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domingo, abril 06, 2014

GLORIA CARREÓN, LOVELOCK, BUKOWSKI, KIAROSTAMI & GUTIÉRREZ

 

REFLEXÕES DE METIDO EM CAMISA DE ONZE VARAS E CHEIO DE NÓ PELAS COSTAS! – Pronde vou, só prova de fogo, sempre! Não há escapatória. Chaveco no ouvido: Não fique parado, não pare nunca! Oxe! Levo na boa, como se fosse um xote de passagem, toca gaita! É preciso saber o que fazer: Se chegar tarde não abro! Agora, deu! Não morro de leseira, não choro na parede, não vivo no cinema, a arma no escuro. Nenhuma. Virar a página, já virei um tanto de vezes; a viuvez e o legado ao rés do chão, sob as glórias de vis guerras arrivistas e repugnantes, sacudidas de bestialidades, decadência e degenerações. A culpa na história, qual cartório se no cabeçalho só tem algarismos em caracol. Vôte! A ocasião mais parece um beliscão, quase visceral a consumir a paciência. O que viceja, levo por conciensível. Coexistir com a solidão duradoura, o que me resta a recompor o que desmoronou da diversidade humana, enquanto busco a conexão com a ancestralidade. Visível solidão de Lucrécio, a história é apenas um rol de misérias e crimes, a culpa adiante e o que é bom fica tão próximo quanto distante. Eu de esguelha saco a cavilação enquanto suporto as dores da alma no corpo. Para quem correu ladeira acima e se esqueceu dos freios na hora de descer e se lascar, quase pulo no abismo. Para quem desavisado escolheu qualquer caminho de sorte na vida e chorou na rampa, subiu no telhado e bateu biela, digo e não me faço de rogado: a vida dá muitas voltas. Ah, como dá! Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A vocação da arte é extrair-nos da nossa realidade diária, levar-nos a uma verdade oculta e de difícil acesso - a um nível que não é material, mas espiritual. Para ser internacional, primeiro você precisa ser local... Quando você pega uma árvore que está enraizada no solo e a transfere de um lugar para outro, a árvore não dará mais frutos. E se isso acontecer, a fruta não será tão boa quanto estava em seu lugar original. Esta é uma regra da natureza. Acho que se eu tivesse saído do meu país, seria igual à árvore... Desde o meu primeiro filme, qual foi a minha concentração, a minha inspiração, foi que eu não queria narrar nada, não queria contar uma história. Eu queria mostrar algo, queria que eles fizessem a sua própria história a partir do que estavam vendo. Pensamento do cineasta, poeta, roteirista, fotógrafo e produtor iraniano Abbas Kiarostami (1940-2016), premiado pelos filmes Gosto de cereja (1997), O vento nos levará (1999), Like someone in love (2012), Copie conforme (2010), Chacun son cinema (2007), Tickets (2005), Dah (2002), ABC Africa (2001), entre outros. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Algumas pessoas nunca enlouquecem. Que vidas verdadeiramente horríveis eles devem levar. O indivíduo bem-equilibrado é insano. Nenhuma dor significa o fim da sensibilidade; cada uma de nossas alegrias é uma barganha com o diabo. A diferença entre a Arte e a Vida é que a Arte é mais suportável. Pensamento do escritor alemão Charles Bukowski Jr (1920-1994). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

