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terça-feira, setembro 25, 2012

JUDITH MALINA, IGNACIO PADILLA, JORGE DE LIMA, PYM, EXUPÉRY, BAKHTIN, EÇA DE QUEIROZ, BOCCACCIO & LITERÓTICA

 

A arte da cantora lírica mezzo-soprano italiana Cecilia Bartoli, uma popular intérprete de óperas e recitais.

 


ASSIM ELA ME ESPERA... – Ela apareceu com uma placidez angelical, só muito depois, conferindo melhor, é que percebi sua inquietação. Primeiro ela se expôs com o vestido colado na carne esbanjando sedução no lascão da perna até a coxa, a insinuar a delícia que me aguardava na sua intimidade. A maior provocação: uma cobrança que estava ali de corpo e alma pronta pra ser devorada pela minha loucura mais estabanada de cobiça priápica. Diante do meu delírio, ela então depôs o decote de seios fartos: ali estavam dois apetitosos volumes de me dar água na boca, recheados pelos desejos mais ousados e pecaminosos, prontos para serem apalpados e saboreados pela minha gula mais que faminta. Diante da minha implacável possessão ela mais se afastou arredia para se mostrar num baby doll ousado a desmascarar sua farta lúbrica escultura corporal, estava mais que exultante a ponto de incendiar meu membro se dilatando insinuante na minha região púbica. Não havia como esconder e nem me fiz de rogado e acompanhando seus movimentos, pronto estava para arrancar-lhe as vestes e assim tê-la completamente desnudada na minha posse de vez de sua gostosura. Mais se distanciava como quem escapulisse resoluta, a recuar instigante da minha perseguição, até que acuada sentou-se e mais que desajeitada escancarou as pernas para que eu flagrasse seu ventre estufado na calcinha sedutora pronta para explodir de volúpia. Ouso então açoitá-la esfregando meu membro rijo na sua pele e por toda sua excelsa tentação. Ela se estreitou como se tentasse recompor, porém, removeu lenta e provocantemente a calcinha para que acompanhasse o trajeto dela ser removida deslizante pelas coxas e pernas e pudesse, com isso, ganhar sua aquiescência e já prever ali o quão disposta se encontrava para me abocanhar de paixão avassaladora, entregando-se inteiramente para ser sacrificada por meu apetite insaciável de tê-la sob os meus domínios. Assim se entregou para que eu atravessasse suas noites e quantos dias orgíacos dentro dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Os homens não têm mais tempo de conhecer nada. Compram coisas feitas nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos... Eis o meu segredo. É muito simples não se vê bem a não ser com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Pensamento do escritor, ilustrador e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O gosto pela leitura difere muito do gosto pelos livros. As pessoas ociosas que, para matar tempo, devoram jornais, revistas e romances, quase nunca têm um volume predileto. Os amantes de livros possuem sempre muitas obras preciosas, mais pela paixão da forma do que pela matéria que contêm. Pensamento do escritor português Eça de Queiroz (1845-1900). Veja mais aqui.

 

ESTÉTICA DA CRIAÇÃO – [...] A capacidade de ver o tempo, de ler o tempo no todo espacial do mundo e, por outro lado, de perceber o preenchimento do espaço não como um fundo imóvel e um dado acabado de uma vez por todas mas como um todo em formação, como acontecimento; é a capacidade de ler os indícios do curso do tempo em tudo, começando pela natureza e terminando pelas regras e ideias humanas (até conceitos abstratos). [...]. Trecho extraído da obra Estética da criação verbal (Martins Fontes, 2003), do filósofo e pensador russo teórico da cultura e das artes Mikhail Bakhtin (1895-1975). Veja mais aqui e aqui.

