado na flor de mostarda, como um amigo.

 

A MULHER QUE PASSOU UM ANO NA CAMA- [...] Você vai mentir para mim e prometer lê-los? Livros precisam ser lidos. As páginas precisam ser viradas [...] Ela gostava de pessoas. Eu, posso pegá-los ou deixá-los, mas principalmente deixá-los. [...] Destrancar a pesada porta externa e entrar no interior silencioso, com a luz da manhã derramando-se das altas janelas sobre os livros que a esperavam, deu-lhe tanto prazer que teria trabalhado de graça. [...] Seu problema é que você quer ser feliz o tempo todo. Você tem cinquenta anos - ainda não percebeu que, na maioria das vezes, a maioria de nós apenas se arrasta pela vida? Dias felizes são poucos e distantes entre si. [...] O sexo com o gorila continuou um pouco, mas uma vez que ele tropeçou no meu clitóris, nós dois nos divertimos [...]. Trechos extraídos da obra The Woman Who Went to Bed for a Year (Penguin, 2012), da escritora inglesa Sue Townsend (1946-2014). Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS - EM DIREÇÃO A ELA O pouco que sei dela / Ela é mais bonita que eu / Então / eu tenho que fazer algo: / Dar um passo à frente / Rumo ao fim / Ou / Voltar / Rumo à SUA / EZ - ? - Eles são inseparáveis / - Bons sonhos. / Ela disse / Segundo ela / Ele finge sorrir / -Há um mas- / Assim que ela adormece/ Ele sonha em partir / Persegui-la / Mesmo no meio dos seus sonhos / Mas / onde diabos ela foi? / Parece que ele está gritando / Ele diz que está hipnotizado / É insuportável / Ele disse / E / Assim que ele vira as costas / Ele está dormindo / Como uma tora / YOUREZ. Poema do escritor tunisiano Youssef Rzouga.

 

