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quinta-feira, março 07, 2013

LAETITIA BARBAULD, SIMIN DĀNESHVAR, DANNY KING, LILLIAN WALD & QUADRINHOS

Imagem: Aventureiros do Unacapa do segundo número em maio 1987, parceria entre o desenho de Rolandry Silvério e roteiro de Luiz Alberto Machado.

QUADRINHOS, A NONA ARTE: DE ANGELO AGOSTINI A BARALDI

Luiz Alberto Machado

Sempre fui fascinado por desenho. Tal fato se deve porque desde tenra idade manter contato com gibis e mesmo sob os carões maternos pelas coleções que eu reunia em diversos sacos, foi o estímulo que precisei para aprender a ler aos 4 anos de idade.
Como nasci no ano de 60, estava fadado a ser um debilóide patriota pelo desastre que se tornou a educação brasileira. A minha salvação foram os gibis – não me prendendo só aos de super-heróis oriundos do EUA -, os livros de Monteiro Lobato e, já na adolescência, o meu primo Marquinhos chegava com um monte de discos de rock com coleções de Carlos Zéfiro escondidas dentro das capas.

Imagem: A vizinha, de Carlos Zéfiro.

Não sabia eu que os gibis eram uma criação brasileira. Pois, segundo Haag (2005:87), os quadrinhos nasceram no Brasil em 1869, com As Aventuras de Nhô Quim, de Ângelo Agostini, defendendo que este autor trouxe esta arte “(...) 30 anos antes da publicação nos Estados Unidos de Yellow Kid, considerada por muitos como a pioneira”.
Depois, segundo Ribeiro (1985), foi em 1905 que nasceu o Tico-Tico, criado por Ângelo Agostini, infantil em quadrinhos: “(...) inteligente e engraçada, que encanta gerações de crianças brasileiras, com personagens como Reco-Reco, Bolão e Azeitona, Carrapicho, Jujuba e Goiabada. Morre em 1959, assassinada por Walt Disney”. Também registra Ribeiro (1985) que em 1918: “Monteiro Lobato alcança enorme êxito, assumindo a liderança da vida intelectual do país com o livro de contos Urupês – mal ilustrado por ele próprio -, ambientado nas fazendas de café de São Paulo. Retifica aí, seu célebre retrato do caipira, admitindo que seus males vêm da falta de saúde, de instrução e de assistência”.
Foi em 1955, segundo Ribeiro (1985) que o semanário O Cruzeiro – que vinha sendo editado desde 1928, se renova com suas sessões de humor de Pif-Paf, de Millôr e o Amigo da Onça, de Péricles. E em 1969, reunindo Tarso de Castro, Jaguar, Millôr, Fortuna, Ziraldo, Henfil, Claudios, Luis Carlos Maciel, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Vinicius de Morais e Sérgio Cabral, que foi criado no Rio de Janeiro o Pasquim, que, segundo Ribeiro (1985) era um semanário moleque de oposição política pluralista através de cartuns, dicas, poemas e grandes entrevistas gravadas em linguagem sacana e coloquial, apesar da repressão e das prisões.
Não sabia que as HQs possuíam os seus críticos ferrenhos e, também, os seus defensores. Entre os opositores deste gênero estavam, por exemplo, Carlos Lacerda que irado vociferava “tinham o poder de delinquir jovens e levá-los para o comunismo”. Para ele: “A onda dessas revistas é que o crime seja uma condição normal de vida. Há a idéia de que a vida passa num plano superior a todas as contingências humanas e, ao mesmo tempo, ignorante de todas as onipotências divinas. Deus não admite super-homens, suipermacacos ou super-Robertos Marinhos”. E doutra feita, o proprio Carlos Lacerda, em 1946, definiu os gibis “(...) Como veneno importado para as crianças” porque já havia um número considerável, segundo ele, de escritores comunistas.