 

ESPAÇO LITERÁRIO – [...] Só há, em literatura, espaço sobre o qual se possa falar, espaço que seja percebido por um sujeito em sua presença no mundo. Assumo, diante disso, a definição do espaço literário como conjunto de referências discursivas, em determinado texto ficcional e estético, a locais, movimentos, objetos, corpos e superfícies, percebidos pelos personagens ou pelo narrador (de maneira efetiva ou imaginária) em seus elementos constitutivos (composição, grandeza, extensão, massa, textura, cor, contorno, peso, consistência), e às múltiplas relações que essas referências estabelecem entre si [...]. Trecho extraído de Espaço literário, percepção e perspectiva (Aletria, 2007), do professor Paulo Astor Soethe.

 

DIÁRIO, LIVING THEATRE – [...] tampouco pode mencionar os gritos lancinantes no meio da noite durante as rotineiras e repetidas sessões de tortura, com a intenção de extorquir delações, ou os tristes relatos de cada um que retornava, se é que retornava, depois de ter sido torturado tantas vezes. [...]. Trecho extraído da obra Diário de Judith Malina: O Living Theatre em Minas Gerais (Ed UFMG, 2008), da atriz, dramaturga e poeta teuto-americana Judith Malina (1926-2015). Veja mais aqui.

 

JANE & PRUDENCE - [...] Ah, mas era esplêndido as coisas que as mulheres faziam pelos homens o tempo todo, pensou Jane. Fazendo-os sentir, às vezes não mais do que um olhar casual, que eram amados, admirados e desejados quando não eram dignos de nenhuma dessas coisas – permitindo-lhes se enfeitar e estufar sua plumagem como pássaros e aquecer-se ao sol de amor, real ou imaginário, não importa qual. [...] Trecho extraído da obra Jane and Prudence (1953 – Moyer Bell, 1999), da escritora britânica Barbara Pym. Veja mais aqui.

 

