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quinta-feira, julho 27, 2023

SILVINA OCAMPO, VIOLA DAVIS, FRÉDÉRIC GROS, LEONARDO DA VINCI & ARTE VISUAL NA ESCOLA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns I Just Want To Sing (Hard Bop, 1995), Sophisticated (Hard Bop, 1991), I Walk Along (Hard Bop, 1989) e do DVD Dorothy Donegan: Pandemonium (Arkadia, 2008), da pianista estadunidense Dorothy Donegan (1922-1998).

 

UM SOLILÓQUIO A MAIS VEZOUTRA – Mãos e pernas trocadas levei a vida: cuspe na cara que só. As graças femininas e a ranzizice dos marmanjos davam o tom da coisa: leve a sério ou se estrepe! Da primeira, já era (nunca!); na segunda, me lasquei: caí no território de Têmis e fui capturado por ela. A sua balança inexorável foi muito severa comigo, o que não reclamo. Afinal, se ela mantinha a firmeza e não me perdoava, pelo menos me guardou em sua cama a me ensinar desnuda os segredos da vida embaixo dos lençóis. Foi ela, inclusive, quem me disse de Ludvík Vaculík. A liberdade só existe onde não é invocada... Nem prestei a atenção direito porque, logo após, chutou-me a bunda: Agora volta pra vida e aprenda. Eita! Não foi fácil, nem poderia: na vida tudo é imprevisível, haja paradoxo. E eu que nunca tive certeza de nada, simplesmente singrava as aporias pelos devires. Não fosse a viúva Tereza de Benguela se achegar ao meu claustro, não saberia eu: domínio só serve para si, auto. Revelações surgem de lá e além. Mil maneiras de cantar o silêncio. Facúndia é coisa pra enrolão. Sol brilha em todas as direções. Há sempre outros caminhos e lá se vão os anos e os anéis, quase os dedos. Sílaba não é só assoletrar, tem de sentir. Ora, para quem uma biografia sujeita ao sujeirômetro: o culpado no espelho, assustei meus muitos fantasmas e não sei se me tornei melhor ou pior depois disso. Descalço pela espessura das pegadas e ciladas bumerangues faço o melhor que posso. Sou reles feliz vagalume, beiro a quase nada: pego um sorriso e vou adiante. Até mais ver.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível. A pintura é a poesia que é mais vista do que sentida, e a poesia é a pintura que é mais sentida do que vista. Um pintor deve começar cada tela com uma camada de preto, porque todas as coisas na natureza são escuras, exceto quando expostas à luz. O pintor tem o Universo na mente e nas mãos. A lei suprema da arte é a representação do belo. Tudo o que é belo morre no homem, mas não na arte. O objetivo mais alto do artista consiste em exprimir na fisionomia e nos movimentos do corpo as paixões da alma.

Pensamento do polímata italiano Leonardo di Ser Piero da Vinci (1452-1519), mais conhecido como Leonardo da Vinci. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DESENHO, PINTURA, ARTE VISUAL – Sempre apreciei artes plásticas e tive desde tenra idade muitas predileções pelas obras de muitos pintores. Nunca me vi desenhando nem pintando, mas depois de sessentão e sob a solidão da pandemia, não deu outra. Confesso, ao longo da minha vida cometi umas e outras sapecadas de tintas em tela e feito algumas colagens, nada que se salvasse. Já bulia com música, teatro e literatura, sempre inquieto inventei de fazer umas colagens e percebi minha limitação. Foi então que participei durante a pandemia de um curso de desenho e pintura no IbaValeUna. Aí me surpreendi com a possibilidade de desenhar e pintar, graças os incentivos e ensinamentos iniciais dos amigos Paulo Profeta e José Durán y Durán. Parti então para um curso de Artes Visuais, ministrado por professores da USP/MAC, ocasião em que fui mais ainda tentado a cometer meus garranchos agora visuais. Foi um longo e aprazível curso. Depois outro curso na mesma área pela Fundação Stickel (RJ) e não parei mais. Exemplo disso: nas ilustrações daqui do blog do Acervo ArtLAM. Se já levava a música, o teatro e a literatura para a área da educação, acrescentei mais essa. E fui levado inicialmente pela leitura da obra Fundamentos estéticos da educação (Papirus, 2002), do professor João Francisco Duarte Júnior que me ensinou: [...] A arte está com o homem desde que este existe no mundo ela foi tudo o que restou das culturas pré-históricas. Apenas a constatação deste fato elementar a universalidade e permanência do impulso estético já é razão suficiente para que se reconheça a importância da arte na constituição do humano. [...]. Foi dessa que fui pra outra leitura do estudo sobre Artes visuais (Artes II-MG, 2008), da professora Maria Eugênia Albinati: Uma obra de arte não é a representação de uma coisa, mas a representação da relação do artista com aquela coisa. [...]. Quanto mais se avança na arte, mais se conhece e demonstra autoconfiança, independência, comunicação e adaptação social. [...]. Desse estudo fui pra obra Para gostar de aprender arte: sala de formação de professores (Artmed, 2003), da professora Rosa Iavelberg que me esclareceu: [...] A arte promove o desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos necessários a diversas áreas de estudos; entretanto, não é isso que justifica sua inserção no currículo escolar, mas seu valor intrínseco como construção humana, como patrimônio comum a ser apropriado por todos. [...].