Também Jânio Quadros propôs projeto para impedir que as leituras atentatórias aos bons costumes fossem expostas nas bancas de jornais e livrarias.
Para se ter uma idéia, segundo Haag (2005:88), em 1944 o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, do Ministério da Educação, divulgara um estudo que acusava os quadrinhos de causar preguiça mental e desestimular o aprendizado e a leitura dos livros. Com isso, vários colégios e paróquias organizaram verdadeiros autos de fé do santo-ofício execrando as revistinhas. E se aliaram a esta corrente os jornalistas Orlando Dantas e Samuel Wainer que tratavam os quadrinhos, segundo Haag (2005), de fábricas de criminosos mirins e os gibis verdadeiros manuais de crime. Chegou-se até, segundo Haag (2005), à sugestão de emenda à Constituição que combatesse os excessos das editoras de quadrinhos. Não é à toa que houve uma repressão a esta modalidade artística.
Entre os simpatizantes se fundamentava o argumento que o preconceito contra as HQs é uma herança maldita, vítimas dos moralistas. Entre estes estava Gilberto Freyre que inclusive, certa vez, propôs como deputado o lançamento da Constituição em quadrinhos. Também Jorge Amado que atribuiu sua popularidade ao sucesso das versões dos seus livros em gibis. Tanto é que se chegou ao pleito feito por Ziraldo e Mauricio de Souza exigindo do governo uma lei de nacionalização das HQs, incluindo reserva de mercado, fato que recebeu a simpatia de Leonel Brizola que, então governador do Rio Grande do Sul, passou a subsidiá-las.
Mesmo com a edição de um decreto-lei disciplinando a produção de revistas em quadrinhos no país, em 1963 por João Goulart e mantida pelos militares em 1966, este jamais foi aplicado.
O Haag (2005) reuniu alguns estudos que foram realizados pelo professor da Escola de Comunicações e Artes – ECA e coordenador do Núcleo de Pesquisas de História em Quadrinhos – NPHQ, da USP, Waldomiro Vergueiro, que defende: “As histórias em quadrinhos são importantes demais para serem deixadas como reféns das circunstâncias. Infelizmente, durante muito tempo elas foram consideradas materiais de segunda ou terceira categoria por parcelas influentes da sociedade”. Tanto é que o professor possui o Diretório geral de histórias em quadrinhos no Brasil - NPHQ-USP, visando a preservação da memória quadrinhística nacional.
Outros estudos foram realizados pela professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, Selma Regina de Oliveira, uma tese de doutorado com o tema “A mulher ao quadrado”, observando que os quadrinhos norte-americanos ajudaram a reforçar no Brasil estereótipos sexistas ao sempre mostrar moças indefesas, virginais, sempre precisando da ajuda dos super-heróis.
Um estudo de Frenault-Deruelle (1975:126) apontava para o fato de que como os seres do mundo real e os das artes ditas da representação, as personagens de HQs se relacionam por meio dos diversos canais dos sentidos, principalmente a audição, a vista e o tato, sendo o gosto e o olfato dificilmente codificáveis ou pouco funcionais do ponto de vista dramático. Todavia, poderão ser acrescentados novos meios de comunicação tais como a transmissão de pensamento (ficção científica).