MANIFESTO CRACK - III. setenario de bolso - 1. Cansaço e despejo: Se Pessoa conseguiu criar sozinho toda uma geração numa Lisboa ditatorial estéril de literatura, foi, ideias à parte, por cansaço. Certa manhã, depois de um sonho inquieto, Álvaro de Campos acordou para escrever: “Porque ouço, vejo. Confesso: está cansado.” E em sua insônia nasceu a grande poesia. Da mesma forma, acredito que todas as rupturas vêm, desde os delírios mais cotidianos até as revoluções mais sangrentas e radicais; não por ideologias, mas por fadiga. É por isso que aqui também é desnecessário procurar definições contundentes, teorias. Talvez apareçam apenas alguns "ismos" estranhos que são mais um jogo do que um manifesto. Há sim uma mera reação contra a exaustão; Cansaço que a grande literatura latino-americana e o duvidoso realismo mágico se tornaram, para nossas cartas, magia trágica; cansado dos discursos patrióticos que por tanto tempo nos fizeram acreditar que Rivapalacio escrevia melhor que seu contemporâneo Poe, como se proximidade e qualidade fossem uma e a mesma coisa; cansado de escrever mal para que se leia mais, não melhor; cansaço do engajado; cansado das letras que voam em círculos como moscas em seus próprios cadáveres. Desse esgotamento surge uma certidão de óbito generalizada, não apenas literária, mas até circunstancial. Não estou falando de pessimismo ou existencialismo falsificado ou ultrapassado. Talvez sempre tenhamos a vantagem de que o espírito da comédia, do riso e da caricatura se tornem alternativas. cansado de escrever mal para que se leia mais, não melhor; cansaço do engajado; cansado das letras que voam em círculos como moscas em seus próprios cadáveres. Desse esgotamento surge uma certidão de óbito generalizada, não apenas literária, mas até circunstancial. Não estou falando de pessimismo ou existencialismo falsificado ou ultrapassado. Talvez sempre tenhamos a vantagem de que o espírito da comédia, do riso e da caricatura se tornem alternativas. cansado de escrever mal para que se leia mais, não melhor; cansaço do engajado; cansado das letras que voam em círculos como moscas em seus próprios cadáveres. Desse esgotamento surge uma certidão de óbito generalizada, não apenas literária, mas até circunstancial. Não estou falando de pessimismo ou existencialismo falsificado ou ultrapassado. Talvez sempre tenhamos a vantagem de que o espírito da comédia, do riso e da caricatura se tornem alternativas. 2. Sobre o concurso ausente e outras definições no pensamento negativo O termo siciliano “geração sem luta” não é tão gratuito quanto alguns pensam. A ironia está aí para quem leu Ortega y Gasset, e sabe que entre as características que ele apontou para constituir uma geração estava o concurso. Bem, a ausência de contenção é um dos poucos elementos que nos unifica, gostemos ou não. E se algo está acontecendo com os romances do Crack, não é um movimento literário, mas simplesmente e simplesmente uma atitude. Não há mais proposta do que a falta de proposta. Deixaremos que outros mais piedosos o elaborem no devido tempo, o que sem dúvida o farão. Esta não é a única definição no discurso negativo, não é apenas a falta de contenção: como se fôssemos escolásticos definindo Deus ou inferno, só se poderia dizer que, mais do que "ser alguma coisa", os romances de crack "não são muitas coisas ”, são tudo e nada, essa expressão com que Borges definiu corretamente Shakespeare. Às vezes as definições matam o mistério, e não vale a pena escrever uma literatura sem mistério. 3. Criacionismo para escatologia - Não nos enganemos: não há originalidade escatológica nos romances de Crack, certamente apocalípticos. Seria injusto conceder-lhes esta linha, injusta com uma tradição muito longa que, aliás, não é exatamente mexicana. Como se isso não bastasse, o fim das ideologias e a queda do muro de Berlim já estavam bem à frente da escrita; Há algum tempo deixaram-nos como herança um mundo feito de sufixos, apenas sufixos que acrescentamos, às vezes com seriedade e quase sempre em tom de brincadeira, ao que já existia, ao que já existia. Beckett já previu uma situação do gênero há muito tempo, não com Godot, mas com seu Endgame. Como Hamm e Cov, não escrevemos a partir do apocalipse, que é antigo, mas de um mundo além do fim. Se parece haver um desejo criacionista nesses romances, não no sentido literal do tipo Huidobro, mas no mais amplo Faulkner, Onetti, Rulfo e muitos outros, é porque se julga necessário construir esse cosmo grotesco para ter um direito maior e mais crível de destruí-lo. E uma vez destruído, só então os romances de Crack começam a aparecer dentro do império do caos. 4. O cronotopo zero, ou em direção a uma estética do deslocamento - Este mundo além do mundo não aspira a profetizar ou simbolizar nada. Talvez haja às vezes armadilhas para um efeito de estranheza em homenagem a Brecht e Kafka, algo para o grotesco, algo para a paráfrase caricatural; Na realidade, o que os romances do Crack buscam é alcançar histórias cujo cronotopo, em termos bakhtinianos, seja zero: nenhum lugar e nenhum tempo, todos os tempos e lugares e nenhum. Do cômico extraímos o que foi feito acidentalmente, há mais de meio milênio e acidentalmente, pelos refundadores de Amadís de Gaula e o que, há apenas cinco anos, o austríaco Ransmayr fez ao colocar seu Públio Ovidio Nasón diante de um buquê de microfones. O deslocamento nesses romances do Crack não será, afinal, mas uma imitação de uma realidade louca e deslocada, 5. O nimbo e a palavra - O romance Crack, então, tem que renovar a linguagem dentro de si, ou seja, alimentando-a com suas cinzas mais antigas. Resta aos outros, aos que têm fé, tratar a linguagem com as gírias das bandas ou com o discurso roqueiro, que já tem gosto de velho. Há mais livros ainda a serem feitos. Para cortar há tecido na peremiologia, na oralidade do rapsodo, nos arcaísmos e na linguagem atávica, na oralidade e no folclore, na retórica menestréis-clerical. Esses recursos, pelo menos, têm demonstrado maior resistência ao tempo e, embora essa alquimia pareça mais difícil, seus resultados são mais ricos. 6. Em louvor aos monstros - Ninguém mais escreve romances, ou melhor: ninguém mais escreve romances totais. Mas, eu me pergunto, romances para quem?Totais para quem? Eles são escritos? Seria melhor falar de romances supremos e nomes como Cervantes, Sterne, Rabelais e Dante, com todos aqueles que os seguiram abertamente. São organismos que não devem nos assustar porque são gigantescos, nem devemos ser privados deles porque são monstruosos. Mais arrogante me parecerá o autor que se distancia desses gigantes alegando uma incapacidade duvidosa, do que nós – que os assumem abertamente, que chafurdam com eles. A literatura que nega sua tradição não pode e não deve crescer nela. Nenhum monstro nega suas sombras. Romance ou anti-romance, espelho contra espelho, só assim é possível romper com uma continuidade digna. 7. Ruptura e continuidade - Sacudir o pote de carrapatos não vale a pena. Este é um jogo, como tudo o que vale na literatura. A palavra é uma e a mesma; o romance, digam o que digam, vem de sempre e continua. Quebrá-lo, ele prevalece. De fato, se não há nada de novo sob o sol, é porque o velho vale a novidade. Trecho do Manifesto Crack escrito pelo escritor mexicano Ignacio Padilla (1968–2016), com os demais integrantes Eloy Urroz, Jorge Volpi e Pedro Angel Palou. Veja mais aqui.

