sexta-feira, fevereiro 23, 2018

LOUISE BOGAN, EAGLETON, JOSTEIN GAARDER, SEARLE, IVAN BUNIN, HARRIET HOSMER, JOHN MCLAUGHLIN, HILARY HAHN, CRISTINA ARRUDA & FEMINISMO E LUTAS ANTISSISTÊMICAS

COMEÇOU O FINAL DE SEMANA, É SEXTA! - Imagem: art by Cristina Arruda. - UMA: ESCOLARIZAÇÃO PRA SER GENTE - Desde menino sempre ouviu: Estude pra ser gente, seu cabra. Estudava e muito: tabuada, vogais, consoantes, soletrava o abecê. Agradar a professora do primário, tirar boas notas, ser o primeiro da classe. E a turma: CDF, caga-pau! Ora. Foi pro ginasial, deu guinada de todo tipo: Tome jeito de ser gente, seu medonho! E como é que é ser gente? Aprenda! Mais estudava, menos sabia. Sabia de coisas de antanho que nada diziam respeito, de cálculos, somas, equações, qual a serventia mesmo, hem? De ciências, os acidentes geográficos, a moral e cívica, aprenda a falar sua língua, não seja analfabeto, desgraçado! E tome substantivo, sintaxe, conjugação de verbos, regência, tudo grego! Verdade, nada a ver com sua cidade, sua gente, seus vizinhos, só coisas de um mundo que nunca ia viver, como a Revolução Francesa, o Dia do Fico, fatos e heroísmos de gente de longe ou do passado, coisas assim, do nada, sem pé nem cabeça, mas tinha que decorar, saber de cor e salteado, de trás pra frente, na ponta da língua, era assim que passava de ano, se expremesse sabia de nada. Até aí não sabia: estudar pra quê? Foi pro colegial com ensino profissionalizante, científico, tal qual o bê-a-bá: isso é isso, aquilo é aquilo, aprendeu? Feijão com arroz, café com pão, física, química, religião, laboratório e as meninas assanhadas pra cima e pra baixo, gazeava, quando não escapolia de fininho. Desde o ginasial, na sorte; tirava sete e dava pra passar, escapando e se arrastando. Onze anos nessa pisada, primário, ginasial, científico, serve mesmo estudar, hem? Ainda não sabia. Foi pra faculdade depois de levar pau nuns dez vestibulares. Aí queimou as pestanas, virou noite, passou aperto, fez força de deixar marca de freada na cueca, fedor de queimado dos chifres, torceu, virou e mexeu, segunda chamada, recuperação, vai mas num vai, empurra e aos empurrões, falta fôlego, ah, falta pouco, vambora, coisas do arco da velha, ciência que jamais entendera, contudo decorava tudo ou recorria às fila na mão, na meia, nos tacos de papel, copiava, reproduzia, aos trancos e barrancos, escorregava e passava com pau no canto. Depois de morrer umas três vezes, tirou fino no abismo e se lascou todinho de dúvidas. Qual é? Ninguém esclarecia, aumentava a dúvida: Vixe! Qualquer dia essa bomba estoura! Enfim, formou-se. Ufa! Agora vai! Foi pro mercado de trabalho, sobrou; sebo nas canelas e teve que se especializar pra ser aproveitado, pós-graduou-se umas duas vezes e viu que era pouco e não sabia nada, o dinheiro não dava, pagava o crédito educativo, meio lá, meio cá, se arrastando fez um mestrado que nem lembra em quê e emburacou no doutoramento, tudo com temas que nem acreditava, por imposição do orientador e pra ganhar a vida sobre a concorrência que era muita e desleal. Agora sim. Voltou ao mercado e viu que não era bem assim, passou da conta, tinha gente com nada disso ocupando os lugares e ele que estudou pra ser gente, não era. Foi, então, o chamado da família: criar galinhas era mais fácil e ganhar um bom dinheiro sem precisar de estudo que, para ele, agora, era perda de tempo. Nunca mais quer saber de escola, aula, professor, tudo inútil por que ele queria só ganhar um dinheirinho pra sobreviver, nada mais. Agora sou gente, tenho dinheiro e fim de papo! E os estudos? Respondia: Se eu souber quem inventou escola eu mando matar! E ponto final. DUAS: TODO DIA É DIA DE SEDUÇÃO – Valha-me minha santa tesão, que mulher linda! Era mesmo, lindíssima: cabelo liso aos ombros, olhar agateado, faces róseas, lábios salientes, corpo escultural num bustiê dos peitinhos de goiaba, cinturinha de pilão, saínha curtíssima, coxas e pernas, valha-me, santa criatura! E dançava elegantemente, enturmada. Sentou-se ao lado, piscou pra ela; ela, também. Sorriu pra ela, ah, que riso lindo o dela, salvai-me Deus que eu já vou! Piscou de novo, ela correspondeu. Fez menção de falar, ela a ouvir. Levantou-se, sentou-se ao lado e deitou maior chaveco, blábláblá, e ela se ria frouxa pro seu encanto. Já dizia Gonzagão: Mulher querendo é bom demais. É nessa que eu vou! E foi: dançou soltou, remexeu-se de todo jeito, tudo para impressioná-la e ela ria que ria, bão demais. Ela sentou-se: Cerveja? Pensou nos bolsos: Acompanho. Ela agita o relógio do pulso, chega o garçom: Cerveja, dois copos! Ela virava, ele bebericava – estava desprevenido financeiramente, mas ela deve ser endinheirada, pelo jeito. Outro litro, mais dois, dança sem se agarrar, ela reboladeira, ele todo sem jeito com as coisas por denunciar-lhe a concupiscência. Ela se achega e se esfrega, ele tonteia; maior rela-rela, uma mão ao seio assim sem querer, outra na altura do rebolado: Essa é pra casar de mesmo! Goles e passos, música lenta, o sarro, coisa de arrepiar! Ambos exaltados, vamos. Ele vai. À mesa, agita o relógio no pulso, o garçom, a conta: Pagaí! Hem? A conta! Conversa vai, conversa vem, empenha o relógio dele e ela já passando na borboleta da saída, corre atrás. Cadê o carro? Hem? O carro, au-to-mó-vel, entendeu? Ah, só tenho passe pra condução. Como? Vamos pra onde? Ela virou-se e foi embora, ele acompanhou o rebolado dela até vê-la beijar um outro que vinha em sua direção, entraram num carro e ela se foi buzinando, adeus. Ah, tá! Já era, a fila anda e quem não tem músculo, bom de bolso e possante, fica só a ver navios, as mãos, à beira do cais. TRÊS: SAIDEIRA DA INGRESIA – Maior bate boca: É a mãe! O calão denunciava a exaltação lascando a gramática: É o corno do