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quarta-feira, setembro 23, 2020

ELIEL WIESEL, ROSAMUNDE PILCHER, MARCIO SOUZA, NELSON MANDELA, YEBÁ BËLÓ, ZAHY GUAJAJARA, EVA YERBABUENA, TERPSÍCORE & CRONISTAS DE PERNAMBUCO


  

DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... PISADA NO MEU POBROPRIMIDO E NEM NEM! - A despeito de tudo, o inferno é o meu país desfigurado. Claro, ora, se o Coisonário no Fecamepa almejava ser super, agora está desmascarado: sempre foi especialista em dar cabo de pobroprimido. Por isso mesmo, tornou-se o anti-herói, de se juntar a outras trepeças e formar a sua Ligódio. Ele e sua abebalada trupe, formada pelos Guepaudeles, Coisamaralves a doidamares, Cristé do Agro, Pomar das Nuvens, Onçadremenan da Lei apócrifa, Jorau Desonesto, Beiromi Rilton, o cheleleu Elopato-to-to, Salerico Dendroclasta, Ferro de Engomar & outros coadjuvantes quase figurantes que se arrumam direitinho no que é dos outros, como o Faboria SS & o Enfriado, afora outros sórdidos apatetados, que mandam ver sob a leniência de casacudos e frouxas autoridades, todos cultores das vetustas ideias de Galton, Chamberlain e Gobineau. Lascou. Juntos e à socapa, batem cabeça, enfiam as mãos pelas pernas, dizem o que desdizem, desfazem o que foi feito, e, ainda por cima, mentem com suas estultices e destilam seus paroxismos sectários e contrafações temperamentais, como se salvassem de bem, quando, na verdade, tocam fogo no circo, estorvam e enlameiam qualquer restinho de dignidade que se imaginasse, montados na execração com toda estupidez, fanatismo, raiva, aversão, rancor e ira, coisa de uma história que se repete desde a mais remota antiguidade. Verdade: o ódio deles não é de hoje, desde o relato daquele personagem bíblico, o furioso agagita Hamã, que era desejoso de extermínio dos judeus, a coisa tomou pé na história da humanidade. Uma coisa que esquecem é que nenhum deles, inclusive o arrochado Hamã, não adivinhou o final da história: ele mesmo enforcado no seu próprio engenho, juntamente com seus filhos. Pois é, quantos exemplos se acumulam nos anais históricos, hem? Mesmo assim, achando-se impunes, os frenéticos odiligiosos neopetencostais agem contumazes como fanáticos vingadores da moral deles e seus maus costumes neofacistas, misturado tudo com febre nazista alemã e fúria daquele apartheid sul-africano, soltos na buraqueira e com força destrutiva inimaginável. Não sei se sobrará Brasil no fim desse desgoverno, prefiro falar doutra coisa. Por exemplo? De Nelson Mandela (1918-2013) Ninguém nasce odiando outro pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar. Eles passarão, eu sei, ficarão os coisominions com seus alaridos e eu prefiro ouvir o escritor sobrevivente do holocausto alemão e prêmio Nobel da Paz de 1986, Eliel Wiesel (1928-2016): O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença. Indiferença, para mim, é a personificação do mal. Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado. Por isso não me rendo e persisto com minha Nênia de Abril por todos os cantos do meu país, porque uma farsa histriônica tão repulsiva como esta não era para se assistir, era ser erradicada. Vambora

 


DUAS GRAÇAS DE YEBÁ BËLÓ - Imagem da atriz Zahy Guajajara – Euzilene Prexede do Nascimento Guajajara, da Reserva Indígena Cana Brava e que atuou na minissérie Dois Irmãos (Globo. 2017), no drama longa Não Devore Meu Coração (2017), dirigido por Felipe Bragança, do média-metragem Sociedade da Natureza (2017), do português Pedro Neves Marques e da peça de teatro, Jamais ou Calabar (2018), do Jorge Farjalla. – [...] No começo foi o nada e o primeiro momento intenso de luz. Quando Yebá-Beló surgiu das coisas invisíveis. A menina virgem nascida das coisas sagradas, em sua morada de quartzo, em sua morada de luz. Yebá-Beló, a não criada, aquela que se faz e se refaz e que é todos os dias igual, desde o começo antes do começo do começo do mundo. Yebá-Beló, avó do mundo. Em seu trono de quartzo branco, navegando em sua morada de luz. [...] Ela que tinha o poder de mandar, precisava dos que sabem fazer. Yebá-Beló começou a chamar, o que o leve vento foi trazer, seus irmãos os trovões do ar. [...] Venham, venham todos os quatro trovões, venham fazer o mundo surgir de mil explosões, venham fazer o mundo surgir de mil explosões. [...] Ah! mas isto foi antigamente, no começo antes do começo. Quando o mundo ainda era novinho em folha e todos sabiam que a vida não passa de um sonho. [...]. Trechos da peça teatral Dessana, Dessana, ou o começo antes do começo, extraído da obra Teatro (Marco Zero, 1997), do escritor Marcio Souza, tratando sobre a deusa criadora do mundo Yebá Bëló, figura principal no mito de criação dos índios Dessanas. Segundo os índios, ela mora em uma morada de quartzo, e ela criou os seres humanos a partir do ipadu (folha de coca) que ela mascava e, enquanto fumava, criou um ser de fumaça, que chamou de Yebá Ngoamãn, ao qual ela lhe deu um bastão chocalho com sementes masculinas e femininas e o elevou até a torre do grande morcego. Na torre, o bastão assumiu um rosto humano que virou o sol. Trata-se de uma lenda que também foi tratada na obra A origem da noite e como as mulheres roubaram as flautas sagradas (FUNARTE/EDUA, 2002), na obra Antes o mundo não existia - A mitologia heróica dos índios Desâna (Cultura. 1980), de Umúsin Panlõn Parokumu e Tolamãn Kenhíri, e tema do artigo O elemento feminino no mito de origem em Dessana Dessana, de Marcio Souza (Revista Decifrar, 2014), de Sideny Pereira de Paula (UFAM)

 


TRÊS MOVIMENTOS PARA ANÁBASE NOS BRAÇOS DA DEUSA - Imagem: a arte da premiada bailarina espanhola Eva Yerbabuena - Eva María Garrido, considerada uma grande dançarina de flamenco da atualidade. - Uma vez, duas, mil vezes ao inferno desci, ásperos dias, duros tempos e o meu país, estampa corroída, é o passado como um cofre vazio. O coração lateja e as lembranças são relâmpagos que guardam ossos, como um dia e outro na ironia do calendário. O mundo cresce, todos morrem como se nada acontecesse e a porta é herança vil de vida soterrada que o vento arrasta, a água lava, o fogo queima e à terra o que perece na pátria desfeita. Sou cego errante com o peso dos golpes. Para me redimir, surgiu a deusa a me dizer Rosamunde Pilcher: Felicidade é tirar o máximo proveito do que se tem. E riqueza é tirar o máximo proveito do que se consegue. Era ela lira nua, a musa Terpsícore para meu deleite dançante, atravessar o Hades e seguir anábase rumo à vida. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.


VOZES: A CRÔNICA FEMININA CONTEMPORÂNEA EM PERNAMBUCO

A obra Vozes: a crônica feminina contemporânea em Pernambuco (CEPE, 2007), organizado por Elizabeth Siqueira e Laura Areias, reúne as escritoras Luzilá Gonçalves, Maria de Lourdes Horta, Fátima Quintas, Graça Graúna, Lourdes Nicácio, Lourdes Sarmento, Tereza Halliday, Ariadne Quintela, Eugênia Menezes, Graça Melo, Ina Melo, Isnar Moura, Lúcia Cardoso, Luciene Freitas, Márcia Basto, Margarida Cantarelli, Maria Lucia Chiappeta, Maria Pereira, Marilena de Castro, Marly Mota, Maryse Cozzi, Nazareth Gouveia, Nelly Carvalho, Neuma Costa, Rejane Gonçalves, Renata Pimentel, Rosa Guerra, Salete Rego Barros, Selma Vasconcelos, Silvana Oriá, Suzette Abreu e Lima, Telma Brilhante, Vera Sato, Virginia Crisóstomo, Zuyla Cartaxo, Ana Arraes, Ana Maria César, Cici Araujo, Cláudia Azambuja, Djanira Silva, Dulcita Brennand, Edna Alcântara, Eleonora Castelar, Elizabeth Antão, Esmeralda Moura e Ester de Lemos. Veja mais aqui e aqui.