Imagem: Velta, de Emir Ribeiro, capa da edição de 35 anos.

Ao longo dos últimos anos encontramos a trajetória resistente de uma heroína brasileira, Velta, que está lançando no próximo dia 18 de janeiro, a edição comemorativa dos seus 35 anos. Trazendo além dos traços de Emir Ribeiro, uma série escrita pelo grande mestre R. F. Lucchetti, ambientando Velta nos anos 60 do século XX e uma história dramática, continuando a partir dos eventos ocorridos na VELTA 2007 - NOVA IDENTIDADE PARAIBANA , trazendo mais mudanças na vida da personagem, com um total de 96 páginas, em preto e branco (a maioria, em tons de cinza).

Imagem: Tatoo Zinho, HQ de Marcio Baraldi.

Também o Márcio Baraldi que é um dos mais representativos artistas premiados dos quadrinhos brasileiros. Paulista de Santo André, ele figura entre os melhores e mais produtivos cartunistas do país. Nascido em Santo André, em 1966, foi criado no tenso e intenso clima político-sindical que foi marca registrada do ABC paulista nos anos 70 e 80, o que acabou marcando profundamente seu trabalho e personalidade. Seus personagens Roko-Loko e Adrina-LinaTatoo Zinho e Humor-Tífer são sucessos de publicações.
O professor paraibano Janduhi Dantas também fez a “Estória de quadrinhos” em cordel, contando a estória de quadro alunos: “Certa vez, caros leitores/ li um caso singular: a estória de quatro alunos/ com seu modo de estudar./ Da vida de cada um, / uma lição a se tirar”.
Até eu, numa parceria com o desenhista e artista plástico, Rolandry Silvério, fiz uma incursão na área, publicando nos anos 80, as revistinhas “Aventureiros do Una” que circulou por quatro números.
Agora encontro A Bodega que é uma loja virtual de quadrinhos independentes. Nela são encontrados diversos títulos de quadrinhos independentes brasileiros e pode comercializar projetos de autores que não encontram espaço para venda de seus projetos.
Vê-se que o gibi e arte das histórias em quadrinhos estão vivíssimos. Vamos nessa.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
FRESNAULT-DERUELLE, Pierre. O espaço interpessoal nos comics. In:Semiologia da representação: teatro, televisão e história em quadrinhos. São Paulo: Cultrix, 1975.
HAAG, Carlos. A nona arte: pesquisas, arquivos, livro e tese mostram que os quadrinhos ainda mantêm sua importância. Revista Pesquisa Fapesp, 110 (86-88), abril de 2005.
RIBEIRO, Darcy. Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1985. 
Confira mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

 

DITOS & DESDITOS - As mulheres, mais do que os homens, podem despojar a guerra de seu glamour e de seus heroísmos e patriotismos antiquados, e vê-la como um demônio de destruição e um erro hediondo... Pensamento da enfermeira, humanitária e escritora estadunidense Lillian Wald (1867–1940), que fundou o Henry Street Settlement e contribuiu ativamente para os direitos humanos, além de fundar a comunidade de enfermagem.

 

ALGUÉM FALOU: Eu gostaria que o mundo fosse governado por mulheres. Mulheres que já pariram e sabem o valor de sua criação. Pessoas simples têm muito a oferecer. Nós também, em troca, devemos dar a eles o melhor de nossas habilidades. Devemos, de todo o coração, tentar ajudá-los a adquirir o que realmente merecem. Pensamento da escritora e acadêmica iraniana Simin Dāneshvar (1921-2012), que foi ativista da emancipação feminina em seu país.

 

OS DIÁRIOS – [...] Eu amo gatos, eles são ótimos; inteligente, carinhoso, amável, e este era particularmente legal, então pegá-lo e dar alguns tapas e um pouco de dificuldade era irritante, embora infelizmente fosse necessário. Veja, se você está se escondendo no quarto de hóspedes de alguém esperando que eles passem a noite, a última coisa que você precisa é de um gato miando na porta tentando entrar para vê-lo porque você o acariciou o dia todo. Um pouco de agitação e um rosnado na cara do gato e isso é tudo o que geralmente é necessário para dar ao quarto extra e ao horrível bastardo dentro de um amplo espaço pelo resto da noite [...] Em primeiro lugar, sendo um vereador local, ele provavelmente era um babaca! Um verdadeiro idiota do tipo "acenando com livros engomados vestindo cuecas - citando subseção parágrafo para você olhando para cima" que viveu sua vida pelos números e denunciou seus vizinhos se eles tentassem colocar uma mesa de pássaros sem permissão de planejamento. [...]. Trechos extraídos da obra The Hitman Diaries (Serpent's Tail, 2003), do escritor e dramaturgo britânico Danny King.

