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quinta-feira, julho 16, 2015

LURIA, ZATZ, ARENAS, LÍRIA, ARTHUR MOREIRA LIMA, VISCONTI, GINGER, ARÓSIO, JOSHUA, LARSSON & CANTANDO ÀS MARGENS DO UNA!!!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CANTANDO ÀS MARGENS DO UNA – Estou aqui à margem do mundo e dos sentidos, no meio de um verso anímico de Celina Holanda que pousa na varanda do meu peito. Estou aqui com todas as dores do mundo na varanda da alma no meio do vento que vem do Una no horizonte da tarde de junho no sol de câncer. Estou aqui com a cara pra vida sem relógio ou ampulheta, alumbrado ou quase com as palmeiras das rotas crepusculares que sou eu incólume sempre no coração. Estou aqui com a folia das crianças que sobem as côncavas e íngremes tardes de Santo Antônio para mirar no cruzeiro toda longitude do tapete mágico e a anatomia selvagem da cidade escrava do pó da cana e da mata. Estou aqui como se estivesse no meio dos pantanais da sorte onde a caiana me dá o troco da vida açucarada quando o sangue é suor que lava o corpo nos espelhos anis suspensos que o bueiro da usina toca. Estou aqui na fumaça que sai com a nódoa execrável da calda como um golpe estrondoso na gengiva do Una e envenena a minha e todas as vidas daqui. Estou aqui onde o verde é o muro e coisa alguma no luar da mata no espaço vazio implacável no pardo olhar que se perde na vigília das abusões dos morcegos da vida provinciana. Estou aqui onde os sonhos escapam pelas brechas das casas alcançando o azul com promessas de sopa, xerém, pé-de-porco, mão-de-vaca, carne-de-sol, feijão verde e fome das sedes de sempre. Estou aqui no mormaço com seus timbres suaves instaurados pelo sol dos ambulantes de deus que vivem na sesta contumaz, piongos insones debruçados sobre os sonhos de catavento. Estou aqui e percebo a fuga que aduba a moldura da fatalidade presente porque pelas ruas da minha cidade eu vou voluntariamente vivo e às vezes fujo num voo que se despenca da minha liberdade e só muito depois volto para minha cidade tapando os ouvidos, mãos na cabeça, peito aberto. Estou aqui sem flores nem presentes, só com meu riso anêmico e o meu aceno de já voltei e voltarei sempre que puder só com meu gesto telúrico, pálin! Estou aqui me certificando das promessas que rangem na guilhotina do tempo, furando o alambrado do poder quando meu olho cheio de graxa e óleo vem de São Bento e desce para a Várzea de São José com a cerca grande no Rio Formoso para limpar a sina, o lodo e a podridão. Estou aqui neste espaço que é o descaso dos homens de nada, maiores que nada, menores que o próprio tamanho e que não sabem a voz pra cantar que lá vem um verso lá da banda de Barreiros, lá onde o vento faz a curva pra voltar. O vento traz Odete Vasconcelos, Odete, oh, Odete pr´eu poder admirar sua negrice, seu amor de companheira porque odete sonho, odeteamo, noitedia luzear por isso eu só queria tocar violoncelo para no meio um de improviso noite Bach das sinfonias de bar fazer um preludinho pra Odente Vasconcelos. Estou aqui sem relógio ou ampulheta, alumbrado ou quase, curtindo as paragens do assobio imenso do Una a me dizer hermilamente: “Você só não vê a alma porque está escondida”. (Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Vênus (1785), do pintor inglês Joshua Reynolds (1723-1792)

Curtindo Cirandas (CBS, 1969), com composições sobre temas populares de Heitor Villa-Lobos, na interpretação do pianista Arthur Moreira Lima.