GAIA & O AVISO FINAL – [...] Somos a elite inteligente entre a vida animal na Terra e quaisquer que sejam os nossos erros, [a Terra] precisa de nós. Esta pode parecer uma afirmação estranha, depois de tudo o que disse sobre a forma como os humanos do século XX se tornaram quase num organismo de doença planetária. Mas [a Terra] levou 2,5 mil milhões de anos para desenvolver um animal que pudesse pensar e comunicar os seus pensamentos. Se formos extintos, ela terá poucas chances de evoluir outra. [...]. Trecho extraído do livro The Vanishing Face of Gaia: A Final Warning (Penguin, 2010), do pesquisador e ambientalista inglês James Lovelock (1919-2022), cujo pensamento expressa: Tenha em mente que é arrogância pensar que sabemos como salvar a Terra: o nosso planeta cuida de si mesmo. Tudo o que podemos fazer é tentar nos salvar. Vivemos numa época em que as emoções e os sentimentos contam mais do que a verdade, e há uma vasta ignorância da ciência. A Terra pode estar viva: não como os antigos a viam – uma Deusa senciente com um propósito e visão – mas viva como uma árvore. Uma árvore que existe silenciosamente, nunca se movendo, exceto para balançar ao vento, mas conversando interminavelmente com a luz do sol e o solo. Usando luz solar, água e nutrientes minerais para crescer e mudar. Mas tudo feito de forma tão imperceptível que para mim o velho carvalho no gramado é o mesmo de quando eu era criança. A consideração analítica e a consideração intuitiva da vida não podem ser harmonizadas da mesma forma que a medida do primeiro está subordinada ao segundo. É o segundo, e notamment o sentimento de beleza e de compaixão que me enferma, que desacopla o sentido da totalidade de mesmo que celui des equilíbrios e do limite. A consideração intuitiva é a condição da sabedoria sem laquela, a consideração analítica pode conduzir a excessos suicidas. A análise dos fenômenos dados à força sobre o eu, ela permite dominar a natureza, mas ela não fere nenhuma indicação de quantos limites são convenientes para atribuir a esta força. Gaia, a meu ver, não é uma mãe amorosa e tolerante com delitos, nem uma donzela frágil e delicada em perigo por causa da humanidade brutal. Ela é severa e durona, sempre mantendo o mundo aquecido e confortável para aqueles que obedecem às regras, mas implacável na destruição daqueles que as transgridem. Veja mais aqui.

 

TRILOGIA SUJA DE HAVANA - [...] A vida não é longa o suficiente para desfrutar e compreender tudo ao mesmo tempo. Você tem que decidir o que é mais importante [...] É vertiginoso pensar o quão grande é o mundo, ou perceber o quão pequeno você é [...] Cuba pode ser o único lugar no mundo onde você pode ser você mesmo e mais do que você mesmo ao mesmo tempo [...] Um homem pode cometer muitos pequenos erros e não há nada de errado com isso. Mas se os erros são grandes e pesam sobre ele, sua única solução é parar de se levar a sério. É a única forma de evitar o sofrimento – o sofrimento, prolongado, pode ser fatal. [...] Gosto de ser belicoso, como bom filho de Ogum. Quando me virem tranquilo, é que já estou apodrecendo. [...] Nós nos afastamos rapidamente. Depois do Parque Maceo, há um trecho do Malecón que é território exclusivo de bichas e tortilleras. Cem metros gay. Amor livre. Se continuarmos caminhando em direção ao Vedado tudo muda. Os gays são uma fronteira entre a agitação do poder negro e a relativa calma do Vedado. Ele parece mais sedado. Mas não é assim. Tudo está contaminado. Em suma, somos todos mestiços. Aqui a agitação é clandestina. Basta arranhar um pouco a superfície e ela explode, com a mesma brutalidade. Chegamos a uma pizzaria ao lado do Hotel Saint John. Pizzaria iluminada e limpa, com pouca gente e ar condicionado. Ah, que paz! Aqui você paga em dólares e é um lugar barato, mas inacessível à máfia que se esfaqueia por dez dólares por aí. [...] Trechos extraídos da obra Dirty Havana Trilogy (Faber & Faber; 2002), do escritor, pintor e jornalista cubano Pedro Juan Gutiérrez.

 

DOIS POEMASPERFÍDIA. Neste jardim de Adão \ a maçã não é proibida \ os vivos e os mortos a mordem \ então ele joga fora imediatamente \ ou oferece a satanás \ É assim que muda de mãos \ jogando fora porque \ foi roído ele joga para os vermes \ eles vão honrá-la \ porque neste éden incerto \ onde vivem os desumanos do mal está coberto. PERENE AMOR - Seu amor é uma fonte de sensações \ que causam ao meu ser \ o gozo divino eles incitam prazer, \ paixões fazendo meu ser tocar o céu \ Seu amor, encha meu mundo de ilusões \ faz minha alma brincar de prazer \ que no seu paraíso plácido mais \ Tem sido mais da minha vida \ que eu te adoro. \ Seu amor está batendo bem \ na minha existência sequência \ de passado e presente \ amanhã flutuante \ para descobrir disso e muito \ mais meu espírito \ está ciente \ omissão boba \ que conseguimos evitar \você retorna como a luz do sol nascente \ você reivindica \ o que é eternamente seu \ Eu retribuo nosso amor perene. Poemas da escritora mexicana María Gloria Carreón Zapata.

