Mostrando postagens com marcador Hermilo Borba Filho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hermilo Borba Filho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 22, 2024

STELLA NYANZI, NASTASSJA MARTIN, AGUSTINA BAZTERRICA & SEMANA HERMILO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Liszt: Piano Sonata & other works (Hyperion Records, 2015), Bach: The Art of Fugue (Hyperion Records, 2014), Bach: Flute Sonatas (Hyperion Records, 2013), Fauré: Piano Music (Hyperion Records, 2013), Debussy: Solo Piano Music (Hyperion Records, 2012) e Bach: Angela Hewitt plays Bach (Hyperion Records, 2010), da pianista canadense Angela Hewitt. Veja mais aqui.

 

OITO PRAS ONZE.... – De onde venho quase nem sei mesmo. Tudo é tão vertiginoso e qualquer lugar ardia com a cor do fogo: a todo instante a surpresa da primeira vez. Fui até hoje canoa de rio desgarrada, como se correntes fossem emporcalhadas pela loquacidade de indecifráveis apostadores e previsíveis alcaguetes – sorteios e apostas na ordem do dia, chamada dos arautos do horror - como se tudo fosse obra do acaso que não existe. O que estou fazendo aqui quase tão extenuado quanto errático, pegando carona no tempo e a padecer desde que passei a me entender por gente: como todos fui infante, escravo das horas e normas - a escuridão era minha ruína. Todo dia pensava em parar de vez, como se conseguisse; dali a pouco, ingenuamente relutava como quem esquecia das lapadas, como se nada tivesse acontecido, coisa de quem nunca aprendia: todo dia a maldição da estaca zero. E tanto esmerava na curva dos dias, tão imperfeito quanto de quase nem precavido: se tinha de perder a parada, saía fora tão inútil e a levar do zero entre oito a oitenta, batia nos oitocentos e insistia senão aos oito mil, milhões, zilhões, quer fosse negativo ou positivo, o ápice das possibilidades. Ué! Sim, bastava amanhecido já de pé pronto pro que quer que viesse – mesmo redundando de sequer ter saído do lugar inicial. E me reajeitava o quanto podia e não via a hora de vingar o que contaminou e não, o que o calendário devorou, afetos perdidos, perdas irreparáveis, elos partidos, ausências doloridas, vísceras expostas. E me valia de que os mortos não descansavam em paz, apenas estavam livres das insuportáveis dores da vida e porque foram muito antes enterrados vivos. Pra onde vou a cada amanhecer pronto para outra em pleno voo do previdente ao irremediável, do modesto ao excêntrico, entre o assombro e a palidez. Fiz força na fé, ô-lá-lá, malgrado o meio dia, arrebatado pelo que vi demais e de novo porque foi sempre como se fosse pela primeira vez. E de tão comum me dei por felizardo: um mortal diante da onipotência ubíqua e as imposturas da finitude. Onde houver vida ainda existirei. Até mais ver.


Pelo que se diz e nunca dito:

Silvina Ocampo: Quando você escreve, tudo é possível, até o oposto do que você é... Veja mais aqui.

Beatrix Potter: Não podemos ficar em casa a vida toda, devemos nos apresentar ao mundo e devemos encará-lo como uma aventura... Veja mais aqui.

Assia Djebar: Às vezes, tenho medo de que esses momentos frágeis da vida desapareçam. Parece que escrevo contra o apagamento... Veja mais aqui.

&

Trabalhe duro em silêncio, deixe o seu sucesso ser o seu barulho... - Pensamento da escritora e jornalista britância Gill Hornby.

 

UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Quando estou frustrada com o poder do ditador, \ Sento em minha casa e escrevo. \ Quando o futuro do Uganda me enche de pavor, \ Pego minha caneta e escrevo. \ Quando não há soluções fáceis à vista, \ Eu divido os desafios escrevendo. \ Quando o orçamento do mês é pequeno, \ Pego papel e caneta para reescrever. \ Quando minha mente ameaça explodir como dinamite, \ Eu me acalmo escrevendo.

Poema da antropóloga médica, poeta, feminista e ativista ugandense Stella Nyanzi, que foi presa em 2017 por insultos ao presidente de Uganda, exilada na Alemanha. Em 2009, ao recusar o convite para lecionar no programa de doutorado denominado Mamdani PHD Project, seu escritório foi fechado e, num exemplo da prática cultural feminista da África Ocidental, fez um protesto nua contra o seu chefe. Após sua prisão em 2017, ela foi suspensa da Universidade Makerere, recorrendo da decisão junto ao tribunal de apelação que determinou que ela fosse reintegrada, promovida ao nível de pesquisadora com efeito imediato e reembolsado os salários. A universidade recusou-se a acatar a decisão do tribunal e ela entrou com uma ação contra a universidade solicitando reintegração e salários atrasados. Em resposta, em dezembro de 2018, a universidade demitiu-a, juntamente com outros 45 acadêmicos, argumentando que o seu contrato expirou. A partir de então passou a praticar “grosseria radical”, que é uma estratégia tradicional de Uganda de responsabilizar os poderosos por meio de insultos públicos. Em 2017, Nyanzi referiu-se ao Presidente Museveni como “um par de nádegas”. Por conta disso foi presa e detida na Esquadra de Polícia de Kiira sob a acusação de assédio cibernético e comunicação ofensiva. No mesmo ano, os médicos do Hospital Butakiba foram convocados para a realização de um exame de avaliação psiquiátrica para determinar que ela estava louca, como alegou o procurador do governo. No entanto, ela resistiu ao exame e solicitou que seu médico pessoal e pelo menos um membro da família estivessem presentes caso quisessem fazer um exame médico nela. Enfim, foi libertada pagando fiança e detida novamente no ano seguinte. Em 2019 sofreu um aborto espontâneo na prisão, sendo seu julgamento adiado, ocasião em que ela expôs os seios em protesto contra uma sentença. A imprensa internacional a chamou de "uma das mais proeminentes ativistas dos direitos de gênero da África", "uma acadêmica líder no campo emergente dos estudos queer africanos", e uma líder na luta contra "leis repressivas anti-queer " e por "liberdade de expressão". Várias instituições internacionais condenaram sua prisão como uma violação aos direitos humanos e liberdade de expressão. Exilou-se na Alemanha por meio de um programa de escritores, administrado pela PEN Alemanha. Ela é autora das obras No Roses From My Mouth (2020), Don't Come in My Mouth: Poems That Rattled Uganda (2021) e Eulogies of My Mouth Poems For A Uganda envenenada (2022).

