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segunda-feira, outubro 19, 2015

RUAS DE MACEIÓ, VINICIUS, VARGAS, MARSALIS, HAYWARD, CAMBIASO, LATOUR, A MULHER & FOLCLORE AFRICANO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PELAS RUAS DE MACEIÓ – Versos das ruas que andejo voo anseios oh, do que sou lua e sol no meio do meio dia. Os pés no dia, a boca na noite; e todos os teus açoites pra bordejar leniente versejando a emular teus entornos, instâncias, reentrâncias, entreabrires, gotejares, referências e findares. Versos nas ruas em flor das tuas curvas e veios exsudares, aia tumescente, ressoo lampejos até que fluas dos teus cotornos indecorosos até pousar na via que vai dar nas paragens do que sou. Quem me acompanha? Foi ontem, quase meia noite. Onde é que estou? Quanto presente e eu só passado. Onde é que o futuro está senão em mim? O fruto e a semente, sou tronco. Sou, por enquanto, tronco. À margem de mim, meu próprio eu. Um diálogo de mim pra mim mesmo, eu. Eu? Onde estou senão na possibilidade de estar? Estar, não estou; nem sou. Apenas voo. Quem vai? Eu voo. Onde estás, não vejo. Sinto. Quanto mais sou eu, sou todos: a mão na batuta, apenas um gesto de quem vive. Afinal, sou Deus. E não tenho nada. Ou tudo. À margem de tudo isso, apenas vivo. Em nome do meu nome, é só o que tenho. Um nome uma filiação. O nome das coisas não diz do que é a coisa, decepção enorme, prefiro o desdito, o não dizer. A minha loucura não tem parâmetro, como a dar valor ao inútil. Sou inútil na dimensão do ridículo. De resto, nada mais. Nem sei mais. Se há choros, gritos ou riso, sou apenas meus gritos, meus choros, meu riso. O meu nome é nada do que sou, sou inominável, além da fala do dito, do não-dito, do que podia dizer. Longe de mim tudo flagra; em mim tudo vinga. Foi ontem o dia do amanhã. Eu apenas passo, vivo. Quando fui na casa de mãe, eu dizia: - Maínha, é possível? – Tudo é possível, meu filho. E me beijou os olhos como quem faz do bezerro desmamado. De dia sou sombra que me segue e carrega alhures; de noite sou réstia perdida na sombra da escuridão. O que eu dizia de mim na boca dos outros. Eu voo no salto mortal, a nuca no golpe, o gogó na quina. E a gente vai abrir o cofre, quem tem coragem? Injustiça nunca mais! E não ter que pisar na barata pra se dizer humanista em detrimento do que não seja simpático no asco mais que indesejável. E não ter a morte como castigo mais que inexorável, quando nos toma dos olhos o poder de saber de tudo ao alcance da mão. E não ter que fazer nada em nome dos outros que não têm nada a ver com o que se sabe e nem quer saber quando tudo é vivo além da sensopercepção. A gente pode tratar as pessoas como quem cuida das plantas no jardim. A gente pode abraçar as pessoas como quem vive desfrutando o prazer das coisas de seu apartamento. A gente pode olhar pras pessoas como quem se emociona com a programação da tv. A gente pode dizer tudo que pensa sem que precise agradar ou dissimular qualquer afeto ou se esquivar do preconceito ou exprobrar a paranoia do umbigo carente que quer ser dono do mundo e de todas as coisas. A gente pode sorrir sem que precise da permissão do adeus pra nos fustigar a solidão. A gente pode chorar sem que tenha de abusar disso ou daquilo, nem que veja a justiça injusta dos homens a nos humilhar negando acesso a uma vida nova. A gente pode sentir que está por perto quando os pássaros voam e levam a sorte que nunca tivemos para algum lugar em que o longe está tão perto e dentro do coração. A gente pode gozar o prazer de ter todo dia a chama viva de encantar aquele ou aquela que nos inspira a alma no calor de todos os braços abertos pro abraço de todas as emoções e superando todos os limites que o tempo e o espaço nos impõem. A gente pode ser feliz apesar de tudo porque nosso é o poder de amar, mesmo que seja tardia a hora de ver que somos nós mesmos nossos carrascos e que nos tornamos vítimas de ontem por não ter que ver nenhum futuro. A gente pode ser melhor. A gente pode sonhar um mundo melhor que este! É preciso respeitar a vida! Não somos o obstáculo refém do primeiro peteleco que remove o óbice para seguirmos adiante porque ali está a vida e ela é plena em toda pulsação. É preciso dizer bem alto que a vida é tudo o que temos neste plano de compreensão. E nada é mais importante que o olhar fixo a nos mirar no mais ínfimo momento de nossa existência. Viva e seja feliz, é tudo o que podemos ser na clausura do momento, quer seja na privação da desgraça, quer seja no centro da guerra de todos os interesses egoísticos. A vida apenas, nada mais. E vamos aprumar a conversa aqui e aqui. 