 

QUATRO POEMAS – I - Tu, mulher, criatura limitada como eu, / Recebes a melhor parte do meu culto. / Eu te amo pela tua elegância, pela tua mentira, / pela tua vida teatral. / E nem ao menos posso repousar a cabeça na / pedra do teu corpo. / Só tu, demônio, nunca me faltas nem um instante. II - Eu te amei sem condições, por isso reinas / Sobre minha alma incontida de poeta. / És, talvez sem querer, o laço enigmático / Que me prende à idéia essencial de Deus. III - A POESIA ABANDONA A CIÊNCIA À SUA PRÓPRIA SORTE: Eu e tu somos o duplo princípio masculino e / feminino / Encarregado de desenvolver em outrem / Os elementos de poesia vindos do homem e da / mulher. / Nós somos a consciência regendo a vida física: / Atingimos a profundeza do sofrimento / Pela vigilância contínua dos sentidos. / No nosso espírito cresce dia a dia em volume / A idéia que fomos criados à imagem e / semelhança de Deus / E que o universo foi feito para nos servir de / cenário. IV - CAIM E ABEL: Sinal de contradição / Posto um dia neste mundo / Tu és o quinto elemento / Agregado pelo poeta / Que te ama e te assimila / E é bebido por ti. / Tu és na verdade, mulher, / Construção e destruição. Poemas do médico, escritor, tradutor e pintor Jorge de Lima (1893-1953). Veja mais aqui e aqui.

 

