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terça-feira, dezembro 12, 2017

VARGAS LLOSA, RANCIÈRE, BADIOU, WAGNER TISO, QUINET, BRUNO TOLENTINO, FRANCINE VAYSSE, FRESNAYE, NÁ OZZETTI & JOAQUIM NABUCO

A BARATA & O MONSTRO - Imagem: The Architect (1913), do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925). - A noite e a solidão, a hora avançada. Algo me espreitava, sentia. Não havia como identificar, algo intruso, dividindo comigo o espaço. Como desconfiava, saí conferindo cada recanto do ambiente. Não demorou muito e a intromissão de um asqueroso inseto ortóptero me lembrou daquela que engravidou a língua do selo: enquanto lambia para cola dos envelopes, inchou até não mais conseguir comer, o diagnóstico médico e o corte: saltou uma repulsiva barata, aquela mesma que zanzava nos esconderijos da minha casa. A intrometida era ágil, eu não conseguia pegá-la. Aquela atrevida presença, logo ali, usurpadora de hábito noturno, importuna e detestável. Lancei mão de todos os meios para liquidá-la, tem gente que usa do expediente de ficar em pé de manhã cedinho no meio da casa por três sextas consecutivas recitando: Barata-rabi, que veio fazer aqui? Brigou com compadre e comadre, e se manda daqui! Quando são muitas, chamam-na mulher de padre para que desapareçam de vez da habitação. Até mesmo em jejum sexta de manhã, distribuindo milho pelos cantos da casa, orando: Barata, vai embora!, deixando um dos cantos livre para ela poder sair. Ou mesmo encostado em uma das quinas do recinto: A moça do padre lhe convida pra missa. Vá com ela e seja feliz, igual quem come e não reza, ou quem trabalha no domingo. Ou colocá-las numa caixa e jogá-las para empestar a casa do desafeto vizinho. Dizem, de pés juntos, ser um santo remédio. Eu que duvide. Melhor a do veado que ajeitou sua casa e foi pelo mato procurar vida. Ao retornar ouviu uma vozinha fina lá dentro: Tui-tu, quinanã-ã, xô-xô, curió matou. Curioso, foi ver o que era e saiu amedrontado a toda carreira, quando encontrou o boi disse-lhe que um bicho cantava dentro da casa dele. Quando o boi ouviu a musiquinha da voz fina, disse logo: Isso é o diabo! E fugiram os dois. Contaram pros outros e ninguém teve coragem de ir lá não. Aí apareceu um carreirão de formigas que se prestaram pra resolver o problema. Entraram por baixo da porta e logo voltaram com a responsável: era só uma baratinha, frouxos. E levaram-nas aprisionada. Cada uma! Mas eu sei que para cada barata invasora encontrada, mil delas estão escondidas por aí, e logo nos meus domínios. Isso é lá coisa que dê sossego, meu! Logo uma onívera e vetora mecânica de patógenos, invocando o meu asco, com sua cor marrom avermelhada, é ela que anda roendo minhas roupas e livros, juro, não sei a razão de despertar temores. Cacei, persegui, e ela só me passando de besta, escapando, subiu na parede e, não tive dúvda, dei-lhe uma chinelada certeira de deixar a marca dela e ela cair com as patas pra cima, uma pisada boa, espragatei-la de deixá-la colada no chão. Pronto, finalmente, tudo resolvido. Melhor voltar pra ocupação, não deu, a barata não saía da minha mente, remorso, quem na verdade o invasor? Se ela tem trezentos milhões de anos na Terra, por que eu haveria de liquidá-la sabendo que no universo tem o seu equilíbrio próprio. Ao matá-la será que eu estava causando um desastre ou desequilíbrio na natureza? Nada, coisa de pensar besteira. Dirigindo-me ao sanitário, acendi a luz e repugnava ter de vê-la lá estatelada no chão. Fiz que não vi durante a micção e ao retornar, dei de cara com um monstro gigante na minha cozinha. Oxe! O sangue me fugiu, a covardia invadiu, cabelo em pé, o monstro era ela, agora vingativa na minha direção. Quem era agora o invasor? Eu ou ela? Procurei nos quatro cantos a fuga, um buraco no chão, qualquer coisa para sair daquela situação, a gigante já me alcançava, agora era eu a vítima pronto para ser espragatado por ela, fechei os olhos e sem saída lutei o mais que pude, esmurrando, às pernadas, de tudo nada resolvia, mas não me rendia, ia até às últimas, não cedia e repulsava como podia, não me entregava, nunca, morreria lutando até a última gota de vida, e me vi completamente envolvido por suas garras, sua gosma me melando todo, ousei gritar e lavado em suor, levantei em pânico. O pesadelo me atormentava no meio da noite. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Preto & Branco & Trem Mineiro do músico, arranjador, regente, pianista e compositor Wagnert Tiso (Veja mais aqui & aqui); e Love Lee Rita & Ná, da cantora e compositora Ná Ozzetti (Veja mais aqui & aqui). Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a arte é considerada política porque mostra os estigmas da dominação, porque ridiculariza os ícones reinantes ou porque sai de seus lugares próprios para transformar-se em prática social [...] precisamos questionar essas identificações do uso das imagens com a idolatria, a ignorância ou a passividade, se quisermos lançar um olhar novo sobre o que as imagens são, o que fazem e os efeitos que produzem [...]. Trechos extraídos da obra O espectador emancipado (Martins Fontes, 2012), do filósofo e professor francês Jacques Rancière. Veja mais aqui.