 Imagem: Magdalena, do pintor italiano Luca Cambiaso (1527-1585)


Curtindo o álbum Hot House Flowers (Columbia, 1984), do trompetista e compositor norte-americano Wynton Marsalis.

A MULHER CAMPEÃ ERÓTICA – No livro Tantra: o culto da feminilidade – outra visão da vida e do sexo (Summus, 1994), do escritor e professor de yoga belga André Van Lysebeth (10 de outubro de 1919 - 28 de janeiro de 2004), destaco o trecho da parte denominada A mulher campeão erótica: [...] Qualquer mulher frígida é uma atleta sexual que se desconhece, geralmente sufocada pela moral patriarcal, tão repressiva quanto hipócrita. [...] Não há mulheres frígidas, mas apenas homens frigorificantes; os inábeis e, especialmente, os ejaculadores precoce. [...] a mulher pode ser sempre excitada. Fisicamente, ela pode fazer amor todos os dias, durante toda sua vida adulta, mesmo quando está grávida. Sua vida sexual recomeça poucos dias após o parto. Ela pode fazer amor com a frequência que quiser. É extraordinário. Nenhuma femea, de nenhuma espécie sexuada, copula nesse ritmo [...] O sexo lhe proporciona uma intensa voluptuosidade – bem mais do que ao homem -, pois a natureza proveu-a de um clitóris, feixe nervoso ultra-sensível, exclusivamente destinado a eros. Além disso, quatro ou cinco redes venosas muito densas convergem para os músculos genitais e, no amor, esses agregados sensíveis distinguem seu desempenho erótico do do homem. Quando a mulher está excitada, o sangue aflui para os órgãos genitais e para toda a bacia. Então, os feixes nervosos se abrem, os músculos que envolvem o clitóris, a entrada da vagina e o ânus intumescem sob o afluxo de sangue quente. O volume dos tecidos esponjosos que cercam a entrada da vagina triplica, o dos lábios da vulva dobra, e todos os músculos da região genital se enchem de sangue. [...] A princípio, é a parede do útero que palpita, seguida dos músculos da primeira terça parte da vagina, do esfíncter anal, do orifício vaginal e do clitóris. A cada meio segundo, uma nova contração leva sangue da região pélvica para o resto do corpo. O orgasmo é isso. [...] Que o sexo faça parte de nossa espécie não é, portanto, fornicação, depravação, nem luxúria, mas a marca do destino humano. Nossa espécie está destinada ao erotismo, jogo sutil em que o sexo, dissociado, liberto da pulsão procriativa animal, abre para o casal humano o acesso ao espiritual por meio da união total entre dois seres no extase amoroso. Entre os animais, a fêmea se apodera do esperma para ser fecundada, sem mais. Além do gozo imediato, ela não procura fusão alguma num outro plano, como, por exemplo, o da meditação a dois, que se abre para o cósmico entre os seres humanos. [...] toda mulher, por mais comum que seja, encarna a Deusa, é a Deusa, a Mulher absoluta, a Mãe cósmica [...]. Veja mais aqui e aqui.

