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segunda-feira, fevereiro 15, 2016

RENATA PALLOTTINI & CARL ROGERS



AS LEIS DO DRAMA – No livro Introdução à dramaturgia (Brasiliense, 1983), da poeta, dramaturga, ensaísta e tradutora paulista Renata Pallottini, trata, entre outros assuntos, acerca das leis do drama, embasada nas teorias de Hegel e de Augusto Boal, quais sejam elas: a lei do conflito, da variação quantitativa (ação dramática), variação qualitativa e interdependência. Segundo a autora, o teatro é conflito: todo drama pressupõe conflito, confronto de vontades, ideias, pontos de vista, ações. Onde não há conflito, não há drama; a ação dramática, o movimento interior, o devir, constituem a própria essência de uma peça de teatro e são consequência do conflito; a variação qualitativa é o ponto de mudança para o qual caminha o conflito, em sua intensificação; e tudo isto, conflito, ação dramática, variação quantitativa e salto qualitativo, deve estar submetido a uma unidade fundamental do todo, à interdependência de todos os componentes, à constância da ideia central, espinha dorsal da obra, e que é, outra vez, o correspondente à regra aristotélica da unidade da ação. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


UM JEITO DE SER, DE CARL ROGERS - [...] Creio que sei por que me é gratificante ouvir alguém. Quando consigo realmente ouvir alguém, isso me coloca em contato com ele, isso enriquece a minha vida. [...] Quando efetivamente ouço uma pessoa e os significados que lhe são importantes naquele momento, ouvindo não suas palavras mas ela mesma, e quando lhe demonstro que ouvi seus significados pessoais e íntimos, muitas coisas acontecem. Há, em primeiro lugar, um olhar agradecido. Ela se sente aliviada. Quer falar mais sobre seu mundo. Sente-se impelida em direção a um novo sentido de liberdade. Torna-se mais aberta ao processo de mudança. [...] Assim, estimar ou amar e ser estimado e amado são experiências que promovem crescimento. [...] considero a morte como uma abertura para a experiência. Ela será o que tiver que ser, e estou certo de que a aceitarei, quer ela seja um fim, quer uma continuação da vida. [...] Os indivíduos possuem dentro de si vastos recursos para a autocompreensão e para modificação de seus autoconceitos, de suas atitudes e de seu comportamento autônomo. Esses recursos podem ser ativados se houver um clima, passível de definição, de atitudes psicológicas facilitadoras. Há três condições que devem estar presentes para que se crie um clima facilitador de crescimento. [...] Essas tendências, que são a recíproca das atitudes do terapeuta, permitem que a pessoa seja uma propiciadora mais eficiente de seu próprio crescimento. Sente-se mais livre para ser uma pessoa verdadeira e integral. [...] quando criamos um clima psicológico que permite que as pessoas sejam sejam elas clientes, estudantes, trabalhadores ou membros de um grupo não estamos participando de um evento casual. Estamos descobrindo uma tendência que permeia toda a vida orgânica uma tendência para se tornar toda a complexidade de que o organismo é capaz. Em uma escala ainda maior, creio que estamos sintonizando uma tendência criativa poderosa, que deu origem ao nosso universo, desde o menor floco de neve até a maior galáxia, da modesta ameba até a mais sensível e bem-dotada das pessoas. E talvez estejamos atingindo o ponto crítico da nossa capacidade de nos transcendermos, de criar direções novas e mais espirituais na evolução humana. [...] Está-se chegando à compreensão de que a pessoa é um processo e não um conjunto fixo de hábitos, o que provoca maneiras diferentes de comportamento, aumenta as opções. UM JEITO DE SER – O livro Um jeito de ser, de Carl Rogers, trata na primeira parte das experiências e perspectivas pessoas, abordando experiências em comunicação, crescer envelhecendo ou envelhecer crescendo, a dimensão física, atividades, cuidando de mim, abertura para novas ideias, intimidade, alegrias e dificuldades pessoais, reflexões sobre a morte, vivendo o processo de morrer, atividade e risco e assuntos pessoais. Na segunda parte trata dos aspectos de uma abordagem centrada na pessoa, abordando os fundamentos de uma abordagem centrada na pessoa, a formação de comunidades centradas na pessoa: implicações para o futuro, seis vinhetas, características, as evidencias que fundamentam, um processo direcional na vida, provas fornecidas pela teoria pratica modernas, uma base na confiança, uma concepção mais ampla: a tendência formativa, a função de consciência nos seres humanos, estados alterados de consciência, a ciência e o misticismo e uma hipótese para o futuro. A terceira parte do livro trata do processo educacional e seu futuro, abordando para além do divisor de águas: onde agora, o que aprendemos com os grandes grupos: implicações para o futuro, a formação de comunidades centradas na pessoas, o que aprendemos com os grandes grupos, uma descrição de ciclos, o conteúdo dos ciclos, o processo grupal, a função da equipe e a dinâmica de grupo, implicações para a educação no futuro. Na quarta e última parte, trata do tema olhando à frente: um cenário centrado na pessoa, abordando o mundo do futuro e a pessoa do futuro, o mundo do amanhã, o significado das tendências, a pessoa do amanhã, características das pessoas do futuro e se ela sobreviverá, uma visão otimista, entre outras ideias do autor. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ROGERS, Carl. Um Jeito de Ser  São Paulo: EPU, 1987.