PSICOLOGIA GERAL – A coleção Curso de Psicologia Geral (Civilização Brasileira, 1991), do neuropsicólogo russo Alexander Luria (1902-1977), composta de quatro volumes que versam sobre a introdução evolucionista à Psicologia, sensações e percepção, atenção e memória, e linguagem e pensamento, abordando temas como a psucologia como ciência, objeto e importância prática da história da Psicologia e de outras ciências, métodos, origem do psiquismo, variabilidade e mecanismos do comportamento dos protozoários, origem do sistema nervoso e suas formas mais simples, surgimento das formas complexas de programação hereditária do comportamento ("instintivo"), sistema nervoso central e o comportamento individualmente variável dos vertebrados, comportamento "intelectual" dos animais, atividade consciente do homem, o cérebro e os processos psíquicos, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: O homem vive e atua em um meio social. Sente necessidades e procura satisfazê-las, recebe informação do meio circundante e por ele se orienta, forma imagens conscientes da realidade, cria planos e programas de ação, compara os resultados de sua atividade com as intenções iniciais, experimenta estados emocionais e corrige os erros cometidos. Tudo isto representa a atividade do homem no plano psicológico, que constitui o objeto de uma ciência: a Psicologia. Esta ciência se propõe a tarefa de estabelecer as leis básicas da atividade psicológica, estudar as vias de sua evolução, descobrir os mecanismos que lhe servem de base e descrever as mudanças que ocorrem nessa atividade nos estados patológicos. Só uma ciência capaz de estudar as leis da atividade psicológica com uma precisão possível pode assegurar o conhecimento dessa atividade e sua direção em bases científicas. É justamente por isso que a Psicologia científica se torna uma das disciplinas mais importantes, cujo significado crescerá cada vez mais com o desenvolvimento da sociedade e o contínuo aperfeiçoamento dos seus métodos.  A história da Psicologia como ciência É muito breve a história da Psicologia como ciência. No entanto remontam a um passado muito distante as primeiras tentativas de descrever a vida psíquica do homem e explicar as causas dos seus atos. Na Antigüidade, por exemplo, os médicos já entendiam que para identificar as doenças era necessário saber descrever a consciência do homem e descobrir as causas dos seus atos. Esse enfoque materialista do comportamento do homem foi, séculos a fio, combatido pela filosofia idealista e a Igreja, que viam na consciência do homem uma manifestação da sua vida espiritual, considerando que esta não obedecia às mesmas leis a que se subordinava toda a natureza material e por isto sua análise não podia ser feita a partir da explicação causai dos fenômenos. Por esses motivos o mundo psicológico do homem e sua consciência foram vistos durante séculos como fenômenos de tipo especial, isolados de todos os outros processos naturais. Os filósofos assumiam diferentes posições em relação à consciência, considerando-a manifestação da razão divina ou resultado de sensações subjetivas, onde eles viam os "elementos" mais simples que serviam de base à consciência. Mas todos os filósofos idealistas estavam imbuídos da convicção de que a vida psíquica devia ser entendida como manifestação de um mundo subjetivo especial, que podia ser revelado somente na auto-observação, sendo inacessível à análise científica objetiva ou à explicação científica. Séculos a fio esse enfoque dos processos psíquicos deteve a evolução da psicologia científicas e mesmo depois de os processos do mundo exterior se haverem tornado objeto de estudo científico preciso os fenômenos da vida psíquica do. homem continuaram sendo vistos como manifestação de um mundo espiritual específico, acessível apenas à descrição subjetiva. A divisão de todos os fenômenos em duas grandes categorias — a categoria dos fenômenos físicos, acessíveis à explicação causai, e a dos fenômenos psíquicos, inacessíveis à análise científica objetiva — foi consolidada pelas teses básicas da filosofia dualística de Descartes, para quem todos os processos físicos, incluindo-se o comportamento animal, estão subordinados às leis da mecânica, ao passo que os fenômenos psíquicos devem ser considerados como formas do espírito, cuja fonte de conhecimento pode ser encontrada apenas na razão ou intuição. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CLONAGEM E CÉLULAS-TRONCO – O artigo Clonagem e células-tronco (Estudos Avançados, 2004), da bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, trata a respeito da pesquisa no campo de células-tronco, genética humana e as contribuições no campo das doenças neuromusculares, do qual destaco o trecho a seguir: [...] o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido pelas inúmeras pessoas que poderão se beneficiar por esta técnica e pela maioria dos cientistas. As academias de ciência do mundo que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos. Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação ou não em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero! Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocada em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida! Por outro lado, a cultura de tecidos é uma prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (que quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir-se apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de anti-ético nisso? Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa que ocorre hoje com transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada uma de nós pode se perguntar: você doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida? Em relação à destruição de “embriões humanos”, novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados, que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e portanto, de gerar tecidos. Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo que fosse implantado em um útero, teria um potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, não estamos, na realidade, criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje em transplante quando se retiram os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa) É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias ou não. A maioria dos países da comunidade Européia, o Canadá, a Austrália, o Japão, a China, a Coréia e Israel aprovaram pesquisas com células embrionárias de embriões há pouco tempo. Essa é também a posição das academias de ciência de países, inclusive o Brasil. É fundamental que a nossa legislação também aprove estas pesquisas porque elas poderão salvar inúmeras vidas. Veja mais aqui.

AQUELA CRIANÇA DE SEMPRE – O livro Antes que anoiteça (Record, 1992), do poeta e dramaturgo cubano Reinaldo Arenas (1943-1990), é apresentada uma autobiografia que foi escrito enquanto o autor se encontrava no exílio e gravemente doente, relatando as transformações sociais ocorridas em Cuba, antes e depois da revolução de 1959, principalmente da perseguição contra a sua orientação sexual e por não concordar com as regras para a produção cultural revolucionária na ilha, criticando a ditadura castrista. Com a conclusão do livro, o autor suicidou-se com dose excessiva de álcool e droga, depois da constatação de que estava acometido de Aids. Dele destaco o belíssimo poema Aquela criança de sempre: Sou esse menino desagradável, / sem dúvida inoportuno, / de cara redonda e suja, / que fica nos faróis, / onde as grandes damas tão bem iluminadas, / ou onde as meninas que parecem levitar, / projetam o insulto de suas caras redondas e sujas. / Sou uma criança solitária, / que o insulta como uma criança solitária, / e o avisa: / se por hipocrisia você tocar na minha cabeça, / aproveitarei a chance para roubar-lhe a carteira. / Sou aquela criança de sempre, / que provoca terror, / por iminente lepra, / iminentes pulgas, ofensas, / demônios e crime iminente. / Sou aquela criança repugnante, / que improvisa uma cama de papelão / E espera, na certeza, / que você me acompanhará. Veja mais aquiaqui.