teu pai, fidapeste! Nervos à flor da pele, empurra-empurra, deixa disso, vamos lá, seja razoável, dá logo um tabefe na cara desse freco, isso é um pulha, faz isso não, vai logo, se fosse comigo eu já tinha enfiado uma peixeira no bucho desse fidaputa! Que é isso, corno? As gaias estão dando circuito é? Ah, vou esquentar sua orelha, desgraçado! Vem que vou encher essa tua fuça de tapa, viado! Deixa pra lá, aqui não, vai ou não vai. Como dizem as escrituras apagadas: uns atiçam pra briga, outros tantos pra desapartar. E o vuque-vuque sobra: tapas pra que te quero! Êpa! O perigo no meio do temporal de lapadas! Comigo é assim: brincou, sai apanhado! Vou quebrar suas costelas, galhudo! Vem que vou arrebetar seu espinhaço, boiola! Que comemoração é essa, hem? -, gritou uma autoridade que passava. Ah, hoje é Dia da Paz e da Compreensão Mundial! É mesmo? É. Então tá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do guitarrista britânico de jazz John McLaughlin: Extrapolation, Live in Concert & Stuttgart Concert Live; da violinista estadunidense Hilary Hahn: Concert Violin Beethoven, Violin Concert Mozart & Caprice 23 Paganini; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] um filósofo de verdade nunca desiste. Se pelo menos a gente conseguisse desprendê-lo [...]. Pensamento extraído da obra O mundo de Sofia (Cia das Letras, 1995), do escritor e professor norueguês Jostein Gaarder, compreendendo uma narrativa a respeito do conhecimento filosófico, voltada para o público jovem. No livro o autor articula os conhecimentos filosóficos com a vida real. No inicio traz o primeiro capítulo, O jardim do Éden, significando o início quando Deus cria o mundo com seus primeiros habitantes, Adão e Eva. Nessa parte relata o retorno da escola de Sofia, a relação de confidência dela com sua melhor amiga Jorunn. A jovem recebe cartas de uma pessoa que nunca conheceu com perguntas curiosas acerca do mundo e da vida. Nessa parte a vida é mostrada para a protagonista de uma forma que a faz se questionar. No segundo capítulo, Cartola, a adolescente recebe um envelope contendo os primeiros passos de um curso grátis de Filosofia. A partir desse presente, ela começa a ter contato com o universo filosófico, partindo para praticá-la. Nessa parte aparecem explicações acerca da filosofia e sua importância. No terceiro capítulo, Mitos, ela viaja na imaginação sobre os mitos antigos da Antiga Grécia, acompanhando sobre os mitos da antiguidade. O quarto capítulo trata sobre os filósofos da natureza, a recepção pela adolescente de perguntas quando ela passa a refletir sobre o assunto. No quinto capítulo, Demócrito, vê-se a ênfase dada ao assunto filosófico por parte do misterioso professor de Sofia, quando ela passa a tentar descobri-lo. Ela apreende que o filósofo grego Demócrito defendia que tudo era composto por átomos e que com a morte do ser, os átomos são espalhados na natureza. No sexto capítulo, Destino, a jovem Sofia resolve escrever uma carta ao filósofo, quando recebe uma aula sobre o destino e, misteriosamente uma echarpe vermelha aparece com o nome inscrito nas correspondências da pessoa que ela não conhecia. No sétimo capítulo, Sócrates, a jovem é surpreendida por uma carta de um professor solicitando que ela guardasse uma echarpe vermelha. É quando o professor ministra conteúdos acerca dos filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Para esses filósofos ainda que houvessem respostas para muitas questões filosóficas ninguém jamais seria capaz de encontrar respostas seguras e definitivas para os mistérios da natureza e do universo. Este ponto de vista é conhecido na filosofia como ceticismo. No oitavo capítulo, Atenas, as aulas foram ampliadas com vídeo, quando o filosofo aparece na Atenas da Antiga Grécia. No capítulo nono, Platão, os ensinamentos ministrados davam conta que esse filósofo defendia que a alma era imortal e que por trás de tudo está a verdade, e o que vemos é apenas uma espécie de sombra, reflexo do real. O décimo capítulo, A cabana do major, é permeado de suspense. É quando depois de fazer a leitura sobre Platão, Sofia permanece em seu esconderijo refletindo sobre as ideias deste filósofo. Depois disso, muitas coisas ocorreram até que Sofia foi para o seu quarto e lá pensou sobre tudo que tinha passado. Ficou receosa por haver entrado na casa de seu professor e então resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas. O décimo primeiro capítulo, Aristóteles, tomando ciência que esse filósofo teceu várias criticas às ideias de Platão, uma vez que ambos possuíam visões diferentes. Aristóteles defendia que a mulher era um homem imperfeito, fazendo com que Sofia começasse a ter uma opinião própria a respeito das coisas, retrucando o filósofo. No décimo segundo capítulo, Helenismo, há uma passagem de tempo que se desenvolve pela época, passando pela Idade Média, Renascimento, Barroco, Descartes, Spinoza, Locke, Hume, Berkeley, o Iluminismo, Kant, o Romantismo, Hegel e Kierkgaard. Depois lições sobre Marx, Darwin, Freud e os filósofos do século XX. A partir dessa parte, Hilde refletia sobre tudo que lia e ao lado de Sofia passou a observar o Existencialismo, levando as duas a realizarem reflexão sobre tudo que havia ocorrido, a festa, os mistérios, os acontecimentos que se davam em um outro mundo da eternidade, como as conversas sobre a origem do universo, a teoria do Big Bang entre outros acontecimentos. A leitura da obra é bastante esclarecedora e fascinante. Conclui-se que a Filosofia é um ramo de estudo que permite a busca do saber e da verdade, descortinando o sentido secreto da realidade. O seu estudo permite ainda que proporcione melhor visão das coisas e prepare o estudante para melhor desempenhar seu papel na vida. Veja mais aqui.