EMME – No livro African folktales (Schockem, 1983), de Paul Radir, encontro a história de Emme: Emme era uma linda menina. Quando ainda era criança, um homem chamado Akpan quis casar-se com ela, ao chegar o tempo certo. Assim, ele trouxe diversos presentes para os pais de Emnme, como era o costume, e o casamento ficou acertado. Sete anos mais tarde, Emme ficou adulta, e a data do casamento foi marcada. O pai da jovem deu muitos presentes à filha, incluindo uma escrava da mesma idade que a noiva, que os próprios pais venderam como serva. Vestida com belos trajes para a cerimonia, Emme partiu rumo á aldeia do noive, acompanha por sua irmã mais nova e pela escrava. Fazia muito calor, o caminho era longo, empoeirado; por isso, quando chegou a uma fonte perto da aldeia de Akpan, Emme parou para descansar. A escrava sabia que naquela nascente morava um espirito que capturava qualquer pessoa que entrasse na água. Emme e a irmã não sabiam disso; então a escfrava teve uma ideia maldosa e disse: “Senhora, por que não entra na água para se banhar? A nascente é fria e assim poderá refrescar-se antes de chegar à casa de seu marido”. Emme tirou as roupas e entrou na fonte. De repente, a escrava epurrou-a para o fundo, onde o espírito da água agarrou-a. a irmã mais nova de Emme gritou aterrotizada, mas a escrava deu-lhe um tapa. “Silêncio! Daqui em diante eu serei a senhora. Casarei com Akpan em lugar de sua irmã e, se você disser uma palavra a alguém, eu a matarei!” A serva colocou as roupas de Emme, forçou a menininha a carrgar tudo, como se fosse escrava, e logo elas chegaram à aldeia de Akpan. Ele as aguardava com grande expectativa; no entanto, ao ver aquela mulher feia sentiu-se desapontado e intrigado. Emme fora linda quando garota, e ele estranhava agora sua aparência tão grosseira, contudo casou-se com ela como estava planejado. A escrava tonou-se a dona da casa e transformou a vida da irmã de Emme num inferno: mandava que a menina realizasse as piores tarefas, deixa-a passar muita fome, espancava e queimava. [...] Certo dia a falsa esposa mandou a menina buscar água na fonte em que Emme havia desaparecido. A irmã foi até lá, encheu o jarro com água, sentiu que estava pesado demais para carrega-lo e começou a chorar, temendo a surra que levaria [...] A superfície da água abriu-se, e Emme surgiu, vinda das profundezas. Abraçou a irmãzinha, que lhe disse ser surrada sistemanticamente pela escrava. A pobre menina implorou a fim de ir com Emme para o fundo das águas. “Tenha paciência”, disse Emme, “A justiça certamente será feita um dia. Por enquanto, porém, deixe-me ajuda-la com sua carga”. Emme levantou a vasilha de água, desaparecendo em seguida na nascente. [...] No entanto, certa manhã Emme não apareceu. Um caçador da aldeia estava escondido nas imediações, encurralando a caça, e o espíroto da água prevenira Emme para que não viesse à tona, com medo de que o caçador a visse. O choro da menininha tocou tão profundamente Emme, que o espirito da água permitiu-lhe vbir abraçar a irmã. Ao surgir da água para abraçar a irmã, o caçador viu e ficou atônito com a sua beleza. “Quem poderia ser?”, perguntava-se ele. “A garotinha chamou-a de Emme, mas esse é o nome da esposa de Akpan!”. O caçador apressou-se em regressar e contar tudo a Akpan. No dia seguinte, os dois homens esconderam-se perto do laguinho e esperaram. A menina chegou, encheu o jarro com a água e então chamou em voz alta: “Emme, estou aqui. Onde está você, minha querida irmã?”. Emme veio de dentro da água, e Akpan imediatamente a reconheceu. “Essa é a verdadeira Emme! A mulher com quem me casei é uma impostora! Emme deve ter sido capturada pelo espírito da água, sua escrava então roubou-lhe o lugar”. [...] Emme então disse à irmã que fosse ter com a falsa esposa, repreendesse-a e voltasse correndo para a casa da anciã, onde todos estariam esperando por ela. A menininha dirigiu-se até a falsa senhora e bradou: “Você não é Emme. Você é só a escrava de minha irmã! Você é má e será castigada!”. A mulher escrava pegou um pedaço de pau e seguiu a menina até a casa da velha. Quando irrompeu porta adentro, deparou com Emme e Akpan. Este e seu companheiro agarraram a impostora, despiaram-na de seus finos trajes e tornaram-na escrava outra vez. Dali em diante, Emme tratou a falsa patroa da mesma maneira como ela fizera com sua irmã. Emme obrigava a escrava a fazer todo o serviço pesado, espancava-a sem piedade e forçava-a a usar os dedos para acender o fogo. Finalmente, Emme amaroru a malvada a uma árvore até que morresse de fome. A aldeia toda celebrou o retornou de Emme com uma grande festa. Ela e Akpan casaram-se como planejado e viveram felizes pelo restos de seus dias. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