 


segunda-feira, fevereiro 18, 2019

MARCIO SOUZA, MARIA CARMEN, CONSUELO DE PAULA, HORTAS DO BEM COMUM & DA FELICIDADE COMUNITÁRIA, EDUCAÇÃO & COPERNICANISMO AO CONTRÁRIO


DA EDUCAÇÃO AO COPERNICANISMO AO CONTRÁRIO – Uma coisa é falar sobre educação para quem acha que isso é só papo de professor ou coisa que valha. Outra é tratar sobre o sistema nervoso quando isso é tratado como papo de gente doida, pinel de jogar pedras e outras zuretadas. Rótulos são o que não faltam ao senso comum. Há quem reduza a educação apenas à escolarização, sem levar em consideração a pesquisa e a extensão, afora outras coisas mais além do ensino. Há quem trate sobre neuroeducação restringindo tudo apenas às funções e potencialidades cerebrais, sem levar em conta que além do sistema nervoso central, há também o autônomo e o periférico, afora a importância das glândulas endócrinas e da homeostase para o equilíbrio do organismo humano. Mesmo assim, vai lá que a metáfora leve a conversa de lá praqui e vai dá cá para ali e acolá, enfim, a coisa dá uma engrenada boa e vai praquela do quer dizer então que... É, que bom, dúvidas e perguntas afloram e isso torna qualquer papo para lá de interessante, relacionando a sinapse neuronal e a articulação sistêmica com reciprocidade de relações entre seres humanos. Ou seja, assim como é o funcionamento do organismo humano, pode – e deve – ser também nas relações entre uns e outros no convívio cotidiano. O que ficou de mais positivo foi saber que não há órgão mais importante que outro no corpo humano, cada qual cumpre sua função e papel no contexto da anatomia e fisiologia corporal. Assim poderia ser com a gente: cada um funcionando conforme o projeto cósmico, interagindo com a natureza, no que se poderia chamar de cooperação colaborativa, sem nada de interesse por trás, assim, apenas por ser. Foi com essa condução que ocorreu o bate-papo no último sábado, com os comparecentes à Associação dos Artesãos Palmarenses, que atenderam o chamado da Escola de Filosofia, Artes e Política de Palmares, sob a coordenação do professor Carlos Calheiros. Uma conversa que começou pelas vinte horas e passou da meia noite, com muitas indagações e esclarecimentos, uma confraternização. Por minha conta, me dei para lá de satisfeito com a presença e participação de todos, tomara que assim também com cada um que lá esteve. O que ficou de evidente para mim, conclusivamente, foi a constatação da necessidade de se construir elos, utilizando a metáfora dos dedos e da mão, para que se possa realizar uma verdadeira revolução copernicana ao contrário: a mudança tem que começar por mim, no meu domicilio e comportamento, numa atitude de sujeito cônscio de suas responsabilidades com o seu tempo e a sua terra, para que, só depois disso, possa interagir e atuar em defesa da minha rua, do meu bairro, da minha cidade, estado e nação. Minha gratidão paratodos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
Houve um tempo em que Manaus tinha calçadas, largos passeios em mármore de Liós, aqui e ali os canteiros de fícus-benjamim distribuindo sombra aos transeuntes. Não há mais calçadas. Caminha-se quase sempre numa terra de ninguém, entre o esgoto a céu aberto e a posta de trânsito. Uma cidade onde o tecido urbano foi destruído e não há uma rua, uma artéria intata. Atravessa-se a cidade e tem-se a impressão de que quase todas as edificações estão inacabadas. [...] O caldo dos trópicos. A alegria da agonia. Manaus é a cidade mais odiada do mundo. Não fosse assim, não a teriam enfeiado tanto [...] Manaus é odiada talvez por não cumprir com o que promete. Engana as gentes das barrancas, os inocentes dos rios. Engana os que chegam de muito longe, carregados de misérias e pesadelos. Essa gente enganada não perdoa a cidade, e castiga Manaus, cada uma delas como células fazendo crescer o tumor canceroso em que foi transformada a velha e orgulhosa capital dos barés. Cidade degenerada, de alegria favelada acostumada a se contentar com pouco. Talvez por isso odiada também pelos que juram amá-la, amor da boca para fora dos que deveriam amá-la ao menos por dever de ofício. Manaus dos últimos acenos de gentileza em meio ao alarido arrivista. Cidade mal-amada. Cidade acostumada a apanhar na cara, a ser violentada, a ser roubada vergonhosamente pelos seus amantes. [...]. Trechos extraídos da obra A caligrafia de Deus (Marco Zero, 1994), do escritor amazonense Marcio Souza. Veja mais aquiaqui.

AGROECOLOGIA: HORTAS DO BEM COMUM E DA FELICIDADE COMUNITÁRIA
A Economia do Bem Comum é um arranjo econômico alternativo e completo, atualmente em discussão e aprimoramento em vários países ao redor do mundo, motivada pela percepção dos múltiplos fracassos ambientais, sociais e econômicos do modelo econômico neoliberal vigente. Enquanto não temos condições diretas de mudar o atual arranjo econômico no Brasil, focado na acumulação de riquezas financeiras de investidores com atuação global, cada vez mais acelerada e concentrada na mão de poucos, podemos nos inspirar começando com uma economia de bem comum ao nível local. Com base comunitária, entre vizinhos, partindo dos nossos terrenos e quintais, para as “Hortas do Bem Comum e da Felicidade Comunitária em Aldeia”. O sistema das hortas do bem comum se fundamenta em oito elementos básicos e uma rede composta por cinco grupos de colaboradores. O sistema das hortas do bem comum é composto por cinco grupos de colaboradores, ou parceiros, formando uma rede. Nesta arranjo, colaboradores específicos podem se enquadrar em vários grupos. Os hortelãos, por exemplo, podem ao mesmo tempo ser beneficiadores, produzindo conservas da colheita, os consumidores podem ao mesmo tempo fazer parte dos apoiadores, entre outros.
Texto introdutório sobre o projeto agroambiental desenvolvido pelo engenheiro ambientalista alemão que atua na área de gestão de recursos naturais e resíduos sólidos, Thilo Smith & da agrônoma especialista em agroecologia, Simone Miranda, por meio de cursos de Cultivo Ecológico e práticas de agricultura urbana como forma de dialogar com as pessoas sobre novas formas de produzir, consumir e se relacionarem entre si e com o meio ambiente. Ambos prestam consultoria e ministram cursos voltados ao cultivo de hortas orgânicas em um projeto de economia solidária, na Rua Limeira – Km 12, da Estrada de Aldeia, Camaragibe – PE. Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da saudosa pintora, escultora e desenhista Maria Carmen (Maria Carmen de Queirós Bastos – 1935-2014), que realizou exposições em Recife, Salvador, Brasília, Aracaju, Vitória, São Paulo, Lisboa, Bélgica, França, Peru, República Tcheca, entre outras. Veja mais aquiaqui.

A MÚSICA DE CONSUELO DE PAULA
Tenho acompanhado há tempos o talento desta competente e belíssima cantora, compositora, poeta e produtora, Consuelo de Paula. Por conta disso, degusto quase que cotidianamente a encantadora voz e verve desta que, para mim, é uma das maiores e mais expressivas artistas da música brasileira contemporânea: uma voz de ontens e amanhãs que se fazem presentes em tons e versos que fascinam o coração e a alma de quem contempla o prêmio instantâneo de tamanha maravilha. No próximo dia 16 de março, a partis das 20:30hs, no Espaço 91, próximo ao Sesc Pompeia, São Paulo, ela anuncia Ventoyá, a próxima obra dela: Maryakoré. Ventoyá é movimento de amor e de luta, um mergulho no dentro do tronco da árvore, vôo rasante sobre as folhas das árvores resistentes. Veja mais dela aqui, aqui, aqui & aqui.
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quarta-feira, março 04, 2015

CRÔNICA DO SEQUESTRO ANUNCIADO, VIVALDI, OUSPENSKY, MÁRCIO SOUZA, ADELMIDE, INEZITA, KIM BASINGER, SEARLE & O LOBISOMEM ZONZO!!!