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No reino do Fecamepa nada pode dar certo aqui.

E mais:
Terça-feira no trâmite da solidão aqui.
Auto do Maracatu aqui.
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Doro invocado denuncia abuso em mais uma presepada aqui.
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O ser humano e seus papéis construtivos e não-construtivos aqui.
A mútua colheita do amor aqui.
Padre Bidião & o papa Chico aqui.
Psicopatologia & Semiologia: sensação, percepção e consciência aqui.
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TODO DIA É DIA DA MULHER
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quinta-feira, junho 25, 2015

GAUDÍ, ORWELL, PALLOTTINI, TALES, MARTINS PENA, LOREN, TOBIASSE & MARTINS.


PECHISBEQUE - Imagem: Opal, do artista plástico estadunidense Sam Francis (1923-1994) – A cada dia que se passa – e cantando os versos Cantador: a vida passa em cada passo do caminho, vou passarinho professando a minha fé... -, tenho cá comigo que o inopinado é surpreendente, mesmo quando se tem a percepção de que não há nada de novo sob o sol. Tenho sempre a impressão de que vagamos tangidos por algo que sinto no ar de manipulação e que não é fácil de detectar: anúncios, semáforos, barulhos, correria. Algo me diz respeito. Pare o mundo que eu quero descer, ora. Vou no devagar, quase a esmo. Na vera: nunca acertei um ipsilone de nada que valha; errático, fugindo do ócio. Feliz sou de atirar na doida e acertar no cachaço do enterro voltando. Dou meu testemunho: se a audácia já suplanta as desventuras, viver só não basta! Exploro o horizonte. Afinal, onde é que vamos pousar, hem? Vivemos do uso das próteses com os atrativos do magnetismo escuso e predominante dos simulacros, no dilema vicariante sem a interação corpo a corpo, só na superfície, vivendo do Panem et Circenses no país de Cucanha. Fico com a sensação de que a ninguém é dado o direito de ter acesso à caixa-preta, só nas beiradas. Mas eu fuço. Mesmo que a gente só se atrepe na oportunidade, driblando os pingos da chuva pra não se molhar, pendurado no tênue cordão da vida – só um fiapo -, chega prevejo a qualquer momento rebentar tudo e despencar no abismo. E babau de ziriguidum. Foi pro saco, já era. Agora, só na outra. Sensação braba essa, cotidiana. Destá. Respiro fundo e sigo o dia pela noite adentro até o amanhecer: tem outro sentido pra tudo isso que os olhos nem sentido algum percebem. Estou atento e vou adiante: olhos grandes, quero ver o que não enxergo. Veja mais aqui.