 

DOIS POEMAS - OS DIREITOS DAS MULHERES - Sim, mulher ferida! levanta-te, faz valer o teu direito! \ Mulher! por muito tempo degradado, desprezado, oprimido; \ Ó nascido para governar em despeito parcial da Lei, \ Retome teu império nativo sobre o peito! \ Vá em frente vestido com uma panóplia divina; \ Aquela pureza angelical que não admite mancha; \ Vá, peça ao orgulhoso Homem que renuncie ao seu governo gabado, \ E beija o cetro de ouro do teu reinado. \ Vai, cinge-te de graça; colete sua loja \ De artilharia brilhante olhando de longe; \ Tons suaves e derretidos do rugido do teu canhão trovejante, \ Cora e teme tua revista de guerra. \ Teus direitos são império: não exija nenhuma reivindicação mais mesquinha, - \ Sentido, não definido, e se debatido, perdido; \ Como mistérios sagrados, que negaram a fama, \ Evitando discussões, são os mais reverenciados. \ Experimente toda essa inteligência e arte sugerida para dobrar \ Do teu inimigo imperial o joelho teimoso; \ Faça do homem traiçoeiro seu súdito, não seu amigo; \ Você pode comandar, mas nunca pode ser livre. \Admirem os licenciosos e reprimam os rudes; \ Suavize o taciturno, limpe a testa nublada: \ Seja, mais do que presentes de príncipes, teus favores processados; \ Ela arrisca a todos, quem menos permitir. \Mas não espere, ídolo cortejado da humanidade, \ Nesta orgulhosa eminência segura para ficar; \ Subjugando e subjugando, você logo encontrará \ Tua frieza se suaviza e teu orgulho cede. \ Então, então, abandone cada pensamento ambicioso, \ Conquistar ou governar, teu coração se moverá debilmente, \ Na escola da Natureza, por suas suaves máximas ensinadas, \ Que direitos separados são perdidos no amor mútuo. VIDA - Animula, vagula, blándula. \ Vida! não sei o que és, \ Mas saiba que você e eu devemos nos separar; \ E quando, ou como, ou onde nos conhecemos, \ Eu possuo para mim é um segredo ainda. \ Mas isso eu sei, quando você fugiu, \ Onde eles colocam esses membros, essa cabeça, \ Nenhum torrão tão sem valor será, \ Como tudo o que resta de mim. \ Ó para onde, para onde voas, \ Onde curva invisível teu curso sem trilha, \ E neste estranho divórcio, \ Ah diga onde devo procurar esse composto I? \ Para o vasto oceano de chamas empíreas, \ De onde veio tua essência, \ Tu segues a tua fuga, quando libertados \ Da base da matéria estorvando ervas daninhas? \ Ou tu, escondido da vista, \ Espere, como um cavaleiro enfeitiçado, \ Através de anos vazios e alheios à hora marcada, \ Para quebrar teu transe e reassumir teu poder? \ No entanto, você pode ser sem pensamento ou sentimento? \ Ó, diga o que és tu, quando já não és tu? \ Vida! estamos juntos há muito tempo, \ Através de tempo agradável e nublado; \ É difícil se separar quando os amigos são queridos; \ Talvez isso custe um suspiro, uma lágrima; \ Então roube, dê pouco aviso, \ Escolha o seu próprio tempo; \ Não diga boa noite, mas em algum clima mais brilhante \ Dê-me um bom dia. Poema da escritora britânica Anna Laetitia Barbauld (1743-1825)

 



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sexta-feira, agosto 15, 2008

