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sexta-feira, julho 17, 2020

AMARÚ VANEGAS, ARNE QUINZE, ANÍSIO TEIXEIRA & LUNA VITROLIRA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: NO RASTRO DAS INCONFORMIDADES - Nestes dias de novidadeirices iterativas, logo dou uma escoimada nas redomas irredutíveis da rotina, sobrando nas minhas inquietações. Inheto, minha cabeça dá passos largos à procura do que talvez nem exista, alguma singularidade ou sei lá de perdido. Coisa que aprendi ouvindo George Gershwin: A vida é bem parecida com o jazz. É melhor quando você improvisa. Frequentemente ouço música no coração do barulho. Eu gosto de pensar na música como uma ciência emocional. É e inspirado, componho o meu blues: Agonizo devagar. Não tenho nada a dizer. Nada, absoluta catarse. Os meus pedaços se perderam de mim no labirinto da sobriedade de Cage. Devotei meu olhar a reinventar o muro à cabeça. Criei meu tautócrono com meus versos abstrusos. A loucura me cerca comunhão. Ah! Meu tormento Van Gogh, minha solidão Almafuerte, sempre instigado pela descrença diante da frivolidade das coisas. Ah, assim voo, o trâmite da solidão.

DUAS: DA VOZ & A PRECISÃODE VIVER - No meio das minhas inquietações, vêm à tona alguns segredos que sequer dou conta, nem existiam antes, ora, coisa da hora, do tipo Ingmar Bergman: Todos precisam aprender a viver. A cada dia, me esforço um pouquinho. A dificuldade principal está em saber quem eu sou e onde estou. É como procurar na escuridão. Se alguém me amasse como sou, talvez, finalmente, me pudesse encontrar. É preciso aprender a viver. Eu treino todos os dias. Aí abro o peito, rabisco a sussurrar: Minha voz é a coragem de amar no ultraje dos desencontros. Sou navio com rota esquecida e naufrágios muitos. Quando o nublado olhar pousa em meu rio é pressagio que paira no ventre de paixão. Quando minha vez é torrente de dor no exagero sombrio de uma canção, não é nada, é tempestade que passou e deixou danos. Quando minha voz é a coragem de amar, não é a sombra de um vendaval: é a sujeito de um eterno pavio que aceso nunca apagará.

TRÊS: AH, QUANDO É DIA DE SEXTA? - Ah, uma sexta dessa me deparei com uma coisa assim do Luís de Góngora: Flores dão às pessoas certos exemplos; que o jardim que estava ontem poderia ser estéril hoje. Ah, era sexta mesmo, no punho uma garatuja no papel: Não fosse a tarde ter o mormaço da vida, não teria eu tantos sentimentos nesta hora, sentimentos de dor e compaixão. Não fosse o amor o termômetro desta vida, não teria eu nada para dizer agora, vez que as palavras me escondem. Só quem me compreenderá, talvez, ingênuo, sonhador, a qualquer hora do entardecer, de longe a montanha ao sol-posto, de onde faz sombra esfriando o mormaço do meu coração: um reles mortal com monograma nos olhos, pela noite no mar da solidão. Nessa hora todas as evidências levam a nada para quem foi benzido de copas com a felicidade no descarte: o doce mel se derramou em grande profusão. Fui açoitado pelo ronco da onça suçuarana e por isso virei mundo no Rabicho da Geralda, mandei boas novas e escrevi aos familiares como se esperasse algum dia a remissão ou acaso louvado por vestais. Enterrei o trevo de paus na volta do cruzeiro e só pude ver o vencedor com um laço de fita no braço e uma salva de palmas. Ali, quantas imagens não eram labaredas desde que me tive por gente que vivo a morrer de sede. Deixo minha emoção no meu adeus. Até depois. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública. Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra. Como a medicina, a educação é uma arte. E arte é algo de muito mais complexo e de muito mais completo que uma ciência. A não existência de cooperação ou interação entre ciência e filosofia levou a chamada "ciência da educação" a não "ter" filosofia, o que corresponde realmente a aceitar a filosofia do status quo e a trabalhar no sentido da tradição escolar. Pensamento do jurista, educador e escritor Anísio Teixeira (1900-1971), refletindo sobre a educação brasileira. Dele ainda é possível destacar: A sabedoria é a subordinação do saber ao interesse humano e não ao próprio interesse do saber pelo saber e muito menos a interesses parciais ou de certos grupos humanos. No fim das contas, a teoria é a mais prática das coisas, porque, tendo sido resultado do estudo das coisas no aspecto mais geral possível, acaba por se tornar de utilidade universal. Veja mais aqui e aqui.