Imagem: Les Canques de Cantiques - The song of songs (1996) do pintor, ilustrador e escultor francês Theo Tobiasse (1927-2012).

Curtindo: Bach: Concertos for Piano & Orchestra (2006), do pianista brasileiro João Carlos Martins & Sofia Soloists Chamber Orchestra, conductor Plamen Djurov.

NÃO É O HOMEM, MAS A ÁGUA, A REALIDADE DAS COISAS – O filósofo, matemático, engenheiro e astrônomo grego Tales de Mileto (623aC.-548aC), considerado um dos setes sábios da Grécia Antiga, fundou a escola de Mileto – Escola Jônica -, expressando a autenticidade do espirito jônico, ao qual se opõem os eleatas, representantes do espírito dórico. Com ele ocorre o advento da ciência, caracterizada pela universalidade e pelo aspecto lógico e racional. A sua escola foi decisiva para a mentalidade, método e nova perspectiva da qual se passou a se considerar o mundo. Os milesianos procuraram um princípio único ou substância fundamental, que permanecesse estável, ao longo do vir-a-ser. Para Tales, essa substancia era a água, pois o que é quente precisa da umidade para viver, o morto resseca, todos os germes são úmidos e os alimentos estão cheios de seiva. É natural que as coisas se nutram daquilo de que provém. A água é o princípio da natureza úmida, que entretem todas as coisas, e a terra repousa sobre a água. Os seus estudos sobre geometria e proporcionalidade possibilitaram a determinação da altura de uma pirâmide, o que o levou a ser considerado o pai da geometria descritiva e desenvolveu o seu teorema que é determinado pela intersecção entre retas paralelas e transversais que formam segmentos proporcionais. Certa feita, ele asseverou que não há diferença entre a vida e a morte, fato que levou a perguntarem por que não morrera, ao qual respondeu: - Porque não faz diferença. E arrematou: - É difícil, porem bom, conhecermos a nós mesmos, pois, isto é viver conforma a natureza. Veja mais aqui, aqui e aqui.

1984 – O romance distópico clássico 1984 (Nineteen eighty-four 1949, Companhia Editora Nacional, 1979), do escritor e jornalista britânico George Orwell (Eric Arthur Blair – 1903-1950), é uma metáfora sobre o poder e as sociedades modernas, retratando o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo, mostrando uma sociedade oligárquica coletivista e sua capacidade de reprimir qualquer que oponha a ela. Conta, portanto, a história de Winston, um funcionário do governo da Oceania que se revolta contra a sua realidade sob o regime totalitário do Big Brother, o Grande Irmão, e sua ideologia IngSoc. Descobre ele, ao se apaixonar por Julia, que o sexo deve ser apenas usado para a procriação, senão é considerado crime. Da obra destaco o trecho inicial: Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam treze horas. Winston Smith, queixo enfado no peito no esforço de esquivar-se do vento cruel, passou depressa pelas portas de vidro das Mansões Victory, mas não tão depressa que evitasse a entrada de uma lufada de poeira arenosa junto com ele. O vestíbulo cheirava a repolho cozido e a velhos capachos de pano trançado. Numa das extremidades, um pôster colorido, grande demais para ambientes fechados, estava pregado na parede. Mostrava simplesmente um rosto enorme, com mais de um metro de largura: o rosto de um homem de uns quarenta e cinco anos, de bigodão preto e feições rudemente agradáveis. Winston avançou para a escada. Não adiantava tentar o elevador. Mesmo quando tudo ia bem, era raro que funcionasse, e agora a eletricidade permanecia cortada enquanto houvesse luz natural. Era parte do esforço de economia durante os preparativos para a Semana do Ódio. O apartamento ficava no sétimo andar e Winston, com seus trinta e nove anos e sua úlcera varicosa acima do tornozelo direito, subiu devagar, parando para descansar várias vezes durante o trajeto. Em todos os patamares, diante da porta do elevador, o pôster com o rosto enorme fitava-o da parede. Era uma dessas pinturas realizadas de modo a que os olhos o acompanhem sempre que você se move. O GRANDE IRMÃO ESTÁ DE OLHO E M VOCÊ, dizia o letreiro, embaixo. No interior do apartamento, uma voz agradável lia alto uma relação de cifras que de alguma forma dizia respeito à produção de ferro-gusa. A voz saía de uma placa oblonga de metal semelhante a um espelho fosco, integrada à superfície da parede da direita. Winston girou um interruptor e a voz diminuiu um pouco, embora as palavras continuassem inteligíveis. O volume do instrumento (chamava-se teletela) podia ser regulado, mas não havia como desligá-lo completamente. Winston foi para junto da janela: o macacão azul usado como uniforme do Partido não fazia mais que enfatizar a magreza de seu corpo frágil, miúdo. Seu cabelo era muito claro, o rosto naturalmente sanguíneo, a pele áspera por causa do sabão ordinário, das navalhas cegas e do frio do inverno que pouco antes chegara ao fim. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

