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sexta-feira, julho 17, 2015

LÉVINAS, CRAIG, BRÁULIO TAVARES, WOJCIECH, DELAROCHE, BÉCAT, FERNANDA GUIMARÃES, MEIMEI CORRÊA & O CULTO DA ROSA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O CULTO DA ROSA (canção à flor, mulher amada) – Era uma vez e o tempo presente nos prazeres tardios, ah minha alma da vida inventando horizontes, rainha das flores de Safo se desmanchando em doçura nua com seu buquê de açucena na pele quente que semeia a beleza e acode a minha alegria. Era uma vez, duas vezes com todo encantamento da sua nudez que enche a maré de suspiros apertados e eu sentinela viro o inseto que leva o grão de pólen como o pombo com as águas de céu e inferno para ser o adepto mais fiel do seu coração beija-flor. Era uma vez, duas, três vezes e ela nua bole e eu mexo o flagrante anímico de Deus, tiro o doce e deixo o leite na herbácea perene, deusa dos meus sonhos, perfume mais fino que possa existir no teor mais metafísico dessa imanência. Ah e dela sinto o mais leve olor ao alcançar o gineceu de beleza incomparável, de variedade trepadora na instalação do etéreo emanar na manhã e divina de jardim perfumado de desejo. É ela que me leva pelo aroma da de Sharom, a santificada por Salomão no Cântico dos Cânticos. É ela que possui a realeza da de Hélios e a das sessenta pétalas dos jardins de Midas que figuraram nas armas dos heróis da guerra de Tróia. É ela que vem de sobra e fartura no meu verso aprumado com as que desapareceram dos jardins suspensos da Babilônia, como a das águas que Vênus embalsamou o corpo de Aquiles, como a que coroou o soldado romano depois da queda de Cartago. É ela nua que vaza e faz paga como quem deve com toda a essência da que é Príncipe Negro, o negro que é vermelho bem escuro. É ela destinatária de tudo que vem se aninhar em mim com o cheiro da santa de Viterbo, como a que fora proibida pelo pai de dar esmolas aos pobres. É ela nua radiante que me retém com o incenso da Chá, Sinensis, a mais antiga oriunda da China, como a Azimutal Sideral que auxiliou a navegar o Índico sob as estrelas de distâncias polares no rumo do horizonte. É ela que me detém com jeito atrevida e nua como a seiva da dos gregos, nos rumos da Torre dos Ventos, chamada Rhodon, ou como a Rústica de Giulio Cesare Cortese; ou como a que o lapidário inspirado homenageia a Holanda ou Antuérpia pra encher os olhos do polidor de diamantes. Ela que vem nua e linda como a Mística, como a santificada de Isabel, como a Santa-Maria, como a da chuva do Vaticano, como a das meninas recém-nascidas. Ela que vem nua e linda com todas as honras de rainha para que eu, Tagore inflamado, saiba: "passando de folhas para flores porque começaram a amar..." É ela nua e linda que vem se aninhar em mim com o orvalho da do Ouro do Papa Gregório II; como a da Rainha Josefina, como a das pedras no quintal, como a que o rodólogo, exímio amante, multiplica com sua dedicação. É ela que nua e linda vara as noites no nosso proscênio de gestos fartos, com toda a sedução da Azul utópica, como a de Hildesheim, de mil anos, como a da guerra de York e Lancaster, como de Joaquim Fontes que está comigo. É ela que vem no olho do furacão acontecendo nos meus dias como a Gallica, de propriedades medicinais; como a de Malherbe, como a dos tesouros da moura encantada que não desmente o que promete nem retoma o que dá. É ela que me oferece toda safra de algodão dos seus mimos com a graciosidade da Malvácea Aurora em sua metamorfose durante todo o dia até sabê-la Amor-de-Homem. É ela inquieta e nua que não cessa nem sacia a enchente do meu gozo com toda a maravilha da Brinco-de-Rainha, como a Malva, como a Super-Star, como a do monte dos Alpes, como a Altéia que me cura com seu amor e ainda me farta a fome, a Geléia Rosela, a Caruru Azedo. É ela que acontece na peleja e me detém no truque de toda formosura da de Lima, a primeira santa nativa do continente americano, simples deidade peruana. É ela com toda teimosia de carnaval na manhã clara que me enfeitiça como a de Bokor e a jovem princesa apaixonada pelo oficial japonês no extinto cinema cambojano. É ela que me embriaga como a da cachaça com erva doce, canela em pau, cravo e calda grossa de açúcar: a do Sol. É ela que me seduz como a dos ventos do lirismo erótico da poetisa uruguaia Juana Hernandez de Ibarbourou, a Juana de América. É ela que me deixa ao deus-dará como a de Yeats, o homem que sonhava com o país das fadas e escrevia versos para quando ficar velho. É ela que se enrosca roçando a minha pele como a acetinada de Engandi, nos versos que viraram estudo psicozoológicos do guatemalteco Arévalo Martinez. É ela a de Cem Folhas do poeta galego Ramon Cabanillas, a da Cruz do poeta russo Blok, a de Luxemburg com o sonho abatido à bala. É ela a do Povo de Drummond, a de Raoom, a rosa rosa, todas numa só que é uma só: a rosa é ela. (O Trâmite da Solidão – Nascente, 1993). Veja mais aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Jeune fille dans une vasque, do pintor francês Paul Delaroche (1797-1856)