RECEITA DE MULHER & BALADA DAS DUAS MOCINHAS DE BOTAFOGO – Na Antologia poética (José Olympio, 1984), do poeta, compositor e diplomata Vinicius de Moraes (1913-1980), destaco inicialmente, a Balada das duas mocinhas de Botafogo: Eram duas menininhas / Filhas de boa família:/ Uma chamada Marina/ A outra chamada Marília. / Os dezoito da primeira / Eram brejeiros e finos / Os vinte da irmã cabiam / Numa mulher pequenina./ Sem terem nada de feias / Não chegavam a ser bonitas / Mas eram meninas-moças / De pele fresca e macia. / O nome ilustre que tinham / De um pai desaparecido / Nelas deixara a evidência / De tempos mais bem vividos. / A mãe pertencia à classe / Das largadas de marido / Seus oito lustros de vida / Davam a impressão de mais cinco. / Sofria muito de asma / E da desgraça das filhas / Que, posto boas meninas / Eram tão desprotegidas / E por total abandono / Davam mais do que galinhas. / Casa de porta e janela / Era a sua moradia / E dentro da casa aquela / Mãe pobre e melancolia. / Quando à noite as menininhas / Se aprontavam pra sair / A loba materna uivava / Suas torpes profecias. / De fato deve ser triste / Ter duas filhas assim / Que nada tendo a ofertar / Em troca de uma saída / Dão tudo o que têm aos homens: / A mão, o sexo, o ouvido / E até mesmo, quando instadas / Outras flores do organismo. / Foi assim que se espalhou / A fama das menininhas / Através do que esse disse / E do que aquele diria. / Quando a um grupo de rapazes / A noite não era madrinha / E a caça de mulher grátis / Resultava-lhes maninha / Um deles qualquer lembrava / De Marília e de Marina / E um telefone soava / De um constante toque cínico / No útero de uma mãe / E suas duas filhinhas. / Oh, vida torva e mesquinha / A de Marília e Marina / Vida de porta e janela / Sem amor e sem comida / Vida de arroz requentado / E média com pão dormido / Vida de sola furada / E cotovelo puído / Com seios moços no corpo / E na mente sonhos idos! / Marília perdera o seu / Nos dedos de um caixeirinho / Que o que dava em coca-cola / Cobrava em rude carinho. / Com quatorze apenas feitos / Marina não era mais virgem / Abrira os prados do ventre / A um treinador pervertido. / Embora as lutas do sexo / Não deixem marcas visíveis / Tirante as flores lilases / Do sadismo e da sevícia / Às vezes deixam no amplexo / Uma grande náusea íntima / E transformam o que é de gosto / Num desgosto incoercível. / E era esse bem o caso / De Marina e de Marília / Quando sozinhas em casa / Não tinham com quem sair. / Ficavam olhando paradas / As paredes carcomidas / Mascando bolas de chicles / Bebendo água de moringa. / Que abismos de desconsolo / Ante seus olhos se abriam / Ao ouvirem a asma materna / Silvar no quarto vizinho! / Os monstros da solidão / Uivavam no seu vazio / E elas então se abraçavam / Se beijavam e se mordiam / Imitando coisas vistas / Coisas vistas e vividas / Enchendo as frondes da noite / De pipilares tardios. / Ah, se o sêmem de um minuto / Fecundasse as menininhas / E nelas crescessem ventres / Mais do que a tristeza íntima! / Talvez de novo o mistério / Morasse em seus olhos findos / E nos seus lábios inconhos / Enflorescessem sorrisos. / Talvez a face dos homens / Se fizesse, de maligna / Na doce máscara pensa / Do seu sonho de meninas! / Mas tal não fosse o destino / De Marília e de Marina. / Um dia, que a noite trouxe / Coberto de cinzas frias / Como sempre acontecia / Quando achavam-se sozinhas / No velho sofá da sala / Brincaram-se as menininhas. / Depois se olharam nos olhos / Nos seus pobres olhos findos / Marina apagou a luz / Deram-se as mãos, foram indo / Pela rua transversal / Cheia de negros baldios. / Às vezes pela calçada / Brincavam de amarelinha / Como faziam no tempo / Da casa dos tempos idos. / Diante do cemitério / Já nada mais se diziam. / Vinha um bonde a nove-pontos... / Marina puxou Marília / E diante do semovente / Crescendo em luzes aflitas / Num desesperado abraço / Postaram-se as menininhas. / Foi só um grito e o ruído / Da freada sobre os trilhos / E por toda parte o sangue / De Marília e de Marina. Também, o poema Receita de Mulher: As muito feias que me perdoem / Mas beleza é fundamental. É preciso / Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture / Em tudo isso (ou então / Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa). / Não há meio-termo possível. É preciso / Qu tudo isso seja belo. É preciso que súbito / Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto / Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da [aurora. / É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche / No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso / Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas / Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços / Alguma coisa além da carne: que se os toque / Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos / Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro / Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e / Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem / Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então / Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca / Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência. / É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos / Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas / No enlaçar de uma cintura semovente. / Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras / É como um rio sem pontes. Indispensável / Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida / A mulher se alteie em cálice, e que seus seios / Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca / E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas. / Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral / Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal! / Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas / E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem / No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. / É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio / Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!) / Preferíveis sem dúvida os pescoços longos / De forma que a cabeça dê por vezes a impressão / De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre / Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos / Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face / Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior / A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras / Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes / E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e / Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão / Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta / Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros. / Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos / Ao abri-los ela não mais estará presente / Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá / E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber / O fel da dúvida. Oh, sobretudo / Que ele não perca nunca, não importa em que mundo / Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade / De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma / Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre / O impossível perfume; e destile sempre / O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto / Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina / Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição / Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável. Veja mais aqui, aqui e aqui.
 
