sexta-feira, novembro 23, 2018

DINAH SILVEIRA DE QUEIROZ, GONZAGUINHA, EUGENIA LOLI & MAIS OUTRAS COISAS.


CARTA INÚTIL – Imagem: arte da artista grega Eugenia Loli - Sempre o que pensei de mim era quase nada diante da imensidão do universo e do que há por trás das menores coisas: do horizonte ao céu sem fim a inacessível compreensão, por trás do mínimo grão de areia há muito mais invisível, eu sei. Das lições, a de Pessoa - a tabacaria de Álvaro -, o apelo de Drummond, os ocos de Eliot e por aí vai, muitas. Não servi a nenhuma religião, outra é a minha fé. Fui apenas batizado sem ninguém me consultar, crianças seguem à vontade dos pais. Até simpatizei os quakers, o zen-budismo, o taoísmo, contudo prevaleceu minha raiz caeté e me fiz pela espiritualidade: o Todo sou eu e tudo. Comecei a trabalhar cedo, logo aprendi responsabilidades e fugia de todas elas, até ser capturado em nome da moral e dos bons costumes que nunca aceitei. Adolescente, não servi às forças armadas, pudera, um franzino batoré não possuía estatura para se enquadrar nos moldes exigidos e jamais conseguiria sustentar o peso de uma bandeira patriótica no meio do maior negrume: fui reservado por não atender às exigências e excesso de contingente. Das leituras me vi no labirinto das palavras, não sabia sequer o que falava, a escrita seduzia e queria aprender: não era pro meu bico, quem não teimoso. Meus estudos nunca serviram para nada, as paralelas seguem Letras, Pedagogia, Direito, Psicologia, ciências, artes, quanta seriedade, ideias e perfumarias, múltiplos tentáculos para muita coisa, tudo balela que se amontoou na cachola. Na educação optaram pela privada e fizeram disso a pública: aprender a negociar, o resto é letra morta. No direito, nunca consegui dispor do interesse de dois senhores, lá e loa, e só há justiça na decisão de escolher o menor prejuízo. A psicologia tem teste pra tudo, o que importa é cuidar da doença, nunca a saúde. Vi-me completamente inútil, aliás, o cúmulo da inutilidade: o mercado é a lei. E eu: não! Na minha ascese, por anos me imolava na inquebrantável vontade de ser alguém na vida e só consegui ser talqualmente isolado no hospício de Van Gogh e no exílio voluntário de Rimbaud. Na verdade, tornei-me um proscrito e o que fiz tudo de apócrifo. Quando olho pra trás, um rol interminável de experiências e mais nada. Outras tantas coisas aprendi e guardo comigo, só valem mesmo pra mim. O que fiz do amor? Cultivei o que sempre senti – ser-me todo coração -, tanto sofria como fui feliz de nem saber as dores e tormentos que causei. O que fiz da amizade? Tantos amigos ao longo da jornada, hoje apenas lembranças e solidão. O que fiz da vida? O futuro no instante de agora e nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] aquela graciosa figura que sobressaía das outras mulheres, como se ela fosse uma fidalga menina de paço, ali encontrada, não sabia por que espécie de acontecimento. Até o vestido era diferente. Enquanto tôdas as outras usavam saias de algodão e corpetes soltos, também de algodão, Margarida estava com uma linda blusa de sêda, e uma saia de chamalote. Além disso, trazia jóias, brincos, colares