 

TERNA É A CARNE - [...] O ser humano é a causa de todos os males deste mundo. Somos nossos próprios vírus. [...] Dar aos filhos o nome de seus pais é despojá-los de uma identidade, lembrando-lhes a quem pertencem [...] Não entendo por que o sorriso de uma pessoa é considerado atraente. Quando alguém sorri, está mostrando seu esqueleto [...]. Trechos extraídos da obra Tender Is the Flesh (Scribner Book Company, 2020), da escritora argentina Agustina Bazterrica, também autora da obra Cadáver exquisito (Darkside, 2022), no qual expressa que: [...] Ele tentou odiar toda a humanidade por ser tão frágil e efêmera, mas não conseguiu continuar porque odiar a todos é o mesmo que odiar ninguém. [...] Ensinar a matar é pior que matar [...]. Entre suas obras ainda constam Matar a la Niña (2012) e Antes del encuentro feroz (2016), bem como autora da frases: Sempre acreditei que na nossa sociedade capitalista e consumista, devoramo-nos uns aos outros.

 

ACREDITE EM ANIMAIS SELVAGENS – [...] Uma coisa eu entendi: o mundo está desabando simultaneamente em todos os lugares, apesar das aparências. O que há em Tvaïan é que vivemos conscientemente nas suas ruínas. [...] Digo que você mesmo não sabe o que sempre te leva a ir mais longe. Talvez eu concorde. Ou talvez esteja no reino do indizível. Ou o intraduzível. [...] Penso em todos aqueles seres que mergulharam nas zonas obscuras e desconhecidas da alteridade e que voltaram, metamorfoseados, capazes de enfrentar “o que vem” de uma forma inusitada, estão agora com o que foi confiado no fundo do mar, no céu, debaixo do lago, na barriga, debaixo dos dentes. [...] Trechos extraídos da obra Croire aux fauves (Verticales, 2019), da antropóloga e ensaísta francesa Nastassja Martin, que em sua obra In the Eye of the Wild (New York Review of Books, 2021) expressa que: [...] Há anos que escrevo sobre fronteiras, sobre a margem, sobre liminaridade, sobre a área fronteiriça, sobre os dois mundos; sobre este lugar tão especial onde é possível encontrar um “outro” poder, onde se corre o risco de se alterar, de onde é difícil voltar atrás. Sempre disse a mim mesmo que não deveríamos cair na armadilha do poder mágico e encantador. O caçador, impregnado dos cheiros de sua presa e depois de vestir suas roupas, modula sua voz para adotar a dela e, ao fazê-lo, entra em seu mundo, mascarado, mas ainda ele mesmo sob a máscara. Aqui está a astúcia, aqui está o perigo. A questão passa a ser: ser capaz de matar para voltar – para si mesmo, para a sua família. Ou: falhar, ser engolido pelo outro e deixar de estar vivo no mundo humano. Escrevi essas coisas no Alasca; Eu os experimentei em Kamchatka [...] Naquela noite escrevi que devemos acreditar nos animais selvagens, nos seus silêncios, na sua contenção; acreditar no estado de alerta, nas paredes brancas e nuas, nos lençóis amarelos deste quarto de hospital; acreditar no afastamento que trabalha o corpo e a alma num não-lugar que tem para si a sua neutralidade e a sua indiferença, a sua transversalidade. O informe torna-se mais claro, toma forma, é redefinido silenciosamente, brutalmente. Enxerto de mesclagem de mistura de reinnerva desinerve. Meu corpo depois do urso depois de suas garras, meu corpo em sangue e sem morte, meu corpo cheio de vida, de filhos e de mãos, meu corpo em forma de mundo aberto onde múltiplos seres se encontram, meu corpo que se repara com eles, sem eles, meu corpo é uma revolução [...]. Ela também é autora das obras Les Âmes sauvages: face à l'Occident, la résistance d’un peuple d’Alaska (La Découverte, 2016) e À l'Est des rêves (La Découverte, 2022).

 

SEMANA HERMILO

Pertenço a uma cultura de resistência e justamente porque a liberdade e a dignidade do homem estão em crise é que utilizo a única arma que tenho – minha ficção, para combater a intolerância sob qualquer aspecto em que se apresente.

Pensamento do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-2017). 

OBRAS DE HERMILO – TEATRO: História do Teatro (1950), Teoria e prática do teatro: antologia (1960), Diálogo do encenador (1964), Apresentação do bumba-meu-boi (1966), A donzela Joana (1966), Sobrados e mocambos (1972), além das peças teatrais João sem terra, Electra no circo, Parentes da ocasião, Círculo encantado, Vidas cruzadas, O vento do mundo, Cabra cabriola, A barca de ouro, O bom samaritano, O cabo fanfarrão e Donzela Joana, entre outras.

LITERATURA: Os Caminhos da solidão (1957), Sol das almas (1964), Um cavalheiro da segunda decadência: I - Margem das lembranças (1966); II - A porteira do mundo (1967); III – o cavalo da noite (1968) e IV - Deus no pasto (1972); O general está pintando (1973), Agá (1974), Sete Dias a Cavalo (1975), Os ambulantes de Deus (1976) e As meninas do sobrado (1976).

ARTE POPULAR: Arte popular do Nordeste (1966), Espetáculos populares do Nordeste (1966), Fisionomia e espírito do mamulengo: o teatro popular do Nordeste (1966) e Cerâmica popular do Nordeste (1969). 

Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UM OFERECIMENTO:

NNILUP CROCHETERIA

Veja mais aqui.

&

SANTOS MELO LICITAÇÕES

Veja detalhes aqui.

&

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


aqui

quinta-feira, agosto 24, 2017

MARINA COLASANTI, ILIBAGIZA, ROSE MURARO, BONOMI, MESTIÇAGEM & CAMPESINATO, MEIO AMBIENTE, MAMULENGO DE HERMILO, RADIO CULTURA & PALMARES DE LUCIANO FRANÇA

A VIAGEM DA VIDA (Imagem: arte da gravdora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora Maria Bonomi Pra quem vem ou vai, mesmo caminho, tantas apreensões. Tal impressão digital, a íris do olho, somos tão iguais como as águas na corrente, quão diferentes como os dias uns aos outros. Passo adiante, viagens que já fiz. Quantas e tantas felicidades sonhadas, almejadas, qual a minha, muitas. A paisagem é só minha, pros outros não é nada; se chove ou ensolarado, sigo o que sinto, sorrio mesmo que me virem as costas ou me ignorem, sem ao menos acenarem, sequer, com suas situações extremamente difíceis, por vezes delicadas ou terríveis. São meus, apesar deles. Os guardo no apreço, mesmo que assim não seja pra mim. Não me esquivo nem quero escapar dos obstáculos; vivo, superá-los, sim, pra que outros venham e eu vença a mim mesmo. Apesar dos pesares, tenho esperança e isso me faz viver e justifica a minha existência. Ainda hoje não me conformo com a miséria nem infortúnios, quero ser feliz, sei o que mereço e me permito ir embora para poder chegar. Se me aceitam, uivo entre lobos pela floresta de erros, pelos vales de lágrimas, tal como eu muitos, senão todos, voltaram de mãos vazias, mas não reclamo tanto esforço por experiências cruéis, nem das cicatrizes que emergiram das tribulações. Mesmo que pareça tudo em vão, mesmo que não tenha nenhum sentido ou me veja entre saberes perdidos, renasço na capacidade do maravilhamento e estarei lá como sempre estive e estou no ato da presença, aqui e agora, porque penso e sou; do contrário, só existiria. Sempre haverá imagens nos pensamentos, só escolho e me abandono ao árduo trabalho que me dá o prazer de criar. Quando muito retorno às origens, pra raiz, a semente que fui e tornar a sê-la pra me conciliar com tudo e todas as coisas. De bom grado lavo as mãos para me sentir purificado, bebo a água límpida da fonte e respiro profunda e intensamente em paz. A vida é uma longa viagem, voo pra Shamballa vibrar em uníssono com os harmônicos cantos cósmicos sintonizados na minha freqüência e a estação divina me faz sentir a atração do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

