Mostrando postagens com marcador Beatriz Sarlo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beatriz Sarlo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, novembro 28, 2013

PIEDAD BONNETT, ADALGISA, BECKETT, SARLO, MONTAIGNE, COCTEAU & BIRITOALDO

 


A SOLIDÃO DE ADALGISA – Tributo para Adalgisa Nery (1905-1980) – Aquela menina de Laranjeiras brincava nos meus olhos infantis. Órfã de mãe, não simpatizava com a madrasta e foi logo interna no colégio de freiras, onde adquiriu o apelido de subversiva, sendo mais tarde expulsa. Na adolescência me preteriu pela primeira vez: casou-se e mais de uma década depois a vejo intelectual sofisticada numa vida trepidante, viagens e conflitos conjugais. Dos sete filhos, apenas dois sobreviveram. Para mim sempre fora a Berenice de A imaginária, aquela que enviuvou para se tornar economiária e, logo depois, os seus Poemas vieram público quando estava no Itamaraty. Pela segunda vez me preteriu e seguiu pela vida movimentada da diplomacia e artistas no México. Tornou-se logo embaixatriz plenipotenciária, com a Ordem da Águia Asteca pelas conferências sobre Juana Inés de la Cruz. Com a nova separação renegou sua obra, tornando-se jornalista altiva e caindo de cabeça na política socialista. Foi cassada pela ditadura militar, doou tudo aos filhos e viu-se pobre e desamparada, sem ter onde morar. Vi-lhe na Neblina, seu afeto e lealdade, internada voluntariamente numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá. Em sua reclusão tornou-se A imaginária dos meus sonhos, por seus Mundos Oscilantes de Mulher Ausente. Quem era Og, não sabia, só de seus Cantos da Angústia e As Fronteiras da Quarta Dimensão. O seu Retrato sem Retoque, contava 22 menos 1, a Erosão da vida, e ela se foi para nunca mais. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O sinal mais certo de sabedoria é a alegria... A melhor coisa do mundo é saber pertencer a si mesmo... Pensamento do jurista, filósofo, escritor e humanista francês Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592), que nos seus Ensaios (Orbis, 1984), expressou que: Ninguém está livre de dizer asneiras: o mal consiste em dizê-las com pompa... Isto não se aplica a mim, que digo as minhas tolices tão naturalmente como as penso... Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Hoje, não tenho nenhuma obrigação, como cidadã, de ter coragem. No século XIX, manter a honra implicava em manter a coragem. Era melhor exagerá-la a estar ausente... É um mundo violento e ao mesmo tempo essa violência era uma virtude necessária. Hoje, considera-se desnecessária, porque na modernidade a afronta é vingada pela lógica das instituições. Não é vingança, mas Justiça... Pensamento da escritora e crítica literária argentina Beatriz Sarlo. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DIÁRIO DA CURA – [...] A falta de boas maneiras é o sinal de um herói. [...] Estamos num período de tal individualismo que já não se fala de discípulos; fala-se de ladrões. [....] Dentro de duas semanas, apesar destas notas, não acreditarei mais no que estou vivenciando agora. É preciso deixar um rastro desta viagem que a memória esquece. É preciso, quando isso for impossível, escrever ou desenhar sem responder às solicitações românticas da dor, sem gostar do sofrimento como a música, amarrando uma caneta no pé se for preciso, ajudando os médicos que nada podem aprender com a preguiça [...]. Trechos extraídos da obra Opium: The Diary of His Cure (Peter Owen, 2001), do escritor, cineasta, dramaturgo, desenhista e ator surrealista francês, Jean Cocteau (1889-1963), que na obra Les Mariés de la Tour Eiffel (Nouvelle Revue Française, 1924) expressa: [...] Que uniforme posso usar para esconder meu coração pesado? É muito pesado. Isso sempre aparecerá. [...] Uma vez que estes mistérios me ultrapassam, fingimos ser os seus organizadores. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