EPISTEMOLOGIA & PRAGMATISMO - [...] Abandonar a epistemologia em prol da política não é desejável, é impossível; todos os enunciados de cunho político são implicitamente teorias sobre a realidade [...] A posição do pragmatista que toma “interesse”, “poder”, ou “desejo” como seu ponto de partida epistemológico [...] está sujeita à constetação. Tal contextação inevitavelmente acarretará debate em torno de como são as coisas no mundo lá fora. Falar a respeito do mundo lá fora não quer dizer necessariamente que as coisas são uma vez por todas de uma só forma ou que o conhecimento do mundo está transcendentalmente descontaminada de interesses e desejos. [...]. Trechos extraído de Two approaches in the sociology of literature (Critical Inquiry, 1988), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton. Veja mais aqui.

CONTAR ESTÓRIAS - [...] contar estórias realmente se constitui em um jogo de lingaugem distinto; um jogo que para ser jogado pede um conjunto distinto de convenções, embora essas convenções não sejam regras do significado; e o jogo da linguagem não está no mesmo nível que os jogos ilocucionários da linguagem, mas é parasitário em relação a eles. [...] Os teóricos da literatura tendem a emitir observações vagas sobre como o autor cria um mundo fictício, um mundo de romance, ou coisa parecida. Acredito que estamos em posição de fazer essas observações terem sentido. Ao fingir referir=se a pessoas e relatar eventos a seu respeito, o autor cria personagens e eventos fictícios. No caso de ficção realista ou naturalista, o autor fará referencia a lugares e eventos reais, entremeando-os com referências fictícias, dessa forma tornando possível tratar do conto fictício como se fosse uma extensão do nosso conhecimento já existente. [...]. Trechos extraídos de Expression and meaning studies in the Theory of Speech Acts (Cambridge, 1979), do filósofo e escritor estadunidense John Searle. Veja mais aqui.

O AMOR DE MÍTIA – [...] Aquela dor era tão forte, tão intolerável, que, sem pensar no que fazia, não compreendendo o que resultaria de tudo aquilo, fervorosamente uma coisa apenas, livrar-se por um instante que fosse daquela dor e não tornar àquele mundo horrível em que passara o dia todo e onde, apenas um instante atrás, estivera imerso no mais horrível e repugnante de todos os sonhos terrestres, apalpou e puxou uma gavetra do criado-mudo, apanhou a esfera fria, pesada, do revolver e, soltando um suspiro profundo e alegre, abriu a boca e, com toda a força, deliciando-se, atirou. Extraído da obra O amor de Mítia (Delta, 1964), do escritor russo Ivan Bunin (1870-1053), Prêmio Nobel de 1933.

M. CANTANDOAgora inocente dentro da profunda noite / de todas as coisas vivas e leves / libertando o que sabemos no sono. / Na tua voz fresca gritam alto / aqueles seres sem coração ou nome. / Aquelas criaturas corretas e orgulhosas / sobre as palavras de melancolia / e as sutilezas de música, / deixam a longa colheita que segam / na terra perdida de pó e chama / e movem-se para o espaço sob o nosso céu. Poema da poeta estadunidense Louise Bogan (1897-1970).

FEMINISMO POPULAR & LUTAS ANTISSISTÊMICAS
O nosso desafio é transformar o mundo, enquanto transformamos a nós mesmas e ao nosso movimento. Guacira César de Oliveira
Extraído da obra Feminismo popular e lutas antissistêmicas (SOS Corpo, 2016), de Carmen S. M. Silva, tratando sobre feminismo, mulheres e movimentos sociais, movimento das mulheres e questão do feminismo hegemônico, movimentos sociais e subjetividades coletivas, classes populares e formação do campo, grupos de reflexão ao planeta fêmea, relação com o campo político dos movimentos sociais, articulações e manifestações, participação institucional, Conferência de Beijing, a crise no campo político, a AMB, lutas nacionais, atuação em movimentos, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