TANTO MAR: DA ÚLTIMA VEZ E OUTROS POEMAS – A poeta mineira Líria Porto é autora do livro Borboletas Desfolhadas (2009), edita o blog Tanto Mar: a mão que governao verso balança os muros e tem seus poemas publicados em diversas revistas, como Germina, Cronópios, entre outras. Da sua lavra destaco inicialmente Da última vez: eu te queria / quero-te ainda... / meu coração fogareiro / ao ver-te tão sorrateiro / faz canção de bem-te-vi / e ao som de um bolero / no laço do teu abraço / vira flor de sabugueiro / cheiro de mato / capim bravo... / com a sede do deserto / pede água / chega perto / rodopia / tem vertigem / tem inocência de virgem / recebe a ti / todo / inteiro... / não desmaiei / eu morri... Também Periferia: se esta rua fosse minha eu capinava a calçada / pintava os paralelepípedos colocava postes lâmpadas / limpava a boca de lobo / se esta rua fosse minha / tinha água encanada / esgoto / (se esta rua fosse minha eu votava noutro prefeito). Merece destaque também Manivela: não sei com quem andas / por onde caminhas / só sei que nos vimos / voltaste no sonho / e como se o tempo / já nem existisse / cantavas sorrias / tal como no dia / que te conheci / (éramos meninos). Agora o Retaliações: tem hora que a vida não dá nem recebe / tem hora que a vida se fecha / pra balanço. E o ótimo Ímpeto: esse homem tem um visgo / tem um imã – nem sei quê / quando a gente se aproxima / eu me jogo nos seus braços / mesmo que não queira / que abomine / mulheres oferecidas. Agora o excelente Lésbica: a poesia me procura - abro as pernas / e fecho os olhos. E mais o Conto de Phodas: tinha um namorado / a gente só ficava juntos / mamãe berrou – não phode / tem que casar primeiro / (phodíamos / mas ninguém sabia). Mais o Adoração: rodeava o umbigo com o dedo / metia-lhe a língua e bebia / a vaidade que eu tinha. O Fendas: portas janelas basculantes / pálpebras mentes escotilhas / braguilhas bocas e pernas / abri-vos. Mais o Boca Suja: falo cu e bunda / pinto com todas as letras / o quadrado o cubículo / o buraco negro. E, por fim, o Estado Interessante: em cama larga / durmo do lado avesso / no outro deita um fantasma / que à meia-noite me come / engravida-me de sonhos / e pesadelos / acordo prenha de espasmos / de soluços de poemas. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DO FOREVER À FLORESTA QUE SE MOVE – A atriz Ana Paula Arósio tem desenvolvido sua trajetória no teatro, cinema e televisão. No teatro ela estreou em 1995 com Batom, depois Fedra (1997), Harmonia em Negro (1998), Diário Secreto de Adão e Eva (2000) e Casa de Bonecas (2002). No cinema ela estreou em 1993, com Forever, depois Os cristais debaixo do trono (1999), O coronel e o lobisomem (2005), Celeste & Estela (2005), Como esquecer (2010), Anita & Garibaldi (2013) e A floresta que se move (2015). Depois de uma diversidade de relacionamentos, a artista resolveu recolher-se na sua fazenda criando cavalos. Aqui nossos parabéns pelo talento e trajetória. Veja mais aqui.

SENSO – O melodrama Senso (Sedução da carne, 1954) do premiado cineasta italiano Luchino Visconti (1906-1976), é uma adaptação da novela homônima do escritor, arquiteto e historiador italiano Camilo Boito (1836-1914), contando o período da guerra ítalo-austríaca de unificação, em 1866, quando um protesto violento de nacionalistas interrompem a ópera contra a ocupação de austríacos na plateia, ocasião em que uma senhora casada conhece um jovem oficial austríaco e se apaixona por ele, dando inicio a um caso de amor secreto no meio de uma terrível guerra que os obriga a separarem-se e, no final ela o entrega para o fuzilamento por traição. O destaque do filme vai para as atrizes italianas Alida Valli (1921-2006) e Marcella Mariani (1936-1955). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Homenagem à atriz, dançarina e cantora estadunidense Ginger Rogers (1911-1995)

Veja mais sobre:
O feitiço da naja: tocaia & o bote, Sistemas de comunicação de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, Or de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Aniversário de Aninha, A escritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Brincarte do Nitolino & a poesia de Greta Benitez aqui.
A obra de arte & a reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Guillaume Apollinaire, a pintura de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Efigênia Coutinho & Programa Tataritaritatá aqui.
A campanha do Doro presidente aqui.
A ponte entre o amor e a paixão aqui.
Literatura de cordel: Que língua a nossa, de Carlos Silva aqui.
As trelas do Doro: doidices na sucessão & a arte de Yayoi Kusama aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a pintura de Candido Portinari & Vicente do Rego Monteiro, a música de Bach & Wanda Landowska, O vir-a-ser contínuo de Heráclito de Êfeso, A estrada morta de Mia Couto, As casas & os homens de Adolfo Casais Monteiro, Maria Peregrina de Luis Alberto Abreu, Quebra de xangô de Siloé Soares de Amorim, a arte de Luciano Tasso, Brincarte do Nitolino & Jobs no baço e encarar nocautes de Vlado Lima aqui.
Primeira reunião, Ética pro novo milênio do Dalai Lama, Morte ao invasor de Gilvan Lemos, O despertar da primavera de Frank Wedekind, O testamento de Orfeu de Jean Cocteau, a pintura de Marc Chagall & Edgar Degas, a música de Toquinho, a arte de María Casares, a coreografia de Alonso Barros & a poesia de Valéria Tarelho aqui.
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, as sinfonias de Gustav Mahler, a pintura de Lasar Segall & Ekaterina Mortensen, Amor por anexins de Artur Azevedo, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, Kiki, Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, o cinema de Hector Babenco, a música de Meredith Monk, a arte de Vanice Zimmerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, Aquela criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
A família de Jacques Lacan, Pensamento & linguagem de Alexander Luria, a música de Elizeth Cardoso, Aníbal Bragança & Clevane Pessoa de Araújo Lopes aqui.
A mulher na história aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Satyrricon de Petrônio aqui.
Musa Tataritaritatá: a estudante Estéfane Cruz aqui.
A arte de Claudia Cozzella aqui.
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, O livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, a música de Ayako Yonetani, Ciência psicológica, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, 1919 de John dos Passos, o teatro pobre de Jerzy Grotowski, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a pintura de Vesselin Vassilev, a arte de Alex Mortensen & a música de Carlos Careqa aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes de Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem Model writing postcard (1906), do pintor sueco Carl Larsson (1853-1919)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sexta-feira, abril 18, 2008

KHAYYAM, ORFEU & EURÍDICE, GLUCK, PINA BAUSCH, LÍNGUA PORTUGUESA, GERT WIEGELT & LÍRIA PORTO

 
Curtindo o álbum (2 CDs) da ópera Orfeo ed Euridice (Grammophon, 1998), do compositor alemão Cristoph Willibald Gluck (1714-1787), com a Münchner Bach-Orchester, regida por Karl Richter. Veja mais aqui e aqui.

