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quinta-feira, setembro 24, 2015

A ARTE NA SAÚDE, MOZART, FITZGERALD, ARENDT, ALMODÓVAR, GILBERTO TELLES, GILDA ABREU, VALADON.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? O PAPEL DA ARTE NO DIREITO À SAÚDE – A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, foi uma resposta às tragédias promovidas pelas duas grandes guerras que ocorreram na primeira metade do século XX, - muito embora, ainda hoje, o ser humano utilize o expediente lamentável da guerra. Esses direitos foram contemplados na condição de garantia fundamental e direito natural definidos pela escala evolutiva e histórica da humanidade, e que se tornaram a principal proteção da dignidade humana e sua integridade física, moral e mental. Assim, o ser humano passou a ser robustecido por direitos civis, sociais, políticos e difusos nas dimensões sociais, jurídicas, econômicas, políticas, antropológicas e psicológicas, entre outras. Esses direitos tornaram-se indispensáveis e necessários para a existência humana, assegurando a dignidade, a igualdade e a liberdade humanas, objetivando o combate à violação de direitos e crueldade totalitária. Assim, passou-se a compreender a dignidade designa o conjunto de condições favoráveis de caráter moral, física e espiritual à vida do cidadão, sendo, pois, prerrogativa de todo ser humano. Entre esses direitos está o direito à vida e, por consequência, à saúde, o mais básico de todos os direitos por ser um pré-requisito da existência humana, assegurando-se um nível mínimo de vida, compatível com a dignidade, incluindo, assim, o direito à alimentação adequada, à moradia, ao vestuário, à educação, ao meio ambiente equilibrado, à informação, ao conhecimento, à cultura e ao lazer, entre outros indispensáveis à qualidade de vida do ser humano. Por essa razão, esse direito compreende o bem-estar e a saúde plena, bem como à prevenção de doenças e ao cuidado e tratamento daqueles que são vitimados por quaisquer enfermidades ou infortúnios. É no reconhecimento desse direito que o papel da arte pode e deve ser fundamental, tanto na prevenção e promoção da saúde por meio da utilização dos mais diversos recursos e técnicas de expressão disponíveis para interação, relações e difusão do conhecimento, como no cuidado e tratamento na utilização, por exemplo, do Psicodrama, Sociodrama e de outras atividades identificadas como terapêuticas, em conjunto com outras intervenções necessárias ao restabelecimento e ao bem-estar físico, moral, social, ecológico e espiritual do ser humano. Esta é a condução adotada pelos Doutores da Alegria e de outras manifestações artísticas que definiram a sua função artística em prol do outro e do melhor desenvolvimento das relações humanas. Este foi o pensamento básico que tive ao desenvolver as atividades acadêmicas de pesquisa no projeto A contribuição do teatro no desenvolvimento da linguagem da criança, sob a perspectiva sócio-histórica, procurando agora aprofundar as intervenções tanto na esfera preventiva e de promoção da saúde, como na educação, no cuidado e no tratamento de enfermidades. Afinal, levo sempre comigo o lema proposto por Milton Nascimento/Fernando Brant: Todo artista tem de ir aonde o povo está. E veja mais aqui, aqui e aqui

 Imagem: Female nude, da pintora francesa Suzanne Valadon (1867-1938).


Curtindo Laudate Dominum, do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com a ex-regente e renomada soprano Claudia Riccitelli, conducts León Halegua, The Orquestra Sinfônica & Coral da Hebraica, São Paulo.