FALANDO SÉRIO COM MÁVIO AVES
Nesta terça, dia 29/08, a partir das 11hs, estarei Falando Sério com Mávio Alves, na Rádio Cultura dos Palmares, debatendo sobre o tema O Brasil pelo avesso na hora da crise!

SOBREVIVI PARA CONTAR - [...] Ouvi quando os assassinos chamaram meu nome. Estavam do outro lado da parede, menos de 2,5 centímetros de gesso e madeira nos separavam. Suas vozes eram frias, duras e decididas. - Ela está aqui... Sabemos que está aqui em algum lugar... Tratem de encontrá-la, encontrem Immaculée. Eram muitas as vozes, muitos os assassinos. Eu podia vê-los com os olhos da mente: meus antigos amigos e vizinhos, que sempre me haviam recebido com amor e bondade, andavam pela casa, munidos de lanças e facões, e chamavam meu nome. – Já matei 399 baratas – disse um deles. - Com Immaculée serão quatrocentas. Esse é um bom número para se matar. Encolhi-me, sem mexer um músculo sequer, em um canto de nosso minúsculo banheiro secreto. Assim como as outras sete mulheres que se escondiam comigo para proteger suas vidas, prendi a respiração para que os perseguidores não nos ouvissem. Suas vozes dilaceravam minha carne. Senti-me em fogo, como se estivesse deitada sobre um leito de carvões ardentes. Uma avassaladora onda de medo tomou conta de mim; milhares de agulhas invisíveis penetraram meu corpo. Eu nunca havia imaginado que o medo pudesse provocar tamanho sofrimento físico. Tentei engolir, mas minha garganta se fechou. Não havia saliva em minha boca, que parecia mais seca do que areia. Fechei os olhos, na tentativa de desaparecer, mas as vozes soavam cada vez mais alto. Eu sabia que eles não teriam piedade, e um único pensamento ecoava em minha mente: Se me pegarem, eles vão me matar. Se me pegarem, eles vão me matar. Se me pegarem, eles vão me matar. [...] Ela me levou até um galpão numa área restrita e abriu uma caixa de força de alta voltagem. - Há mais de 1.500 volts de eletricidade aqui – explicou. – Se os hútus extremistas invadirem a escola e não tivermos como escapar, podemos vir aqui, puxar essa alavanca e pôr as mãos lá dentro. Nós morreríamos imediatamente. É melhor ser eletrocutada do que torturada, estuprada e morta. Não vou permitir que selvagens se aproveitem do meu corpo antes de me matar. Não faça essa cara de surpresa... Já ouvi histórias demais de mulheres tútsis que foram estupradas e brutalizadas em tempo de guerra para não ter um plano de fuga. Concordei com a cabeça. Era estranho falar em acabar com nossas vidas aos 19 anos de idade apenas, mas essa parecia uma saída melhor do que a outra alternativa. Clementine e eu fizemos um pacto e juramos não dizer nada a ninguém, para que as autoridades escolares não ficassem sabendo e trancassem a caixa de força. Trecho da obra Sobrevivi para contar: o poder da fé me salvou de um massacre (Objetiva, 2008), da escritora e palestrante ruandesa Immaculée Ilibagiza, com o relato sobre o confinamento num banheiro minúsculo com mais sete mulheres famintas e aterrorizadas, sem condições mínimas de higiene, saúde e alimentação, lutando contra o desespero e ouvindo as vozes dos assassinos que queriam matá-la cruelmente durante o genocídio de Ruanda em 1994. Trata-se de depoimento de como ela conseguiu sobreviver emocionalmente ao massacre de sua família, cujos detalhes ela também revela em sua narrativa.

MESTIÇAGEM & CAMPESINATO - [...] Uma das interpretações – de que uma nociva mestiçagem retardava o progresso do povo brasileiro, uma vez que o mestiço era tido como racial e fisicamente desequilibrado, - não resistiu aos estudos efetuados dentro e fora do Brasil, pouco a pouco foi sendo destruída. Os crimes terríveis cometidos pelos nazistas, indivíduos de “raça pura”, muito contribuíram para pôr em cheque preconceitos raciais que se voltavam não apenas contra o mulato e o mestiço, mas também contra negros, contra judeus e contra outras minorias étnicas. Assim, a explicação de que o meio rural brasileiro era atrasado e conservava costumes arcaicos porque povoado de mestiços, inaptos a uma evolução socioeconômica, não encontrou mais base de sustentação em teorias científicas. [...] O reconhecimento, descrição e explicação dos vários processos que compõem a dinâmica da sociedade rural brasileira parecem destinados a conhecer uma expansão mais lenta do que os trabalhos efetuados do ponto de vista da organização e da estrutura. Trecho extraído da obra O campesinato brasileiro: ensaios sobre civilização e grupos rústicos no Brasil (Vozes, 1973), da premiada socióloga, professoras e escritora Maria Isaura Pereira de Queiroz. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MEIO AMBIENTE – [...] O desconhecimento dos efeitos resultantes do uso intensivo do carvão deu origem às primeiras ocorrências de doenças profissionais e à contaminação das regiões onde predominavam as atividades de mineração. Acidificação dos solos, emissões de particulados, degradação das condições de vida nos núcleos populacionais próximos das minas e usinas foram os primeiros efeitos dessa industrialização nascente, desordenada, que envolvia riscos ainda desconhecidos par a saúde humana e o meio ambiente. O relacionamento entre causas e efeitos da poluição ambiental era então precário. Embora os acidentes de trabalho fossem, nessa fase inicial da industrialização, muito freqüentes, os acidentes ambientais, como hoje são conhecidos, não eram tão evidentes. [...] Os acidentes urbanos exercem grande impacto sobre a sociedade não somente devido a sua proximidade e ingerência sobre a vida de cada cidadão, como também pelo temor de que possam se repetir. Para que essas tensões remanscentes possam ser eliminadas ou, pelo menos, reduzidas com o passar do tempo, algumas providências de largo espectro devem ser tomadas pela comunidade, encabeçadas pela administração municipal e pelas instituições locais voltadas à proteção ambiental e à manutenção da qualidade de vida. Essas providências devem incorporar a conscientização da população para os riscos de acidentes, a busca de participação pública em programas de prontidão, a formação de fundos especiais para fazer frente a emergências, o desenvolvimento de recursos humanos treinados para participar de equipes de emergência e, muito importante, o fortalecimento das instituições ligadas ao bem público e ao atendimento emergencial de acidentes. [...]. Trechos extraídos da obra Meio ambiente: acidentes, lições, soluções (Senac, 2003), de Cyro Eyer do Valle e Henrique Lage. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

