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quarta-feira, julho 18, 2018

BANDEIRA, GERSHWIN, LUC FERRY, GILBERTO FREYRE, CARAVAGGIO, MOUWAILIHI, ARTUR GOMES, MARIA & SEVERINA BRANCA


AS MULHERES DE CARAVAGGIO - Imagens: arte do pintor italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio (1571-1610) – Merisi, o Golias autorretratado, apareceu do Ducado de Milão, do Porto Ercole, Monte Argentário. De lá o menino viu de perto a peste bubônica imprimir um rastro de morte ao redor. Cresceu contencioso com o desafio nos olhos, farrista inveterado com seu gênio difícil a criar problemas e rusgas pelos lupanares de então. Perseguia a si próprio a passar fome em Roma, vivendo pelas ruas numa turbulência perigosa. Teve sua cabeça a prêmio por matar um jovem. A fuga errática dá em Malta e uma nova briga e mais outras tantas em Nápoles, e andou de cidade em cidade, casmurro insultante tão litigante compulsivo por extravagâncias a levarem-no ao endividamento, entre o desespero e o remorso, entre a arte e a recusa por trabalho fiel ao seu estilo. Era a vida atribulada do amante libertino de mulheres de má fama, quantas delas sobejadas por um celerado que conhecia todos os calabouços, um proscrito impetuoso que dormia com a adaga sob o travesseiro e sempre perseguido por matar seu rival nobre. Em louvor a elas retratava as coisas mundanas como se fossem sagradas: o Jesus flagelado e as cenas religiosas com seus modelos recrutados na rua, gente simples e pobre para romper com as convenções, em contrastes de luz e sombra, a beleza na vulgaridade: pessoas e a vida de todos os dias, a vida inflamada e elas ardendo de prazeres. Era a emoção profunda de santas, madonas, rainhas, deusas, interpretadas por modelos catadas entre as suas amantes prostitutas e mendigas das ruas esconsas, com impressionantes e audaciosos gestos, a mulher encarquilhada com toda tristeza da Terra, a Filli de Melandroni que representou Salomé e Judith, e aquela gente medonha, carnal, das vísceras do povo, que riem, devem, desacatam, fornicam, se danam, se amam e se detestam, se inflamam e se embriagam quais pecadores dos quintos dos infernos na exaltação da vida pelo gozo da carne desejada. As mulheres e todos esculpidos na condição humana. O bispo reconheceu e o excomungou. Assim, ele se viu só, esperava o barco que nunca chegou à solidão da febre e condenado à morte da vergonha, até desaparecer misteriosamente para nunca mais ser encontrado. Só depois do seu desaparecimento foi absolvido pelo Papa. Já era tarde, nada nem nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1937): Rapsody in Blue, Piano Concert in F Major, Blue Monday & Summertime & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] a própria ideia de felicidade é objeto de um debate contraditório, de uma “antinomia” que opõe radicalmente duas teses. Para uns, a felicidade é a meta de toda vida humana, e também da animal, e a sabedoria suprema consiste em apoderar-se dela. [...] Já para outros, embora seja evidente que todos procuramos desesperadamente a felicidade, essa busca não passa de ilusão, de uma miragem. A felicidade não apenas é inacessível aos seres humanos em razão do caráter finito de nossa existência como simples mortais, mas também, sendo nossos desejos contraditórios e flutuantes, em qualquer hipótese é impossível defini-la de maneira categórica e satisfatória. Sabemos com bastante clareza o que nos torna infelizes, mas muito menos distintamente sabemos o que nos faria felizes. É claro, em nossa existência conhecemos momentos de alegria, e até oásis de serenidade. [...] Trechos extraídos da obra 7 maneiras de ser feliz: como viver de forma plena (Objetiva, 2018), do filósofo francês Luc Ferry, que em outra obra Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos (Objetiva, 2012), expressa que: [...] Como dizem, cada um a seu modo, vários pensadores contemporâneos, não se filosofa por divertimento, nem mesmo apenas para compreender o mundo e conhecer melhor a si mesmo, mas, às vezes, para “salvar a pele”. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ISTO É BRASIL? – [...] Não há brasileiro de classe mais elevada, mesmo depois de nascido e criado depois de oficialmente abolida a escravidão, que não se sinta aparentado do menino Braz Cubas na malvadez e no gosto de judiar com negros. Aquele mórbido deleite em ser mau com os inferiores e com os animais é bem nosso: é de todo o menino brasileiro atingido pela influência do sistema escravocrata [...] um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher de doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer a minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um muleque de casa, era meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava-lhe mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia – cala a boca, besta!”- esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscão nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos [...]. Trechos extraídos da obra Casa-grande e senzala (Livros do Brasil, 1957), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987). Veja mais aqui e aqui.