Curtindo September Symphony / Lament for choir a cappella (2003), do compositor polonês Wojciech Kilar (1932-2013), com a Warsaw Philharmonic Choir/Henryk Wojnarowski & Warsaw Philharmonic Symphony Orchestra/Antoni Wit.

TOTALIDADE E INFINITO – A obra Totalidade e infinito (Edições 70, 2008), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995), apresenta a sua tese de crítica do Mesmo e valorização da alteridade como formadora do sujeito e fundamentadora da ética, na condução de um novo humanismo a partir da noção de rosto numa alteridade absoluta – o Humanismo do Outro Homem, com a proposta de que a ética é a condução primeira e a dimensão fundadora do humano sob a perspectiva do método fenomenológico, bem como a responsabilidade como o grande vestígio do humano no mundo e a estética da proximidade-vulnerabilidade enquanto sensibilidade na sustentação e no despertar da espiritualidade. Ao valorizar a ética e a dimensão do outro como pressupostos básicos da filosofia, denuncia o autor a incapacidade da racionalidade além do egoísmo e do interesse de preservação de si no vício da mesmidade. Ele discute a questão de que o infinito se opondo à totalidade, negando a síntese da consciência universal e propondo o entendimento pela individualização humana a partir da ética, como sendo a filosofia primeira, na relação entre o homem e outro, o rosto ético. Veja mais aqui e aqui.

MUNDO FANTASMO – O Mundo fantasmo primeiramente surgiu em livro publicado em Portugal, em 1994, pela Editorial Caminho, sendo, depois, publicado com o título Mundo fantasmo: a espinha dorsal da memória, em 1996, pela Editora Rocco, e, por fim, transformado em blog que reúne artigos publicados diariamente no Jornal da Paraíba, de Campina Grande – PB, pelo escritor, compositor e pesquisador paraibano Bráulio Tavares. Além de ter o privilégio de acompanhar suas publicações no blog em referência (e que recomendo o acesso bastando clicar aqui), dele tive a oportunidade ler, entre outros livros, Os martelos de Trupizupe (Engenho e Arte, 2004), ocasião em que fui agraciado pela generosidade de sua irmã Clotildes Tavares, com a oportunidade de entrevista-lo para o meu Guia de Poesia. Para conferir sobre a entrevista, o livro e tudo o mais clique aqui, aqui, aqui, aqui e veja mais aqui.

