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terça-feira, agosto 14, 2018

LE CLEZIO, MARIA CALLAS, EAGLETON, CARLINHOS OLIVEIRA, SYLVIE GUILLOT & CATXERÊ.


TODA MULHER É UMA ESTRELA – Imagem: arte da artista francesa Sylvie Guillot. - Uma estrela levitava, eu vi, desceu aos poucos, lá atrás do morro, desapareceu. Fui lá, às carreiras, queria vê-la. Fui num pé só. Andei quanto não sei, cheguei lá, não a vi. Nem podia, cadê-la. Como poderia saber? Bati os quatro cantos, atrás das moitas, toda a chã, terreiros, descampados. Muito depois soubera: transformara-se numa rã, pula, pula. Refiz o trajeto e nem sinal da descida da estrela. Ah, como andei e depois de muito, desisti, voltava pra casa, uma rã pulou no meu peito. Com a mão, joguei fora. Quando olhei de novo, era uma bela mulher, branca e nua. Pé atrás, fiquei mirando. Vixe! Tão branca chega brilhava e lá vinha ela em minha direção. Dei uns passos pra trás, olhei dum lado pra outro, não havia ninguém. E ela pediu-me guardá-la num porongo. Que é isso? Não sabia. Mostrou-me uma cabaça, para colocá-la sobre o fumeiro. Peguei a cabaça e guardei-a lá, levei para casa. Lá abri, ela saiu e ensinou-me a vida: das coisas de antes da criação, de como tudo foi feito, da vida, gentes e bichos. Aprendi com ela: toda mulher é feita de luz. Contou-me histórias de Sheherazade, das mil e todas as noites, zis dias, eras e etéreas. Flagrei sua ternura quente: toda mulher não é apenas uma, mas muitas, se não todas, parece até nenhuma quando minguante. É só entrega no amor, amabilidade no seu jeito esguio, suor escorrendo lágrimas, brasa aquecida no coração: nave da vida, de nascença. O seu prazer é foguete singrando os céus pelo infinito, entresseios, entressalas, curvas, quadris, a passear por aí, pés no chão e pernas nuas desfiando labirintos pro abrigo das coxas ao porto seguro do ventre morno pronto pra combustão: uma fogueira em ebulição. E isso de norte a sul, leste a oeste, quantas rotações tantas translações. É preciso saber. Mais tivesse ela para que eu seja maior que sou, a dormir e a sonhar, o sonho vale muito mais, desvelando segredos no que é dela, tudo que se esvai e não foi em vão, enfim. E eu cantasse O amor, não seria nada, apenas homenagem passageira e fosse pouco assim mesmo perto da sua grandeza demais da conta, grandeza de Fonte e foz pro mar sem fim. É ela. E novamente no vaso, desfrutava do aprendizado, o que sabia, mais queria. E retornava de noite pra ela me contar das suas até o amanhecer, eu tinha que trabalhar. E me premiava com um sorriso para que meu dia fosse de paz. Certa feita, ao chegar em casa, alguém violara o meu segredo. Quem poderia? Cismei na zanga, porque ela, Catxerê fugiu, subiu aos céus e de lá brilha todas as noites na minha solidão. PS: Recriação da lenda Catxerê, a mulher estrela, recolhido das Lendas dos índios Craó (Revista do Museu Paulista, 1950), de Harald Shultz. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da soprano grega Maria Callas (1923- 1977): Casta diva, O mio bambino caro, Carmen de Bizet (Habaniera) & Mon coeur s’ouvre a ta voix & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O papel do escritor é dar voz aos silenciados, colocar a linguagem onde as coisas estão aparentemente sem palavras [...]. Pensamento extraído da obra História do pé e outras fantasias (Cosac & Naif. 2012), do escritor franco-mauriciano e Prêmio Nobel de Literatura de 2008, Jean-Marie Gustave Le Clezio.

O PÓS-MODERNO [...] Talvez haja consenso quanto a dizer que o artefato pós-moderno típico é travesso, auto-ironizador e até esquizoide; e que ele reage à austera autonomia do alto modernismo ao abraçar impudentemente a sua relação com a tradição cultural, é de pastiche irreverente, e sua falta de profundidade intencional solapa todas as solenidades metafisicas, por vezes através de uma brutal estética da sordidez e do choque [...]. Trecho extraído de Awakenig from modernity (Tomes Literary Suplement, 20 de janeiro de 1987), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui

ADÃO E EVA Relendo velhos textos, observo que a todo instante me preocupa uma única situação. A solidão do homem, a solidão da mulher. Não a solidão dos homens, do gênero humano: do homem com relação à mulher e vice-versa. Suspeito que o momento supremo da nossa aventura ocorreu quando o Senhor Deus exorbitou de suas funções, por assim dizer. Ele já havia feito tudo e só lhe restava descansar, pois era domingo, e, sábado, toda a Criação tinha passado a noite no Jirau, inclusive Ele. Mas parece que o Homem, Adão, achava aquela festa muito aborrecida, pois não dançou com ninguém, bebeu demais e é possível até que tenha dado um vexame. Suponho que no meio da noite ele tenha decidido apanhar de qualquer maneira a fêmea do Canguru, aliás exímia dançarina de twist, e senhora um tanto leviana, pois mal emergira da argila e já se punha a flertar com o Rei da Criação. Mas não fica bem, a um cavalheiro, estar a julgar a conduta da mulher alheia: esqueçamos isso e voltemos a Adão, ébrio e cafardento, lançado num Paraíso em que todos os bichos estavam acompanhados, menos ele. Todo o mundo reparou que ele não estava feliz. As senhoras, no toalete, não fizeram outro comentário — todas elas dispostas a fazer qualquer coisa para consolá-lo, porque os machos tristonhos sempre gozaram de grande prestígio junta às fêmeas de toda a escala zoológica, e o Senhor Deus, psicólogo de rara penetração, adivinhou que o Paraíso estava resvalando para o perigoso terreno da galhofa — como diria, muitos milhões de anos depois, um cronista particularmente femeeiro… Não apenas estávamos à beira do adultério, como diante de algo muito mais grave — uma degradação. Imaginem se Adão, no auge do pileque, fazendo um papel muito mais feio do que Noé, inaugurasse o cruzamento de homem com, digamos, sapo, ou percevejo, ou jacaré, ou cobra d’água! Felizmente — ou graças a Deus: parece que ele, em sua infinita sabedoria, foi servindo mais e mais uísque à medida que Adão esvaziava o copo, de modo que o velho Adão foi apagando, apagando e — zás! emborcou. …Foi quando extraímos uma costela, com a qual esculpimos uma forma nova, cheia de graça, com cabelos habilmente manipulados pelo Reinaud e tendo sobre o alvo ventre uma folha de parreira confeccionada por José Ronaldo… Assim nasceu Dona Eva, na intimidade Vivi sem sobrenome, porque não tinha pai nem mãe. E ela chamou Adão para irem ao Bob’s, digo, ao bosque, onde estava a afamada Árvore da Sabedoria. E a serpente disse a Eva: “Olha, Eva, a coisa mais bacaninha que há para fazer, hoje em dia é comer daquela maçã que você vê ali naquela árvore. É a coqueluche de Paris — todo mundo comendo maçã no New Jimmys, no Maxim’s, no Plaza Athenée Rellays, no Bois de Bologne!” Eva achou a idéia fabulosa e perguntou a Adão que tal lhe parecia. Adão no momento não tinha dinheiro no bolso (estava nu, coitado), mas a Serpente emprestou, Adão comprou a maçã e Eva disse: “Morde aqui”.Adão mordeu. Eva também. Foi quando dos grandes Céus os exércitos de anjos desceram céleres sobre o Paraíso, e suas vozes faziam um clamor de tempestade, e eles clamavam: “Nós também queremos! Nós também queremos!”. Mas só Adão e Eva tiveram permissão. Na verdade, Eva é que acabou sendo a dona do negócio, tanto que certa ocasião, depois de folhear a revista Playboy, Adão lhe aplicou um beijo no cangote e disse: “Vamos comer maçã? Que dia lindo para comer maçã!” E Eva, bocejante, sob os cabelos enrolados em bob: “Hoje não, Adão. Hoje estou com muita dor de cabeça”. Conto do escritor José Carlos Oliveira (1934-1986), celebre pela criação da Patetocracia: Contra a censura, pela cultura - Todo dia um pateta qualquer enfia sua pata numa peça de teatro e corta as frases que lhe parecem atentatórias à moral, aos bons costumes e à democracia. Não se passa uma tarde sem que outro pateta dê o ar de sua graça, cortando sequências inteiras de filmes