TRILOGIA DE BECKETT – MOLLOY: [...] Não espere ser caçado para se esconder, esse sempre foi meu lema. [...] Sim, houve momentos em que esqueci não apenas quem eu era, mas também o que eu era, esqueci de ser. [...] Se há uma pergunta que temo e para a qual nunca fui capaz de inventar uma resposta satisfatória, é a pergunta: o que estou fazendo? [...] Pois em mim sempre existiram dois tolos, entre outros, um que não pede nada melhor do que ficar onde está e o outro imagina que a vida poderia ser um pouco menos horrível um pouco mais adiante. [...] Não querer dizer, não saber o que quer dizer, não ser capaz de dizer o que pensa que quer dizer, e nunca parar de dizer, ou quase nunca, é isso que deve ter em mente, mesmo em o calor da composição. [...] É tão bom saber para onde você está indo, nos estágios iniciais. Quase te livra do desejo de ir para lá. [...] Quando um homem numa floresta pensa que está avançando em linha reta, na verdade ele está andando em círculo, eu fiz o meu melhor para andar em círculo, na esperança de andar em linha reta. [...] Pois não saber nada não é nada, não querer saber nada da mesma forma, mas estar além de saber qualquer coisa, saber que você está além de saber qualquer coisa, é aí que a paz entra na alma do buscador indiferente. [...] Essa é uma das muitas razões pelas quais evito falar tanto quanto possível. Pois eu sempre digo muito ou pouco, o que é uma coisa terrível para um homem com uma paixão pela verdade como a minha. [...]. Trechos extraídos da obra Molloy (Biblioteca Azul, 2013), do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989). Na obra Malone Dies (Grove Pr, 1978), expressa que: [...] Nada é mais real do que nada. [...] Faço uma pausa para registrar que me sinto em uma forma extraordinária. Delírio talvez. [...] Mas eu sei o que é a escuridão, ela se acumula, engrossa e de repente explode e afoga tudo. [...] digamos, antes de prosseguir, que não perdôo ninguém. desejo a todos uma vida atroz no fogo do inferno gelado e nas execráveis gerações que virão. [...] Palavras e imagens correm em minha cabeça, perseguindo, voando, colidindo, fundindo-se, indefinidamente. Mas além desse tumulto há uma grande calma e uma grande indiferença, que nunca mais será perturbado por nada. [...]. Já na obra The Unnamable (Faber & Faber, 2010), expressa: [...] Você deve continuar. Eu não posso continuar. Eu continuarei. [...] Sim, na minha vida, já que devemos chamá-la assim, houve três coisas, a incapacidade de falar, a incapacidade de ficar em silêncio e a solidão, foi disso que tive que aproveitar ao máximo. [...] Infelizmente tenho medo, como sempre, de continuar. Pois continuar significa sair daqui, significa encontrar-me, perder-me, desaparecer e começar de novo, primeiro um estranho, depois, pouco a pouco, o mesmo de sempre, num outro lugar, onde direi que sempre estive, do qual nada saberei, sendo incapaz de ver, mover-me, pensar, falar, mas do qual pouco a pouco, apesar destas deficiências, começarei a saber alguma coisa, apenas o suficiente para que se torne o mesmo lugar de sempre, o mesmo que parece feito para mim e não me quer, que parece que quero e não quero, faça a sua escolha, que me vomita ou me engole, nunca saberei, que talvez seja apenas o interior do meu crânio distante onde antes eu vagava, agora estou imóvel, perdido pela pequenez, ou encostado nas paredes, com a cabeça, as mãos, os pés, as costas, e sempre murmurando minhas velhas histórias, minha velha história, como se fosse o primeira vez. [...] Sou todas essas palavras, todos esses estranhos, esse pó de palavras, sem chão para se estabelecerem, sem céu para se dispersarem, reunindo-se para dizer, fugindo um do outro para dizer, que