e o cabelo louro penteado irrepreensivelmente. Parecia injusto ver, na mesma fazenda, uma tão chocante regalia de luxo. [...] enquanto falava as cunhadas a olhavam com interesse e uma espécie de ternura, como se fosse o orgulho de todas. [...] Eu não sou filha de minha mãe no sacrifício. Vá vosmecê escarafunchar na cozinha, no quintal e aí por fora, que há de ver nosso sangue misturado aos desses macacos. [...] Vosmecê não se impressione mal com Rosália. Tem língua solta, foi mal educada e mimada por todas nós. Eu lhe deveria ter, como mana velha, aplicado a palmatória, mas nem Mãe Cândida a corrige. E o resultado é este: uma menina sem modos, dizendo toda espécie de inconveniências. Eu lhe peço Cristina. Não dê trela para suas conversas e, como pessoa mais velha, a censure e a corrija quando for oportuno. [...] Leonel olhou atentamente Isabel, naquela sua mistura de mulher e de homem. Os pés sujos de pó, calçavam grosseiras sandálias. As mãos estavam cheias de terra, na ponta das unhas. E, no entanto, o rosto de Isabel, com fiapos de cabelo arrebentado caindo pela testa, era o de uma criança pálida e talvez doente [...] Doença de mulher é coisa que não conta. Quantas vezes eu já me senti indisposta? Só que não bambeei como desta. Tive força e acompanhei vosmecê. Mas isso não vai se repetir. [...] Triste amor – se é que aquilo pudesse ter um nome assim bendito. Sempre Cristina ouvira falar em almas que se compreendiam, quando se desentendiam os corpos. Ali mesmo, naquela terra tão nova, não conhecera já tantos casos em que as mulheres abnegadamente criavam os filhos de seus maridos – os filhos da depravação ou da lonjura dos matos? Esses eram o casamento das almas. E o seu? Haveria então outra história igual a sua? [...] Pela manhã, moradores do arraial chegavam, medrosos, às proximidades do capão de mato. À noite ainda ouviram gemidos, uns débeis gemidos, mas agora se via – estavam todos mortos. Mulheres se abraçavam aos maridos e tinham crises violentas de choro. Um habitante teve tanta emoção, que saiu a correr, endoidecido, ao ver aquêle amontoado da monstruosa matança. [...].
Trechos extraídos da obra A muralha (José Olympio, 1956), da escritora Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista grega Eugenia Loli.
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AGENDA:
O qaue é isso o negro? – 26/11, 19hs, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) – UFPE – Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
A escritura do visinvisível, Eduardo Galeano, Flora Purim, Rolando Boldrin, Adoniran Barbosa, Joseph Campbell, Jaci Bezerra, Ingrid Pitt & Arthur Braginsky, Resiliência & Quipapá aqui.
&
Como quem espera e já foi, Ahmadou Kourouma, Baruch Espinoza, Henri de Toulouse-Lautrec, Psicanálise & Direito de Renata Vescovi, Lajedo, Ovídio Poli Júnior, Gerusa Leal, Clara Redig, Toninho Horta, Badi Assad, Max Richter & Charlotte Gainsbourg aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior – Gonzaguinha (1945-1991): Coisa mais maior de grande – Pessoa, Da vida, De volta ao começo & Alô, alô, Brasil & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