 


SÍNDROME DE KLÜVER-BUCY – Que droga é nove? Trata-se de uma doença diagnosticada psicólogo alemão Heinrich Klüver e pelo cirurgião Paul Clancy Bucy, em 1939, e registrada pela jornalista inglesa Rita Carter, na sua famosa obra “Ouro da mente – o funcionamento e mistérios do cérebro humano”. Por causa disso passei a entender porque o Doro quase foi preso semana passada por querer despejar sua hipersexualidade numa porca (e em bichos de qualquer natureza desde a sua mais tenra idade) na ausência duma frochosa para sapecar seus desejos sexuais. Isso é que é o Big Shit Bôbras.


JÁ DIZIA O SIR ISAAC NEWTON - Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes. Esse sabia das coisas, veja mais no Pesquisa.

VIVIANE MOSÉ – Um importante momento aconteceu quando vi a poeta, filósofa e psicóloga Viviane Mosé defender a importância dos conceitos do filósofo alemão Nieztsche de produção da linguagem na cultura ocidental para transvalorização de todos os valores. Indica ela magistralmente a dificuldade de aceitação do pensamento nietzschiano nos meios acadêmicos. Veja mais Viviane Mosé e Niezstche.

AONDE LEVA UMA PAIXÃO AVASSALADORA – Uma das mais desmanteladas paixonites agudas, foi a que envolveu o filósofo Auguste Comte e a escritora Cloltilde de Vaux. Ambos casados se enrolaram num amor proibido, dessa paixão levar o pensador a ficar de joelhos diante da irredutível e fidelíssima Clotilde que não cedia aos seus rogos nem permitia a consumação do fato, muito embora tenha desse muita bola de endoidá-lo, a ponto dele criar uma religião só pra venerá-la. O amor faz cada uma, hem? Confira mais no Crônica de amor por ela.

PAIXONITE AGUDA E ESCANDALOSA – Outro estrupício amoroso foi no início da Psicanálise, que envolveu Carl Gustav Jung e a jovem judia russa, Sabina Spielrein. Ela era uma filha doente de um casal de judeus mercadores que foi tratada pelo discípulo de Freud, envolvendo-o numa paixão avassaladora que virou tema da peça teatral The talking cure, de Cristopher Hampton, e transformada pro cinema na direção de David Cronenberg (conhecido no Brasil como Um método perigoso). Jung muito bem casado com uma ricaça deixou-se levar pelo masoquismo da russa, resultando numa das mais impressionantes histórias de amor e sexo. Imperdível. Confira mais no Crônica de amor por ela.

ESSA É DO POETA RALPH WALDO EMERSON (1803-1882) - A boa noticia é que no momento em que você decide que aquilo que sabe é mais importante do que aquilo que foi ensinado a acreditar, você muda de ritmo em sua busca por abundância. O sucesso vem de dentro, não de fora. Veja mais Momentos de reflexão.


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As pernas no Cinema & o Seminário – A relação do objeto, de Jacques Lacan aqui.
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quarta-feira, maio 07, 2008

CASANOVA, ANTÔNIO CÂNDIDO, ANÍSIO TEIXEIRA, WÄINÖ AALTONEN, LITERÓTICA, COMTE & EDUCAÇÃO

 
A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)