DANÇA NUA NO MEU CORAÇÃO – Imagem: arte do fotógrafo alemão Gert Wiegelt. – Dança, Eurídice, dança ninfa nua e linda para se certificar do amor do filho de Calíope por tua formosa cupidez de serva do prazer. Vem líquida como o rio Hebrus onde nasci, porque sou mortal navegante desposado por teus encantos de mar. Vem inteira me hospedar como a Trácia porque quero me servir no teu banquete dionisíaco. Ah, me acode encantada Eurídice com a fome sensual de tua boca voraz felatriz, com o ósculo dos teus lábios acetinados no meu sexo argonauta retesado pela magia de tua dança resvaladiça, e me leve aos teus recantos na gula da garganta, para que eu possa corrompê-la com minhas carícias apaixonadas no nosso covil. Vem bailarina tentadora e côncava com seus glúteos salientes no saracoteado enfeitiçador, que a minha clava é a serpente que se enrosca ao teu tornozelo flutuante para usufruir de tuas prendas e matá-la de gozos. Vem requerente e convexa na dança extravagante desnuda a se achegar rendida, ombros inclinados, pele eriçada e toda suspirosa carne ardente e contagiante, exibida esvoaçante entre meus braços abertos, para que minhas mãos possam na roda-viva dos seus passos, delinear as curvas de tua cintura e quadris a me desvendar o segredo do universo. Vem me ensinar o espírito livre de tua natureza selvagem, que eu vou com firmeza de predador invadir tuas florestas e cavernas, destemido e às arremetidas para conquistar tua vulva contraída, aos arrancos na indomável na ginga do teu corpo que não rechaça minhas investidas ao teu submundo. Vem aos regalos me entreter se esfolando no meu tronco com tuas coxas trêmulas a deslizar macia tua fruta madurinha, cheia, úmida, puta esguia tantalizada no meu sexo vigoroso, para que te salve evanescida do Hades com orgasmos exaltados, noiva nua, toda minha. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA - Ninguém pode compreender o que é misterioso. Ninguém é capaz de ver o que ocultam as aparências. As nossas moradas são provisórias, exceto a última: a terra. Beba muito vinho, amiga. Basta de palavras supérfluas. Pensamento do poeta, matemático e astrônomo persa Omar Khayyam (1048-1131). Veja mais aqui.

ORFEU & EURÍDICE – Na mitologia grega, o poeta e cantor Orfeu, filho da musa Calíope e de Apolo, rei da Trácia, era argonauta muito talentoso ao tocar sua lira: os pássaros paravam de voar, os rios mudavam seu curso, os animais selvagens perdiam o medo e as árvores se curvavam para ouvir os sons aos ventos. Ele apaixonou-se pela bela ninfa Eurídice. Depois do casamento, ela foi vítima de assédios do apicultor Aristeu, ao recusá-lo, ela foi perseguida e, ao tentar escapar, tropeçou em uma serpente que a mordeu e a matou. Orfeu ficou transtornado de tristeza e, armado com sua lira a cantar e tocar, foi até o mundo inferior, o Hades, para tentar trazê-la de volta. A sua canção pungente e emocionada convenceu Caronte, o barqueiro do rio Estige. Em seguida, a canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões. Sua música aliviou os tormentos dos condenados e encantou os muitos monstros que surgiram na sua jornada. Ao chegar ao trono de Hades, o rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua esposa, a deusa Persféfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu, e o atendeu. Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos, mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol. Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele então quase no final do tenebroso túnel olhou para se certificar de que Eurídice o acompanhava e não a viu. Hades e Perséfone os seguiram e como ficou estabelecido que ele não poderia olhar para Eurídice até chegar ao fim do túnel, Hades a tomou novamente. Por um momento ele a viu, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma, seu grito final de amor e pena não mais do que um suspiro na brisa que saía do mundo dos mortos. Ele a havia perdido para sempre. Em desespero total, Orfeu se tornou amargo. Recusava-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo lembrar-se da perda de sua amada. Esse mito deu origem ao orfismo, uma espécie de serviço de aconselhamento; ele ajudava muito os outros com seus conselhos, mas não conseguia resolver seus próprios problemas, até que um dia, furiosas por terem sido desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas mênades, caíram sobre ele, frenéticas, atirando dardos. Os dardos de nada valiam contra a música do lirista, mas elas, abafando sua música com gritos, conseguiram atingi-lo e o mataram. Depois despedaçaram seu corpo e jogaram sua cabeça cortada no rio Hebro, e ela flutuou, ainda cantando, "Eurídice, Eurídice!". Com o choro dele, as nove musas reuniram seus pedaços e os enterraram no monte Olimpo. Quanto às mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos se espicharem e entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. Suas pernas se tornaram madeira pesada, e também seus corpos, até que elas se transformaram em carvalhos silenciosos. E assim permaneceram pelos anos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que por fim seus troncos mortos e vazios caíram. Recolhida da obra Uma história natural do amor (Bertrand Brasil, 1997), da escritora e naturalista estadunidense Diane Ackerman. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.


DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA- O presente artigo aborda a questão da dificuldade de aprendizagem da Língua Portuguesa, por ser esta dificuldade um dos problemas que mais incidem nas instituições educacionais. A dificuldade de aprendizagem é um tema que tem apresentado preocupações constantes por incorporar no sistema de ensino e a todos os níveis, novos métodos, com objetivo de desenvolver o próprio sistema.
A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA: Partindo do entendimento de que a aprendizagem, nas expressões de Nunes et al (2000), Fonseca (1999), Sena e Gomes (2002), Cezar et al (2010), Guerra (1998), Castilho (1998), é um processo pelo qual objetiva a prática pedagógica na produção do conhecimento, participando, portanto, da formação do indivíduo e sua relação com a interpretação e discernimento na vida. O processo de aprendizagem, conforme Calsa (2002), passa pela reorganização do conhecimento anterior do sujeito por meio do estabelecimento de novas relações e inferências desse saber com os objetos de conhecimento que estão em processo assimilação e acomodação. Assim sendo, a aprendizagem, segundo Lores (2010, p. 6), “[...] é um processo de aquisição e assimilação mais ou menos consciente, de novos padrões e novas formas de perceber, ser, pensar e agir”. Já para Freitas (2010, p. 1), a aprendizagem: “[...] é a construção do conhecimento, são processos naturais e espontâneos na nossa espécie”. Há que se entender que, conforme Pozo (1998, p. 32), “[…] embora novas aprendizagens impliquem a reorganização de esquemas conceituais prévios, esses esquemas nem sempre facilitam novas apropriações, pois têm como uma de suas características mais importantes a resistência à mudança”. É nesse aspecto que surgem alguns problemas de aprendizagem que são detectados no processo de ensino. Estes problemas, para Carvalho (2010), são considerados patológicos sob óticas que determinam quatro fatores para os problemas da aprendizagem: os orgânicos, os psicógenos, os específicos e os ambientais. Ou seja, os fatores orgânicos, são aqueles que tratam o indivíduo como um todo e não partes que trabalham isoladas, com integração entre anatomia, bom funcionamento de todos os órgãos, bem como do sistema nervoso central. Os fatores psicógenos são aqueles que são subsidiados pela teoria psicanalítica, que levam em consideração as disposições ambientais e orgânicas do sujeito. Já os fatores específicos, são aqueles que são identificados como desordens específicas ligadas a determinadas áreas também específicas, as quais perpassam questões cognitivas e motoras. Por fim, os fatores ambientais são aqueles que levam em consideração as questões de moradia, bairro, escola e oportunidades de lazer, sendo, pois, mais gerador de problemas escolares como a evasão. Já para Santos et al (2010) e Santos e Marturano (2010), os problemas de aprendizagem não se encontram restritos às causas físicas, psicológicas e sociais. São entendidos como fracassos articulados com fatores de ordem diversa, como de natureza orgânica, cognitiva, afetiva, pedagógica e social, e que são percebidos dentro das interações sociais. É exatamente esta a base do conceito de dificuldades de aprendizagem abrangendo e incluindo problemas decorrentes tanto das características individuais, como das influências ambientais e do sistema educacional. Em vista disso, entende-se que a dificuldade de aprendizagem é vista como a condição que o indivíduo passa pelo desequilíbrio cognitivo a partir do enfrentamento de situações-problemas que são apresentados pela escola. Há também a observação de que a dificuldade de aprendizagem (DA), segundo Nascimento et al (2010), seja uma genérica designação para heterogêneas dedordens identificadas como disfunções do sistema nervoso central, manifestadas na aquisição ou utilização dos recursos auditivos, da fala, da escrita, da leitura e do raciocínio matemático. Assim, a incidência dessas dificuldades de aprendizagem varia de acordo com determinados parâmetros e definição nem sempre concordantes. Essas dificuldades podem ser identificadas a partir de dificuldades emocionais que envolvem desde problemas de integração de natureza auditiva e visual, desinteresse, despedagogia, negativismo, avaliações sub-valorativas, hiperatividade, reforços negativos, programas inadequados, atitudes negligentes, entre outras causas tidas como multinacionais. Encontra-se na literatura que são diversas as causas dessa dificuldade, observando-se que estas são oriundas de explorações psicodinâmicas nas funções cerebrais, bem como causas encontradas nas circunstancias socioeconômicas, de fatores sanitários, complexas privações socioculturais, múltiplos índices, hábitos alimentares e culturais, inclusive, assinalando-se ser a DA o resultado de muitos conflitos e tragédias familiares.Nessas causas, Polity (2010) inclui problemas oriundos de fatores orgânicos, como saúde física deficiente, falta de integridade neurológica, alimentação inadequada; fatores psicológicos, como inibição, ansiedade, angústia; e fatores ambientais, tais como ambientais: educação familiar, grau de estimulação, influência dos meios. Alem disso, elenca os problemas de aprendizagens condicionadas pela situação familiar e pela educação. As primeiras ocorrem pelos distúrbios de aprendizagem condicionados por características da personalidade. As segundas são pelo desempenho escolar e são representadas pelas dificuldades de indivíduos com inteligência normal ou acima da média, apresentadas em reter ou expressar informações recebidas. São divididas em verbais e não-verbais. As verbais são relacionadas às dificuldades para adquirir processos simbólicos de leitura, escrita e matemática, além das dificuldades de aprendizagem escrita, disgrafia e disortografia e a discalculia (matemática). Já as não-verbais são aquelas que apresentam para o autoperceber-se, perceber seu mundo e relacionar-se com outras pessoas, embora tenham inteligência normal ou superior à média e não apresentam nenhum transtorno emocional. Já Lores (2010) amplia esse universo de causas da DA, como a privação psicossocial e a expansão da democratização do ensino que não signifique democratização sociocultural, identificando na etiologia da DA, dois níveis: o endógeno e o exógeno. Nos aspectos endógenos estão os fatores hereditários e a sua influência em termos de desenvolvimento. Já nos níveis exógenos estão as influências das oportunidades e das experiências multi-sensoriais, para além das necessidades de segurança, afeto, interação lúdica e lingüística, responsabilidade e independência pessoal. Fica definido que a etiologia das DA carece de uma observação com tratamento baseado nos fatores patogênicos do envolvimento, requerendo, com isso, partir de um estudo interdisciplinar para a execução de um