CHAMAM-ME MULHER NO MOMENTO ÍNTIMO - O destaque poético de hoje é da poetamiga cearense Fernanda Guimarães que é graduada em Serviço Social e atua na área de Turismo, e que há anos acompanho na rede suas publicações nas mais diversas antologias, portais, revistas e sites da internet, inclusive reunindo seu trabalho literário no Recanto das Letras. Dela destaco primeiramente o seu poema Chamam-me mulher: Chamam-me mulher! Essa que atrevida, pluraliza-me, / Quando me penso solidão. Essa que me acolhe e instiga, / Saltando dos abismos e espelhos / Declarando-me aos meus silêncios. / Chamam-me mulher! Essa que tantas almas tem, / Mas que incontida pelo sentir / Revira-me e sabe-me em afetos. Essa que é dona de mim / Sem certidões ou posses. / Chamam-me mulher! Essa que impulsiva me seduz / Com os sons femininos da poesia / E acesa, oferece-me ao verso. Essa que atravessa desertos / E faz-se oásis para o universo. / Chamam-me mulher! Essa que chega antes do tempo, / Remexendo o relógio dos conceitos. / Essa que deixa dores ao vento / E seca lágrimas no colo do sol / Ofertando-me as mãos do recomeçar. / Chamam-me mulher / Essa que permite o mundo / Em seus braços repousar / E em cada sussurro do alvorecer / Fecunda-se sempre de vida / No útero do amor eterno. Também meritório de destaque o seu Momento íntimo: Não me peças a palavra exata / Vivo para além de todas as letras / Pudesses adivinhar os gestos / Quando entre um verso e outro / Suspira o olhar em eterna busca / Não me falarias em certezas / Perscruta-me sempre o indizível / Precipício sorrateiro e invisível / Onde as mãos lançam-se vazias / Ávidas por mim mesma / Mãos alheias, vezes suaves / Estendidas a recolher / As preces que eu não disse / Mãos que me aprisionam / Em muros farpados / Arranhando-me a pele dos sentidos / Mãos que me afagam / E acolhem sem perguntas / Os lamentos que não senti / É apenas meu este silêncio / Esse confessar íntimo de palavras / Quando desgarradas de mim / As mãos sussurram meus gritos inaudíveis / E entrelaçam meus dedos e voz / Conjugando os meus sons / Ecos desafinados do meu desconhecer / Esses que como cordas tensas / Perambulam notas graves / Buscando o tom que mais revele / Esta dissonante incompreensão / Impalpabilidade de mim por mim mesma / Neste momento em que sou apenas só / E minhas mãos são pedras / Da minha própria vidraça / Estilhaçando as lágrimas / Que meus olhos não puderam chorar. Veja mais aqui.

A ARTE DO TEATRO – O livro A arte do teatro (1905 - Estética Teatral, 1980), do ator, encenador, cenógrafo e um dos pilares do Simbolismo Teatral, Edward Gordon Craig (1872-1966), expressa a ideia de que “A arte é a antítese do caos, que não passa de uma avalanche de acidentes”. Na obra destaco os trechos de O ator e a surmarionnette: [...] O diretor de teatro moderno procura uma suntuosa encenação. Não recua perante qualquer esforço para dar ao publico a impressão da realidade transportada para a cena. Não para de nos repetir que os cenários e a encenação são de uma importância capital. E isso por várias razões, entre as quais a principal é que pressente um grave perigo na interpretação harmoniosa e bela; vê formar-se um grupo de pessoas que não é partidário dessas faustosas encenações; não ignora que na Europa se esboçou um movimento neste sentido; que se pretende que as peças clássicas podiam ser representadas diante de um simples telão de fundo. Movimento importante que se estende de Cracóvia a Moscou, de Paris a Roma, de Londres a Berlim e a Viena. Os diretores de teatro veem chegar esse perigo; dizem a si próprios que no dia em que o publico se aperceber, no dia em que os espectadores tiverem experimentado o prazer de uma peça sem cenários irão mais longe e reclamarão uma peça sem atores; e, finalmente, irão tão longe, que serão eles, espectadores, e não os diretores os reformadores da Arte do Teatro. [...] Com esse objetivo, é necessário aplicarmo-nos a reconstruir essas imagens, e não contentes com um boneco, precisamos de criar uma Surmarionnette. Esta não rivalizará com a vida, mas irá além dela; não figurará o corpo de carne e osso, mas o corpo em estado de êxtase, e enquanto emanar dela um espírito vivo, revestir-se-á de uma beleza de morte. Essa palavra morte vem naturalmente ao bico de pena por aproximação com a palavra vida que os realistas reclamam constantemente. Alguns verão nisso uma afetação da minha parte, aquelas sobretudo que não sentem o poder e a alegria misteriosa das obras de arte serenas. Se um Rubens, um Rafael nada deixaram senão de apaixonado e ardente, muitos outros artistas, pelo contrário, vindo antes ou depois deles, tiveram por ideal a medida e, apesar disso, mais do que todos os outros, estes artistas testemunharam um vigor viril na sua arte. Veja mais aqui.