eu sou eles, todos eles, aqueles que se fundem, os que se separam, os que nunca se encontram, e nada mais, sim, outra coisa, que sou algo bem diferente, uma coisa bem diferente, uma coisa sem palavras num lugar vazio, um lugar fechado, seco, frio e negro, onde nada se mexe, nada fala, e que eu ouço, e que procuro, como uma fera enjaulada nascida de feras enjauladas nascida de feras enjauladas nascida de feras enjauladas nascida em uma jaula e morta em uma jaula, nascida e depois morta, nascida em uma gaiola e depois morto em uma gaiola, em uma palavra como uma fera, em uma de suas palavras, como uma fera, e que eu procuro, como uma fera, com minhas poucas forças, uma fera, sem nada de seu resta apenas o medo e a fúria, não, a fúria passou, nada além do medo, nada de tudo o que lhe é devido a não ser o medo centuplicado, o medo da sua sombra, não, cego de nascença, do som então, se quiser, teremos isso, é preciso ter alguma coisa, é uma pena, mas aí está, medo do som, medo dos sons, dos sons das feras, dos sons dos homens, dos sons do dia e dos sons da noite, chega, medo dos sons tudo sons, mais ou menos, mais ou menos medo, todos os sons, só há um, contínuo, dia e noite, o que é, são passos indo e vindo, são vozes falando por um momento, são corpos tateando em sua direção, é o ar , são as coisas, é o ar entre as coisas, basta, que eu procuro, gosto, não, não gosto, como eu, do meu jeito, o que estou dizendo, à minha maneira, que procuro, o que faço Eu procuro agora, o que é, deve ser isso, só pode ser isso, o que é, o que pode ser, o que pode ser, o que eu procuro, não, o que eu ouço, eu ouço, agora vem de volta para mim, eles dizem que eu procuro o que ouço, eu os ouço, agora volta para mim, o que pode ser, e de onde pode vir, já que tudo está em silêncio aqui, e as paredes são grossas, e como eu consigo, sem sentir uma orelha em mim, ou uma cabeça, ou um corpo, ou uma alma, como eu consigo, fazer o que, como eu consigo, não está claro, querido, você diz que não está claro, alguma coisa é querer deixar claro, vou buscar, o que está querendo, deixar tudo claro, estou sempre buscando alguma coisa, é cansativo no final, e é só o começo. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - DE TEMPOS EM TEMPOS - A minha mãe gosta de ir a este café com lâmpadas sóbrias, pedir biscoitos de baunilha, beba sem pressa duas xícaras de chá preto como em um ato cerimonial. Eu a trouxe aqui, então, entregando minha tarde laboriosa a esse gesto filial. Através das enormes janelas vemos a vida pressionando lá fora enquanto falamos sobre dias passados E o ambiente morno do lugar sugere que a felicidade não passa disso. De repente, como se recuperasse palavras de um sonho ela diz: “É uma pena que tudo tenha um fim”. Ela diz isso com um leve sorriso, porque ela sabe que ser solene não combina com a tarde. (Minha mãe já tem setenta e quatro anos e ela já foi linda.) No fundo das xícaras o chá pinta seus signos. Eu não sei o que dizer. Olhamos a avenida, os rostos borrados dos transeuntes, as árvores que ficam em silêncio. A noite está caindo. UM ANTIGO CONTO - Os funcionários do hotel já conhecem a rotina: uma mulher chegando ao amanhecer ou numa tarde de domingo - sem bagagem distraído ainda humilhado fazendo um balanço. Chove no quarto dela, está sempre chovendo. E ela não traz nada com ela: nenhum guarda-chuva nem mesmo uma escova de dentes sem lâminas de barbear, sem Xanax. Os funcionários do hotel não ouvem os ecos vindos daquela sala: uma fogueira, uma canção amarga voltando à sua própria origem. Alguém está nos contando uma história antiga— alguém está chorando e rezando receber um par de asas. Poemas da poeta e dramaturga colombiana Piedad Bonnett.