VARGAS – Na peça teatral Vargas ou Dr. Getúlio: sua vida e sua glória (Civilização Brasileira, 1983) do escritor e dramaturgo Dias Gomes (1922-1999) e do poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta maranhense Ferreira Gullar, destaco o trecho inicial: A ação transcorre toda ela, na quadra de uma escola de samba. É um grande pátio, onde não há móveis, utensílios de espécie alguma. A quadra está cheia de gente. Fantasiados uns, outros não. São elementos da escola. Todos estão de costas para a plateia e assim entoam pela primeira vez o samba-eneredo, em boca chiusa. Simpatia volta-se e se dirige à plateia. É o presidente da escola. Um tipo sorridente, comunicativo, envolvente. Quando não está desfilando de Getúlio, é mais exuberante de gestos, mais largado no andar. Seu apelido define sua característica fundamental de sua personalidade: a simpatia algo malandra e irresistível. SIMPATIA – Boa noite, minha gente, desculpe se antes do samba venho deitar falação. Mas pra coisa ter sentido, ficar tudo esclarecido, faz falta uma explicação. É preciso esclarecer – para evitar confusão, pra ninguém dizer que viu o que não viu ou quis ver – que é apenas um ensaio o que aqui vamos fazer. Só um ensaio do enredo com que vamos desfilar no carnaval deste ano. Isso se Deus permitir e se a policia deixar, e a gente sair do cano em que acabamos de entrar. Só uma parte das alas foi chamada a ensaiar. É o pessoal responsável pelo desfile na pista. Isto é somente uma amostra pra convidado e turista. [...] E o enredo é esse mesmo – ninguém vai modificar o que já está na História – e pra quem ainda não sabe se chama: Dr. Getulio, sua vida e sua glória. O destaque do Getúlio – me perdoem a imodéstia – é feito aqui pelo degas. Sou presidente da escola, exigi a regalia: afinal, somos colegas... no cargo, na sorte não, pois ele, no fim, se mata, com um tiro no coração [...] Tem ainda o Bejo Vargas e o Gregório Fortunato que era o chefe da guarda pessoal do presidente, a filha deste, Alzirinha, que é o destaque principal, é coisa sem discussão: vai ser feita pela minha protegida, a Marlene, cque como atriz de teatro é uma revelação. Até Isabel Ribeiro perde dela de montão! E antes de terminar quero aqui apresentar o autor do nosso enredo. Ele mais a comissão estudaram, pesquisaram, leram livro de dar medo. (AUTOR cumprimenta a plateia). É o nosso dramaturgo, é o nosso Chakispir, e nisso não vai deboche, se não tem nome em letreiro tem mais público decerto que muito autor brasileiro. Eu você com ele que é quem vai comandar, e vou pro meuy lugar, a todos muito obrigado (SAI). Veja mais aqui, aqui e aqui.

BACK STREET – O filme Back Street (1961), dirigido por David Miller, é baseado no romance homônimo da escritora estadunidense Fannie Husrt (1889-1968), que teve duas versões anteriores, em 1932, dirigido por John M. Stal e, a segunda, de 1941, dirgida por Robert Stevenson. A obra conta a história de uma mulher que deseja se tornar uma figurinista famosa, até que um dia ela conhece um jovem que é dono de uma cadeia de lojas de departamentos, e os dois se apaixonam. Ela descobre que ele é casado e começam seus problemas, já que a esposa dele, não tem pretensão de lhe dar o divórcio. Ele decide se afastar dele, mas o casal volta a se encontrar quando ela parte em viagem e mesmo sabendo das dificuldades, ela resolve aceitar ser a amante dele. O destaque do filme vai para a sempre bela atriz estadunidense Susan Hayward (1917-1875). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do pintor do Romantismo francês Henri Fantin-Latour (1836-1904)


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Crônica de Amor, a partir das 21 horas (horário de verão), com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .


VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, outubro 26, 2009

VINICIUS DE MORAES, BIOLOGIA DO AMOR DE MATURANA, TARKOVSKI, MAKI ISHII, ANNE BRONTË, CRAVEIRINHA, VARELA, WALKER PERCY, IAN FLEMING & EDUCAÇÃO INCLUSIVA


A arte do compositor japonês Maki Ishii (1936-2003), que compôs obras para instrumentos japoneses e ocidentais, como para orquestra sinfônica, tendo sua obra interpretada pelo grupo taiko Kodo.

SÓ A POESIA TORNA A VIDA SUPORTÁVEL - UMA: ENTOO O POEMA PARA UM PAÍS QUE NÃO EXISTE - O meu povo não sabe o que é direito nem justiça, escravo que é do passado e do mando escravocrata – símbolo de que nada aqui é real e a mentira se sobressai na hipocrisia dos que se escondem entre o certo e o errado. Meu país ainda será um dia uma nação, ainda é colônia imensa que esconde suas diferenças numa cortesia de jamais. Sou a voz de José Craveirinha: Eu! Homem qualquer / cidadão de uma nação que / ainda não existe. E sou todos os brasis! DUAS: CANTO E SOU - Assim eu canto e nele me levo como num verso de Arseny Tarkovski: Basta-me minha imortalidade,/ o fluir de meu sangue de uma para outra era,/ mas em troca de um canto quente e seguro/ daria de bom grado minha vida,/ conquanto sua agulha voadora/ não me arrastasse, feito linha, mundo afora. E se a minha voz não chega a lugar algum, pelo menos, é em mim que me faz viver. TRES: JUNTANDO AS COISAS NUMA SALADA DE CALDEIRÃO –  Como sou pouco e muitos, tudo são pedaços, fragmentos soltos que junto como um quebra-cabeça. Às vezes sem pé nem cabeça, seguindo Francisco Varela: Estou interessado em estabelecer correlações empíricas entre um interesse de longa data na prática budista e no trabalho científico. Se a nada chego, nada sou, nada demais, eu vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - A busca é o que qualquer um empreenderia se não afundasse no cotidiano de sua própria vida. Tornar-se consciente da possibilidade da pesquisa é fazer algo. Não estar em algo é estar em desespero. Pensamento do escritor estadunidense Walker Percy (1916-1990).

ALGUÉM FALOU: Uma vez é acidente, duas é coincidência, e três é ação do inimigo. Você só vive duas vezes: Uma quando nasce, e outra quando encara a morte. Sou poeta em atos, não muitas vezes em palavras. Pensamento do escritor e jornalista britânico Ian Fleming (1908-1964).

ALGUÉM FALOU DE NOVO: Mas aquele que não se atreve a agarrar o espinho nunca deve almejar a rosa. Pensamento da escritora britânica Anne Brontë (1820-1849).

A BIOLOGIA DO AMOR – [...] A biologia do amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no prazer de estar onde está na confiança de que é acolhido, seja pelas circunstâncias, seja por outros seres vivos. No caso dos seres humanos, isto é central na relação do bebê com sua mãe, com seu pai, com seu entorno familiar, que o vai permitir crescer como uma criança que vai ser um adulto que se respeita por si mesmo. [...] Se você observa a história de crianças que se transformam em seres, chamemos assim, antissociais, vamos descobrir que sempre tem uma história da negação do amar, de ter sido criado na profunda violação de sua identidade, na falta de respeito, na negação de seu ser. [...]. Pensamento do neurobiólogo chileno Humberto Maturana, criador da teoria da autopoiese e da biologia do conhecer, propondo o pensamento sistêmico e construtivismo radical, na defesa de uma visão interdisciplinar, integrada e interdependente da realidade: o ser vivo, os objetos e o ambiente estão em constante relação e devem ser estudados como um todo. Nessa abordagem, ciência, subjetividade, espírito e o amor caminham juntos, com proposições que são encontradas em suas obras, tais como Formação humana e capacitação (Vozes, 2000), Ontologia da realidade (UFMG, 1997) e Emoções e linguagem na educação e na política (UFMG, 2009). Veja mais aqui, aqui e aqui.