O MORTO RESSUSCITADO - [...] Vi-me em sonho numa planície de Al-Imâm, caminhando entre os túmulos e as colunas, por uma bela noite clara. [...] Eu ia com minha alma por cima dos túmulos e das lápides, do orgulho do homem e da sua presunção, da vaidade das suas ideias de gloria e de ilustração, do insondável exagero das suas pretensões, da excessiva opinião que ele faz de si próprio quando se glorifica e se esquece do túmulo. A vaidade o exalta a ponto de querer atravessar a abobada celeste, cheio de admirações pelo que possui e pelo que adquiriu. Depois, a morte constrange este nariz erguido para o céu a abrir um buraco na terra, após haver sepultado sob as lápides funerárias, as páginas da sua gloria e da sua grandeza. Eu continuava a andar, a ir e vir, até que me lembrei no decorrer da minha caminhada por sobre as areias das planícies, dos versos do sábio poeta SAbou’l alâ: “Diminui a pressão dos teus passos sobre a terra, posque o chão não é feito de outra coisa senão destes corpos. Não seria bom de nossa parte, mesmo que eles tenham morrido há muito tempo, tratar com desprezo os nossos pais e antepassados. Caminha tão devagar quanto possas, sem te orgulhares às expensas dos outros humanos”. Rangi os dentes arrependido e pus-me a caminha na ponta dos pés, sentindo que na massa destes mortos, na multidão dessas ossadas, havia lábios que os amorosos tomaram por gibla, pela doçura dos quais eles os preferiam às cores do arco-íris; bocas misturadas à poeira cinzenta e dentes em meio às pedras do caminho. Recordei então que estas faces de que a rosa tivera ciúmes, e que choravam com lagrimas de orvalho, e que acendiam nos corações os fogos da consumação, diante das quais o grain de beauté era como Abrão diante do fogo, ou como os fios da água do ceu nas anêmonas, nos quais brilhava o resplendor do poder e da juventude – lembrava-me de que estas faces tinham visto sua beleza dobrada pelo destino como página de um livro – tinham por seu decreto se tornado poeira na face da terra. [...]. Trecho de conto do escritor egípcio Mohammed al-Mouwailihi (1858-1930).

ESTRADAEsta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho, / Interessa mais que uma avenida urbana. / Nas cidades todas as pessoas se parecem. / Todo o mundo é igual. todo o mundo é toda a gente. / Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma. / Cada criatura é única. / Até os cães. / Estes cães da roça parecem homens de negócios: / Andam sempre preocupados. / E quanta gente vem e vai! / E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar: / Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho / manhoso. / Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos, / Que a vida passa! que a vida passa! / E que a mocidade vai acabar. Poema do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968). Veja mais aqui.

MARIA, NO TEMPO DO CORPO VIVE A MEMÓRIA.
Sou mulher de sentimento
As duas da madrugada
Levando a chave na mão
Deixando a porta trancada
E uma filha na cama
Sem esperança de nada.
O curta Maria (2016), com direção e roteiro de Carol Correia, traz momentos da vida de uma poeta, ex-prostituta e analfabeta do Sertão do Pajeú, Severina Branca, com as atrizes Marcelia Cartaxo e Karine Ordônio, produção da Cambaio Filmes e Nahsom Filmes.

A performance poética Poesia Viva Poesia do poeta e ator Artur Gomes & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte de Artur Gomes aqui, aqui & aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais.”
Série de Tree3Art inspirada na obra Caravaggio (1571-1610). Também a fotógrafa Mônica Silva fez uma exposição inspirada na obra do mesmo autor intitulada Lux Et Filum, uma visão contemporânea de Caravaggio (2015), em São Paulo.
Veja mais aqui, aquiaqui.
&
A jaca & a botija, Coco Chanel & Stravinsky, Aprender a aprender de Joseph D. Novak e D. Bob Gowin, A sociedade pós-capitalista de Peter Drucker, Vênus Afrodite, a música de Stravinsky, Maria João Pires, João Guilherme Ripper & Martha Angerich aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.