A POESIA DE AMARÚ VANEGAS
ENTÃO AMOR - Desejo de monstro / transformando o amante em seu próprio carrasco. / Submissão, / roupas de plástico com o ferro ganho; /a mordida / suculento, / cicatriz expectante / machucado à beira da vergonha. / Bem-vindo a pegada fervendo na carne, / uma peça ilusória / untar as dobradiças das portas proibidas, / suas fechaduras. / Nós valemos o abjeto, / perversão, / novas falhas. / Entao amor.
SEGREDOS - Transparência cruzada: sozinha, / Sem pés. / Beije o corpo / antes de fechar o caixão. / Entortar a ressurreição. / Cubra com sedas. / Nas cinzas do piano / a sombra move os dedos / despindo o maior silêncio. / É sentido, apenas.
DESEJO - Você tentou roubar minha palavra / como o fogo dos deuses. / Pobre, / não sabias. / Palavra / é algo que ninguém tem na boca, / nem no peito. / O meu está no desejo.
AMARÚ VANEGAS - Poemas da premiada escritora, engenheira, atriz, diretora e produtora de teatro e cinema venezuelana, Amarú Vanegas, que é Magister Scientiae em literatura latino-americana e caribenha, fundadora do Catharsis Theatre e da Purple Cultural Foundation. Ela publicou o monólogo teatral Mortis (Venezuela, 2001) e a coleção de poesia El canto del pez (Venezuela, 2007). Veja mais aqui.

A ARTE DE ARNE QUINZE
Habitação, por definição, não é apenas um fato, consiste em uma miríade de visões. Todo mundo pensa que encontrou o modus vivendi ideal, mas eventualmente todos nós estamos enraizados em estruturas específicas. Estou sempre curioso sobre como os outros definem viver. Vivemos em espaços fechados com medo de abrir nossas janelas e portas.
ARNE QUINZE - A arte do pintor, escultor, desenhista, grafiteiro e artista conceitual belga Arne Quinze, mais conhecido por suas grandes obras nas ruas, muitas vezes controversas. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sou uma mulher que tem corações / Cada um em seu próprio ritmo / pulsando em lugares diferentes / nos meus olhos / no meu riso / nos meus dedos / no meu umbigo / e se você for descendo / descendo / descendo / descendo um pouco mais / encontra mais um / onde começa o infinito.
A arte da poeta e performer Luna Vitrolira, autora do livro Aquenda, o amor às vezes é isso (finalista do Prêmio Jabuti de Literatura 2019, na categoria Poesia).
&
A obra do poeta, tradutor, critico literário e de arte, Manuel Bandeira (1886-1968) aqui, aqui & aqui.
Crônicas, do poeta, radialista e compositor Antônio Maria (1921-1964) aqui.
Cultura afrodescendente, carnaval & Célia Labanca aqui.
José Durán y Durán & As Noites da Cultura Palmarense aqui.
A música do cantor e compositor Lucas Kallango aqui.
Passando a limpo aqui.
&
Venturosa aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


