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quarta-feira, setembro 23, 2020

ELIEL WIESEL, ROSAMUNDE PILCHER, MARCIO SOUZA, NELSON MANDELA, YEBÁ BËLÓ, ZAHY GUAJAJARA, EVA YERBABUENA, TERPSÍCORE & CRONISTAS DE PERNAMBUCO


  

DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... PISADA NO MEU POBROPRIMIDO E NEM NEM! - A despeito de tudo, o inferno é o meu país desfigurado. Claro, ora, se o Coisonário no Fecamepa almejava ser super, agora está desmascarado: sempre foi especialista em dar cabo de pobroprimido. Por isso mesmo, tornou-se o anti-herói, de se juntar a outras trepeças e formar a sua Ligódio. Ele e sua abebalada trupe, formada pelos Guepaudeles, Coisamaralves a doidamares, Cristé do Agro, Pomar das Nuvens, Onçadremenan da Lei apócrifa, Jorau Desonesto, Beiromi Rilton, o cheleleu Elopato-to-to, Salerico Dendroclasta, Ferro de Engomar & outros coadjuvantes quase figurantes que se arrumam direitinho no que é dos outros, como o Faboria SS & o Enfriado, afora outros sórdidos apatetados, que mandam ver sob a leniência de casacudos e frouxas autoridades, todos cultores das vetustas ideias de Galton, Chamberlain e Gobineau. Lascou. Juntos e à socapa, batem cabeça, enfiam as mãos pelas pernas, dizem o que desdizem, desfazem o que foi feito, e, ainda por cima, mentem com suas estultices e destilam seus paroxismos sectários e contrafações temperamentais, como se salvassem de bem, quando, na verdade, tocam fogo no circo, estorvam e enlameiam qualquer restinho de dignidade que se imaginasse, montados na execração com toda estupidez, fanatismo, raiva, aversão, rancor e ira, coisa de uma história que se repete desde a mais remota antiguidade. Verdade: o ódio deles não é de hoje, desde o relato daquele personagem bíblico, o furioso agagita Hamã, que era desejoso de extermínio dos judeus, a coisa tomou pé na história da humanidade. Uma coisa que esquecem é que nenhum deles, inclusive o arrochado Hamã, não adivinhou o final da história: ele mesmo enforcado no seu próprio engenho, juntamente com seus filhos. Pois é, quantos exemplos se acumulam nos anais históricos, hem? Mesmo assim, achando-se impunes, os frenéticos odiligiosos neopetencostais agem contumazes como fanáticos vingadores da moral deles e seus maus costumes neofacistas, misturado tudo com febre nazista alemã e fúria daquele apartheid sul-africano, soltos na buraqueira e com força destrutiva inimaginável. Não sei se sobrará Brasil no fim desse desgoverno, prefiro falar doutra coisa. Por exemplo? De Nelson Mandela (1918-2013) Ninguém nasce odiando outro pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar. Eles passarão, eu sei, ficarão os coisominions com seus alaridos e eu prefiro ouvir o escritor sobrevivente do holocausto alemão e prêmio Nobel da Paz de 1986, Eliel Wiesel (1928-2016): O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença. Indiferença, para mim, é a personificação do mal. Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado. Por isso não me rendo e persisto com minha Nênia de Abril por todos os cantos do meu país, porque uma farsa histriônica tão repulsiva como esta não era para se assistir, era ser erradicada. Vambora

 