quinta-feira, novembro 22, 2018

MARGARET ATWOOD, TOMOKO MUKAIYAMA, DAVID WALKER & ROBERTA ABREU


SEGUIR ADIANTE – Quantos segredos no meu exílio noites a fio madrugada adentro e as lembranças povoam o menino travesso na beira do rio que me deu a vida e o aprendizado de empinar papagaios, galinha d’água na corrente, a terra batida ao solado dos pés, trelas e folgas aos quatro ventos. Quantas vezes não fui ao brinquedo para saber que outros nem tinham como brincar, e brincávamos todos aos pulos e arengas, apostas e desafios, o que parecia nunca mais acabar. Quantas vezes não me atrepei em muros e galhos seguros à cata das intimidades femininas com suas vestes sumárias a cobrir seus corpos seminus, areando panelas, lavando roupas, tomando banho, nada mais radiante que a exposição de coxas e seios, a findar em carreiras na hora do flagra. Quantas vezes a pedalar pelas ruas enfrentando surpresas juvenis por catombos ou empurrões de corpo, mãos esquentadas na calçada e arranhões arrancando samboques aos joelhos, a fuga dos latidos e a pressa de ir pra casa me livrar de reprimendas e castigos. Tantas não foram sob o céu nublado de nuvens carregadas inaugurando a temporada no inferno e o vento úmido anunciando a invernada que me faria doravante sobrevivente das horas mais periclitantes. Quantos segredos guardados na cidade que gemia aos golpes da tirania, com todos os arroubos da violência e na violação dos direitos, tiros e lâminas entre os dentes que rangem outros temores e a minha morada mais parecia um navio que ia a pique, quilha partida, para que eu e muitos procurassem salvação à deriva no mar aberto de todas as adversidades. A cidade antes minha cada vez mais estranha e eu estrangeiro ao desalento pelo sufoco de mercenários déspotas esquentados pelo álcool sobre os submissos antepassados e nenhum gesto esboçado, a tomar de mim e de todos o que era de todos a sumir na festança invisível. Era ali que aprendia indignação com as invectivas das víboras com seus pretextos obsequiosos de tramar travessia a pregar zis peças e minha gente embotada levando corda para farsantes truculentos e nada mais era que um deserto das miragens coloridas. Não me podia dar de ombros e reduzir-me ao silênci0, nem queria, nem me fazia alheio a tudo com olhos túmidos e tímidos salvando as nesgas de sonho entre mãos e abraços, e por quimeras que julgava a hora certa e passavam incólumes pro desapontamento, outras vezes vinham incendiando os ânimos para serem jamais. Tantos segredos esquecidos na memória e os anos se passaram acumulando o arrastado e aprendia às duras penas a lição que não devia. E aprendi de verdade o temperamento ameno pelas bênçãos de Deus e mil vezes abençoado na perseverança por duros labores, não podia me acomodar e nenhuma queixa nos lábios quando tudo saía errado e até algumas vezes dava certo quase nenhuma, assobiando de contentamento por ter que enfrentar sempre e a cada dia com bonomia entre mutirões na inexprimível satisfação de ter o peito aberto paratodos que sequer sabem dos segredos da alvorada e a se valerem da vida após o crepúsculo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A Natureza exige variedade para homens. [...] As mulheres sabem disso instintivamente. Por que elas compravam tantas roupas diferentes, nos velhos tempos? Para enganar os homens levando-os a pensar que eram várias mulheres diferentes. Uma nova a cada dia. [...] pararei de reclamar, aceitarei meu destino. Eu me sacrificarei. Eu me arrependerei. Abdicarei. Renunciarei. [...] Quero continuar vivendo de qualquer forma que seja. Renuncio a meu corpo voluntariamente para submetê-lo ao uso de outros. Eles podem fazer o que quiserem comigo. Sou abjeta. Sinto, pela primeira vez, o verdadeiro poder deles. [...]
Trechos da obra O conto da Aia (Rocco, 2017), da premiadíssima escritora e crítica literária canadense Margaret Atwood. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista britânico David Walker. 
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AGENDA:
O novo CD da cantora e compositora Roberta Abreu & muito mais na Agenda aqui.
&
A música é dela, Hermilo Borba Filho, Oswald de Andrade, Alfred Whitehead, Michel Foucault, Irmãos Grimm, Aglaura Catão, Eliane Elias, Terra Chapman & São Joaquim do Monte aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista, compositora, artista e diretora japonesa Tomoko Mukaiyama: Japanese Erótica, Sonatas de Sofia Gubaidulina, Inner Peace de Vanessa Lan & Op Oerol & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.


