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terça-feira, março 19, 2019

CÉSAR VALLEJO, MARIA RITA KEHL, LOUIS MALLE, JULIETA DE FRANÇA & MAURIZIO RUZZI



DE VÍTIMAS & MACHADO! - Gentamiga, na croniqueta de hoje, pelo menos para mim (ninguém escapa à ignorância, há sempre coisas novas por aí), duas novidades: a primeira, incontestavelmente boa demais, risível. Trata-se do livro 13 vítimas da política brasileira, ou seja, a primeira vítima (ou vítimo ou todas as) da vitória de cada um dos presidenciáveis no pleito de 2018. Já pensou? Se fosse eleito presidente o Daciolo do Pode Olê Olá que nasceu do “milagre termodinâmico do foda-se. Ou foi obra do demônio de Maxwell... Mas alguém vai se foder. Disto não se tem dúvida”. Simplesmente arretado, já imaginou? Mas se o eleito fosse o Avaro que Pode Dias espelhando todos os banheiros públicos com as tintas para disfarçar as reivindicações dos doidos todos! Rir é pouco, eu gargalhei! Ou o Amoêdo Novo Banca Velha e o prisioneiro resistente e libertário do sistema que ameaçava as estruturas do poder! Ora, bote engenho! A do Ciro Denorex – esse nunca me enganou! – e a violência grassando tudo. Que coisa! A do Dindin Meirelles que só tinha paulista na porratoda! O vítimo da Marina que afinal rede não é latrina diante do assassinato de um trabalhador por sua mulher! Impagável. Ah, a posse do cristão Ei-ma-é, é? Sim, e a carta branca pro físico ateu que virou ministro do demônio em pessoa! A do Alckmin Walkman e a “péssima combinação de grande poder e pequenos poderes”; a do Goularzinho Pátria Livre – com o cu na mão do Putin e que ninguém quis pagar pra ver! Ah, a da Vera que caiu com a determinação de encerramento das redes sociais! Sim, a do Haddad nos Trinques do estranho Brasil das funkadas e outras umbigadas de respostas embutidas; ou a do Boulos Fofo dos boatos não confirmados; tudo muito bom, até demais. Pense numa narrativa de criação engenhosa, simplesmente: ótima. Só a do Coiso respondendo ao tarado agente X: “No da mulher deus deixa” ficou por menos. Calma lá! Deixa explicar, ora! Claro, não porque pimenta no furico dos outros não seja só refresco, nada disso. A história está boa demais, no grau mesmo! Só que, para mim (deixo isso bem claro), faltou à posse uma milícia com uns skinheads aloprados, uns hooligans fuderosos e um ressurreto Osama bin Laden de pau duro, dançando com panos azuis e rosa, e se passando por Jesus para a ministra atrepar na goiabeira. Aí sim, estava de bom tamanho, tintim por tintim, do mesmo tope, isso pra mim, tá? Mas, considero: mesmo que ele comesse bosta de cigano todo dia ou qualquer unguento adivinhatório das previsões escalafobéticas, quem adivinharia mesmo no que ia dar a posse real? Estava na casa do imprevisível, todo mundo careca de saber, mas deixa isso pra lá, só detalhe de pirraça dum linguarudo cheio das pregas. Destá. Por fim, ainda, a primorosa Carta ao Homem Futuro que, como o próprio autor diz ser um conto bônus, com toda História de Museu que virou “Papel velho e ressecado, foi uma das primeiras coisas a queimar”. Esse o primeiro livro, nada melhor. Já o segundo, Contos do Machado, uma publicação criativamente bem feita: contos medievais com tratamento gráfico competente de historias em quadrinhos, tudo sobre um legendário machado. Do volume, destaco de chapa a primeira narrativa: Da madeira torta que é feito o homem. Muito bom. E a última: O espírito do Machado: “Da batalha por uma vida que olha nos olhos da morte e diz: Leva-me, eu basto”. Li tudo e digo: gostei e muito. Os contos são ótimos e tratam da cobiça e das quedas humanas, excelentes. Aí fui ver