POEMA DE NATAL - Para isso fomos feitos: / Para lembrar e ser lembrados / Para chorar e fazer chorar / Para enterrar os nossos mortos - / Por isso temos braços longos para os adeuses / Mãos para colher o que foi dado / Dedos para cavar a terra. / Assim será a nossa vida: / Uma tarde sempre a esquecer / Uma estrela a se apagar na treva / Um caminho entre dois túmulos - / Por isso precisamos velar / Falar baixo, pisar leve, ver / A noite dormir em silêncio. / Não há muito que dizer: / Uma canção sobre um berço / Um verso, talvez, de amor / Uma prece por quem se vai - / Mas que essa hora não esqueça / E por ela os nossos corações / Se deixem, graves e simples. / Pois para isso fomos feitos: / Para a esperança no milagre / Para a participação da poesia / Para ver a face da morte - / De repente nunca mais esperaremos... / Hoje a noite é jovem; da morte, apenas / Nascemos, imensamente. Poema do poeta, dramaturgo, jornalista, compositor e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.



O PROFESSOR E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA - A promulgação da Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, introduziu o art. 59, correspondente à educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Conforme trata o art. 2.º, quando apresenta que a educação é um dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, com a finalidade voltada para o pleno desenvolvimento do educando, o seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, traz a observância no item III do art. 59, que assegurará aos educandos com necessidades especiais "professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns" (Brasil, 1999:70). Entende-se que os educandos com necessidades especiais, são aqueles que possuem necessidades incomuns e, que por isso, diferentes dos outros alunos no que concerne às aprendizagens curriculares compatíveis com suas idades. Em virtude desta particularidade, estes alunos necessitam de recursos pedagógicos e metodológicos mais apropriados. Desta forma, a lei determina que todas estas crianças têm o direito a um atendimento educacional especializado, ocupando espaço em classes normais, ao lado das outras crianças, proporcionando uma prática de inclusão. É neste sentido que se direciona o presente estudo de pesquisa, pautado na temática que envolve "o professor e a inclusão" buscando modestamente participar dos debates pertinentes ao assunto em tela, considerando sua aplicação, peculiaridades e atendimento na rede escolar pública.
O PROFESSOR - O professor tem assumido o compromisso pedagógico de participar do processo de inclusão social através do desenvolvimento de atividades educativas que possibilitem o preparo de estudantes à vida e ao trabalho. É conveniente observar preliminarmente, que a inclusão tem sido o desafio daqueles que priorizam a qualidade do ensino regular com a aprendizagem no centro das atividades e a meta no sucesso dos alunos, proporcionando-lhes o pleno exercício da cidadania, conforme preceitua a LDB 9.394/96. Tal compromisso implica na absorção de mudanças nos papéis desempenhados pelos membros da organização escolar, no sentido de criticamente articular o estudante à aprendizagem e à vida participativa na sociedade e no seu meio, através do reconhecimento da diversidade dos talentos humanos e a valorização do trabalho de cada pessoa, compartilhando o saber e proporcionando um processo emancipatório de cidadania. Neste sentido é que se tem buscado viabilizar novas alternativas para melhoria do ensino, no sentido de se apresentar esforços mais contundente no atual cenário de competitividade e competência entre a clientela heterogênea que participa da sala de aula, inclusive, com a inserção de alunos com déficits temporários ou permanentes, garantindo o direito ao acesso de todos à educação. É necessário mencionar que trabalhar esta heterogeneidade requer capacitação e qualificação conveniente. Neste sentido, questiona-se de que forma o professor foi capacitado, se este se encontra qualificado para desempenhar suas funções, se a escola oferece recursos e estímulos incentivadores para o melhor desempenho do trabalho docente com alunos especiais, se a escola está configurada com o que preceitua os ditames que proporcionam a inclusão de forma eficiente e eficaz, se se encontram aptas para responder às necessidades de alunos com deficiência no atendimento através da educação especial, bem como que alternativas e práticas pedagógicas podem ser adotadas para possibilitar a inclusão de alunos especiais, dentre outras questões que serão abordadas no presente estudo de pesquisa.