EROTIC SYMPHONY – O drama romanesco Erotic Symphony (Sinfonia Erótica, 1979), do cineasta, roteirista e produtor de cinema espanhol Jess Franco (Jesús Franco Manera, 1930-2013), reconhecido iconoclasta dos filmes horróticos e cultuado como cineasta do trash e do underground, produziu mais de duzentos filmes, entre os quais, esta sinfonia erótica baseada na obra de Marquês de Sade e que situações inusitadas transcorrem numa suntuosa residência em clima de sonho entre uma esposa rica, seu marido, o empregado e uma freira – Armand, Martine, Norma e Fiore – que se veem envolvidos num clima de erotismo, suspense e conspiração, tudo girando na ambição do marido para se apropriar da riqueza da esposa. O destaque da película - na verdade, o que mais me chamou atenção no filme foi conhecer a ousadia do diretor, o clima dado ao que li de Marquês de Sade e a atriz -, a atriz alemã nascida portuguesa Susan Hemingway (registrada como Maria Rosália Coutinho). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Gravuras do pintor, gravador e ilustrador francês Paul-Émile Bécat (1885-1960),

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: Ísis Nefelibata - arte de Meimei Corrêa
Aprume aqui, aquiaqui.


Veja mais sobre:
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Os saberes da educação de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.

E mais:
Ah, se em todo lugar houvesse amor, Indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Ordem ao exército da arte de Vladimir Maiakovski, Testamento do teatro de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, Os saltimbancos de Chico Buarque, a pintura de Edgar Degas, O lobisomem Zonzo & Brincarte do Nitolino aqui.
A nuvem de calças de Maiakovski aqui.
Esfíngica amante aqui.
A liberdade de expressão, A natureza de Parmênides de Eléia, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, O poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, o cinema de o Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a música de Badi Assad, a escultura de Emilio Fiaschi, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko, o Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
Aniversário de Aninha, A esritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Greta Benitez & Brincarte do Nitolino aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, A criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
Maria Esperantina, orgasmo de uma noite & nunca mais, O sexo na história de Reay Tannahill, a poesia de Ascenso Ferreira, a literatura engajada de Ulrike Marie Meinhof, a música de Alceu Valença, a pintura de Xenia Hausner & a arte de Guazzelli aqui.
À procura da paternidade, Lenda, Mito & Magia, A trombeta do anjo vingador de Dalton Trevisan, Vivendo com as estrelas de Duília de Mello, a música de Cristina Braga & a pintura de Ernest Descals aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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quinta-feira, julho 17, 2014

EVA GARCÍA, HELEN FIELDING, NORBERT ELIAS, JULIA HILL & XEXÉU NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO

 