A ROSÁRIO DO GALVEZ – O livro Galvez, Imperador do Acre (Marco Zero, 1976), do escritor amazonense Marcio Souza, traz a história do personagem caricatural e burlesca do aventureiro espanhol Luiz Galves Rodrigues Aria no norte do país que ambicionava fortuna rápida entre a classe dominante alienada e perdulária de exploração da borracha. Ele faz uma expedição ao Acre, então território boliviano, e declara a sua independência coroando-se imperador. A partir de então, começa uma história interessantíssima e obrigatória para um melhor conhecimento da literatura brasileira. Do livro destaco Rosário:Abri os olhos e deparei com um rosto de mulher. Me levantei assustado e ao mesmo tempo preocupado com a possibilidade de haver um alarma. Confesso que não estava gostando nada daquele vapor com ares de convento flutuante. A freira riu e eu procurei colocar as caças, que ceroula não são trajes para se encontrar com uma religiosa num porão. A freira me deu bom dia numa voz calma e sentou numa das arcas. Conversamos. Ela me disse que detestava o rosário das seis horas da manhã e os lençóis de algodão grosso. Veja mais aquiaqui, aquiaqui.

Imagem: Nude cartoonish drawing, do cartunista britânico Ronald Searle.

Ouvindo os Concertos do compositor italiano no Barroco tardio Antonio Vivaldi (1679-1741), com as flautas de Alberto Lizzio no Baroque Festival Orquestra. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE UM SEQUESTRO ANUNCIADO - Naquela manhã outonal de quinta, era um treze de abril em que ela mais exuberante que nunca, mais altaneira que sempre, fitou meus olhos pra cilada que a paixão pregou e a se chegar como um domingo de festa para se servir da minha gula e cobiça. Beijamo-nos discretamente, enquanto eu sussurrava ao seu ouvido: Está pronta pra pagar o resgate? Disse-me graciosa e firmemente em resposta: Ah, estou seqüestrada. E com toda classe ela me pegou a mão a me levar para lugar incerto e não sabido. Virei a cara pro perigo e fosse o que desse, segui-lhe os passos. Ao adentrarmos num compartimento, conferiu todo ambiente e as imediações, virou-se pra mim e disse-me: Puxa vida, tá valendo agora já do piso ao teto. E nos beijamos impunemente, a sua boca devoradora dava-me surras de beijos, pisas de afagos e manhas, todas as cartas e o melé para que, cão sem dono, ganisse pra ela mergulhando nas águas revoltas de suas tempestades de menina levada, feita presa e predadora, caça e caçadora, areia movediça de uma cadela no cio a gemer das entranhas todas as volúpias enclausuradas. Aos pegas e agarrados, nos desvencilhamos das vestes e o seu corpo nu, um livro aberto que mais eu queria conferir e desfrutar de cada letra de suas páginas ao bel prazer, era ao mesmo tempo o menu e as refeições, pronta estava para a escolha que eu quisesse. Estirou-se a um canto deitada e beijei seus pés alados e lambi suas pernas abertas e suas coxas voluptuosas, e abocanhei o seu ventre na caverna dos tesouros prazerosos pra me salvar nas suas águas: beijei, lambi, chupei a vagina inflada latejante com meus dedos explorando sua vulva e ânus, até vê-la desfalecer mil vezes enlouquecida de prazer. E me puxou pelos cabelos e me beijou a boca, as faces, os olhos e fez-me acomodar entre o pescoço e o ombro e eu a lamber sua carne, seus seios, umbigo e, novamente, ao ventre suguei todos os seus sabores mais remotos até vê-la aos gritos de gozo refeitos e constantes, a jogar a cabeça de um lado a outro, na loucura de ser explorada em toda sua intimidade. E mais gozou como uma estrela amante pornô pra satisfação do meu paladar, para depois revirar-me de ficar sob o peso de sua estatura graciosa, a flagrar minha paudurescência e a focar nele, encurralada ao meu penhasco que enfiou nela e ela cavalgou a rugir leoa bravia por muitos outros tantos gozos de rainha poderosa despida do reinado, de bruxa malvada desnuda de seus poderes mágicos, de baronesa nua depondo suas posses. E cavalgou os quatro cantos do mundo e refez o trote a tirar e botar como quem brinca de pula-pula a se agitar completamente atravessada por minha espada mais que entrante em todos os seus segredos. Assim gozou ininterruptamente, até ruir sobre mim, estertorando e manhando e se espremendo com minha lança dentro dela. Recompondo-se aos poucos, eis que ela mandona, possessiva, pregou as suas garras hábeis na minha carne como quem sai da tocaia armando a maior cilada, disse-me como fera mansa e dócil: Quero ser a lambreta do seu sonho, foda-me! Vá! Ela me fez virar bicho, rebolando de quatro tesuda tigresa indomável, e eu a devorá-la qual vítima indefesa, insaciável, tome, tome, pau entra e sai vagina adentro até esmorecer aos múltiplos gozos, bunda arrebitada, sôfrega, não me fiz de rogado, pica lambuzada no rego da bunda, mirando o alvo, enfiando bem devagarzinho glande caralho cu adentro, tome, até ela gritar com a mão friccionando o pinguelo com fervor em um ruidoso orgasmo, como se fosse a derradeira vez para eu arriar pesado, lavado de suor sobre seu corpo lânguido e febril. Assim ficamos por horas até adormecermos no meu pouso forçado de perder a hora. Despertando, fui ao banho e ao retornar ela deitou-me, sentou-se às minhas pernas e alisou-me a pele, braços, tórax e massageou minha clava forte endurecida e punhetou com jeito manso carinhosamente, para dizer-me sussurrando: Agora a minha vez! Estou com a boca cheia d’água, ele assim, enrijecido, não me sai da cabeça. E segurou firme meu pênis rijo como um troféu ao prêmio da satisfação à boca devoradora com um beijo de biquinho sobejando à glande e a lamber o dorso, o torso, e a chupar delicadamente enroscada nele como quem se delicia demoradamente em saborear os mínimos detalhes do meu tacape insano e mais chupou com sofreguidão até engolir inteiro garganta adentro com paixão a revolver minha tora erógena galante, a arrancar depois de tantas e muitas sucções bocais a erupção do meu sêmen transbordando o véu palatino para ter o meu mais inteiro gozo de prazer. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

PSICOLOGIA DA EVOLUÇÃO POSSÍVEL AO HOMEM – O livro Psicologia da evolução possível ao homem: síntese notável, atualíssima, da ciência do desenvolvimento espiritual através da consciência (Pensamento, 1993), do filósofo e psicólogo russo Piotr Deminanoviych Ouspensky (1878-1947), reúne as conferências do autor sobre a psicologia, as doutrinas do homem e sua evolução possível, a finitude humana e seu processo de transformação, o conhecimento humano, a capacidade e a individualidade, a consciência e vontade, as funções da máquina humana, entre outros assuntos. Trata-se de uma leitura indispensável para quem quer se aprofundar na psicologia transpessoal. Veja mais Veja mais aqui, aquiaqui.

O LOBISOMEM ZONZO – Quando assisti o drama biográfico O homem elefante (The Elephant Man, 1980), dirigido pelo diretor estadunidense David Lynch, contando a história do inglês Joseph Merrick (1862-1890), fiquei impressionado com o lirismo e com a mensagem do filme. Ficou martelando na minha cabeça por anos. Até que um dia, na segunda metade dos anos 1990, resolvi contar a minha história a partir das assombrações infantis que me fizeram do Lobisomem. Saiu, então, em 1998, o meu livrinho infantil com a história O Lobisomem Zonzo, em que eu me propus tratar acerca dos temores criados na infância ao lado de ideias que eu tinha do respeito às diferenças, do exercício da cidadania, do meio ambiente e da solidariedade humana. Foi uma surpresa! A edição de mil exemplares se esgotou rapidinho, graças ao destaque que a jornalista Elecsandra Moroni me deu na primeira página inteira do Caderno B, da Gazeta de Alagoas. Crianças e escolas me cobravam a reedição. Como eu não tinha editora pra bancar, adaptei o texto pro teatro e ele foi encenado em diversas localidades do Brasil. Ganhei até um prêmio em Pernambuco pelo texto. Em 2012 fiz a segunda edição que também já se esgotou e fiz uma reedição de mais mil exemplares, que também já não tenho mais um exemplar sequer. Assim que pintar uma graninha faço uma nova reedição do livro. Por enquanto veja aquiaqui e aqui.