PAÍS DE CUCANHA - Imagem: A era do ouro, do pintor e gravurista germânico renascentista Lucas Cranach (1472-1553) – No Dicionário brasileiro de provérbios, locuções e ditos curiosos, bem como de curiosidades verbais, frases feitas, ditos históricos e citações literárias, de curso corrente na língua falada e escrita (Documentário, 1974), organizado pelo escritor, historiador, jornalista, escritor e teatrólogo Raimundo Magalhães Júnior (1907-1981), consta que a expressão País de Cucanha é o mesmo que país da abundancia e da fatura, terra das coisas mirabolantes, onde tudo são gozos e deleites. É a terra da árvore das patacas, onde se amarravam cachorro com linguiça. Criação do fabulário da Idade Média, chama-se, na França, Terra de Cucagna. Segundo Maurice Rat, a expressão aparece pela primeira vez num fabliau – narrativa jocosa em versos, geralmente grosseira - do século XII, intitulado Ayneri de Narbonne. No século XIII, serve de título a outro, em que o autor narra que, tendo ido a Roma, pedir ao papa a absolvição dos seus pecados, foi mandado para penitência a um país cujas casas tinham as paredes construídas de comestíveis de toda espécie e cujos rios eram divididos ao meio, correndo de um lado vinho tinto e do outro vinho branco. Diz o comentarista que se tratava de uma adaptação do fabliau de descrições greco-romanas de L’Age d’Or (A Idade de Ouro), também adaptado por Fenelon em sua Viagem à Ilha dos Prazeres. A palavra francesa cocgne é de origem ítalo-provençal e a expressão foi utilizada por muitos autores franceses. O poeta e crítico francês Nicolas Boileau (1636-1711), na sua sátia Embarras de Paris, deu-lhe a carta de nobreza das letras clássicas, escrevendo os versos: Paris é para o rico um país de Cucanha: / sem sair da cidade, ele encontra o campo. O poeta e libretista francês Pierre Jean Béranger (1780-1857), cantou numa de suas canções: Ébrio de champanha / percorro os campos / e vejo de Cucanha / o país sedutor. O escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) usou a expressão vida de cucanha, em relação a um de seus personagens. O dramaturgo veneziano Carlo Goldoni (1707-1793), compôs uma comédia de três atos, Il Paese dela Cucagna, assinalando que ela está em toda parte, mas infelizmente dua muito pouco. Foi a conclusão que também chegou Capistrano de Abreu ao referir-se, em um artigo publicado em O Jornal (1925), que tal país não estaria longe do Brasil primitivo, descrito entusiasticamente por Gabriel Soares e pelo padre Fernão de Cardim: As águas prodigiosas eram inexauríveis; os senhores de engenhos tinham sempre todo gênero de pescados e mariscos de toda a sorte por terem deputado certos escravos pescadores para isto e de tudo tinham essa tão cheia que na fartura pareciam condes. Nos engenhos mais afastados do mar existia toda a variedade de carnes, galinhas, perus, patos, leitões e cabritos. Por Gabriel Soares sabemos que a gente de tratamento só comia farinha de mandioca fresca, feita no dia. O mesmo autor dá uma lista, forçosamente incompleta, das conservas e doces, transplantados uns além-mar, aprendidos outros na terra. Dir-se-ia um país de Cocagne. Além disso, encontra-se a expressão nas narrativas sobre a terra maravilhosa de Bengodi, as aventuras de Calandrino, nos contos de Bocaccio, na Ilha dos Amores de Camões e no Eldorado que Voltaire apresenta em Candide ou L’Optimiste, no qual as crianças brincavam nas ruas com moedas de ouro, como noutros lugares brincam com seixos. Veja mais aqui e aqui.