INESTÉTICA – [...] Didatismo, romantismo, classicismo são os esquemas possíveis do entrelaçamento entre arte e filosofia, o terceiro termo correspondendo à educação dos sujeitos, particularmente da juventude. No didatismo, a filosofia entrelaça-se com a arte na modalidade de uma vigilância educativa de seu destino extrínseco ao verdadeiro. [...] foram didáticas por seu desejo de dar um fim à arte, pela denúncia de seu caráter alienado e inautêntico. Românticas também, pela convicção de que a arte deveria renascer de imediato como absolutez, como consciência integral de suas próprias operações, como verdade imediatamente legível de si mesma. Consideradas como proposta de um esquema didático-romântico, ou como absolutez da destruição criadora, as vanguardas eram, antes de mais nada, anticlássicas. [...]. Trechos da obra Pequeno manual de inestética (Estação Liberdade, 2002), do filósofo, dramaturgo e novelista marroquino Alain Badiou, entendendo por inestética [...] uma relação da filosofia com a arte, que, colocando que a arte é, por si mesma, produtora de verdades, não pretende de maneira alguma torná-la, para a filosofia, um objeto seu. Contra a especulação estética, a inestética descreve os efeitos estritamente intrafilosóficos produzidos pela existência independente de algumas obras de arte.

JOAQUIM NABUCO – O município de Joaquim Nabuco é formado pelo distrito sede e pelos povoados de Usina Pumati, Arruado e Baixada da Areia. O povoamento na região deu-se através dos trabalhadores dos engenhos Pumaty, Boa Vista e Cuiabá, que foram construindo suas palhoças, as casas e a capela. Inicialmente o povoado denominava-se Preguiça. Esta denominação é atribuída às embaúbas ou "pau-de-preguiça" da região. Entretanto, há registro de que a origem do nome seria devido ao dia da feira: segunda-feira, que era considerado o dia da preguiça. As autoridades locais solicitaram a mudança de nome para homenagear o jurista, diplomata, historiador e político Joaquim Nabuco (1849-1910): De um lado do mar, sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país. O distrito foi criado em 9 de novembro de 1892 e pertencia ao município de Palmares. Elevado à categoria de município com a denominação de Joaquim Nabuco, pela Lei estadual nº 1819, de 30 de dezembro de 1953 e instalado em 15 de maio de 1954. A atividade econômica predominante é a agroindústria açucareira, prevalendo na agricultura a cana-de-açúcar, mandioca, banana e maracujá. Veja mais aqui.