 


QUANDO O CARA ERRA A PORTA DE ENTRADA, A SAÍDA É QUE SÃO ELAS!!!!!!!Biritoaldo endoidou de novo. A ultima paixão dele estava morta: a Amy Winehouse. Oxe, passou um tempo, muito tempo mesmo farol baixo, bandeira a meio pau, todo por fora macambúzio. Mas eu não te digo: foi só ele pôr as vistas numa beldade avolumada, do olho do cara vidrar e dele sair pela rua ensandecido aos gritos: é essa! É essa! É essa!!!!

- Que foi adoidado?

- Encontrei a deusa da minha vida!

- Quem é a sortuda?

- Essa aqui!

- Tu sabes quem é, desnaturado?

- Oxe, não quero nem saber! É ela que vou conquistar para realizar meu ninho matrimonial.

E foi atarantado com um bocado de foto tirada de revista atrás da Rebel Wilson no Super Fun  Night. Vai andar pouco, hem?
Veja mais dos despropósitos do Biritoaldo


Veja mais sobre:
Maria Callas, Psicodrama, Gestão de PME, Responsabilidade Civil & Acidentes de Trabalho aqui.

E mais:
Arte & Entrevista de Luciah Lopez aqui.
Psicologia Fenomenológica, Direito Constitucional, Autismo, Business & Marketing aqui.
Big Shit Bôbras, Zé Corninho & Mark Twain aqui.
Abigail’s Ghost, Psicologia Social, Direito Constitucional & União Estável aqui.
Betinho, Augusto de Campos, SpokFrevo Orquestra, Frevo & Rinaldo Lima, Tempo de Morrer, The Wall & Graça Carpes aqui.
O cinema no Brasil aqui.
Dois poemetos em prosa de amor pra ela aqui.
Agostinho, Psicodrama, Trabalhador Doméstico, Turismo & Meio Ambiente aqui.
Dois poemetos ginófagos pra felatriz aqui.
Discriminação Religiosa, Direito de Imagem, Direito de Arrependimento & Privacidade aqui.
A minissaia provocante dela aqui.
Princípio da probidade administrativa aqui.
O alvoroço dela na hora do prazer aqui.
Canção de Terra na arte de Rollandry Silvério aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja  mais aqui,  aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



E participe do Natal do Nitolino, conferindo aqui.


quinta-feira, março 19, 2009

MARIO NOVARO, DERRIDA, BEATRIZ SARLO, MICHEL LAUB, RON HICKS, LITERÓTICA & ENTREVISTA DE ESTUDANTE


A arte do artista estadunidense Ron Hicks.