DOIS POEMASUMA DÁLIA – Ó cortesã de seio duro e olho sem lume / como o de um boi aberto / lento e sem esforço / como um mármore novo luz teu grande torso / flor rica e gorda em torno a ti não há perfume / nenhum flutuando e de teu corpo e calma graça / impecáveis acordes desenrola baça / tu bem sabes a carne, este gosto que ao menos / vão exalando aquelas que vão fanando os fenos / e pompeias em meio a incensos não sentidos / - Assim a dália, esta tainha de esplendor / eleva seu orgulho a fronte sem odor / irritante no meio de jasmins atrevidos. MAS O SOL AMANHÃ – Mas o sol amanhã doce redoura e aquece / o centeio e os trigais que a brisa ainda umedece / com o azul conservou a frescura noturna ;/ sai-se só por sair logo a gente se enfurna / ao longo da ribeira, toda arbustos calmos / um caminho de alfombra circundado de almas / o ar é vivo; eis que uma ave atravessa a atmosfera / no bico de alguma palha ou algum fruto da hera / deixa na água o reflexo após suas passagem / é tudo / e o sonhador adora esta paisagem / cuja clara doçura de pouco acariciou / seu sonho de ventura imensa e acalentou / a saudade de flor, desta jovem infanta / nevada aparição que cintila e que canta / e que ao poeta é sonho e ao homem nostalgia / evocando em seus votos, de que talvez se ria / esta alma que ele enfim encontrou, esta data / que sua alma em soluços ainda reclama. Poemas extraídos da obra Poema (Difel, 1962), do poeta francês Paul Verlaine (1844-1896). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista francesa Sylvie Guillot
Veja mais aqui.

AGENDA
Festival de inverno da Várzea (FIV) - 24 & 25 de agosto, 6hs, Praça Pinto Dâmaso (Praça Da Várzea), Av. Afonso Olindense, Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Catxerê, a mulher estrela aqui
&
A vida na janela, A criança de Henri Wallon, As veias da América de Eduardo Galeano, Perdas & Ganhos de Lya Luft, Fernando & Isaura de Ariano Suassuna, Contrastes Filosóficos, Fecamepa, a poesia de cordel de João de Castro, a arte de Rivail Azevedo, Ginásio Municipal dos Palmares & Políticas em Debate aqui.


sexta-feira, fevereiro 23, 2018

LOUISE BOGAN, EAGLETON, JOSTEIN GAARDER, SEARLE, IVAN BUNIN, HARRIET HOSMER, JOHN MCLAUGHLIN, HILARY HAHN, CRISTINA ARRUDA & FEMINISMO E LUTAS ANTISSISTÊMICAS