CANETTI, HEIDEGGER, GEORGES BRASSENS, PETER GAY, HENRI SENDERS, BARALDI, LITERÓTICA & SEDUÇÃO DE MARYNA


A arte do fotógrafo holandês Henri Senders

LITERÓTICA: A SEDUÇÃO DE MARYNA - Perdi a noção de tudo, não sei mais nada. Há tempos só penso em Maryna, seu jeito exuberante de ser altaneira nos meus sonhos e a viver em mim inteira e nua pelas manhãs mais radiosas dos meus dias sem sossego; por todas as tardes mormaçadas de volúpia acesa a querê-la de todo jeito e custo; pelas noites enluaradas de lascívias desprendidas de um infinito desejo indomável; por madrugadas incendiadas de querências infindas que me fazem ficar em claro imaginando sua vida entre as minhas mãos desesperadas. Ah, Maryna. Ela disse que viria e eu espero há milênios que ela chegue inteiramente viva para satisfazer minha loucura desenfreada de manifestar minha paixão desmedida e abraçar seu corpo imantado de prazeres. Sabia, um dia ela viria, ah eu sei ela virá para atender os meus pedidos genuflexos de amor atordoado além da conta, ela virá porta aberta vestida de negro com as fagulhas dos seus olhos alumiando a minha solidão, decote cavado a mostrar os seios inflados pela respiração entrecortada de sua tesão maciça e indomável, mãos na cintura delineando a dimensão do seu ventre vulcânico a despejar nas pernas abertas torneadas se insinuando no lascão da saia para me seduzir mais que o impacto inesperado e a me dizer com seus lábios entreabertos que chegou para me redimir da demora de tantas chegadas. Ao vê-la estou completamente descontrolado e vou até ela, musa perfeita dos meus versos aturdidos, para minhas mãos errantes se acomodarem em tocar suas faces, segurar seu rosto para beijar-lhe a boca mil vezes tantas outras beijações e saborear seu batom por milhões de ósculos apaixonados infinitamente desencontrado de mim e de tudo. Beijo-lhe mais e mais e não me canso de beijá-la mais e mais a boca rubra e seu hálito de fêmea esguia pecaminosa, enquanto apalpo seus ombros, braços, seios, oh seios que delicadamente aperto acarinhando-os terna e resolutamente, para firmar minha força aos seus quadris e contorna-los às ancas e púbis, a saber-me disposta para entrega da minha sanha usurpada. Giro em torno dela e me espanto com a constatação genuína da sua gostosura assimétrica e apetitosa por todas as suas curvas, dorso a torso, dos pés à cabeça, o cheiro dela, mulher faceira e torno a beijá-la a pele, a carne, e a tocá-la como quem toma pra si os detalhes de suas entrâncias e reentrâncias, sou-me dela e ela a mim lânguida se descontrai e me deixa tê-la em todas as suas poses e formas expostas para ser servida unhas e dentes insaciáveis. Ela, então, virou-me as costas e riu remexendo danada, provocação de quem solta dentro do vestido, me pede a descobrir seus segredos mais inalcançáveis. E tomo-a a lamber suas costas, mãos pegadas nos glúteos, até que ela se revira para a façanha de suas mãos inquietas no meu sexo revirado e a empurrá-la até a mesa, deitada a remover seu salto alto e esfregar meus lábios aos seus pés estirados e meus dedos passeando entrepernas enquanto vou lambendo-as pelas coxas até alcançar o olho do furacão do seu sexo escancarado e eu faça promissora colheita de todos os seus sabores à minha língua no seu clitóris e o olfato do seu perfume íntimo a me inebriar de babar todas as frutas do seu pomar saboroso e minhas mãos das coxas pro polegar brincando de entra e sai a mexer muito doidamente no interior da sua vagina suculenta e o indicador roçando a rosa do seu ânus lubrificado por seus fluidos a se enfiar desassossegado para arrancar suspiros e mais usufruir das minhas investidas pro seu gozo vulcânico nos estertores orgásmicos e a me eletrizar priápico canibal no seu sexo estrelado até gemer e urrar ensandecida de prazer banhada em suor. Ela me faz parar e puxa-me os cabelos para alcançar sua boca trêmula e ávida por zis beijos a sentir meu sexo vivo em riste rente ao seu em polvorsa. Ela se levanta com sua boca na minha sabedora por ser-me isca fisgada a exorbitar do prazer ao ser por ela empurrado, obrigando-me a sentar na poltrona e ela, jeitosa e sedutora, levantando a saia, toma assento sobre meu sexo e ajeitando-se a alisar o meu no seu, e sentir sua trêmula emulação, deslizando na sua fenda para ser deliciosamente enfiado gruta adentro e ela cavalgar amazona ufana que vai para os sem fins de tudo, açoitando-me com sua marcha cadenciada de quem jamais vai parar de seguir sem rumo por todos os pontos cardeais e direções inventadas no universo e a qualquer custo me fará segui-la hirto dentro dela, ao seu comando e palavras de ordem, morro acima, céu abaixo, eu dentro dela até que ela jorre oceânica sobre o meu gozo astronômico e interminável. Ah, resfolegante e vencida, ela deita a cabeça ao meu ombro e eu sussurro que ela tinha que ser minha, jurei, minha, só minha, toda minha, e única para eu ficar no seu dia, enfiado na sua carne, no conforto da sua vulva, eu dentro dela e nela só se vive uma vez pra nunca mais, um dia o que eu mais quero porque ela tem de ser minha e o amor amadureceu e ninguém no mundo será mais feliz do que sou dentro dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.