A TEORIA INTERPESSOAL DE SULLIVAN - O médico psiquiatra estadunidense Harry Arack Sullivan (1892-1949) trabalhou com esquizofrênico pelo qual adquiriu reputação de notável clínico que iniciou as atividades das comunidades terapêuticas, envolvendo-se posteriormente nas áreas clinicas, de consultoria e ensino. É autor de diversos ensaios sobre a esquizofrenia e palestras que resultaram na publicação de seus livros. É reconhecido como um teórico de psiquiatria dinâmica utilizando termos como distorção paratáxica e autoestima como importante no desenvolvimento e nas relações interpessoais. Com isso desenvolveu uma teoria psicológica social da personalidade, segundo a qual a personalidade é um conceito relacional, criando a teoria interpessoal da psiquiatria, pela qual acredita que a personalidade é o padrão relativamente duradouro de situações interpessoais recorrentes que caracteriza uma vida humana. Desta forma, a personalidade é uma entidade hipotética que não pode ser isolada das situações interpessoais, e o comportamento interpessoal é tudo o que podemos observar como personalidade. TEORIA DA PERSONALIDADE – Para Sullivan a personalidade se constrói na relação com o outro. A sua teoria teve embasamento inicial em Freud, desenvolvendo posteriormente sua própria teoria funcional da personalidade, psicopatologia e terapia, voltando para a linguagem que se mostrava desencaminhadora, precavendo-se das conceituações autoconcretizadoras das teorias rígidas. Enfatizou o papel dos psiquiatras como participantes-observadores na situação clínica, buscando observações objetivas que pudessem lidar com as experiências emocionais do paciente. Observava, com isso, a interação social, definindo a personalidade como sendo o padrão relativo e duradouro de relações interpessoais que caracterizam a vida humana. O seu foco estava na abordagem psicopatológica, o que proporcionou a criação da teoria de campo por meio de processos temporais e interativos. Para ele o dinamismo é o padrão relativo e duradouro das transformações de energia que ele denominou de padrões de comportamento interpessoal recorrentes. Com isso, entende-se que a sua teoria é voltada para as necessidades e ansiedade. Para ele, as necessidades podem ser tanto por satisfação como por segurança, uma vez que ocorre quando são fundamentais em situações de perigo quando não ser satisfeitas; por outro lado, a ansiedade é o motivador primário do comportamento humano. As necessidades por satisfação incluem necessidades físicas - como ar, água, comida e calor - e necessidades emocionais, especialmente por contato humano e por expressar os próprios talentos e capacidades. Ele trouxe pro cenário dos debates a ligação empática, a qual se estabelece entre o cuidador e o bebê, descrevendo a complicada interação dos bebês comunicando tensão e ansiedade, provocando ansiedade no cuidador e levando a respostas-temas as necessidades do bebê. A falha na satisfação dessas necessidades traz como resultado a solidão e a ansiedade. Por isso ele definiu segurança como a ausência de ansiedade. Necessidades por segurança incluem a necessidade de evitar, prevenir ou reduzir ansiedade. Na sua teoria o autosistema ou autodinamismo foi definido como o dinamismo que é responsável por evitar ou reduzir ansiedade, igualando o self-identidade-ego com os padrões desenvolvidos da pessoa para evitar os desconfortos que surgem a partir da falha dos outros de satisfazer as necessidades fundamentais da pessoa. Esse autosistema existe, como tudo mais puramente dentro de uma estrutura interpessoal e desenvolve um conjunto de mecanismos, denominado operações de segurança que reduz a ansiedade. Essas operações de segurança funcionam de modo bastante semelhante aos mecanismos de defesa dentro da teoria psicanalítica. No entanto, as operações de segurança específicas foram definidas interpessoalmente, ligadas a observações ou experiências reais. Com isso, entende-se que o autosistema advém de experiências interpessoais sempre em desenvolvimento e que as experiências mais difíceis não são necessariamente aquelas que envolvem falha em satisfazer as necessidades da criança, mas a criança sentir a ansiedade do cuidador no processo de responder a estas necessidades. A ansiedade do cuidador provoca ansiedade na criança, promove a necessidade de estabelecer um senso de segurança e conduz a evolução do autosistema e ao desenvolvimento de operações de segurança. Por sua vez, o autosistema é dividido em três partes - eu bom, eu mau e não eu. O eu bom é um conjunto de imagens, experiências e comportamentos associados a respostas não ansiosas, temas, empáticas e aprovadoras e aceitadoras do ambiente. O eu mau vem a tornar-se associado a idéias, ações e percepções que provocam ansiedade e desaprovação de cuidadores. Algumas situações, no entanto, provocam ansiedade tão intensa que elas são inteiramente desautorizadas e desapropriadas; e, além disso, se tornam parte do não eu. Por fim, a ligação empática torna-se desnecessária e o autosistema opera de forma autônoma dentro da pessoa, desenvolvendo meios cada vez mais complexos e sutis de manejar a ansiedade da pessoa. As suas contribuições mais significativas estão na definição de apatia, desapego sonolento e desatenção seletiva. Estas operações de segurança foram extraídas da observação de como os bebês e crianças novas reagem a interações dolorosas, como repreensão dos seus pais. Com isso apresentou suas teorias desenvolvimentais, postulando três modos cognitivos desenvolvimentais de