o autor, tanto no primeiro como no segundo: Maurizio Ruzzi. Quem? Ele assim se apresenta no primeiro: “Este autor dispensa apresentações. Não por que seja extremamente conhecido (muito pelo contrário), mas porque ele próprio faz questão de dispensá-la”. Não me dei por satisfeito, né? Que se esconda ou não, descobri: trata-se de um bacharel que é doutor em Física com vários livros publicados na área. Certo. Essas publicações que trato aqui são a sua incursão pela Literatura, e digo: começou bem e em dose dupla. Outra coisa, no segundo, ele tem uma parceria: Juno Nedel, um artista gráfico que se apresenta como “Dissidente de gênero, criatura de ficção e realidade social”. Uma parceria feliz que deu um bom e suculento caldo. Parabéns e aplausos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Nas sociedades do espetáculo, só valem os sentimentos que prostram às imagens adequadas do discurso midiático. Os “sentimentos desprovidos de mídia” não tem reconhecimento, não tem expressão. Os sofrimentos normais da vida, os lutos, as perdas, as fases da timidez, de desânimo, os momentos de recolhimento necessários à reflexão e à contemplação não encontram lugar, não são respeitados – ou então se tornam imediatamente alvo da medicina psiquiátrica. [...].
Trecho extraído de O que é o corpo (Itaú Cultural, 2005), da poeta, psicanalista, jornalista, ensaísta e crítica literária Maria Rita Kehl.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada escultora e professora Julieta de França (1870 – 1951), uma das pioneiras da arte no Brasil. Um fato registrado na sua vida foi o de haver sido recusada à participar de um concurso que escolheria um monumento comemorativo à República, o que a revoltou levando a obra para ser submetida aos mestres franceses, entre eles Rodin, todos favoráveis pela técnica e qualidade do trabalho. Com isso ela retornou ao Brasil, solicitando a reconsideração da decisão da comissão de reprová-la, o que gerou um escândalo, por colocar em questão os critérios e decisões da Academia de Belas-Artes, o que foi tida como afronta ao esperado “recato feminino”. A decisão não foi revista, prejudicando a carreira da artista mãe solteira que sustenha sua filha sozinha. A partir disso seu nome caiu em esquecimento. Ela deixou em livro, “Souvenir de ma carrière artistique”, com recortes de jornais, cartas pessoais e fotos de seu trabalho, numa tentativa de documentar uma carreira que carecia de reconhecimento do meio artístico nacional. Texto e imagens recolhidas do estudo Souvenir de ma carrière artistique: Uma autobiografia de Julieta de França, escultora acadêmica brasileira (Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol. 15, nº 1, São Paulo, Jan/Jun, 2007) de Ana Paula Cavalcanti Simion.
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LES AMANTS, DE LOUIS MALLE
O drama Les Amants (1958), do cineasta francês Louis Malle (1932-1995), conta a história de uma jovem esposa de um diretor de jornal, entediada com a desconfiança de que é traída pelo marido, começa a fazer visitas frequentes a uma amiga de infância e, por meio dela, conhece um playboy que se torna amante. O lançamento à época do filme causou bastante polêmica entre os setores conservadores e a fúria católica em todo mundo, tendo problemas para ser exibido em diversos países, inclusive o Brasil, onde foi alvo de processo criminal promovido pela Confederação de Famílias Cristãs, que conseguiu proibir o filme. Destaque para atuação da atriz francesa Jeanne Moreau. Veja mais aqui e aqui.
&
A obra do poeta vanguardista e dramaturgo peruano César Vallejo (1892-1938) aqui, aqui & aqui.