A ARTE PARA SALVAR O MUNDO – O livro O cuidado com o mundo: diálogo entre Hannah Arendt e alguns de seus contemporâneos (UFMG, 2004), da professora e pesquisadora Doutora em Filosofia, Sylvie Courtine-Denamy, trata sobre dizer o mundo e a língua como pátria, estrangeiro no mundo, um mundo fora dos eixos, responder pelo mundo, a pol´tica como vir-a-ser-mundo, uma política nova pra um mundo novo, por amor ao mundo e a arte para salvar o mundo. Da obra destaco a última parte, a arte para salvar, da qual destaco o trecho: Educar por amor ao mundo: a permanência do mundo repousa, então, na natalidade, na renovação incessante das gerações, no nascimento de homens novos que tenham cuidado com o mundo. Ou seja, que sejam capazes de renová-lo através de sua ação, suceptiveis assim a dar inicio a algo novo [...] Que é melhor citar os poetas do que escrever sobre eles, tarefa entre todas a mais complicada, é o que Arendt havia compreendido muito bem. Como já vimos, a arte, o fenômeno do Belo não se extraem da categoria da verdade e da faculdade do conhecimento, mas da significação – Bedeutung, a mais goethiana das palavras [que] retornam sem cessar nos escritos de Benjamim – e da faculdade de pensar. [...] Tal como os bardos da Grécia antiga, convencidos de que os deuses só enviavam infortúnios e males aos mortais para que, dos mesmos, fossem compostas histórias e cantos, convencidos, enfim, de que a poesia nasce do desespero, esses grandes poetas compreenderam, então, que cabia a eles salvar o mundo, fazendo-lhe o seu elogio. Nem tanto para justificar a criação divina, mas para se opor a tudo que fosse fonte de insatisfação da condição humana, como se o elogio tirasse sua força das feridas mesmas: O Happy Grief! [...] Para manifestar o cuidado com o mundo, ocupando-se dele e assim salvando-o da ruina, os homens disporiam, então, de duas faculdades bem distintas: a ação política e o trabalho com a palavra, tanto pela forma do testemunho quanto pela forma do poema. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON – O livro O estranho caso de Benjamin Button (Presença, 2009), do escritor e roteirista estadunidense Francis Scott Fitzgerald (1896-1940), conta a historia de um homem que nasce com aparência envelhecida e por isso, ao pensar que é um monstro, seu pai o abandona. Ele é criado num lar assistencial de idosos e que ninguém acredita na sua sobrevivência, ocorrendo um fato curioso, a cada ano que passa ele vai ficando mais jovem enquanto os outros envelhecem. Da obra destaco o trecho: [...] Uma imagem grotesca surgiu, com terrível clareza, diante dos olhos do homem torturado, uma imagem de si mesmo a caminhar pelas ruas cheias de gente da cidade com aquela pavorosa aparição a andar silenciosamente ao seu lado. “Não posso. Não posso”, gemeu. O que diria às pessoas que parassem para lhe falar? Teria de apresentar este... aquele septuagenário: “Este é o meu filho, nasceu esta manhã, cedo”. Depois o velho apertaria o cobertor em volta do corpo e seguiriam o seu caminho, passando pelas lojas movimentadas, pelo mercado de escravos — durante um sombrio momento, Mr. Button desejou veementemente que o filho fosse preto —, passando pelas casas luxuosas do bairro residencial, passando pelo lar dos velhos... — Então! Controle-se! — ordenou a enfermeira. — Ouça — avisou, de súbito, o velho —, se pensa que vou a pé para casa embrulhado neste cobertor, está redondamente enganada. — Os bebês sempre usam cobertores. Com uma risadinha maliciosa, o velho levantou um pequeno cueiro branco. — Olhem! — exclamou a voz de cana rachada. — Isto é o que tinham para mim. — Os bebês sempre usam isso — sentenciou a enfermeira, presumidamente. — Pois bem — respondeu o velho —, este bebê não vai usar nada dentro de cerca de dois minutos. O cobertor dácomichão. Podiam ter-me dado, ao menos, um lençol. — Não o tire! Não o tire! — apressou-se Mr. Button a dizer. Depois voltou-se para a enfermeira e perguntou: — O que é que eu faço? — Vá à baixada e compre algumas roupas para o seu filho. A voz do rebento de Mr. Button seguiu-o pelo corredor afora: — E uma bengala, pai. Preciso de uma bengala. Mr. Button bateu brutalmente com a porta de saída... [...]. A obra foi adaptada para o cinema, pela qual ganhou diversos prêmios com direção de David Fincher, lançado em 2008. Veja mais aqui.