SEGUNDA JORNADA DO DECAMERÃO DE BOCCACCIO: FILOMENA - SEGUNDA NOVELA – [...] Numa das dependências interiores do referido castelo, vivia certa mulher viúva, tão linda de corpo como as que mais lindas o fossem. [...] Muitas e muitas vezes a viúva comprazeu-se fitando-o, sem dar demonstração disso; e apreciou-o em seu intimo. Aliás, como o marques devera ter vindo e não viera, para ficar a noite em sua companhia, a mulher estava com o apetite concupiscente bem desperto. Por isso, em sua mente, já se unira ao belo Reinaldo. Finda a ceia, a mesa foi retirada. A viúva consultou a criada para saber se, já que o marquês a enganara, não seria de bom aviso que ela tirasse o maior e mais agradável partido possível da companhia a sorte lhe oferecia daquele modo. A criada, conhecendo o intimo desejo de sua patroa, aconselhou-a que o satisfizesse quanto fosse do seu agrado. Desse modo a viúva, regressando à sala onde ficava a lareira, e onde deixara Rinaldo a sós, pôs-se a olhar para ele amorosamente e disse: - Então, Rinaldo? [...] Fique tranqüilo: alegre-se! Você está como em sua casa. Aliás, desejo dizer-lhe que, vendo-o assim com essas roupas que pertencem ao meu falecido marido, você até passou a parecer-me ele em pessoa. Por esta razão esta noite, senti, por mais de mil vezes, vontade de abraçá-lo e de beijá-lo; e está claro que, não fosse por recear desagradá-lo, certamente já o teria feito. Ouvindo isto, e vendo os clarões sensuais que relampejavam nos olhos daquela mulher, Rinaldo, que, como homem, nada tinha de tolo, correu ao encontro dela, os braços abertos, exclamando: - Mulher esplendorosa! Acho que poderei dizer para sempre que é por sua causa que ainda estou vivo! Contemplo a situação da qual você me tirou, e comparo-a com o estado em que você me deixou. Seria grande a minha vilania, se eu não fizesse todos os esforços para satisfazê-la em tudo o que for de seu agrado. Assim sendo, dê largas ao seu desejo, satisfazendo-o. abrace-me, beije-me, visto que eu a abraçarei e a beijarei com enorme e sincero entusiasmo. Ditas estas, não precisaram eles dizer mais palavras. A mulher, ardendo toda em amoroso enleio, de imediato atirou-se aos braços dele. Deu-lhe mil beijos, ansiosa, apertando-o contra o peito; foi por ele beijada mil vezes, veementemente. Deixando a sala da lareira, ambos encaminharam-se para o quarto de dormir; não demoraram a meter-se na cama; e as vezes sem conta satisfizeram os repsectivos desejos, antes que raiasse o novo dia. [...].
GIOVANI BOCCACCIO - O Decamerão, numa tradução de Torrieri Guimarães, foi escrito em 1350 pelo escritor italiano que nasceu em Paris, Giovani Boccaccio (1313-1375), uma obra em prosa que relata em dez histórias curtas, contadas por sete moças e três rapazes que se refugiam no campo para escapar da peste negra, os conflitos entre os valores cristãos e o espírito libertino da época, questões ligada à transição para o Renascimento. O “Decameron” é composto por cem histórias que abrangem as mais peculiares paixões e comportamentos humanos, e mantêm em viva presença, os clamores da carne, a infidelidade e as trapaças sexuais A obra tem a propriedade de revelar em cada conto que o proibido e o pecaminoso vigiados pelas autoridades no final da Idade Média, concretizavam-se em práticas habituais no dia-a-dia das pessoas comuns, do clero e da nobreza. Na obra, conforme dito anteriormente, há dez personagens principais que, para fugir da peste, refugiaram-se em um castelo, onde nada havia a fazer. Teriam que passar ali muito tempo, até que o ambiente externo voltasse à salubridade. Para ocupar-se, cada um dos personagens contou uma história em cada um dos dez dias. Essa obra, apesar der ter sido escrita há mais de seiscentos anos, ainda pode ser lida como enorme prazer. Por isso, tornou-se um clássico da prosa ocidental e um dos maiores livros eróticos de todos os tempos. FONTE: BOCCACCIO, Giovani. Decamerão. São Paulo: Abril, 1979. Veja mais Decameron aqui.


30 ANOS, 500 MIL NO YOUTUBE E GRAMMY – Gentamiga, nas comemorações de 30 anos da minha trajetória, festejamos a chegada dos 500 mil acessos no meu canal do YouTube e a indicação das minhas músicas Desejo e Aurora/Minha Voz, gravadas pela cantora Sonia Mello, ao Grammy. Divido com vocês convidando-os para participar da nossa festa!!!!




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quinta-feira, janeiro 07, 2010