DUAS GRAÇAS DE YEBÁ BËLÓ - Imagem da atriz Zahy Guajajara – Euzilene Prexede do Nascimento Guajajara, da Reserva Indígena Cana Brava e que atuou na minissérie Dois Irmãos (Globo. 2017), no drama longa Não Devore Meu Coração (2017), dirigido por Felipe Bragança, do média-metragem Sociedade da Natureza (2017), do português Pedro Neves Marques e da peça de teatro, Jamais ou Calabar (2018), do Jorge Farjalla. – [...] No começo foi o nada e o primeiro momento intenso de luz. Quando Yebá-Beló surgiu das coisas invisíveis. A menina virgem nascida das coisas sagradas, em sua morada de quartzo, em sua morada de luz. Yebá-Beló, a não criada, aquela que se faz e se refaz e que é todos os dias igual, desde o começo antes do começo do começo do mundo. Yebá-Beló, avó do mundo. Em seu trono de quartzo branco, navegando em sua morada de luz. [...] Ela que tinha o poder de mandar, precisava dos que sabem fazer. Yebá-Beló começou a chamar, o que o leve vento foi trazer, seus irmãos os trovões do ar. [...] Venham, venham todos os quatro trovões, venham fazer o mundo surgir de mil explosões, venham fazer o mundo surgir de mil explosões. [...] Ah! mas isto foi antigamente, no começo antes do começo. Quando o mundo ainda era novinho em folha e todos sabiam que a vida não passa de um sonho. [...]. Trechos da peça teatral Dessana, Dessana, ou o começo antes do começo, extraído da obra Teatro (Marco Zero, 1997), do escritor Marcio Souza, tratando sobre a deusa criadora do mundo Yebá Bëló, figura principal no mito de criação dos índios Dessanas. Segundo os índios, ela mora em uma morada de quartzo, e ela criou os seres humanos a partir do ipadu (folha de coca) que ela mascava e, enquanto fumava, criou um ser de fumaça, que chamou de Yebá Ngoamãn, ao qual ela lhe deu um bastão chocalho com sementes masculinas e femininas e o elevou até a torre do grande morcego. Na torre, o bastão assumiu um rosto humano que virou o sol. Trata-se de uma lenda que também foi tratada na obra A origem da noite e como as mulheres roubaram as flautas sagradas (FUNARTE/EDUA, 2002), na obra Antes o mundo não existia - A mitologia heróica dos índios Desâna (Cultura. 1980), de Umúsin Panlõn Parokumu e Tolamãn Kenhíri, e tema do artigo O elemento feminino no mito de origem em Dessana Dessana, de Marcio Souza (Revista Decifrar, 2014), de Sideny Pereira de Paula (UFAM)

 


TRÊS MOVIMENTOS PARA ANÁBASE NOS BRAÇOS DA DEUSA - Imagem: a arte da premiada bailarina espanhola Eva Yerbabuena - Eva María Garrido, considerada uma grande dançarina de flamenco da atualidade. - Uma vez, duas, mil vezes ao inferno desci, ásperos dias, duros tempos e o meu país, estampa corroída, é o passado como um cofre vazio. O coração lateja e as lembranças são relâmpagos que guardam ossos, como um dia e outro na ironia do calendário. O mundo cresce, todos morrem como se nada acontecesse e a porta é herança vil de vida soterrada que o vento arrasta, a água lava, o fogo queima e à terra o que perece na pátria desfeita. Sou cego errante com o peso dos golpes. Para me redimir, surgiu a deusa a me dizer Rosamunde Pilcher: Felicidade é tirar o máximo proveito do que se tem. E riqueza é tirar o máximo proveito do que se consegue. Era ela lira nua, a musa Terpsícore para meu deleite dançante, atravessar o Hades e seguir anábase rumo à vida. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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VOZES: A CRÔNICA FEMININA CONTEMPORÂNEA EM PERNAMBUCO

A obra Vozes: a crônica feminina contemporânea em Pernambuco (CEPE, 2007), organizado por Elizabeth Siqueira e Laura Areias, reúne as escritoras Luzilá Gonçalves, Maria de Lourdes Horta, Fátima Quintas, Graça Graúna, Lourdes Nicácio, Lourdes Sarmento, Tereza Halliday, Ariadne Quintela, Eugênia Menezes, Graça Melo, Ina Melo, Isnar Moura, Lúcia Cardoso, Luciene Freitas, Márcia Basto, Margarida Cantarelli, Maria Lucia Chiappeta, Maria Pereira, Marilena de Castro, Marly Mota, Maryse Cozzi, Nazareth Gouveia, Nelly Carvalho, Neuma Costa, Rejane Gonçalves, Renata Pimentel, Rosa Guerra, Salete Rego Barros, Selma Vasconcelos, Silvana Oriá, Suzette Abreu e Lima, Telma Brilhante, Vera Sato, Virginia Crisóstomo, Zuyla Cartaxo, Ana Arraes, Ana Maria César, Cici Araujo, Cláudia Azambuja, Djanira Silva, Dulcita Brennand, Edna Alcântara, Eleonora Castelar, Elizabeth Antão, Esmeralda Moura e Ester de Lemos. Veja mais aqui e aqui.