ELA E O DESEJO INDA OUTRA VEZ – No livro Hora aberta – poemas reunidos (Vozes, 2003), do poeta, advogado e professor universitário de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira, Gilberto Mendonça Telles, destaco, inicialmente, o soneto Inda outra vez: Inda outra vez, beijar-te, como outrora, / ao sol dos dias flóridos de outono, ; quando a tua alma, tímida e sonora, / sorria alegre, sem vaidade e entono. / Inda outra vez, possuir-te no abandono / dos campos, sob o céu em plena flora, / e nos teus olhos pálidos de sono, / pousar minhalma sonolenta agora. / Inda outra vez, falar-te, com desejo, / sentindo a tua alma sôfrega e faminta, / entrar-me pela boca por um beijo. / E, sonhando, outra vez, ter-te nos braços, / tentando reavivar a chama extinta / do antigo e ardente amor feito em pedaços. Também o soneto Desejo: Alma de Messalina, alma sedenta sois. / Em vossa artéria, ardente, a lascívia circula / deixando em fogo a carne e indo lançar, depois, / a sensação na vossa intrínseca medula. / O amor vos encendeia os olhos (esses dois / reflexos de volúpia) e em vossa alma acumula / a sede do prazer insaciável, pois / vai despertando em vós libidinosa gula. / Alma de sensitiva, o vosso corpo explode / em sísmico tremor; uma explosão sacode / o vosso seio, quando a minha mão o toma. / Quando eu o tomo, assim em minhas mãos, sacode-o, / em lúbrico delírio, um misto de amor e ódio / e um fluxo de luxúria ao vosso olhar assoma. Por fim, o soneto Ela: Ela surgiu, qual Vênus, de alva espuma, / da espuma de meu sonho alcandorado, / do sorriso suavíssimo de alguma / onda inquieta de um mar esverdeado. / Ela vibrou em mim. Foi como um brado / que se eleva pelo ar, depois se esfuma, / deixando um som sereno, envolto numa / deliciosa impressão de ser amado. / E ela é bravia como um mar sem calma, / serena como um pensamento langue, / alegre e triste como uma saudade; / ela canta e suspira na minhalma, / ela geme, sorrindo, no meu sangue / num paradoxo de felicidade. Veja mais aqui e aqui.

BONEQUINHA DE SEDA DO ÉBRIO - A atriz, cineasta, cantora, escritora e radialista brasileira nascida na França, Gilda de Abreu (1904-1979), começou sua trajetória como atriz de teatro na comédia romântica Bonequinha de Seda, em 1933. Neste mesmo ano, casou-se com o cantor e compositor Vicente Celestino, com quem, em 1946, tornou-se uma das primeiras mulheres no Brasil a dirigir filmes, obtendo sucesso retumbante com o melodrama O Ébrio, contando a ascensão e decadência de um cantor de sucesso decepcionado sentimental e tragado pelo alcoolismo. Em 1934, ela atuou no musical A canção brasileira. A partir de 1936, integra a Companhia dos Irmãos Celestinos. Em 1937, atua na peça teatral Alegria, de Oduvaldo Vianna. Em 1947, ela dirigiu os dramas Pinguinho de Gente e Coração Materno, este último atuando como roteirista. Em 1951, realiza o documentário Chico Viola não morreu, sobre a vida e canções de Francisco Alves. Além disso, era autora das peças teatrais Aleluia, A mestiça, Arcad de Noé e Alma de Palhaço, entre outras, afora ser autora de diversos livros e radionovelas, bem como cantora lírica e de operetas. Veja mais aqui.