Veja mais:
Uma prosa nos entreversos do amor, a música de Maestro Duda, o cinema de Marco Ferreri & Andréa Ferréol, a Conquista do Voto das Mulheres, a arte de Fernando Alves & Luciah Lopez aqui.
Centenário de Hermilo, o teatro de Augusto Boal, a música de Cussy de Almeida, a pintura de Joshua Reynolds, Ginofagia & Dia da Sedução aqui.
A arte do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Os encantos de Valkyria Freya, Paulo Freire, Daniel Goleman, a literatura de Pierre Michon,o teatro de Mario Viana,o cinema de Ferenc Moldoványi, a música de Vânia Abreu, a pintura de Carolyn Weltman, a arte de Alexis Texas, Merari Tavares, Saúde no Brasil, Fracasso Escolar & Professor e aluno aqui.
A poesia de Benhjamim Péret, Dolls & Cátia Rodrigues aqui.
Paixão, a literatura de Francis Scott Fitzgerald & Djuna Barnes, o teatro de Sarah Kane, o cinema de Ken Loach, a música de Regina Carter, a pintura de Pal Fried & Carolyn Weltman & Jane Graverol, a fotografia de Wang Huaxiang, Jurema Barreto de Souza, Gestão em Saúde, A relação entre professor & aluno aqui.
A música de Kylie Minogue, a poesia de Cláudio Manuel da Costa, o teatro de Michael Frayn,o cinema de Michel Gondry, a fotografia de Jeanine Toledo, a pintura de Carl Larsson, Lucilene Machado, Kate Winslet, Hope 2050, aecamepa, Administração Hospitalar & Síndrome de Burnout, Transtornos & Distúrbios da Aprendizagem aqui.
O alvo do pódice, Cervantes, Márcia Tiburi, Giovanni Sartori, a literatura de Rick Moody, o teatro de Mário Prata & Fernando Rojas, o cinema de István Szabó, a música de Ferruccio Busoni & Gertrud Schilde, a pintura de Omar Ortiz & Emerico Imre Toth, Rachel Weisz, Ádila J. P. Cabral, A Trajetória da Mulher & O cérebro na escola aqui.
Solfejo de uma ária amanhecida & a pintura de Max Klinger aqui.
Cecília Meireles, Pablo Milanés. Pedrinho Guareschi & O mistério da Consciência, o cinema de Jean-Luc Godard, a pintura de Johan Christian Dahl, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Costinha, O sufrágio feminino & Programa Tataritaritatá aqui.
Leibniz, Manoel Bentevi, Alceu Valença, Helena Cristina & Programa Tataritaritatá aqui.
Hermann Hesse, a poesia de Wislawa Szymborska, a literatura de Evelyn Lau, a música de Christoph Willibald Gluck & Daniella Alcarpe, a fotografia de Bárbara Angel aqui.
Franz Kafka, a pintura de Anna Chromý, a música de Leoš Janáček & Karyme Hass & Ibys Maceioh aqui.
Adolfo Casais Monteiro, Roberto Burle Marx, a música de Astor Piazzola, a poesia de Antonio Miranda, Adriana Garambone & Doro na Copa do Mundo aqui.
O cinema de Jean Cocteau & Elizabteh Lee Miller, a música de Márcia Novo & Felipe Cerquize aqui.
Frida Kahlo, Alberto Nepomuceno & Luciah Lopez aqui.
Marc Chagall, Gustav Mahler, Artur Azevedo, Lampião & Bee Scott aqui.
Fritz Perls, Procópio Ferreira, Moraes Moreira, Doro na Copa & Programa Tataritaritatá aqui.
Manuel Bandeira, Violeta Parra & Mercedes Sosa, Ana Botafogo & Blitz-krieg do Mineirão aqui.
Marcel Proust, Carl Orff, Mestre Vitalino, Jacob Abraham Camille Pissarro & Rachel Levkovits aqui.
Carlos Gomes & Quinteto Violado, Sérgio Buarque de Holanda, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Lygia Fagundes Teles & Pomba enamorada ou uma história de amor aqui.
A poesia de D. H. Lawrence & Milene Possas Sarquissiano aqui.
A poesia de Pablo Neruda, a Música de Jane Monheit & a fotografia de Colette Standish aqui.
A poesia de Raymond Radiguet, a pintura de Thereza Toscano & Para sempe Lilya aqui.
Encruzilhadas aqui.
Arthur Schopenhauer, Johann Nikolaus Forkel, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Luís Buñuel, Iremar Marinho & Bestiário Alagoano aqui.
Karl Theodor Jaspers, Pablo Picasso, Georg Friedrich Händel, Fernanda Seno, Eva Green & Demi Moore, Tom Wesselmann & Soninha Porto aqui.
Os crimes contra a administração pública aqui.
Homofobia, sexualidade, bissexualidade & educação para as diferenças aqui.
A mulher assíria-babilônia & outras tiradas, sacadas & outros tataritaritatás aqui.
Interpretação dos sonhos de Freud, Psicopatologia, Semiologia & Comunicação Linguística aqui.
De todo jeito é bom & Programa Tataritaritatá aqui.
Diário de um sedutor de Kierkegaar & Se não chover aqui.
Os cânticos de Salomão, Anna Akhmatova, a música de Carl Reinecke & Elza Soares, Chico Buarque & as chicólatras, Fecamepa & Naldinho Freire aqui.
Ernesto Sábato, Nelson Rodrigues, Antonio Cândido, Betty Lago, OVNI, A chegada dela no prazer da tarde & Programa Tataritaritatá aqui.
Mahatma Gandhi, George Orwell, Maurren Magg & Rick Wakeman aqui.
Autran Dourado, Thomas Mann, Gilberto Gil, Luiza Possi & Célia Demézio aqui.
Guimarães Rosa, Milton Nascimento & Caetano Veloso, Isabelle Adjani, Zezé Motta, Rejane Souza, Rafael Nolli & Sóstenes Lima aqui.
Luigi Pirandello, Jean-Jacques Rousseau, Pat Metheny, Mel Brooks, Peter Paul Rubens & Maurice Quentin de La Tour aqui.
Antoine de Saint-Exupéry, Paul Klee, Aarre Merikanto, Colin Hay, Clóvis Graciano & Cris Braun aqui.
Emily Brontë, John Gay, Fryderyk Chopin, Yngwie Malmsteen, Floriano Martins, Maria Luisa Persson & Julia Crystal aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora estadunidense Harriet Hosmer (1830-1908). 
Veja mais aquiaqui.

quinta-feira, fevereiro 22, 2018

ŽIŽEK, GIROUX, HALLDÓR LAXNESS, JOSEPH BENNET, JACOB DE HAAN, CRIS OLIVEIRA, JANINE JANSEN, YVONNE JEANETTE KARLSE, CORLISS LESSER, DAY WILLIAMS & JUSTINITA