 


sexta-feira, setembro 27, 2019

T. S. ELIOT, ROSAMUNDE PILCHER, ROCHEFOUCAULD, ANA MENDIETA, SILVIA MOTA, AMIGOS DA BIBLIOTECA & SEXTA-FEIRA


SEXTA-FEIRA – Olhos amanhecidos na frieza do mundo e não fosse ontem feito de mormaço, não teria eu tantas horas de sentimentos vários, dor e compaixão. Não fosse o amor o termômetro da vida, não teria eu nada para dizer agora: as palavras me escondem, jamais quisera, outro era o sonho. Só os ingênuos, quiçá, na minha alucinação; sonhadores até, sei lá, cultuarão qualquer hora do entardecer que se fez noite e se perdeu na escuridão da madrugada. De longe a montanha ao sol-posto, de onde faz sombra esfriando o meu coração erradio. E eu um relês mortal, aos olhos o monograma do Cristo, voo pela noite no mar da solidão. Na boca da noite, todas as evidências levaram a nada: fui benzido de copas, a felicidade no descarte, o doce mel que se derrama em grande profusão. Eu perdi, açoitado pelo ronco da onça suçuarana que nunca existiu, virei mundo no Rabicho da Geralda e me perdi, não sei, na quentura que se alastra. Mandei boas novas e escrevi aos familiares, nunca esperei ser louvado por virgens de vestais ou qualquer estima, consideração. Enterrei o trevo de paus na volta do cruzeiro, era o que podia fazer. Ao vencedor, salve, um laço de fita no braço, palmas e saravá. Quantas imagens, labaredas, sensaboria, defecções. Desde que me tenho por gente, vivo a morrer de sede e o que me resta. Deixo aqui nada mais que tenho, um aceno qualquer, outra direção, um adeus. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O amor é como fogo: para que dure é preciso alimentá-lo. Não há disfarce que possa esconder por muito tempo o amor quando este existe, nem simulá-lo quando este não existe. Todas as paixões nos levam a cometer erros, mas o amor faz-nos cometer os mais ridículos. A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes. Nos ciúmes existe mais amor-próprio do que verdadeiro amor. O verdadeiro amor é como os fantasmas. Todos falam nele, mas ainda ninguém o viu. Há pessoas desagradáveis apesar das suas qualidades e outras encantadoras apesar dos seus defeitos. As pessoas fracas não podem ser sinceras. Quem vive sem loucura não é tão sábio como pensa. A verdadeira coragem está em fazermos sem testemunha o que seríamos capazes de fazer diante de todo mundo. Nada é tão contagioso como o exemplo. O primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior. Pensamento do escritor e moralista francês François, Duque de La Rochefoucauld (1613-1680).

ALGUÉM FALOU: [...] Toda família tem algum segredo, mas Flora Waring descobre que o da sua é devastador. Aos vinte e dois anos, fica sabendo que tem uma irmã gêmea idêntica, Rose, que vive com a mãe, de quem ela não tem a menor lembrança. E quando Flora se vê obrigada a assumir o papel da irmã numa trama de mentiras, descobre o quanto esse fingimento poderá lhe custar caro. Ao decidir acompanhar o noivo de Rose ao encontro da avó na Cornualha, acaba se apaixonando pela família Armstrong... e por um homem maravilhoso. Ao mesmo tempo, terá que se defrontar com os segredos chocantes de Rose e assumir o risco de ver a felicidade escapar de suas mãos... [...]. Trecho extraído da obra Sob o signo de gêmeos (Bertrand Brasil, 1998), da escritora inglesa Rosamunde Pilcher (1924-2019). Veja mais aqui.