MULHERES & SEXUALIDADE - A espécie humana levou dois bilhões de anos para atingir o primeiro bilhão de habitantes. Isto aconteceu por volta da metade do século XIX. Mas, de 1850 para 1980, este número se elevou para quatro bilhões. Portanto, em pouco mais de cem anos, a população do planeta quadriplicou. Esta curva exponencial do aumento de população deve-se ao avanço tecnológico, principalmente ao avanço da tecnologia médica, que baixou as taxas de mortalidade, sem ter tocado nas de natalidade. Este instantâneo apinhamento de seres humanos sobre a face da Terra está causando problemas da maior gravidade, seja para a sobrevivência da espécie, seja por motivos políticos, ideológicos e econômicos. O crescimento populacional aconteceu dentro de um sistema socioeconômico baseado na exploração de alguns seres humanos sobre outros: o capitalismo. É dentro deste conceito de exploração capitalista que o problema populacional torna-se, a nosso ver, o mais grave da época atual. [...] São os homens dominados também, quando dão aos atributos físicos da mulher maior valor erótico. Quanto mais excitante o físico, mais condições dá a sexualidade masculina, mais localizada no físico, de “funcionar” melhor. Em outras palavras, quanto maior o domínio do homem pelo homem, maior, também, o da mulher pelo homem. Mais impessoal, mais objetivada também a relação que vai do homem para a mulher, e maior ressentimento desta. Na Zona da Mata, por exemplo, em que a mulher já tem outro status, apesar da grande miséria, os homens falam mais em atributos pessoais (mesmo que sejam tradicionais) do que os operários e camponeses do Agreste, e as mulheres parecem ser mais donas de suas decisões. [...]. Ao invés de denegar o corpo que é hoje o apanágio da burguesia, é preciso tomar da burguesia o corpo e fazer dele um corpo de todos, um corpo liberto. Tomar o corpo como ele é, aqui e agora, com todos os seus desejos contraditórios, e começar a criar a partir do povo novos padrões de comportamento de corpo que nada tenham a ver com os da burguesia, e que lhes permita perceber que eles também são seres humanos inteiros e desmascarar, assim, todo o jogo da sociedade burguesa. Trechos extraídos da obra Sexualidade da mulher brasileira: corpo e classe social no Brasil (Vozes, 1983), da escritora e feminista Rose Marie Muraro (1930-2014). Veja mais aqui.

NO SILÊNCIO QUE O SOL QUEIMA - No meio do trigal, pernas abertas, abrigava pássaros. Era sempre assim. Com a chegada do verão sentia-se fértil, ensolarada de desejo, mãe da terra. E deitava-se entre as hastes rígidas, as espigas túrgidas, à espera. Logo, pardais vinham aninhar-se entre suas coxas, fazendo-a suspirar com a doce caricia das asas. Esmagava entre os lábios pétalas de papoulas, e gemia. Fremir de plumas, pequenos bicos, breves pios, delícias. E as línguas do sol sobre seus seios. Mas era só ao entardecer, quando o gavião em voo desenhava círculos de sombra sobre o ouro, lançando-se como pedra entre suas carnes para colher o mais tonto dos pardais, que as hastes estremeciam enfim, inclinando as espigas ao supremo grito. Conto extraído da obra Contos de amor rasgados (Rocco, 1986), da escritora e jornalista ítalo-brasileira Marina Colasanti. Veja mais aqui.

FISIONOMIA E ESPIRITO DO MAMULENGO - O boneco tem uma vida. É uma transferência na infância e uma fixação na idade madura. A boneca de pano pode ser tudo: desde a filha à mãe, desde a comadre à irmã, amiga ou inimiga. O boneco é um ser misterioso, feito, às vezes, à nossa imagem e semelhança, mas de qualquer modo um entre à parte em torno do qual podemos construir um mundo. É também um ser arbitrário e poético. Isto o simples boneco mudo, manejável de acordo com as nossas forças. O boneco visto no espetáculo transforma-se de ser passivo, dependente, obediente às nossas mãos, numa criatura de vida própria e atuante, porque, em nossa condição de espectadores, colocamo-nos em face do inesperado. Toda arte é uma surpresa. [...]. Trecho extraído da obra Fisionomia e espírito do mamulengo (Brasiliana, 1966), do escritor, dramaturgo e advogado Hermilo Borba Filho (1917-1976). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

MINHA PALMARES
Nesta terra de cultura e de grandeza,
Onde o belo é sempre belo a cada dia,
Onde o sonho é mais que encanto e magia,
Onde a vila tem mais vigor e leveza,
Não me sinto só poeta, sou alterza,
Sou palmarense: alma,sangue e raça;
Aqui tudo é verso, é poesia,
Tem sempre um poeta em cada praça.
O açúcar dos teus verdoengos canaviais
Seduz muito mais que adocica.
Quem de outras plagas vem, aqui fica,
Quem bebe de tua água, quer mais,
Quem se vê desesperado encontra a paz
Ao banhar-se em teus rios Una e Pirangy;
Rejuvenesce quanto mais o tempo passa,
E apenas tu, Palmares, tens em cada praça
Um poeta declamando versos p’ra ti.
Serás sempre decantada em lindas canções
Porque deste à luz muitos bons cantores
E graça à pena dos teus escritores
Tua história marcará nossas recordações;
Teus pintores nos dão novas emoções
Com as belas paisagens do teu universo.
Aqui o bem prevalesce se o mal ameaça
É comum avistar-se em qualquer praça
Uma musa e um poeta rabiscando um verso.
Poema do poeta, advogado e serventuário de Justiça, Luciano França, extraído da antologia Poetas de Palmares (FCCHBFD, 2002), autor dos livros Retalhos poéticos (2006), Escritura pública: seu valor jurídico-social no cotidiano (2012), Renascendo em poesia (2014) e Academia Palmarense de Letras: a perseguição de um sonho (Bagaço, 2016). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