O OLHAR E O VISTO – [...] O prazer do olho não se obtém pelo toque direto, como é o caso das outras zonas erógenas (boca, ânus), mas por esse investimento imperceptível que transforma o outro em um objeto agalmático. Eis por que Freud destaca que o olho é a zona erógena mais distante do objeto sexual. No caso da pulsão escópica, a satisfação se dissocia do prazer do órgão-olho. Sua satisfação, evidentemente, não é obtida pela manipulação dos olhos, mas por sua propriedade háptica de tocar de longe o objeto sexual, desnudá-lo e comê-lo com os olhos [...]. Trecho extraído da obra Um olhar a mais: ver e ser visto na psicanálise (Jorge Zahar 2004), do psicanalista Antonio Quinet.

PANTALEÓN & AS VISITADORAS - [...] dedicou-se a estabelecer os primeiros contatos com vistas à contratação. Graças à cooperação do individuo que atende pelo nome de Porfirio Wong, mais conhecido como China, a quem conheceu por obra do acaso no centro noturno denominado Mao Mao (Rua Pebas, 260), fez uma visita, altas horas da noite, ao local de diversão freqüentado por mulheres de vida alegre dirigido por dona Leonor Curinchila, ou Chupechupe, comumente conhecido pelo nome de Casa Chuchupe e sito na estrada para o balneário de Nanay. Sendo a citada Leonor Curinclila amiga de Porfirio Wong, este último pôde apresentar-lhe o abaixo assinado, que, na ocasião, fez-se passar por comerciante (do ramo de importação/exportação) recém-instalado em Iquitos e à prcura de distrações. A referida Leonor Curinchila mostrou-se cooperativa e o abaixo assinado conseguiu – sem outra alternativa, para tanto, sebão ingerir muitos cálices de licor (recibo 8) – obter dados interessantes relacionados ao sistema de trabalho e costumes do pessoal daquele estabelecimento. Assim é que na Casa Chuchupe cerca de dezesseis mulheres formam o que se poderia denominar plantel estável, visto que há outras, entre quinze e vintém que trabalham irregularmente, comparecendo alguns dias, faltando outros, por razões que abarcam desde doenças veneras (p. e., gonorréia ou cancro) contraídas no exercício dos atendimentos, até transitórios amancebamentos ou contratos por temporada (p.e., madeireiro contra a acompanhante para viagem de uma semana à selvba)m que as afastam temporariamente do centro de trabalho. Em síntese, o pessoal completo, entre estável e flutuante, da Casa Chuchupe, são mais ou menos trinta meretrizes, embora o plantel efetivo (porém renovável) de cada noite chegue à metade desse total. [...] não sendo raro ver-se pela rua senhoritas de aparência muito sedutora, de ancas desenvolvidas, bustos turgescentes e andar insinuante, às quais, pelos padrões litorâneos, se atribuiria uma idade de vinte ou vnte e dois anos, mas que na realidade têm apenas treze ou catorze [...] corpos atraentes e arredondados, sobretudo em se tratando de ancas e seios, membros que tendem a ser generosos neste campo da Pátria, e rostos apresentáveis, muito embora, quando observadas de perto, aqui se verifique apresença de um maior número de defeitos, não quanto à fealdade de nascimento, mas adquirida por acne, varíola e queda de dentes, sendo este último acidente uma coisa comum na Amazônia, em decorrência do clima debilitante e das insuficiências dietéticas. [...] dentre a matizada gama de atendimentos prestados, figuram desde a simples masturbação efetuada pela meretriz (manual: 50 sóis; bucal, ou corneta: 200 sóis), até o ato sodomita (em termos chulos, “trilha estreita” ou “com cocozinho”: 250 sóis), o 69 (200 sóis), espetáculo sáfico ou “panqueca” (200 sóis cada), ou casos menos freqüentes, como os de clientes exigirem dar ou receber golpes de açoite, vestir ou assistir a fantasias e ser adorados, humilhados e mesmo defecados, extravagâncias cujas tarifas oscilam entre 200 e 600 sóis. [...] teve condições de concluir, mediante brincadeiras e perguntas capciosas, que as mais graciosas e eficientes podem, numa noite de trabalho (sábado ou véspera de feriado), efetuar cerca de vinte atendimentos sem ficar excessivamente exaustas, o que dá margem à seguinte formulação: um comboio de dez visitadoras, selecionadas as de maior rendimento, estaria em condições de realizar 4800 atendimentos simples e normais por mês (semana de seis dias), trabalhando full time e sem contratempos. Ou seja, que para cobrir o objetivo máximo e ambicioso de 104.712 atendimentos mensais seria necessário contar com um corpo permanente de 2115 visitadoras de categoria máxima trabalhando em tempo integral e sem nenhum tipo de contratempo. Possibilidade, naturalmente, quimérica a essas alturas [...]. Trechos da obra Pantaleón e as visitadoras (Globo/Folha São Paulo, 2003), do escritor, jornalista e político peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010. Veja mais aqui, aqui & aqui.