DE SALTO ALTO – O filme Tacones lejanos (De salto alto, 1991), do cineasta, ator e roteirista espanhol Pedro Almodóvar, conta a história de uma famosa cantora pop que há quinze anos abandonou a filha para investir na carreira. De volta à sua terra natal, surpreende-se ao descobrir que a filha é agora uma estrela de TV e que está casada com seu antigo amante. A mistura de gêneros pós-moderna com a extravagância das cores e a excentricidade dos objetos de cena, fazem as marcas profundas das características do cineasta com ampliação por territórios até então inexplorados, como um drama psicológico com uma narratiza eletrizada, comicidade melodramática com intriga policial e sobrepondo histórias pela difícil convivência entre mãe e filha, o destino, as paixões fulminantes, as irrupções cômicas, tramas e subtramas na maior irreverência. O destaque do filme vai para a atriz e cantora espanhola Victoria Abril. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do escultor português Arlindo Rocha (1921-1999)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, março 18, 2008

CORTÁZAR, ANTÓNIO NOBRE, GRAMSCI, MESTRE ECKHART, ALAN WATTS, GILBERTO MENDONÇA TELLES, CHABAS, PSICOLOGIA, GESTÃO DO CONHECIMENTO & DORO


 
A arte do pintor e ilustrador francês Paul-Emile Chabas (1860-1937)