domingo, fevereiro 07, 2016

ESTER NAOMI PERQUIN, MARIA RITA KEHL, CHANTAL THOMAS, LINDA MAMMANA, GALO DA MADRUGADA & FOLIA TATARITARITATÁ


O RECIFE DO GALO DA MADRUGADA

Luiz Alberto Machado

O Recife é magia no Galo da Madrugada de braços abertos pra minha volta enfeitiçada de Vassourinhas. Eu voltei Dioniso na Santa Folia dos braços dela, e ela Alvorada da Folia Caeté se faz Ariadne ensolarada pra de tarde me fazer de seu Baco sereno na alegria do Amor Imortal. E quando vier noite adentro eu sou seu Pã todo estrelado, lavado nos sonhos da sua Lagoa Manguaba, reamanhecendo pra felicidade de todo nosso amanhã. É nela que todo dia é pra ela e eu sou folia, mais que seu folião.

E veja mais:
AIJUNA, O MURAL DOS DESEJOS FLORESCIDOS 
FREVO BRINCARTE
CRÔNICAS PALMARENSES


DITOS & DESDITOSUma: sinal verde, pode passar tranquilo. Amarelo, êpa! Não seja metido à besta, melhor precaução, cuidado. Vermelho! Ei, não vá dá uma de cavalo do cão! Vixe! E num é que foi? Teibei. Num disse! Oxe, parece mais que esse povinho é daltônico mesmo! Outra: Se nessa não deu, que é que tem? Não adianta amarrar o bode todo jururu! O pencó vai só apertar de quase torar tudo na emenda; mas, destá, depois vem outra, aí, quem sabe, né? (LAM)

HOMENS & MULHERES – [...] No caso das pequenas diferenças entre homens e mulheres, parecem ser os homens os mais afetados pela recente interpenetração de territórios – e não só porque isso implica possíveis perdas de poder, como argumentaria um feminismo mais belicoso, e sim porque coloca a própria identidade masculina em questão. Sabemos que a mulher encara a conquista de atributos “masculinos” como direito seu, reapropriação de algo que de fato lhe pertence e há muito lhe foi tomado. Por outro lado, a uma mulher é impossível se roubar a feminilidade: se a feminilidade é máscara sobre um vazio, todo atributo fálico virá sempre incrementar essa função. Já para o homem toda feminização é sentida como perda – ou como antiga ameaça que afinal se cumpre. Ao homem, interessa manter a mulher à distância, tentando garantir que este “a mais” inscrito em seu corpo lhe confira de fato alguma imunidade. A aproximação entre as aparências, as ações, os atributos masculinos e femininos são para o homem mais do que angustiantes. É de terror e de fascínio que se trata, quando um homem se vê diante da pretensão feminina de ser também homem, sem deixar de ser mulher. Bruxas, feiticeiras, possuídas do demônio, assim se designavam na antiguidade essas aberrações do mundo feminino que levavam a mascarada da sua feminilidade até um limite intolerável. Só a morte, a fogueira ou a guilhotina seriam capazes de põr fim à onipotência dessas que já nasceram “sem nada a perder”. [...]. Trechos extraídos da obra A mínima diferença: masculino e feminino na cultura (Imago, 1996), da poeta, psicanalista, jornalista, ensaísta e crítica literária Maria Rita Kehl. Veja mais aqui.

LIBERDADE - [...] a liberdade nem sempre está na evidencia de uma muralha a ser derrubada, de um direito a ser conquistado. Não está necessariamente na violência de um enfrentamento e na exaltação que ele suscita. Ela está também, numa exigência interior, no ideal de uma invenção da própria vida, numa atenção ativa, aguda, participante em todos os seus episódios, numa vigilância que nos leva a recursar os compromissos, os papeis de figuração em imagens de felicidade pre-construidas. [...] A liberdade continua sendo no entanto um desafio essencial, a mercer todos os nossos cuidados. Se o esquecemos ou o desdenhamos, ainda nos arriscamos a morrer, de outro modo, não nos transes de uma impossível façanha, mas sem brilho, amordaçados pelo conformismo e o tédio, embrutecidos pelas preocupações, sobrecarregados de tarefas, entropecidos por falatórios telefônicos, alucinados por um mundo que nos escapa, dia após dia. Anestesiados. [...].
Trechos da obra Somos dignos de ser livres? (Zahar, 1999), da escritora francesa Chantal Thomas.

