DITOS & DESDITOS: [...] Apesar do fato de que em
alguns mortais de sorte, poesia e pensamento têm, poderia ter ocorrido
ao mesmo tempo e em paralelo, apesar de em outros. Felizmente, poesia e
pensamento poderiam ter se tornado um expressivamente, a verdade é que
pensamento e poesia enfrentam todos em toda a nossa cultura. [...] E assim vemos mais claramente a condição da
filosofia: admiração, sim, espanto. antes do imediato, para começar
violentamente a partir dele e lançar em outra coisa, algo que deve ser
buscado e perseguido, que não é dado a nós, que não revela sua presença.
Trechos extraídos da obra Filosofía y poesia
(México: Fondo de Cultura Económica, 2006), da filósofa e escritora espanhola María
Zambrano (1904-1991), que expressa em seu pensamento que: O próprio do homem é abrir caminho, porque,
ao fazê-lo, põe em exercício o seu ser; o próprio homem é caminho. TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
quarta-feira, julho 22, 2020
MARÍA ZAMBRANO, MERCEDES BAPTISTA, FLÁVIA PINHEIRO & A LUA NÃO PODE SER ROUBADA
DITOS & DESDITOS: [...] Apesar do fato de que em
alguns mortais de sorte, poesia e pensamento têm, poderia ter ocorrido
ao mesmo tempo e em paralelo, apesar de em outros. Felizmente, poesia e
pensamento poderiam ter se tornado um expressivamente, a verdade é que
pensamento e poesia enfrentam todos em toda a nossa cultura. [...] E assim vemos mais claramente a condição da
filosofia: admiração, sim, espanto. antes do imediato, para começar
violentamente a partir dele e lançar em outra coisa, algo que deve ser
buscado e perseguido, que não é dado a nós, que não revela sua presença.
Trechos extraídos da obra Filosofía y poesia
(México: Fondo de Cultura Económica, 2006), da filósofa e escritora espanhola María
Zambrano (1904-1991), que expressa em seu pensamento que: O próprio do homem é abrir caminho, porque,
ao fazê-lo, põe em exercício o seu ser; o próprio homem é caminho. quarta-feira, janeiro 06, 2016
ARDÊNCIA, LACAN, PITÁGORAS, LATORRE, LAFORGUE, NINA KOZORIZ, RACHEL LEVKOVITS & MUITO MAIS!!!!
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA: ARDÊNCIA (Imagem:
arte de Meimei Corrêa) – Ela chegou com
todo o verão: um calor de dezembro de elevadíssimos graus a incendiar minhas noites
de frio e a promessa de um amor vivo além de todas as fronteiras. E me trouxe
seus olhos ternos para que eu enxergasse a vida e todas as coisas no meio das
labaredas de seu fogo inextinguível a me convidar pra vida por todos os meios
de existir. E a sua boca de sol para iluminar meus caminhos com versos de fêmea
que sabe o amor e eu a vi e supus que se fizesse viola para eu compor poemas e
canções entre os relâmpagos etéreos da sua apaixonante criatura. E os seus
seios macios dos mais ternos sentimentos pro meu abrigo e a cuidar do meu
descuidado jeito doido varrido de não temer as hostilidades alheias,
acalentando meus murmúrios e acariciando com a sua delicadeza e ternura o meu
coração atormentado de desespero. E me deu seu sorriso enluarado com o brilho
de todas as estrelas no céu para iluminar minhas noites de completa solidão. E
me ensinou o outono com o sal de sua pele a me dar a face da felicidade com
todos os pomares de sua vitalidade maternal. E me abrigou do inverno para que
eu não tenha mais que cair da minha sazonal sorte e despencar pelos tropeços
das desgraças. E me trouxe a primavera com toda pujança do seu encanto e com
todo gracejo a morrer de rir com minhas besteiras exaltadas de meter as mãos