LITERÓTICA: (Imagem do artista estadunidense Ron Hicks.) ABRAÇADOS - Foi preciso que eu acordasse atônito naquela manhã escura com um poema em riste e a voz aos prantos a derramar meus versos devassos loucos aos montes sobre a sua carne nua de amor imenso. Foi preciso que eu entoasse a minha canção aos lamentos de veias, nervos, sentimentos, emoção na goela das tripas coração pela boca nas mãos e lhe doasse toda ternura desnudada nos seus seios de maio. Foi preciso que eu me danasse todo mundo afora vida adentro a cometer os versos inspirados na paixão medonha que me faz cativo do seu jeito amante de ser. Foi preciso que eu me visse em você para sermos um no abraço inteiro de mãos e braços beijo no mormaço da alma corpo e sexo feito a vida que eu semeio e cultivo e meneio e vivo no seu coração azul. RITUAL - O seu mistério é o meu doce predileto. O meu refrigério. Tudo é repleto de magia quando ela chega com a sua carne trêmula, o seu olhar pidão, quando ela encena toda sua manifestação nos seus lábios saborosos que se esfregam nos meus abismos para nascer em mim o meu poema mais vigoroso, para que eu seja o seu almoço e jantar, seja a sua gula de nunca se empazinar numa eterna dança onde as suas pernas molhando o estio e o seu corpo esguio em quais lençóis desvelando o universo mágico recôndito sob a saia nascendo a fornalha que me abrasa por inteiro e a me fazer timoneiro insone por todo seu percurso abissal. É pra lá de legal quando alcanço toda sua majestade e ela já sem qualquer identidade desliza sobre mim com sua graça de querubim se agachando enquanto eu sussurro meu derradeiro verso obsceno ao seu ouvido. É aí que ela vira um mar revolto com ondas letais. É aí que ela perde o anjo e a domesticação dos animais para virar fera insaciável, com seu ritual inigualável a brincar de dares e tomares. Ritual onde ela me entrega a fechadura e faz de mim a sua chave caindo de boca sobre a minha lâmina iluminada e a cada abocanhada dou-lhe a lapada com a lapa do meu poder até desaguar abundante a invadir todas as cercanias amantes porque ela deu-me o prazer ao beber minha vida na festa de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - Se é que existe uma história da mentira, isto é, do falso testemunho, se é que toca em alguma radicalidade do mal chamado mentira ou perjúrio, ela não poderia se deixar apropriar por uma história do erro ou da verdade. Por outro lado, se a mentira supõe, ao que parece, a invenção deliberada de uma ficção, nem toda ficção ou fábula equivale a uma mentira; tampouco a literatura. Pode-se, desde já, imaginar mil e uma histórias fictícias da mentira, mil e um discursos inventivos, fadados ao simulacro, à fábula, à produção de formas novas referentes à mentira e que nem por isso sejam histórias mentirosas, isto é, se adotarmos o conceito clássico e dominante da mentira, histórias que não sejam perjúrios e falsos testemunhos. Esse limite é uma chance e uma ameaça, o recurso a um tempo do testemunho e da ficção literária, do direito e do não-direito, da verdade e da não-verdade, da veracidade e da mentira, da fidelidade e do perjúrio. Pensamento do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004). Veja mais aqui.

TEMPO PASSADO – [...] As últimas décadas deram a impressão de que o império do passado se enfraquecia diante do “instante” (os lugares-comuns sobre a pós-modernidade, com suas operações de “apagamento”, repicam o luto ou celebram a dissolução do passado); no entanto, também foram as décadas da museificação, da heritage, do passado-espetáculo, das aldeias Potemkin e dos theme-parks históricos; daquilo que Ralph Samuel chamou de “mania preservacionista”; do surpreendente renascer do romance histórico, dos best-sellers e filmes que visitam desde Tróia até o século XIX, das histórias da vida privada, por vezes indiferenciáveis do costumbrismo, da reciclagem de estilos, tudo isso que Nietzsche chamou, irritado, de história dos antiquários. [...] Trecho extraído da obra Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva (Companhia das Letras, 2007), da escritora e crítica literária argentina Beatriz Sarlo. Veja mais aqui.