BEM-VINDO DE VOLTA - Sei como eles passam o portão à noitinha. / As mãos ainda côncavas de acariciarem / as cabeças dos filhos, as costas dobradas. / Trazem na roupa o exterior e cheiros a comida, / pêlos de cão, cerveja, o cheiro a mulher quente e / últimos cigarros juntos, lençóis enxovalhados. / Olho para os homens a lavarem-se / deixando para trás sabão, pó e saudades. / Sei que as mulheres ficam junto aos portões. / Os casacos abotoados até ao pescoço, / As mãos nos bolsos, cabeças curvadas. / Como os homens avançam em silêncio. Poema da premiada poeta holandesa Ester Naomi Perquin. Veja mais aqui e aqui.

A arte da artista visual estadunidense Linda Mammana



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Amor imortal na Folia Tataritaritatá, Manuel Bandeira, Pedro Nava, Carlo Goldoni, Cacá Diégues, Carybé, SpokFrevo Orquestra, Luís Bandeira, Ana Paula Bouzas, Tatiana Cañas, Carnaval & Claudia Maia aqui.

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sexta-feira, julho 18, 2008

LOU SALOMÉ, MANUEL ACUÑA, CÉZANNE, MARIA RITA KEHL, CHOMSKY, POBREZA & LITERATURA ERÓTICA

 

LITERATURA ERÓTICA - BIBLIOTECA EROTOLÓGICA: ROMA ANTIGA - Na Roma antiga ocorria o culto de Vênus, homenageada pelas mulheres casadas a primeiro de abril e pela prostituição a 23 do mesmo mês. Também o deus Liber, outrora padroeiro do crescimento e da fertilidade, tendo assumido aspectos do grego Priapo, representando o símbolo fálico, o sexo, a conquista, o desafio e a proteção contra mau-olhado. Além dele, Baco, deus da bebida e da embriaguês, sendo proibido seu culto em 186 a.C. Para Tannahil (1980): “[...] muito do que o mundo moderno ainda considere pecado não provenha dos ensinamentos de Jesus de Nazaré ou das Tábuas entregues no Sinai, mas das antigas vicissitudes sexuais de um punhado de homens, que viveram nos dias crepusculares da Roma imperial”. Com isso, filosofias como o gnosticismo e o maniqueismo mantinham ser inerentemente mau tudo o que provinha da carne, além do argumento de Severiano de que a mulher como um todo e o homem da cintura para baixo eram criações do demônio. Para eles, o sexo é uma experiência da serpente. E, em conseqüência disso, foi Santo Agostinho quem epitomou um sentimento geral entre os padres da igreja de que o ato de intercurso era fundamentalmente repulsivo. Também Arnobio o chamou de sujo e degradante. Já Metódio de indecoroso. Jerônimo, por sua vez, chamou de imundo. Tertuliano de vergonhoso. E Ambrosio de conspurcação. Era a vigência do Penetencial Cumeano do século VII, punindo atos homossexuais com penalidades para beijos, masturbação mútua, conexão interfemoral, felação e sodomia. A esta altura, encontra-se a Priapéia que é o conjunto de poemas gregos e latinos, epigramáticos e anônimos, que tem como figura central Priapo, deus grego fálico, protetor da fecundidade e da fertilidade. São conhecidos como Priapéia grega e Priapéia latina – A Carmina Priapéia –, e reúne, Catulo, Horácio, Virgilio, Ovidio, entre outros. Gaio Valério Catulo (84 - 54 a.C) cultivou o epigrama alexandrino, tornando-se um controverso e sofisticado poeta veronese que se ligou ao círculo dos poetas de ideais estéticos comuns, designado por Cicero de Poetas Novos. O escritor latino Marco Valério Marcial (38ª.C. – 104 d.C), desenvolveu um realismo pornográfico registrando os vícios de sua época, por meio de epigramas e seguindo seu conterrâneos Sênca e Luciano. A Ars Amatória – A arte de amar, do poeta romano Publio Ovidio Naso (43 a.C. – 18 d.C), lhe valeu banimento de Roma pelo imperador Augusto, por ser considerada obscena. Foi escrita entre 1 a.C e 1 d.C, em versos, tendo como tema a arte da sedução, falando sobre conquistar os corações das mulheres e 'como manter a amada. A celebração do amor extraconjugal pode ter sido tomada como uma afronta intolerável a um regime que promovia os valores da família: “A que a linha das ancas favorece, na cama / deverá ficar de joelhos e inclinar levemente a cabeça para trás, / enquanto coxas jogens e seios perfeitos exigem / que você se posicione de viés e seu amado de pé...”. Públio Virgilio Marão (70aC-19a.C) foi o maior poeta romano e o expoente da literatura latina. Ele é responsável pelas inúmeras éclogas da Renascença, com os seus pastores amorosos e alusões a acontecimentos políticos. A obra Satiricon de Petronius Arbiter (27-66 d.C), foi escrita nos primeiros anos da era cristã, com o objetivo de ridicularizar a corte do imperador Nero e a alta sociedade romana, seguindo a ética hedonista na busca incessante pelo prazer. A obra é recheada de narrações com personagens desprovidos de pudor, práticas orgíacas, heterossexuais e homossexuais, total desprendimento moral, visto que a visão de mundo cristã que castraria o sexo como elemento essencial e fundamental do e para o ser humano ainda não ameaçava a mundividência pagã. É considerado o primeiro romance realista da literatura universal, sendo, pois, o predecessor do romance moderno. Traz Parodi (2007), baseada em Eduardo Leite, que a posição da mulher na família, era bem mais vantajosa que a da mulher grega, mas não menos subordinada ao homem. As mulheres não eram titulares de direitos próprios, de qualquer ordem, fossem sucessórios ou espirituais. Apenas a fumaça dos direitos lhes cabia, por via indireta, alçados e exercidos por intermédio dos homens. Tanto que, ao se casarem deixavam para trás a casa do pai e passavam a integrar ao culto da família de seu esposo. A mulher casada recebia status superior, sendo agraciada com algum reconhecimento social. Ma essa dignidade advinha como reflexo do homem, a quem ela auxilia idoneamente. Isso dentro da fraqueza feminina vista por Ulpiano, ou seja, imbecilitias sexus – o sexo imbecil. Veja mais aqui, aqui & aqui.