pelas pernas errando de tudo até de mim quando sou mais que nada na ausência de
tudo. E me fez amar essa parte de Deus que ela é num pedaço de vida maior que o
universo e senti-la porta aberta no frescor do vento com seus preparativos
diligentes para o amor. E seguimos juntos por todas as nascentes para revirar
céus e terras no entusiasmo da minha incompletude e a me embriagar com os
festejos de sua plenitude a me falar das coisas de hoje e amanhã adoçando as
amarguras das minhas mais insossas desventuras. E meu corpo passou a viver sua
vida. E minhas mãos a guardar os seus seios e a procurar a formosura do seu
ventre para me banhar são e salvo de todos os males. E a sua entrega altruísta
me fez poeta no meio de nossas noites e dias imorais, a recitar poemas aos
nossos fogosos prazeres dos desejos mais intensos de dois amantes, a fazer uma
canção para quem ama de verdade. Assim foi e será: dos dois, uma só vida. (Luiz
Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui e aqui). domingo, abril 29, 2012
JOAN DIDION, OLGÁRIA MATOS, ALEX POLARI, TURETTA & LITERÓTICA
DITOS & DESDITOS - Muito
me preocupa essa tendência, talvez mundial, da redução de todos os ramos da
vida à questão econômica. O padrão do raciocínio e do pensamento fica sendo o
da autoconservação, da produção, do trabalho e do desemprego... quer dizer, as
questões propriamente políticas ficam confundidas com as questões econômicas, e
a tradição do espaço público, portanto, de um mínimo de espaço garantido de
igualdade, onde todas as diferenças possam dialogar, um espaço que independa de
poder aquisitivo, de religião, de raça, de preferências ideológicas... isso
está tendendo a desaparecer nessa indiferenciação de uma igualdade abstrata no
mercado consumidor. Acho que isso reduz o debate político e reprime o
pensamento. Por outro lado, e correspondente a isso é o ascenso do populismo,
quase que em nível internacional, e com isso você tem também uma fusão da
sociedade, e o único fator de coesão fica sendo a aquisição de bens materiais.
Eu acho que isso enfraquece a vida espiritual da sociedade e o exercício do
pensamento. Pensamento da filósofa Olgária
Matos.
ALGUÉM FALOU: Os
jovens cresceram sem conhecer a dura realidade de outras partes do mundo, com
crises econômicas e políticas, desemprego, e revoluções. A conjunção benéfica
de fatores manteve os jovens americanos isolados em um casulo infantil. Quando
converso com estrangeiros sobre a nova geração americana, eles me dizem que um
americano de 20 anos age como se fosse um adolescente de 14 anos em seus
países. A razão para escrever blogs é falar de si mesmos. A razão para ter um
site em uma rede social, falar no celular ou enviar mensagens é manter contato
com os amigos. Se usassem essas ferramentas para conhecer mais sobre artes ou
História, seria ótimo. Mas o americano de 16 anos não está interessado em
História ou política. O americano de 16 anos só está interessado em outros
americanos de 16 anos. Não interessa o que aconteceu há 60 anos, na Segunda
Guerra Mundial, só o que ocorreu há 15 minutos, na cantina. Não querem saber
quem foi Napoleão. Só querem saber do melhor jogador da escola ou da líder da
torcida. A falta de contato com os adultos impede os jovens de crescer. Pensamento
do professor Mark Bauerlein, autor
da obra The Dumbest
Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our
Future - Or, Don't Trust Anyone Under 30 (Jeremy Tarcher/Penguin, 2008).