LITERÓTICANA ALCOVA DA MUSA – Os meus lábios requerentes e apaixonados se encaminham para os seus, minha Ishtar nua e descoberta, enquanto meu coração se descabela a quatro mil rpm numa rajada barulhenta da bateria das nossas escolas de samba juntas em plena terça-feira de carnaval do nosso lúbrico amor que incendeia nossas almas e vicia nosso querer constante e obsessivo. E quando os meus e os seus lábios se encontram faíscam relâmpagos violentos de festa em zis fogos de artifícios, acompanhando a tremedeira energizada de todo meu corpo que se apronta para ser eletrocutado pelo prazer da sua obsessão lasciva até nos entregarmos dependentes um do outro na explosão do nosso coito para serenar nossas vidas. E minhas mãos segurarão seu rosto para que os beijos estalem certeiros e, com isso, elas possam explorar sua vitalidade contornando carinhosamente sua beleza anatômica sensual e inquieta, alisando seus braços, seios, quadris, ventre. E podendo sentir seu corpo abrasado no meu com a nudez de nossas almas incendiárias de hipererosia. E você enlouquecendo a se esfregar no meu corpo, saracoteando, dando voltas em si para que eu possa tomar ciência de toda proporção da sua maravilha, para que eu possa morder sua carne e encare suas costas enquanto seu glúteo saboroso rebola no meu membro em riste e eu possa lambuzar com a minha excitação máxima toda a pele sedosa de suas ancas, de sua púbis e do seu prazer. Ah! deusa única e exclusiva do meu panteão, minha nau do prazer, deixa que eu me atire na façanha de tê-la égua da melhor montaria, que eu seja rendido como Enkidu pelo feitiço de seus encantos luxuriosos, que eu me realize no nosso intercurso e me derrame em profusão como um príapo enlouquecido e nessa loucura eu seja o sorvete de morango no seu paladar, e você a calda de ameixa saborosíssima no meu gozar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIAQuando a luz se extingue, todas as mulheres são iguais, sem amor essa tarefa grandiosa torna-se desprezível, porque ela era bela, porque eu a amava e porque seu encanto nada significaria a menos que tivesse o poder de sufocar toda razão. Pensamento do aventureiro e escritor italiano, Giovani Jacopo Casanova (1725-1798). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O AMOR DE COMTE & CLOTILDE – [...] Em outubro de 1844, Augusto Comte encontrar-se-ia com a mulher que iria decidir do sentido dai última fase de sua doutrina. A influência de Clotilde de Vaux seria decisiva para os destinos do positivismo. A admiração que Comte sempre demonstrara pelo catolicismo, também se faria sentir agora, no momento em que êle transforma o seu sistema numa religião, que muito se assemelha, nas fórmulas e na disciplina, ao catolicismo. E' certo que desde os Opúsculos já se assinalava a aptidão do positivismo para uma síntese da qual poderia resultar o estabelecimento de uma verdadeira religião. Mas o que decidia do advento da Religião da Humanidade, seria, além da admiração que o catolicismo inspirava a Augusto Comte, a sua paixão por Clotilde. Foi essa paixão o fator decisivo para o advento de uma religião eminentemente social e política como é a Religião dai Humanidade. A feição mística que esta assumiu, foi devida à "Mulher divina que ele proclamou sua Colega, Inspiradora, bem como seu Juiz Supremo". A mulher, divinizada na figura de Clotilde, terá urna importante missão no positivismo. "Se a nova filosofia não pudesse obter tal apôio (o das mulheres), ela deveria renunciar (à pretensão) de substituir a teologia no seu antigo ofício social. A teoria fundamental do positivismo — diz Augusto Comte — garante a aptidão feminina do positivismo, ainda mais diretamente que a sua eficácia popular. Porque o seu princípio fundamental, a sua maneira de conceber e de tratar o grande problema humano, apenas oferece uma consagração sistemática das disposições que caracterizam espontaneamente as mulheres. A influência sentimental da mulher tem assim, considerável importância na doutrina de Comte, como tivera na sua própria existência. Só pelo exemplo feminino, modelo de amor e devotamento, na opinião de' Comte, — é que a sentimento de solidariedade social poderá progredir. Do mesmo modo que Clotilde influiu sôbre o pensamento de Comte, assim também as mulheres saberão exercer a sua influência para a regeneração social da humanidade. "Fundamentando o conjunto da sã filosofia sôbre a preponderância sistemática do coração, as mulheres são chamadas a formar a parte essencial do novo poder espiritual. A espiritualidade católica só podia ver nelas, poderes auxiliares porque sua fonte direta era independente de seu concurso. Mas a espiritualidade positiva, as aprecia como elemento indispensável, pois elas constituem a representação mais natural e mais pura do seu princípio fundamental [...]. Trecho extraído da obra Progrès de Ia Consdenee dans la Philosophle Oecidontale (Les Presses Universitaires de France, 1953), do professor e filósofo francês Léon Brunschvicg (1869-1944). Veja mais aqui.