A SINA DE JUSTINITA – Imagem: Lady Justice under fire, art by Day Williams. - Desde o dia em que fora atropelada pela cabrita, ocorrera uma drástica transformação no comportamento de Justinita. Ao pensar se ao invés do golpe caprino fosse ela recolhida pelo caminhão desgovernado, hoje estaria de pés juntos no reino dos esquecidos. O destino assim quisera, ela refeita do susto. Esse fato fizera repensar a vida e pode perceber ao seu redor a miséria dos famintos, o desamparo dos despejados, o sofrimento dos desvalidos, o desespero dos desabrigados. Aos seus olhos isso tudo era injusto, Deus não promoveria tanto sofrimento à toa, por certo haveria outra razão para tal desgraça. Homens, mulheres, crianças, idosos, tanta gente supliciada, tudo isso provocava nela um ar de soturnidade jamais visto na sua sempre sorridente forma de ser. Tinha de fazer alguma coisa, não sabia, logo descobriria. E assim passou dias imaginando como saber a verdade e ajudar os pobres coitados que sofriam em todos os lugares pela periferia da cidade. Voluntariamente passou a assistir os necessitados, visitando abrigos, hospitais, penitenciárias, manicômios, e a cada visita chorava com tanto meninos e meninas cancerosas, tantos macróbios abandonados, tantos pobres desassistidos, tantos presos amontoados, era sofrimento demais para sua sensibilidade. Nas suas visitas levava o que podia de alimentos, abraços, palavras amigas, lágrimas de solidariedade. Mas logo percebeu que caridade não resolveria, dia mais dia, nada mudaria se ficasse apenas na filantropia, precisava fazer algo mais e não sabia. E usou de sua jovialidade encantadora para promover campanhas em defesa dos desassistidos. Por ser uma jovem bela e sedutora, muitos simpatizantes logo acorreram em socorro e aumentaram o prestígio das suas manifestações. Cobiçada por todos os marmanjos da cidade, não demorou muito a ser disputada por advogados, promotores, juízes, desembargadores e até ministros que lhe prometiam fundos vultosos para seus pleitos, afora o apoio irrestrito no que ela pretendesse realizar para alcançar seus intentos. A sua causa logo alcançou a marca de milhões de participantes, chegando mesmo a ter ações como a construção de casas populares, assistência médico-hospitalar gratuita para os enfermos, assistência social para os desamparados, enfim, tornou-se o símbolo da defensora dos pobres e oprimidos. Logo cogitaram filiações partidárias para pleito eleitoral, ao que ela imediatamente rechaçou alegando completa descrença nas coisas de política e nas promessas eleitoreiras, deixando claro que se os políticos e autoridades até então nada fizeram por tais problemas, não seria agora que partidos e gestores tomariam a iniciativa de fazê-lo. Não, mil vezes disse não, alegando a partir de agora ser a responsabilidade de cada ser humano a preservação da sua espécie, promovendo a existência do outro na verdadeira iniciativa pela proteção e promoção do exercício da cidadania e dignidade da pessoa humana entre todos e isso começava por ela, era o seu exemplo, quem quisesse que seguisse. Contudo, não contava ela com as astúcias ardilosas dos cortejadores, entendia que era presenteada não por algo em troca, mas pela sensibilização das pessoas por sua causa. Jamais previra a incestuosa intenção de um seu irmão de criação agora representante do Ministério Público, nem a investida estupradora de um primo em terceiro grau, muito menos que seria vendada pelo juridiquês de advogados, a ponto de não ver mais nada e enredada numa teia de tenebroso coral barítono, Eu não vejo nada, e mãos tateavam suas carnes por baixo de suas vestes, pegavam-lhe dos pés à cabeça a puxar-lhe a calcinha pernas abaixo, a soltarem o sutiã, remover-lhe as vestes e deixa-la nua desamparada, pegada, puxada, levada, agarrada, beliscada, apertada, e uma grave voz: Cumpra-se! E mais era tomada por muitas mãos na sua cegueira, e riam cochichando que ia dormir com o juiz no primeiro sono, muitos juízes, e com desembargadores o segundo o sono, e com os ministros o terceiro sono, e ouvia e tentava se soltar e acorrentada por mãos e riam, murros em mesas, gritos exigindo silêncio, muitas vozes no seu juízo e sentiu a vagina invadida por um pênis enlouquecido, muitos outros e tantos pênis se enfiavam nela, no seu ânus, sua boca, ouvido, muitos e mais pênis esfregando-se em suas faces, ao pescoço, aos ombros, seios, mãos, entre as pernas e coxas, costas e ventre, gargalhadas insolentes explodiram enquanto sentia a urina deles sobre seu rosto e corpo, chamavam-na de puta, gritavam safada, quenga, puta, puta, e quanto mais relutava mais era fodida, cuspida, mijada, seviciada, nada podia fazer senão desmaiar e morrer, nunca mais acordar. Ao recobrar os sentidos, nua algemada, vendada e amordaçada, o frio e vozes como solenidade do Tribunal do Juri, muitas vozes de ambiente repleto de gente e ela ali desamparada entre sentenças e penas. Não sabia nada, não via nada, nada podia fazer ali, nada mais a fazer por nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: Bound Justice, art by Corliss Lesser.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor holandês Jacob de Haan: Concerto d’ Amore, Ross Roy, Utopia & Pacific Dream; a interpretação da virtuosa e belíssima violinista e violista holandesa Janine Jansen: Concert Tchaikovisky Live, Four Seasons Vivaldi e Concert Violin Dvorak; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ensinar, nos termos de Paulo Freire, nãoé simplesmente estar na sala de aula, mas estar na hostória, na esfera mais ampla de um imaginário político que oferece aos educadores a oportunidade de uma enorme coleção de campos para mobilizar conhecimentos e desejos que podem levar a mudanças significativas na minimalização do grau de opressão na vida das pessoas. [...]. Extraido da obra Um livro para os que cruzam fronteiras (Cortez 1996), do pedagogo e crítico cultural estadunidense Henry Giroux.

DESERTO DO REAL - [...] Sempre que cencontramos um mal tão puro no exterior, devemos reunir a coragem para apoiar a lição hegeliana: nesse exterior puro, nós devemos reconhecer a versão destilada de nossa propria essência. Pois nos últimos cinco séculos a prosperidade e paz (relativas) do Ocidente “civilizado” foram compradas pela exportação de impiedosa violência e destruição ao Exterior “bárbaro”: a longa história desde a conquista da América ao massacre no Congo. Por mais que soe cruel e indiferente, nós também deveríamos, agora mais do que nunca, ter em mente que o efeito desses ataques é de fato muito mais simbólico do que real. [...] Os EUA apenas experimentaram o que acontece no resto do mundo diariamente, de Sarajevo a Grozni, de Ruanda e do Congo a Serra Leoa. Se forem adicionados à situação em New York atiradores de elite e estupros em massa, é possível ter uma ideia do que era Sarajevo uma década atrás. Foi quando assistirmos na tela de TV ao colapso das duas torres do World Trade Center que se tornou possível experimentar a falsidade de “reality shows” da TV: mesmo se esses shows forem “de verdade”, as pessoas ainda atuam neles – elas simplesmente atuam como elas mesmas. [...]. Trechos extraídos da obra Bem-vindo ao deserto do real: cinco ensaios sobre o 11 de setembro e datas relacionadas – Estado de Sítio (Boitempo, 2003), do filósofo, teórico crítico e cientista social esloveno Slavoj Žižek. Veja mais aqui e aqui.

A ESTAÇÃO ATÔMICA – [...] E como essas palavras de uma saga soavam falso, em sua boca, tentou dar=-lhe peso, atirando-se em cima de mim. Bateu-me, várias vezes, com seus punhos serrados. Depois tentou morder-me, mas não o permiti. Acabou perdendo a vontade de lutar comigo e quando viu que não conseguia desembaraçar-se voltou ao vestíbulo e lá, bem no meio do aposento, após a luta, deixou escorregar, de seus ombros magros, até o chão o casado de pele, como se o estivesse perdendo. E lá o deixou, como se abandonasse uma pele de animal dos encantamentos. Voltara a ser uma menina, com seus gestos desajeitados e desarticulados. Encolheu-se a um canto do sofá, o queixo nos joelhos, os pinhos fechados sobre os olhos e pos-se a chorar: a princípio, com grandes soluços e grandes suspiros, depois, lamuriante como uma criança que se lamenta. Então vi que não se tarataba apenas de comédia. Ou seria uma comedia bem representada? Tentei aproximar-me dela, com o máximo de precaição possível [...] O resultado dessa discussão foi que a senhorita Sangue de Maçã nada fez do que ameaçou. Por sua vez, não iria suicidar-se, nem mataria seu amante. Mas pediu-me licença para dormir comigo o resto da noite, porque era pequena e tinha os nervos fracos, enquanto eu era robusta e vinha do campo. [...]. Procurei com o olhar o caminho mais curto para sair dessa praça, apertei meu buquê de flores contra o peito e pus-me a caminhar. Que preço teria tido a vida, a meus olhos, se essas flores não tivessem existido? Trechos da obra A estação atômica (Delta, 1966), do escritor islandês Halldór Laxness (1902-1998), Prêmio Nobel de 1955.

