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terça-feira, outubro 17, 2017

ANNIE BESANT, RAMOS ROSA, ARTHUR MILLER, TORERO, LORI KIPLINGER PANDY & VLAHO BUKOVAC

IARAVI & A LUA – No dia que a apaixonada cunhã Iaravi perdeu o caminho de volta pra sua casa caingang e se desencontrou do seu amado Fiietó, ela errou por terras distantes, até vê-se completamente desamparada, aos prantos. Seguiu erradia por noites e dias com a esperança de reencontrar o caminho de casa e o seu amor perdido. Depois de muito vagar sozinha pela vida, não restava mais a ela, senão, o caminho de todas as cunhãs que padeciam de amor: seguir pro alto da colina, deprecar por Iaci, na crença de que ela pudesse trazer o seu amor de volta, tendo em vista a deusa selenita, com o seu beijo, redimir todas as mulheres apaixonadas, tornando-as iluminadas, desmaterializando-as e transformando-as em estrelas fixadas no firmamento. Assim fez Iaravi, procurando altas elevações para realizar o sonho da felicidade, percorrendo lugares com montanhas, serras e montes, até encontrar a maior delas, para alcançar o reino selênico. Ao chegar ao pico daquela, fitou o céu onde as estrelas pareciam entoar cânticos à beleza da Terra e logo encontrou a lua banhando-se no lago. Pulou do alto e mergulhou nas águas onde se encontrava Iaci que, apiedando-se do seu sofrimento, aproximou-se e perguntou: O que queres, minha linda canigang? Iaci, minha deusa, perdi o caminho de volta e, o pior, me desencontrei do meu amor e sigo errante, perdida e desesperada. Nada mais me resta, a não ser a tua complacência, minha deusa e soberana da noite, me transformando em uma vitória-régia, a estrela das águas, para que eu possa findar meus dias sempre esperando por meu amado. Iaci compadeceu-se daquela índia, beijou suas faces, transofrmando-a numa formosa estrela do céu, imortalizada com o aroma da paixão universal. Teve o cuidado de guardar na bela amante todos os mistérios das águas profundas para que ela pudesse reluzir no encantamento dos belíssimos viveiros fluviais da Terra. Mais que grata, Iaravi transformou-se na Lua refletindo a chamar a atenção das caboclas inspiradas pela paixão do amor e a guiar o caminho dos selenitos. (Recriada a partir da lenda Vitória-régia, de Anísio Melo, extraída da obra Contos e lendas amazônicas - Alfredo Ladislau, 1923), © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do compositor e pianista russo Alexander Scriabin (1871-1915): O poema do êxtase op. 54, Misterium & Poema do fogo; da cantora e compositora Fátima Guedes: Muito intensa, Muito prazer, Flor de ir embora & Cheiro de mato; do compositor e pianista estadunidense Keith Jarret: The Koln Concert, La Scala & My Song; da cantora, compositora, instrumentista e designer sonoro Joana Flor: Sine qua non, O que me resta, Me falta tem, Indivíduo lugar & Do que é efêmero. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Eu procuro e não consigo encontrar, Willy. Hoje eu fiz o último pagamento da casa. Hoje, querido. E não há ninguém nela. Não estamos devendo nada a ninguém. Estamos livres de obrigações. Estamos livres... Estamos livres... livres... [...]. Trecho da obra A morte do caixeiro-viajante (Abril, 1976), do dramaturgo estadunidense Arthur Miller (1915-2005).

EVOLUÇÃO MORAL - Muitas pessoas nutrem bons sentimentos para com qualquer boa causa, mas poucas se esforçam por ajuda-la, e muito poucas arriscarão alguma coisa para apoiá-la. 'Alguém deve fazê-lo, mas por que eu?' é a pergunta sempre repetida pela amabilidade irresoluta. 'Alguém deve fazê-lo, e por que não eu?' é o grito de algum zeloso servo do homem, que se atira, animoso, para a frente a fim de enfrentar algum dever perigoso. Entre essas duas sentenças jazem séculos inteiros de evolução moral. Pensamento da escritora e ativista anglo-indiana Annie Besant (1847-1933). Veja mais aqui.