A MULHER QUE REINA – Recolhida do livro Estradas & cardos – descrição dos sertões baianos (Laemmert, 1947), de M. M. de Freitas, a história A mulher que reina tem o seguinte teor: Sobre a população reunida na Chapada Diamantina, gente alucinada pelo ouro e com aspecto medieval, conta-se que reinava uma mulher. Nunca ninguém a viu.  E as crônicas não nos revelam o nome. Tinha seu trono e esconderijo na gruta denominada Mangabeira. Um viajante, mais tarde, tentou devassar esse mistério, mas depois de ter percorrido mais de um quilometro, acabou por desistir, pois era muito escuro, povoada de sapos, morcegos e ratos. Essa gruta é uma obra prima da natureza; entre as muitas que existem pelo sertão, não há nenhuma que se lhe compare. Não se sabe quem afirmou que ela, na noite dos tempos, servira de refúgio a monstros marinhos, quando a Chapada constituía valiosíssimo lago salgado, verdadeiro mar interior. A cidade desaparecida de Sincorá (embora muitos digam que não desapareceu, que ainda existe) tem merecido aprofundados estudos dos meios científicos. O mistério que hoje nos preocupa será um dia esclarecido, para alegria dos estudiosos das maravilhas da nossa terra. Veja mais aquiaqui.


NINE ½ WEEKS – O drama erótico Nine ½ Weekes (Nove e meia semanas de amor, 1986), dirigido por Adryan Lyne e com roteiro baseado no livro homônimo da escritora Elizabeth McNeill, com música de Jack Nitzsche, conta a história da bela e sexy Elizabeth, personagem vivido pela lindíssima atriz estadunidense Kim Basinger, que se envolve com um homem rico e poderoso, apaixonando-se intensamente para prática de suas fantasias sexuais, resultando pelo excesso numa relação difícil de ser controlada, pela qual a mulher passa a sofrer dependência psicológica. O filme é belíssimo e imperdível. Confira mais aqui.



HOMENAGEM ESPECIAL: TODO DIA É DIA DA MULHER

ADEMILDE FONSECA
 
A cantora Ademilde Fonseca (1921-2012) a Rainha do Choro.

INEZITA BARROSO
 
A cantora, atriz, instrumentista, folclorista, professora Honoris Causa e o maior nome da Música de Raiz brasileira, Inezita Barroso.
Veja mais aqui.


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Gabriela Mistral, Gregório de Matos Guerra & Ana Miranda, William Wordsworth, Ravi Shankar, Krzysztof Kieslowski, Almada-Negreiros & Irène Jacob aqui.

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Padre Bidião, extraterrestres & novo Messias, Gino Severini & Liu Yuanshou aqui.
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Egumbigos no país dos invisíveis, Tzvetan Todorov, Frédéric Chopin & Artur Moreira Lima, Epigramas de Marcial, Oduvaldo Vianna Filho, Sandro Botticelli, Jacques Rivette & Carmen Silvia Presotto aqui.
Fecamepa: no reino dos coprólitos, Marilena Chauí & Ideologia, Robert Lowell, Bendrich Smetana, Louis-Michel van Loo, Tizuka Yamasaki, Tânia Alves & Anayde Beiriz, Zilda Mayo, Eduardo Proffa & Hospedaria aqui.
Aurora, a canção, Silvia Lane & Psicologia Social, Ranata Pallottini, Os sonhos & a morte de Marie-Louise von Franz, Louis Malle, Jards Macalé, Franz Hanfstaengl,Miranda Richardson & Programa Tataritaritatá aqui.
O melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher, Gilvan Samico, Francisco Milani & Cordel Tataritaritatá aqui.
O mundo todo cabe em um ato de paz, René Magritte, Ricardo Brennan, Claudio Nucci, Paul Vilinski & Literatura Infantil aqui.
Sonhos graúdos na diversão da mocidade, Mario Perniola, Akino Kondoh, Alfred Cheney Johnston, Sandra Cinto & A mulher do médico aqui.
O que esperar do amanhã, Montserrat Figueras, Araki Nobuyoshi, José Joaquim da Silva, Gerda Wegener, Rajkumar Sthabathy & Angel Popovitz aqui.
Na calçada da tarde, António Botto, Festival de Dioniso & William-Adolphe Bouguereau, Yara Bernette, Maria Lynch, Rosa Bonheu & Patricia de Cassia Porto aqui.
O mergulho das manhãs e noites nas águas profundas do amor, Luchino Visconti, Constança Capdeville, Aubrey Beardsley, Spencer Tunick, Luciah Lopez & Escola Estadual Joaquim Fernando Paes de Barros Neto aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

MARCIO SOUZA, FRANCIS BACON, HORKHEIMER, BETTY GOODWIN, GLAURA & SILVA ALVARENGA, HISTÓRIA DO CINEMA, AUDREY MUNSON & A TARA DA BUNDUDA



 
A arte da gravadora, escultura, pintora e artista de instalação canadense Betty Goodwin (1923-2008)