COMEÇOU O FINAL DE SEMANA, É SEXTA! - Imagem: art by Cristina Arruda. - UMA: ESCOLARIZAÇÃO PRA SER GENTE - Desde menino sempre ouviu: Estude pra ser gente, seu cabra. Estudava e muito: tabuada, vogais, consoantes, soletrava o abecê. Agradar a professora do primário, tirar boas notas, ser o primeiro da classe. E a turma: CDF, caga-pau! Ora. Foi pro ginasial, deu guinada de todo tipo: Tome jeito de ser gente, seu medonho! E como é que é ser gente? Aprenda! Mais estudava, menos sabia. Sabia de coisas de antanho que nada diziam respeito, de cálculos, somas, equações, qual a serventia mesmo, hem? De ciências, os acidentes geográficos, a moral e cívica, aprenda a falar sua língua, não seja analfabeto, desgraçado! E tome substantivo, sintaxe, conjugação de verbos, regência, tudo grego! Verdade, nada a ver com sua cidade, sua gente, seus vizinhos, só coisas de um mundo que nunca ia viver, como a Revolução Francesa, o Dia do Fico, fatos e heroísmos de gente de longe ou do passado, coisas assim, do nada, sem pé nem cabeça, mas tinha que decorar, saber de cor e salteado, de trás pra frente, na ponta da língua, era assim que passava de ano, se expremesse sabia de nada. Até aí não sabia: estudar pra quê? Foi pro colegial com ensino profissionalizante, científico, tal qual o bê-a-bá: isso é isso, aquilo é aquilo, aprendeu? Feijão com arroz, café com pão, física, química, religião, laboratório e as meninas assanhadas pra cima e pra baixo, gazeava, quando não escapolia de fininho. Desde o ginasial, na sorte; tirava sete e dava pra passar, escapando e se arrastando. Onze anos nessa pisada, primário, ginasial, científico, serve mesmo estudar, hem? Ainda não sabia. Foi pra faculdade depois de levar pau nuns dez vestibulares. Aí queimou as pestanas, virou noite, passou aperto, fez força de deixar marca de freada na cueca, fedor de queimado dos chifres, torceu, virou e mexeu, segunda chamada, recuperação, vai mas num vai, empurra e aos empurrões, falta fôlego, ah, falta pouco, vambora, coisas do arco da velha, ciência que jamais entendera, contudo decorava tudo ou recorria às fila na mão, na meia, nos tacos de papel, copiava, reproduzia, aos trancos e barrancos, escorregava e passava com pau no canto. Depois de morrer umas três vezes, tirou fino no abismo e se lascou todinho de dúvidas. Qual é? Ninguém esclarecia, aumentava a dúvida: Vixe! Qualquer dia essa bomba estoura! Enfim, formou-se. Ufa! Agora vai! Foi pro mercado de trabalho, sobrou; sebo nas canelas e teve que se especializar pra ser aproveitado, pós-graduou-se umas duas vezes e viu que era pouco e não sabia nada, o dinheiro não dava, pagava o crédito educativo, meio lá, meio cá, se arrastando fez um mestrado que nem lembra em quê e emburacou no doutoramento, tudo com temas que nem acreditava, por imposição do orientador e pra ganhar a vida sobre a concorrência que era muita e desleal. Agora sim. Voltou ao mercado e viu que não era bem assim, passou da conta, tinha gente com nada disso ocupando os lugares e ele que estudou pra ser gente, não era. Foi, então, o chamado da família: criar galinhas era mais fácil e ganhar um bom dinheiro sem precisar de estudo que, para ele, agora, era perda de tempo. Nunca mais quer saber de escola, aula, professor, tudo inútil por que ele queria só ganhar um dinheirinho pra sobreviver, nada mais. Agora sou gente, tenho dinheiro e fim de papo! E os estudos? Respondia: Se eu souber quem inventou escola eu mando matar! E ponto final. DUAS: TODO DIA É DIA DE SEDUÇÃO – Valha-me minha santa tesão, que mulher linda! Era mesmo, lindíssima: cabelo liso aos ombros, olhar agateado, faces róseas, lábios salientes, corpo escultural num bustiê dos peitinhos de goiaba, cinturinha de pilão, saínha curtíssima, coxas e pernas, valha-me, santa criatura! E dançava elegantemente, enturmada. Sentou-se ao lado, piscou pra ela; ela, também. Sorriu pra ela, ah, que riso lindo o dela, salvai-me Deus que eu já vou! Piscou de novo, ela correspondeu. Fez menção de falar, ela a ouvir. Levantou-se, sentou-se ao lado e deitou maior chaveco, blábláblá, e ela se ria frouxa pro seu encanto. Já dizia Gonzagão: Mulher querendo é bom demais. É nessa que eu vou! E foi: dançou soltou, remexeu-se de todo jeito, tudo para impressioná-la e ela ria que ria, bão demais. Ela sentou-se: Cerveja? Pensou nos bolsos: Acompanho. Ela agita o relógio do pulso, chega o garçom: Cerveja, dois copos! Ela virava, ele bebericava – estava desprevenido financeiramente, mas ela deve ser endinheirada, pelo jeito. Outro litro, mais dois, dança sem se agarrar, ela reboladeira, ele todo sem jeito com as coisas por denunciar-lhe a concupiscência. Ela se achega e se esfrega, ele tonteia; maior rela-rela, uma mão ao seio assim sem querer, outra na altura do rebolado: Essa é pra casar de mesmo! Goles e passos, música lenta, o sarro, coisa de arrepiar! Ambos exaltados, vamos. Ele vai. À mesa, agita o relógio no pulso, o garçom, a conta: Pagaí! Hem? A conta! Conversa vai, conversa vem, empenha o relógio dele e ela já passando na borboleta da saída, corre atrás. Cadê o carro? Hem? O carro, au-to-mó-vel, entendeu? Ah, só tenho passe pra condução. Como? Vamos pra onde? Ela virou-se e foi embora, ele acompanhou o rebolado dela até vê-la beijar um outro que vinha em sua direção, entraram num carro e ela se foi buzinando, adeus. Ah, tá! Já era, a fila anda e quem não tem músculo, bom de bolso e possante, fica só a ver navios, as mãos, à beira do cais. TRÊS: SAIDEIRA DA INGRESIA – Maior bate boca: É a mãe! O calão denunciava a exaltação lascando a gramática: É o corno do teu pai, fidapeste! Nervos à flor da pele, empurra-empurra, deixa disso, vamos lá, seja