PENSAMENTO DO DIAO sentido de um acontecimento para a sua posteridade, enquanto se difere de seu sentido para a sua própria época ou de suas causas, está perpetuamente aberto a revisões. A História, em suma, é inacabada no sentido de que o futuro sempre utiliza seu passado de novas maneiras. Pensamento do historiador alemão Peter Gay (1923-2015). Veja mais aqui

A ANGÚSTIA – [...] A completa insignificância que se anuncia no nada-e-nenhures não indica uma ausência de mundo, mas adverte, ao contrário, que o estado intramundo perdeu toda a importância em si mesmo e que, sobre o fundo desta insignificância do intramundo, nada mais há a não ser o mundo que ainda possa, em sua própria mundanidade, se impor. [...]. Trecho extraído O ser e o tempo (Vozes, 1989), do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976). Veja mais aqui, aqui e aqui.

UM PASSEIO – [...] Minha mãe, anteriormente, não significava muito para mim. Eu nunca a via sozinho. Estávamos sob tutela de uma governanta, e sempre brincávamos no andar de cima, no quarto das crianças. Meus irmãos tinham quatro e cinco anos e meio menos do que eu. Georg, o menor, tinha uma pequena grade para si. Nissim, o do meio, tinha fama de arteiro. Logo que ficava só, aprontava uma travessura. Abria as torneiras do quarto de banhos, e quando se descobria a água já escorria ao andar térreo pela escada; ou desenrolava o papel higiênico até que o corredor de cima estivesse todo coberto de papel. Ele sempre inventava novas traquinagens, cada vez piores, e como era impossível dissuadi-lo, todos acabaram chamando-o dethe naughty boy”. [...] Mas as mais belas conversas daquele tempo eram as que eu mantive com meu pai. Pela manhã, antes de ir para o escritório, ele vinha ao quarto das crianças e tinha palavras adequadas a cada um de nós. Ele era inteligente e divertido, e sempre inventava novas brincadeiras. Essa curta aparição era feita antes do café da manhã, que ele tomava na sala de refeições com a minha mãe, quando ainda não havia lido o jornal. Ao anoitecer, voltava com presentes para cada um de nós, e não houve um único dia em que ele voltou para casa sem nos trazer algo. Então ficava mais tempo e fazia ginástica conosco. Do que ele mais gostava era nos sustentar, os três, de pé sobre seu braço estendido. Ele segurava os dois pequenos, mas eu tinha de aprender a me equilibrar, e embora eu o amasse mais do que a qualquer outra pessoa, sempre tinha um pouco de medo dessa parte do exercício. [...]. Trecho do conto Passeio à margem de Mersey, extraído da obra A língua absolvida: história de uma juventude (Companhia das Letras, 2010), do escritor e ensaísta búlgaro e Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti (1905-1994). Veja mais aqui e aqui.

O MALANDRO ARREPENDIDO - Ela tinha uma cintura bem torneada / cadeiras cheias / e caçava os machos nos arredores da Madeleine. / pelo seu jeito de me dizer: Meu anjo / te apeteço? / eu vi logo que se tratava de uma debutante. / Ela tinha talento, é verdade, eu o confesso. / Ela tinha gênio, / mas sem técnica um dom não é nada. / Certamente não é tão fácil ser puta como ser freira, / pelo menos é o que se reza em latim na Sorbonne. / Sentindo-me cheio de piedade pela donzela / ensinei-lhe os pequenos truques de sua profissão / e ensinei-lhe os meios para fazer logo fortuna / rebolando o lugar onde as costas se assemelham à lua, / Porque na arte de fazer o trottoir, confesso, / o difícil é saber mexer bem a bunda. / Não se mexe a bunda da mesma maneira / para um farmacêutico, um sacristão, um funcionário. / Rapidamente instruída por meus bons ofícios / ela cedeu-me uma parte de seus benefícios. / Ajudavamo-nos mutuamente, como diz o poeta: / ela era o corpo, naturalmente, e eu a cabeça. / Quando a coitada voltava para casa sem nada / dava-lhe umas porradas mais do que com razão. / Será que ela se lembra ainda do bidê com / que lhe rachei o crânio? / Uma noite, por causa de manobras duvidosas / ela caiu vítima de uma doença vergonhosa, / então, amigavelmente, como uma moça honesta / passou-me a metade de seus micróbios. / Depois de dolorosas injeções de antibióticos / desisti da profissão de cornudo sistemático. / Não adiantou que ela chorasse e gritasse feita louca / e, como eu era apenas um canalha, fiz-me honesto. / Privado logo de minha tutela, minha pobre amiga, / correu a suportar as infâmias do bordel. / Dizem que ela se vendeu até aos tiras! / Que decadência! / Já não existe mais moralidade pública / na nossa França! Poema do poeta, compositor e cantor francês Georges Brassens (1921-1981).