HISTÓRIA DO CINEMAO desejo de reproduzir o movimento esteve sempre ligado ao homem e, não há como estabelecer um marco no campo das artes, já que inúmeros fatores concorrem para o estabelecimento de determinada técnica, seu emprego, suas práticas associadas e seu impacto numa ordem cultural. A prova disso são os desenhos encontrados nas cavernas de Altamira na Espanha onde um bisão desenhado há 12 mil anos apresenta oito patas como se o autor tentasse decompor o movimento. O que se tem de certo do surgimento do cinema é a interação que há em projeções públicas de imagens animadas, que nascem de várias inovações que vão desde o domínio fotográfico até a síntese do movimento utilizando a persistência da visão com a invenção de jogos ópticos. A invenção da fotografia e, sobretudo a da fotografia animada, foram momentos cruciais para o desenvolvimento não só das artes como da ciência, em particular no campo da antropologia visual. O conceito de cinema, abreviação de cinematógrafo, é a técnica de projetar fotogramas (quadros) de forma rápida e sucessiva para criar a impressão de movimento, bem como a arte de se produzir obras estéticas, narrativas ou não, com esta técnica. Ele é simultaneamente arte, técnica, indústria e mito. O cinema é, também, conhecido como “a sétima arte”. Esta expressão foi criada pelo crítico e estudioso de cinema Ricciotto Canudo, italiano radicado na França, e fundador do “Clube dos Amigos da Sétima Arte”, e popularizada, no início da segunda década do século XX, época dos “filmes de arte” franceses, colocando o cinema no mesmo patamar de status do teatro, da música, da literatura, do balé, da pintura e da escultura. Segundo Louis Delluc, “o cinema é, talvez, a única arte realmente moderna, porque é ao mesmo tempo filha da máquina e do ideal humano”. A princípio, o cinema foi apenas uma maravilhosa invenção mecânica. Depois, sua linguagem evoluiu, a técnica e seus efeitos se sofisticaram, até chegar à fase atual, caracterizada por uma evolução dos temas, do conceito de personagem e do conceito de estrutura narrativa. De fato, a data de 28 de Dezembro de 1895, é especial no que refere ao cinema, e sua história. Neste dia, no Salão Grand Café, em Paris, os irmãos Lumière  fizeram uma apresentação pública dos produtos de seu invento ao qual chamaram Cinematógrafo. O evento emocionou os poucos presentes, a notícia se alastrou e, em pouco tempo, este feito artístico conquistaria o mundo e faria nascer uma indústria multibilionária. A primeira exibição pública das produções dos irmãos Lumière foi o filme L'Arrivée d'un Train à La Ciotat. Que se sucedeu em uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada, já que os rolos de película tinham quinze metros de comprimento. Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamavam-se "A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat", cujos títulos exprimem bem o conteúdo. Apesar de também existirem registros de projeções um pouco anteriores a outros inventores (como os irmãos Skladanowski na Alemanha), o cinema expandiu-se, a partir de então, por toda a França, Europa e Estados Unidos, através de cinegrafistas enviados pelos irmãos Lumière para captar imagens de vários países, que acreditavam que o cinematógrafo era apenas "uma invenção sem futuro". Embora seja a França, o país que reivindica para si a descoberta do cinema, com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Luis e Augusto Lumière, não se pode dizer que esta invenção aconteceu isoladamente, em outros países, várias experiências também estavam sendo realizadas, mas a sessão pública dos Lumière é aceita pela maciça maioria como o marco inicial da nova arte. Nesta mesma época, um mágico ilusionista chamado Georges Méliès, que comandava um teatro nas vizinhanças do local da primeira exibição mencionada, quis comprar um cinematógrafo, para utilizá-lo em seus números de mágica. No entanto, os Lumière não quiseram vender-lhe, e o pai dos irmãos inventores chegou a dizer a Meliès que o aparelho tinha finalidade científica e que o mágico teria prejuízo, se gastasse dinheiro com a máquina, para fazer entretenimento. Meliès conseguiu um aparelho semelhante na Inglaterra, e foi o primeiro grande produtor de filmes de ficção, com narrativas, voltados para o entretenimento. Em suas experimentações, o mágico descobriu vários truques que resultaram nos primeiros efeitos especiais da história do cinema. Foi o responsável, portanto, pela inserção da fantasia na realização de filmes. Desde o início, inventores e produtores tentaram casar a imagem com um som sincronizado. Mas nenhuma técnica deu certo até a década de 20. Assim sendo, durante 30 anos os filmes eram praticamente silenciosos sendo acompanhados muitas vezes de música ao vivo, outras vezes de efeitos especiais e narração e diálogos escritos presentes entre cenas. Infelizmente, cerca de 90% dos filmes mudos se perderam, e essa perda atormenta tanto quanto a busca do Santo Graal, Elvis Presley e o monstro do Lago Ness, volta e meia são vistos, mas nunca encontrados. De fato, a maioria dos filmes mudos foi derretida a fim de recuperarem o nitrato de prata, um componente caro. O desenvolvimento de filmes fez crescerem os nickelodeons, pequenos lugares de exibição de filmes onde se pagava o ingresso de 1 níquel. Os filmes também começaram a aumentar a sua duração. Antes um filme durava de 10 a 15 minutos. Os vários passos em busca da melhor forma para contar uma história com imagens contribuíram para a linguagem cinematográfica que temos hoje. Esta caminhada foi gradativa. Cada passo seguinte dependeu do que fora feito anteriormente. A tela do cinema é bidimensional. Mas a realidade é tridimensional, os objetos, pessoas e animais têm volume, assim o difícil era como projetar filmes em salas. As primeiras câmeras eram pesadas. Com o tempo, conseguiram fabricar câmeras mais leves e isso facilitou o registro de pessoas, transportes, animais em movimento. Como registro de imagens e som em comunicação, o Cinema também é uma mídia. A indústria cinematográfica se transformou em um negócio importante em países como a Índia e os Estados Unidos, respectivamente o maior produtor em número de filmes por ano e o que possui a maior economia cinematográfica, tanto em seu mercado interno quanto no volume de exportações. Até esta época, Itália e França tinham o cinema mais popular e poderoso do mundo, mas com a I Guerra Mundual , a indústria européia de cinema foi arrasada. Hollywwod começou a se destacar no mundo do cinema fazendo e importando diversos filmes. Thomas Edison tentou tomar o controle dos direitos sobre a exploração do cinematógrafo. Alguns produtores independentes emigraram de Nova York à costa oeste para um pequeno povoado chamado Hollywood, e lá, encontraram condições ideais para produzir. Dias ensolarados quase todo ano, diferentes paisagens que puderam servir como locações. Assim nasceu a chamada "Meca do Cinema", e Hollywood se transformou no mais importante centro cinematográfico do planeta. Como alternativa de Hollywood existiam vários outros lugares que investiam no cinema e contribuíam para seu desenvolvimento. Nesta época foram fundados os mais importantes estúdios de cinema (Fox, Universal, Paramount) controlados por judeus (Daryl Zanuck, Samuel Bronston, Samuel Goldwyn, etc.) que viam o cinema como um negócio. Lutaram entre si e às vezes para competir melhor, juntaram empresas assim nasceu a 20th Century Fox (da antiga Fox) e Metro Goldwyn Meyer (união dos estúdios de Samuel Goldwyn com Louis Meyer). Os estúdios encontraram diretores e atores e com isso nasceu o sistema de promoção de estrelas de Hollywood. Até então já haviam sido feitos filmes com som, mas com problemas de sincronização e amplificação. O uso do som fez com que o cinema se diversificasse mais em termos de gêneros nasciam entre eles o musical algumas comédias. E com a junção dos dois surgia a comédia musical. Nos anos 50, o cinema passou a enfrentar a concorrência da televisão. O aumento da popularidade da TV fez com que várias casas de cinema fechassem as suas portas. Para atrair mais telespectadores a indústria cinematográfica começou a investir em novos formatos, na verdade os grandes formatos. Em 1952 surgiu o Cinerama, em 1953 o Cinemascope da 20th Century Fox, em 1954 a VistaVision da Paramount todos com a idéia de quanto maior melhor. A multiplicidade de estilos e influências marca as produções cinematográficas contemporâneas. A Itália inicia a década de 60 com um cinema mais intimista. A França vive a “nouvelle vague” ou onda nova. Nos EUA, destaca-se a Escola de Nova York e, no Reino Unido, o “free” cinema. A partir do neo-realismo italiano o cinema se renova em várias partes do mundo: Alemanha, Hungria, Iugoslávia, Polônia, Canadá e em países da Ásia e América Latina, como Brasil e Argentina. Além disso, começam a despontar as produções cinematográficas de países subdesenvolvidos, em processo de descolonização. Veja mais aqui.
REFERÊNCIAS
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PENSAMENTO DO DIA[...] Embora pensemos que governamos nossas palavras [...] é certo que as palavras, como um arco tártaro, se voltam contra o entendimento dos mais sábios e pervertem e enredam poderosamente o juízo. De modo que em todas as controvérsias e disputas é quase necessário imitar a sabedoria dos matemáticos, definindo desde o começo nossos termos e nossas palavras, para que os outros possam saber como as aceitamos e compreendemos, e se eles estão de acordo conosco ou não. Porque de outro modo acontece que com certeza terminamos onde devêramos ter começado, ou seja, em controvérsias e diferenças a respeito das palavras. [...] Pensamento do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626). Veja mais aqui.

TEORIA & PRÁTICA - [...] A teoria em seu sentido tradicional, cartesiano, como a que se encontra em vigor em todas as ciências especializadas, organiza a experiência à base da formulação de questões que surgem em conexão com a reprodução da vida dentro da sociedade atual. Os sistemas das disciplinas contem os conhecimentos de tal forma que, sob circunstâncias dadas, são aplicáveis ao maior numero possível de ocasiões... A teoria crítica da sociedade, ao contrário, tem como objeto os homens como produtores de todas as suas formas históricas da vida (ênfase acrescida). Trecho da obra Filosofia e teoria crítica (Nova Cultural, 1989), do filósofo e sociólogo alemão Max Horkheimer (1895-1973). Veja mais aqui.

OUTROS TEMPOSEsta história não tem Lobo nem Cordeiro. Muito menos Fada Madrinha. O Lobo foi caçado e transformado em tapete. O Cordeiro trabalha hoje como funcionário do governo. E a Fada Madrinha tem um ponto de jogo-do-bicho ali na esquina. No tempo do Lobo e do Cordeiro, a gente podia ver as coisas bem clarinhas. A água do riacho, onde o Cordeiro bebia, não tinha espuma de detergente. E o Lobo, ora, o Lobo falava grosso e enganava o Cordeirinho. Mas aí a Fada Madrinha perdeu o emprego. Ela nem morava perto do Lobo e do Cordeiro. A Fada Madrinha morava em outra história, com Rei e Rainha e Princesinha. O Rei sonhava em melhorar seu reino. A Rainha sonhava em viver num reino menos antigo. A princesinha gostava de calça jeans e dos Rolling Stones. Foi quando o reino começou a ter problemas, bem no instante em que o Cordeirinho reclamou ao Lobo que não dava para beber daquela água. O reino estava ficando pobre e a Princesinha pediu que a Fada Madrinha fizesse uma nova calça jeans com sua varinha de condão. Bem que a Fada Madrinha tentou. Mas o Rei havia deixado o reino tão pobrezinho e sem dinheiro, que a Fada Madrinha não conseguiu satisfazer o desejo da Princesinha. E a Fada Madrinha perdeu o emprego. E o Rei perdeu o trono. E a Rainha acordou e não gostou o que viu. Pois o Lobo tinha virado tapete e o Cordeirinho agora era ministro do Planejamento e estava vendendo o reino ao fabricante de jeans. A princesinha, muito triste, ficava ouvindo os Rolling Stones, em seu jeans desbotado, com vontade de dizer ao Cordeirinho:– Você sujou a água do meu riacho, Cordeirinho. Isso tudo porque os tempos tinham mudado. Texto do escritor amazonense Marcio Souza. Veja mais aqui.