MADELEINE DE SCUDÉRY, SADE, BARBARA PYM, ANA CRISTINA CÉSAR, FUTURO DAS METRÓPOLES & BIG SHIT BÔBRAS


ÓI NOIS AQUI TRAVEIZ – Tudo andava nos conformemente após o anúncio das previsões do Doro para todos os signos do zodíaco e, de lambuja, inventou de anunciar a simpatia da virada. A trupe toda participante estava de num piscar nem o olho prestando atenção a tudo. Quando o candidato presidencial findou de anunciar sua famosa simpatia, oxe, num ficou um pé de gente. Ele então arrumou seus apetrechos., todos os mijados de bunda e foi caçar um local para ver o foguetório. Quando o pipoco explodiu a zero hora, ele chega impou de feliz fazendo o sinal da cruz, uns passes de crendices e umas gingadas de capoeira. Assistiu todo espetáculo pirotécnico e depois de umas goeladas boas da-que-matou-o-guarda, ele ouviu um estrondo medonho pras bandas de alhures. Foi assustador. Porque depois do estampido, só se ouviu um grito de mulher acompanhado de uma gritaria infernal. Não demorou mito estava todo mundo ao redor dele à procura do Padre Bidião e de explicações acerca do ocorrido. Doro, sabido como sempre, contou nos dedos um a um dos adversários presentes: 1,2,3,4,5, hum... deu por falta de... Cadê a Prazeres do Céu? Foi ai que as mulheres começaram um renhenhém danado, mil suposições e correria para tudo quanto era lado. - Acho que ela tá entalada na boquinha da garrafa! -, gritou zombeteiro Zé-Corninho. - Vixe!!! Daqui a pouco outro grito. Este ratificou ser a Prazeres do Céu. - Onde boba-torreira que esta cega-Dedé está, hem? -, praguejou Doro. - Oxe, ela deve de estar se espremendo toda com a simpatia dele! -, asseverou Biritoaldo! - Eita-porra!!!! O negócio enfeiava de ninguém saber o paradeiro dela. Caçaram por todo canto, pelejaram que só por encontrá-la e nada. A madrugada comendo no centro e quase amanhecendo lá vem a Prazeres do Céu toda aos farrapos, corpo seminu a mostra e com uma careta dos diabos de boca aberta. - Que droga é nove? -, perguntou Tolinho. - Acuda que ela tá com uma vela de sétimo dia acesa e enfiada no cu! - Se avia, gente! E na intervenção da tropa toda para retirar a enfiada do toba dela, ela gritava: - Ai! Não, tira não! Ai! Deixa! Era o povo fazendo corrente de mãos dadas para juntar a força e arrancar a maldita do quiba dela e nada. Ela aos gritos: - Não, tira não! Ai! Deixa! Ai! Foi aí que a Marcialita com os braços de açucareiro, bateu o pé, arredou todo mundo de cima, levantou a dita pelo gogó e encarou: - Por que você não quer que tire, abestada? - Ai, deixa! Ui, não tira! Ai! - Diga logo senão a gente mete-lhe o cacete, sem-vergonha! Aí, depois de muito se contorcer, revirar os olhos, gritar e espernear, Prazeres do Céu voltou a si e quando flagrou todo mundo ao redor, soltou essa com ar de desavergonhada: - Que foi? Nunca viram uma mulher gozar não? Eu quero é ficar rica, ora! E saiu com o pitoco no rabo toda reboladeira, nem aí. Os machos tudo babando. As mulheres, tudo resmungando e aplicando corretivos nos seus respectivos adiantados. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja todos os detalhes do Big Shit Bôbras aqui. 


DITOS & DESDITOS - As paixões humanas não passam dos meios que a natureza utiliza para atingir os seus fins. Pensamento do escritor libertino francês Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade (1740-1814). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: O amor é um não sei quê, que surge de não sei donde e acaba não sei como. Perdoa-se tudo aos amantes... e aos doidos. Pensamento da escritora francesa Madeleine de Scudéry (1607-1701).