sexta-feira, agosto 11, 2017

SARAMAGO, FRITJOF CAPRA, HERMILO, INCLUSÃO, ENTRE VERSOS, FLÁVIO MIRANDA & VILMAR CARVALHO

BRINCANDO DE MORRER – Zé-Corninho deu uma banguela na vida e logo engatou primeira numa paixonite nova pra cima duma reboculosa que revirou o seu quengo de pernas pro ar. Oxe, o cabra amorcegou as abundâncias colossais da distinta, de quase vê o tampo voar de tanto alvoroçamento da gamação. Coisa mais parecida com a primeira vez, abestalhado de ficar com os bicos dos beiços às beijocas pra ela. Coitado, logo ele já casado e ajuntado de muitas mancebias tortas e desajeitadas, o que tinha de tapeado na leseira de corno, tinha de bruguelo chamando pai prali e pracolá, douto de safadeza, sobrecarregado de todo tipo de moléstia, fosse blenorragia, gonorréia, cancro, abscessos nos testículos, afora furúnculos e perebas a fole distribuídas a granel do pau da venta ao solado dos pés, coisa de fazê-lo já inoculado para se remediar. Mas lá estava ele no cangote dela, quando, na horagá, o cabra começou a deslizar o disco de embreagem, envernizou e não deu prosseguimento, coisa de incapaz de cumprir seu dever. A mulher abusou-se, chamou na grande e reclamou como é que é. O cara lá, em cima no maior impado, dela perder a paciência e cuspir: ou fode, ou sai de cima! A coisa engrossou dela sair virada na pata choca, ele todo macambúzio, desconfiado e sacando todo mundo só de esguelha pra banda dele. Sai pra lá comboio de enxeridos, sou homem muito machão. Hummmm. Ainda dou no couro, magote de fresco. Hummmm. Um mês, dois, os familiares dela: e aí, quando vai aparecer o neto? Seis meses, um ano, como é, esse neto sai ou não sai? Ih! Pra emprenhar, mô fio, tem que dá umas três peiadas boa por dia. Ou você virou gala rala, hem? Sei não... a desconfiança já andava na geral. Ah, está caiando, é? Vem cá, desgraçado, você tocou na intimidade de mulher menstruada, foi? Se tocou, está impuro, aí nem Jesus do céu que dará jeito nocê, meu amigo. Que nada! Tenho certeza que isso é coisa da mulher, ela nunca me cheirou bem, toda avançadinha! Esse negócio de trabalhar, não dá pra mim, todas são muito donas do nariz e isso é meio caminho andado pra dor de cabeça e pro trupé dar errado. Vá ver, é isso mesmo. Como dizia minha mãe: a boa mesmo, pra valer, tem que se sujeitar ao marido, senão vira titia, uma vitalina de ninguém querer nem pra brincar. Já dizia Catão: mulher é um animal teimoso e descontrolado, tem partes com o diabo, tem que ser mantida na rédea curta, ali, no certinho e apurado, caqueou, pau no lombo ou deixa pra lá que serve mais não. Além do mais, mulher que não embucha, não presta! Mulher pra mim tem que ser virtuosa, casta e sensata. Mas me diga uma coisa: era virgem? Sangrou? É aquela é? Aquilo é um súcubo! Cruz-credo! Pior que Xantipa! Os pecados daquilo não tem penitência, chicoteado ou autoflagelo que dê jeito! Ligue pr’ele não, isso gosta de enredar, vá me conte. Sim? Ah, meu amigo, tome garrafada de melancia triturada com leite de mulher parida de filho homem. Dê pra ela também, se ela vomitar, conceberá; se arrotar, aí, meu, só com outro serviço que esse gorou. E onde achar leite de mulher parida numa hora dessas, hem? Tô frito! O negócio é sério, olhe só: coloque sementes de trigo e cevada em bolsos separados e depois mande a mulher passar nas partes pudendas dela. O que? Isso mesmo, lá nela. Se dois dias depois germinar, ela dará à luz. É tiro e queda. E se o trigo brotar, é menino; cevada, menina. Danou-se! Nem reza forte, despacho, mesa branca, catimbó dos brabos, cueca na caçola pela encruzilhada, não havia jeito. Quando alinhou as ideias, foi providenciar solução definitiva: Ah, doutor Zé Gulu, o senhor que sabe de tudo, pelo amor de Deus, me alumia que estou todo entronchado numa quizília que não tem mais fim. O que já tomei de cachete, chá de todo tipo de coisa que presta e imprestável, já tive troço e num só dia tive dois infartos, afora outros três que quase me mata de morte morrida assim no desassossego. O que o senhor me diz, hem, doutor? Zé-Corminho, se assunte, você tá brincando de morrer, desgraçado? Parece né, doutor? Tome tento, seu menino, isso é lá coisa que se faça! Pois é, doutor, eu não durmo mais, é um azucrinamento dos infernos no meu juízo, passou a fome, num cago mais, mijar até esqueci, estou encruado, enturido e com todo mundo dando pitaco na minha vida, sem falar na desgraçada da mulher assanhada como a praga a praguejar porque o brinquedo aqui não quer dar sinal de vida pra banda dela, como posso com tudo me azoando, me diga, como posso? Ou você manda tudo pra puta que pariu ou vai morrer de tanto azuretamento! Juízo, moço. Sorria, penteie as gaias e vá ser feliz, se puder. Segura a onda, Zé-Corninho, senão o pencó pega e aí babau! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Com o Diretor da Pública Municipal Fenelon Barreto, João Paulo e alunos da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) João Vicente de Queiroz – Água Preta – PE, conversando sobre Hermilo Borba Filho.

POR UMA PALMARES SEM TRABALHO INFANTIL - Quanto mais oportunidade o aluno tiver de ouvir, ver, sentir e escrever, maior será o seu repertório e a sua sensibilidade para compreender o mundo em que vive. Essas produções, sejam elas um poema, um conto de fadas com príncipes, princesas e castelos, uma noticia de jornal, uma reportagem, uma prosa, etc., são experiências fundamentais par a formação do leitor, base para o exercício da cidadania e também para a construção de valores indispensáveis para a vida em sociedade. Ao relembrar Paulo Freire, que nos chamou atenção para a “leitura do mundo”, que antecede a leitura da palavra, podemos afirmar que é por meio da linguagem que o indivíduo reconhece os significados da cultura em que vive, estabelece relações entre as informações e constrói sentido para si e para o mundo [...]. Trecho da apresentação escrita pelo Professor Flavio Miranda de Oliveira para o livro Por uma Palmares sem trabalho infantil: coletânia de poesias de crianças e adolescentes (Instituto Brasileiro Pró-Cidadania/Tenda da Cidadania, 2015).