OS FRAGMENTOS DA GLAURA – MADRIGAL – I - Suave fonte pura, / Que desces murmurando sobre a areia, / Eu sei que a linda Glaura se recreia / Vendo em ti dos seus olhos a ternura; / Ela já te procura; / Ah! como vem formosa e sem desgosto! / Não lhe pintes o rosto: / Pinta-lhe, ó clara fonte, por piedade, / Meu terno amor, minha infeliz saudade. III - Voai, suspiros tristes; / Dizei à bela Glaura o que eu padeço, / Dizei o que em mim vistes, / Que choro, que me abraso, que esmoreço. / Levai em roxas flores convertidos / Lagrimosos gemidos que me ouvistes: / Voai, suspiros tristes; / Levai minha saudade; / E, se amor ou piedade vos mereço, / Dizei à bela Glaura o que eu padeço. XV - No ramo da mangueira venturosa / Triste emblema de amor gravei um dia,/ E às Dríades saudoso oferecia / Os brandos lírios, e a purpúrea rosa./ Então Glaura mimosa / Chega do verde tronco ao doce abrigo.../ Encontra-se comigo.../ Perturbada suspira, e cobre o rosto./ Entre esperança e gosto/ Deixo lírios, e rosas... deito tudo;/ Mas ela foge (Ó Céus!) e eu fico mudo. XXIV - Não desprezes, ó Glaura, entre estas flores,/ Com que os prados matiza a bela Flora,/ O Jambo, que os Amores/ Colheram ao surgir a branca aurora./ A Dríade suspira, geme e chora/ Aflita e desgraçada. / Ela foi despojada... os ais lhe escuto.../ Verás neste tributo,/ Que por sorte feliz nasceu primeiro,/ Ou fruto que roubou da rosa o cheiro,/ Ou rosa transformada em doce fruto. À LUA - Como vens tão vagarosa,/ Oh formosa e branca lua!/ Vem co'a tua luz serena/ Minha pena consolar!/ Geme, oh! céus, mangueira antiga,/ Ao mover-se o rouco vento, / E renova o meu tormento/ Que me obriga a suspirar!/ Entre pálidos desmaios/ Me achará teu rosto lindo/ Que se eleva refletindo / Puros raios sobre o mar./ Madrigal LIII [Tu és no campo, ó Rosa,] / Tu és no campo, ó Rosa, / A flor de mais beleza/ De quantas produziu a Natureza / Que em tuas perfeições foi cuidadosa./ E se Glaura formosa/ No seio dos prazeres te procura,/ Qual outra flor será de mais ventura,/ Ou mais digna de amor ou mais mimosa? / Tu és no campo, ó Rosa,/ A flor de mais ventura e mais beleza / De quantas produziu a Natureza. / Madrigal XVIII [Suave Agosto as verdes laranjeiras] / Suave Agosto as verdes laranjeiras / Vem feliz matizar de brancas flores,/ Que, abrindo as leves asas lisonjeiras,/ Já Zéfiro respira entre os Pastores/ Nova esperança alenta os meus ardores / Nos braços da ternura./ Ó dias de ventura, / Glaura vereis à sombra das mangueiras! / Suave Agosto as verdes laranjeiras / Co'a turba dos Amores / Vem feliz matizar de brancas flores.  A SERPENTE - Verde Cedro, verde arbusto, / Que o meu susto e prazer vistes, / Vamos tristes na memória / Essa história renovar. / Este o vale, é esta a fonte: / Glaura achei aqui dormindo: / Sonha alegre e se está rindo,/ E eu defronte a suspirar./ Junto dela pavoroso, / Vi, oh Céus! Monstro enrolado, / Fero, enorme, atroz, manchado,/ E escamoso cintilar. / Verde Cedro, verde arbusto, / Que o meu susto e prazer vistes, / Vamos tristes na memória/ Essa história renovar./ Ardo, e tremo, e louco amante / Mil horrores n’alma pinto: / Vou... receio... ah que me sinto / Vacilante desmaiar. / Vence Amor (doce ternura!): / Tomo a Ninfa nos meus braços: / Ele aperta os novos laços, / E assegura o triunfar. / Verde Cedro, verde arbusto, / Que o meu susto e prazer vistes, / Vamos tristes na memória / Essa história renovar. / Em si mesma se embaraça / A serpente enfurecida;/ Ergue o colo e atrevida/ Ameaça a terra e o ar./ Numa pedra rude e feia/ Já lhe envio a morte afoita;/ Já co’a cauda o tronco açoita,/ Morde a areia ao expirar./ Verde Cedro, verde arbusto,/ Que o meu susto e prazer vistes,/ Vamos tristes na memória / Essa história renovar./ Venturoso e satisfeito,/ "Glaura bela (então dizia),/ Vê de amor e de alegria/ O meu peito palpitar"./ Ela, em mim buscando arrimo,/ Coroa, e diz inda assustada:/ "Esse puro ardor me agrada",/ Eu te estimo e te hei de amar"./ Verde Cedro,  verde arbusto,/ Que o meu susto e prazer vistes,/ Vamos tristes na memória/ Essa história renovar. (Rondó V) - Neste áspero rochedo, / A quem imitas, Glaura sempre dura, / Gravo o triste segredo / Dum amor extremoso e sem ventura. / Os faunos da espessura / Com sentimento agreste / Aqui meu nome cubram de cipreste; / Ornem o teu as ninfas amorosas / De goivos, de jasmins, lírios e rosas./ Suave fonte pura, / Que desces murmurando sobre a areia, / Eu sei que a linda Glaura se recreia / Vendo em ti de seus olhos a ternura: / Ela já te procura; / Ah! como vem formosa, e sem desgosto! / Não lhe pintes o rosto: / Pinta-lhe, ó clara fonte, por piedade, / Meu terno amor, minha infeliz saudade. / No ramo da mangueira venturosa / Triste emblema de amor gravei um dia, / E às dríades saudoso oferecia / Os brandos lírios e a purpúrea rosa. / Então Glaura mimosa / Chega do verde tronco ao doce abrigo ... / Encontra-se comigo ... / Perturbada suspira, e cobre o rosto. / Entre esperança e gosto,/deixo lírios e rosas ... deixo tudo; / Mas ela foge (ó céus!) e eu fico mudo. / Capada laranjeira, onde os amores/ Viram passar de agosto os dias belos, / Então de brancas flores / Adornaste risonha os seus cabelos. / A fortuna propícia aos teus desvelos / Anuncia feliz novos favores: / Glaura torna; ah! conserva lisonjeira, / Copada laranjeira, por tributos, / Na rama verde-escura os áureos frutos. / Ó sono fugitivo, / De vermelhas papoulas coroado, / Torna, torna amoroso, e compassivo / A consolar um triste, e desgraçado, / Gemendo nesta gruta recostado, / Sinto mortal desgosto; / Não vejo mais que o rosto desc orado/ Da saudade, e da mágoa, com que vivo;/ Ó sono fugitivo, / Torna, torna amoroso, e suspirado / A consolar um triste, e desgraçado. / Crescei, mimosas flores, / Adornai a verdura deste prado. / Já zéfiro aparece entre os Amores / Risonho e sossegado: / Da amável Primavera o doce agrado / Novo prazer inspira às Graças belas: / Verei brincar entre elas / A Ninfa mais cruel nos seus rigores. / Crescei, mimosa s flores, / Fugiu o Inverno triste, e congelado; / Adornai a verdura deste prado: / Ó águas dos meus olhos desgraçados, / Parai que não se abranda o meu tormento: / De que serve o lamento / Se Glaura já não vive? Ai, duros Fados! / Ai, míseros cuidados! / Que vos prometem minhas mágoas? águas, / Águas!, responde a gruta, / E a ninfa que me escuta nestes prados! / Ó águas de meus olhos desgraçados,/ Correi, correi; que na saudosa lida /Bem pouco há de durar tão triste vida. O AMANTE SATISFEITO - Rondó XXVI - Canto alegre nesta gruta,/ E me escuta o vale e o monte:/ Se na fonte Glaura vejo,/ Não desejo mais prazer./ Este rio sossegado,/ Que das margens se enamora,/ Vê co'as lágrimas da Aurora/ Bosque e prado florescer./ Puro Zéfiro amoroso/ Abre as asas lisonjeiras,/ E entre as folhas das mangueiras/ Vai saudoso adormecer./ Canto alegre nesta gruta,/ E me escuta o vale e o monte: / Se na fonte Glaura vejo,/ Não desejo mais prazer./ Novos sons o Fauno ouvindo / Destro move o pé felpudo:/ Cauteloso, agreste e mudo/ Vem saindo por me ver. / Quanto vale uma capela / De jasmins, lírios e rosas,/ Que co'as Dríades mimosas/ Glaura bela foi colher! / Canto alegre nesta gruta, / E me escuta o vale e o monte. / Se na fonte Glaura vejo, / Não desejo mais prazer./ Receou tristes agoiros / A inocência abandonada; / E aqui veio retirada / Seus tesoiros esconder. / O mortal, que em si não cabe, / Busque a paz de clima em clima; / Que os seus dons no campo estima, / Quem os sabe conhecer. / Canto alegre nesta gruta, / E me escuta o vale e o monte: / Se na fonte Glaura vejo, / Não desejo mais prazer. / Os metais adore o mundo; / Ame as pedras, com que sonha,/ Do feliz Jequitinhonha,/ Que em seu fundo as viu nascer. / Eu contente nestas brenhas / Amo Glaura e amo a lira, / Onde terno amor suspira, / Que estas penhas faz gemer. / Canto alegre nesta gruta, / E me escuta o vale e o monte: / Se na fonte Glaura vejo, / Não desejo