A POESIA DE SILVIA MOTA
ESCALA EM (SOU) MAIOR: Ressequido LÁ DÓ(i) em MI(m) teu FA(lo) erguido... Erótica RÉ(stia) de SOL deste(MI)da (co)MI(da) em MI(m) por MI(m) (SI)mplesmente exótica...
RECOLHI TEUS POEMAS: Espalhaste teus poemas pelas ruas do destino; revestiste os meus temas, com tuas nuvens de menino. Quedei ébria aos dilemas e um anjo libertino, de ciúmes traçou lemas, esparziu teu dom divino... Puro, terno ou celestino, teus poemas, agridoces, se espalharam... desatino! Recolhi verso por verso... belos, mansos... versos doces, neles sou teu Universo!
SAGRADA CLAUSURA Pranteio às algemas dos versos que me prendem livre para livre atar-me aos teus beijos. Soluço às correntes dos delírios que me desejam pura e pura envergo-me ao teu corpo. Beijo-te os pés numa súplica de amor. Sacias-me de quatro à tua paixão
SILVIA MOTA – Poemas da escritora, advogada, professora e pesquisadora humanista e revolucionária, Silvia Mota, que é idealizadora do Portal Sociocultural e Interdisciplinar PEAPAZ – Poetas e Escritores do Amor e da Paz, além de ser mestre em Direito Civil pela UERJ, cônsul dos Poetas Del Mundo para Cabo Frio (Rio de Janeiro), associada à Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA), membro Efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras e membro da Sociedade Brasileira de Bioética, e da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional. Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu tenho criado um diálogo entre a paisagem e o corpo feminino (baseado em minha própria silhueta). Acredito que tenha sido resultado direto de atormentada pátria (Cuba) durante minha adolescência. Sou sobrecarregada do sentimento de ser escalada desde o ventre (da natureza) para a luta. Minha arte é a maneira que eu reestabeleço os ossos que me unem ao universo. É o retorno a procura material. É crucial para mim ser parte de todos os meus trabalhos de arte. Como resultado de minha participação, minha visão torna-se realidade e parte das minhas experiências.
da pintora, escultora, performer e vídeo artista cubana Ana Mendieta (1948–1985). Veja mais aquiaqui & aqui.

A OBRA DE T. S. ELIOT
A poesia não é um modo de libertar a emoção, mas uma fuga da emoção; não é uma expressão da própria personalidade, mas uma fuga da personalidade.
A obra do poeta, dramaturgo e crítico literário britânico-estadunidense Thomas Stern Eliot (1888-1965) aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
&
AMIGOS DA BIBLIOTECA
Realizou-se nesta quinta, reunião de andamento do grupo associativo Amigos da Biblioteca, reunindo interessados no desenvolvimento de ações em prol de preservação, promoção e manutenção de acervos, grupos de leitura e pesquisa, formação de leitor e políticas pro livro, da Biblioteca Pública Fenelon Barreto e bibliotecas públicas, escolares e comunitárias de Palmares e região Mata Sul pernambucana. Participaram desta reunião, o diretor da Biblioteca Fenelon Barreto, João Paulo Araújo, o poeta e compositor Zé Ripe, Basílio dos Palmares, Carlos Calheiros, Iolanda Dayo, o poeta Ricardo Cordel & Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, setembro 22, 2016

ROSAMUNDE PILCHER, SILKE AVENHAUS, NIETZSCHE, BETH MOYSES, MARCO POLO, KRIS & KURZ, ANTONIO SAURA & IDOSOS

INEDITORIAL: A GENTE TEM É QUE FAZER, NUNCA ESPERAR QUE FAÇAM POR NÓS – Salve, salve, gentamiga do meu Brasil varonil assaltado pelo golpe da pior moléstia política de então! Coisas do Brasil que quer ser Brazil só nas coxas, maior jeitinho pra engalobar os bestas. Se ditadura nunca mais, corja de temerosos muito menos. Não tem jeito, a gente só aprende mesmo apanhando. Assim foi e é desde 1500, verdadeiro Fecamepa! Mas mudando de assunto, hoje é o Dia Mundial Sem Carro! Eu mesmo, voluntariamente, ando a pé. Por isso não quero embananar mais o tráfego já tão engarrafado. Vôte! Quanta falta de educação. Todo motorista deveria fazer curso de direção defensiva e primeiros socorros quando fosse renovar a carteira, compulsoriamente. Com certeza, minimizaria a bronca que é trafegar nas ruas e avenidas desse país. Ah, mas vamos pras novidades que é melhor: hoje é de montão. Primeiro, o nosso Brasil que é um desamparado menino envelhecido! – Por favor, cuidemos dos nossos idosos! Pra quem não está lembrado, todo mundo começa como criança, cresce, cai no mundo, se fode e fode tudo, fica adulto e, depois, todo mundo passa pela velhice. Chegará a sua vez, viu? Ah, tem também a música da pianista alemã Silke Avenhaus, o enigma do artista extraído dos historiadores austríacos Ernest Kris e Otto Kruz, Os catadores de conchas da escritora Rosamunde Pilcher, as viagens de Marco Polo, mais um trecho da Gaia Ciência de Nietzsche, a arte performática de Beth Moyses e o artista espanhol Antonio Saura. No mais, vamos aprumar a conversa & Tataritaritatá. Veja mais aqui.