SONHO & SAUDADE - [...] Tive um sonho esquisito ontem: era uma manhã ensola rada e eu vinha a pé pela avenida Paulista, sentido Consolação-Paraíso. O silêncio era total, nenhum carro passava. Havia apenas papéis picados cobrindo o asfalto e bandeiras brasileiras penduradas nas janelas [...] Acordei com saudades [...] de nhoque feito pela avó, [...] de meu avô, [...] dos shorts de panos estampados feitos pela minha mãe; saudade do barulho de batedeira de minha mãe [...] de ir aos jogos com meu pai, [...] de ver os avós brigando e fazendo as pazes, [...] de briga de empurrão com meus irmãos [...] de ganhar dinheiro do meu avô para comprar figurinha de chapinha [...] Saudade do tempo que já foi. Saudade do que já fui. [...]. Trechos extraídos da obra Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso (Objetiva, 2001), do escritor e jornalista José Roberto Torero. Veja mais aqui.

PALAVRA - Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina / e a alegria aviva-se em redonda ressonância. / O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível / que reconhece e inventa a pluralidade delicada. / Ao longe e ao perto o horizonte treme entre os seus cílios. / Ela encanta-se. Adere, coincide com o ser mesmo /da coisa nomeada. O rosto da terra se renova. / Ela aflui em círculos desagregando, construindo. / Um ouvido desperta no ouvido, uma língua na língua. / Sobre si enrola o anel nupcial do universo. / O gérmen amadurece no seu corpo nascente. / Nas palavras que diz pulsa o desejo do mundo. / Move-se aqui e agora entre contornos vivos. / Ignora, esquece, sabe, vive ao nível do universo. / Na sua simplicidade terrestre há um ardor soberano. Poema extraído da obra Volante verde (Moraes, 1986), do poeta, tradutor e desenhista português António Ramos Rosa (1924-2013). Veja mais aqui.

A ARTE DE LORI KIPLINGER PANDY
A arte da escultora estadunidense Lori Kiplinger Pandy.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor croata Vlaho Bukovac (1855-1922).
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sexta-feira, julho 07, 2017

OS MÍMICOS DE NAIPAUL, ARTE DE EWA LUDWICZAK, KEITH JARRET, SUELI COSTA, EUMIR DEODATO & RITA LEE

ELA ACOLHEU MEU DESTERRO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez - Ela chegou tal Maria Bonita a me chamar Lampião: - Vem cá, vem! E eu qual menino traquino diante do brinquedo predileto. E ela: - Vem cá, vem, caeté! E mais me chamava porque sabia que haviam decepado meu passado e futuro, restava a mim, apenas, o amanhã incerto e o agoraqui de eterna noite, como um prévio culpado jamais suspeito, alma fugitiva. Pegou-me a mão, mirou o leste e me apontou o sul: - Vamos prali, vem! Era pras suas terras caingang, tão belas paragens como as do meu chão que perdi, terra que não sei mais, tão paradisíaca quanto, tão acolhedora como dela me sugeria seus seios e ventre. Atravessamos distâncias, tão longe nunca fui. Até sentir frio e o seu riso me aquecer. Puxou-me até a beira do rio e com suas ternas mãos lavou-me as faces cansadas, retirou-me o chapéu surrado das estações e estradas sem fim, e alisou meus cabelos em desalinho, demoveu a poeira dos meus lábios sedentos, removeu meu gibão, cinturões, armas e munições, descalçou minhas alpercatas de léguas tiranas, despiu-me como a um deserdado no exílio de sempre e me fez mergulhar como pagão ao batismo nas suas águas hospitaleiras. E se apossou da minha teimosia, lavou minhas culpas, acalmou as minhas agonias, sarou minhas feridas abertas na carne fustigada, e me redimiu dos pecados, expulsou meus pesadelos, apaziguou meus tormentos, livrou-me os castigos e me ensinou sonhos prazerosos pra que usufruísse o lado da vida que eu sequer sabia existir. E me beijou pra que eu soubesse da felicidade, e me abraçou como jamais, e me fez sentir verdadeiramente existir e passasse a ser como tudo entre a terra, o céu e as águas. E me agasalhou com seu corpo nu, me fez vencedor intrépido no reino de suas carícias, e me fez esquecer o que não mais tivesse de mim mesmo, naufrágios, derrotas, vinganças, desterro. E me levou ao centro do universo e me fez reinar sobre tudo e todas as coisas. Mais que refeito e digno, me ensinou o amor na descoberta do sentido mais profundo da vida: amar e ser amado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