razoável, dá logo um tabefe na cara desse freco, isso é um pulha, faz isso não, vai logo, se fosse comigo eu já tinha enfiado uma peixeira no bucho desse fidaputa! Que é isso, corno? As gaias estão dando circuito é? Ah, vou esquentar sua orelha, desgraçado! Vem que vou encher essa tua fuça de tapa, viado! Deixa pra lá, aqui não, vai ou não vai. Como dizem as escrituras apagadas: uns atiçam pra briga, outros tantos pra desapartar. E o vuque-vuque sobra: tapas pra que te quero! Êpa! O perigo no meio do temporal de lapadas! Comigo é assim: brincou, sai apanhado! Vou quebrar suas costelas, galhudo! Vem que vou arrebetar seu espinhaço, boiola! Que comemoração é essa, hem? -, gritou uma autoridade que passava. Ah, hoje é Dia da Paz e da Compreensão Mundial! É mesmo? É. Então tá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do guitarrista britânico de jazz John McLaughlin: Extrapolation, Live in Concert & Stuttgart Concert Live; da violinista estadunidense Hilary Hahn: Concert Violin Beethoven, Violin Concert Mozart & Caprice 23 Paganini; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um filósofo de verdade nunca desiste. Se pelo menos a gente conseguisse desprendê-lo [...]. Pensamento extraído da obra O mundo de Sofia (Cia das Letras, 1995), do escritor e professor norueguês Jostein Gaarder, compreendendo uma narrativa a respeito do conhecimento filosófico, voltada para o público jovem. No livro o autor articula os conhecimentos filosóficos com a vida real. No inicio traz o primeiro capítulo, O jardim do Éden, significando o início quando Deus cria o mundo com seus primeiros habitantes, Adão e Eva. Nessa parte relata o retorno da escola de Sofia, a relação de confidência dela com sua melhor amiga Jorunn. A jovem recebe cartas de uma pessoa que nunca conheceu com perguntas curiosas acerca do mundo e da vida. Nessa parte a vida é mostrada para a protagonista de uma forma que a faz se questionar. No segundo capítulo, Cartola, a adolescente recebe um envelope contendo os primeiros passos de um curso grátis de Filosofia. A partir desse presente, ela começa a ter contato com o universo filosófico, partindo para praticá-la. Nessa parte aparecem explicações acerca da filosofia e sua importância. No terceiro capítulo, Mitos, ela viaja na imaginação sobre os mitos antigos da Antiga Grécia, acompanhando sobre os mitos da antiguidade. O quarto capítulo trata sobre os filósofos da natureza, a recepção pela adolescente de perguntas quando ela passa a refletir sobre o assunto. No quinto capítulo, Demócrito, vê-se a ênfase dada ao assunto filosófico por parte do misterioso professor de Sofia, quando ela passa a tentar descobri-lo. Ela apreende que o filósofo grego Demócrito defendia que tudo era composto por átomos e que com a morte do ser, os átomos são espalhados na natureza. No sexto capítulo, Destino, a jovem Sofia resolve escrever uma carta ao filósofo, quando recebe uma aula sobre o destino e, misteriosamente uma echarpe vermelha aparece com o nome inscrito nas correspondências da pessoa que ela não conhecia. No sétimo capítulo, Sócrates, a jovem é surpreendida por uma carta de um professor solicitando que ela guardasse uma echarpe vermelha. É quando o professor ministra conteúdos acerca dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Para esses filósofos ainda que houvessem respostas para muitas questões filosóficas ninguém jamais seria capaz de encontrar respostas seguras e definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Este ponto de vista é conhecido na filosofia como ceticismo. No oitavo capítulo, Atenas, as aulas foram ampliadas com vídeo, quando o filosofo aparece na Atenas da Antiga Grécia. No capítulo nono, Platão, os ensinamentos ministrados davam conta que esse filósofo defendia que a alma era imortal e que por trás de tudo está a verdade, e o que vemos é apenas uma espécie de sombra, reflexo do real. O décimo capítulo, A cabana do major, é permeado de suspense. É quando depois de fazer a leitura sobre Platão, Sofia permanece em seu esconderijo refletindo sobre as ideias deste filósofo. Depois disso, muitas coisas ocorreram até que Sofia foi para o seu quarto e lá pensou sobre tudo que tinha passado. Ficou receosa por haver entrado na casa de seu professor e então resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas. O décimo primeiro capítulo, Aristóteles, tomando ciência que esse filósofo teceu várias criticas às ideias de Platão, uma vez que ambos possuíam visões diferentes. Aristóteles defendia que a mulher era um homem imperfeito, fazendo com que Sofia começasse a ter uma opinião própria a respeito das coisas, retrucando o filósofo. No décimo segundo capítulo, Helenismo, há uma passagem de tempo que se desenvolve pela época, passando pela Idade Média, Renascimento, Barroco, Descartes, Spinoza, Locke, Hume, Berkeley, o Iluminismo, Kant, o Romantismo, Hegel e Kierkgaard. Depois lições sobre Marx, Darwin, Freud e os filósofos do século XX. A partir dessa parte, Hilde refletia sobre tudo que lia e ao lado de Sofia passou a observar o Existencialismo, levando as duas a realizarem reflexão sobre tudo que havia ocorrido, a festa, os mistérios, os acontecimentos que se davam em um outro mundo da eternidade, como as conversas sobre a origem do universo, a teoria do Big Bang entre outros acontecimentos. A leitura da obra é bastante esclarecedora e fascinante. Conclui-se que a Filosofia é um ramo de estudo que permite a busca do saber e da verdade, descortinando o sentido secreto da realidade. O seu estudo permite ainda que proporcione melhor visão das coisas e prepare o estudante para melhor desempenhar seu papel na vida. Veja mais aqui.