LEGADO & O GRITO – Já tendo destacado aqui a obra poética e teatral da poeta, professora e advogada Renata Pallottini, destaco aqui dois poemas dela recolhidos na edição nº 10, Ano III, de maio de 1983, da revista Poesia – Uma revista da gente com o sentimento do mundo (Nordestal,1983). O primeiro deles, Legado: Conta a teu filho, meu filho / da que que nós passamos; / que havia fitas gravadas / retratos de corpo inteiro. / Conta que nos encolhemos / como animais espancados; / que ninguém teve coragem, / que respirávamos baixo, / olhos fugindo dos olhos. / as mãos frias e suadas. / E conta que faz dez anos, / que temos pouca esperança, / que pedimos testemunho / e não aguentamos mais. / Talvez teu filho, meu filho, / viva em um mundo mais aberto, / mas é grave / que lhe contes calmamente / e nos mínimos detalhes / a historia desses punhais / cravados em nossas tardes. / Porém se por tudo isso / renuncias a ter filhos / como (alguns) renunciamos / deixa inscritos, como eu deixo, / sinais em troncos de árvores / letra em papéis esquivos / para que não escureça / esta lâmpada mesquinha / ralampago,  fogo fátuo / pura lembrança dos dias ; em que livres fomos filhos / de pais muito felizes. / Conta a quem possas, meu filho; / o que em ti forem palavras / nos outros serão raízes. E o belíssimo poema O Grito: Se ao menos esta dor servisse / se ela batesse nas paredes / abrisse portas / falasse / se ela cantasse e despertasse os cabelos / se ao menos  esta dor se visse / se ela saltasse fora da garganta como um grito / caísse da janela fizesse barulho / morresse / se a dor fosse um pedaço de pão duro / que a gente pudesse engolir com força / depois cuspir a saliva fora / sujar a rua os carros o outro / esse outro escuro que passa indiferente / e que não sofre tem o direito de não sofrer / se a dor fosse só a carne do dedo / que se esfrega na parede de pedra / para doer doer doer visível / doer penalizante / doer com lágrimas / se ao menos essa dor sangrasse... Veja mais aqui e aqui.

AS CASADAS SOLTEIRAS – A comédia em três atos As Casadas Solteiras (1845), do dramaturgo, diplomata e introdutor da comédia de costumes no país Martins Pena (1815-1848), trata com ironia e humor as graças e desventuras da sociedade brasileira e suas instituições, contando a história de dois amigos ingleses apaixonados por duas irmãs, com quem fogem para se casar escondido do furioso pai das moças. Envolvidos em confusões e desencontros, os personagens prometem momentos de muita diversão. Da obra destaco o trecho compreendido pela Cena XI: CENA XI Narciso e as ditas. NARCISO, entrando - Ai, que estou estafado! Muito tenho andado (sentando-se), e muito conseguido... CLARISSE - Meu pai resolveu-se a jantar em casa? NARCISO - Sim, estou com muitas dores de cabeça, e o jantar fora incomodar-me-ia... Mas quê? Esta mesa... HENRIQUETA, à parte - Mau... NARCISO - Tantos talheres? VIRGÍNIA - Henriqueta e seu marido jantavam conosco. NARCISO - Ah, está bom. Acrescentem mais dois talheres. CLARISSE - Para quem? NARCISO - Para os amigos Serapião e Pantaleão. VIRGÍNIA - Pois vêm jantar conosco? SERAPIÃO, dentro - Dá licença? NARCISO - Ei-los. (Levantando-se:) Podem entrar. (Indo ao fundo.) CLARISSE, para Virgínia e Henriqueta - E então? VIRGÍNIA - Não sei no que isto dará... [...] Veja mais aqui.