OS MÍMICOS DE NAIPAUL
[...] no exato momento em que eu exprimia em palavras meus sentimentos, me dei conta de que minha viagem, embora ainda bem no inicio, havia terminado no naufrágio que eu vinha tentando evitar durante toda a vida. [...] Confundimos palavras e a proclamação de palavras com poder; assim que pagam para ver, vê-se que é puro blefe e estamos perdidos. Para nós, a política é um empreendimento de vida ou morte, de tudo ou nada. Uma vez que nos empenhamos, nossa luta é mais que política; muitas vezes a expressão “luta de vida ou morte”, tem o sentido literal. [...] Para os que perdem – e quase todo mundo acaba perdendo – só resta uma saída: o exílio. [...]. Depois que um homem é destituído de suas dignidades, ele é obrigado não a morrer ou fugir, mas a encontrar o seu nível. [...] Na maioria dos casos, fomos tímidos demais, ou ignorantes demais, para fazer fortuna; medimos tanto nossas oportunidades quanto nossas necessidades com base nos sonhos que tínhamos antes, no tempo em que não éramos ninguém. Fala-se no pessimismo dos jovens como se fala no ateísmo e na revolva: é coisa que passa com a idade. [...] Não sento muita emoção: aquela parte da minha vida já estava terminado e já fora colocada em seu devido lugar. [...] e atualmente não tenho vontade de me envolver em lutas que são irrelevantes para mim. Não quero mais compartilhar da angustia dos outros; falta-me preparo para isso. Chega de palavras; bastam essas que escrevo. [...].
Trechos da obra Os mímicos (Companhia das Letras, 2001), do escitor britânico nascido em Trinidad e Tobago, Prêmio Nobel de 2001, Vidiadhar Surajprasad Naipaul, contando a história de uma autoridade que escreve suas memórias ao ser exilado por ter caído em desgraça na política,

Veja mais sobre:
Ah, se estou vivo, tenho mais o que fazer, a literatura de Liev Tolstói, Funil do ser de Nauro Machado, Teatro & a cena dividida de Gerd Bornheim, a pintura de Lasar Segall, a música de Joyce, a arte de Patrick Conklin & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, a música de Gustav Mahler, Amor por anexins de Artur Azevedo, a pintura de Lasar Segall, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, a arte de Ekaterina Mortensen & Kiki Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
Lampião & Ascenso Ferreira, A música de Gustav Mahler, a pintura de Marc Chagall, Teatro a vapor de Artur Azevedo, a arte de Bee Scott & muito mais aqui.
As trelas do Doro & o escambau aqui.
Fecamepa: Quando um país vive só de nhenhenhém, não dá outra: o pencó engancha na cornice e nada vai pra frente aqui.
A lenda do Curare aqui.
Brincarte do Nitolino, Questão de método de Jean-Paul Sartre, A cartomante de Machado de Assis, Bagagem de Adélia Prado, o teatro de William Shakespeare, a música de Eumir Deodato, o cinema de Jean-Luc Godard, a arte de Carlos Scliar, Decio Otero & Ballet Stagium aqui.
Princípios de uma nova ciência de Giambattista Vico, a poesia de Anna Akhmátova, Hora e vez de Augusto Matraga de João Guimarães Rosa, O cravo brasileiro de Rozana Lanzelotte, Devassos no paraíso de João Silvério Trevisan, a pintura de Eliseo d'Angelo Visconti & Moacir, a arte de Dercy Gonçalves & Programa Tataritaritatá aqui.
Viva São João, a música de Luiz Gonzaga, a poesia de Ascenso Ferreira, Terra de Caruaru de José Condé, Tratado da lavação da burra de Ângelo Monteiro, o teatro de Artur Azevedo, o cinema de Sérgio Silva & Dira Paz, Brincarte do Nitolino, a xilogravura de José Barbosa & Severino Borges, a pintura de Rosangela Borges & Valquíria Barros aqui.
O amor de Naipi & Tarobá, Arte e percepção visual de Rudolf Arnheim, Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, a pintura de Fernand Léger, a música de Vivaldi & Max Richter, Improvisação para teatro de Viola Spolin, a fotografia de Fernand Fonssagrives, a arte de Regina Kotaka & Eugénia Silva aqui.
Penedo, às margens do São Francisco, História social do Brasil de Manoel Maurício de Albuquerque, Asvelhas de Adonias Filho, a música de Bach & Rachel Podger, A arte maldita de Georges Bataille, a pintura de Jaroslav Zamazal, a arte de Marcel Duchamp, a fotografia de Karin van der Broocke, Vanguard & Kéfera Buchmann aqui.
Ela, marés de sizígia, Mulher de Yone Giannetti Fonseca, Tratado de argumentação de Chaïm Perelman & Lucie Olbrechts-Tyteca, a música de Guilherme Arantes, Pensamento crítico, Vaudezilla & Urban Jungle, a pintura de Tom Pks Malucelli & Time Honored Desins, a arte de James Halperin & Luciah Lopez aqui.
As olimpíadas do Big Shit Bôbras, Os dragões do éden de Carl Sagan, O discurso da difamação de Affonso Ávila, a música de Peter Machajdik, a pintura de Brian Keeler & Gray Artus, Microbiologia dos alimentos & Casa do Contador de Histórias aqui.
Só a poesia torna a vida suportável, Vanguarda nordestina de Anchieta Fernandes, Estado de choque de Walmir Ayala, Vanguarda & subdesenvolvimento de Ferreira Gullar, o cinema de Anna Muylaert, a pintura de Károly Lotz, a música de Ira Losco, a arte de Jean Dubuffet & Michael Mapes aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica alemã Ewa Ludwiczak.
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RÁDIO TATARITARITATÁ: KEITH JARRET, SUELI COSTA, EUMIR DEODATO & RITA LEE
Hoje é dia de superespeciais: The Koln Concert & Standard Trio do compositor e pianista estadunidense Keith Jarret; Amor Blue & Íntimo da cantora e compositora Sueli Costa, Estival Jazz Lugano & The Fantastic Jazz Funk Do it again do pianista, arranjador e produtor Eumir Deodato, Acústico MTV & Multishow ao Vivo da cantora e compositora Rita Lee. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Para conferir é só ligar o som e curtir.