quinta-feira, julho 12, 2018

NERUDA, THOREAU, ORÍGENES LESSA, ANÍSIO TEIXEIRA, EVA ISAKSEN, DIMASH KUDAIBERGEN, ELMAR & ALAGOINHANDUBA


TUDO PODE ACONTECER EM ALAGOINHANDUBA – Imagem da série Nature in Layers, da artista norueguesa Eva Isaksen. - Tudo começou ao ouvirem falar que tinha um Olho de Pires boiando no delta do rio. O quê? Danou-se! Que droga é nove? Quem sabe, ora! Mistérios pairavam no ar, maior zunzunzum. Foram ver, não havia nada. Só o boato persistia. E tome conversa. No outro dia, novos rumores: o Olho de Pires levitava na queda d’água. De novo? Aonde? Ali, viravam o beiço. Quero ver! E foram. Ao chegarem lá, os mais curiosos e boateiros perderam a viagem, lugar mais limpo. É lorota, só sendo! É não, eu vi! Cadê? Estava bem ali. Tô vendo não! Deve de ter endoidado. É, parece mesmo que pirou. Vai inventar outra, desgraçado! Uns batiam pé que a coisa estava lá ao vivo e em cores, outros só na gozação, riam-se à longa. A coisa ficou feia mesmo com a correria das lavadeiras da pedraria: há três dias elas eram assombradas e molestadas por pires, bacias e troços voadores, de findarem em desabaladas carreiras ao vento com as saias na cabeça, todas elas taradas e nuinhas. Era só o que faltava, pode? Como é que é? As lavadeiras parecem que estão todas tantãs de vez! Como é que pode? Só vendo. E viram: óóóóóóóóóóóó! Não demorou muito as mulheres da beirada do ribeirão ficaram trocando os olhos, revirando-os, levantando a roupa, endoidadas e aos delíquios. Que porra é essa, hein? Maior estrupício. A coisa dava nos nervos. O converseiro em polvorosa dava conta de que corria bicho pela redondeza. Nossa, assim de mão beijada? Ora, isso é tramoia. Não era. É coisa de outro mundo, cochichavam amedrontados. Tem peta nesse angu. Daí mais um pouco a rádio calou-se, relógios pararam, telefones mudos, nem um pé de gente no meio da rua, nem nada, silêncio e abandono, todo mundo embaixo das camas. Quem teve coragem de botar as ventas pelas brechas da janela disseram que no céu havia um desfile dos planetas, um por um tirando fino no meio de uma aurora equatorial rachada por um arco-íris medonho, cometas e asteroides com rasantes por cima das casas, as estrelas caindo e se espatifando no chão. Minha nossa! Ninguém dava um pio, só de olhos pregados nas cenas que testemunhavam, arregalados, arrepiados. Bem tarde da noite, a terra começou a tremer remexendo tudo, o fogo com labaredas por todas as bandas, a inundação de tudo no maior tsunami, a ventania derrubando o que encontrasse pela frente. Quem tinha a quem recorrer, danava-se em rezas fortes enquanto a coisa flanava pelas ruas. Foi então que madrugada adentro as coisas deram de levitar tudo de cabeça pra baixo. Valei-me todos os santos! E o pânico não deixou ninguém dormir, mãos na cabeça enterrada no chão suspenso no ar. Ao amanhecer, ninguém resistiu, dormiram a sono solto. Só despertaram com os pipocos da chuvarada aos relâmpagos e trovões. Quem botou a cara na rua não pôde sair, intransitável. Uma semana depois, maior silêncio, ouvia-se apenas o prefeito gritando que sumiram as verbas da educação, da saúde e de todas as obras, e às carreiras arrastando uma tuia de malas; logo atrás o juiz aperreado com o sumiço de todos os processos do Fórum e mais arrastados de malas; depois o delegado em diligências pela fuga dos presos e mais e mais malas arrastadas, até o padre reclamava que os fiéis foram embora com o zoadeiro das malas arranhando o asfalto. Assim foi o dia todo, autoridade que tinha, usineiro, ricaço que fosse, passava puxando seus muafos, ninguém tinha coragem nem de abrir portinhola alguma, só brechando os acontecimentos. Foram necessárias mais dez noites sem lua e dez dias sem sol para que alguém ousasse espiar pelos cantos. Ao cabo de mês corrido, o fuxicado assumia seu lugar pras loas desbragadas. Em Alagoinhanduba tudo pode acontecer, inclusive nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor cazaque Dimash Kudaibergen: Bastau Concert, Recital Bastau, D-Dinasty Fuzhou & Changsha Concert & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Dormimos durante quase a metade de nossas vidas! A vida para nós é como um rio. [...] A luz que cega nossos olhos é uma escuridão para nós. Só amanhece o dia para o qual estamos acordados e ainda há muitos dias por amanhecer. O sol nada mais é do que a estrela da manhã. Trechos da obra Walden ou a vida nos bosques (Global, 1984), do ensaísta, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista norte-americano Henry David Thoreau (1817-1852). Veja mais aqui.

LIÇÕES DE EDUCAÇÃO – [...] não se pode conseguir essa formação em uma escola por sessões, com os curtos períodos letivos que hoje tem a escola brasileira. Precisamos restituir-lhe o dia integral, enriquecer-lhe o programa com atividades práticas, dar-lhe amplas oportunidades de formação de hábitos de vida real, organizando a escola como miniatura da comunidade, com toda a gama de suas atividades de trabalho, de estudo, de recreação e de arte [...] A escola ampliou os seus deveres até participar de todos os deveres do lar, assumindo a responsabilidade de dar às crianças todas as condições que lhe asseguram – ou lhe deviam assegurar – na família, a continuidade e a integridade de uma ação formadora completa. Educação e não instrução apenas. Condições de vida e não condições de ensino somente. Mas nem por isso a escola substitui integralmente o lar. Esse continuará e, para continuar, deve também ser refundido em suas bases intelectuais e sociais, como já o foi nas suas bases econômicas [...] A importância da educação, nos dias de hoje, não é apenas uma consequência da complexidade da vida moderna, porém, talvez ainda mais, da inclusão no seu campo de todas as questões da vida humana, que anteriormente possuíam técnicas ou setores diversos de ação [...] só posso compreender a educação como o processo de preparação e distribuição de homens pelas diversas ocupações que caracterizam a vida humana, na atualidade. Três anos de escola elementar [...] não bastam para habilitá-los às ocupações corriqueiras, nem ao menos os preparam para fazer um pouco melhor o que terão que fazer de qualquer modo, mesmo levando a mais rudimentar das existências [...] a escola deve ensinar a todos a viver melhor, a ter a casa mais cuidada e mais higiênica; a dar às tarefas mais atenção, mais meticulosidade, mais esforço e maior eficiência; a manter padrões mais razoáveis de vida familiar e social; a promover o progresso individual, através os cuidados de higiene e os hábitos de leitura e estudo, indagação e crítica, meditação e conhecimento [...] representa, realmente, uma observação superficial julgar que é a educação que produz a civilização. Confusão entre efeito e causa [...] resta toda a obra de familiarizar a criança com os aspectos fundamentais da civilização, habituá-la ao manejo de instrumentos mais aperfeiçoados de cultura e dar-lhes segurança de inteligência e de crítica para viver em um meio de mudança e transformação permanentes [...] A escola deve fornecer a cada indivíduo os meios para participar, plenamente, de acordo com as suas capacidades naturais, na vida social e econômica da civilização moderna, aparelhando-o, simultaneamente, para compreender e orientar-se dentro do ambiente em perpétua mudança que caracteriza esta civilização [...]. Trechos extraídos da obra Educação para a democracia (EdUFRJ, 1997), do educador Anísio Teixeira (1900-1971). Veja mais aqui.