A arte do fotógrafo holandês Henri Senders


NUM É MESMO ZIRALDO!!!! POR ISSO QUE EU DIGO QUE MARCIO BARALDI É O MAIOR ROCKCHARGISTA DO PLANETA!!! - Marcio Baraldi é um dos mais promissores chargistas e cartunistas do país. Cabra inquieto, criativo e criador de uma penca de projetos que vão se constituindo nas mais elogiadas iniciativas de um artista que se preze, ele vai delineando sua carreira com sucesso e muito bom humor. Da sua lavra nasceram as revistas do Adrina-lina e Roko-Loko, do Tatoozinho, Humor-Tifer, sem contar com o primeiro game rock´n´roll do Brasil: Roko-loko no castelo do Ratozinger! E tudo isso primando pelo bom gosto, pela irreverência e pela arte de um dos maiores artistas desta terra. Prova disso? Taí: a publicação do livro “Moro num país tropiacaos”, uma coletânea de charges do Marcio Baraldi, publica em 2001 pela Publisher Brasil. Por isso que eu digo que se trata do maior rockchargista, maior rockcartunista, maior rockamigo & o escambau! E quem diz isso não só sou eu. Veja o que Ziraldo diz dele: "Rebelde com causa e graça! Carcamano brabo, brigador, alma rebelde que começou a ser gerada em Modena, de onde veio o avô, este é o Marcio, de sobrenome Baraldi, caricaturista, chargista, desenhista de historia-em-quadrinhos, comunista perigoso. Ou melhor, só não é comunista perigoso porque esta categoria já saiu de moda há algum tempo. Mas indignado ele é, inconformado, também. E zangado. Suas charges, quando tocam de leve o alvo, deixam a vitima pronta para ir pra UTI. O Baraldi não pega leve, profissional dos mais sérios – mas muito engraçado – ele trabalha como um condenado, fazendo charges diárias para a Folha Bancária e para mais uma dezena de publicações sindicais, afinal ele acredita na vitória da classe obreira. Acontece, porem, que ele tem uma coisa que é fundamental num chargista: a fé no ser humano, esta certeza de que o homem não pode serão... tão... tão assim como esses caras que estão lá nas suas charges são. Ele crê que a gente tem que denunciar, tem que berrar, tem que gritar bem alto, com nosso engenho e arte, para despertar os que, nas charges do Marcio, estão lá levando porrada. Ele fez desta missão – bradar sua indignação e seus propósitos – sua labuta diária e, com a devida paga por sua competência, é um dos poucos profissionais brasileiros – na área – a poder viver de seu desenho e de seu Humor, exclusivamente. O que é uma gloria que merece esta perpetuação que vem através do livro. Pois é aqui que, para sempre, fica gravada a marca do artista. Porque gosto de quem trabalha com afinco e fé e porque gosto do trabalho do Marcio Baraldi, achei uma alegria fazer o prefacio deste Caos Tropical, na certeza de que ele é abençoado por Deus – apesar das injustiças! – e bonito por natureza! Ziraldo, Rio de Janeiro, 8 de janeiro de 2002”. Veja a entrevista com Márcio Baraldi aqui e mais aqui e aqui.


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