AS ASAS DA IMAGINAÇÃO - Comigo é nove, corra dentro!... O meu brevê sempre foi a imaginação, tal como Julio Verne encantado entre os tons do Close to the edge do Yes, êxtase catártico no epílogo. Ou noutra trilha, o Concierto de Aranjuez nos teclados de Tomita: agora eu queria sair de mim. E mais subir. Outra era o Clair de Lune de Debussy que me fazia virar Fernão Capelo Gaivota ou o piloto das Ilusões de Richard Bach. Acho que esses sonhos só Jung possa explicar: eu Blériot atravessando o canal da mancha com meu aeroplano. Como nada é previsível, lá ia eu na maior doidice com a musa mecânica no aerobanquete futurista de Marinetti. Foi nela que fui da Zona de Apollinaire e pelos júbilos de Kafka com os aeroplanos em Brescia e o voo de D´Annunzio com o piloto Curtis e, como dissera o general romano Pompeu, o Grande, reiterado por Plutarco, Petrarca e Fernando Pessoa: “navegar é preciso, viver não é preciso”. No meu caso: voar era preciso. E vou só contar uma hestória de muitas. Vamos. Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Cada momento traz uma escolha; cada escolha tem um impacto. Você tem que se responsabilizar por suas ações e é assim que protegeremos a Terra. A questão não é se você pode fazer a diferença. Você já faz a diferença. É apenas uma questão de que tipo de diferença você deseja fazer durante sua vida neste planeta. Todos os dias nós, como espécie, fazemos muito para destruir a capacidade da Criação de nos dar vida. Mas essa Criação continua a fazer tudo ao seu alcance para nos dar vida de qualquer maneira. E isso é amor verdadeiro. Pensamento da escritora, ativista e ambientalista estadunidense Julia Butterfly Hill. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Posso confirmar oficialmente que o caminho para o coração de um homem hoje em dia não é através da beleza, da comida, do sexo ou do caráter sedutor, mas apenas da capacidade de parecer pouco interessado nele. Está provado por pesquisas que a felicidade não vem do amor, da riqueza ou do poder, mas da busca de objetivos alcançáveis. A corrupção dos bons pela crença em sua própria bondade infalível é a armadilha mais sangrenta e perigosa do espectro humano. Depois de vencer todos os seus pecados, o orgulho é quem o conquistará. Um homem começa decidindo que é um bom homem porque toma boas decisões. Em seguida, ele está convencido de que qualquer decisão que tome deve ser boa, porque ele é um bom homem. A maioria das guerras no mundo são causadas por pessoas que pensam que têm Deus ao seu lado. Sempre fique com pessoas que sabem que são imperfeitas e ridículas. Pensamento da escritora e roteirista britânica Helen Fielding. Veja mais aqui.

 


O DIA QUE DUROU 21 ANOS – O premiado documentárioO Dia que Durou 21 Anos (2013), dirigido por Camilo Galli Tavares, trata sobre a preparação do golpe de 1964, quando já em 1962 os Estados Unidos já se envolviam na trama, em conformidade com relatórios confidenciais que contam, minuto a minuto, hora a hora, a estratégia estadunidense. O filme parte da crise provocada com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, prosseguindo até 1969, com o sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick, por grupos armados. Inicialmente o filme foi concebido para contar a história do jornalista Flávio Tavares, militante da oposição, porém tendo por base o livro 1964 Visto e Comentado pela Casa Branca (1977), de Marcos Sá Corrêa, contando, inclusive, com entrevista do professor de Havard e embaixador estadunidense, Peter Kornbluh; dos historiadores Carlos Fico e James Green, sobre as questões ligadas às ligas camponesas, desapropriação de hectares agrícolas e de empresas estrangeiras nacionalizadas no Rio Grande do Sul, quando o então presidente Kennedy recebe a sugestão para afastamento de Goulart, autorizando a conspiração contra o país, escolhendo Castelo Branco para suceder o presidente deposto, sendo enviada uma força-tarefa naval para o porto de Santos, denominada de Operação Brother Sam, composta de um porta-aviões, quatro contratorpedeiros e cruzadores de apoio, além de navios petroleiros. Veja mais aqui.