NOTURNO & CELEBRAR ESTE MUNDO – NOTURNO: Não sou o que te quer. Sou o que desce / a ti, veia por veia, e se derrama / à cata de si mesmo e do que é chama / e em cinza se reúne e se arrefece. / Anoitece contigo. E me anoitece / o lume do que é findo e me reclama. / Abro as mãos no obscuro, toco a trama / que lacuna a lacuna amor se tece. / Repousa em ti o espanto que em mim dói, / noturno. E te revolvo. E estás pousada, / pomba de pura sombra que me rói. / E mordo o teu silêncio corrosivo, / chupo o que flui, amor, sei que estou vivo / e sou teu salto em mim suspenso em nada. CELEBRAR ESTE MUNDO: Celebrar este mundo adivinhando / a incurável leveza, a inabalável / certeza do esplendor interminável / da luz de Deus, aurora ruminando / para sempre a quietude do imutável./ Somos reflexos dessa luz, um bando / de flamingos ardendo, misturando- / se ao sol nascente, ao inimaginável / incêndio indescritível, todo asas, / todo luz… Somos feitos como brasas / abrindo o voo, somos como o voo / dos flamingos em brasa ao oriente…/ E nunca há de apagar-se aquele ardente / sol perfeito que neles se espelhou. Poemas do premiado poeta Bruno T0lentino (1940-2007), opositor do movimento modernista, da cultura popular e da poesia concreta.

A ARTE DE FRANCINE VAYSSE
A arte da pintora francesa Francine Vaysse.

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A literatura de Gustave Flaubert aqui, aqui & aqui,
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O teatro de Luigi Pirandello aqui, aqui e aqui.
O pensamento de Rajneesh aqui, aqui, aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor cubista francês Roger de la Fresnaye (1885-1925).
Veja mais aqui.
 

terça-feira, agosto 19, 2008

BOCCACCIO, MANOEL DE BARROS, JOAQUIM NABUCO & DARCY RIBEIRO, EL-ROZALI, MILO MANARA & OLIMPÍADAS DO FECAMEPA

 
A arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara. Veja mais aqui.


Eita! Vixe que o trupé foi ineivado além da rotônica lascada! O negócio que era um colosso foi virando uma girândula estropiada de ninguém saber direito como foi que se assucedeu de mesmo o destrambelhamento todo. Um furdunço da pêga mesmo, turuléo do leléu cheleléu! Eita, lasqueira ineivada!

No meio da pirulitada toda houve afanação, ingrezia, tapiação, apradinhamentos!
Gente, uma reborréia das mais sebosas! Deu no que deu. Ué, desde 1500 que a bostência faz festa no meladeiro do Brasil, né não? Então, salve o Fecamepa!
Ah, lá vai o quadro atualizado de premiações, xingamentos, confeteria, babaovice, lambecu e outras meleguentas babações.