SEXTO DIA DE LUCIAH
Marcamos um encontro numa nebulosa azul -, eu voo ao seu encontro emprestando asas de trinta pássaros e no meu coração levo a infância vestida de noiva -, branca, alva, diáfana - é a minha herança. Há tempos, enquanto observava a luz rala das estrelas por detrás das nuvens, eu soube de um universo existencial e a estranha emoção de fazer parte dele. Não há absolutamente nada além dessa certeza e um leve estremecer - quase imperceptível - quando me lembro da sua boca tomando a minha, num beijo milenar. Permaneço assim, flutuando neste universo indescritível até adormecer.
Sexto dia, poema/imagens: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez.
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sexta-feira, maio 08, 2015

MARIE CORELLI, JUDY BLUME, MÉSZARÓS & ANÍBAL MACHADO

 


OS MISTÉRIOS DE MARIA – Ela não era Maria, era Isabella Mary, chamada de Minnie por todos os familiares até sua adolescência – dizem até que seu verdadeiro nome era Caroline. Era filha da criada da casa e, supostamente, foi adotada por um escritor maníaco por etimologia que se envolvia por diversas artes e jornalismo. Ele nunca a tratou por filha, o que a fez passar por momentos tristes numa infância solitária, levando-a a questionar o mundo e as coisas, ambicionando ir para a escola, quando foi restrita à educação de tutoras dentro de casa. Mesmo assim estudou música e artes manuais, acessava a biblioteca do pai constantemente. Sua mãe faleceu repentinamente quando tinha apenas 10 anos de idade, passando a ser assistida por uma amiga de infância. Retomou a vida, tocava piano, harpa e bandolim, tornando-se mezzo-soprano. Apresentou-se publicamente com sucesso as peças criadas de improvisação ao piano. Foi por esta época que assumiu o codinome de Signorina Marie di Corelli, dizendo-se descendente do famoso compositor barroco italiano. Aos 19 anos publica suas poesias e artigos em jornais e revistas da época. O tempo passa e aos 30 anos publica seu primeiro livro: A Romance of Two Worlds, resultado de uma experiência mística influenciada pela teoria elétrica da origem do universo. Aos 31 anos de idade ela soube a verdade sobre o seu nascimento e se tornou definitivamente Maria, passando-se por filha de um misterioso príncipe italiano. Depois publicou seu grande sucesso: The Sorrows of Satan. A partir daí envolveu-se em mistério e enigmas. Tornou-se uma personalidade controversa e, aos olhos de todos, uma self-made woman, quebrando regras vitorianas, pois nunca se casara, defendia a espiritualidade e criticava o materialismo da sociedade. Sobre não ter se casado dizia: Nunca me casei porque não havia necessidade. Tenho três animais de estimação em casa que atendem ao mesmo propósito de um marido. Tenho um cachorro que rosna todas as manhãs, um papagaio que xinga a tarde toda e um gato que chega tarde da noite... Seus livros eram ignorados pelos críticos, mas um sucesso de público, tornando-se a autora mais vendida e mais bem paga do país. Exilou-se na terra natal de Shakespeare, atuando na preservação do patrimônio histórico e envolvendo-se em litígios duradouros que devastaram suas posses, quando caiu no esquecimento público e dessomou, vítima de infarto, deixando um legado de 30 romances, afora contos, artigos e poemas. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O maior inimigo do homem não é outro senão seu proprio ego, porque ele, enquanto não controlado, o deixa surdo e cego para o bem... Quem procura viver apenas do cérebro e da caneta é, no início de tal carreira, tratado como uma espécie de pária social... Qualquer era que seja dominada apenas pelo amor ao dinheiro, tem um núcleo podre dentro dela e deve perecer... Pensamento da escritora inglesa da Era Vitoriana, Marie Corelli (Isabella Mary Mills, Minnie Mackay, ou ainda, Caroline Cody - 1855-1924), que no seu livro The Soul of Lilith: A Mystical Journey of Self-Discovery and Enlightenment (Kessinger, 2010), ela expressou: […] Havia algo mais — algo completamente indefinível — que dava um brilho e radiância singulares a todo o semblante e sugeria a queima de uma luz através do alabastro — um fluxo de algum fogo sutil pelas veias que fazia o belo corpo parecer o mero reflexo de alguma beleza maior interior. [...]. Já no seu exitoso livro The Sorrows of Satan (Lulu, 2014), ela expressou: […] Mas um homem dotado de pensamentos originais e do poder de expressá-los, parece ser considerado por todos em posição de autoridade como muito pior do que o pior criminoso, e todos os "puxa-sacos" se unem para chutá-lo até a morte, se puderem. [...]. Na sua obra Wormwood: A Drama of Paris (The British Library, 2010), ela consigna: […] Deixe-me ficar louco, então, por todos os meios! louco com a loucura do Absinto, a mais selvagem, a mais luxuosa loucura do mundo! Vive la folie! Vive l'amour! Vive l'animalisme! Vive le Diable! […]. Já no livro A Romance of Two Worlds (Echo Library, 2006), ela expressa: […] Ninguém está contente neste mundo, eu acredito. Sempre há algo a desejar, e a última coisa desejada sempre parece a mais necessária para a felicidade. [...]. Por fim, no seu livro Vendetta; or, the Story of One Forgotten (Kessinger, 1996), ela expressa: […] Posso mergulhar a caneta no meu próprio sangue se eu quiser. [...].

 

ALGUÉM FALOU: Escrever salvou minha vida. Me salvou, me deu tudo, tirou todas as minhas doenças... Meu único conselho é ficar atento, ouvir com atenção e gritar por ajuda se precisar... Nossas impressões digitais não desaparecem das vidas que tocamos... Pensamento da escritora e educadora estadunidense Judy Blume, que no seu livro Summer Sisters (Delacorte Press, 1998), ela expressa: […] Nem tudo tem que ter um ponto. Algumas coisas simplesmente são. [...] Qual é o sentido de pensar em como vai acabar quando é só o começo [...]. Já no seu livro Fudge-a-Mania (Puffin, 2007), expressa que: […] O ronco mantém os monstros longe. [...]. No livro Tiger Eyes (Delacorte, 2013), ela expressa: […] algumas mudanças acontecem lá no fundo de você. E a verdade é que só você sabe sobre elas. Talvez seja assim que deveria ser. [...]. Na sua obra Forever... (Atheneum, 2014), ela menciona que: […] Fiz promessas a você que não tenho certeza se posso cumprir. Nada disso tem a ver com você. É que não sei o que fazer agora. Você deve estar pensando que pessoa podre eu sou. Bem, acredite em mim, estou pensando a mesma coisa. Não sei como isso aconteceu ou por quê. Talvez eu possa superar isso. Você acha que pode esperar — porque não quero que pare de me amar. Continuo me lembrando de nós e de como foi. Não quero te machucar... nunca... [...]. Na obra Are You There God? It’s Me, Margaret (Atheneum, 2014), ela expressa que: […] Você está aí, Deus? Sou eu, Margaret. Acabei de dizer à minha mãe que quero um sutiã. Por favor, me ajude a crescer, Deus. Você sabe onde [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