DITOS & DESDITOSEu sou a consciência da paisagem que se pensa em mim. Pensamento do pintor francês Paul Cézanne (1839-1906). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOUA liberdade sem oportunidades é um presente diabólico, e negar-se a dar essas oportunidades é um crime. Não devemos procurar heróis, devemos procurar boas ideias. Os hipócritas são aqueles que aplicam aos outros os padrões que se recusam a aceitar para si mesmos. Se nós não acreditamos em liberdade de expressão para pessoas que detestamos, nós não acreditamos em liberdade de expressão. Não se pode controlar o próprio povo pela força, mas se pode distraí-lo com consumismo. Enquanto a população geral estiver passiva, apática e distraída pelo consumismo ou pelo ódio às minorias, então os que estão no poder podem fazer o que quiserem, e aqueles que sobreviverem estarão lá para contemplar o resultado. A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro. A propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para o estado totalitário. A literatura possibilita uma instropecção muito mais profunda às pessoas do que qualquer outra ciência o pode fazer. O ensino deve inspirar os estudantes a descobrir por si mesmos, a questionar quando não concordarem, a procurar alternativas se acham que existem outras melhores, a revisar as grandes conquistas do passado e aprender porque algo lhes interessa. Pensamento do filósofo, linguísta, cientista cognitivo e ativista político estadunidense, Noam Chomsky. Veja mais aqui e aqui.