quarta-feira, novembro 21, 2018

CANTO MAPUCHE, WASHINGTON IRVING, ALMA CAETÉ, SÁ&RODRIX&GUARABYRA & LETRA DE MULHER


CANTO MAPUCHE - Meu coração viajante segue em paz pelas distâncias mais remotas nos escalavros do tempo e se faz solidário ao povo Mapuche nas lágrimas de Sudipa Tita Parra que escoam pelo Biobio e Toltén na morte de Camilo Catrillanca. Nossas vozes se unem para resistirem desde a Guerra do Arauco por mais de trezentos anos e sou ela e todos dali. Meu coração andejo sequioso de impenetráveis caminhos não se abate com a ruindade por milhas de extensão no confinamento deste povo em reduções e reservas no processo de despojo, porque dele eu sou como a Terra e o Ar. Meu coração se faz trezentos batimentos indignados em coro com Tita: “No màs violencia y asesinatos en nuestras Vida!!!!” e clama por vida enquanto os maus tratos são assíduos infortúnios e os meus trezentos cantos ecoam Danko Ulloa: “Hay que hacer em cada momento lo que em cada momento es necessário”. Meu coração persegue em cantar trezentas vezes mais diante da intolerável opressão na luta pela recuperação do território ancestral por tantos conflitos e me doem a alma caeté a exploração e discriminação aos massacrados pelo extermínio no enfrentamento com a brutalidade e as invasões ilegais nos tribunais fiadores dos abusos e da impunidade. Meu coração se transforma em trezentas toadas para os mapuches presos condenados pela política genocida, enquanto o fogo consome a escola rural de Chequenco e a capela de Trañi-Trañi. E mais trezentas vezes mais sou em Santiago, onde milhares lamentam a morte rondando esse povo indígena e fazem com que meu coração txai siga a canção sagrada do vento trazentas vezes trezentas e persiga o sopro da ventania entre as pedras e as águas, a se manifestar com todos os sons do cultrún, da trutruca, da pifilca, Ñorquin, quinquer-cahue em zis canções que falam por si porque tudo é sagrado na alma e na dança do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] As coisas foram indo de pior em pior à medida que os anos matrimoniais passavam; um temperamento azedo não se edulcora com a idade, e lingua afiada é o único instrumento de corte que não fica embotado com o uso. Por longo tempo Rip consolou-se, quando posto fora de casa, com uma espécie de clube de sábios, filósofos e outros vadios da cidade [...] O pobre Rip já estava quase deduzido ao desespero; seu único recurso para escapar ao trabalho da horta e às celeumas da esposa reduziu-se a passar a mão na espingarda e afundar na floresta. [...] Num desses passeios pela floresta, por um belo dia outono, Rip distraidamente alcançou um dos pontos mais altos da Kaatskill. [...] Começou a descer, súbito, uma voz, longe: “Rip van Winkle! Rip van Winkle!”. Ele olhou em torno e nada viu além dum corvo solitário a riscar o céu. [...] surpreendeu-se de dar com um ser humano ali naquele deserto; mas imaginando que alguém morador das vizinhanças necessitado de assistência, foi-lhe depressa ao encontro. [...] Trazia ao ombro um pesado barrilete [...] Rip assentiu, com a sua habitual bonomia; e revezando-se, os dois se foram de barrilete às costas. [...] Ao verem chegar o companheiro com aquele desconhecido, largaram do jogo e puseram-se a olhar para Rip com tanta fixidez de estátua e tais caras que o coração deste conturbou-se e seus joelhos flectiram. O homem do barrilete despejou o conteudo em várias pichorras e fez-lhe sinal para que servisse aos homens. Rip, a temer, obedeceu em silêncio; e no maior silêncio os jogadores emborcaram as pichorras, voltando em seguida ao jogo. Aos poucos for amortecendo em Rip o medo. Chegou até a provar da bebida [...] E tantos goles repetiu que a tonteira veio, os olhos turvaram-se-lhe, a cabeça foi descaindo – e afinal desabou por terra, tomado de profundo sono. Quando acordou, viu-se no ponto de onde pela primeira vez vira o homem do barrilete [...] a pichorra... “Oh, aquela pichorra, aquela maldita pichorra!”, pensou Rip. “Que desculpa irei dar a Dame van Winkle?” [...] O nome da criança e mais o tom da voz e o ar da mãe buliram com as memórias de van Winkle. – Como é o seu nome, moça bonita? Perguntou ele. – Judith Gardenter. – E quem era seu pai? – Ah, coitado! Chamava-se Rip van Winkle, mas há vinte anos que saiu de casa com a caçadeira e nunca mais voltou; o cachorro reapareceu sozinho; mas se ele suicidou-se no mato ou foi levado pelos indios, ninguém sabe. Eu era tão pequenitota. [...] Um orvalho de alivio caiu afinal na alma de van Winkle, e o pobre homem não pôde conter-se mais tempo. Abriu os braços para a filha e o netinho choramingão, exclamando: - Sou teu pai, minha filha! [...] Trechos do conto Rip van Winkle (Ridel, 2007), do escritor, biografo, ensaista, historiador e diplomata estadunidense Washington Irving (1783-1859). Veja mais aqui.