mais prazer. O BEIJA-FLOR - Rondó VII - Deixo, ó Glaura, a triste lida / Submergida em doce calma; / E a minha alma ao bem se entrega, / Que lhe nega o teu rigor./ Neste bosque alegre e rindo/ Sou amante afortunado;/ E desejo ser mudado / No mais lindo Beija-flor. / Todo o corpo num instante/ Se atenua, exala e perde:/ É já de oiro, prata e verde / A brilhante e nova cor./ Deixo, ó Glaura, a triste lida / Submergida em doce calma; / E a minha alma ao bem se entrega,/ Que lhe nega o teu rigor./ Vejo as penas e a figura,/ Provo as asas, dando giros;/ Acompanham-me os suspiros,/ E a ternura do Pastor./ E num vôo feliz ave / Chego intrépido até onde/ Riso e pérolas esconde/ O suave e puro Amor./ Deixo, ó Glaura, a triste lida/ Submergida em doce calma;/ E a minha alma ao bem se entrega,/ Que lhe nega o teu rigor./ Toco o néctar precioso, / Que a mortais não se permite;/ É o insulto sem limite, / Mas ditoso o meu ardor;/ Já me chamas atrevido,/ Já me prendes no regaço:/ Não me assusta o terno laço, / É fingido o meu temor./ Deixo, ó Glaura, a triste lida / Submergida em doce calma; / E a minha alma ao bem se entrega,Que lhe nega o teu rigor. / Se disfarças os meus erros, / E me soltas por piedade,/ Não estimo a liberdade, / Busco os ferros por favor. / Não me julgues inocente,/ Nem abrandes meu castigo;/ Que sou bárbaro inimigo, / Insolente e roubador./ Deixo, ó Glaura, a triste lida / Submergida em doce calma;/ E a minha alma ao bem se entrega,/ Que lhe nega o teu rigor. O RIO -- Rondó XLIX - Chora o Rio entre arvoredos,/ Nos penedos recostado:/ Chora o prado, chora o monte,/ Chora a fonte, a praia, o mar./ Vêm as Graças lagrimosas,/ E os Amores sem ventura/ Nesta fria sepultura/ Pranto e rosas derramar./ Por ti, Glaura, a Natureza/ Se cobriu de mágoa e luto:/ Quanto vejo, quanto escuto/ É tristeza, e é pesar./ Chora o Rio entre arvoredos, / Nos penedos recostado: / Chora o prado, chora o monte, / Chora a fonte, a praia, o mar./ A escondida, áspera furna / Deixam sátiros agrestes,/ E de lúgubres ciprestes/ Vem a urna circular./ Vêm saudades, vêm delírios,/ Vem a dor, vem o desgosto/ Com os cabelos sobre o rosto/ Murta e lírios espalhar./ Chora o Rio entre arvoredos,/ Nos penedos recostado:/ Chora o prado, chora o monte,/ Chora a fonte, a praia, o mar./ Nestes ramos flébil aura / Triste voa e presa gira:/ Glaura aqui, e ali suspira,/ Torna Glaura a suspirar. / Eco, as Dríades magoa,/ O saudoso nome ouvindo;/ E na gruta repetindo,/ Glaura soa e geme o ar./ Chora o Rio entre arvoredos, / Nos penedos recostado:/ Chora o prado, chora o monte,/ Chora a fonte, a praia, o mar./ Glaura ó Morte enfurecida,/ Expirou... que crueldade!/ E pudeste sem piedade / Sua vida arrebatar? / Cai a noite, a névoa grossa / Turba os Céus com manto escuro; / E eu aflito em vão procuro/ Quem me possa consolar./ Chora o Rio entre arvoredos, / Nos penedos recostado:/ Chora o prado, chora o monte,/ Chora a fonte, a praia, o mar. SILVA ALVARENGA - Manuel Inácio da Silva Alvarenga (1749 - 1814) nasceu em Vila Rica. Estudou no Rio de Janeiro e em Coimbra. Era um ardoroso defensor de Pombal e das idéias iluministas. Sua obra Glaura (1799). Pelos dados biográficos de Manuel Inácio da Silva Alvarenga se pode depreender que sua vida fluiu em parte em função das duas tendências ideológicas atuantes ao seu tempo. Como poeta, entretanto, foi ele obediente seguidor da tradição. Sua poesia lírica consubstanciada num livro apenas, Glaura, é quase um permanente esforço de subordinação a formas e temas consagrados, num preciosismo de quem requinta em obter algo de algo já esgotado e decadente. Todas as suas peças líricas de sua Glaura são em numero de cinqüenta e nove rondós e cinqüenta e sete madrigais. O rondó, forma poética medieval francesa, tem sua notabilidade em Guillaume de Machaut, Eustache Deschamps, Charles d´Orleans, devendo, originalmente, ser destinado ao anto e consistindo de tres estrofes, com um total de doze a quatorze versos, com duas rimas recorrentes. Variando o numero de versos e o esquema das rimas, o verdadeiro apoio fonético que em breve o caracteriza passou a ser a repetição do primeiro verso ao fim da segunda e terceira estrofres do rondó. Variação subseqüente, que se pode chamar rondel, consistiu em repetir, em numero maior de versos, o primeiro verso pela altura do oitavo ou de um dos seguintes versos e no fim do poema. Os rondós de Silva Alvarenga representam um fim de evolução da forma, como estrutura sensivelmente diferente. Consistem, quase todos, em quatro grupos de tres quadras, sendo repetida a primeira quadra, em forma de estribilho, no inicio de cada grupo assim como no fim do poema – o que totaliza, por conseguinte, treze quadras ou cinqüenta e dois versos. O verso, na grande maioria dos rondós, é heptassilabo, redondilha maior, salvo os do rondó que são pentassilabos redondilhas menores, e os rondós hexassilabos. Os heptassibilabos são, quase sem discrepância, acentuados na terceira e sétima silabas. Os pentassilabos, na segunda e quinta, e os hexassilabos, na segunda e sexta. O madrigal, originalmente italiano, confunde-se com a silva espanhola, praticada em língua portuguesa, consistindo de uma pequena serie de versos decassílabos e hexassilabos, em seqüência qualquer, rimando entre si sem esquema prévio de rimas. Em Glaura - Poemas eróticos (1799), Silva Alvarenga soube criar uma sonoridade leve e cantante, animada por um sentimentalismo difuso, entre dengoso e lamuriante, que iria derramar-se, em clave mais adocicada, em muitas cantigas do nosso cancioneiro popular. Ao mesmo tempo, a imaginação plástica de Silva Alvarenga captou vivamente aspectos da natureza carioca, abrindo espaço para um sentimento da paisagem que os românticos depois iriam aprofundar. Por tudo isso, Glaura constitui um episódio fundamental do arcadismo brasileiro. Os rondós são formas poemáticas que, como a balada, estão relacionadas com a dança, sendo de origem francesa, foi convertido por Silva Alvarenga em um conjunto de quadras com um estribilho que abre e fecha a composição se dispondo sempre como rimas internas, além de se intercalar entre séries de duas estrofes. A obra Glaura é composta por 59 rondós e de 56 madrigais. Nos rondós o autor utiliza versos curtos, sendo hábil na expressão da clareza dos sentimentos e na exploração do estrato fônico dos poemas, bem como a perfeição do ritmo e da rima, inclusive internas, que revela o sentido primitivo do rondó que traz a idéia de circularidade : rondeau (do latim, rotundu(m), "redondo, em forma de roda"),e, pelo que se sabe, o rondó foi feito para ser cantado ou para servir de acompanhamento de uma dança chamada ronde. Os rondós, sempre em redondilha, começam com poucas exceções, por um quarteto que serve de estribilho, com rimas encadeadas. Segue-se dois quartetos. Os madrigais de origem italiana são composições poéticas engenhosas e galantes dirigida as damas, porém mais livre, articulando-se em estrofes variamente rimadas, que vão de 8 a 11 versos. Como na tradição italiana dessa forma, notamos a alternância de versos decassílabos, maiores, com versos hexassílabos, menores, atribuindo maior variedade rítmica. Os madrigais, constroem-se um pouco ao sabor da improvisação, guardadas sempre as medidas do verso heróico de dez ou sei sílabas. Silva Alvarenga como músico e também descendente de músico, soube enriquecer com facilidade suas obras com grande musicalidade, assim podemos observar no madrigal de número XXVI "Vês, Ninfa, em alva escuma o pego irado", o ar festivo ao celebrar o amor com simplicidade das palavras e com seqüência ligeira dos versosdos quartetos é sempre a mesma, e aguda.
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HOLANDA, Sergio Buarque (Org). Antologia dos poetas brasileiros da fase colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979,
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TAVARES, Hênio. Teoria Literária. Belo Horizonte: Itatiaia, 1989.