AS MULHERES DO SÉCULO XIX - O século XIX é o momento histórico em que a vida das mulheres se altera, ou mais exatamente o momento em que a perspectiva de vida das mulheres se altera: tempo da modernidade, em que se torna possível uma posição de sujeito, indivíduo de corpointeiro e atriz política, futura cidadã. [...] Apesar da extrema codificação da vida feminina, o campo das possibilidades se alarga e a aventura não está tão longe. [...] disputas de poder que definiriam seus próprios destinos e sem acesso ao poder político, não teriam meios de garantir outros direitos fundamentais para se tornarem sujeitos de suas próprias histórias [...] a literatura inventou o amor burguês, e o casamento burguês abriu espaço para a invasão literária que enriqueceu o imaginário das mulheres compensando frustrações, rompendo o isolamento em que viviam as donas de casa, abrindo vias fantasiosas de gratificação, mas, sobretudo, dando voz às experiências isoladas das filhas e esposas da família oitocentista [...] a crescente importância da literatura do século XIX, coincidiu com a também crescente importância que o amor conjugal e o casamento passaram a ter nos projetos da vida burguesa [...] a dependência material que infantilizava a mulher burguesa e de classe média e limitava seu campo de ação e circulação; as vicissitudes da maternidade e os discursos morais (particularmente contra a atividade sexual não procriativa) que a acompanhavam; a falta de condições de cidadania que apartava as mulheres da esfera pública e as condenava a um isolamento no espaço doméstico onde a fantasia era a forma privilegiada de realização de desejos e o devaneio nem sempre encontrava seus limites, esbarrando nas duras arestas das regras que pautavam a vida social [...] a expansão dos códigos literários sobre a vida daquelas mulheres oitocentistas correspondeu a uma enorme inflação do imaginário, justamente quando as regras que regiam o código simbólico estavam sendo colocadas em xeque pelos discursos feministas nascentes, pelas reivindicações sufragistas, pelos métodos anticoncepcionais, que transformavam os conceitos de família e sexualidade, pela escolarização universal e pelas disputas no campo do código civil que modificavam a posição da mulher no casamento, criavam a possibilidade do divórcio e emancipavam economicamente a esfera do marido [...]. Trechos extraído da obra Deslocamentos do feminino (Imago, 1998), da poeta, psicanalista, jornalista, ensaísta e crítica literária Maria Rita Kehl. Veja mais aqui, aqui & aqui.

OS SENTIDOS DA PAIXÃO – [...] para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. […] O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamamento para longe. [...] Trechos extraídos da obra Os sentidos da paixão (Cia das Letras, 1987) da poeta e psicanalista russa Lou Andreas-Salomé (1861-1937). Veja mais aqui.

A FELICIDADE - Um céu azul de estrelas / brilhando na vastidão; / um pássaro apaixonado / cantando na floresta; / pelo ambiente os aromas / do jardim e da flor de laranjeira; / conosco a água / brotando da primavera / nossos corações se fecham, / nossos lábios muito mais, / você está subindo para o céu / e eu te seguindo lá, / isso é amor minha vida / Isso é felicidade! / Cruze com as mesmas asas / os mundos do ideal; / apresse todas as alegrias, / e toda boa pressa; / de sonhos e felicidade / retornar à realidade, / acordando entre as flores / de uma grama de primavera; / nós dois nos olhando muito, / os dois nos beijando mais, / isso é amor, minha vida / Isso é felicidade ...! Poema do poeta mexicano Manuel Acuña (1849-1873), que pelo amor de uma mulher escreveu o poema Noturno a Rosário e, posteriormente, se suicidou.