A ARTE MAPUCHE
 

AGENDA:
Letra de Mulher – Roda de Converça do Coletivo Marianas & muito mais na Agenda aqui.
&
Alma Caeté aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
O vôo de Magritte, Milan Kundera, Egberto Gismonti, Rene Magritte, Haroldo de Campos, Barbosa Lima Sobrinho & A Revolução Praieira, Cortês, Zé Ripe
Célia Labanca & Das coisas da minha terra aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do trio de compositores Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix & Gutemberg Guarabyra: Outra vez na estrada, Cadernos de Viagem, Terra, Passado, Presente & Futuro & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais  aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, novembro 20, 2018

TATJANA VASSILJEVA, MARIA ISAURA QUEIRÓZ, BRYCE CAMERON, CARNEY GRIFFITHS, CONSCIÊNCIA NEGRA & CANTO PÁ QUENTÁ


TIRANDO DE LETRA – Art by Carney Griffiths - Tenho dormido bem, sonhado muito, inclusive, de olhos abertos, mantido uma dieta saudável, acho, pois, não abuso de açúcar ou sal; tomo umas poucas cervejas vez em quando e isso nos finais de semana quando muito, não faço uso de droga nenhuma, nem lícita nem ilícita – às vezes me rendo ao tabagismo e a um chazinho caseiro desses de raízes compradas na feira e só, também me acho filho de Deus, mesmo cônscio de que não sou santo nem pretendo ser perfeito, valha-me. Todavia, quando acordo e boto a cara na rua, desconfio que o dia está mais parecido ao de ontem ou mesmo anteontem e disfarçados de amanhã. Tanto é que agora sempre corro o dedo pelo calendário e mesmo que ele siga adiante por dias, semanas, meses, anos, não me convence ser coisa do crástino: como se o futuro fosse passado ou o tempo estivesse parado mesmo que o dia passe pra tarde, entre pela noite madrugada adentro e tudo seja a mesma coisa. Pode uma coisa dessas? Peraí, ou estou ficando doido – o que não seria nenhuma novidade para mim, juro que não tenho sanidade mental -, ou esse filme eu já vi mais de uma vez, reprises intermináveis. Será possível? Não, não estou assistindo muita televisão, sei que tem quem se deixe influenciar por essa caixa idiota, que ensina a todo mundo a ser pelo menos tagarela, só diga asneiras e veja o mundo quadrado de cabeça pra baixo com tudo às avessas. Já desliguei faz tempo. Da mesma forma, já estou ciente que tem cérebro subutilizado apenas para tirar proveito em tudo e em qualquer ocasião, dando sempre a impressão de que há sempre um tolo de plantão – e esse, com certeza, sou eu, ninguém mais. A desconfiança é tanta que quase sempre constato, por exemplo, que quando um médico resolve um problema, cria outros tantos da gente sucumbir feito uma boceta de Pandora ambulante, sobrecarregados de cachetes e variando pra cima e pra baixo, à procura de um advogado que nos deixará no fim da picada e tratando-nos como um minotauro aprisionado aos labirintos da ilegalidade, uma vez que este só arruma mais bronca e não resolve absolutamente nada. Por isso me sinto quase frito e sem saída, cheio de nó pelas costas, mergulhado numa onda em que o que se aprende não vale nada e que cada um – pelo menos eu mesmo – é apenas um inútil que está na vida só pra dar trabalho à humanidade. Estou quase certo que Deus fez o mundo em seis dias e isso todo mundo sabe; o que não se sabia é que a partir do sétimo dia começou a aparecer pitaqueiro até de um olho só e com um rei na barriga para dar um retoque ali, um consertinho aqui e outros tantos pra botar tudo abaixo segundo seu próprio juízo, fazendo gambiarras sem fim, até dar um nó cego tão grande de deixar todo mundo nessa zona insolvente. Até os dez mandamentos que eram vinte, hoje estão todos quebrados. E já dizia Mark Twain: se Jesus vivesse hoje não seria cristão. Ôpa! Ou eu não estou entendendo nada ou a coisa disparatou de vez e a gente roda e não sai do lugar. Entramos naquela de jurar que nunca faremos de novo e que seremos mais cuidadosos da próxima vez, isso se não se aventurar de jogar com toda força a primeira pedra no ventilador do teto só pra ver o circo pegar fogo. Que tem gente que não se manca, a gente está careca de saber, todos autores das boas ideias que não funcionam e que fazem do inferno uma tolerante convivência recheada de boas intenções com ressentimentos prontos para golpear pelas costas. O que ocorre