Veja mais sobre
João sem terra de Hermilo Borba Filho, Miguel Angel Asturias, Gonzaguinha, Michael Faraday, Guy Green, Thomas Rowlandson, Teatro Infantil, Franz Russ Jnr, Yara Cortes, Anna Karina, Fernando Griz & Ideologias e ciências sociais aqui.
E mais:
Proezas do Biritoaldo: Quando o bicho é sonso tira fino até na beira do abismo aqui
Paixão, Leonid Afremov, Agostino Carracci & as previsões do Doro aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando se dá corda, o bocó fica folgado que só boca de sino aqui.
O amor & as previsões do Doro aqui.
Mingau de Cachorro aqui.

DESTAQUE: BRASIL – O DESAMPARO A UM MENINO ENVELHECIDO
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil o processo iniciou-se a partir de 1960 e as mudanças se dão a largos passos. Em 1940, a população brasileira era composta por 42% de jovens com menos de 15 anos enquanto os idosos representavam apenas 2,5%. No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população de jovens foi reduzida a 24% do total. Por sua vez, os idosos passaram a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, mais de 20,5 milhões de pessoas possuem mais de 60 anos, isto representa incremento de 400% se comparado ao índice anterior. A estimativa é de que nos próximos 20 anos esse número mais que triplique. [...] Apesar de avanços, como a aprovação do Estatuto do Idoso, a realidade é que os direitos e necessidades dos idosos ainda não são plenamente atendidos. No que diz respeito à saúde do idoso, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não está preparado para amparar adequadamente esta população. Neste contexto, prevalecem as doenças crônicas e suas complicações: hipertensão arterial, doença coronariana, sequelas de acidente vascular cerebral, limitações provocadas pela insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica, amputações e cegueira provocados pelo diabetes além da dependência determinada pelas demências. [...] Os profissionais da saúde tem olhar fragmentado do idoso e não foram capacitados para atendê-lo de maneira integral. As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e dos Núcleos de Apoios da Saúde da Família (NASF) por sua vez, estão incompletas e insuficientes para atender esta parcela da população. [...] Este é o retrato da saúde pública no Brasil, que apesar dos indiscutíveis avanços, apresenta um cenário de deficiências e falta de integração em todos os níveis de atenção à saúde: primária (atendimento deficiente nas unidades de saúde da atenção básica), secundária (carência de centros de referências com atendimento por especialistas) e terciária (atendimento hospitalar com abordagem ao idoso centrada na doença), ou seja, não há, na prática, uma rede de atenção à saúde do idoso. [...].
Trecho da Carta Aberta à População Brasileira, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