estudo interdisciplinar integrado. Em razão disso, evidencia-se que só é possível identificar as dificuldades de aprendizagem, quando no contexto não interferirem os fatores socioeconômicos, uma vez que são os fatores de disfunção psico-neurológica do processamento de informação que incidem sobre o problema. Mediante isso, chama-se atenção para a distinção entre dificuldades de aprendizagem que surgem oriundas das razões de desvantagens culturais, do envolvimento socioeconômico e da inadequada aprendizagem, bem como daqueles que são identificados pela deficiência diagnosticada cientificamente ou por inadequada integração pedagógica. Razão esta, pela qual, assinala Lores (2010), passar o problema da DA pela má nutrição, pela privação de estímulos e informação, desencorajamento e desconfiança de reforço, subcultura, hierarquização e diferenciação no critério de homogeneidade cultural incompatível com o social, entre outros. Pelo exposto, entende que a DA tem se tornado amplamente encontrada entre os estudantes e em qualquer indivíduo de nível econômico diverso, e que se sinta ameaçado, confuso ou inseguro diante das exigências escolares. Isso porque, segundo o autor mencionado, é no ambiente escolar que se revelam os problemas emocionais secundários, oriundos de acumulações de ansiedades, depressões, frustrações, agressores e de insucesso dentro de uma cadeia de inadaptações que ocorrem naquele meio. Entretanto, é preciso sempre buscar as causas dos problemas de aprendizagens, tratando-a por meio de uma intervenção especializada e num combate constante e contínuo pela área de atuação da Psicopedagogia. No que concerne ao ensino de Língua Portuguesa, Cezar et al (2010) assinala que resultados publicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), têm evidenciando a apresentação de resultados insatisfatórios, sinalizando a indicação de que o desempenho dos estudantes nessa disciplina vem se agravando a cada pesquisa. Além do mais, o fato se agrava pela dicotomia existente pelo formato oral e a língua escrita nas aprendizagens, bem como pela ineficácia das metodologias de ensino dessa disciplina, notadamente no campo de referência entre a língua falada e as regras gramaticais. No entendimento de Travaglia (1996), o problema para se compreender e assimilar os conteúdos ministrados em Língua Portuguesa, se deve ao fato da não cessão por parte do professor do espaço importante da atividade de reflexão do estudante, enfatizando uma abordagem metodológica baseada na predominância da abordagem tradicional da regra pela regra. Esta é uma metodologia reducionista e empobrecida que pela repetição fragmentada e ausência da compreensão adequada dos conceitos, funções e relações existentes, dificulta a aprendizagem no ensino da língua. Também Macedo e Pinto (2010) adotam o posicionamento de que: Um dos grandes obstáculos ao processo de aprendizagem é o encaminhamento metodológico usado pelo professor. As complexas relações entre som/grafia, na retenção, na integralização dessas experiências, na compreensão e na interpretação da leitura e da escrita precisam ser bem asseguradas, pois, para que o domínio da linguagem pela criança aconteça, o professor precisa intervir no momento certo, fazendo o aluno elaborar suas hipóteses para que mais tarde possa reelaborar sozinho suas hipóteses. É o que entende Dorziat e Figueiredo (2010) na distinção entre linguagem como expressão do pensamento, como instrumento de comunicação e como forma de interação. No primeiro caso, distinguem como expressão do pensamento se faz necessário o estudo da gramática normativa tradicional, a partir do estudo da morfologia e sintaxe. No segundo caso, observam que como instrumento de comunicação, ou seja, o código, a gramática fica formada de regras a serem memorizadas e seguidas, no sentido de relação entre a língua padrão e a praticada pela fala das classes sociais. No terceiro caso, entendem que a gramática é vista como um feixe de variações e recursos lingüísticos que deve ser usado em função do texto (oral e escrito) que se produz e de seu contexto. Com isso, entendem os autores que esse resultado mostra como a língua portuguesa foi veiculada na grande maioria das escolas: de uma maneira muito desvinculada das reais necessidades da língua e que profissionais estão nas escolas, reproduzindo um ensino também inadequado. O tema atinente à dificuldade de aprendizagem na língua portuguesa, segundo Lores (2010, p. 28) constitui um problema de atualidade mundial. E assinala que: “No respeitante à área em que os alunos têm as dificuldades e estabelecida a relação com a língua materna soube-se que, na leitura e na gramática, as dificuldades são maiores nos alunos de língua materna portuguesa”, detectando as maiores dificuldades nos casos de escrita, leitura e interpretação. Como remédio, a prática do exercício de leitura tem sido eficiente para a superação, seguindo-se um vigilante acompanhamento pedagógico. No entanto, a prática ortográfica tem sido abandonada, quando esta se revela importante e decisiva no tratamento da DA em língua portuguesa. Já entre as dificuldades elencadas por Dorziat e Figueiredo (2010) estão a produção de textos, a ortografia, as regras gramaticais e a interpretação de textos. Tem-se encontrado, ainda, que as DA em língua portuguesa estão elencadas a partir da condição do estudante, carga horária, falta de motivação, da falta de material didático, responsabilidades familiares, relacionamento entre professores e alunos, todas afetando a leitura, a escrita, a gramática e a interpretação. Há observações como a de Olimpio (2010) e Guimarães (2010) que identificam as dificuldades de leitura, escrita e ortografia só serão superadas quando os professores, notadamente os de Língua Portuguesa, se dedicarem ao aprendizado ideal e verdadeiro do aluno, uma vez que a língua exerce um papel de suma importância do desenvolvimento desses alunos, exigindo por isso, o desenvolvimento de um método sólido e eficaz no seu ensino. E mais porque, segundo Silva (2002), a construção de um processo ensino-aprendizagem da língua materna passa necessariamente pela interação do aluno com o professor, com seu meio e com o mundo. Isso em consonância com Olimpio (2010) que se posiciona pela necessudade de condução do trabalho de leitura por meio da interação de diversos métodos, a exemplo das reflexões, compreensões e interpretações promotores de encontros literários, roda de leitura, jogos de adivinhações literárias, paráfrases, entre outras formas que incluam o lúdico.