A TEIA DA VIDA - [...] Defrontamo-nos com toda uma série de problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de uma maneira alarmante, e que pode logo se tornar irreversível. Temos ampla documentação a respeito da extensão e da importância desses problemas. Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes. Por exemplo, somente será possível estabilizar a população quando a pobreza for reduzida em âmbito mundial. A extinção de espécies animais e vegetais numa escala massiva continuará enquanto o Hemisfério Meridional estiver sob o fardo de enormes dívidas. A escassez dos recursos e a degradação do meio ambiente combinam-se com populações em rápida expansão, o que leva ao colapso das comunidades locais e à violência sistêmica e tribal que se tornou a característica mais importante da era pós-guerra fria. Em última análise, esses problemas precisam ser vistos, exatamente, como diferentes facetas de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção. Ela deriva do fato de que a maioria de nós, e em especial nossas grandes instituições sociais, concordam com os conceitos de uma visão de mundo obsoleta, uma percepção da realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado. Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como o foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria dos nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades. [...] Nos ecossistemas, a complexidade da rede é uma consequência da sua biodiversidade e, desse modo, uma comunidade ecológica diversificada é uma comunidade elástica. Nas comunidades humanas, a diversidade étnica e cultural pode desempenhar o mesmo papel. Diversidade significa muitas relações diferentes, muitas abordagens diferentes do mesmo problema. Uma comunidade diversificada é uma comunidade elástica, capaz de se adaptar a situações mutáveis. No entanto, a diversidade só será uma vantagem estratégica se houver uma comunidade realmente vibrante, sustentada por uma teia de relações. Se a comunidade estiver fragmentada em grupos e em indivíduos isolados, a diversidade poderá, facilmente, tornar-se uma fonte de preconceitos e de atrito. Porém, se a comunidade estiver ciente da interdependência de todos os seus membros, a diversidade enriquecerá todas as relações e, desse modo, enriquecerá a comunidade como um todo, bem como cada um dos seus membros. Nessa comunidade, as informações e as idéias fluem livremente por toda a rede, e a diversidade de interpretações e de estilos de aprendizagem - até mesmo a diversidade de erros - enriquecerá toda a comunidade. São estes, então, alguns dos princípios básicos da ecologia - interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade, diversidade e, como consequência de todos estes, sustentabilidade. À medida que o nosso século se aproxima do seu término, e que nos aproximamos de um novo milênio, a sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica, da nossa capacidade para entender esses princípios da ecologia e viver em conformidade com eles. Trechos extraídos do livro A teia da vida: uma nova compreensão científico dos sistemas vivos (Cultrix, 1996), do físico e escritor austríaco Fritjof Capra. Veja mais aqui e aqui.

INCLUSÃO E TRANSVERSALIDADE - [...] Ao falarmos de inclusão social, portanto, não estaremos nunca nos referindo apenas a um dos lados desta moeda de inestimável valor. A inclusão é dirigida a todos – abolidos aí os “normais” e os “diferentes”. A inclusão é direcionada aos seres humanos. Até porque, os denominados “normais” e “diferentes” possuem os mesmos direitos perante a sociedade, catalogados por leis e declarações universais. Mas a inclusão, como todas as transformações sociais em torno dos direitos humanos que ganharam corpo principalmente a partir da segunda metade do século XX, não pode ser assimilada e assegurada apenas por fatores externos. Ela deve nascer da conscientização, da mobilização e da sensibilização de cada um. Então, o primeiro passo é dentro de nós mesmos. E começa pelo questionamento do que consideramos normal e diferente, para chegarmos ao essencial – o ser humano. Trecho extraído da obra Transversalidade e inclusão: desafios para o educador (Senac, 2009), organizado por Nely Wyse Abaurre, Mônica Armon Serrão et al. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

ECONOMIA DO BRASIL - [...] O Brasil estará incluído, como não podia deixar de ser, entre as vítimas dessa brusca reviravolta da conjuntura internacional. Vã0-lhe faltar os recursos suficientes de créditos e inversões externas que vinham estimulando e assegurando o processamento normal de suas atividades econômicas. E o pais se verá na iminência de situação gravíssima, de conseqüências finais ainda imprevisíveis, mas que começam a despontar e de que já estamos sofrendo o antegosto. Será o resultado de uma inconseqüente política econômica – em termos das reais necessidades do país e da massa de seu povo – que iludida com as facilidades proporcionadas pelo abundante afluxo de recursos externos que uma conjuntura internacional muito mais especulativa que outra coisa qualquer tinha determinado, julgou – ou quis julgar, preferivelmente – que o Brasil entrara em nova etapa de sua evolução econômica, um take-of rostoviano, isto é, a decolagem descrita nos textos ortodoxos da teoria econômica, que em breve período elevaria o país à categoria de grande potência.... A dependência em que se encontrava e se encontra ainda o funcionamento normal da economia, tal como se acha estruturada, do financiamento do exterior, já não para alcançar qualquer coisa que mesmo longinquamente se assemelhe aos enganadores índices especulativa e artificialmente atingidos nestes últimos anos – pois isso nem pode entrar em cogitação -, mas simplesmente para subsistir normalmente, uma tal dependência do financiamento externo pode-se avaliar pela maneira como vem evoluindo e a situação a que chegaram nossas contas externas [...]. Trecho extraído da obra História econômica do Brasil (Brasiliense, 1979), do advogado, historiador, geógrafo, escritor, político e editor Caio Prado Junior (1907-1990). Veja mais aqui.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA – [...] Estavam muito perto do supermercado, em algum destes sítios se deixou ela cair, a chorar, naquele dia em que se viu perdida, grotescamente ajoujada ao peso de sacos de plástico por fortuna cheios, valeu-lhe um cão para a consolar do desnorte e da angustia, este mesmo que aqui vai rosnando às matilhas que se chegam demasiado, como se estivesse a avisá-las, A mim não me enganam vocês, afastem-se para lá. Uma rua à esquerda, outra à direita, e a porta do supermercado aparece. Só a porta, isto é, está a porta, está o edifício todo, mas o que não se vê são pessoas a entrar e sair, aquele formigueiro de gente que a todas as horas encontramos nestes estabelecimentos, que vivem do concurso das grandes multidões. [...]. Trecho extraído da obra Ensaio sobre a cegueira (Companhia das Letras, 1995), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010). Veja mais aqui, aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

PALMARES
 
Traça o tempo no teu rosto
esta ruga : velhos engenhos,
casarões e ruas são as marcas
da tua história centenária,
louvada incessantemente
por quem te vê,
pelo ângulo de teu suor e sangue,
pelo mistério de tuas entranhas
e simplicidade.
Soturna, tua voz grita de repente,
como num repente de viola,
a sábia rima popular.
Refugia-se o folclore
nas mãos estigmadas
de quem te faz continuar,
quando cultiva fazendo florescer,
quando da navalha busca a doçura
neste ofício tão anônimo
que alimenta tuas raízes mais profundas!
És teu próprio canto.
És tua própria poesia.
Tua rima mais concisa.
Tua consciência.
Teu povo mantendo,
nesta ruga do tempo,
a marca talvez triste,
mas legítima, pois se eterniza
no açúcar que tudo te custa :
paisagens, almas e crenças !
Poema do escritor e professor Vilmar Carvalho, autor dos livros Escritos: história, literatura e cultura letrada (Scortecci, 2008), Bordel Barroco: alegoria de Epicuro Soares (Bagaço, 2011), Letrados e ufanos: história do Club Litterario de Palmares 1882-1910 (Bagaço, 2011), O poeta que virou estante (Bagaço, 2011), entre outras obras, editor do blog História, prosa e poesia. Veja mais aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
ENTRE VERSO DE LUCIAH LOPEZ
Também neste sábado, 12/08, das 15 às 17hs, no Solar do Barão, lançamento do livro Entre Versos: a palavra branca é nua, da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez, no sarau Café, poesia & canção, de Siomara Reis, em Curitiba - PR. Veja mais aqui, aqui & aqui.