OUTONALAndas sobre o outonal assoalho, onde o seu corpo, / dela, sob três pés de folhas decompõe-se / imensos membros seus trazidos pelo vento. / E nos montes de terra o cavalo furioso / mergulha, vira e corre através de tal carne. / Ela, a flama outonal, a carne em taça molda, / onde sólida e espessa a carne impede o vento. / A fumaça a fluir do arruinado cadáver / oculto à palidez no intimo da pele / e a urina as folhas suja embaixo do cavalo. / O sentido da massa envolve estes cavalos / ao tempo emque um a um mergulha sobre a carne. / A sempre devagar liquescência da pele / é o espesso queimar do cadáver corrupto. / Esra plimagem trela ao vento solta livre! / Nesse vento a fluir os gases que se evolam / as memórias arrancam do afogado cavalo. / As árvores, largando a carne, cegas vão. / A folha a se erodir na fusão do cadáver. / As fissuras se abrindo em chamas pela pel. / Suporta a forte vinha o impulso sob a pele. / Combustivel suporta o óleo espesso da carne, / o gás a vista ensopa ao cavalo enforacado / as chamas a jorrar pelos poros do vento / pegam o focal estilo achado no cadáver. / Cadáver em chama nu exposto a todo vento / o cavalo a arder se difundindo em pele / a folha a extinta folha a correr sobre a carne. Poema do poeta estadunidense Joseph Bennet.

O LEITO POR DETRÁS DO RIO, DESTILAR A PELE
O leito por detrás do rio, destilar a pele é um solo concebido e interpretado pela atriz Cris Oliveira, resultado da pesquisa interdisciplinar sobre a percepção e os cinco sentidos, em especial o tato. A experiência partiu da interação da pele com os elementos: leite, mel, água, óleo e sangue. A temática trata dos limites do corpo e a re-materialização da própria identidade, enquanto substância. O trabalho apropria-se do sentido filosófico e alquímico dos elementos na busca por transformação.

Veja mais:
Justinita & a cabrita braba, o pensamento de Amartya Sen & Zilda Arns, a crônica de Kledir Ramil, o cinema de Penny Marshall & Elizabeth Perkins, a arte de Dorina Costras, a música de Arnaldo Antunes & Roberta Sá aqui.
Rascunho solitário, a literatura de Arturo Ambrogi, a música de Edino Krieger, a pintura de Camille Corot & a arte de Jim Thompson aqui.
Gato escaldado pra se enturmar é um pé na frente e outro atrás, a música de Sonia Bach, a fotografia de Mariana Beltrame & a pintura de Umberto Boccioni aqui.
Quando te vi na Crônica de amor por ela, Marques Rebelo, Eduardo Giannetti, Luzilá Gonçalves, Francis Poulenc, William Shakespeare, Patrícia Petibon, Anatol Rosenfeld, Anésia Pinheiro Machado, Marcela Rafea, Franz von Bayros, Asztalos Gyula & Magda Zallio aqui.
Marguerite Duras & Todo dia é dia da mulher aqui.
Pagu – Patrícia Galvão & Todo dia é dia da mulher aqui.
Serenar na Crônica de amor por ela, Dinah Silveira de Queiroz, Jacques Prévert, Validivar, Paulo Santoro, Arieta Corrêa, Wong Kar-Wai, Manuel Puig, Peter Greenaway, Elisete Retter, Shirley Kwan, Agi Strauss, A educação e seus problemas & Lilian Pimentel aqui.
A árvore de Humberto Maturana & Francisco Varela, Darel Valença Lins, Luiz Melodia, Terra Oca & Lady Francisco aqui.
Debussy, Pierre Bonnard, Laurindo Almeida, Carl Rogers, Emily Greene Balch & Pós-Modernidade aqui.
Projeto Tataritaritatá aqui.
Educação, Sexualidade & Orientação Sexual aqui.
Big Shit Bôbras: Ói nois aqui traveiz aqui.
Big Shit Bôbras: o despranaviado geral aqui.
A campanha do Doro Presidente aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha enfiou-se na bronca da vida e num teve quem desse jeito aqui.
O que deu, deu; o que não deu, só na outra aqui.
Aprendi a voar nas páginas de um livro aqui.
Canção de quem ama além da conta aqui.
Inutescência & Maria Luísa Persson aqui.
Ulysses Gaze, Eleni Karaindrou & Kim Kashkashian, Tunga & Giuseppe Gioachino Belli aqui.
Steven Pinker & Lou Vilela aqui.
Psicanálise & Roger Cruz aqui.
Nélida Piñon, Oduvaldo Vianna Filho & Júlio Pomar aqui.
O pensamento de Arthur Schopenhauer aqui e aqui.
O cinema de Luis Buñuel aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte de Andy Warhol aqui e aqui.
Dia Branco, Ítalo Calvino, Isaac Newton, Henrich Heine, Mark Twain, Moisés, John Watson, Meio Ambiente & Programa Tataritaritatá aqui.
As muitas e tantas do Rei Salomão aqui.
Cantiga de amor pra ela & Programa Tataritaritatá aqui.
Haroldo de Campos & Jacques Lacan aqui.
Tempo & Expressão Literária de Raúl Castagnino & Totem e Tabu de Freud aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Yvonne Jeanette Karlse.
Veja mais aqui.