THAT KIND OF WOMAN – O drama That Kind of Woman (Mulher daquela espécie, 1959) do cineasta estadunidense Sidney Lumet (1924-2011), baseado no conto Layover in El Paso, do professor de literatura e compositor estadunidense Robert Lowry (1826-1899), conta uma história passada em junho de 1944, quando uma sofisticada imigrante italiana se torna amante de um milionário de Manhatan, conhecido apenas como The Man. Ela tem uma amiga que é usada sexualmente para facilitar contatos do milionário com pessoas influentes do Pentágono. O filme é estrelado pela belíssima e premiada atriz italiana Sophia Loren. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Trencadís do arquiteto espanhol Antoni Gaudí (1852-1926).

Veja mais sobre:
Quando tudo é manhã do dia pra noite, Agonia da noite de Jorge Amado, Posthuman bodies de Halbertam & Livingstone, a música de Bizet & Adriana Damato, Folclore musical de Wagner Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich & Bryan Thompson, a fotografia de Christian Coigny, a arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.

E mais:
As astúcias do juiz Teje-Preso aqui e aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, Cantos de Giacomo Leopardi, A revolta de Atlas de Ayn Rand, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Jacques Lacan & Maguerite Anzieu: o caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Todo dia é dia da mulher, O processo de Franz Kafka, a música de Leoš Janáček, a pintura de Anna Chromý, a arte de Ibys Maceioh & Karyme Hass aqui.
O trânsito e a fubica do Doro aqui.
O dia da criação de Vinícius de Morais aqui.
Lagoa da prata, Conheço o meu lugar de Belchior, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães, Chão de mínimos amantes de Moacir da Costa Lopes, Culturas e artes do pós-humano de Lucia Santaella, a fotografia de Tatiana Mikhina, a arte de Joseph Mallord William & Wesley Duke Lee aqui.
A lenda do açúcar e do álcool, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, História da filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, Não há estrelas no céu de João Clímaco Bezerra, Cumade Fulôsinha de Menelau Júnior, Maria Flor de João Pirahy & a arte de Madison Moore aqui.
Cruzetas, os mandacarus de fogo, Concepção dialética da história de Antonio Gramsci, O escritor e seus fantasmas de Ernesto Sábato, Sob os céus dos trópicos de Olavo Dantas, a pintura de Eliseo Visconti & Benício, a fotografia de Rita-Barreto & a arte de Rosana Sabença aqui.
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Estudos sobre teatro de Bertolt Brecht, Sociolinguistica de Dino Preti, a música de Adriana Hölszky, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko, a escultura de Antonio Frilli & a arte de Thomas Rowlandson aqui.
O feitiço da naja: a tocaia & o bote, Sistemas de comunicação popular de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, a música de Vanessa Lann, o teatro de Liz Duffy Adams, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: La liseuse (1890) do artista plástico francês Jean-Jacques Henner (1829-1905).
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, março 03, 2015

JARDS MACALÉ, RENATA PALLOTTINI, SILVIA LANE, HANFSTAENGL, LOUISE VON FRANZ, MIRANDA RICHARDSON & MUITO MAIS NO PROGRAMA TATARITARITATÁ!!!!!