A POBREZA - O presente trabalho se destina a abordar o tema da “Pobreza”, tendo em vista tal temática se encontrar articulada com uma série de outros problemas sociais que se expressam através das desigualdades detectadas no Brasil. É importante frisar introdutoriamente que desde o descobrimento do Brasil é possível encontrar desigualdades entre as classes, notadamente flagrante pelo fato do país apresentar uma renda per capita alta, onde se encontra uma grande quantidade de pessoas passando fome, desempregadas, ou empregadas em subempregos e com remuneração tão baixa que não consegue nem suprir as necessidades básicas de uma família. Assim sendo, o tema da pobreza tem sido objeto de atenção cada vez mais intensa por parte dos governos, organizações internacionais e, conseqüentemente, institutos de estatística.isto porque o fenômeno da pobreza, naturalmente, sempre existiu, mas sua interpretação tem variado muito ao longo do tempo. Tradicionalmente, a condição de pobreza era entendida como algo natural, inevitável e inerente a uma parte grande, se não a maior, da humanidade, mas só se tornava objeto de preocupação de governantes e estudiosos dos fenômenos da economia e das populações quando os pobres, de alguma forma, saiam ou eram uma ameaça à ordem constituída, a pobreza era uma questão moral, conseqüência da falta de ética de trabalho e sentido de responsabilidade dos pobres, ou o efeito inevitável do desenvolvimento da economia industrial e de mercado. Assim sendo, o presente trabalho enfocará a questão como um problema social que deve ser observado, debatido e que deve sempre estar na pauta das discussões para que se minimize ou se tente erradicar. POBREZA: CONCEITOS E DEFINIÇÕES - Inicialmente convém conceituar pobreza para que esta possa ser observada dentro da problemática social, tendo em vista que a pobreza passa pelo problema econômico, biológico, educacional, cultural, dentre outros. Assim sendo, tradicionalmente definida como falta de poder econômico, a pobreza também significa carência de assistência médica, nutrição adequada, educação e emprego. Pessoas que não se alimentam apropriadamente são incapazes de se educar, aprender habilidades profissionais e conseguir ou manter ocupação rentável. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas enfatiza que cerca de 1,3 bilhão de pessoas, mais de um quinto da população mundial se sustentam com pouco mais de um dólar por dia e vivem, conseqüentemente, em pobreza absoluta; que aproximadamente 840 milhões de pessoas em todo mundo um em cada sete indivíduos sofrem de subnutrição; embora a produção mundial de alimentos seja significativa, os mais necessitados carecem de alimentação; quando os níveis de saúde e produtividade de uma nação declinam, esta torna-se vulnerável à instabilidade social, política e econômica. No entanto, é conveniente observar que as causas da pobreza não podem ser individuais, mas estruturais: a exploração do trabalho pelo capital, o poder das elites que parasitam o trabalho alheio saqueando recursos públicos, e a alienação das pessoas, criada pelo sistema de exploração, que impede que elas tenham consciência de seus próprios problemas e necessidades (Abranches, 1985; Codo, 1996). A pobreza e a desigualdade são tão antigas quanto a humanidade, e sempre vieram acompanhadas de forte sentimentos morais. Para Malthus a causa principal da pobreza era a grande velocidade com que as pessoas se multiplicavam, em contraste com a pouca velocidade em que crescia a produção de alimentos. O problema se resolveria facilmente se os pobres controlassem seus impulsos sexuais e deixassem de ter tantos filhos. Ou melhor, a visão maltusiana da pobreza era extrema, e colidia com o valor da caridade, tão presente na tradição judaica, cristã e de outras religiões. Em todas as sociedades, sempre se reconheceu a virtude de ajudar aos pobres, ao mesmo tempo em que aceitava a inevitabilidade das diferenças sociais e da miséria humana (Codo, 1996; Oliveira, 2000). A idéia de que as causas da pobreza e os caminhos para sua solução não dependem da vontade ou do caráter dos indivíduos, mas das relações entre as pessoas, sempre esteve presente nas formas mais radicais do cristianismo, e, na época moderna, nos escritos e movimentos políticos socialistas e comunistas. Para uns, a solução dependia ainda de uma regeneração moral, não mais dos pobres, mas dos ricos, cujo egoísmo e acaricia deveriam ser transformados em verdadeira caridade e sentimento de justiça. Para os marxistas, esta crença no poder transformador das convicções e da força moral era o que caracterizava o "socialismo utópico", que deveria ceder