A EDUCAÇÃO NO POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE - A educação para o filósofo Auguste Comte, o criador da doutrina da educação universal na filosofia, é chamada de educação positiva, aquela que visa a informar o aluno sobre a ordem, isto é, como o mundo funciona, formando seu caráter, tornando-o mais bondoso. Na educação, isso acarreta ênfase na aferição da eficiência dos métodos de ensino e do desempenho do aluno. Para ele a educação é necessária para se atingir o verdadeiro ensino integral, enciclopédico. Para o Positivismo, a educação resume-se no ensino enciclopédico, útil e verdadeiro, sem teologismo nem metafísica. Isto supõe a subordinação do espírito de detalhe ao de conjunto, da análise à síntese, do progresso à ordem, do egoísmo ao altruísmo, dando à educação um fundamento e um conteúdo ético, que pudesse ser aceito por todos. O seu programa consiste em formar uma consciência moral e social que, desde as bases, pudesse ser inspiradora de todos os idealismo humanos. Isto porque o racionalismo científico é característico do Positivismo, do ponto de vista pedagógico, mas não exclui o valor da instrução humanística, cujas decisões válidas apresentou. Para August Comte, a ciência é a escola da disciplina, porque é organismo de força intelectiva da qual a lógica, o método e as ciências especiais, são leis. O plano geral da educação positivista coloca a arte antes da ciência, com o culto religioso acima do dogma, de maneira a prevenir as dificuldades essenciais. Segundo Comte, na teoria e na prática deve prevalecer o sentimento como fonte normal da sistematização. O objetivo educacional positivista é modificar o mundo para adaptá-lo às necessidades humanas e aperfeiçoar o homem. A participação da inteligência nessa práxis transformadora consiste em esclarecer, reunindo para isso os elementos destinados às previsões. As características desta educação são as seguintes: em primeiro lugar, ela é viável aos dois sexos; a segunda, é que ela está subordinada ao desenvolvimento biológico, já que o estudo do homem e do mundo exterior constituem necessariamente o duplo e o eterno sujeito de todas as concepções filosóficas positivistas; a última característica, é que ela se relaciona à interconexão das leis dos três estados (estado teológico-ficticio, estado metafísico-abstrato e estado positivio-cientifico), com as etapas mentais do desenvolvimento da criança, combinando a estática social com a dinâmica social, ou seja, as leis da ordem com as do progresso. Em sendo o principio fundamental do Positivismo o da primazia da educação para a solução do problema social, devendo o proletariado participar da riqueza intelectual, tanto quanto os detentores do capital (o patriciado), Comte divide a educação positivista em espontânea (educação física e moral, e educação estética) e sistemática (educação intelectual). A educação espontânea – Neste sistema educacional, a primeira fase, que se estende do nascimento à puberdade, deve ser ministrada apenas pela mãe, que deve dirigi-la de modo “inteiramente espontâneo, ao mesmo tempo, física, intelectual e moral” Esta educação exclusivamente familiar deve constituir sobretudo na cultura dos sentidos, no desenvolvimento da destreza natural, pelos jogos, e na aquisição de bons hábitos. Dos sete aos oito anos até a puberdade, a educação, sem cessar de ser doméstica e dirigida pela mãe, mas não mais inteiramente espontânea, tornar-se-á estética, formando-lhe a base do ensino, a poesia, a música e o desenho ou a pintura.. Durante esse período, a cujo ensino, predominantemente artístico, será preciso acrescentar o estudo das línguas; a criança não deve ainda ouvir falar de qualquer das sete ciências da classificação comteana. A educação física e moral – O fulcro da educação positivista está em ver em cada mãe a dirigente perpétua dos filhos. Até a puberdade, devem eles depender, exclusivamente, das mães; e durante o resto da existência, a mãe deve supervisionar sua educação. Assim, nessa primeira fase, a educação deve ser essencialmente afetiva, embora o cultivo do físico da criança deva prevalecer. Aqui, a educação física consistirá menos em um exercício grosseiro dos músculos, e mais na cultura dos sentidos, da destreza, a fim de preparar a criança para a observação e para a ação. Contudo, o Positivismo não dispensa o papel do pai na educação doméstica, como auxiliar da ação materna, pelo criterioso exercício da autoridade. O pai, aconselha Comte, deve educar seus filhos pelo exemplo, pela auto-disciplina, pela atitude correta, pela união de sentimentos, pois o lar sem normas de conduta respeitadas por todos, converter-se-á em foco de desordem e a anarquia da família lhe dará cidadãos desajustados e nocivos à sociedade. Para o Positivismo, o regime pessoal é socialmente instituído pela subordinação do egoísmo ao altruísmo, segundo a lei viver para outrem. O homem isolado não existe, o que existe é a sociedade. O individuo só pode ser encarado como elemento do organismo comunitário, ensina Comte.. O primeiro dever é, pois, viver, mas viver dignamente, viver às claras, concorrendo para a conservação e o aperfeiçoamento da Humanidade. A educação estética - Se a evolução afetiva caracteriza primeira infância e elabora espontaneamente o principal elemento da lógica – os sentimentos -, a segunda infância assinala-se pelo surto estético, que vem aclarar os sentimentos com o segundo elemento lógico: as imagens. A educação estética, que vai dos sete aos catorze anos, começa, também, a sistematizar-se por uma série gradual de estudos regulares, até então interditos, ou seja, a leitura, a escrita, o canto, o desenho, e o ensino das línguas modernas. A educação sistemática - Depois da elaboração dos sentimentos, na primeira infância, e do desenvolvimento da educação estética, por meio do concurso das imagens, finalmente a adolescência completa esse preparo espontâneo, instituindo a lógica universal pelo uso sistemático do terceiro elemento: os sinais, nesta terceira fase, em que será desenvolvido o ensino abstrato, de vez que o cérebro, já educado durante a infância estará apto para o estudo das leis científicas. A característica geral da educação desta fase é desenvolver a razão abstrata, sistematizando os conhecimentos gerais adquiridos na infância. Assim, o ensino deverá consistir principalmente no estudo das leis naturais que regem o mundo e o homem, instruindo-o para a vida ativa. E, o que é muito importante neste momento, a aprendizagem de um ofício, habituando-o para o serviço efetivo na sociedade. O adolescente também inicia o conhecimento de sua própria personalidade e sua função no organismo social. A educação sistemática seguira escrupulosamente a hierarquia das ciências positivas e a ordem lógica de sua filiação, que caracteriza a ordem universal. Comte criticou as classificações propostas nos dois últimos séculos, como as de Bacon e de D’Alembert, que não só desconheciam a matéria, como pecavam pela falta de um critério positivo homogêneo e constante. A base da classificação de Comte, da generalidade decrescente, é um princípio cartesiano, partindo-se dos objetos mais simples para os mais complexos. O problema básico da educação, para Augusto Comte, é o problema da vida humana, ou seja, dentro de sua concepção, a subordinação do egoísmo ao altruísmo. Esse desiderato só será alcançado pela reação da sociedade sobre o indivíduo, pela influência da vida comunitária, sobre a vida individual. Em outros termos, a sociedade terá sempre que influir no educando. Alegando que ainda não prepondera um sistema educativo que ligue a família à sociedade, que vise sempre o social na educação do indivíduo, e que, nos contatos sociais, os pendores egoistas provocam antagonismos individuais que tendem a neutralizá-los, Comte entende que a educação deve ter por fim sistematizar essa reação geral da sociedade sobre a vida individual, preparando especialmente a conduta do individuo. Toda dificuldade educativa está, para ele, em vencer a preponderância dos instintos inferiores. Comte demonstra, assim, a necessidade social de uma educação positiva, sistemática, a fim de preparar o individuo como cidadão consciente. Individuo que se acha intimamente ligado à família, que por sua vez se liga à pátria e, por esta, à Humanidade, que o completa comunitariamente. Veja mais aqui e aqui.