AURORA – Compus esta música quase no final da segunda metade de 1970, a qual apresentei em shows que realizei e inseri entre as canções do meu livro Primeira Reunião (Bagaço, 1992). Ao cantá-la, fiz a inserção de um poema que escrevi inspirado nas vozes de Elis Regina e Milton Nascimento, Minha Voz, que foi incluído no meu segundo livro de poesias, A Intromissão do Verbo (Pirata, 1983): Minha voz é coragem de amar / No ultraje dos desencontros / E eu sou navio com rota esquecida / E naufrágios muitos / Quando um nublado olhar Pousa em meu rio / É presságio que paira no ventre da paixão / Quando minha voz é torrente de dor / No exagero sombrio de uma canção / Não é nada, é tempestade que passou / E deixou danos / Quando minha voz é a coragem de amar / Não é a sombra de um vendaval / É a sujeição de um eterno pavio que aceso nunca apagaráO poema e a canção ganharam vida quando foram gravados pela cantora Sonia Mello nos anos 2000. Foi quando começaram a valer de mesmo. Eis a letra da canção: Eu quero aurora dos meus olhos/ viver a eclosão do dia / este parto retratado / no rastro meu que se vadia / pra lá das mãos / pra lá do mar / nas veredas deste céu / que vai além do meu cantar / da minha voz que traz / este céu que desvirgina / as entranhas do meu corpo / que se perde pelos vales / e só me resta seguir, ir / nas veias mornas da manhã / até abrir as comportas do meu coração. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Der Bucherwurm, do pintor e litógrafo alemão Franz Hanfstaengl(1804-1877)

Ouvindo Amor, Ordem & Progresso (2003), do cantor e compositor Jards Macalé. Veja mais aqui, aquiaqui.

AVANÇOS DA PSICOLOGIA SOCIAL – No livro Novas veredas da psicologia social (Brasliense/Educ, 2006), a professora e psicóloga Silvia Lane(1933-2006), escreveu sobre Avanços da Psicologia Social na América Latina, abordando que: [...] o futuro da Psicologia Social. As revisões críticas feitas por neomarxistas como Habermas e Herber têm defendido teses que afirmam que, para haver transformações sociais significativas, não é necessário haver lutas de classe – como demonstram os fatos recentes do Leste europeu – mas sim mudanças éticas em nível individual. Se assim for, a Psicologia Social terá um papel teórico-prático importante, levando os seus profissionais a atuar junto a indivíduos e grupos, promovendo o desenvolvimento da consciência social e dos valores morais em direção a uma ética que negue o individualismo e busque valores universais de igualdade e de crescimento qualitativo do ser humano. Veja mais aqui, aquiaqui.


ESTA CANÇÃO – No seu livro Noite Afora (Brasiliense, 1978), a poeta, dramaturga, ensaísta e tradutora paulista Renata Pallottini traz o lindíssimo poema Esta Canção, o qual destaco: Esta canção tateia a tarde clara / buscando a minha voz que é sua fonte. / Assim voltam os pássaros ao campo, / assim volta o horizonte ao horizonte. / Sou o doido que canta para si, / cônscio de não saber nem do que inventa; / recriando o criado, ele sorri, / ciente de que não faz nem acrescenta. / Tudo já foi, apenas se repete; / este lugar de amor será pregresso / quando for dor a dor que se promete. / Chegou-me agora o que já foi futuro; / assim Deus me prepara o teu regresso / como se planta um poema nascituro. Veja mais aquiaqui e aqui.

OS SONHOS E A MORTE – O livro Os sonhos e a morte: uma interpretação junguiana (Cultrix, 1995), da psicoterapeuta, pesquisadora e escritora alemã Marie-Louise von Franz (1915-1998), aborda temas como o mistério do corpo morto e a tumba de Osiris, a vegetação, o primeiro casamento com a morte, o outro sinistro ou benévolo, a passagem pelo fogo e pela água, o sacrifício ou tratamento do corpo velho, a oscilação da identidade do ego, as almas múltiplas e sua fixação no fruto, a ressurreição final, reunião da psique com o corpo, o corpo sutil e suas variantes, a nova hipóteses de Jung, entre outros assuntos. Destaco o seguinte fragmento: Os sonhos das pessoas próximas da morte indicam que o inconsciente, isto é, nosso mundo instintivo, prepara a consciência não para um fim definitivo, mas para uma profunda transformação e para uma espécie de continuação do processo vital que a consciência cotidiana não consegue sequer imaginar. Veja mais aqui.