 

ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO – Foi, então, que resolvi me aprofundar do tema e partir para a leitura da obra A imagem no ensino da arte (Perspectiva, 1994), da professora Ana Mae Barbosa que sempre defendeu que: [...] Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas, estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e móvel, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. Essa decodificação precisa ser associada ao julgamento da qualidade do que está sendo visto aqui e em relação ao passado. [...]. Dos seus ensinamentos fui a obra Sintaxe da linguagem visual (Martins Fontes, 1997), de Donis Dondis, ensinando que: [...] Ao aprender a ler e a escrever, começamos sempre pelo nível elementar e básico, decorando o alfabeto. Esse método tem uma abordagem correspondente no ensino do alfabetismo visual. Cada uma das unidades mais simples da informação visual, os elementos, deve ser explorada e aprendida sob todos os pontos de vista de suas qualidades e de seu caráter e potencial expressivo. [...] Os educadores devem corresponder às expectativas de todos aqueles que precisam aumentar sua competência em termos de alfabetismo visual. Eles próprios precisam compreender que a expressão visual não é nem um passatempo, nem uma forma esotérica e mística de magia. Haveria então, uma excelente oportunidade de introduzir um programa de estudos que considerasse instruídas as pessoas que não apenas dominassem a linguagem verbal, mas também a linguagem visual. [...]. Foi daí que tive acesso ao livro Arte na educação escolar (Ibpex, 2008), de Bernadete Zagonel: [...] apesar de o ensino de Arte ser parte obrigatória do currículo, não há interesse, por parte de muitas escolas e de seus diretores, em que esse ensino se faça com qualidade e seriedade [...] No entanto, alguns princípios devem nortear o ensino de Arte no mundo contemporâneo, que vão desde a postura do professor até os conteúdos por ele selecionados, devendo-se considerar, de todo modo, aquilo que se espera que os alunos desenvolvam [...] despertar o indivíduo para a experiência estética e sensibilizá-lo para as artes é mais importante do que lhe transmitir informações teóricas a respeito delas [...] O que podemos esperar, sim, e almejar, é um professor sensível e disposto a enfrentar desafios. Um professor apaixonado pelo que faz, pelos seus alunos e pela arte. Um professor disposto a buscar sempre novos caminhos, disposto a interagir, disposto a aprender. [...]. Noutra obra Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte (Cortez, 2003), a professora Ana Mae Barbosa arrematou: [...] Somente a ação inteligente e empática do professor pode tornar a Arte ingrediente essencial para favorecer o crescimento individual e o comportamento de cidadão como fruidor de cultura e conhecedor da construção de sua própria nação [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

SEU NOME - Ninguém pode pronunciar seu nome. \ Só eu conheço a inflexão perfeita. \ Falta-lhes a ternura em que flui \ e a doçura nas consoantes. \ Eles não sabem distinguir a cor \ da nota musical exata. \ É por isso que a cada dia respondo \ inventando um nome: \ azul, pássaro, brisa, luz. \ Palavras comuns \ que podem ser ditas simplesmente \ mesmo sem te conhecer, sem te amar.