DORO: NO FUZUÊ DA MUNHECA - Doro não toma jeito. Indagora saiu com uma das suas. Todo serelepe manifestou seu injuriamento com a sogra, fulo com a imprevidência das leis de combate ao porte ilegal de armas. Peraí, cá prá nós: o que será que tem a ver uma coisa com a outra? Nossa, não entendi exatamente o que ele queria dizer com essa relação entre armas e sogra. Coisas do Doro, mesmo. Melhor deixar barato. Mas o lero foi daqueles bem rebuscado. Dava para buscar nos corrupios da idéia dele os tempos remotos, desde quando o hominídeo apareceu primeiro com uma maça, aquela peça pesada de madeira, ou com arcada de animal, pronto para lascar o primeiro que desse num confronto. Depois, veio o bastão. Em seguida, a acha e, daí, machados de pedra lascada, armas líticas e de ferro, arcos, lanças, adagas, aríetes, gruas, catapultas, espadas, punhais, trabucos, arcabuzes, canhões, bombas, granadas, minas e mísseis, tudo para remontar o arsenal de arenga a que o ser humano consegue sempre se fazer maiúsculo num arranca-rabo da peste! - Isso tudo, mai a minha sogra!! -, vociferou ele sem se conter. - Não entendi, Doro.... - Ih! Esse é broco mesmo! Espie: lei a gente tem que só a porra mas o povo num dêxa de si istranhar! Certo? - É, parece que é.... - Tumbém, inquanto houvé puliça e otoridade corrupta, o negóço num vai tê jeito que dê!!!! Falta mermo é vergonha na cara do povo! Nossa, o Doro estava mesmo fulo da vida. Tentei contornar, mas, besteira minha, fui atiçar fogo com vara curta e já podia adivinhar que lá vinha toleima danada. - Pode um negóço desses? -, perguntava com boçalidade enquanto eu não conseguia esconder meu desconforto mediante sua irritadiça gritaria. - Mas Doro, o Congresso Nacional agora está votando uma lei contra o uso ilegal de armas... -, tentei aprumar a conversa na minha atrevida ingenuidade. Tataritaritatá! - Tais brincano? E tu acredita nisso, é? Quem qui manda no mundo a não ser dinhêro e arma? - É... - A vida num vale nada!!!! - Eita! - Num tô dizeno: a vida num vale um tustão furado!!!! - Mas Doro... - Num tem mais nem menos Doro, tem é que amolá a munheca no maluvido dos qui num quéri tomá jeito mermo! - Então você é a favor desses tráficos, todo mundo com revólver no quarto, arrotando homência e valentia, matando tudo uns aos outros, é? - Num sô a favor de nada. Mas, ói, a quizília é da natureza humana. Todo mundo gosta de um bafafá, dum cerca-Lourenço, dum angu azedo, tudo para não perdê o prazo de validade dos estrupícios nem para deixá a coisa ficá morna sem peitica! - Quer dizer que, a seu ver, a paz é uma utopia? - Craro! Todo mundo só veve ofendido um co outro? - Eu mesmo faço parte do mundo e não vivo de litígios, Doro... - Há! Então me arresponda: tem nicissidadi de um Zé-borná quaiqué tá brigano pro causa de honra com cabôco qui apareça? Prá que inxeste acordo? - É, sei não... - Pru qui é qui todo dia omenta mais os ibope do pograma de sangui? - Porque.... - Pro que o povo gosta de ver o circo pegando fogo! - Não entendi... - O povo gosta de espetáclo, sabia? Por um acauso, pruqui é que se nasci rixa? - Desentendimentos, muitas vezes, de somenos importância... - S´a genti fô averiguá o motivo de todo renhimento vai dá no quê? - Muitas vezes interesses, intrigas, fuxicos, coisas de pouca monta... - Ranzizice mesmo!!! Por isso, todo nó só aparece quando aiguém qué dá! - Não sei se isso serve como regra geral.... - Entonse, me diga: s´a lembra daquelas época do povo todo numa arena enquanto os condenados pateta enfretava leões famintos? A mesma coisa! Quanto maió o salseiro mai o povo gosta!!! - Mas, Doro... - Arrepare bem, quem é o desinfeliz-das-costas-ocas que se livra na vida de uma paulada boa no toitiço? A gente nasce, apanha prá chorá logo quano rebenta; adispois, a gente cresce e só leva beliscão prá aprendê o que é certo e o que é errado; fica maior, home-feito, se abestalha, casa e se dana tudo! A gente gosta do furunfado numa priquita boa, tem coisa meió no mundo? Mulé é a mió e pió coisa que inxeste!!!! De mió, só a putaria, a sacangem, eita! Bicho bão. Mas, pro otro lado, tem uma tá de sogra qui é a maior praga amulestada de todos o tempo de inxistênça humana, qui só servi para botar gosto ruim no nosso repasto. - Que é isso, Doro? - Verdade! Se você tivé uma sogra iguá qui nem a minha, vai sabê que sogra é a pior gangrena da face da terra! - Não diga isso.... - Verdade! Qué vê só como a minha tioria é verdadeira? - Não diga isso, rapaz.... - Digo, redigo e num desdigo: a minha sogra é cheia de pantim! É mais cricri qui quinhentas bombas pipocando juntas e ao mesmo tempo! Si num fosse a minha santa paciênça, já tiria mandado ela prá puta-que-a-pariu!!! Si ocê num sabe, ela tem parentesco ou com Sadham ou com Osama, porque vai gostá de ingrezia assim na casa dum cachipó da ponte! - Num diga isso! - É verdade! Isso é uma porqueira danada! -, reclamava ele com todos os arrudeios peculiares que costuma dar na idéia dos outros -, pode um negóço desses? Tanta lei na vida, meno uma para engaiolar sogra! Essa mulé é pió que tanque-de-guerra! Pior que tomarróqui!!! É um atraso de vida. Um dia invento uma frómula e ela desaparece de veizi da minha vida!!! Nem qui seja matando-la, disgraçada! - Mas Doro... - A minha sogra é um desse tal de porte inlegal de arma e ninguém toma providênça! - Rapaz... - Verdade! Inquanto a lei num toma conta de arribá essa mulé da minha vida, vou tratá-la só na lei da munheca. É maió fuzuê, bote trupé nisso! Ói o muque como tá, espie. Tudo prá ela. E tenho dito! Bem, como dessa conversa não vai sair mais nada que sirva, é melhor deixar o Doro falando sozinho com seus queixumes enquanto a gente vai vivendo a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  