OS PASSOS DESEMBARAÇADOS NOS EMARANHADOS CAMINHOS - As cidades são quase as mesmas, genringonças amaldiçoadas com as suas mesmas dores: imposturas, relutâncias, belicosidades, gestões escusas e fraudulentas, exclusões, hipocrisia. Uma ou outra paisagem invoca a atenção: a insegurança, as filas, os protestos, as contestações, a marginalidade. O que aprecio mesmo são as pessoas: o jeito, o andar, o sorriso, a assimetria, a sisudez ou simpatia, a receptividade ou hostilidade. Dos lugares, rios, mares, matagais, praças, subúrbios, um ou outro patrimônio histórico mantido, abandonos e insensatez. São as pessoas que me chamam mesmo atenção. Sempre fui menino de quintal, o meu refúgio; fugia por portas encostadas, maçanetas entreabertas, frestas de nada, rua afora. Carregado de temores da infância: bichos, mortes, assombrações. Só dos quintais ou jardins lembranças livres prazerosas e esquecidas, ou dos engenhos com suas rodagens, carro de boi, brejos, caldo de cana. Por isso minha adolescência de caminheiro, paragens muitas, estradas sem rumo, limite no horizonte. Sempre voltei pra casa, pro inferno entre mortos vivos. Valha-me, o que não é pudico, engravatado, politicamente correto ou simplesmente dançante, não é arte, é kitsch, ou a minha arte por baixo da porta. Não sei como conseguem viver com o fedor da miséria, o dito submundo das periferias e dos excluídos dos guetos, esgotos e invisíveis do centro da cidade. Tudo é estranho, há os que se fecham nos seus nichos ou no bloco do eu sozinho – até os meus, nossa! Dou graças por ter sido excluído de todas as panelinhas, de todas as igrejinhas e de todos os clubes do Bolinha, taxado por promíscuo social, porque sou do intercâmbio e das trocas de experiências. Entenda como quiser. Não consigo viver nas redomas sectárias, dos escolhidos arrogantes e autossuficientes soberbos. Para fugir do tédio, nunca fiz uma coisa só – por isso nunca fiz nada que prestasse -, misturo coisas quando coisas misturadas sempre foram vistas como ilícitas ou deletérias. Falta de criatividade é ter reserva de mercado ou segredo industrial, copiar é um vício inevitável, é que teimam em homogeneizar o heterogêneo. Ninguém é igual, organizar o caos é uma imposição arbitrária. Por isso vivo no meio do escuro da mata densa dessas cidades irrespiráveis que querem perfumar pros olhos com os fedores de todos os desatinos. Eu sou a cidade e ela é minha, sangrando como eu, nojenta por descaso, podre por alheamento. E voo e ela vai comigo, meus passos desembaraços no emaranhado dos caminhos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA
Curtindo os álbuns Silke Avenhaus - Piano Songs (Cavi-Music, 2009), da pianista alemã Silke Avenhaus interpretando obras de Mendelssohn Liszt e Schubert.

PESQUISA: O ENIGMA DO ARTISTA COMO PROBLEMA SOCIOLÓGICO - [...] O enigma do artista, o mistério que o rodeia, e a magia que dele emana, pode ser encarado sob duas perspectivas. Pode-se investigar a natureza do homem capaz de criar obras de arte do gênero que admiramos – esta é a abordagem psicológica. Ou pode-se perguntar como é que tal homem, a cujos trabalhos é geralmente atribuído um valor particular, é avaliado pelos seus contemporâneos – a abordagem sociológica. Ambas as abordagens pressupõem que existe um mistérios – que certos traços e predisposições especiais, e por enquanto mal definidos, são necessários para a criação artística, e que certos períodos e culturas foram preparados para conceder um lugar especial, se bem que ambíguo, ao criador da obra de arte. As duas abordagens têm naturalmente muitos pontos de contatos; podemos supor, por um lado, que o modo como a sociedade reage ao artista é parcialmente determinado pelas suas características e dons pessoais, e, por outro, que essa reação tem necessariamente um efeito sobre o artista. [...] o modo como o artista foi julgado pelos seus contemporâneos e pela posteridade – a biografia do artista, no verdadeiro sentido da palavra. No seu âmago encontra-se a lenda sobre o artista. [...]. Trechos extraídos da obra Lenda, mito e magia na imagem do artista: uma experiência histórica (Presença, 1988), do psicólogo, psicanalista e historiador de arte austríaco Ernest Kris (1900-1957) e do historiador e professor austríaco Otto Kurz (1908-1975), tratando sobre o mistério que o rodeia e a magia que emana do artista por meio de duas perspectivas - a psicológica, a natureza do homem criador de obras de arte; e a sociológica, como é que tal pessoa, a cujo trabalho é atribuído um valor particular, é avaliada pelos seus contemporâneos, estudando as conexões entre a lenda e o artista.