é que por mais seguro que se ache, há sempre alguém olhando e pronto pra dedar e se achegar na chantagem. Estou quase com a certidão de que não existe mais boa vontade porque todos estão ocupados em se esconder das garras da Receita e Polícia Federais e da Justiça Eleitoral – claro, qualquer coisa que fizer pode ser enquadrado numa dessas fabricações legais extraordinárias que se formam pelas jurisprudências das decisões mais casuísticas. É o que deixa claro a política no Brasil: quando não é conversa pra boi dormir, é conto do vigário - alguém sempre sai lesado, e não é outro senão o próprio eleitor iludido e mal-pago que se vinga contra o primeiro otário que aparecer, e passa a ocupar cargos em qualquer instituição das três esferas e em quaisquer níveis do Poder, só para atrapalhar a vida dos outros, quando deveriam estar atendendo numa pizzaria ou similar, ou mesmo atrás das grades, pelo menos. Com esses, só vale o que se exije por escrito na disfuncionalidade burocrática, em papel assinado com duas testemunhas e passado em cartório, registrado e carimbado para que vire um litígio de séculos. Ainda bem que não sou Shaw, mas bem que podia. Como tenho relevado muito desaforo que não respeita a minha cidadã morenice ameríndia afrodescendente, tiro por menos e sorrio compreensivo para dizer que a minha indignação está pelo gogó e que não sou palito de fósforo para sair por aí tocando fogo em tudo que é monturo. Para aliviar minhas neuras, aprecio sem moderação a Natureza, a imensidão dos céus, as belas mulheres que passeiam, o colorido das coisas, tudo para fazer valer que vivo e vale a pena. Quer saber? Se a vida está um bocado indigesta e cheia de catabís, faço por onde só me alimentar daquilo que não me cause queimores no bucho e mal-estares na caixa dos peitos, pois aprendi que se a gente se levar muito a sério, acaba tendo um troço e acabou-se o que era doce. Amém & amem. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A análise da evolução da posição socioeconômica dos negros na sociedade global, formada pela cidade de São Paulo, mostra que a consciência étnica, representada pelo aparecimento das associações voluntárias, é sutil e móvel em estreita relação com o desenvolvimento sócioeconômico, ameniza-se ou expande-se segundo haja facilidade ou não para os negros ascenderem [...] Agem, pois, os preconceitos como racíonalizaçâo da abertura ou do fechamento do mercado de trabalho da sociedade global, em cada uma de suas camadas, mas as causas da abertura e do fechamento não se encontram na existência ou não de preconceitos, e sim no interior da própria sociedade global como tal que, historicamente formada de brancos e negros, estes ocupando historicamente um nível inferior, caracterizada economicamente como uma sociedade capitalista,desenvolve para ambos as possibilidades de ascensão sócioeconômica, conforme as necessidades internas do seu mercado de trabalho [...].
Trechos extraídos da obra Cultura, sociedade rural, sociedade urbana no Brasil (EdUSP, 1978), da sociológa e premiada escritora centenária Maria Isaura Pereira de Queiróz Veja mais abaixo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista estadunidense Bryce Cameron. 
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AGENDA:
Canto pá Quentá – Mundaré, Tambor de Crioula, Guriatã, Samba de Roda & Samba de Murixaba & muito mais na Agenda aqui.
&
Consciência Negra aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
&
A professora & a festa do espalhafato, Nitolino, Antonio Skarmeta, Iberê Camargo. Jules Michelet, Alda Lara, Isonomia & Walbert de Moura Agra, Panelas, Elis Regina, Al Di Meola, Claudia Telles & Felipe Coelho aqui.
&
Conversa de sinal, Hermilo Borba Filho, Marcel Proust, Giorgio de Chirico, A mundialização de François Chesnais, Educação & Capitalismo de Ladislau Dowbor, Xexéu, Culto à Mawu, Gal Costa, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Lenine, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ivan Lins, Adriana Calcanhoto, Elza Soares & Maria Bethania aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da premiada violoncelista russa Tatjana Vassiljeva interpretando Rococó Variations Tchaikovsky, Double Concert Brahms, Sonatas de Schubert & Schostakowitsch & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.