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

JOSÉ PAULO PAES, ANAÏS NIN, VYGOTSKY, CAETANO VELOSO & MARIA BETHÂNIA, JORGE LARROSA, EDUARDO AFONSO VIANA & ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

E SE NADA ACONTECESSE... NADA VALERIA! – Imagem: Revolta das bonecas (1916), do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967). - UMA: O QUE FEZ OU DEIXOU DE FAZER – No princípio era a escuridão, quanto tempo, não sei, nove meses, ou oito, ou sete, sei lá, sei a porteira do mundo se abriu e à palmada eu chorei, nada sabia o que me reservava, apenas perdia a face de Deus ancorado na dispersão. Para quem merece, era eu um entre milhares ou milhões, outra vida dentro de outras que era a minha e outra e quase dela e quase minha, vencia as madrugadas, renovado a cada treva, cada sombra, de quase não salvar a graça nem a integridade. Eu mesmo me tinha por outro, não sabia, era eu e ela uma coisa só, aos olhos o que não era visto mas que existia e sempre existiu e existirá, não coisa de outro mundo, senão deste mesmo, nem isso sabia, sentia. Em nome da minha própria vida quantos verões invernaram nas primaveras estivaise eu sempre me vesti de mim mesmo, mesmo que me fizessem por outro, a roupa do corpo o que sempre tive por viagens sem volta, sem vestígios e eu seguia o meu e era um caminho contrário ao de todos, a minha própria biografia, minha história fora de todos os moldes, formas e fórmulas, a minha vida, nada mais. Monarca da minha miséria eu crescia a me rebelar da cegueira e da surdez por barulhentas travessias, a me perder no meio da paixão, povoado de sonhos e lendas, e a imaginação miúda sabia o que nunca foi lido, escondido por trás de toda obviedade. Procurei a tomada do êxito, não era, era mastigando caligens, exumando o passado entre alguns mansos e tantos zangados, poucos lembram, muitos esqueceram e eu falando em voz alta com a solidão, a insólita imagem do meu próprio rosto e eu na minha desolação mais via a face de Deus, quando o meu poema saiu do sótão e foi pro inferno: o preço da liberdade. Fui capaz de atiçar o ímpeto da carne e sem medir palavras o alarme geral me denunciou e me vi sujeito a choques enquanto simulava o anonimato, até ser flagrado pela disciplina da fôrma, a confusão da dor nas veias a me arrastar, até chegar ao morro alto, tão alto, do frio esquentar os dedos nas estrelas quando tudo era inútil. Até aí eu era tantos e os outros eram em mim invisíveis tomando a vez e o caos para aprender o amor a me aprimorar, rejuvenescer, revitalizar, mas isso era nada, eu também nada no mundo no qual só valia ter e não tinha nada pra vender nem pra trocar, apenas viver. DUAS: SALA DE AULA - Era eu e muitos sequiosos aboletados, olhos às nucas, enfileirados no espaço, quase centena onde só caberia não mais de algumas dezenas, sardinhas na lata, quantos interditos e nenhum pio pra sapiência absoluta deitar imbróglios com seus apodos à queima-roupa e gestos de ordem, sanções de lâmina fria e afiada na fala siderada com suas exegeses menores que suas próprias palavras e seu próprio tamanho diante do nariz e quase ofensa, quem era quem, quem disse o quê e transigir, era a psicologia da manada engolindo todos e qualquer passo em falso já me delatavam desertos, a queda de quem queria ocupar uma porção da vida sem saber ao certo onde ela pudesse estar porque tudo era a torre da derrota no apontamento da ideologia, pra depois se esvair na purgação voluntária e marcas indeléveis, dilacerantes hesitações povoando a mente com a sedutora serpente falante fabricando o desordenado, o desequilibrado, as angústias em não sei quantas páginas do caderno de zis matérias, e a cada sete anos as sombras de insanidade por epifanias até a perda do paraíso, quantas questões e efusões amorosas, hierofanias para tantas impossibilidades, não havia o que aprender, só repetir e decorar, tudo aos pedaços como se fosse a mais poderosa verdade e não era. Assim, desde que o mundo é mundo. Na primeira investida da dúvida: Sai pra lá, lambaio! Em bom português: Te vira, meu! E metia o sarrafo no pomba-lesa e saia arrolando os pormenores do atoleiro por catábases que davam pra morte tomada a prestação, numa raiz quadrada com a prova dos nove para um posto avançado no fim do mundo, cheio de charcos e descampados, mil conjeturas, pelos rodeios pro lamaçal de coisas insensatas, a meter medo de coisas que não fazia a menor ideia, o pavor dos mortos e dos fantasmas com seus horrores de segunda mão e isso era o certo como dois e dois são quaisquer coisas que quisessem os superiores donos da razão e do saber. Para ser franco, nos atalhos do raposário e aos maus conselhos do tinhoso, era dado como caso perdido, um sujeito malcriado e respondão à mercê de tantas esquisitices do tempo de ninguém, até se achava ao direito de mesuras, reprimendas fatais e zombarias pra tonto: Você é doido ou está se fazendo, hem? Ora, faça-me um favor! Davam o que falar, azo para mexericos, ah, cara ou coroa do tempo das cavernas, vigarices, esporros e bisturis morais, quejandos do contra, haja jogo de cintura, cada um com seu cada qual: dialetos, etiquetas, grunhidos, tacapes, manias de assepsia, recriminações, insanidade e amputações, cirurgias de não, suturas de deveres, curativos de enquadramento, quantos naufrágios. Ao soçobrar, um raio nas pálpebras e os sons incomuns das novidades, cenários insólitos, os olhos sabiam ver para desvendar, mas não deixavam, teve que dar um bico nas questões atinentes ao tempo e ao espaço, causa ou efeito, noções intuitivas, afinal tudo é uma teia de relações entre as diversas partes de um todo unificado. Como não era de decorar o ditado nem copiar o escrito alheio de próprio punho por obrigação, havia uma ponta de dignidade e amor próprio e, por opção, escolheu a liberdade e a vida, por conta disso tanto fazia estar no topo do monte ou morrendo afogado numa poça d’água qualquer. TRÊS: A SAIDEIRA DA DESARRUMAÇÃO - Ainda ontem eu vi coisas de hoje em dia: gente revanchista com arrazoado meter o pau no projeto futuro pelo que não amealhou no passado e agora, levar tudo nas coxas sem a menor articulação, falar por falar com carradas de razão, cuspir desavença dono da verdade, chamar na grande o que não sabia por não enxergar um palmo além do nariz, protestar sem vergonha pelo que desdizia, revogar o proposto por entender ao contrário, pleitear o diverso em detrimento do próprio anseio e, surpreendentemente, condenar o próprio interesse por não entender o que defendia, rebelde sem causa pra ser simplesmente do contra e quando o resultado final é o malogro constatado, aí não, ah, quer que todo processo legítimo seja anulado simplesmente porque contrariou tudo que defendia, ou melhor, acusava, ou sei lá o que realmente queria. Ora, ora. Qualquer semelhança não é só mera coincidência como coisa comum no dia a dia. Gente é coisa muito complicada, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o cantor, compositor, músico, produtor, arranjador e escritor Caetano Veloso: Zii & Zie ao vivo, Multishow ao vivo & Circuladô de fulô; e a cantora e compositora Maria Bethânia: O canto do Pajé, Maricotinha ao vivo & Amor festa devoção; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que somos ou, melhor ainda, o sentido de quem somos,d epende das histórias que contamos e das que contamos a nós mesmos. Em particular, das construções narrativas nas quais cada um de nós é, ao mesmo tempo, o autor, o narrador e personagem principal. Por outro lado, essas histórias são construídas em relação às histórias que escutamos, que lemos e que, de alguma maneira, nos dizem respeito na medida em que estamos comelidos a produzir nossa história em relação a elas. [...]. Pensamento extraído de Tecnologias do eu e educação (Vozes, 1994), do professor e educador Jorge Larrosa. Veja mais aqui