FILHA DA DOR - Um
dia, eles me levaram para um lugar que hoje eu localizo como sendo a sede do
Exército, no Ibirapuera. Lá estava a minha filha de um ano e dez meses, só de
fralda, no frio. Eles a colocaram na minha frente, gritando, chorando, e
ameaçavam dar choque nela. O torturador era o Mangabeira [codinome do escrivão
de polícia de nome Gaeta] e, junto dele, tinha uma criança de três anos que ele
dizia ser sua filha. Só depois, quando fui levada para o presídio Tiradentes,
eu vim a saber que eles entregaram minha fi lha para a minha cunhada, que a
levou para a minha mãe, em Belo Horizonte. Até depois de sair da cadeia, quase
três anos depois, eu convivi com o medo de que a minha filha fosse pega. Até
que eu cumprisse a minha pena, eu não tinha segurança de que a Maria estava
salva. Hoje, na minha compreensão feminista, eu entendo que eles torturavam as
crianças na frente das mulheres achando que nos desmontaríamos por causa da
maternidade. Fui presa e levada para a Oban. Sofri torturas no pau de arara, na
cadeira do dragão, levei muito soco inglês, fui pisoteada por botas, tive três
dentes quebrados. Éramos torturadas completamente nuas. Com o choque, você
evacua, urina, menstrua. Todos os seus excrementos saem. A tortura era feita
sob xingamentos como ‘vaca’, ‘puta’, ‘galinha’, ‘mãe puta’, ‘você dá para todo
mundo’… Algumas mulheres sofreram violência sexual, foram estupradas. Mas
apertar o peito, passar a mão também é tortura sexual. E isso eles fizeram
comigo. Eles também colocaram na minha vagina um cabo de vassoura com um fio
aberto enrolado. E deram choque. O objetivo deles era destruir a sexualidade, o
desejo, a autoestima, o corpo. Depoimento da socióloga e professora Eleonora
Menicucci de Oliveira, a respeito da sua prisão em 11 de julho de 1971, em
São Paulo (SP). Veja mais aqui e aqui.
ALBUM BRANCO - [...] Contamos histórias para poder viver [...] Um lugar pertence
para sempre a quem o reivindica com mais força, lembra-o de forma obsessiva,
arranca-o de si mesmo, dá forma, torna-o, ama-o tão radicalmente que o refaz à
sua própria imagem... [...].
Trechos extraídos da obra The White Album (Farrar, Straus & Giroux Inc, 2009),
da escritora e jornalista estadunidense Joan Didion (1934-2021),
narrando sobre eventos diversos, entre eles a cultura de massa, as jornadas
obscuras da família Manson, o surgimento dos shoppings e a fundação dos
Panteras Negras, entre outras, refletindo sobre o absurdo e a paranoia que
marcaram os anos 1960 e 1970, entre outros assuntos, um mosaico jornalístico e
ensaístico do cotidiano americano de uma época fundamental para os Estados
Unidos e o mundo.
SOBRE NOSSAS COMPANHEIRAS
NOS AMAREM - Elas compõem um imenso partido / de elos
partidos, correntes quebradas / partidas sustadas, idas sem volta. / Elas estão
presas a uma liberdade forçada / e às vezes retornam a esses muros / quando as
luzes da cidade / apenas se extinguem. / Cada uma delas traz em si uma marca: /
o conhecimento que o espelho não reflete / o amor semiclandestino do corpo que
não sua / o gemido da carícia que se esconde. / Cada uma delas traz em si um
medo / de grade que fraciona os orgasmos / do cadeado que divide as sensações /
do outro que floresce no próprio luto / daquele que espreita no antigo leito / do
reverso da moeda da própria sorte. / Cada uma delas conhece uma dúvida: / da
vida anterior que não se repete / do teor imprimido aos novos passos / da
espera que continua sendo essencial. / Elas têm dúvidas sobre a liturgia / dos
corpos sacramentados pelos anos / das penas excessivas com que os tribunais / condenam
nossas ereções inúteis / das garantias necessárias por uma dedicação difícil. /
Elas têm toda a razão em suprir a carência / de sexo e de projetos / mas sabem
no fundo / que o maior sentimento possível / mora numa enxovia / sombria e
úmida. Poema do poeta Alex Polari de Alverga.
A arte do fotógrafo italiano Angelo Raffaele Turetta.
ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA
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