EM TODAS AS DIREÇÕES - Vamos deixando-nos em todas as direções, \ nas camas, nos quartos, nos campos, nos mares, nas cidades, \ e cada um desses fragmentos \ que deixou de ser nós, continua sendo \ como sempre nós, tornando-nos \ ciumentos e hostis. \ "O que isso fará que eu gostaria de fazer?" \ nós pensamos. "Quem verá que eu gostaria de ver?" \ Muitas vezes recebemos notícias casuais \ dessa criatura... \ Entramos em seus sonhos \ quando ele sonha conosco, \ amando-o \ como aqueles a quem mais amamos; \ batemos às suas portas \ com as mãos ardentes, \ pensamos que voltará na ilusão de nos pertencer \ equivocados como antes\ mas continuará sendo traiçoeiro e inalcançável. \ Tal como acontece com nossos rivais, nós o mataríamos. Só o poderemos \ vislumbrar em fotografias. Deve sobreviver a nós.

Poemas da escritora argentina Silvina Ocampo (1903-1994). Veja mais aqui.

 

ENCONTRANDO-ME - [...] Minha maior descoberta foi que você pode literalmente recriar sua vida. Você pode redefini-lo. Você não precisa viver no passado. Eu descobri que não só tinha luta em mim, eu tinha amor [...] As memórias são imortais. Eles são imortais e precisos. Eles têm o poder de lhe dar alegria e perspectiva em tempos difíceis. Ou, eles podem estrangulá-lo. Defina você de uma maneira que se baseie mais nas percepções exageradas de outras pessoas do que na verdade. [...] Perdoar é abrir mão de toda esperança de um passado diferente. Eles dizem que a terapia bem-sucedida é quando você tem a grande descoberta de que seus pais fizeram o melhor que puderam com o que receberam. [...] Agora entendo que a vida, e vivê-la, é mais sobre estar presente. Agora estou ciente de que as memórias não tão felizes estão à espreita; mas a esperança e a alegria também estão à espreita. [...] Eu sabia que minha vida seria uma luta e percebi isso: eu tinha isso em mim [...]. Trechos extraídos da obra Finding Me: An Oprah's Book Club Pick (HarperOne, 2022), da premiada atriz e produtora estadunidense Viola Davis.

 

DESOBEDECER – [...] A democracia é algo muito diferente de uma forma institucional caracterizada por “boas” práticas ou procedimentos, inspirada pela defesa das liberdades, a aceitação da pluralidade, o respeito pelas disposições majoritárias. Mesmo se ela deve ser isso, a democracia designa também uma tensão ética no íntimo de cada pessoa, a exigência de reinterrogar a política, a ação pública, o curso do mundo a partir de um si político que contém um princípio de justiça universal e, sobretudo, não é a simples “imagem pública” de si, em oposição ao eu interno. É preciso parar de confundir o público e o exterior. O si público é nossa intimidade política. É, em nós, poder de juízo, capacidade de pensar, faculdade crítica. É com base nesse ponto em nós que nasce a recusa das evidências consensuais, dos conformismos sociais, das ideias pré-fabricadas. Esse recurso ao si político, no entanto, será inútil, improdutivo, se não for sustentado por um coletivo, se não se articular sobre uma ação de conjunto, decidida em comum acordo, portadora de um projeto de futuro. Mas, sem ele, os movimentos de desobediência correm o risco constante de instrumentalização, de aliciamento, de sufocamento sob as palavras de ordem e a mudança dos chefes. Esse movimento por meio do qual o sujeito político se descobre em estado de desobedecer é o que chamaremos de “dissidência cívica”. A insurreição não se decide. Apodera-se de um coletivo, quando a capacidade de desobedecer juntos volta a ser sensível, contagiosa, quando a experiência do intolerável se adensa até se tornar uma evidência social. Supõe a experiência prévia compartilhada – mas que ninguém se pode dispensar de viver em, por e para si mesmo – de uma dissidência cívica e de seu apelo. Desde Sócrates (“Cuida de ti mesmo!”) e desde Kant (“Ouse saber!”), ela é também o regime filosófico do pensamento, sua interioridade intempestiva. Numa época em que as decisões dos “especialistas” se orgulham de ser o resultado de estatísticas anônimas e insensíveis, desobedecer é uma declaração de humanidade. [...]. Trecho extraído da obra Desobedecer (Ubu, 2018), do filósofo francês Frédéric Gros. Veja mais aqui.

 

ARTISTAS DE PERNAMBUCO

[...] Desse esforço uma parte – talvez o melhor – não transparece aqui: o de vencer barreiras insuperáveis, a primeira das quais o tempo. Eu preferiria trabalhar no tempo de reinado – pelo menos como a gente imagina – com o prazo da vida toda para fazer o serviço [...].