 

PROCESSO CIVILIZATÓRIO – [...] O indivíduo – ou, mais exatamente, aquilo a que se refere o atual conceito de indivíduo – reaparece uma vez após outra como algo que existe “fora” da sociedade. Aquilo a que se refere o conceito de sociedade volta repetidamente como algo que existe fora e além do indivíduo [...] A fim de superar esse beco sem saída da sociologia e das ciências sociais em geral, é necessário deixar clara a inadequação de ambas as concepções, a de indivíduos fora da sociedade e, igualmente, a de uma sociedade fora de indivíduos [...]. Trechos da obra O processo civilizador: uma história dos costumes (Jorge Zahar, 1994), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

A VELHA FAMILIA - [...] No fundo, até o homem mais velho do mundo se recusa a aprender com os próprios erros, pensei [...] Certa vez, minha mãe me explicou que o luto tem cinco estágios e que ela ajudava seus pacientes a passar por todos eles sem que nenhum deles se tornasse patológico. Lembro-me que esses estágios foram de descrença e depois raiva. Não me lembro do terceiro e do quarto, mas o último foi a aceitação. [...] A pior coisa da morte são aqueles que ela deixa vivos. [...] Às vezes nascem dias prometendo beijos e abraços. Às vezes chegam esses beijos e abraços, e você não pode culpar o dia por nada, mas eles não são de forma alguma o que você esperava. Só se pode pedir um pouco mais daqueles dias, e felizmente esse desejo é sempre atendido: que morram o mais rápido possível e que chegue um novo dia. [...]. Trechos extraídos da obra La vieja familia: La saga de los longevos (La Esfera de los Libros, 2013), da escritora espanhola Eva García Sáenz de Urturi.


POEMAS DE PAUL VERLAINE (1844-1896)

HOMENAGEM DEVIDA

Deito-me de comprido no seu leito morno.
A claridade do dia está mais de acordo.
Com a ânsia obscena de prolongar, à luz crua,
O noturno festim, pois a luz acentua
O afinco, a fúria do nabo, e vai nisso tudo
Uma estranha vontade de fazer-se galhudo.
Nua em pelo, ela se agacha sobre o meu rosto
Para ser lambida: ontem me portei a gosto
E esta será (boa, ela, alem do que pensa)
A minha paga, a minha real recompensa.
Eu disse real, devia dizer divina:
Nádegas de carne sublime e pele fina,
Branco, puro perfil de azuladas nervuras,
Sulco de intenso perfume, a rosa sombria,
Lenta, gorda, e o poço do amor, as iguarias!
Fim do festim, de sobremesa a cona, a lira
Em cujas pregas, cordas, a língua delira!
E essas nádegas ainda, lua de dois
Quartos, alegre e misteriosa, em que depois
Irei alojar os meus sonhos de poeta,
Meu terno coração e meus sonhos de esteta!
E amante, ou melhor, amo em silêncio obedecido,
Reina ela sobre mim, o seu servo rendido.
(trad. José Paulo Paes)

PER AMICA SILENTIA

O alvo cortinado de musselina
Que o reflexo fraco da luminária
Faz parecer uma vaga opalina
Na sombra lassa e misteriosa,
Os longos cortinados de Adelina
Ouviram, Clara, a tua voz risonha
Tua voz suave, meiga e cristalina
Que uma outra voz enlaça, furiosa.
“Amar, Amar!” diziam essas vozes,
Clara, Adelina, presas adoráveis
Do nobre voto das almas sublimes.
Amai! Amai! Ó caras eremitas,
Pois nesses dias malditos, pelo menos
O glorioso Estigma vos distingue.
(Tradução de Heloisa Jahn)