Na prova de cuspe a distância deu empate. Ninguém ganhou a taça da cusparada, isso porque todos os políticos entraram com o seu asco pelo povo e mandaram uma perdigotada macha pra cima de todo mundo. Moral da história: a prova foi suspensa, foi pro beleléu.

O tolote de ouro foi pro Zé Bilola, o maior cagador e Fabo da paróquia! E não podia ser diferente. Mas, foi jogo duro. Durante a realização da cagada da porra, foi taco a taco entre o concorrente vencedor e a jumentuda juíza que teve considerada pelo STF abusiva a sua atitude de manter um réu algemado perante o júri somente por 9 nove horas, condenado a 13 anos e meio de prisão. Simplesmente o STF anulou o júri e – abrindo um precedente da porra – aprovou a sumula vinculante, estendendo a todos os tribunais de justiça estaduais e federais do país o cumprimento de que “Só será licito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”. Inclusive o pai Ministro da excelentíssima jumentuda juíza arreou a lenha por atitude tão descabida, quando foi informado que a autora de tal coprólito despropósital era duma juiza filha dele próprio ministro. Pode? Aí, meu, o que tem de adevogado-porta-de-cadeia & penalistas de plantão fazendo festa junto com os corruptos, corruptores, bandidos do colarinho-branco e outros facínoras do erário publico comemorando não tá no gibi. Oh, Brasilzão véio, arreganhando, arrevirado e de porteira escancarada!!!!!

Na mijada do creu ganhou a pica de diamante – um caralho voador da mais fina pérola - o Biritoaldo. Nenhuma novidade. Também, nessa prova não tinha pra ninguém, muito embora tenha político a fole querendo participar pelo enrabamento diário deles no catimbofá do povo brasileiro. Muitos foram desqualificados porque queriam comprar a vaga do outro, aí, nessa hora, terminaram querendo se auto-enrabarem os políticos mesmo, o que deu numa sessão indigesta de cavalo-mago só pra esgrimista pirobal. Tô fora!
Mas o Biritoaldo era franco favorito. Pudera! O cara quando nasceu ganhou de presente uma furada na parte de cima do chapéu-de-vaqueiro do pingulim, dele mijar de um lado a outro dum prédio, avalie. Não deu outra.

No muque ineivado, Tolinho arrastou uma porrada de quenga que queria investigação de paternidade, causando um verdadeiro cu-de-boi-na-área-do-Central, o que fez com que a prova fosse suspensa e neguinho saísse com o muque invocado a esquentar o maluvido dos outros por ai. Outra baixa.

No arroto amulestado, eita! O gogó febrento foi por Afredo Bocoió que além de ser contemplado com um mau hálito daqueles fuderosos, ainda é capaz de dar um arroto e peidar sem que se saiba qual é o arroto e qual o peido, sacou? Prêmio para ele.

Na pulada de fogueira, essa quem ganhou foi o Abinagildo Mendes Sobrinho, alcunhado popularmente de A tocha humana, que no meio duma pulada de fogueira, soltou um borborigmo que o fez praticar, na horinha do sucedido, uma combustão humana de deixá-lo menor que um taquinho de coisa imprestável na beira do arruado. Ponto pra ele, sifu!

Na flatulência arrasadora – a famosa queima pentelho da beirada do cu -, também foi o Abinagildo Mendes Sobrinho, que acumulou os prêmios da pulada e da peidada, não deu outra: coitado, nem deu tempo de usufruir dos dois prêmios.

A campeã da língua espichada foi Vera Indignada que botou a boca no trombone, destronou gente como a praga, abocanhou umas homencias desconfiadas e, de quebra, engoliu uns tres pra-ti-vai durinho da silva para ela ficar com o consolo na goela como que exercitando “Garganta profunda”. É mole? Dentro!

O bucho de mé ficou com o Bestinha que agora além de andar abilolado por aí cheio dos quequéos, agora anda variando sóbrio. Quer dizer, o cara já está decilitrado por vida. Ponto pra ele.