EPISTEMOLOGIA & PRAGMATISMO - [...] Abandonar a epistemologia em prol da política não é desejável, é impossível; todos os enunciados de cunho político são implicitamente teorias sobre a realidade [...] A posição do pragmatista que toma “interesse”, “poder”, ou “desejo” como seu ponto de partida epistemológico [...] está sujeita à constetação. Tal contextação inevitavelmente acarretará debate em torno de como são as coisas no mundo lá fora. Falar a respeito do mundo lá fora não quer dizer necessariamente que as coisas são uma vez por todas de uma só forma ou que o conhecimento do mundo está transcendentalmente descontaminada de interesses e desejos. [...]. Trechos extraído de Two approaches in the sociology of literature (Critical Inquiry, 1988), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

CONTAR ESTÓRIAS - [...] contar estórias realmente se constitui em um jogo de lingaugem distinto; um jogo que para ser jogado pede um conjunto distinto de convenções, embora essas convenções não sejam regras do significado; e o jogo da linguagem não está no mesmo nível que os jogos ilocucionários da linguagem, mas é parasitário em relação a eles. [...] Os teóricos da literatura tendem a emitir observações vagas sobre como o autor cria um mundo fictício, um mundo de romance, ou coisa parecida. Acredito que estamos em posição de fazer essas observações terem sentido. Ao fingir referir=se a pessoas e relatar eventos a seu respeito, o autor cria personagens e eventos fictícios. No caso de ficção realista ou naturalista, o autor fará referencia a lugares e eventos reais, entremeando-os com referências fictícias, dessa forma tornando possível tratar do conto fictício como se fosse uma extensão do nosso conhecimento já existente. [...]. Trechos extraídos de Expression and meaning studies in the Theory of Speech Acts (Cambridge, 1979), do filósofo e escritor estadunidense John Searle. Veja mais aqui.

O AMOR DE MÍTIA – [...] Aquela dor era tão forte, tão intolerável, que, sem pensar no que fazia, não compreendendo o que resultaria de tudo aquilo, fervorosamente uma coisa apenas, livrar-se por um instante que fosse daquela dor e não tornar àquele mundo horrível em que passara o dia todo e onde, apenas um instante atrás, estivera imerso no mais horrível e repugnante de todos os sonhos terrestres, apalpou e puxou uma gavetra do criado-mudo, apanhou a esfera fria, pesada, do revolver e, soltando um suspiro profundo e alegre, abriu a boca e, com toda a força, deliciando-se, atirou. Extraído da obra O amor de Mítia (Delta, 1964), do escritor russo Ivan Bunin (1870-1053), Prêmio Nobel de 1933.

M. CANTANDOAgora inocente dentro da profunda noite / de todas as coisas vivas e leves / libertando o que sabemos no sono. / Na tua voz fresca gritam alto / aqueles seres sem coração ou nome. / Aquelas criaturas corretas e orgulhosas / sobre as palavras de melancolia / e as sutilezas de música, / deixam a longa colheita que segam / na terra perdida de pó e chama / e movem-se para o espaço sob o nosso céu. Poema da poeta estadunidense Louise Bogan (1897-1970).

FEMINISMO POPULAR & LUTAS ANTISSISTÊMICAS
O nosso desafio é transformar o mundo, enquanto transformamos a nós mesmas e ao nosso movimento. Guacira César de Oliveira
Extraído da obra Feminismo popular e lutas antissistêmicas (SOS Corpo, 2016), de Carmen S. M. Silva, tratando sobre feminismo, mulheres e movimentos sociais, movimento das mulheres e questão do feminismo hegemônico, movimentos sociais e subjetividades coletivas, classes populares e formação do campo, grupos de reflexão ao planeta fêmea, relação com o campo político dos movimentos sociais, articulações e manifestações, participação institucional, Conferência de Beijing, a crise no campo político, a AMB, lutas nacionais, atuação em movimentos, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