TODO DIA É DIA DE AUDREY MUNSON
Homenagem para a atriz e supermodelo estadunidense Audrey Munson (1891-1996).

A TARA DA BUNDUDA - Era festa em Gameleira. Eu ali perdido, à-toa, caçando estrelas entre as beldades. Roda gigante, montanha russa, carrosséis, nada me chamava atenção que as deliciosas moças que desfilavam pra lá e pra cá pela rua. Fiquei tonto de tão andejo, dirigi-me ao bar mais próximo, encostei-me ao balcão, pedi uma cerveja e ao sorver o primeiro gole, a minha visão foi levada a um vulto estonteante de mulher. Minha nossa! Vestido longo colado ao corpo escultural, ela emanava suas formas graciosas e perfeitas, atiçando-me o apetite e em minha direção. Transitou entre as mesas até se encostar ao balcão, pedir um drinque e fitar-me pelo canto do olho enquanto saboreava a bebida. Virou a dose de uma vez, respirou fundo, deu para ver-lhe os seios nus e abudantes dentro do vestido. Estremeceu, virou-se inteira para mim e me pediu um cigarro. Estirei o maço para que pegasse, acendi o isqueiro e pude sentir de perto o perfume de sua carne saborosa. Tragou fechando os olhos manhosamente, ofereci-lhe a cerveja, ela aceitou outro drinque. Convidei-a para sentarmos em alguma mesa e ela foi em frente, possibilitando que eu tivesse a mais completa dimensão de sua maravilhosa estatura, escolhendo a mais distante de olhares e encostada quase escondida. Acompanhei-lhe os passos e me sentei ao lado dela. Ela tragava suspirando com um jeito trêmulo de quem estava em apuros. Algum problema? Indaguei e ela tomou um gole da bebida e disse-me que havia tempo queria falar comigo. Sim? Há tempos venho tentando contatar você, pra ser sincera, três anos. Mesmo? Sim, há três anos que procuro todos os meios para falar com você. Pois bem, aqui estou. Estou nervosa. Tome outro drinque. O garçom trouxe nova dose de uísque duplo. Fiquei atento, não queria perder o mínimo dos seus gestos. Meu nome é Vandina, não sou daqui, estou na casa de uma tia há três anos, justamente por sua causa. Eu? Sim. Morava em Recife, trabalhava perto do seu escritório e quando soube que você estava na emissora, eu fiz de tudo para vir, precisava ver você. Mesmo? Sim, você mexeu comigo e agora precisava acertar as contas com você. Acertar contas comigo, o que fiz? Sim, estou muito nervosa, desculpe, mas você roubou meu coração. Você passava três vezes ao dia em frente ao meu trabalho, todo dia eu lhe esperava e nunca me notou. Que coisa! Ela virou a dose duma vez e me perguntou se podíamos ir para outro local mais discreto. Claro! Paguei a conta e saímos. Entramos no carro quando ela falou de um restaurante na cidade vizinha que seria ideal. Fomos pra Ribeirão. Durante a viagem completo silêncio, ela só me olhava, imóvel, atenta. Foram alguns minutos de absoluto silêncio, até chegarmos ao destino. Estacionei o veículo, descemos e nos sentamos à mesa mais distante, pedi uísque duplo pra ela, uma cerveja pra mim. Como o ambiente era bem mais iluminado que o anterior, pude ver a formosura de sua fisionomia: uma mulher linda e tanto, como eu nunca notara a presença dela em Recife? Ela virou a dose, mandou pedir outra enquanto ia ao toalete. Acompanhei a sua rítmica caminhada, pedi ao garçon a bebida e fiquei esperando. Logo ela reapareceu mais linda que nunca, veio em minha direção e sentou-se ao meu lado, bem encostadinha e começou a sussurrar me segredando sua história ao meu ouvido. Ao me contar detalhes da sua vida aos cochichos, ela pousou as mãos sobre a minha coxa esquerda, e me contava dos seus dias e noites, três anos de espera e procura, desejos e angústias. Não pude me controlar. Ao perceber a saliência do meu membro endurecido na calça, fitou-me os olhos e perguntou: O que é isso? Você, eu disse. Carinhosamente ela esticou as pontas dos dedos e tocou timidamente meu membro por cima da calça com o dedo mínimo e, aos poucos, lentamente, um a um dos dedos foi tomando conta de todo meu pênis endurecido, até apalpá-lo, mão cheia, mordendo os lábios e olhos firmes nos meus. Não dizia nada, apenas me olhava enquanto suas mãos remexiam carinhosamente a minha tesão enlouquecida, aí desabotou minha calça, desceu o zíper e buscou meu pau duro dentro da cueca até expô-lo lambendo os beiços: É lindo!, disse ela, segurando firme com as duas mãos e se ajeitando para tocá-lo com um beijo apaixonante e lambê-lo para abocanhá-lo inteiro na mais deliciosa das bocas, chupando-o ternamente de babá-lo todo e, de repente, levantou-se e disse-me: - Vamos daqui, vamos! Levantou-se, chamei o garçom, paguei a conta e puxei-lhe para mais perto, visando não ser visto em estado denunciador. Ela me trouxe para perto das suas nádegas, meus braços envolvendo sua cintura e ela rebolando para me assanhar mais ainda até chegarmos ao carro e nos dirigirmos pro motel. Lá chegando ela foi direto pro banheiro, enquanto eu vasculhava a bebida no frigobar, ela reaparece completamente molhada como se tivesse tomado banho de roupa e tudo, seu corpo transparente colado na roupa, seios e ventre nus, enlouqueci, estava nas nuvens, à beira do paraíso. Fotografei na hora, de corpo inteiro: imagem que jamais sairia da minha cabeça, povoando meus sonhos, gula e cobiça por dias, meses e anos. Fui até ela, beijei-lhe os lábios carnudos, mãos aos seios e cintura, ventres e dorso, osculava e conferia sua assimetria, mistérios e profundezas, e mantive a língua na sua carne, pele, por cima do vestido, até as coxas para levantar a saia e chupar-lhe a vagina nua saborosa. Chupei-lhe o tesouro em brasa a destrancar todas as suas travas e cancelas, sua terra úmida revolvida e ela a se arrastar mãos na minha cabeça e urrando pra cair na cama subjugada, provei do seu sabor apimentado e ela me puxava, tirava minha roupa, me virando prum sessenta e nove e achando meu caralho rijo pro seu paladar, eu lambia, chupava e meus dedos todos percorrendo sua geografia, aterrissando o dedo para massagear seu ânus lambuzado por minha baba e sua minação, ela pedia mais e me chupava e eu enfiava o anular no seu cuzinho e mais pedia e mais enfiava até gozar trêmula e enlouquecida com o cunilingua e desmaiar com seus múltiplos orgasmos na minha boca e meus dedos no seu cu. Mantive a chupada lenta naquele solo desguarnecido de suas defesas e as enfiadas determinadas dos dedos, para ela, então, me puxar de vez, virar-se de costas e de quatro gemendo e pedindo: Fode a tua cuzuda, vai, eu quero, vai. Sonho com isso, vai, pelamordeDeus, vai! Nossa, aquela bunduda gostosa toda ali pra mim, a maior entre todas as maravilhas do planeta ali pronta pra que eu devorasse sua gostosura e enfiei meu caralho primeiro na sua priquita dela carpir selvagem aos saculejos e ao retirá-lo teso enfiei devagar naquele cuzão lindo e gostoso, dela impar e remexer e gritar: Vai, fode a tua cuzuda, vai, fode!!! Quero mais, vai, mais!!! E rebolava e eu cavalgava pau enfiado no rabo dela, gozando a inesquecível loucura do prazer da rabuda! Ah! Quanta delícia! E me deixou fotografá-la de todo jeito para nunca mais esquecê-la. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.




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