A cintura de ovo, idem. O Bestinha agora tem uma proeminente barriga de cirrose daquelas dele ficar com o queixo amparado no bucho de não poder ver nem mais os pés nem o pingulim. Já era.

O pingulim ajegado – o famoso pra-ti-vai da porra! – só poderia premiar o Zé Corninho. Evidentemente que depois de muitas aprontadas, alisadas, friccionadas, punhetadas e ajeitadas, ele arrebata o premio de pintudo do ano! O peiúdo mais gaiúdo do universo.

O chulé respeitado é o prêmio para o Mamão – eita, chulé da porra, meu! Pois é, além de ser o lobisomem zonzo ele também não se enganou com a cor da chita, meteu bronca!

A frieira danada também pro Mamão, o cara o que tem zonzice tem de pé e chulé.

A gangrena da gota também pro Mamão que guarda umas duzentas perebas magoadas no meio de todo de roncha pelo corpo. Ponto pra ele.

O apetite de verme, idem, ibidem. Mamão é o maior recordista de sandice e fulerada! É, Mamãaaaaaaaaaaoooooooo!!!!

A pisada fuderosa, mais outra pro Mamãoooooooooooo!!!!

A raquetada no maluvido, ah, essa foi no Robimagaiver: ele não sabe nem o número da placa que o atropelou, pode?

A tomada na tarraqueta é do Doro: queria ser presidente num pleito de prefeito, pode? Esse é o Doro!!!

A repimboca da parafuseta, outra arrebatada pelo Doro: com as curvas que ele dá na idéia vai virar rosca que ele será parafuso de Ema.

A topada aprumada do Zé Bilola quando a Ximênia achou por bem de colocar os pontos nos iiis do seu juízo! Tombo maior que esse, nem relado de venta foi tamanho.

A rela-bunda também foi pro Zé Bilola depois que voltou de Xoxotópolis e não tinha o que dizer pra Ximênia que plantou-lhe uma caçarolada no quengo dele ver estrelas em pleno meio dia. Tome!

O pau-de-sebo foi pro povo brasileiro que trabalha, se arrebenta, persegue, persiste, persevera e só se vê-lo com a bunda deslizando no meio da vida. Eta povinho esse, hem?

O enrola-nego foi pros políticos profissionais que só sabem engalobar os bestas e enrolar todo mundo. Ponto pra eles, um dia a gente se vinga. Destá.

O calo-magoado também vai pro assalariado brasileiro: a inflação voltou. Oh, não!!!!!!!!!!!!!!!

A unha-encravada foi pra corrupção no Brasil que por mais que a gente cisme de ser honesto a vida toda, mais a corrupção come no centro. Ponto pra ela.

O membro-dismintido, ah, essa é pra esperança do brasileiro: quanto mais ele aposta no futuro melhor, na justiça, na equidade, isonomia, felicidade, mais a desesperança impera. Ponto pra ela.

O samboque incruado é pra a INJUSTIÇA, essa é campeã de tudo aqui no Brasil. É ela que deixa pereba no rego, que dá prótese multiuso pras autoridades e políticos, e premia hors concurss da desonestidade. Salve a injustiça! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! Veja mais aqui e aqui.


A arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA - Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas. Pensamento do poeta Manoel de Barros (1916-2014). Veja mais aqui.

JOAQUIM NABUCO – [...] Quinca, o Belo – publica Minha Formação. Autobiografia clássica e chata, de um alienado. Senão, leia: “O sentimento em nós é brasileiro; a imaginação, europeia. As paisagens todas do Novo Mundo, a floresta amazônica ou os pampas argentinos não valem para mim um trecho da Via Appia, uma volta da estrada de Salermo a Amalfi, um pedaço do cais do Sena à sombra do velho Louvre”. Vangloriava-se de pensar em francês. Dói é lembrar que esse alienado era, talvez, o mais brilhante intelectual brasileiro de sua geração. [...]. Trecho extraído da obra Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu (Guanabara, 1985), do antropólogo e escritor Darcy Ribeiro (1922-1997). Veja mais aqui.