PENSAMENTO DO DIA - Não há maior obstáculo para a alma, quando ela quer conhecer a Deus, do que o tempo e o espaço. O tempo e o espaço, com efeito, não passam de partes, enquanto Deus é a unidade. Para que a alma possa conhecer a Deus, é preciso que ela o conheça além do tempo e do espaço, porque Deus não é nem isto nem aquilo, como estas coisas diversas. Deus é Unidade. Pensamento do teólogo, filósofo neoplatônico e místico Mestre Eckhart (1260-1320). Veja mais aqui.

ISTO SERÁ BRASIL? - [...] Somos um país de imigração e continuarem a ser refugio da humanidade por motivos geográficos e econômicos demasiadamente sabidos. [...] é de entre as bacias do Amazonas e do Prata que sairá a ‘quinta raça’, a ‘raça cósmica’, que realizará a concórdia universal, porque será filha das dores e das esperanças de toda a humanidade. Temos de construir essa grande nação, integrando na Pátria comum todas as nossas expressões históricas, étnicas, sociais, religiosas e política s. Pela força centrípeta do elemento tupi. [...] A descida dos tupis do planalto continental no rumo do Atlântico foi uma fatalidade histórica pré-cabralina, que preparou o ambiente para as entradas no sertão pelos aventureiros brancos desbravadores do oceano. [...] Os tupis desceram para ser absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova. [...] Entretanto, é a única das raças que exerce subjetivamente sobre todas as outras a ação destruidora de traços caracterizantes; é a única que evita o florescimento de nacionalismos exóticos; é a raça transformadora das raças, e isso porque não declara guerra, porque não oferece a nenhuma das outras o elemento vitalizante da resistência. [...]. Trecho extraído da obra Nhengaçu Verde-Amerelo. Vanguarda européia e modernismo brasileiro (Vozes, 1972), do poeta, advogado e professor universitário de Teoria da Literatura e Literatura Brasileira, Gilberto Mendonça Telles. Veja mais aqui.

ROMANCE: REFLEXÕES LITERÁRIAS - [...] Todo romance é um monstro, um desses monstros que o homem aceita, alenta, mantém ao seu lado; mistura de heterogeneidades, grifo convertido em animal doméstico [...]. Toda narração alterna, imbricando-se inextricavelmente, uma linguagem poética, simbólica, produto intuitivo em que a palavra, a frase, a pausa e o silêncio transcendem a sua significação idiomática direta. [...]. Trecho extraído da Obra crítica (Civilização Brasileira, 1998), do escritor argentino de origem belga Julio Cortázar (1914-1984). Veja mais aqui.