TEORIA DA ALIENAÇÃO – A obra Marx: a teoria da alienação (Zahar, 1981), do filósofo húngaro e um dos mais importantes intelectuais marxistas da atualidade István Mészarós, aborda temas como as origens do conceito de alienação, a abordagem judaico-cristã, a alienação como vendalidade universal, a historicidade e ascensão da antropologia, o fim do positivismo não-crítico, entre outros temas. Da obra destaco o trecho: [...] A universalidade da visão de Marx tornou-se possível por ter ele conseguido identificar a problemática da alienação, do ponto de vista do trabalho, adotado criticamente, em sua complexa totalidade ontológica, caracterizada pelos termos "objetivação", "alienação" e "apropriação". Essa adoção crítica do ponto de vista do trabalho significou uma concepção do proletariado não simplesmente como uma força sociologicamente contraposta ao ponto de vista do capital — e que com isso permanece na órbita deste último — mas como uma força histórica que se transcende a si mesma e que não pode deixar de superar a alienação (isto é, a forma, historicamente dada, de objetivação) no processo de realização de seus próprios objetivos imediatos, que coincidem com a "reapropriação da essência humana". Assim, a novidade histórica da teoria da alienação de Marx, em relação às concepções de seus antecessores, pode ser resumida preliminarmente da seguinte forma: 1) os termos de referência de sua teoria são, não as categorias do Sollen ("deve"), mas as da necessidade ("é") inerente aos fundamentos ontológicos objetivos da vida humana; 2) seu ponto de vista não é o de uma parcialidade utópica, mas o da universalidade do trabalho, adotado criticamente; 3) sua crítica não se articula como uma "totalidade especulativa" abstraía (hegeliana), mas se refere à totalidade concreta e dinâmica da sociedade, vista, da base material do proletariado, como uma força histórica necessariamente autotranscendente ("universal"). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

Imagem: no Dia do Artista Plástico, a obra do pintor e desenhista brasileiro Almeida Junior (1850-1899)

Curtindo Sun Bear Concerts – Piano Solo (ECM, 1978) do pianista e compositor estadunidense de jazz e música clássica Keith Jarret. Veja mais aqui, aqui e aqui.

SEMIOLOGIA DA REPRESENTAÇÃO – No livro Semiologia da representação: teatro, televisão, história em quadrinhos (Cultrix, 1975), organizada por André Helbo, encontrei o texto de autoria do organizador sobre a temática O código teatral: codificação e fenômeno teatral, do qual destaco o seguinte trecho: É possível – sem cair num reducionismo de mau gosto – extrapolar em direção da critica os conceitos operatórios da Linguística? É lícito conceber, em termos de signos, linguagem, língua, um estudo científico que abra de imediato o caminho da semiótica aos modelos teatrais? Em uma palavra: existe uma semiologia teatral? A resposa em que essa interrogação implica postula um universo de pesquisa que não pode ser legitimado sem a retificação de critérios definidores adequados à comunicação e ao funcionamento teatrais. Mais além, esse tipo de diligenciamento supõe um investimento incondicional do pensamento numa axiologia linguística; essa inevitável tautologia que relaciona a pratica dramatúrgica – mesmo a contrario – com a comunicação e, consequentemente, com o seu suporte – a língua, e até a linguagem – está próxima da contradição. De fato, como encontrar os parâmetros de uma especificidade pelo canal de um questionamento colocado em termos de influencias e que erige a linguagem, exemplo escolhido, não exatamente em instrumento metodológico, nem mesmo em metáfora epistemológica, mas em modelo conceitual ou ideológico? Esse debate reenvia à dupla articulação do vetor semiológico contemporâneo. A primeira orientação, inspirada num cientificismo próximo do terror, considera sob a alçada de sua analise unicamente os termos convertíveis ao dogmatismo pós-saussuriano: “A semiologia analisa e descreve todos os meios e sistemas de comunicação utilizados pelos homens e talvez os utilizados pelos animais” (Mounin). A segunda, aproveitando prováveis contribuições à gnosiologia, pretende ultrapassar a disciplina de que procede para atingir o conjunto de praticas significantes. Translinguistica, critica de sua origem, atravessando a “comunicação do sentido de que a linguística faz seu objeto”, a semiótica coloca em evidencia “essa outra cena que é a produção do sentido anterior ao sentido, o que permite assim que, na sua pluralidade e em suas respectivas especificidades, os sistemas significantes e sistemas produtivos joguem no interior de um mesmo texto aberto em lugar de funcionar nele com instancias rivais” (Kristeva) [...] Veja mais aqui e aqui.

VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA – No livro A Morte da Porta-Estandarte e Outras Histórias (1965), do escritor, professor e homem de teatro Aníbal Machado (1894-1964), encontro o conto Viagem aos seios de Duília, que foi adaptado para o cinema (1964), num filme dirigido por Carlos Hugo Christensen, narrando a tragédia, da qual destaco o seguinte trecho: [...] No dia seguinte postou-se, como outros de sua idade, numa das esquinas da Rua Gonçalves Dias, local preferido pelos militares da reserva e aposentados de luxo, gente saudosa do passado. Notou que eles se compraziam em adejar perto dos doces da confeitaria, e ver passar as damas elegantes de outrora. Ali se perfilava, de terno branco, um velho Almirante de suas relações: - Olhe, faça como eu: nunca se convença de que é aposentado. Adquira algum vício, se já não o tem. Evite os velhos. Um pouco de exercício pela manhã. Hormônios às refeições, não é mau. Quanto a conviver, só com gente moça. Ele aprendera na véspera o que era conviver com gente moça... Para rematar, e como índice de otimismo, contou-lhe o Almirante uma anedota pornográfica. O funcionário riu com esforço, e despediu-se enojado. Entrou numa livraria. Buscaria a solução na leitura dos romances. Pediu um, à escolha do caixeiro. Tentou ler. Impossível passar das primeiras páginas. Não compreendia como tanta gente perde horas lendo mentiras. Ao atravessar, dias depois, o Viaduto, deixou o livro cair lá embaixo, sentiu-se livre daquilo. O melhor mesmo era ficar debruçado à janela. E todas as manhãs, enquanto a criada abria a meio as venezianas para deixar sair a poeira da arrumação, José Maria as escancarava para fazer entrar a paisagem. Dali devassava recantos desconhecidos. Ilhas que jamais suspeitara. Acompanhava a evolução das nuvens, começava a distinguir as mutações da luz no céu e sobre as águas. Notava que tinha progredido alguma coisa na percepção dos fenômenos naturais. Começava a sentir realmente a paisagem. E se considerava quase livre da uréia burocrática. Esse noivado tardio com a natureza fê-lo voltar às impressões da adolescência. Duília! Toda vez que pensava nela, o longo e inexpressivo interregno do Ministério, que chegava a confundir-se com a duração definitiva de sua própria vida, apagava-se-lhe de repente da memória. O tempo contraía-se. Duília! Reviu-se na cidade natal com apenas dezesseis anos de idade, a acompanhar a procissão que ela seguia cantando. Foi nessa festa da igreja, num fim de tarde, que tivera a grande revelação. Passou a praticar com mais assiduidade a janela. Quanto mais o fazia, mais as colinas da outra margem lhe recordavam a presença corporal da moça. Às vezes chegava a dormir com a sensação de ter deixado a cabeça pousada no colo dela. As colinas se transformavam em seios de Duília. Espantava-se da metamorfose, mas se comprazia na evocação. Não ignorava o que havia de alucinatório nisso. Chegava a envergonhar-se. Como evitá-lo? E por que, se isso lhe fazia bem? Era o aforamento súbito da namorada, seus seios reluzindo na memória como duas gemas no fundo d'água. Só agora se dava conta de que, sem querer, transferira para Adélia a imagem remota. Mas Adélia não podia perceber que era apenas a projeção da outra. Mesmo porque, temendo o ridículo, José Maria jamais se deixara trair. Disponível, sem jeito de viver no presente, compreendeu que despertara com muitos anos de atraso nos dias de hoje. Não encontraria mais os caminhos do futuro, nem havia mais futuro nenhum. Chegara ao fim da pista. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