experiência cujo grau de persistência na fase adulta é importante para entender a psicopatologia. O primeiro deles é o modo prototáxico, característico da primeira infância e da infância, envolve uma série de estados breves desconectados experimentados como totalidades sem qualquer relacionamento temporal. Na vida posterior, experiências místicas e fusão esquizofrênica representam experiências prototáxicas persistentes. O segundo modo é o da experiência paratáxica que começa cedo na infância à medida que o autosistema inicia seu funcionamento independente. Ela também envolve uma série de experiências momentâneas; no entanto, elas são registradas em seqüência com conexão aparente uma a outra. Elas podem receber sentidos simbólicos, porém regras de lógica estão ausentes e a coincidência desempenha um papel importante em como o mundo é percebido. O autosistema utiliza experiência paratáxica para buscar comportamentos redutores de ansiedade eficazes e repeti-los, buscando igualdade e previsibilidade. Com isso, ele usou o modo para explicar transferência, lapsos de língua e ideação paranóide. O terceiro modo é denominado de sintático de experimentar que se baseia no desenvolvimento da linguagem e na validação consensual. Validação consensual é a aceitação das percepções partilhadas dos outros como uma base para definir a realidade objetiva. O mundo e o self são percebidos dentro de regras de lógica, sequenciamento temporal, validade externa e consistência interna. Pensar sobre si mesmo e sobre os outros se torna testável e modificável com base na análise rigorosa de experiências em uma variedade de situações diferentes. A maturidade pode ser definida como o predomínio extensivo do modo sintático de experimentar. A teoria do desenvolvimento social baseia-se nos modos cognitivos em desenvolvimento. No entanto, relacionamentos interpessoais perturbados podem fazer com que os modos primitivos de experimentar o mundo persistam. Esse modo se caracteriza pela satisfação de necessidades que predominam e a esfera interpessoal na qual as necessidades de satisfação e suas necessidades de segurança resultantes são preenchidas. Cada estágio é também caracterizado pela zona primária de interação - áreas corporais através das quais a pessoa canaliza necessidades, ansiedade e alívio. Para o autor, a primeira infância, do nascimento ao início da linguagem, caracteriza-se pela necessidade primária de contato corporal e ternura. O modo prototáxico predomina e as zonas primárias de interação são orais e, de algum modo, anais. No momento em que necessidades são preenchidas com um mínimo de ansiedade, o bebê experimenta euforia e um sentimento de bem-estar. No momento que alguma ansiedade está comumente presente nos cuidadores, apatia e desapego sonolento são operações de segurança regularmente usadas, persistindo na vida adulta como uma posição básica desapegada e passiva. Se a ansiedade e a inconsistência são severas, experiências intensas de pavor persistem na vida posterior apresentando-se como estados internos sinistros bizarramente disruptivos observados nos pacientes esquizofrênicos. A fase da infância, que começa com o início de linguagem utilizável e continua até o início da escola, caracteriza-se pelo foco da criança sobre os pais como o outro de quem louvor e aceitação são buscados. O modo primário de experiência muda para o paratáxico e a zona de interação mais comum é a anal. A criança precisa de um público adulto aprovador. Esta necessidade conduz a uma variedade de áreas de aprendizagem - linguagem, comportamento e autocontrole. Ela pode também ser observada em uma variedade de esforços, tentativa e erro, pela criança para encontrar o que agrada. A gratificação, conduz a um autosistema expansivo com muitas facetas da vida associadas ao bom eu e a autoestima positiva. Ansiedade moderada conduz à ansiedade crônica, incerteza e insegurança. Ansiedade extrema resulta em desistir de comportamento exitoso conhecido em favor de padrões autodestrutivos que preencherão o que veio a ser esperado pelos outros. A era juvenil cobre as idades de 5 a 8 anos. O desvio do modo cognitivo sintático inicia e o foco interpessoal espalha-se para grupos de pares e para figuras de autoridade externas. Existe a oportunidade para pares e os professores aprovarem e aceitarem comportamentos previamente inibidos dentro da família. Cooperação interpessoal, competição, brinquedo e acordos tornam-se experiências gratificantes. Os jovens aprendem a negociar suas próprias necessidades com um interesse social legítimo sem sacrificar a autoestima no processo. Os riscos de ansiedade excessiva são uma necessidade demasiado grande para controlar e dominar as situações sociais ou internalização de atitudes sociais prejudiciais e restritivas. A pré-adolescência, idades de 8 a 12, marca o movimento da criança da cooperação e da competição dos grupos de pares embasada em regras para intimidade genuína com um camarada. É essa fase como um estágio particularmente importante no qual o dar e receber com um amigo especial pode reparar e desfazer distorções causadas por ansiedade excessiva em estágios anteriores. A criança dirige-se verdadeiramente para fora da família pela primeira vez e se engaja em um dar e receber livre com uma outra pessoa não afetada pela dinâmica da mesma família. A grande mudança em direção ao pensamento sintático ocorre, embora algumas distorções possam persistir até a adolescência. Uma capacidade para apego, amor e colaboração emerge ou falha em desenvolver-se em