A ARANHA CARANGUEJEIRA - [...] uma noite, apareceu um camarada de fora, que não sabia da história. Creio que um viajante, um representante qualquer de uma casa comissária de Santos. Hospedou-se com ele. Cheio de prosa, de novidades. Os dois ficaram conversando longamente, inesperada palestra de cidade naqueles fundos de sertão. Negócios, safras, cotações, mexericos. Às tantas, esquecido até da velha amiga, o Melo tomou do violão, velho hábito que era um prolongamento de sua vida. Começou a tocar, distraído. Não se lembrou de avisar o amigo. A aranha quotidiana apareceu. O amigo escutava. De repente, seus olhos a viram. Arrepiou-se de espanto. E, num salto violento, sem perceber o grito desesperado com que o procurava deter o hospedeiro, caiu sobre a aranha, esmagando-a com o sapatão cheio de lama. O Melo soltou um grito de dor. O rapaz olhou-o sem compreender, comentou: – Que perigo, hein? – O outro não respondeu logo. Estava pálido, uma angústia mortal aos olhos. – E justamente quando eu tocava a Gavota de Tárrega, a que ela preferia, coitadinha... – Mas o que há? Eu não compreendo... E vocês imaginam o desapontamento, a humilhação com que ele ouviu toda essa história que eu contei agora... – Desce! Desci. Trecho do conto A aranha (MEC, 2001), do escritor, jornalista, ensaísta e imortal da Academia Brasileira de Letras, Orígenes Lessa (1903-1986). Veja mais aqui.

TE AMO - Te amo de uma maneira inexplicável, / de uma forma inconfessável, / de um modo contraditório. / Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos / e mudar de humor continuadamente / pelo que você já sabe / o tempo, / a vida, / a morte. / Te amo, com o mundo que não entendo / com as pessoas que não compreendem / com a ambivalência de minha alma / com a incoerência dos meus atos / com a fatalidade do destino / com a conspiração do desejo / com a ambigüidade dos fatos / ainda quando digo que não te amo, te amo / até quando te engano, não te engano / no fundo levo a cabo um plano / para amar-te melhor / Te amo , sem refletir, inconscientemente / irresponsavelmente, espontaneamente / involuntariamente, por instinto / por impulso, irracionalmente / de fato não tenho argumentos lógicos / nem sequer improvisados / para fundamentar este amor que sinto por ti / que surgiu misteriosamente do nada / que não resolveu magicamente nada / e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada, / melhorou o pior de mim. / Te amo / Te amo com um corpo que não pensa / com um coração que não raciocina / com uma cabeça que não coordena. / Te amo incompreensivelmente / sem perguntar-me porque te amo / sem importar-me porque te amo / sem questionar-me porque te amo / Te amo / simplesmente porque te amo / eu mesmo não sei porque te amo… Poema do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui, aqui e aqui.

COISAS DE ALAGOINHANDUBA
Imagem: Cidade do interior (2011), do pintor Elmar Castelo Branco.