ERÓTICA PORNOGRÁFICA – No livro Erótica pornográfica (ErosPoética, 2007), poeta J. J. Sobral, pseudônimo do escritor e artista plástico português Antonio Galrinho, estão reunidos 44 poemas fesceninos com advertência, introdução e apresentação todas em quadras com heptassílabos em rimas alternadas, descrevendo desde as estruturas da cópula, seus atores, modalidades e aspectos sensuais. Do livro destaco a Ode à foda, em seus seguintes trechos: [...] Seja homem com mulher / Seja entre eles e elas / A foda deverá ser / Feita com apalpadelas / Broche, minete, apalpões / Dentadas e lambidelas / Mãos, nalgas, mamas, colhões / Língua no cu deles e delas [...] Sem foda a vida cessava / Coisa que dá que pensar / Deve ser valorizada / Há que a foda respeitar / Muita vida no planeta / Foi com a foda gerada / A foda não é abjeta / Não deve ser condenada / Se não houvesse tesão / Se um dia a foda acabasse / De que valeria então / Que a Terra ainda girasse? [...] Vivam aqueles que fodem / Com alegria e prazer / Viva o caralho do homem / Viva a cona da mulher / Sempre existiu o foder / É coisa bastante antiga / Que se faz pelo prazer / Ou para encher a barriga / Foda não é coisa obscena / Com foda se gera vida / Seja com picha pequena / Ou com ela bem comprida. [...] Uns fodem mais por prazer / Outros por amor, paixão / Há quem foda por traição / Ou apenas por foder / [...]. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

ROMA, CITTÀ APERTA – O drama de guerra Roma, città aperta (Roma, Cidade Aberta, 1945), do cineasta do neorrealismo italiano Roberto Rossellini (1906-1977), considerado um dos maiores filmes da história ela crítica mundial, contando a ocupação nazista à cidade de Roma, entre os anos 1943/44, declarada cidade aberta para evitar bombardeios aéreos, mostrando a união de comunistas e católicos para combater os alemães e as tropas fascistas. O filme é maravilhos e o destaque principal vai para atuação da atriz italiana Anna Magnani (1908-1973), a primeira atriz estrangeira a receber o Oscar de Melhor Atriz pela Academia de Hollywood. Veja mais aquiaqui.

IMAGEM DO DIA
No Dia do Artista Plástico, Pigmaleão e Galatéia (1890), as duas telas pintadas pelo francês Jean-Léon Gérome. Pigmaleão, rei de Creta, esculpiu uma figura de mulher tão perfeita que a deusa Afrodite a transformou em mulher. O pintor representa o exato instante em que Galatéia surge para vida. Enquanto seus pés ainda são inteiramente de mármore, o topo do corpo já se debruça sobre seu criador num beijo apaixonado. Veja mais aqui.


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Sujeito, indivíduo, quem?, Folhas da relva de Walt Whitman, Ecce Homo de Friedrich Nietzsche, Princípios fundamentais de filosofia de Politzer, Besse & Caveing, a música de Emmanuelle Haïm, a pintura de Lasar Segall & Carolyn Anderson, a arte de Emerson Pingarilho, Kate Wiloch, Sally Trace & Claudio Adrian Natoli aqui.

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Entrega & vamos aprumar a conversa, O indivíduo na sociedade de Emma Goldman, A metamorfose de Franz Kafka, a música de Isaac Albéniz, Auto da barca do inferno de Gil Vicente, o cinema de Sam Mendes & Annette Bening, a  pintura de Fritz von Uhde & a fotografia de Freddy Martins aqui.
Bolero, Gertrudes & Cláudio de John Updike, a música do Trio Images, Os degraus de Roberto Calasso, Engraçadinha de Nelson Rodrigues, a pintura de Norman Engel, o cinema de J. B. Tanko & Irma Álvarez, a poesia de Frederico Barbosa & Aecio Kauffmann aqui.
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O xote no auto de natal, Conto de Natal de Rubem Braga, a música de Ernesto Nazareth & Maria Teresa Madeiram a pintura de Wilhelm Marstrand & Aprendendo a viver com a lição do natal aqui.
Pode até ser, mas se não for, nunca será, a música de Lina Cavalieri, a fotografia de Chris Maher & a pintura de Eloir Amaro Júnior aqui.
A desmedida correria para perder o bom da vida, Novum Organum de Francis Bacon, a pintura de Fúlvio Pennnacchi, a música de Heitor Villa Lobos & Quarteto Amazônia aqui.
O maravilhoso mistério da vida, A literatura de Rebecca West, a música de Ana Torroja, a pintura de Marie-Louise Garnavault, o cinema de Alan Bridges & Julie Christie aqui.
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