DAMAGE–Dias atrás destaquei este filme Damage (Perdas e danos, 1992), dirigido pelo cineasta Louis Malle (1932-1995). Desta feita, valendo-me da campanha Todo dia é dia da mulher, não vou só destacar esse filme maravilhoso, mas uma outra atriz: a britânica Miranda Richardson que dá um colorido todo especial para essa imperdível película. Veja mais aqui.




PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiLogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá, com muita festa e com as seguintes atrações na programação: Hermeto Pascoal, Pat Metheny, JardsMacalé,Milton Nascimento, Tavito, Vander Lee,Sônia Mello, Ricardo Machado, Elisete Retter, João Pinheiro, Maria Dapaz, Ozi dos Palmares, Felix Porfírio,Wilson Monteiro, Banda Nova Estação Recife, Júlia Crystal, Danny Calixto, Zé Linaldo& Washington Sidney,O Teatro Mágico, Monsyerrá, Teixeirinha, Rick Udler& Maria Alvim, Marco Leal, LeloPraxedes, LysAssia, Ronan Keating, Débora Blando, AnabelBian, Gabriel O Pensador, Mano Mendes, César Weber & muito mais! Veja mais aqui

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 3 de março, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa


Veja mais sobre:
Cybele, Molière, Marguerite Duras, Contos de Panchatantra, Freud & Ida Bauer, Maurice de Vlaminck & Muddy Waters aqui.

E mais:
Segura o jipe, A prima de Vera Indignada & Pedro Cabral aqui.
Fecamepa: enquanto os caras bufam por aumento no governo, aqui embaixo a gente só paga mico, né aqui.
O recomeço a cada dia, Ibn el-Arabi & Indries Shah, Petrina Sharp & Faisal Iskandar aqui.
Dignidade humana, educação & meio ambiente, Esther Hamburger, Nina Kozoriz & Niura Bellavinha aqui.
Ninquem vem pra vida de graça, Marcel Proust, Josephine Wall & Annibale Carraci aqui.
As pedras se encontram nos mundos distantes, Rafael Piccolotto de Lima, Sing & Luciah Lopez aqui.
Tudo passa pra quem não sabe o desprezado, Maurice Merleau-Ponty, Shane Turner & Martina Shapiro aqui.
Crônica de amor para ela, José Condé, Ruth Kligman, Pablo Milanés & Joaquín Sabina aqui.
O sonho de infância &os dissabores da vida, Diná de Oliveira, Eurípedes, Ferenc Gaál & Mohammed Al-Amar aqui.
O amor no salto das sete quedas, Taiguara,História da Mulher & Luciah Lopez aqui.
O sonho do sequestro malogrado, Juca Chaves, Étienne-Jules Marey, Leonid Afremov & História do Cinema aqui.
Festa no céu do amor, Tom Jobim, Nauro Machado, Elizabeth Zusev & Steve K aqui.
Mario Quintana, Wang Tu, Tácita, Vera Drake, Eduardo Souto Neto, Mike Leight, Ansel Adams & Carlito Lima aqui.
Wystan Hugh Auden, Stanislaw Ponte Preta, Anaïs Nin & Maria de Medeiros, Francisco Manuel da Silva, Alberti Leon Battista & Luli Coutinho aqui.
Arthur Schopenhauer, José Cândido de Carvalho, Johann Nikolaus Forkel, Luís Buñuel, Victor Brecherer, Iremar Marinho & Bestiário Alagoano aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

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