VII Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade: resistências e ocupa(ações) nos espaços de educação & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Assembly-Opening, da pintora norueguesa Eva Isaksen.
Veja mais aqui.
&
O quibungo e a caranguejeira, A aula de Pedro Demo, o pensamento de Mumon Yamada, a arte de Latifa Laâbissi, a música de Maria Teresa Madeira, Yamandu Costa, Cristina Ortiz & Laurindo Almeida aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

terça-feira, julho 12, 2016

YASUSHI AKUTAGAWA, ANÍSIO TEIXEIRA, WIL DURANT, MADISON MOORE, MENELAU JÚNIOR, JOÃO PIRAHY & FOLCLORE BRASILEIRO


A LENDA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL – Manhã ensolarada, quase meio dia. Jesus caminhava na rodagem do canavial. Sentiu fome e sede, calor extremo. Dirigiu-se à beira da estrada e descansou embaixo da sombra das folhas da cana. Arrancou uma, chupou uns gomos e saciou-se. Dali mais um tempo, resolveu seguir viagem e ao recomeçar a caminhada, virou pro canavial e abençou a magnífica plantação. A partir daquele dia, todos puderam saborear de um alimento bom e doce. Noutro dia, sob o escaldante sol de meio dia, o diabo que havia saído do inferno, galopava veloz pela mesma rodagem. Com o calor, os chifres derretiam e o rabo queimava inclemente. Tencionando refrescar-se foi até o canavial e quando se aproximou da plantação, as canas soltaram pelos que o fez se afastar. Arrancou uma e começou a chupá-la, mas logo achou o caldo azedo queimando-lhe a garganta. Furioso, ele amaldiçou todo canavial e, a partir de então, surgiram os latifúndios e, com ele, a escravaria, a exploração e a monocultura. Todo tipo de plantação existente na flora, era substituída pela plantação canavieira. Não havia mais jaqueiras, cajueiros, pitangueiras, laranjeiras, mangueiras, goiabeiras, árvores ou plantas que fossem, só canavial para suprir a ganância dos coronéis do açúcar e os usineiros do álcool. Para amainar o labor, passou-se a fabricar uma bebida forte, a aguardente, ao mesmo tempo em que, ao ingerí-la, os escravos sentiam ânimo para o trato com essa cultura. E assim se passaram anos, décadas, séculos. A vida no mundo passou a ser adocicada pelo sangue escravo: passou-se ao prazer com o sofrimento alheio. Ninguém até quis saber. E o que antes era abençoado, passou a ser enfermidade que se prolifera até hoje para adoecer e matar o ser humano. (Baseado no relato recolhido por Alfedo Brandão da obra O banguê nas Alagoas, de Manoel Diégues Junior – IAA, 1949). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

Imagem: a arte do pintor e gravurista estadunidense Madison Moore.

 Curtindo Ellora Symphony, Trinita Sinfonica & Rapsodia per Orchestra (2005), do compositor e maestro japonês Yasushi Akutagawa (1925-1989).

PESQUISA:
Não advogamos o monopólio da educação pelo Estado, mas julgamos que todos têm o direito à educação pública, e somente os que quiserem é que poderão procurar a educação privada. Numa sociedade como a nossa, tradicionalmente marcada de profundo espírito de classe e de privilégio, somente a escola pública será verdadeiramente democrática e somente ela poderá ter um programa de formação comum, sem preconceitos contra certas formas de trabalho essenciais à democracia.
Trecho da obra Educação não é privilégio (EdUFRJ, 2007), do educador Anísio Teixeira (1900-1971), organizado e apresentado por Marisa Cassim, tratando de forma contundente o drama da educação na sociedade brasileira e mostra como a incapacidade de criar um regime realmente democrático impediu o Brasil de cumprir a maior de todas as tarefas - a educação. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
Nesta encruzilhada eu me ajoelho agoniado e aflito chamando todos os cães e a Cabra Maldita.
Trecho da Oração da Cabra Preta, extraída do livro Não há estrelas no céu (José Olympio, 1948), do escritor João Clímaco Bezerra (1913-2006), que fundou no Ceará o grupo Clã. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Cada ciência começa como filosofia e termina como arte; surge como hipóteses e remata em realizações.
Extraído do livro História da Filosofia (Record, 1996), do filósofo, historiador e escritor estadunidense Wil Durant (1885-1981). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: 
Cartaz do filme Cumade Fulosinha: a lenda ressurge (Playvídeo, 2013), roteiro e direção de Menelau Júnior, contando a história de uma moça que desistira do livro que pretendia escrever quando era adolescente e, tempos depois,q uando está prestes a concluir o curso de Jornalismo, ela escreve uma monografia sobre lendas populares e decide ir à fazenda de amigas e dá de cara com o caso do caseiro que foi atacado pela Cumade Fulosinha e passam a investigar as aparições da lendária personagem. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre Brincarte do Nitolino, Henry Thoreau & Desobediência Civil, Pablo Neruda, Amedeo Modigliani, Sebastião Tapajós, Monteiro Lobato & Orígenes Lessa aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Bem vinda Maria Flor (2012), vídeo-dança do curso de dança contemporânea João Pirahy, em Pulsarte – Parque Villa Lobos.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.

quarta-feira, maio 07, 2008

CASANOVA, ANTÔNIO CÂNDIDO, ANÍSIO TEIXEIRA, WÄINÖ AALTONEN, LITERÓTICA, COMTE & EDUCAÇÃO

 
A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)