segunda-feira, novembro 19, 2018

VILLA-LOBOS, MAGDA SZABÓ, SAMUEL CASAL & ESTAÇÃO DO BEM CATENDE


MANDANDO VER NA ENROLAÇÃO – Imagem: Violeiro, do quadrinista e ilustrador Samuel Casal. - No meio das Leônidas, quase aprendi as lições de Leandro Gomes de Barros: glosar os motes da vida. É que na chuva de canivetes e meteoros, eu colhia versos e rimas pra nunca passar de água doce no cordel: a légua é tirana e a gente não se cansa à toa. Pensando bem, tem de se saber se o buraco do coração é mais pra baixo ou mais pra cima, depende de quem sobrevive ao intervalo entre as gargalhadas e o desapontamento. O que nunca se soube de mesmo é ter tudo na conta da moderação. Não sei como ter a coragem de se negar ao prazer: cadê o gato na hora que as coisas vão de mal a pior. Não dá pra chutar o vento, coisa mais besta; e doi demais os dedos dos pés ou das mãos na parede, num é não? O pior é tomar ciência de que um laboratório encontrou rios de insatisfações na dose da bebida, sem contar mágoas e outras tantas frustrações contaminando o tira-gosto e até o guisado, não sei como. Dá pra sentir cada lapada amarga demais, e o cachorro engarrafado joga a culpa no mictório (alguém ainda usa penico, hem? Não cabe, né?). De uma coisa estava certo: o meu problema não estava pendurado atrás da porta; estava ali, inexorável, naquilo que parentes e amigos dizem pelas nossas costas – queando não cospem pra cima, cospem na cara ou na cova da gente. Até então, tinha pra mim: os abstêmios são sempre muito chatos, quando não papa-fortunas, papa-defuntos e por aí vai, até quem tem um bife ou um cachorro-quente por animal de estimação. É que entre a infância e a idade adúltera muitas adolescências pra sacar o que há de errado nisso ou naquilo. De uma coisa eu me valia: se Shakespeare fosse vivo escreveria os capítulos das novelas do plim-plim. E mais: tem que saber o que fazer com os cadáveres todos. Nunca chamei ninguém de animal, só que todos são tratados como tal em todo canto daqui. Afinal, fazem do Brasil um país ideal para tolote de bosta – que o digam os Fabos -, pois terão muitos com quem conversar e laralilará. A corrupção não tem jeito, todos cometem seus crimes em legítima defesa. Em quem botar a culpa, nunca aprendi direito, só sei que roubaram a rolha da marmita e nem enchi a pança direito, meu. Dá pra ver o quanto a sociedade é suicida: muitos correm para aproveitar o máximo de tudo, outros tantos nem estão aí pra quem pintou a zebra, mas quem está com pressa mesmo, hem? O certo é que se deve amar o próximo e os inimigos porque são as mesmas pessoas. E já dizia Voltaire: “É perigoso ter razão em assuntos sobre os quais as autoridades estabelecidas estão erradas”. Fica valendo: quem faz gargarejo três vezes ao dia com aguardente não pega resfriado. Tome nota, isso o Ministério da Saúde nunca advertirá. E não vá cometer a besteira de distinguir uma autobiografia de um obituário, não haverá mentira que chegue. E se é por falta de assunto ou de adeus, até mais ver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Os retratos sabem tudo, sobretudo o que prefiro esquecer, o que já não é sonho. Pois só uma vez, na minha vida, uma única vez, na realidade, e não no estado de fraqueza cerebral devida ao sono, uma porta se abriu diante de mim, que não deveria ter aberto quem se resguardava na sua solidão e na sua miséria impotente, mesmo se o tecto ardente crepitava já sobre a sua cabeça. Só eu tinha poder para fazer funcionar essa fechadura: quem rodava a chave confiava mais em mim do que em Deus, e eu, nesse instante fatal, julgava ser Deus, sábia, ponderada, boa e racional. Estávamos ambas erradas, ela, porque acreditava em mim, e eu, porque tinha fé excessiva em mim. Agora, também já não importava, porque não se podia reparar o que acontecera. Pois que venham, de tempos a tempos, essas Eríneas de alto coturno em sapatos confortáveis, máscara trágica sob a touca de enfermeiras, e rodeiem a minha cama, brandindo as espadas de duplo fio que são os meus sonhos. Eu espero-as, todas as noites, ao apagar a luz, e preparo-me para, no meu sono, ouvir retinir a campainha que faz avançar horror inominável para a porta que não abrirá jamais. [...] Penso, vezes sem conta, que, no fundo, tudo se desenrolou de uma forma muito simples. Emerence já não fazia pesar os seus problemas insolúveis sobre os raros parentes e o círculo mais ou menos definido das suas relações, tudo ela resolvera pessoalmente, num gesto autoritário, à maneira de um grande chefe guerreiro. Quando não se tem mais nada a fazer por si mesmo, porque já não se pode, convém, então, pôr um ponto final na coisa, pois, quando a humanidade caminhar há muito à escala das estrelas, os que estiverem vivos estarão longe de imaginar que, por uma chávena de cacau, nos entregámos a tristes combates, sós ou contra outros, mas, mesmo nessa altura, nunca se poderá corrigir o destino de quem não tem lugar na vida de ninguém [...].
Trechos da obra A porta (Cavalo de Ferro, 2017), da escritora húngara Magda Szabó (1917-2007). Veja mais aqui.