DIÁRIO DA QUEDA - [...] eu não tinha nada em comum com aquelas pessoas além do fato de ter nascido judeu, e nada sabia daquelas pessoas além do fato de elas serem judias, e por mais que tanta gente tivesse morrido em campos de concentração não fazia sentido que eu precisasse lembrar disso todos os dias [...] Faria diferença eu explicar como morreram um a um dos parentes do meu avô? Alguém se abalaria mais ou menos se o irmão, o outro irmão, o terceiro irmão, o pai e a mãe, a namorada e ao menos um primo e uma tia, e sabe-se lá quantos amigos e vizinhos e colegas de trabalho e pessoas mais ou menos próximas, se um a um deles tivesse a morte mais ou menos natural em Auschwitz, na enfermaria ou nos campos de trabalho, ou se eles tivessem sido mandados para a câmara, e recebido um cabide para pendurar a roupa, e ouvido a música que os guardas faziam tocar enquanto todos esperavam pelo que seria um banho quente, enquanto isso as cápsulas de ácido cianídrico exposto ao ar entravam em sublimação para liberar o gás, e o gás era aspirado, e penetrava na corrente sanguínea, e alguns sentiam uma agonia tal que se jogavam contra as paredes em desespero, e demorava um tanto até que todos finalmente caíssem, e fossem arrastados para fora, e postos numa mesa de cirurgia, e tivessem o corpo aberto, e a gordura retirada, e os dentes extraídos, e os olhos arrancados, e os órgãos postos em compartimentos um por um, fígado, rins, pâncreas, estômago, pulmões, coração, e o que sobrou foram a carcaça e os ossos, e a carcaça e os ossos foram jogados em covas, um milhão e meio de buracos cavados e ocupados por esqueletos que um dia foram adultos de trinta quilos e sem nome? [...] Em trinta anos será quase impossível achar um ex-prisioneiro de Auschwitz. Em sessenta anos será muito difícil achar um filho de ex-prisioneiro de Auschwitz. Em três ou quatro gerações o nome Auschwitz terá a mesma importância que hoje têm nomes como Majdanek, Sobibor, Belzec [...] A inviabilidade da experiência humana em todos os tempos e lugares sempre foi um conceito à disposição doo meu pai. Ninguém mais que ele poderia ter se agarrado a isso para justificar toda e qualquer atitude ao longo da vida: ele poderia ter sido o pior patrão e o pior marido e o pior pai porque aos catorze anos se defrontou com esse conceito, diante do meu avô caído sobre a escrivaninha, e então a briga que tivemos quando decidi mudar de escola e a conversa que tivemos em frente à churrasqueira e a maneira como ele reagiu à minha entrada na faculdade e à vinda para São Paulo e aos meus três casamentos e ao dia em que dei a notícia do Alzheimer poderiam ter sido diferentes, e neste momento eu não estaria falando dele porque já o teria julgado desde sempre, e assim como ele em relação ao meu avô eu não teria nada a dizer a seu favor, e assim como ele em relação ao meu avô eu não nutria nenhum carinho ou empatia, e jamais teria me sentido como um filho se sente em relação ao pai sem que precise dizer ou explicar coisa alguma. [...]. Trecho da obra Diário da queda (Companhia das Letras, 2011), do escritor e jornalista Michel Laub.

PRAIA VERDE - Rudes oliveiras / de frondes argenteas, / fina praia verde / pende para o mar / no odor do timo / bão bebendo a brisa / primaveril / as sutis borboletas / e na monotonia / do plangente / cântico do mar / penso, vou pensando: / onde a vida / possui uma praia? / Onde seu fundo? / E flui a vida, e flui a onda. Poema do poeta e filósofo italiano Mario Novaro (1868 – 1944).


A arte do artista estadunidense Ron Hicks.


CLÉLIA MARTINS – Clélia é uma geminiana de 24 anos de idade, estudante com 3 filhos. Conheça ela melhor.

LAM - Clelia, vamos começar pelo lugar que você nasceu: o que você acha do lugar onde nasceu? É só uma lembrança ou tem importancia e faz com que você se orgulhe do lugar onde nasceu?

Bom eu nasci em Cacoal RO, tenho um certo orgulho sim de ter nascido neste lugar. Mas, para mim é apenas uma lembrança, saí de lá muito pequena, não pude ter uma vida lá. Então é uma boa lembrança em minha vida.

LAM - Qual a importância da familia para você? Seus pais acompanham e dialogam com você? E seus irmãos e parentes?

Para mim, a minha familia é uma dádiva de deus,adoro a minha família.
Meu pai sempre esteve presente em todos os momentos da minha vida, ele é muito companheiro. Minha mãe deus ha levou quando eu tinha apenas treze anos.
Hoje tenho só meu pai e meu irmão,a minha irmã deus tambem levou faz quatro anos.
Sempre fomos muito unidos.

LAM - O que você pretende ser e alcançar profissionalmente na vida? Vôcê tem algum objetivo na vida?