LITERÓTICA – NA ALCOVA DA MUSA – Os meus lábios requerentes e apaixonados se encaminham para os seus, minha Ishtar nua e descoberta, enquanto meu coração se descabela a quatro mil rpm numa rajada barulhenta da bateria das nossas escolas de samba juntas em plena terça-feira de carnaval do nosso lúbrico amor que incendeia nossas almas e vicia nosso querer constante e obsessivo. E quando os meus e os seus lábios se encontram faíscam relâmpagos violentos de festa em zis fogos de artifícios, acompanhando a tremedeira energizada de todo meu corpo que se apronta para ser eletrocutado pelo prazer da sua obsessão lasciva até nos entregarmos dependentes um do outro na explosão do nosso coito para serenar nossas vidas. E minhas mãos segurarão seu rosto para que os beijos estalem certeiros e, com isso, elas possam explorar sua vitalidade contornando carinhosamente sua beleza anatômica sensual e inquieta, alisando seus braços, seios, quadris, ventre. E podendo sentir seu corpo abrasado no meu com a nudez de nossas almas incendiárias de hipererosia. E você enlouquecendo a se esfregar no meu corpo, saracoteando, dando voltas em si para que eu possa tomar ciência de toda proporção da sua maravilha, para que eu possa morder sua carne e encare suas costas enquanto seu glúteo saboroso rebola no meu membro em riste e eu possa lambuzar com a minha excitação máxima toda a pele sedosa de suas ancas, de sua púbis e do seu prazer. Ah! deusa única e exclusiva do meu panteão, minha nau do prazer, deixa que eu me atire na façanha de tê-la égua da melhor montaria, que eu seja rendido como Enkidu pelo feitiço de seus encantos luxuriosos, que eu me realize no nosso intercurso e me derrame em profusão como um príapo enlouquecido e nessa loucura eu seja o sorvete de morango no seu paladar, e você a calda de ameixa saborosíssima no meu gozar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIA – Quando a luz se extingue, todas as mulheres são iguais, sem amor essa tarefa grandiosa torna-se desprezível, porque ela era bela, porque eu a amava e porque seu encanto nada significaria a menos que tivesse o poder de sufocar toda razão. Pensamento do aventureiro e escritor italiano, Giovani Jacopo Casanova (1725-1798). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O AMOR DE COMTE & CLOTILDE – [...] Em outubro de 1844, Augusto Comte encontrar-se-ia com a mulher que iria decidir do sentido dai última fase de sua doutrina. A influência de Clotilde de Vaux seria decisiva para os destinos do positivismo. A admiração que Comte sempre demonstrara pelo catolicismo, também se faria sentir agora, no momento em que êle transforma o seu sistema numa religião, que muito se assemelha, nas fórmulas e na disciplina, ao catolicismo. E' certo que desde os Opúsculos já se assinalava a aptidão do positivismo para uma síntese da qual poderia resultar o estabelecimento de uma verdadeira religião. Mas o que decidia do advento da Religião da Humanidade, seria, além da admiração que o catolicismo inspirava a Augusto Comte, a sua paixão por Clotilde. Foi essa paixão o fator decisivo para o advento de uma religião eminentemente social e política como é a Religião dai Humanidade. A feição mística que esta assumiu, foi devida à "Mulher divina que ele proclamou sua Colega, Inspiradora, bem como seu Juiz Supremo". A mulher, divinizada na figura de Clotilde, terá urna importante missão no positivismo. "Se a nova filosofia não pudesse obter tal apôio (o das mulheres), ela deveria renunciar (à pretensão) de substituir a teologia no seu antigo ofício social. A teoria fundamental do positivismo — diz Augusto Comte — garante a aptidão feminina do positivismo, ainda mais diretamente que a sua eficácia popular. Porque o seu princípio fundamental, a sua maneira de conceber e de tratar o grande problema humano, apenas oferece uma consagração sistemática das disposições que caracterizam espontaneamente as mulheres. A influência sentimental da mulher tem assim, considerável importância na doutrina de Comte, como tivera na sua própria existência. Só pelo exemplo feminino, modelo de amor e devotamento, na opinião de' Comte, — é que a sentimento de solidariedade social poderá progredir. Do mesmo modo que Clotilde influiu sôbre o pensamento de Comte, assim também as mulheres saberão exercer a sua influência para a regeneração social da humanidade. "Fundamentando o conjunto da sã filosofia sôbre a preponderância sistemática do coração, as mulheres são chamadas a formar a parte essencial do novo poder espiritual. A espiritualidade católica só podia ver nelas, poderes auxiliares porque sua fonte direta era independente de seu concurso. Mas a espiritualidade positiva, as aprecia como elemento indispensável, pois elas constituem a representação mais natural e mais pura do seu princípio fundamental [...]. Trecho extraído da obra Progrès de Ia Consdenee dans la Philosophle Oecidontale (Les Presses Universitaires de France, 1953), do professor e filósofo francês Léon Brunschvicg (1869-1944). Veja mais aqui.