Veja mais:
Uma prosa nos entreversos do amor, a música de Maestro Duda, o cinema de Marco Ferreri & Andréa Ferréol, a Conquista do Voto das Mulheres, a arte de Fernando Alves & Luciah Lopez aqui.
Centenário de Hermilo, o teatro de Augusto Boal, a música de Cussy de Almeida, a pintura de Joshua Reynolds, Ginofagia & Dia da Sedução aqui.
A arte do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Os encantos de Valkyria Freya, Paulo Freire, Daniel Goleman, a literatura de Pierre Michon,o teatro de Mario Viana,o cinema de Ferenc Moldoványi, a música de Vânia Abreu, a pintura de Carolyn Weltman, a arte de Alexis Texas, Merari Tavares, Saúde no Brasil, Fracasso Escolar & Professor e aluno aqui.
A poesia de Benhjamim Péret, Dolls & Cátia Rodrigues aqui.
Paixão, a literatura de Francis Scott Fitzgerald & Djuna Barnes, o teatro de Sarah Kane, o cinema de Ken Loach, a música de Regina Carter, a pintura de Pal Fried & Carolyn Weltman & Jane Graverol, a fotografia de Wang Huaxiang, Jurema Barreto de Souza, Gestão em Saúde, A relação entre professor & aluno aqui.
A música de Kylie Minogue, a poesia de Cláudio Manuel da Costa, o teatro de Michael Frayn,o cinema de Michel Gondry, a fotografia de Jeanine Toledo, a pintura de Carl Larsson, Lucilene Machado, Kate Winslet, Hope 2050, aecamepa, Administração Hospitalar & Síndrome de Burnout, Transtornos & Distúrbios da Aprendizagem aqui.
O alvo do pódice, Cervantes, Márcia Tiburi, Giovanni Sartori, a literatura de Rick Moody, o teatro de Mário Prata & Fernando Rojas, o cinema de István Szabó, a música de Ferruccio Busoni & Gertrud Schilde, a pintura de Omar Ortiz & Emerico Imre Toth, Rachel Weisz, Ádila J. P. Cabral, A Trajetória da Mulher & O cérebro na escola aqui.
Solfejo de uma ária amanhecida & a pintura de Max Klinger aqui.
Cecília Meireles, Pablo Milanés. Pedrinho Guareschi & O mistério da Consciência, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Johan Christian Dahl, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Costinha, O sufrágio feminino & Programa Tataritaritatá aqui.
Leibniz, Manoel Bentevi, Alceu Valença, Helena Cristina & Programa Tataritaritatá aqui.
Hermann Hesse, a poesia de Wislawa Szymborska, a literatura de Evelyn Lau, a música de Christoph Willibald Gluck & Daniella Alcarpe, a fotografia de Bárbara Angel aqui.
Franz Kafka, a pintura de Anna Chromý, a música de Leoš Janáček & Karyme Hass & Ibys Maceioh aqui.
Adolfo Casais Monteiro, Roberto Burle Marx, a música de Astor Piazzola, a poesia de Antonio Miranda, Adriana Garambone & Doro na Copa do Mundo aqui.
O cinema de Jean Cocteau & Elizabteh Lee Miller, a música de Márcia Novo & Felipe Cerquize aqui.
Frida Kahlo, Alberto Nepomuceno & Luciah Lopez aqui.
Marc Chagall, Gustav Mahler, Artur Azevedo, Lampião & Bee Scott aqui.
Fritz Perls, Procópio Ferreira, Moraes Moreira, Doro na Copa & Programa Tataritaritatá aqui.
Manuel Bandeira, Violeta Parra & Mercedes Sosa, Ana Botafogo & Blitz-krieg do Mineirão aqui.
Marcel Proust, Carl Orff, Mestre Vitalino, Jacob Abraham Camille Pissarro & Rachel Levkovits aqui.
Carlos Gomes & Quinteto Violado, Sérgio Buarque de Holanda, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Lygia Fagundes Teles & Pomba enamorada ou uma história de amor aqui.
A poesia de D. H. Lawrence & Milene Possas Sarquissiano aqui.
A poesia de Pablo Neruda, a Música de Jane Monheit & a fotografia de Colette Standish aqui.
A poesia de Raymond Radiguet, a pintura de Thereza Toscano & Para sempe Lilya aqui.
Encruzilhadas aqui.
Arthur Schopenhauer, Johann Nikolaus Forkel, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Luís Buñuel, Iremar Marinho & Bestiário Alagoano aqui.
Karl Theodor Jaspers, Pablo Picasso, Georg Friedrich Händel, Fernanda Seno, Eva Green & Demi Moore, Tom Wesselmann & Soninha Porto aqui.
Os crimes contra a administração pública aqui.
Homofobia, sexualidade, bissexualidade & educação para as diferenças aqui.
A mulher assíria-babilônia & outras tiradas, sacadas & outros tataritaritatás aqui.
Interpretação dos sonhos de Freud, Psicopatologia, Semiologia & Comunicação Linguística aqui.
De todo jeito é bom & Programa Tataritaritatá aqui.
Diário de um sedutor de Kierkegaar & Se não chover aqui.
Os cânticos de Salomão, Anna Akhmatova, a música de Carl Reinecke & Elza Soares, Chico Buarque & as chicólatras, Fecamepa & Naldinho Freire aqui.
Ernesto Sábato, Nelson Rodrigues, Antonio Cândido, Betty Lago, OVNI, A chegada dela no prazer da tarde & Programa Tataritaritatá aqui.
Mahatma Gandhi, George Orwell, Maurren Magg & Rick Wakeman aqui.
Autran Dourado, Thomas Mann, Gilberto Gil, Luiza Possi & Célia Demézio aqui.
Guimarães Rosa, Milton Nascimento & Caetano Veloso, Isabelle Adjani, Zezé Motta, Rejane Souza, Rafael Nolli & Sóstenes Lima aqui.
Luigi Pirandello, Jean-Jacques Rousseau, Pat Metheny, Mel Brooks, Peter Paul Rubens & Maurice Quentin de La Tour aqui.
Antoine de Saint-Exupéry, Paul Klee, Aarre Merikanto, Colin Hay, Clóvis Graciano & Cris Braun aqui.
Emily Brontë, John Gay, Fryderyk Chopin, Yngwie Malmsteen, Floriano Martins, Maria Luisa Persson & Julia Crystal aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora estadunidense Harriet Hosmer (1830-1908). 
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sexta-feira, setembro 11, 2009