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Ao se observar o problema da aprendizagem em Língua Portuguesa, constatou-se que este problema é flagrado como no contexto de uma situação real que perpassa todas as instituições escolares, carecendo de aprofundamento reflexivo dos profissionais de educação para a matéria. Isso porque essa dificuldade de aprendizagem tem propiciado o insucesso escolar que pode ser oriunda de uma série de fatores, desde problemas disléxicos ou de outras naturezas socioafetiva, orgânica ou psicológica, como também da má preparação do professor ao ministrar os conteúdos. Isso porque o desenvolvimento do estudante depende também das condutas e ações dos adultos e professores. No caso específico da dificuldade de aprendizagem da Língua Portuguesa, recomenda-se, com base na literatura estudada, que no ensino da disciplina não se priorize as questões de errado ou certo, visando, ao contrário disso, estimular a reflexão e a análise sobre a língua. Ao professor de Língua Portuguesa é sugerido que faça uma seleção criteriosa dos conteúdos gramaticais adequados e relevantes, direcionados aos interesses, compreensão e faixa etária dos estudantes, posicionando-se de forma atenta e vigilante para o funcionamento psicológico dos discentes e seu desenvolvimento intelectual. Além do mais, na sua prática diária o professor precisa interagir e conhecer os estudantes, promovendo um acompanhamento individual para ajudar, estimular e compreender o que se passa no resultado da sua prática. Para tanto, se faz necessário estar robustecido de sensibilidade que seja capaz de detectar as mudanças que ocorrem na sala de aula. Nessa condução, é de fundamental importância a interação, especialmente pela condução do professor em fomentar e proporcionar ao discente a promoção da construção do discurso próprio, por meio do destaque de suas próprias experiências vivenciadas culturalmente, na amplitude dialógica que seja capaz de refletir a dinâmica intra-interdiscusiva. Como prática eficiente para reverter esse quadro, há a necessidade de mudança na produção dos conhecimentos articulando-se com a vida cotidiana, propiciando uma identidade entre a realidade do estudante e o conteúdo ministrado na sala de aula. Neste sentido, essa identificação com a realidade dada proporciona o entendimento do aprendizado, evitando-se o aprendizado factual ou mnemônico que possibilita, tão somente, a fixação dos conteúdos para atividades direcionadas. Essa atitude pode facilitar a aprendizagem, dirimindo e propiciando uma identificação com os conhecimentos prévios adquiridos com o indivíduo e a nova propositura efetuada pelo processo de informação. Tal condução leva ao entendimento da necessidade de processos dialéticos na prática pedagógica da Língua Portuguesa, possibilitando uma interação que resulte num desempenho satisfatório pautado na experiência multi-sensorial capaz de desenvolver associações e integridades auditivo-verbais e viso-motoras. É preciso que a escola tome uma atitude preventiva com relação a DA, aparelhando-se de uma orientação psicológica, educacional e pedagógica, detectando o discente com dificuldade de aprendizagem. Também, à escola exige-se a constante orientação aos professores com relação à elaboração de métodos aplicados e a adequação do programa na prática diária, ofertando condições aos profissionais da educação a busca pela compreensão nas situações particulares de aprendizagem e na construção da inteligência. Mais ainda, a escola deve promover o desenvolvimento global de todos os discentes e a integração dos destes no desenvolvimento formativo, incluindo professores e pais na ação preventiva das dificuldades de aprendizagem. É evidente que a escola sozinha não será jamais capaz de superar todos os problemas de aprendizagem, carecendo da intervenção familiar que possui um papel imprescindível no processo formador do indivíduo em todos os níveis.
REFERÊNCIAS
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CARVALHO, Maria. O educador diante da complexidade do processo de ensino aprendizagem. Psicopedagogia, 2008.
CASTILHO, A. T. A língua falada e o ensino de português. São Paulo: Contexto, 1998.
CEZAR, Kelly; FRANÇA, Fabiane; CALSA, Geiva; ROMUALDO, Edson. Alunos com dificuldade de aprendizagem em escrita: um olhar psicopedagógico. Profala, 2008.
DORZIAT, Ana; FIGUEIREDO, Maria Julia. Problematizando o ensino de língua portuguesa na educação de surdos. Ines, 2005.
FONSECA, Victor. Uma introdução às dificuldades de aprendizagem. Lisboa: Editorial Notícias, 1999.
FREITAS, Aparecida. Princípios psicopedagógicos na educação transversal do trânsito: aspectos introdutórios. Psicopedagia, 2008.
GUERRA, Leila Boni. A criança com dificuldades de aprendizagem. São Paulo, 1998.
GUIMARÃES, Ernandes. As dificuldades do ensino da língua portuguesa no Ensino Fundamental da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro de Montes Claros – MG, 2008.
LORES, Manuel Frómeta. Dificuldade de aprendizagem em língua portuguesa. 2008.
MACEDO, Adriana; PINTO, Maria das Graças. Problemas de aprendizagem: um olhar psicopedagógico. Revista do Centro de Educação, 2003.
NASCIMENTO, Cláudia; NASCIMENTO, Cléa; SANTOS, Sheila; MORISSO, Matias. As etiologias biológicas dos problemas de aprendizagem: implicações no diagnóstico psicopedagógico. Profala, 2008.
NUNES, Terezinha; BUARQUE, Lair; BRYANT, Peter. Dificuldades na aprendizagem de leitura: teoria e prática. São Paulo, 2000.
OLIMPIO, Luciana. Como diminuir as dificuldades de aprendizagem e em sala de aula. Abec, 2008.
POLITY, Elizabeth. Dificuldade de aprendizagem e família: construindo novas narrativas. Pedago Brasil, 2008.
POZO, J.I. A aprendizagem e o ensino de fatos e conceitos. In: COLL, C. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. São Paulo: Saraiva, 1998.
SANTOS, Luciana; MARTURANO, Edna. Crianças com dificuldade de aprendizagem: um estudo de seguimento. Portal Educação, 2008.
SANTOS, Carla; SILVA, Maria das Graças; VIRGENS, Maria Lucia; FERNANDES, Nice; SILVA, Valderice; OLIVEIRA, Vera Lucia. Dificuldades de aprendizagem em leitura e escrita nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Paidéi@, 2008.
SENA, Maria G. C.; GOMES, Maria F. C. Dificuldades de aprendizagem: na educação. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2002.
SILVA, Cristiane. O ensino de língua portuguesa em debate: problemas e perspectivas. Artigonal, 2008.
SILVA, Maria Cristina. Saberes e dizeres diferentes de crianças que "fracassam" na escola. In: SENA, Maria G. C.; GOMES, Maria F. C. Dificuldades de aprendizagem: na educação. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2002.p.55-67
TRAVAGLIA, L. C. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º. e 2º. Graus. São Paulo: Cortez, 1996. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Curtindo o DVD com a ópera Orpheus und Eurídike (BelAir, 2009), do compositor alemão Cristoph Willibald Gluck (1714-1787), com coreografia da memorável coreógrafa, dançarina, pedagoga e diretora de balé alemã Pina Bausch (1940-2009) & Ballet de l’Opéra National de Paris. Veja mais aqui.