ARIETA

Chora o meu coração
Como chove na rua;
Que lânguida emoção
Me invade o coração?
Ó frio murmúrio
Nas telhas e no chão!
Para um coração vazio,
Ó aquele murmúrio
Chora não sei que mal
Meu coração cansado.
Um desengano? – Qual!
É sem causa este mal
É a maior dor – dói tanto -
Não se saber por que,
Sem ódio ou amor, no entando,
O coração dói tanto.
(tradução de Guilherme de Almeida)

MORAL ABREVIADA

Uma nuca de loura e de graça inclinada,
Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,
Com medalhões escuros na mama afogueada,
Esse busto se assenta em baixas almofadas
Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,
Uma mulher se ajoelha - ocupada com quê?
Amor o sabe - expondo aos deuses a epopéia
Singela de seu cu magnífico, um espelho
Límpido da beleza, que ali quer se ver
Pra crer. Cu feminino, que vence o viril
Serenamente - o de efebo e o infantil.
Ao cu feminino, supremo, culto e glória!
(Tradução de José Paulo Paes).

BILHETE PARA LILY

Minha jovem compatriota,
Eu gostaria que viesses
Esta noite, me visitar.
Quero uma farra escandalosa,
Com beijos grandes e pequenos
Para os meus grandes apetites!
E os teus, será que são menores?
Primeiro vou beijar teus lábios,
Todos! É o prato que prefiro
E o jeito como faço a coisa
(E as outras todas de que gosto)
É guloso e compenetrado.
Hás de passar os teus dedinhos
Na minha barba de profeta
Enquanto acaricio a tua.
Depois, em teu colo de lírio
Que meu ardor cobre de rosas,
Hei de pousar a boca ardente;
Meus braços vão entrar no jogo
Tontos, em volta das delícias
Que estão abaixo da cintura.
As mãos, depois de derrotarem
A ira fingida de suas mãos,
Darão palmadas carinhosas
No teu traseiro, onde haverá
Novo embate, depois porei
A gravidade no teu centro…
Sou eu quem bate. Ai, grita: Entra!
(traduzido por Heloisa Jahn)

GOSTOS IMPERIAIS

Assim como Luís XV, não gosto de perfumes.
Só posso suportá-los no justo limite.
Na cama, por favor, nem frascos nem sachês!
Mas ah, que um ar singelo e picante flutue
Ao derredor de um corpo, desde que me excite;
E meu desejo preza e minha ciência aprova
No corpo apetecido, quando se desnuda,
O odor da picardia, o odor da puberdade
E o hálito excelente das belas maduras.
Mais: me fascinam (cala, moral, essa arenga)
Como dizer? Essas exalações secretas
Do sexo e arredores, antes e depois
Do abraço celestial e durante as carícias,
Sejam elas quais forem, devam ou pareçam.
Mais tarde, sonolento, com o olfato lasso,
Saciado de prazer, como os outros sentidos,
Quando meus olhos vão morrendo noutro rosto,
Quase extinto também, lembrança e previsão
Do entrelaçamento das pernas e braços,
Da união dos pés nos lençóis úmidos, vermelhos,
Sobe desse langor de agradável volúpia
Tanta humanidade que dá um certo embaraço
Mas tão bom, tão bom, que dá ganas de comer!
Como é possível desejar, por cima disso,
Uma fragrância estranha, de planta, de besta,
Mudando a percepção, confundindo os sentidos,
Quando disponho, para aumentar a volúpia,
Da quintessência, exatamente, da beleza!

OS DESCUIDOS DA VIDA

Nádegas, alma, mãos, meu ser todo em roldão,
Dorso, memória, pés, peito, nariz, orelha
E a fressura, tudo entoa uma canção
E uma roda viva em mim se destrambelha.
Canção, dança de roda, ambas uma demência
Mais qu'infernal, divina, ou vice-versa, enfim,
Onde voo e mergulho, e numa turbulência,
No bafo e suor seus já me perco em mim.
Meus dois Charles, um, jovem, tigre, olhar de gata,
Rosto quase infantil e corpanzil de hussardo;
O outro, um mocetão, só descarado acata
O meu rego a correr, bem fundo, pró seu dardo.