UM LIVRO, UMA LEITURA: CATADORES DE CONCHAS
[...] Quando Melanie, a filha de Nancy, usava jeans, ficava com uma aparência terrível, por ter quadris tão grandes. Em Antônia, no entanto, os jeans ficavam fantásticos. Nancy concluiu que a vida era, de fato, muito injusta. [...] É impossível dizer-se ‘não posso suportar isto’, porque, quando não suportamos a situação, a única outra coisa a fazer é parar o mundo e desembarcar dele, porém não existe qualquer maneira prática de se fazer tal coisa. Para preencher o vazio, ocupar mãos e mentes, ela fazia o que as mulheres, quando tensas e em épocas de ansiedade, levavam séculos fazendo: imergir na domesticidade e na vida familiar. [...] Foi tudo muito bom, em cada sentido da palavra. E, nesta vida, nada que seja bom é realmente perdido. Fica fazendo parte de uma pessoa, torna-se parte de sua personalidade.[...] Felicidade é tirar o máximo proveito do que se tem, e riqueza é tirar o máximo proveito do que se conseguiu. [...].
Trecho extraído da obra Os Catadores de Conchas (Bertrand Brasil, 1995), dda escritora inglesa Rosamunde Pilcher, contando a história de uma jovem feliz por ser filha amada e infeliz por ter se casado com o homem errado que, depois, encontra o verdadeiro amor que mergulha em tragédias e problemas. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: AS VIAGENS DE MARCO POLO - [...] Sim, tive milhões e milhões de aventuras! [...] para a China como portador da”civilização” do Ocidente para os “bárbaros” do Oriente. Voltou para a Itália como mensageiro da boa vontade entre as raças igualmente civilizadas do Oriente e do Ocidente. [...] Da Regra de Ouro de Confúcio - não faças a outrem o que não queres que façam a ti – ao Sagrado Princípio de Taitsung – ninguém deve ser perseguido por causa da sua religião, pois há muitos caminhos para alcançar o céu. [...] É desejo de nosso papa – diziam-lhe – converter todos os idólatras à verdadeira religião. E quem é o vosso papa? É o vig´rio de Cristo, nosso Deus, na Terra. E como é que o vosso papa sabe que o vosso Deus é o Deus da única religião verdadeira? Não somos professores nem sacerdotes, mas simples negociantes. [...] notou um sistema ético baseado no mais arejado e sensível egoismo: Busca o teu proprio prazer, mas não interfiras nos prazeres dos outros. E descobriu na China a chave de uma verdade profunda, isto é, que no coração de toda grandeza repousa a simplicidade: O grande homem é aquele que nunca passa além do coração de uma criança. [...] A sudoeste da Armênia, no distrito de Mossul, uma fonte de óleo que jorra tão abundantemente que dá para carregar vários camelos. [...] Os nativos de Katdandan seguem um singular costume. Logo que uma mulher dá à luz, o marido ocupa o seu lugar no leito e cuida da criança por quarenta dias, enquanto a mulher atende aos seus deveres domésticos, leva comida ao marido na cama e dá de mamar ao filho a seu lado. [...]. Trechos extraídos da obra As viagens de Marco Polo (O Milhão - Descrição do mundo ou Livro das maravilhas do mundo, 1298), com os relatos do mercado veneziano Marco Polo (1254-1324), dividido em quatro livros com as suas aventuras na Ásia Central e no Extremo Oriente, durante a segunda metade do século XIII.

A GAIA CIÊNCIA
[...] a dor sempre pergunta pela causa, enquanto o prazer é propenso a ficar junto de si proprio e não olhar para trás. [...] Somente para os homens mais excitáveis e mais desejosos do sentimento de potência pode ser mais aprazível imprimir ao que lhes resiste o selo da potência; para aqueles a quem a visão do já submisso (que, como tal, é o objeto do bem-querer) é pesada e enfadonha. [...]
Trechos extraídos do Livro I, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A arte da artista plástica, professora e artista performática Beth Moyses, experimentando materiais que se relacionam com o afeto e se apropria do vestido de noiva como símbolo de fantasia da mulher.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Rabo de Touro, do artista espanhol Antonio Saura (1930-1998).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...