OS DELICIOSOS VERSOS SENSUAIS DE LÍRIA PORTO

PARELHA

aberta a janela
penetra-se nas trevas
estrelas se fazem
e nus nesse oásis
quedamo-nos

entre as frestas
o caldo da entrega
sal do amor

a morte
hora incerta
deu-nos a deus
corpos inocentes

roupas largadas
montanhas
pegadas
suor

LA BELLA DONNA

seus olhos são noites
seu cheiro manhãs
são tardes seu colo
seu sexo agoras
seus seios auroras
o tempo advoga
a seu favor

O SEMINARISTA

afunda no decote
margeia os mamilos
escorre pelas bordas
desvia pros quadris
desce até as coxas
retorna ao umbigo
enquanto a prima dorme
cheirosa igual canela
biquini cor-de-rosa
virgem por triz

(IN)DE.CISÃO

todos os dias
ao amanhecer
jogo-te ao vento
tomo a decisão
de te esquecer

depois eu me lembro
do teu riso do teu beijo
sinto um arrepio
e me arremesso

ARRASTÃO

teus olhos são rede
o mar é amor
eu - peixe

ÂNGELA

a moça de alma albina
quer ser puta não consegue
fica nua vai pra esquina
quando um homem se aproxima
lua não tem sexo

FLUIDOS

tornei-me assim liquefeita
quando daquela feita
despi-me de nãos e sins

de mim então me perdi
nesta vontade inconclusa
acumulada no rim

ficou a mágoa comigo
fincada dentro do umbigo
um imenso chafariz

minha tristeza de chuva
essa amargura profusa
tem olhos túmidos

sou tal e qual um dilúvio
derramo transbordo enxurro
sangro os pulsos

CÓCEGAS

tuas águas me embalançam
como o mar e o navio

rio

DELTA

entre os joelhos e a virilha
uma ilha de renda a esconder a gruta
de mato dentro

TESÃO

cheiro de arroz cor de leite
salpicado com canela
gosto de cravo pau de canela
um doce manjar dos deuses
para todos os prazeres
para dar água na boca
sentir vontade e voltar

arroz doce com canela
nesta vida passageira
esperarei por cem anos
mais que isso se preciso
retornarás bem cremoso
cheiro de arroz cor de leite
gosto de cravo pau de canela

AL DENTE

saia curtinha
blusinha verde
e o vegetariano
não desgruda os olhos
da sua carne tenra

OBLÍQUA

quando a cama fica imensa
atravesso-a de ponta a ponta
desassossegos pelo meio
insônias no viés

DESMILAGRE

eu te abismo
tu me abismas
e em queda livre
precipitamo-nos

o fundo
era previsível
a superfície
nem santo

DI_AMANTE

eu te quero sol de todo dia
e só vens na lua cheia

a bola de neve do meu medo
(não sou a amada sou o pouso o oásis)
te traz na primavera do ano bissexto

assusta-me à distância
o cometa halley

SEM PÉS NEM CABEÇA

ali
no ponto gê
a tomada elétrica
deixa guiomar
de pernas pro ar

MAGO

alguém que me queira como sou
que me pegue e me esfregue
até que eu veja o gênio
da lâmpada

DE TODAS AS FÓRMULAS

fazes-me falta

em todas as fases
faltas-me

LADAINHA

faço verso rastejante
igual cobra no papel

faço verso flutuante
passarinho lá no céu

faço verso comprimido
fechado dentro do frasco

faço verso assim ridículo
acostumado ao fiasco

faço verso bem florido
nascido em pleno setembro

faço verso esquecido
o jeito dele nem lembro

faço verso galopante
como visita de amante

faço verso des'tamanho
coração de minha mãe

faço verso
faço verso

faço verso

CUNHÃ

parece uma flor de palha
a moça que me atrapalha
sem cheiro e sem encantos
no entanto igual arraia
enreda em sua saia
o dono dos meus quebrantos

O CABAÇO

penso aqui com os borbotões
estou cheia de senões
se fossem abotoados
os pingolins dos meninos
ia ser um desatino
desarrolhar os coitados
acho mesmo houve engano
nas meninas muito pano
os rapazes sem cortina
triste é a nossa sina
um selo de validade
desde a mais tenra idade

LÍDER

peito para frente
bunda para trás
e o batalhão atrás

CONQUISTA

a pele da piscina
arrepia-se
com as tuas braçadas

DIABA

nem mais bonita rica ou inteligente
queria tão somente ser o seu tipo
a mulher que ele escolhesse sem titubeio
sem avaliar os prós os contras
a que tivesse a medida
o exato tanto
entre puta e santa

LIRIA PORTO – A poeta e professora mineira Liria Porto tem vários de seus excelentes poemas publicados em diversas páginas, revistas, sites e portais da web. Veja mais aqui.



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