PAUL VERLAINE – O poeta francês Paulo Marie Verlaine (1844-1896), viveu uma intensa e turbulenta relação com poeta Arthur Rimbaud que resultou numa aventura de muitas viagens e tentativa de homicídio. É quando o poeta vira alcoólatra, se hospitalizando com freqüência até falecer. Veja mais aquiaqui.

FONTE:
PAES, José Paulo. Poesia erótica em tradução. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
SILVA, Karla Noronha. A poesia erótica verlainiana. Curutiba: UFP, 2007.

Imagem: Girl in Basin, do pintor francês Paul Delaroche (1797-1856)

Ouvindo Retour à la Maison, do compositor polonês clássico Wojciech Kilar (1932-2013)

Foto: Denise Levertov, por Patricia Hampl.

DENISE LEVERTOV – A escritora e tradutora norteamericana de origem britânica e ligada à Geração Beat, Denise Levertov (1923-1997), engajou-se intelectualmente à época da Guerra do Vietnã. Sua poesia possui um equilíbrio interior onde o conteúdo determina a forma, mostrando-se preocupada com a situação da mulher, embora nunca tinha sido propriamente uma militante. Entre suas obras, destacamos o poema A mulher de Ariel, numa tradução de Antonio Carlos Secchin: “A mulher teme pelo homem, ele vai sozinho ao trabalho. Nenhum espelho se aninha no seu bolso. Seu rosto se abre e fecha na esperança. Seu sexo aflora, descoberto, ou acorda antes dele, cego e ansioso. Ela se julga com sorte. Mas triste. Ao sair, ela olha-se no espelho, lembra-se de si. Pedras, carvão, o chiado da água nos ramos queimados – e seu ser é uma caverna, há ossos no lar”. Veja mais aquiaqui.


MARCOLIVA – Conheci o excelente trabalho musical do gaucho Marcoliva (ou seja, Marcos Vanderlei de Oliveira) por meio da amiga Tatiana Cobbett. Tudo começou quando ele aos doze anos de idade, resolveu colocar pra fora seu talento nas aulas de violão: juntou palavras aos acordes descompromissados e mandou ver nos palcos escolares, até alcançar bares, festivais, teatro e bailes, tornando-se profissional aos quinze anos. Entre a música gaúcha e o violão clássico, desarrumou as malas em Florianópolis para assimilar a música Argentina e o folclore catarinense, tornando-se, então, parceiro da Tatiana para desenvolver um maravilhoso trabalho autoral que se projeta desde 2000. Dessa dupla, eu digo: bote excelência nisso! E como hoje é o aniversário dele, desejamos daqui nossos parabéns e muito sucesso!!!!


LOURDES LIMEIRA – A escritora e professora paraibana Lourdes Limeira possui uma vasta bagagem literária que transita pelos mais diversos gêneros. No seu sítio da rede, pode-se constatar a versatilidade e abundante exposição de seus trabalhos enquanto leciona na sala de aula. No meio da sua produção, destacamos o poema Ego sum quis sum: “A minha Poesia 99% é natureza humana; e 1% inspiration / Ou seja, raciocínio lógico, análise crítica, experimentação / Tudo muito, tipo pesquisa, e argumentação / Estudo e many organization. / A minha Poesia é, também, como digo, um desbunde / Das emoções e dos sentimentos; óbvio! / Se não fora assim, era ópio…! / Não valeria a pena tê-la entre nós! Lhe confunde?! / A minha Poesia é a teoria da prática! / É o sum qui sum! / Tudo muito da pragmática. / E aí estão as minhas considerações / Às críticas, eu desculpo / As inúmeras e tronchas especulações”.


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