A ARTE DE SAMUEL CASAL
A arte do quadrinista e ilustrador Samuel Casal.

AGENDA:
Estação do Bem: Vem danado pra Catende & muito mais na Agenda aqui.
&
Catende, Ipojuca & Vale do Una aqui, aqui e aqui.
&
E pronde é que vou mesmo, hem?, Henriqueta Lisboa, Moacyr Scliar, Esopo, Julieta de Godoy Ladeira, Renata Magda, Maraial, Gustav Holst, Alisa Weilerstein, Nelson Ayres & Mona Gadelha aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959): A Floresta do Amazonas, Bachianas Brasileiras nº 4, Suite Popular Brasileira & Rasga Coração: Choros nº 10 & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, novembro 16, 2018

SARAMAGO, DIANA KRALL, ERNST FUCHS & MENINOS DE IPOJUCA


TODO DIA E O DIA TODO - Imagem do artista austríaco Ernst Fuchs (1930-2015). - O que é e o que é e o que não é como se fosse. Ter de suportar a qualquer hora e lugar, yanomamis e nós, da alvorada ao crepúsculo, do horizonte ao que não se sabe, até que a noite seja vencida outro dia e sempre. Em qualquer canto, a diferença e o outro que sou: a cada via muitas sensações, nem há como prever. A minha fala, a sua voz, todos os cantos: a harmonia entre os dessemelhantes, amálgamas e zis conjunções. O que mais se doa doi se não recebe, ter a doar sem espera e dar de si sem até ou que jamais se tenha. Seria sempre assim, o que dali viesse, do estranho ao reconhecível, sem considerar o que está posto. Do branco ao preto, matizes, o que da luz quantas cores. Ter de sustentar o mundo aos ombros, sonho que não valeu entre a teoria e a prática: fazer o que deve ser feito, conjugado verbo, além dos pronomes. Ter de aceitar a qualquer custo, sem a medida da dor, porque do mínimo ao polegar, tantas convenções, quantos quereres. Se tudo muda, o que se acerta do erro, o que se erra pra acertar, outros riscos: o que define por indeterminável, o que determina por indefinível. Ninguém merece e tudo ao dispor: do chão ao céu e o visinvisível para adivinhar. A minha mão e a sua, a nossa cor e a diversidade, invenção de vida entre o que se sonha para acordar. Meus olhos e os seus, em círculo, e o que não se vê em cada sentir, nada a guardar das proporções. A nossa fé e a idiossincrasia, dentro de si o que é porque real, o respeito e ter de respeitar dia a dia em qualquer lugar. O que é e o que é e o que não é como se fosse e não. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Eu sou contra a tolerância, porque ela não basta. Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Sobre a intolerância já fizemos muitas reflexões. A intolerância é péssima, mas a tolerância não é tão boa quanto parece. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância.
Contra a tolerância (El País, 1992 – Globo, 2003), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem do artista austríaco Ernst Fuchs (1930-2015).
Veja mais aqui.

AGENDA:
Coral da Orquestra Criança Cidadã dos Meninos de Ipojuca & muito mais na Agenda aqui.
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Eita, Zé Bestão!, Erich Fromm, Jorge Forbes, Millôr Fernandes, Chinua Achebe, Viv Rosser, Jaqueira, Senso Comum, Cultura & Repressão, Jean-Pierre Rameau, Lola Astanova, Celso Viáfora & Karina Buhr aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora e pianista canadense Diana Krall: Live Show, North Sea Jazz Festival, Rio de Janeiro e Live Concert & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.


ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...