PENSAMENTO & PALAVRA - [...] A relação entre o pensamento e a palavra não é uma coisa mas um processo, um movimento continuo de vaivém, engre a palavra e o pensamento; nesse processo a relação entre o pensamento e a palavra sofre alterações que, também elas, podem ser consideradas como um desenvolvimento no sentido funcional. As palavras não se limitam a exprimir o pensamento: é por elas que este acede à existência... O pensamento e a palavra não são talhados no mesmo modelo: em certo sentido há mais diferenças do que semelhanças entre eles. A estrutura da linguagem não se limita a refletir como num espelho a estrutura do pensamento; é por isso que não se pode vestir o pensamento com palavras, como se de um ornamento se tratasse. O pensamento sofre muitas alterações ao transformar-se em fala. Não se limita a encontrar expressão na fala; encontra nela a sua realidade e a sua forma. Trecho extraído da obra Pensamento e linguagem (Antídoto, 1979), do cientista e psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934). Veja mais aqui e aqui.

MARIANNE – [...] Essa jovem, Marianne, era pintora, e datilografava à noite para ganhar um dinheiro. Tinha uma aureola de cabelos dourados, olhos azuis, rosto redondo, seios fartos e firmes, mas tinha tendência a ocultar a opulência de seu corpo em vez de exibi-la, de disfarça-la sob trajes boêmios disformes, jaquetas folgadas, saias de colegial, capas de chuva. Ela vinha de uma cidade pequena. Tinha lido Proust, Krafft-Ebing, Marx, Freud. (…) Nada a havia tocado profundamente. Ainda era virgem. Eu podia sentir isso quando ela entrava na sala. Do mesmo modo que um soldado não deseja admitir que está amedrontado, Marianne não queria admitir que era fria, frigida. Mas estava fazendo psicanálise. Trecho extraído de Delta de Vênus (Artenova, 1978), da escritora francesa Anaïs Nin (1903-1977). Veja mais aqui e aqui.

CONVITE - Poesia / brincar com palavras / como se brinca / com bola, papagaio, pião. / Só que / bola, papagaio,pião / de tanto brincar / se gastam. / As palavras não: / quanto mais se brinca / com elas / mais novas ficam. / como a água do rio / que é água sempre nova. / como cada dia / que é sempre um novo dia. / Vamos brincar de poesia? Poema do poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988). Veja mais aqui.

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Art.1 É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, data de início de sua vigência no plano interno. Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: I – os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II – os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III – a limitação no desempenho de atividades; e IV – a restrição de participação. § 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.
Trechos da Lei nº 13.146/2015 - Estatuto da pessoa com deficiência (Senado Federal/CET, 2015). Veja mais aqui, aqui e aqui.
  
Veja mais:
Existe gente pra tudo!, Vanmegaprana, a escultura de Josefina de Vasconcelos, Todo dia é dia da mulher, a música de Anelis Assumpção, a arte de Harriet Hosmer & Banksy aqui.
Simulacros, Roberto Remiz & Nina Kozoriz aqui.
Bernardo Guimarães, Nina Simone & Darel Valença Lins aqui.
António Damásio, Pierre-Jean de Béranger & Marcia Lailin aqui.
Descartes & Margarethe Von Trotta aqui.
Coelho Neto & Logoterapia aqui.
A poesia de Wystan Hugh Auden, a literatura de Stanislaw Ponte Preta & Anaïs Nin, A música de Francisco Manuel da Silva, A pintura de Alberti Leon Battista, Maria de Medeiros & Luli Coutinho aqui.
Hypatia & Ágora, o filme aqui.
Inesquecível viagem ao prazer & Lucia Helena Galvão Maya aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a corda arrebenta, a covardia fica de plantão aqui.
O pensamento de Baruch Espinoza aqui, aqui e aqui.
Conversa de pé de ouvido, As presepadas de Doro, Erasmo de Roterdam, O peido & a Educação, Fernando Fiorese, A primavera de Ginsberg, Graciliano Ramos & Alagoas aqui.
A balsa da Medusa aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Antígona de Sófocles aqui.
Reflexões de metido em camisa de onze varas, Ralph Waldo Emerson, Síndrome de Klüver-Bucy, Isaac Newton, Viviane Mosé, Carl Gustav Jung & Sabina Spielrein, Cloltilde de Vaux & Auguste Comte aqui.
Remexendo as catracas do quengo e queimando as pestanas com coisas, coisitas e coisões, Débora Massmann, Boaventura de Souza Santos, Terêncio, O Fausto de Goethe, Ética, Saúde no Brasil & Big Shit Bôbras aqui.
A música de Nando Lauria aqui.
Charles Baudelaire, Gianni Vattimo, Sören Kierkegaard, Tribo Ik, Adriano Nunes & Do individualismo possessivo ao umbigocentrismo da futilidade aqui.
Pobreza aqui.
Paulo Leminski, Mestre Eckhart, Moisés Maimônides, Píndaro, A oniomania & o Shopaholic, Gilton Della Cella & Programa Tataritaritatá aqui.
A explosão do prazer no Recife, Educação, Manoel de Barros, Gaston Bachelard, Luiz Ruffato, John Dewey, Marcelino Freire, Ottto Maria Carpeaux, Armando Freitas Filho & Programa Tataritaritatá aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor português Eduardo Afonso Viana (1881-1967).
Veja mais aqui.

MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...