lugar a um "socialismo científico", que entendesse a verdadeira natureza dos conflitos sociais, e os levasse à sua conclusão natural. A história da humanidade, dizia o Manifesto Comunista, era a história da luta de classes, e era através dela que os problemas da pobreza encontrariam sua solução. No entanto, com o capitalismo, as antigas classes estavam desaparecendo, restando apenas a burguesia e o proletariado, que se confrontariam na luta final pelo fim da pobreza e da desigualdade social (Codo, 1996). É preciso entender que definir e medir a pobreza a calcular as porcentagens dos pobres de um país ou de uma região não é uma questão só de cifras e médias.Certos fatores geográficos, biológicos e sociais multiplicam ou reduzem o impacto exercido pelos rendimentos sobre cada individuo. Entre os mais desfavorecidos faltam em geral determinados elementos, como instrução, acesso à terra, saúde e longevidade, justiça, apoio familiar e comunitário, crédito e outros recursos produtivos, voz nas instituições e acesso a oportunidades (Codo, 1996). É possível se obter duas formas para a identificação da pobreza. A primeira é o método direto, consistido este em classificar na faixa de pobreza todas as pessoas cujo nível de consumo de certos bens e serviços, aqueles considerados essenciais à sobrevivência, está abaixo de um certo mínimo; a segunda forma é chamada de método da renda, onde consiste em se calcular o nível de renda associado à satisfação mínima das necessidades básicas, estabelecendo assim uma linha de pobreza. Isto quer dizer que todo o indivíduo com rendimentos abaixo desta linha é considerado pobre (Abranches, 1985; Codo, 1996: Oliveira, 2000). Das duas formas a de mais aceitação seria a de método da renda pois através dela é possível quantificar a renda mínima necessária para a sobrevivência, e todo que estivessem abaixo desta seria considerado pobre. A pobreza aparece como um sigma, daí que os sociólogos afirmam que a pobreza evoca uma condição humana humilhante. Distingue–se, pois, três níveis de pobreza, que formam ciclos concêntricos: o maior inclui todos os pobres, qualificados em relação ao seu baixo nível de renda; o segundo, menor, reagrupa os pobres que se beneficiam de certa alocação social, mas ao mesmo tempo são considerados como pessoas depravadas e mal formadas. O terceiro reúne os que recebem ocasionalmente uma alocação (Codo, 1996). O estigma da degradação, de maneira tradicional, confunde a pobreza com a pratica de atos ilícitos. Retrocede–se à idéia medieval dos bons e maus pobres. Neste sentido, destaca–se, também os reflexos de condenação que surge do espetáculo da pobreza. Essas atitudes e representações são interiorizadas pelos próprios pobres. Uma vida fundada sobre a exclusão social, constitui a verdadeira definição da pobreza. Enfim, há que se entender que a pobreza é um mundo complexo e a descoberta de todas as suas dimensões exige uma análise clara. Ou seja, ser pobre não significa apenas viver abaixo de uma linha imaginaria de pobreza, mas é ter um nível de rendimento insuficiente para desenvolver determinadas funções básicas, levando em conta as circunstâncias e requisitos sociais circundantes, sem esquecer a interconexão de muitos fatores. CONCLUSÃO - Após a elaboração do presente estudo, chega-se à conclusão de que, apesar dos avanços tecnológicos , apesar das conquistas inimagináveis da sociedade, a pobreza continua aparentemente resistente ás analises e aos esforços que os Estados dizem estar desenvolvendo. Uma grande parte da população - os excluídos – permanece á margem do desenvolvimento e não usufrui dos benefícios alcançados pela sociedade – trabalha desde criança, desenvolve atividades sem qualificações, não tem instrução nem acesso a eventos culturais, não desfruta de saneamento básico e, ás vezes, nem de teto. Por estas conclusões, compreende–se a importância de uma luta contra todas as formas de exclusão, em uma sociedade em que se defende a verdadeira eficácia dos "Direitos do Homem".
REFERÊNCIAS
ABRANCHES, S. Os Despossuídos, Crescimento e Pobreza no País do Milagre, Rio de Janeiro, Atlas, 1985
ALAGOAS. Anuário estatístico 2003. Maceió: Governo do Estado/Secretaria de Administração, 2004
BRASIL. Censo 2000. Brasília: IBGE, 2002
CODO, W. et al. Indivíduo, trabalho e sofrimento. Petrópolis: Vozes, 1996.
LIRA, Fernando José. Crise, privilégio e pobreza. Maceió: EDUFAL, 1997.
____. Realidade, desafios e possibilidades. Maceió: EDUCAL, 1998
OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução á sociologia. São Paulo: Ática, 2000. Veja mais aqui  e aqui.



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