segunda-feira, agosto 07, 2017

BIBLIOTECA FENELON, HERMILO, MILTON SANTOS, GILBERTO FREYRE, ROGER CHARTIER & JURANDIR FREIRE COSTA


A VIDA ENTRE LIVROS & LEITURAS – Imagem: foto da Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto - Sempre fui um menino travesso de fechaduras, brechas, postigos e combongós. Fresta que fosse, lá estava eu curioso peregrino e contumaz. Vencia buliçoso todas as dependências da casa, exceto um cômodo sempre de portas fechadas. Bastava eu me aproximar, surgia a advertência de mãe para eu me afastar dali. Vez ou outra eu esbarrava nela, sempre fechada, inheto por vencer a barreira, um interdito. Só muito depois, certa feita, estava entreaberta, invadi: lá estava meu pai entre livros e estantes. Ousei tocar um deles, logo a censura: mexa não! Tomava distância, fazendo de nem nem, só esperando momento oportuno para atacar. Doutra feita, meu pai levantou-se, remexeu nalguma coisa e me entregou um volume colorido que muito me deixou afoito no afã de descobri o segredo ali contido. Sentei-me no chão todo ancho pela posse, a folhear fisgado nas figuras. Daí a pouco minha mãe ralhava: venha, seu pai está trabalhando. Trabalho? Sim, trabalho. Maínha, trabalho. Não, seu pai está ocupado, venha. Bastava ela descuidar e eu lá mexedor ao lado dele: Maínha, trabalho. E imitava meu pai concentrado nos impressos. Eles riam. Outra vez, inadvertidamente, puxei um volume maior do que eu na estante, um desastre. Acorreram em socorro e me assustei com a aflição deles, enquanto eu repetia sem parar: trabalhar, maínha, trabalhar. Nem adiantava. Assim fui crescendo e aprendendo furtivamente a invadir aquele ambiente, vasculhando volumes e páginas às escondidas. Não sei quantas vezes fui flagrado por minha mãe enquanto eu babava com as imagens de mulheres nuas, as que mais me apeteciam. O tempo passou até aprender a ler e adquiri o hábito até hoje, tornando-me um leitor assíduo. Com essas leituras aprendi que o desejo é uma força de ação latente, somos todos seres de desejos entre escolhas, tornando-nos deuses-homens criadores de um mundo fragmentado e escravizados pelas ilusões do orgulho, da vaidade, das ambições, arrogâncias, apegos, envolvidos entre o ter e o ser. Com os livros compreendi e optei pelo ser, o ter seria uma consequência, nada mais. Com as recorrentes leituras me preparei para experimentar do sofrimento, do sacrifício, das falhas, de suportar as provas circunstanciais, enfrentando de forma reflexiva aos acontecimentos. Passei a discernir que todo sofrimento e adversidades infligidas nada mais eram que aprendizados que não careciam de explicação, apenas sentir e apreender. A despeito de todos os obstáculos, nunca me dei conta das dores e tribulações porque enriqueceram minha espiritualidade, vez que ao me harmonizar com a aflição do mundo, pude me tornar mais complacente e tolerante, e isso me fez senhor de mim mesmo: as minhas experiências me ensinaram as lições da vida. Graças a elas fortaleci meu caráter e me libertei dos apetites, disciplinando a mente para o trabalho construtivo com o estabelecimento de propósitos para uma vida útil e plena: a de um buscador sincero da verdade, com senso de moral e responsabilidade de prático e realista na direção da concretização digna do meu projeto de vida. Nunca desisti. Não me vi vencido pelas vicissitudes que serviram para promover um ideal voltado para o desenvolvimento e oportunidade para servir à humanidade. Se não venci aos olhos alheios, pouco importa, purguei falsas concepções, conheci o amor, a felicidade e a verdade da vida, a natureza humana e o propósito real da existência. Valeu a pena, só valeu a pena. Reconheci que trabalhei e sofri por um ideal: difundir a Luz em um mundo obscuro de plena barbárie. Fiz disso a minha habilitação e passei a ter a noção da força motriz pro incentivo, satisfação e entusiasmo de superar os desafios lançados na capacidade de criar oportunidades e na construção de um ideal altruístico: o acesso para todos à informação e ao conhecimento no desenvolvimento do pensamento e bem-estar humanos. Aliando as experiências vividas ao hábito da leitura para reflexão, passei a sabedor do quão importante é viver e interagir com a experiência dos outros: eu vivo porque aprendi a viver com todos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

 
Imagem: com o bibliotecário João Paulo e alunos da rede pública municipal durante a Semana do Centenário de Hermilo Borba Filho, na Biblioteca Pública Municipal Fenelon Barreto, em Palmares – Pernambuco.

CONFIDENCIAL

Fenelon Barreto

... E agora é a gente vil nos censurando! É o riso
Das amantes que eu tive e das mulheres feias.
Meia dúzia de maus, de cérebros sem juízo,
Que desejam colher aquilo que semeias.
Querem mesmo findar o sonho que idealizo.
Gostam também de entrar nas relações alheias,
Tão cínicas enfim, que às vezes é preciso
Mostrarmos o rancor que ferve em nossas veias.
Crê em minha afeição, minha jovem rosada!
E longe dessa turba estúpida e maldita
Teremos algum dia a paz desejada!
E após ouvir-me assim, ei-la a sorrir... repleta
Desse orgulho que tem toda mulher bonita
Convicta de possuir o coração de um poeta.
Poema extraído da antologia Poetas de Palmares (Palmares, 1973), seleção e introdução de Juareiz Correya.

FENELON BARRETO – O dramaturgo, advogado, professor e poeta palmarense Fenelon Barreto, colaborou em diversos jornais e revistas, deixando inéditos uma gramática portuguesa e um livro sobre contabilidade. Autor de peças teatrais como Adoração, O náufrago da Mafalda, entre outras tantas tragédias que foram encenadas. Veja mais aqui.