sábado, setembro 23, 2017

QUINTANA, BUKOWSKI, ESPINOZA, CARLOS NEJAR, OTTO FRIEDRICH, SUZANNE VALADON, ARTUR GOMES & O FIM DO MUNDO

SE O MUNDO ACABAR, JÁ ACABA TARDE! - Pra todo lado que eu me virasse, a conversa era uma só. Bastou eu botar a cara na rua logo cedo, apareceu Zé Corninho dando uma de Édipo: - Era bom mesmo que essa desgraça de mundo findasse e levasse toda raça ruim de corno junto! Robimagaiver saiu com a sua: - Zé Corninho, Zé Corninho, num assine sua sentença, ou tais pensando que vai ser só tu de corno que vai sobrar, é, fio duma porqueira? Ocride logo arremedou: - Era bom mesmo que tudo se danasse numa desgraceira só, assim o mundo aprendia, só assim! Afredo mais nem nem, soltou da sua: - Eu mesmo queria ver todo mundo se lascar na vera! Interrompendo, Doro proclamou: - Vamos acabar com essa conversa, senão a gente endoida de vez. Isso é um povinho que só gosta de viver na base do alarme, boatos mais sem pé nem cabeça. Tais pensando o quê, ô abestalhado? Tô só alimentando o converseiro, ora! Pois é, ninguém pensa em corrigir a si próprio, seus comportamentos e atitudes, se é pra consertar o mundo tem de começar por si próprio, senão não adianta nada. Eu mesmo estou salvo, o resto que se dane. Vixe! Cada qual atrelado às suas crenças e convicções se achava verdadeiro dono da verdade. Penisvaldo mesmo mandou ver: - Eu já faço o meu, cada um que cuide do seu; se tem culpado no rolo é a humanidade, essa não tem jeito que dê! E tu é o que fidapeste? Por acaso tu és o melhor dos melhores? Rolivânio, então, entrou na conversa em defesa do parceiro: - Vocês todos estão redondamente enganados, tudinho, se acha certo de tudo, quando, na verdade, todos são culpados pelos problemas de toda humanidade. - Pronto, falou agora o profeta do apocalipse! -, arremedou Robimagaiver: - Tu mesmo só vive de aumentar as coisas, cada mentira cabeluda do creu, só fala de tragédia, gosta de ver a desgraça alheia! Ninguém está nem aí pra nada, só pro umbigo, cada qual cuide de si e Deus por todos nós! Quando não é aquela sacada do “um pra eu, um pra tu, um pra eu”, é aquela choradeira do venha nós vosso reino, pois está escrito: chapéu de otário é marreta. E burro é quem não se aproveita das molezinhas e benesses que aparecem na bobeira. Danou-se! O cabra está cheio de gás! É isso mesmo: o que fica de apurado é que se o mundo acabar, só os outros que vão se ferrar; é que quem leva adiante o papo acha que só ele e os seus é que vão escapar, pois estão salvos justamente por suas crenças e convicções inarredáveis. O papo já estava acalorado quando um, mais bêbado que todos, se intrometeu: - Se o mundo acabar, já acaba tarde! É que já tô bicado, fiz a obrigação pro santo, que venha o desmantelo. Pra mim vai ser um alívio: quando tudo findar mesmo, tomo outra e não tô nem aí. O mundo que se lasque! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o compositor, saxofonista, flautista, arranjador e produtor musical Leo Gandelman com os álbuns Solar & Vip Vop; a violinista japonesa Midori Goto que também é psicóloga, professora, diretora e criadora do Centro Midori para Envolvimento da Comunidade na Escola Thornton of Music, da USC, nos USA, interpretando uma sonata de Saint-Saens & Concertos de Sibelius & Wieniawski; o premiado poeta, ator e artista gráfico Artur Gomes apresentando Terra de Santa Cruz, Entridentes, Black Billy & Marca Registrada; e a cantora e compositora catarinense Bee Scott interpretando Wasting Love, Som & Fúria, Não te pedi & Every breath you take. Para conferir é só ligar o som e curtir.