DOCTOROW, EAGLETON, TODOROV, PHILIPPE ARIÈS, BORDUAS, TELMA BRILHANTE, LITERÓTICA – POSSESSÃO INSANA

A arte do pintor canadense Paul-Émile Borduas (1905-1960).

Imagem: Desire, by Stefan Kuhn.

POSSESSÃO INSANA - Eu quero essa mulher poeta em flor e seus poemas profanos e seus desejos que lhe assomam à pele e que foi concebida para o amor. Eu quero essa mulher poeta em flor completamente molhada com a água da sua fonte minando para o desejo da minha boca sedenta, da minha língua obscena e do meu desejo irrefreável. Eu quero essa mulher poeta em flor arrebatada pelo vento da minha luxúria e pela emoção que sai de longe e chega bem perto do seu coração com um beijo pra lá de apaixonado de quem está na camisa-de-força dos sentimentos mais arrebatados. Eu quero essa mulher poeta em flor cantando feito Iara de rio, gemendo feito o cio da lua e gozando de prazer para ser a flor fecundada pelo meu prazer na manhã de setembro. Eu quero e como quero e dizem que esse querer é amor e eu garanto que é o mais profundo de todo e qualquer amor. Eu quero e amo essa mulher poeta em flor como quem renasce na manhã cheio de esperança em fazê-la feliz. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - Basta uma pessoa estar faltando no mundo para que o mundo inteiro fique vazio para você. Pensamento do historiador e filósofo francês Philippe Ariès (1914-1984). Veja mais aqui.

ALGUEM FALOU – [...] o problema do momento é que os ricos têm mobilidade, enquanto os pobres têm localidade. Ou melhor: os pobres têm localidade até que os ricos metam as mãos nela. [...]. Trecho extraído da obra Depois da teoria: um olhar sobre os estudos culturais e o pós-modernismo (Civilização Brasileira, 2010), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

MALDADE – [...] as cenas de crueldade, o gozo no mal, o assassinato [...]. O sentimento de estranheza parte pois dos temas evocados, os quais se ligam a tabus mais ou menos antigos. Se se admite que a experiência primitiva é constituída pela transgressão pode-­se aceitar a teoria de Freud sobre a origem do estranho [...]. Trecho extraído da obra Introdução à literatura fantástica (Perspectiva, 2012), do filósofo e linguista búlgaro Tzvetan Todorov (1939-2017). Veja mais aqui.

FRACASSO AMOROSO – [...] Odiando-se, ele ainda anseia por bons postos, servidão, o pequeno triunfo do contracheque da sexta-feira, a camaradagem dos bares [...] Não se sente capaz de procurar seus amigos que ainda trabalham [...] Mentalmente eles escrevem seu obituário e o colocaram em tipologia, o dia exato da morte nada mais sendo do que o sinal para imprimi-lo. [...]. Trechos da obra Deus – um fracasso amoroso (Record, 2003) do jornalista, professor e escritor Edgar Lawrence Doctorow (1931-2015).

REENCONTROAndei nessas estradas muitas vezes / a buscar velhos sonhos e utopias; / encontrei-os nos cheiros dos matos verdes / e no azedo das fortes maresias. / Fui por aí cantando tristes melodias / de amor em esperanças sigilosas / topei em pedras nas duras travessias / tombei sobre folhas luminosas. / Cheguei na terra, plantei carinhos. / Aquela árvore olhando o pôr-do-sol / solitária, em silêncio, gigante / em telepatia falou comigo / contou-me estórias e segredos seus. / Minh’alma sossegou num instante. Poema da escritora e artista plástica Telma Brilhante.

A arte do pintor canadense Paul-Émile Borduas (1905-1960).




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A Síndrome de Burnout & o professor, John Donne, Anita Malfatti, Paul Hindemith, Kama Sutra de Vātsyāyana, Judith Ermert, Walter Hugo Khouri, Alan Moore, Gerontodrama & O lado obscuro e tentador do sexo aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
The black cloak, by Norman Lindsay.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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