Eu pretendo ser técnico-informatica, meu objetivo é terminar os meus estudos, fazer alguns cursos e ser uma profissional bem sucedida e respeitada.

LAM - O que você espera da vida? Você espera um milagre ou está pronta para batalhar pelo que deseja e anseia?

Olha eu acredito em milagres sim, mas tudo nesta vida para se conquistar tem que ser com muita luta e muita batalha.
Por isso eu estou pronta para batalhar pelos meus sonhos.para alcançar os meus objetivos com certeza estou pronta para batalhar.

LAM - Quais as suas principais preferencias musicias, nutricionais, sociais e pessoais? O que você gosta de fazer nas horas vagas?

Minhas musicas favoritas são as românticas, não tenho nenhuma dieta como de tudo um pouco, gosto de ajudar as pessoas, sou uma pessoa muito alegre de bem com a vida, nas minhas horas vagas eu gosto de ir fazer caminhada e correr um pouco, adoro correr.

LAM - Que experiência positiva você tem do seu período escolar? A escola contribuiu para a sua formação e tem preparado você para vida, para o trabalho e para o exercicio da sua cidadania?

Bom eu obtive muitos conhecimentos na escola durante minha infância, esse conhecimento tenho guardado comigo, pois são eles que me fazem ver o melhor dessa vida,que me ensinaram boa parte da minha educação no dia de hoje

LAM - O que você mais detesta na escola? Existe algo que deveria mudar na escola?

O que eu mais detesto na escola, é ver como os professores são desrespeitados por jovens que não se interessam por nada, vão para a escola ofender os professores. Deveria mudar as leis para com os professores, a lei deveria amparar mais os professores, que os alunos,assim eles os respeitariam.

LAM -. Como você seus amigos? O que voce espera deles? As pessoas valem a pena ser consideradas ou a vida é uma onda mesmo?

Eu amo os meus amigos,espero deles a sinceridade e a lealdade.
Vale muito a pena considerar as pessoas, pois o bem deve sempre prevalecer.
Somos filhos do mesmo criador, nosso deus.
Porque deus nos diz que devemos amarmos uns aos outros como a si mesmo,devemos considerar sim as pessoas.

LAM - O que você acha do Brasil? É o melhor país do mundo ou precisa dar um jeito nessa troçada toda?

Olha o Brasil é um país maravilhoso,adoro o meu país,mas eu acredito que com alguns ajustes o Brasil ficaria ainda melhor.

LAM - Qual a mensagem que já teve oportunidade de tomar conhecimento e gostaria de dividir com outras pessoas?

Viva a cada dia como se fosse o ultimo,pois o futuro a deus pertence.



VEJA MAIS:
TODO DIA É DIA DA MULHER





Veja mais sobre:
Segunda feira & as notícias do dia , Carl Sagan, Diná Silveira de Queirós, Giacomo Carissimi, Domenico Mazzocchi, Luigi Rossi, Torquato Neto, Martin Esslin, Joseph Newman, Leatrice Joy, Dita Von Teese & George Spencer Watson aqui.

E mais:
Direitos Humanos aqui e aqui.
Direito à Educação aqui, aqui e aqui.
A música de Drica Novo aqui.
A salada geral no Big Shit Bôbras aqui.
Desabafos de um perna-de-pau aqui.
Literatura de Cordel: O casamento da porca com Zé da lasca, de Manoel Caboclo e Silva aqui.
Zé-corninho & Oropa, França e Bahia aqui.
A música de Rogéria Holtz aqui.
O Direito das Coisas aqui.
Gustave Courbet, Consuelo de Castro, Robert Altman, Marcela Roggeri, Sérgio Augusto de Andrade, Vieira Vivo, Rose Abdallah, Liv Tyler, Direito Constitucional & efetividade de suas normas aqui.
Literatura de Cordel: A peleja de Bernardo Nogueira com Preto Limão, de João Martins de Athayde aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.
 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...