A EDUCAÇÃO NO POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE - A educação para o filósofo Auguste Comte, o criador da doutrina da educação universal na filosofia, é chamada de educação positiva, aquela que visa a informar o aluno sobre a ordem, isto é, como o mundo funciona, formando seu caráter, tornando-o mais bondoso. Na educação, isso acarreta ênfase na aferição da eficiência dos métodos de ensino e do desempenho do aluno. Para ele a educação é necessária para se atingir o verdadeiro ensino integral, enciclopédico. Para o Positivismo, a educação resume-se no ensino enciclopédico, útil e verdadeiro, sem teologismo nem metafísica. Isto supõe a subordinação do espírito de detalhe ao de conjunto, da análise à síntese, do progresso à ordem, do egoísmo ao altruísmo, dando à educação um fundamento e um conteúdo ético, que pudesse ser aceito por todos. O seu programa consiste em formar uma consciência moral e social que, desde as bases, pudesse ser inspiradora de todos os idealismo humanos. Isto porque o racionalismo científico é característico do Positivismo, do ponto de vista pedagógico, mas não exclui o valor da instrução humanística, cujas decisões válidas apresentou. Para August Comte, a ciência é a escola da disciplina, porque é organismo de força intelectiva da qual a lógica, o método e as ciências especiais, são leis. O plano geral da educação positivista coloca a arte antes da ciência, com o culto religioso acima do dogma, de maneira a prevenir as dificuldades essenciais. Segundo Comte, na teoria e na prática deve prevalecer o sentimento como fonte normal da sistematização. O objetivo educacional positivista é modificar o mundo para adaptá-lo às necessidades humanas e aperfeiçoar o homem. A participação da inteligência nessa práxis transformadora consiste em esclarecer, reunindo para isso os elementos destinados às previsões. As características desta educação são as seguintes: em primeiro lugar, ela é viável aos dois sexos; a segunda, é que ela está subordinada ao desenvolvimento biológico, já que o estudo do homem e do mundo exterior constituem necessariamente o duplo e o eterno sujeito de todas as concepções filosóficas positivistas; a última característica, é que ela se relaciona à interconexão das leis dos três estados (estado teológico-ficticio, estado metafísico-abstrato e estado positivio-cientifico), com as etapas mentais do desenvolvimento da criança, combinando a estática social com a dinâmica social, ou seja, as leis da ordem com as do progresso. Em sendo o principio fundamental do Positivismo o da primazia da educação para a solução do problema social, devendo o proletariado participar da riqueza intelectual, tanto quanto os detentores do capital (o patriciado), Comte divide a educação positivista em espontânea (educação física e moral, e educação estética) e sistemática (educação intelectual). A educação espontânea – Neste sistema educacional, a primeira fase, que se estende do nascimento à puberdade, deve ser ministrada apenas pela mãe, que deve dirigi-la de modo “inteiramente espontâneo, ao mesmo tempo, física, intelectual e moral” Esta educação exclusivamente familiar deve constituir sobretudo na cultura dos sentidos, no desenvolvimento da destreza natural, pelos jogos, e na aquisição de bons hábitos. Dos sete aos oito anos até a puberdade, a educação, sem cessar de ser doméstica e dirigida pela mãe, mas não mais inteiramente espontânea, tornar-se-á estética, formando-lhe a base do ensino, a poesia, a música e o desenho ou a pintura.. Durante esse período, a cujo ensino, predominantemente artístico, será preciso acrescentar o estudo das línguas; a criança não deve ainda ouvir falar de qualquer das sete ciências da classificação comteana. A educação física e moral – O fulcro da educação positivista está em ver em cada mãe a dirigente perpétua dos filhos. Até a puberdade, devem eles depender, exclusivamente, das mães; e durante o resto da existência, a mãe deve supervisionar sua educação. Assim, nessa primeira fase, a educação deve ser essencialmente afetiva, embora o cultivo do físico da criança deva prevalecer. Aqui, a educação física consistirá menos em um exercício grosseiro dos músculos, e mais na cultura dos sentidos, da destreza, a fim de preparar a criança para a observação e para a ação. Contudo, o Positivismo não dispensa o papel do pai na educação doméstica, como auxiliar da ação materna, pelo criterioso exercício da autoridade. O pai, aconselha Comte, deve educar seus filhos pelo exemplo, pela auto-disciplina, pela atitude correta, pela união de sentimentos, pois o lar sem normas de conduta respeitadas por todos, converter-se-á em foco de desordem e a anarquia da família lhe dará cidadãos desajustados e nocivos à sociedade. Para o Positivismo, o regime pessoal é socialmente instituído pela subordinação do egoísmo ao altruísmo, segundo a lei viver para outrem. O homem isolado não existe, o que existe é a sociedade. O individuo só pode ser encarado como elemento do organismo comunitário, ensina Comte.. O primeiro dever é, pois, viver, mas viver dignamente, viver às claras, concorrendo para a conservação e o aperfeiçoamento da Humanidade. A educação estética - Se a evolução afetiva caracteriza primeira infância e elabora espontaneamente o principal elemento da lógica – os sentimentos -, a segunda infância assinala-se pelo surto estético, que vem aclarar os sentimentos com o segundo elemento lógico: as imagens. A educação estética, que vai dos sete aos catorze anos, começa, também, a sistematizar-se por uma série gradual de estudos regulares, até então interditos, ou seja, a leitura, a escrita, o canto, o desenho, e o ensino das línguas modernas. A educação sistemática - Depois da elaboração dos sentimentos, na primeira infância, e do desenvolvimento da educação estética, por meio do concurso das imagens, finalmente a adolescência completa esse preparo espontâneo, instituindo a lógica universal pelo uso sistemático do terceiro elemento: os sinais, nesta terceira fase, em que será desenvolvido o ensino abstrato, de vez que o cérebro, já educado durante a infância estará apto para o estudo das leis científicas. A característica geral da educação desta fase é desenvolver a razão abstrata, sistematizando os conhecimentos gerais adquiridos na infância. Assim, o ensino deverá consistir principalmente no estudo das leis naturais que regem o mundo e o homem, instruindo-o para a vida ativa. E, o que é muito importante neste momento, a aprendizagem de um ofício, habituando-o para o serviço efetivo na sociedade. O adolescente também inicia o conhecimento de sua própria personalidade e sua função no organismo social. A educação sistemática seguira escrupulosamente a hierarquia das ciências positivas e a ordem lógica de sua filiação, que caracteriza a ordem universal. Comte criticou as classificações propostas nos dois últimos séculos, como as de Bacon e de D’Alembert, que não só desconheciam a matéria, como pecavam pela falta de um critério positivo homogêneo e constante. A base da classificação de Comte, da generalidade decrescente, é um princípio cartesiano, partindo-se dos objetos mais simples para os mais complexos. O problema básico da educação, para Augusto Comte, é o problema da vida humana, ou seja, dentro de sua concepção, a subordinação do egoísmo ao altruísmo. Esse desiderato só será alcançado pela reação da sociedade sobre o indivíduo, pela influência da vida comunitária, sobre a vida individual. Em outros termos, a sociedade terá sempre que influir no educando. Alegando que ainda não prepondera um sistema educativo que ligue a família à sociedade, que vise sempre o social na educação do indivíduo, e que, nos contatos sociais, os pendores egoistas provocam antagonismos individuais que tendem a neutralizá-los, Comte entende que a educação deve ter por fim sistematizar essa reação geral da sociedade sobre a vida individual, preparando especialmente a conduta do individuo. Toda dificuldade educativa está, para ele, em vencer a preponderância dos instintos inferiores. Comte demonstra, assim, a necessidade social de uma educação positiva, sistemática, a fim de preparar o individuo como cidadão consciente. Individuo que se acha intimamente ligado à família, que por sua vez se liga à pátria e, por esta, à Humanidade, que o completa comunitariamente. Veja mais aqui e aqui.