FIM DO MUNDO JÁ EM 1755 – [...] uma espécie de barulho estranho e assustador por baixo da terra, parecido com o ribombar oco e distante do trovão [...] O céu, de um minuto para outro, ficou tão tenebroso que eu já não conseguia distinguir nenhum objeto; foi realmente uma Escuridão Egípcia. [...] O terceiro abalo veio uns quinze minutos depois do primeiro. [...] A elevação da superfície da terra e o desmoronamento das grandes construções marcaram apenas o início da catástrofe. Quase que imediatamente ao assentar a poeira do primeiro abalo, irromperam incêndios em meia dúzia de pontos diferentes. [...] Tudo ficou reduzido a cinzas. [...]. Em meio ao colapso e à conflagração, cerca de uma hora depois do primeiro tremor, houve mais uma catástrofe, talvez a mais pavorosa de todas. Enquanto os cidadãos abalados olhavam para o porto do Tejo, as águas subitamente pareceram começar a vazar para o mar. [...] De repente, ouvi uma gritaria geral, 'O mar está vindo, estamos todos perdidos!' Nisso, voltando os olhos para o rio, que tem mais de seis quilômetros de largura nesse ponto, pude percebê-lo subindo e se inflando da maneira mais inexplicável, já que não soprava vento algum; num instante, a uma pequena distância, surgiu uma grande massa d'água, subindo como uma montanha, que entrou espumando e rugindo, e correu com tal ímpeto em direção à costa, que todos saímos correndo na mesma hora, o mais depressa possível, para salvar nossas vidas; muitos foram realmente arrastados, e outros ficaram com água pela cintura a uma boa distância da margem. [...]. Trechos extraídos da obra O fim do mundo (Record, 2000), do jornalista, escritor e historiador estadunidense Otto Friedrich (1929-1995), estudando as catástrofes que se abateram sobre a humanidade, desde os tempos bíblicos ao medo do holocausto nuclear, para analisar a idéia de apocalipse, uma vez que antes evidenciava o temor dos desígnios divinos, hoje é visto como uma vingança da natureza, o que não eliminou, porém, a idéia de uma humanidade pecadora ou culpada. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIAA alegria é a passagem pela qual o homem atravessa de uma perfeição menor para uma perfeição maior. A tristeza é o passo que um homem dá de uma maior perfeição a outra menor perfeição. Pensamento do filósofo racionalista holandês Baruch Espinoza (1632-1677). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CARTAS NA RUA – [...] Levaram-me de volta para casa e ele foi embora com ela. Eu passei pela porta, disse adeus, liguei o rádio, achei meia dose de scotch, bebi aquilo, rindo, me sentindo bem, finalmente relaxado, livre, queimando meus dedos com butucas de charuto; depois fui pra cama, cheguei até a beira, tropecei, caí, caí atravessado no colchão e dormi, dormi, dormi... De manhã, era de manhã e eu ainda estava vivo. Talvez eu escreva um romance, pensei. E foi o que fiz. Trecho extraído da obra Cartas na rua (Brasiliense, 1983), do escritor estadunidense nascido na Alemanha, Charles Bukowski (1920-1994). Veja mais aqui e aqui.

OS ESPELHOS DE NETAN – [...] Os espelhos não sabem como somos, mas como sonhamos! – passou como um reflexo na cabeça de Netan. Os espelhos nos captam os olhos, que também são espelhos. Em outro mais dentro ainda. Como se penetrasse na casca de um relâmpago. Mas o relâmpago é o céu ainda. E ele cairá junto. Cada céu adentro. Via sumirem suas imagens no espelho, como se estivesse de outro lado, ou aparecesse de repente na outra Margem do acontecido. Depois intuiu: - O sonho é o semblante íntimo do espelho, onde nos desvelamos. Sonho e alma são faces que se integram. Na luz. Podia se evaporar a alma. Trecho da obra Um certo Netan (Aché, 1991), do poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário Carlos Nejar. Veja mais aqui.

O ESPELHO DE QUINTANAE como se passasse por diante do espelho / não vi meu quarto com as suas estante s/ nem este meu rosto / onde escorre o tempo. / Vi primeiro uns retratos na parede: / janelas onde olham avós hirsutos / e as vovozinhas de saia-balão / como pára-quedistas às avessas que subissem do fundo do tempo / O relógio marcava a hora / mas não dizia o dia. O tempo. / Desconcertado, / estava parado. / Sim, estava parado / Em cima do telhado... / como um cata-vento que perdeu as asas. Poema extraído da obra Melhores poemas (Global, 2005), do poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana (1906-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ESTUDANTES NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Batendo papo com a estudante nos eventos da Biblioteca Fenelon Barreto.

Veja mais:
A poesia de Pablo Neruda aqui, aqui e aqui.
O pensamento de Josué de Castro aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
O fim do mundo & a carta do barbeiro aqui.
A arte musical de Midori Goto aqui.
O fim do mundo & as pinóias do tempo de antanho aqui.
A literatura de F. Scott Fitzgerald aqui e aqui.
O cinema de Pedro Almodóvar aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Bee Scott aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

VERACIDADE
porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos
 quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora
Poema do premiado poeta, ator e artista gráfico Artur Gomes, editor dos blogs Pele Grafia & Mania de Saúde. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Arte da pintora impressionista francesa Suzanne Valadon (1867-1938). 
Veja mais aquiaqui.

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...