face da ansiedade excessiva. Embora exploração sexual possa ser uma parte do relacionamento de camaradagem, ele não viu a sexualidade como um elemento central na pré-adolescência. A adolescência inicia na puberdade, tem em seu estágio inicial preocupações semelhantes as da pré-adolescência, com a importante exceção de que sensualidade é acrescentada a equação interpessoal. As mesmas necessidades de um relacionamento de partilha especial persistem, mas mudam para o sexo oposto como um escape conduzindo a uma importante oportunidade para aprendizagem ou ansiedade severa. À medida que a pessoa enfrenta a estereotipia culturalmente definida, muitas oportunidades novas para experimentação social podem levar à consolidação da autoestima ou a autoridicularização. A luta para integrar sensualidade com intimidade é realizada por dolorosa tentativa e erro. Se a integração é concluída com o autosistema relativamente intacto, os anos posteriores da adolescência tornam-se uma oportunidade para expandir o modo sintático para áreas como visão consensual de relações interpessoais, valores e idéias, decisões de carreira e interesses sociais. A sua teoria psicopatológica buscou entender o processo humano fundamental que ocorre dentro dos seus pacientes, especialmente os mais doentes. Para ele, a psicopatologia era resultante de ansiedade excessiva que detém o desenvolvimento do autosistema e, por meio disso, limita tanto oportunidades para satisfação interpessoal como operações de segurança disponíveis. Com isso, pensou que diversos fatores afetam a forma que os distúrbios assumem. O nível de ansiedade em um estágio desenvolvimental particular pode lançar a fundação para uma parte do desenvolvimento. A capacidade cognitiva básica pode desempenhar um papel na escola de operações de segurança confiadas ou retidas. O grau de sucesso obtido interpessoalmente, combinado com quaisquer capacidades usadas, afetam o sucesso posterior. A ocorrência casual de estresses encontrados durante a vida é também um fator. A sua psicoterapia interpessoal enfatiza que o psiquiatra é um participante-observador em todas as interações com os pacientes, uma vez que quando o profissional interage ativamente com os pacientes, expressões verbais e não-verbais de padrões interpessoais recorrentes tornam-se aparentes. Estas observações então informam o comportamento posterior do terapeuta, deste modo criando uma oportunidade para mudança. Com isso, a terapia elucida os padrões interpessoais do paciente, explorando sua utilidade a serviço das necessidades do paciente e considerando as possibilidades alternativas e mais favoráveis, enfatizando a experiência do paciente das distorções, as necessidades, os padrões e as mudanças potenciais dentro da interação em andamento com o terapeuta. Ele dividiu a terapia em quatro estágios distintos: incepção, reconhecimento, levantamento detalhado e término. A incepção envolve o comecinho, freqüentemente apenas uma parte da primeira entrevista, durante a qual o contrato e os papéis são estipulados. O reconhecimento pode prosseguir por tantas quantas 15 sessões, durante as quais o terapeuta identifica os padrões recorrentes dos pacientes e avalia suas qualidades adaptativas e mal-adaptativas. O levantamento detalhado é um processo prolongado de explorar os pensamentos, sentimentos e memórias do paciente e de avaliar e reavaliar dados de estágios anteriores, buscando reconhecer, esclarecer e mudar distorções paratáxicas persistentes. Os padrões recorrentes são discutidos dentro do contexto da história desenvolvimental do paciente, necessidades, ansiedades, fracassos e sucessos. As metas finais da psicoterapia são obter tanta experimentação dentro do modo sintáxico quanto possível e ampliar o repertório do auto-sistema. No momento que estas metas são atingidas, os pacientes são capazes de tornar-se responsáveis por seu crescimento em andamento através de interações interpessoais subsequentes. O COMPORTAMENTO INTERPESSOAL – Para o autor em estudo o  comportamento é o que se observa, defendendo que a personalidade se constrói na relação com o outro e que os padrões de comportamento são uma característica da personalidade. Assim, o dinamismo é a menor parte da personalidade. Por consequência a personalidade é uma hipótese teórica, cuja unidade de estudo é a relação interpessoal e não a pessoa, e que sua organização consiste em eventos interpessoais que só se manifesta quando a pessoa está se comportando em relação a um ou mais indivíduos, mesmo que estes não estejam presentes. Com isso, entende o autor que a personalidade é o centro dinâmico de vários processos que ocorrem em vários campos interpessoais. As personificações são o resultado da imagem que o indivíduo tem de si mesmo ou de uma outra pessoa, sendo, com isso, um complexo de sentimentos, atitudes e concepções que decorrem de experiências de satisfação de necessidade e de ansiedade. Os estereótipos são personificações compartilhadas por várias pessoas, não existem a priori, são construídas, porque são generalizações de personificações. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BERNAUD, J. Métodos de avaliação da personalidade. Lisboa: Climepsi, 1998.
BOCK, A.M et al. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
HANSENNE, M. Psicologia da personalidade. Lisboa: Climepsi, 2003.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
______. Teorias da personalidade. São Paulo: Cengage Learning, 2014.
WOOLFOLK, Anita. Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.