CIÊNCIA E ARTE DE EDUCAR – [...] o processo educativo não pode ter fins elaborados fora dele próprio. Os seus objetivos se contêm dentro do processo e são eles que o fazem educativo. Não podem, portanto, ser elaborados senão pelas próprias pessoas que participam do processo. O educador, o mestre, é uma delas. A sua participação na elaboração desses objetivos não é um privilégio, mas a conseqüência de ser, naquele processo educativo, o participante mais experimentado, e, esperemos, mais sábio. [...]. Trecho extraído da obra Ciência e arte de educar (Educação e Ciências Sociais, 1957), do educador Anísio Teixeira (1900-1971). Veja mais aqui.

A FICÇÃO – [...] A ficção é um lugar ontológico privilegiado: lugar em que o homem pode viver e contemplar, através de personagens variadas, a plenitude da sua condição, e em que, transformando-se imaginariamente no outro, vivendo outros papéis e destacando-se de si mesmo, verifica, realiza e vive a sua condição fundamental de ser autoconsciente e livre, capaz de desdobrar-se, distanciar-se de si mesmo e de objetivar a sua própria situação. [...]. Trecho extraído de As personagens de ficção (Perspectiva, 1972), do poeta, ensaísta, professor universitário e crítico literário Antônio Cândido. Veja mais aqui.


A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)




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