O FUTURO DAS METRÓPOLES – [...] A globalização caracteriza-se, portanto, como uma etapa de transformação do capitalismo planetário que, mais do que outras etapas de transição, produz um quadro de incerteza quanto ao futuro, pois hoje não é claro o tipo de sociedade que dele resultará. Tal incerteza é aumentada pelas disputas intelectuais e ideológicas em torno da interpretação sobre sua natureza e seus impactos. Discursos catastrofistas e triunfalistas quantos às taras e virtudes da globalização estão presentes no mundo acadêmico e no senso comum erudito como verdades demonstradas erigindo verdadeiros mitos explicativos [...]. Trecho extraído da obra O Futuro das Metrópoles: desigualdades e governabilidade (Revan, 2000), organizado pelo professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro e com diversos colaboradores que abordam, na primeira parte, os impactos territoriais da reestruturação produtiva (Clélio Campolina Diniz), a cidade desigual ou cidade partida? Tendências da metrópole do Rio de Janeiro (Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro), divisão social e desigualdades: transformações recentes da metrópole parisiense (Edmond Preteceille), globalização e metropolização: Santiago, uma história de mudança e continuidade (Carlos A. de Mattos), economia e ocupação no espaço metropolitano: transformações recentes de Porto Alegre(Rosetta Mammarella), economia, emprego e desigualdade social em Madri (Jesús Leal Maldonado). Na segunda parte tratam sobre o que há de novo na clássica dualidade núcleo-periferia: a metrópole do Rio de Janeiro(Luciana Corrêa do Lago); estrutura social e desigualdades socioespaciais: a metrópole de Buenos Aires (Gustavo A. Kohan); a cidade dos anéis: São Paulo (Suzana Pasternak e Lucia Bógus); organização metropolitana e estrutura social: o caso de Belo Horizonte (João Gabriel Teixeira e José Moreira de Souza); mercado imobiliário e segregação: a cidade do Rio de Janeiro (Adauto Lucio Cardoso); as vilas favelas em Belo Horizonte: o desafio dos números (Berenice Martins Guimarães); e favela, favelas: unidade ou diversidade da favela carioca (Edmond Preteceille e Licia Valladares). Na terceira parte abordam a conectividade das redes de infraestrutura e o espaço urbano de São Paulo (Ricardo Toledo Silva); mercados, regulação e gestão dos serviços urbanos: a metrópole de Santiago do Chile (Oscar Figueroa); universalização e privatização: os dilemas da política de saneamento na metrópole do Rio de Janeiro (Ana Lucia Britto e Helio Ricardo Porto); e descentralização e privatização: os dilemas da política de saneamento na metrópole de Buenos Aires (Andrea C. Catenazzi). Na quarta parte tratam sobre acumulação global e ingovernabilidade local (José Luís Fiori), reforma do Estado e federalismo: os desafios da governança metropolitana (Sérgio de Azevedo e Virgínia R. dos Mares Guia); a perspectiva da economia popular urbana: base para uma nova política socioeconômica na cidade (José Luís Coraggio); gestão urbana, associativismo e participação nas metrópoles brasileiras (Orlando Alves dos Santos Junior) e desigualdades sociais e iniquidades fiscais na metrópole do Rio de Janeiro (Luis Gustavo Martins). Veja mais aqui.

MENOS QUE OS ANJOS & MULHER EXCELENTE - [...] As pequenas coisas da vida eram muitas vezes muito maiores do que as grandes, ela decidiu, imaginando quantos escritores e filósofos haviam dito isso antes dela, os prazeres triviais como cozinhar, o lar, pequenos poemas especialmente tristes, caminhadas solitárias, coisas engraçadas visto e ouvido. [...]. Trecho extraído da obra Less than Angels (1955), da escritora britânica Barbara Pym (1913-1980), que em outra de suas obras, Excellent Women (1952), ela expressa que: Meus pensamentos giravam sem parar e me ocorreu que se eu escrevesse um romance, seria do tipo 'fluxo de consciência' e lidaria com uma hora na vida de uma mulher na pia.

DOIS POEMAS - I –Acreditei que se amasse de novo / esqueceria outros / pelo menos três ou quatro rostos que amei... / organizei a memória em alfabetos / como quem conta carneiros e amansa / no entanto flanco aberto não esqueço / e amo em ti os outros rostos. II - Também eu saio à revelia / e procuro uma síntese nas demoras / cato obsessões com fria têmpera e digo / do coração: não soube / e digo da palavra: não digo (não posso ainda acreditar na vida) / e demito o verso como quem acena / e vivo como quem despede a raiva de ter visto. Poemas da escritora e tradutora Ana Cristina César – Ana C. (1952-1983). Veja mais aqui e aqui.




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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

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