CINCO POEMASSONETO: Meus dias de rapaz, de adolescente, / Abrem a boca a bocejar, sombrios: / Deslizam vagarosos, como os Rios, / Sucedem-se uns aos outros, igualmente. / Nunca desperto de manhã, contente. / Pálido sempre com os lábios frios, / Ora, desfiando os meus rosários pios... / Fora melhor dormir, eternamente! / Mas não ter eu aspirações vivazes, / E não ter como têm os mais rapazes, / Olhos boiados em sol, lábio vermelho! / Quero viver, eu sinto-o, mas não posso: / E não sei, sendo assim enquanto moço, / O que serei, então, depois de velho. VOU SOBRE O OCEANO: Vou sobre o Oceano (o luar, de doce, enleva!) / Por este mar de Glória, em plena paz. / Terra da Pátria somem-se na treva, / Águas de Portugal ficam, atrás. / Onde vou eu? Meu fado onde me leva? / António, onde vais tu, doido rapaz? / Não sei. Mas o Vapor, quando se eleva, / Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz. / Ó Lusitânia que te vais à vela! / Adeus! que eu parto (rezarei por ela) / Na minha Nau Catrineta, adeus! / Paquete, meu Paquete, anda ligeiro, / Sobe depressa à gávea, Marinheiro, / E grita, França! pelo amor de Deus! / Teu coração dentro do meu descansa, / Teu coração, desde que lá entro: / E tem tão bom dormir essa criança! / Deitou-se, ali caiu, ali ficou. / Dorme, menino! dorme, dorme, dorme! / O que te importa o que no mundo vai? / Ao acordares desse sono enorme, / Tu julgarás que se passou num ai. / Dorme, criança! dorme sossegada / Teus sonhos brancos ainda por abrir: / Depois a morte não te custa nada, / Porque a ela habituaste-te a dormir... / Dorme, meu anjo! (a noite é tão comprida!) / Que doces sonhos tu não hás-de ter! / Depois, com o hábito de os ter na vida, / Continuarás depois de falecer... / Dorme, meu filho! Cheio de sossego, / Esquece-te de tudo e até de mim! / Depois... de olhos fechados, és um cego, / Tu nada vês, meu filho! e antes assim... / Dorme os teus sonhos, dorme, e não mos digas, / Dorme, filhinho, dorme «ó-ó...» / Dorme, minha alma canta-te cantigas, / Que ela é velhinha como a tua avó! / Nenhuma ama tem um pequenino / Tão bom, tão meigo; que feliz eu sou! / E tem tão bom dormir esse menino... / Deitou-se, ali caiu, ali ficou. / Vou sobre o oceano (o luar, de doce, enleva!) / Por este mar de glória, em plena paz. / Terras da Pátria somem-se na treva / Águas de Portugal ficam, atrás. / Onde vou eu? Meu fado onde me leva? / António, onde vais tu, doido rapaz? / Não sei. Mas o vapor, quando se eleva, / Lembra o meu coração, na ânsia em que jaz. / Ó Lusitânia que te vais à vela! / Adeus! que eu parto (rezarei por ela) / Na minha Nau Catarineta, adeus! / Paquete, meu paquete, anda ligeiro, / Sobe depressa à gávea, marinheiro, / E grita, França! pelo amor de Deus! ELEGIA: Ó virgens que passais, ao sol poente, / Pelas estradas ermas, a cantar: / Eu quero ouvir uma canção ardente / Que me recorde as afeições do lar. / Cantai-me, n´essa voz omnipotente, / O sol que tomba, aureolando o mar, / A fartura da seara reluzente, / O vinho, a graça, a formosura, o luar! / Cantai, cantai as límpidas cantigas! / Das ruínas do meu lar desenterrai / Todas aquelas ilusões antigas / Que eu vi morrer n- um sonho como um ai... / Ó suaves e frescas raparigas, / Adormecei-me n´essa voz... Cantai! O MEU CONDADO: No campo azul da alada fantasia / Edifiquei outr´ora, por meu mal, / Castelos de oiro, esmalte e pedraria, / Torres de lápis-lázuli e coral. / N´uma extensão de léguas, não havia / Quem possuísse outro domínio igual: / Tão belo, assim tão belo, parecia / O território de um senhor feudal... / Um dia (não sei quando, nem dei d´onde), / Um vento agreste de indiferença e spleen / Lançou por terra, ao pó que tudo esconde, / O meu condado — o meu condado, sim! / Porque eu já fui um poderoso conde, / N´aquela idade em que se é conde assim... SÉ DE PEDRA: Não reparaste nunca? Pela aldeia, / Nos fios telegráficos da estrada, / Cantam as aves, desde que o sol nada, / E, à noite, se faz sol a luz cheia... / No entanto, pelo arame que as tonteia, / Quanta tortura vai, n´uma ânsia alada! / O ministro que joga uma cartada, / Alma que, às vezes, d´além-mar anseia: / —Revolução — Inútil. — Cem feridos, / Setenta mortos. — Beijo9-te! — Perdidos! / —Enfim, feliz! —! — Desesperado. — Vem! / E as lindas aves, bem se importam elas! / Continuam cantando, tagarelas: / Assim, António, deves ser também. Poemas do poeta português António Nobre (1867—1900).