IRINA COSTA – Conheci Irina Costa por intermédio da amiga Cidinha Madeiro. Enquanto ela concorria num festival de música internacional, a Cidinha incentivava a gente a vontar e conhecer o trabalho dela. E como tudo que vem de Cidinha é bão demais, depois conheci pessoalmente a angolana radicada em Maceió, dona duma voz das mais maravilhosas. Estreitamos a amizade com a criação da Cooperativa da Música de Alagoas (Comusa), onde ela faz parte da direção. E mais conheci seus trabalho por meio da Educativa FM e dos shows que tive oportunidade de presenciar.

Para quem não conhece esse talento musical das Alagoas, informo que Irina Costa venceu o Lusavox, se apresentando no canal RTPi para mais de 141 países. Participou de diversos projetos, entre eles, Mulheres que dizem sim, Outubro ou nada, O livro das emergências, entre outros. Para conhecer melhor, acesse o site Irina Costa e seu perfil no MySpace.


DANNY CALIXTO – A cantora, atriz, compositora e violonista gaúcha, Danny Calixto, estudou violão clássico na Escola de Música e Belas Artes de Curitiba, onde, em 1984, começou sua carreira realiando shows em bares. Compôes trilhas sonoras para teatro e criou em 1988 a companhia “Mandrágora Produções Artisticas”. Montou em 1998 a banda Os Waldos que teve atuação no cenário musical até 2002. Lançou o cd Abracadabra, em 2003 e participou de diversos CDs, entre eles o cd Festa Dance 2004, em 2005 da coletânea de compositores no cd Musica da Casa - da Casa de Cultura Mario Quintana e, em 2008, do cd Prabaticum, esplatifim, brasimbolá. Ela também é formada em Artes Plásticas, trabalha com Design e está prepando o seu cd A Linha do Tempo. Para conferir o seu talento artístico é só acessar o seu site Danny Calixto e outras páginas no Clube Caiubi de Compositores, no MySpace e no Palco Mp3



BERNADETHE RIBEIRO – A cantora, poeta, compositora e violonista Bernadethe Ribeiro trabalha como professor de violão e canto popular. Estudou teoria musical na OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e, desde então, se tornou uma pesquisadora da música popular Brasileira, participando em 1998 do cd “O Estado da Música” do radialista e jornalista Acir Antão. Já fez vários shows em teatros de Belo Horizonte e pode dividir o palco com alguns de seus professores. Em 2000, participou do cd “Cacos de Vida”do compositor, sambista e publicitário, Gervásio Horta. Em 2005, realizou O Projeto “Tributo a Vinícius de Morais”, show apresentado no Teatro da Assembléia e no Espaço cultural José Delfino Catarina, juntamente com o pianista João Vandaluz. Seu trabalho está reunido no seu site Bernadethe Ribeiro, no seu blog Bernadethe Ribeiro Música e Poesia, como também no YouTube e no Mural dos Escritores


DANIELLA ALCARPE – A cantora e atriz paulista Daniella Alcarpe é formada em Música pela Faculdade de Artes Alcântara Machado e tem se apresentando em diversas casas de espetáculo, bares, espaços culturais e teatros de São Paulo. Depois de uma breve temporada na Itália e na Holanda, Daniella voltou ao Brasil mais disposta do que nunca a divulgar a música popular brasileira no que ela tem de melhor. Como atriz, ela se apresentou nos espetáculos “O Santo Inquérito” de Dias Gomes, com direção de Silvio Tadeu e “As Bacantes” de Eurípedes, com direção de Jorge Oliva. Fez parte do Grupo de Teatro "Transver", dirigido por Jolanda Gentileza e estudou interpretação com Isabel Setti. Ela lançou o seu primeiro cd "Qué que cê qué?", em 2009, interpretando composições inéditas em ritmos de samba, baião, frevo e choro. Confira seu talento no seu site Daniella Alcarpe, no YouTube e no Clube Caiubi de Compositores.


DÉBORA ILDÊNCIO – A jovem musicista, multi-instrumentista, compositora, arranjadora e produtora musical mineira Débora Ildêncio é de uma família de músicos que a fez desde criança brincar com instrumentos de sucatas. Seu aprendizado começou aos 8 anos quando estudou teclado e participou do Jovens Unidos à Cristo (JUC). Aos 16 anos começou a dar aulas de músicas enquanto estudava em diversas escolas musicais. Ela é formada em música, ministra aulas de teoria e instrumentos nas escolas do Curso Musica, desenvolve oficinas de ritmo corpóreo, aulas de violão erudito, popular, pandeiro, bongô e outras percussões, cavaco e ainda trabalha como arranjadora e produtora musical. É compositora, já escreveu diversas músicas com várias parcerias e é integrante fundadora dos os grupos Choro Amado e Vollatta, onde atua como violonista, cavaquinista e percussionista. Também integra o grupo Celebrai a Cristo. Confira seu talento no MySpace e no blog Debora Ildêncio. Imperdíveis.

ROSE GARCIA – A cantora e compositora Rose Garcia trabalha profissionalmente há mais de 26 anos. Ela integra o grupo Essencia Produções – Orquestra e Coro e ministra aulas de canto da Escola Livre de Aprendizagem Musical (Elam), em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Contato: (021) 3392-1669. Ela reúne parte do seu trabalho no MySpace e no YouTube


 
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