Trecho do posfácio da obra Artistas de Pernambuco (Recife, 1982) escrito, organizado e prefaciado pelo pintor, desenhista, gravador, escultor, crítico de arte e escritor José Cláudio. Veja mais aqui e aqui.

 


quarta-feira, fevereiro 15, 2006

TÊMIS, WALTER BENJAMIM, PATRÍCIA MELO, IRACEMA MACEDO, SANDIE SHAW, ÍSIS NEFELIBATA, JULIA BOND & ENQUETE TATARITARITATÁ!


TÊMIS – Têmis, filha do céu e da terra, era a deusa da justiça, na mitologia, sendo representada sempre com uma venda nos olhos, para distribuir sentença sem olhar a quem, e com uma balança nas mãos para pesar bem as razões de cada um. Recursou-se a casar com Júpiter mas foi por ele submetida, dando-lhe dois filhos: a Lei e a Paz. Júpiter teria colocado a sua balança entre os doze signos do zodíaco. Tanto a venda como a balança são símbolos da imparcialidade de Têmis, ou da verdadeira justiça. Veja mais aqui

Curtindo os álbuns The Best & The Very Best (2005), da cantora e psicoterapeuta britânica Sandie Shaw. Veja mais aqui.

EPIGRAFEEu não vejo aqui cantar, / nem gaita, nem tamboril, / é outros folgares mil, / que nas feiras soem d’estar: / é mais feira de Natal, / e mais de Nossa Senhora, / e estar tudo em Portugal, Auto da Feira de Maria Dias, recolhido da obra Literatura oral no Brasil (1984), organizada por Luís da Câmara Cascudo. Veja mais aqui.

DO POETA E DA POESIA – No livro A obra de arte na era da reprodutividade técnica (Abril, 1978), do filósofo, ensaísta e critico literário alemão Walter Benjamim (1892-1940), destaco: [...] Mas está fora de qualquer dúvida – e isto não é imprevisível – que o desenvolvimento da escrita não vai ficar ad infinitum vinculado às pretensões poderosas de um movimento caótico na ciência e na economia. Antes, chega o momento em que a quantidade se transforma em qualidade, e a escrita, avançando cada vez mais fundo no domínio gráfico de sua nova e excêntrica figuralidade, conquista de súbito os seus adequados valores objetais. Nesta escrita icônica, os poetas que, como nos primórdios, antes de mais nada e sobretudo, serão espertos na grafia, somente poderão colaborar se explorarem os domínios onde (sem muita celeuma) se perfaz sua construção: os do diagrama estatístico e técnico. [...]. Veja mais aqui e aqui.

INFERNO – O livro Inferno (Plamneta DeAgostini, 2003 – Prêmio de Jabuti, 2001), da escritora, roteirista e dramaturga Patrícia Melo, conta a história de um menino que mora em uma favela, filho de uma empregada doméstica que acredita na violência como método de disciplina, desistindo da escola e tornando-se olheiro dos traficantes. Daí ele se envolve com drogas e se torna depende químico, terminando por se envolver com o crime e conflitos com a polícia e facções rivais. Da obra destaco o trecho: [...] Cristo proibia a vaidade, e por isso Alzira não era vaidosa. Nada de batom, brincos, anéis, nenhum tipo de bijuteria, Alzira usava apenas um crucifixo de prata, que dona Juliana lhe dera de Natal. Mas quando recebia visitas em casa, ou quando ia à missa, gostava de trajar o vestido azul-marinho, de poliéster, que, apesar de quente, deixava-a bem-apessoada. Gostava principalmente de estar de banho tomado, com os cabelos molhados. Muitas vezes, antes de ir para a igreja, ao notar diante do espelho que sua cabeleira encarapitada já havia secado, molhava-a novamente, na pia, pois somente assim se sentia arrumada para sair. Limpeza, para Alzira, era tudo. Nada lhe dava mais alegria do que sentir o cheiro da água sanitária, vindo das calçadas lavadas pelos serventes dos prédios, quando andava cedinho pelo Leblon, na época em que trabalhava. Adorava, depois de um dia de faxina, entrar no chuveiro e se lavar, esfregar as unhas, vestir roupas limpas. Por isso ficou tão contrariada naquela tarde, ao receber o filho, de surpresa. Pés no chão, o vestido velho molhado na barriga, a mão cheirando a cebola, entra, ela disse. Se soubesse que José Luís viria, teria tomado banho. Teria ao menos posto uma gaze para cobrir a ferida na perna, José Luís se impressionou com o tamanho da lesão. Porra, mãe, cresceu muito. E dói, disse Alzira, doi muito, isso só para de me azucrinar quando Deus interfere, rezo, rezo, rezo, a dor passa todinha. Jesus vai resolver isso, explicou. [...]. Veja mais aqui.