O HOMEM, A MULHER E A NATUREZA – O livro O homem, a mulher e a natureza, do filosofo e escritor britânico Alan W. Watts (1915-1973),aborda temas como o homem a natureza, o urbanismo, o paganismo, a ciência e a natureza, a arte do sentimento, o mundo como êxtase, o mundo sem sentido, o homem e a mulher, espiritualidade, sexualidade, amor sagrado e profano, consumação, entre outros interessantes assuntos. Fonte: WATTS, Alan W. O homem, a mulher e a natureza. Rio de Janeiro: Record, 1958. Veja mais aqui.

LITERATURA E VIDA NACIONAL – A obra Literatura e vida nacional, do filósofo, político e cientista político italiano Antonio Gramsci (1891-1937), aborda a arte e a cultura, a arte na luta por uma nova civilização, a arte educativa, critica literária, Croce, critérios de método, ser uma época, a expressão linguística da palavra escrita e falada e as demais artes, a língua e as linguagens, neolalismo, sinceridade ou espontaneidade e disciplina, literatura funcional, o racionalismo na arquitetura, as renuncias descritivas na Divina Comédia, o cego Tirésias, o teatro de Pirandello, o caráter não nacional-popular da literatura italiana, o melodrama, Goldoni, conteudistas e calígrafos, atitude do escritor em face do ambiente, romance e teatro popular, Brescianismo, literatura de guerra, Giovani Papini, os futuristas, arte católica, estudos da gramática, gramática histórica e gramática normativa, a língua de Dante, direito natural e folclore, os cantos populares, teatro inglês, teatro e cinema, Shakespeare, Oscar Wilde, os espetáculos no Teatro do Povo, Plauto, Turgueniev, entre outros importantes assuntos. Leia mais sobre o pensamento de Gramsci aqui. Fonte: GRAMSCI, Antonio. Literatura e vida nacional. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

GESTÃO DO CONHECIMENTO – A obra Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial, de José Claudio Cyrineu Terra, trata de temas como a fábula sobre a criação e destruição do conhecimento, a organização, economia e competitividade baseada no conhecimento, criatividade, aprendizado e conhecimento tácito, relação com resultados empresariais no Brasil, sete dimensões da gestão do conhecimento, focos de ação relacionadas, impacto para a sociedade brasileira, estratégias, cultura e valores organizacionais, compartilhamento de conhecimento, entre outros. Fonte: TERRA, José Claudio. Gestão do conhecimento: o grande desafio empresarial. São Paulo: Negócio, 2001. Veja mais aqui.

PSICOLOGIA E PESQUISA – O livro Psicologia e pesquisa: perspectivas metodológicas, organizado por Helena Scarparo, aborda temas como a pesquisa e produção do conhecimento, autonomia e o uso do termo de consentimento em pesquisa, a pesquisa qualitativa e delineamentos possíveis, questão da amostragem, analise multivariada de dados, dimensões psicossociais da entrevista, utilização da metodologia dos grupos focais na pesquisa psicológica, fenomenologia e método fenomenológico, pesquisa histórica como ferramenta para conhecer a construção das ideias e as praticas em psicologia, analise de conteúdo na leitura e interpretação do discurso grupal, CAQDAS, programa QDA Miner e análise de textos de protestos, entre outros assuntos. Fonte: SCARPARO, Helena (Org.). Psicologia e pesquisa: perspectivas metodológicas. Porto Alegre: Sulina, 2008. Veja mais aqui e aqui.

A arte do pintor e ilustrador francês Paul-Emile Chabas (1860-1937)




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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá (Arte: [Ísis Nefelibata).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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