A BIBLIOTECADesde Alexandria, o sonho da biblioteca universal excita as imaginações ocidentais. [...] a leitura pública supõe que a biblioteca saia dos seus muros, vá ao encontro dos leitores, com ônibus-bibliotecas, as bibliotecas circulantes instaladas nos bairros, as bibliotecas nas empresas. [...] É um movimento cuja inspiração continua sendo útil. Neste mesmo momento em que estamos conversando, está ocorrendo uma revolução técnica, com o que ela tem de promissor e temerário. É por isso que se deve conservar, no interior do debate sobre a biblioteca eletrônica, senão as fórmulas ou os instrumentos da leitura pública, ao menos o espírito que ela possuía. [...] as bibliotecas, sejam elas nacionais, públicas, ou universitárias, tornam-se um recurso absolutamente indispensável [...]. Trechos extraídos da obra Aventura do livro: do leitor ao navegador (Unesp, 1998), de Roger Chartier. Veja mais aqui & aqui.

OS AMBULANTES DE DEUS – [...] O período foi de calamidade: houve um carnaval triste porque tudo o que ia acontecer estava pairando no ar, na cidade e no rio [...] é, houve um carnaval triste, com uns pobres caboclinhos descendo a ladeira, arcos e flechas na batida monótona e sem gosto, penas descoloridas, cocares desbotados, dançava prum lado e outro pra nem-te-ligo, mal acertava, o passo, assim mesmo persistiram na beira do rio os três dias convencionais, mas os da jangada nem bem nem mal prestavam atenção, não prestavam, estavam mesmo encafifados, havia coisa no ar, estava para acontecer, aconteceu. Houve um golpe militar, um tritíssimo golpe militar em nome da liberdade; e nesse golpe militar viam-se cabeça rolando no meio da rua, pernas penduradas nos fios elétricos, testículos nos açougues, intestinos enlaçados; e houve a morte lenta, conseguida depois de cada centímetro de dor; e houve um morto em cada casa e os homens se transformaram em inimigos dos homens e houve paradas militares e os civis se refugiaram em tocas de bichos; e a jangada teve de permanecer parada à espera de ordens; e houve viúvas puxando pelos cabelos os cadáveres dos maridos no meio da rua; e houve mortos que mesmo depois de mortos vinham passear no meio da rua, as feridas abertas, de cara triste, e os soldados passavam e atiravam neles e abriam novas feridas e riam e bebiam; e houve quem dissesse que ia chegar um vaso de guerra para bloquear a fuga dos subversivos pelo rio e as patrulhas passaram a policiar as margens e vez por outra, por desfastio, davam rajadas de metralhadoras nos viajantes da jangada; e houve mais: missas negras, necrofilia, torturas do coração, luto perene, lágrimas de sangue, empalamentos, pesadelos revividos, interrogatórios indolores, fornos de cremação, hinos nacionais, oratória democrática e desfiles. [...] De há muito já não eram mais eles mesmos, também ninguem o era na cidade, mas disto não sabiam; e quem era nos antigamentes  gente humana podia ser agora uma pedra, uma partícula de pó, um fruto podre, ou no vice-versa, quem fora um torrão de areia, nos presentes podia ser um homem que gritava ou uma mulher que chorava, uma criança que engatinhava, descangotada a certeza, tudo nos arrevesados da sorte e do destino, cidade quase vaia de tão culposa, a galiqueira campeando pelos males da fornicação e por mui fermosas que ainda fossem as adolescentes a sustança dos tutanos aquosa era, o que as tornava umas desinfelizes com olhos-de-peixe-morto, a alegria ida [...]. Trechos extraídos da obra Os ambulantes de deus (Civilização Brasileira, 1976), do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976). Veja mais aqui.

URBANIZAÇÃO BRASILEIRA - [...] Em nosso país, já conhecemos desde muito uma flexibilização tropical do trabalho, que é o mecanismo pelo qual se criam tantos empregos urbanos, evitando a explosão das cidades. A forma como se dá o processo de involução urbana assegura trabalho para centenas de milhares de pessoas dentro das cidades. Essa é uma pergunta crucial: como será o trabalho nos próximos anos? Da forma como ele for, dependerá a forma como a urbanização se dará, também, porque aí pode estar a semente de nova consciência política. Ora, a vontade política é o fator por excelência das transfursões sociais. Nesse particular, as tendências que a urbanização assume neste fim, de século aparecem como dado fundamental para admitirmos que o processo irá adquirir dinâmica política própria, estrutural, apontando para uma evolução que poderá ser positiva se não for brutalmente interrompida. Trecho extraído da obra A urbanização brasileira (EdUsp, 2009), do geógrafo e professor Milton Santos (1926-2001. Veja mais aqui.

A MULHER - [...] Mas através de toda a época patriarcal – época de mulheres franzinas o dia inteiro dentro da casa, cosendo, embalando-se na rede, tomando o ponto dos doces, gritando para as mulecas, brincando com os periquitos, espiando os homens estranhos pela frincha das portas, fumando cigarro e às vezes charuto, parindo, morrendo de parto; através de toda a época patriarcal, houve mulheres, sobretudo senhoras de engenho, em quem explodiu uma energia social, e não simplesmente domesrtica, maior que a do comum dos homens. Energia para administrar fazendas, como as Donas Joaquinas do Pompeu; energia para dirigir a política partidária da família, em toda uma região,c Omo as donas Franciscas do Rio Formoso; energia guerreira, como a das matronas pernambucanas que se distinguiram durante a guerra contra os holandeses, não só nas duas marchas, para as Alagoas e para a Bahia, pelo meio das matas e atravessando rios fundos, como em Tejecupapo, onde é tradição que elas lutaram bravamente contra os hereges. Trecho do estudo socioantropologico A mulher e o homem, extraído da obra Sobrados e mocambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano (José Olympio, 1968), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987). Veja mais aqui.

O AMOR HOJE - [...] O amor romântico, ameaçado de perder o que lhe dava vitalidade – os atrativos do sentimento, da privacidade e da formação da identidade -, parece cada dia mais restrito aos episódios de êxtase sentimental e sexual. Seu estatuto é semelhante ao dos ideais emocionais arcaicos: belos e luminosos no passado ou em recintos fechados; frágeis e desbotados no presente e ao ar livre. Resta, portanto, como aconselha Solomon, procurar inventar um “neo-romantismo” mais comprometido com o mundo e, até lá, “ser humildes quanto a nosso entusiasmo” pelo amor erótico. Sem isso, o declínio do amor-paixão pode deixar um vazio identitário que não sabemos como ocupar. Durante séculos, a metáfora amorosa nos ensinou a buscar a felicidade na companhia do outro e a acreditar que esse ideal era imortal. Hoje, trata-se de pensar no que significa “outro”, “companhia”, “felicidade” e “ideal imortal”, para não termos de nos perguntar, como a Macabéa de Clarice Lispector, para que serve a felicidade. Trecho extraído da obra Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico (Rocco, 1998), do psicanalista e professor Jurandir Freire Costa. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

 
Imagem: obras teatrais de Hermilo Borba Filho. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

 
Livro, curso & consultas aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...