CIÊNCIA E ARTE DE EDUCAR – [...] o processo educativo não pode ter fins elaborados fora dele próprio. Os seus objetivos se contêm dentro do processo e são eles que o fazem educativo. Não podem, portanto, ser elaborados senão pelas próprias pessoas que participam do processo. O educador, o mestre, é uma delas. A sua participação na elaboração desses objetivos não é um privilégio, mas a conseqüência de ser, naquele processo educativo, o participante mais experimentado, e, esperemos, mais sábio. [...]. Trecho extraído da obra Ciência e arte de educar (Educação e Ciências Sociais, 1957), do educador Anísio Teixeira (1900-1971). Veja mais aqui.

A FICÇÃO – [...] A ficção é um lugar ontológico privilegiado: lugar em que o homem pode viver e contemplar, através de personagens variadas, a plenitude da sua condição, e em que, transformando-se imaginariamente no outro, vivendo outros papéis e destacando-se de si mesmo, verifica, realiza e vive a sua condição fundamental de ser autoconsciente e livre, capaz de desdobrar-se, distanciar-se de si mesmo e de objetivar a sua própria situação. [...]. Trecho extraído de As personagens de ficção (Perspectiva, 1972), do poeta, ensaísta, professor universitário e crítico literário Antônio Cândido. Veja mais aqui.


A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)




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Fecamepa: enquanto os caras bufam por aumento no governo, aqui embaixo a gente só paga mico, né? Aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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