CANTIGA DO MAR PARA ESTA CIDADE – No livro Poesia Viva de Natal (FCCA-Nordestal, 1999), organizada por Manoel Onofre Junior, destaco o poema Cantiga do mar para esta cidade, da premiada poeta e filósofa Iracema Macedo: Vila ribeira vila de pedra / vila cor de alecrim / vila que beira o rio e sol que se mira em mim / vila de brasa em madeira podre acendida / vila que come a fala e fala que come a vida / vila vela consumida / valerá esta cantiga? / Alguma coisa cerzida entre os que têm e não têm / vila de mãe luiza vila de pai ninguém / tua luz, minha mãe, luzia / afoita doida no trem / farol ligeiro perdido ; guia de um breu comido / por ninguém sabe quem / vila que passa como um navio crescido / vila que cresce como um navio passando / tu queres tanta distância, meu deus, / mas a farsa é tanta / que tu te enfeitas no rosto / e ficas podre na trança / vela vale vela vila / areia preta duna branca / vila vila vila vila / serás livre sem ser Sampa? / Sem ser rua de metrópole / sem ser Bahia nem nada / terás também teu tesouro / Veloso velo de ouro / velado por sob o morro? / Vila de um mago vila de um rei / de um rei que vive descalço / e de um mago que dobra a lei / vila de nuvem vila de um mar perdido / vila de ponta negra e de corpo travestido. Veja mais aqui.

MARIE DORVAL – A atriz francesa Marie Dorval (Marie Amélie Thomase Delaunay – 1798-1849), obteve muito sucesso no teatro e teve uma vida amorosa movimentada, fatos esses que torna-la um mito. Órfã aos cinco anos de idade, foi criada por seu tio que era um ator cômico e passou a atuar no teatro desempenhando papel de crianças. Casou-se com um mestre de balé, ela ligou-se à comédia e à ópera cômica, casando-se novamente e tornando-se amante de Alfred de Vigny. Ela vai participar, juntamente com Victor Hugo de uma revolução dramática na escola romântica. Torna-se, posteriormente amiga de George Sand, da qual ela interpreta a peça Cosima, da Comédia Francesa, até morrer deprimida com a morte de um de seus filhos. A sua vida foi romanceada por Michel Mourlet nos livros História de uma maldição (2001) e na peça Marie Dorval (2002). Veja mais aqui.

COMO FAZER UM FILME DE AMOR – O longa-metragem Como fazer um filme de Amor (2002), com direção e roteiro de José Roberto Torero, desenvolve uma trama metalinguística em que o narrador revela clichês, truques e golpes necessários para fazer um filme de amor, tendo por base uma relação amorosa, com direito a um casal de enamorados e um par de rivais. O elenco conta com grandes atrizes, entre elas Denise Fraga, Marisa Orth, Ana Lúcia Torre, Ilana Kaplan e Maria Manuella. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA

Musa do dia: a atriz e rapper estadunidense Julia Bond.


Veja mais Desejo, Piero Della Francesca, Ibys Maceioh, Friedrich Nietzsche, Rubén Darío, Pietro Aretino, Ludovico Ariosto, Jean-Pierre Jeunet, Audrey Tautou, Maria Luisa Persson & Kiki Sudário aqui. 


E também Keith Jarrett, Christian Bernard, Lendas Africanas, Isaac Newton, Casimiro de Abreu, Carlos Saura, Mia Maestro & Julio Hübner aqui

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
QUEIMA
Ela arde e treme sozinha
Faz alarde e se espreme
Sonha crucificada em mim toda minha
(LAM) 
Veja mais aquiImagem: Sedução  de Ísis Nefelibata. Veja mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Mana (2026), Bouquet (2024) & Bouquet II (2025), da pianista e compositora francesa Chlo...