CATELA NO BANHO – [...] Chegada a hora, Catela, acompanhada de uma criada, dirigiu-se para a casa de banhos. E ali, encontrando a boa mulher, perguntou-lhe se Filipe havia aparecida, ao que a proprietária, industriada por Ricardo respondeu: - Sois a mulher que deverá vir encontrar-se com ele? – Sim, responde Catela. – Podeis entrar, redarguiu, pois ele está lá dentro. [...] Catela, querendo mostrar ser outra que não ela mesma, abraçou-o e beijou-o, acariciando – e sem dizer palavra, temendo, se falasse, ser por ele reconhecida. O quarto era escuríssimo, o que foi de agrado de ambos. Nem mesmo a grande permanência ali dentro deu aos seus olhos o poder de verem claro. Ricardo conduziu-a para o leito e aí, sem falar, de modo que a voz não o pudesse trair, por grandíssimo espaço de tempo ficaram, e com grande alegria de ambos. Mas quando a Catela pareceu que era chegada a ocasião de desabafar-se, acesa de fervente ira, disse: - Ah, quanto é mísera a sorte das mulheres e como é mal empregado o amor de muitas para com os maridos! Desgraçada de mim, há oito anos que eu te amo mais do que a minha vida e tu ardes e te consomes no amor de mulher estranha. [...]. Eu sou Catela, não sou a mulher de Ricardo, traidor desleal. Escuta, para ver se reconhece a minha voz. Parece que mil anos que vivêssemos eu não te envergonharia como mereces, cachorro sujo e vituperável. Desgraçada de mim! A quem eu, por tantos anos, dediquei tanto amor? [...] Ricardo gozava consigo mesmo aquelas palavras e sem responder nada, abraçava-a e beijava-a, e mais do que nunca fazia-lhe grandes caricias. [...]. Por fim, Ricardo, pesando que se saísse, deixando-a nessa crença, muitos males poderiam sobrevir, deliberou revelar-se, tirando-a do engano em que estava. Segurando-a bem entre os braços de modo que não pudesse escapar, disse: “Doce amor meu, não vos perturbeis; aquilo que, simplesmente amando, não pude ter, amor, com enganos, ensinou-me a possuir. Eu sou o vosso Ricardo”. Catela subitamente quis atirar-se do leito mas não pôde. Quis gritar mas Ricardo tapou-lhe a boca [...] Começando com dulcíssimas palavras a apaziguá-la, tanto disse, rogou e conjurou que, ela, vencida, fez as pazes com ele e, postos enfim de acordo, permaneceram por muito tempo em amistosa companhia. E a mulher, conhecendo então que os beijos do amante são mais saborosos que os do marido, transformou em doce amor a sua dureza e, daquele dia em diante, ternissimamente o amou e, agindo, avisadissimamente, muitas vezes gozaram do seu amor. E que Deus nos faça gozar do nosso. Conto do poeta e critico literário italiano Giovanni Boccaccio (1212-1375). Veja mais aqui e aqui.

POEMAO seu falar é tão suave que abre todos os caminhos do meu coração. Poema do poeta El-Rozali.


A arte do desenhista e ilustrador italiano Milo Manara. Veja mais aqui.




Veja mais sobre:
Renovação, Adalgisa Nery, Josefina Álvares de Azevedo, Patrizia Laquidara, Marina Colasanti, Liliana Cavani, Claudia Cardinale, Maria Martins, Niki de Saint Phalle & Visão holística em psicologia e educação aqui.

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Médicos deprimidos, Chico Folote & Besta Fubana, Charlie Chaplin, Estupro, Glândulas endócrinas & o poder humano aqui.
A poesia & arte de Alê Cavagna aqui.
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Fecamepa aqui.
As trelas do Doro & o escambau aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Leitora comemorando a festa do Tataritaritatá! (Arte: Ísis Nefelibata)


Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.
 



NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...