A EDUCAÇÃO E A LDB: A CIDADANIA E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - A educação tem assumido importante papel nas pautas de discussões mundiais, depois, principalmente, da Conferência Mundial de Educação para Todos, realizada em março de 1990, em Jontien, na Tailândia, onde foram debatidas as necessidades de se compreenderem tanto os instrumentos fundamentais da aprendizagem, como a alfabetização, a expressão oral, a aritmética e a solução de problemas; quanto o conteúdo básico da aprendizagem nos  conhecimentos, capacidades, valores e atitudes, de que necessitam os seres humanos para sobreviver, desenvolver plenamente suas possibilidades, viver e trabalhar dignamente, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar sua qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo. Essa importância da educação se reproduz no encaminhamento de propostas, revalorização e restauração de realidades, possibilitando um refazer paradigmático adequado às novas realidades proporcionadas pela pós-modernidade, no sentido de acompanhar a velocidade transformadora que caracteriza o tempo presente com as suas mutações constantes e peculiares, exigindo de cada um que se encontre antenado com a habilidade especializada, para que o indivíduo possa agir tanto na direção de metas individuais, quanto na coletividade e no seu meio. Neste tocante, observa Arroyo (1999:36) que A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos instrumento de conquista da liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. Desta forma, a educação se reposiciona no sentido de alcançar uma amplitude multicultural, se propondo a analisar, criticamente, os currículos monoculturais atuais e procurando formar criticamente os professores, para que mudem suas atitudes diante dos alunos mais pobres ou com problemas de aprendizagem, e elaborarem estratégicas instrucionais próprias a educação das camadas populares, procurando, antes de mais nada, compreendê-las na totalidade de sua cultura e de sua visão de mundo. Ou seja, como bem diz Gadotti (2000:42) "uma estratégia de alfabetização, numa concepção multicultural, deveria partir do relato da experiência do trabalho e de vida deles mesmos, isto é, da biografia dos próprios educandos e não do desenho das letras que é uma técnica anticientífica". Além disso, a educação se articulando com uma política de formação para os direitos humanos, inicialmente centrada no mero estudo e conhecimento dos direitos humanos, e em sua difusão, derivando posteriormente para uma necessidade de aprofundar na matéria. Mais ainda, na ampliação do debate de sua função para a igualdade, na necessidade de propor mudanças mais profundas, que partam da aceitação do próprio sexo, dos diferenciais raciais, das potencialidades e das limitações pessoais, do conhecimento do outro e a convivência enriquecedora de ambos, em condições reais de igualdade de oportunidades. Isso, enfim, levando a um processo que se destine ao desenvolvimento, inicialmente ligada ao âmbito da cooperação, que não se isole dos problemas mais diretamente e amplamente observados, na tentativa de compreender os conflitos se socorrendo de uma explicação global, o que demanda uma resposta cultural diferente, um novo comportamento de indivíduos e sociedades em relação a outras culturas, opondo-se a toda manifestação de discriminação e violência, em favor da justiça (Gadotti, 2000; Yus, 1998; Bordenave & Pereira, 1977). Assim, a escola, neste sentido,  na observação de Gaddotti (2000:41) "(...) precisa atuar num cenário policultural numa época de globalização da economia e das comunicações, de acirramentos das contradições inter e intrapovos e nações, época do ressurgimento do racismo e de certo triunfo do individualismo" necessitando, portanto, de uma educação, uma ética e uma cultura da diversidade. Tal colocação chama a atenção para que nesse contexto global, duas dimensões, a seu ver, devem ser destacadas, dentre as quais, a dimensão interdisciplinar, experimentando a vivência de uma realidade global que se inscreva nas experiências cotidianas do aluno, do professor e do povo, articulando o saber, o conhecimento, a vivência, a escola, a comunidade, o meio ambiente, que é o objetivo da interdisciplinaridade traduzida na prática por um trabalho escolar coletivo e solidário; e uma dimensão internacional, engajando as crianças e adolescentes para viver no mundo da diferença e da solidariedade entre diferentes, preparando o cidadão para participar de uma sociedade planetária, sendo local, como ponto de partida, internacional e intercultural como ponto de chegada (Gadotti, 2000). Neste sentido, defende-se que a escola não deve apenas transmitir conhecimento, mas, também, preocupar-se com a formação global dos alunos, numa visão onde o conhecer e o intervir no real se encontrem. Para isso é preciso saber trabalhar com as diferenças, isto é, é preciso reconhecê-las, não camuflá-las, e aceitar que para se conhecer, precisa-se conhecer o outro. Assim, a escola precisa fazer a síntese entre continuidade e ruptura em relação à cultura de massa, partindo para respeitar a identidade cultural das crianças e adolescentes populares (Gadotti, 2000). É nesta direção que se encaminha o processo educacional para exercício da cidadania, na aquisição de uma consciência de direitos e deveres consignados no processo democrático, construída como um  processo oriundo da prática social e política das classes. Neste sentido, Arroyo (1999:79) defende que "a luta pela cidadania, pelo legítimo, pelos direitos, é o espaço pedagógico onde se dá o verdadeiro processo de formação e constituição do cidadão. A educação não é uma precondição da democracia e da participação, mas é parte, fruto e expressão do processo de sua constituição". O que quer dizer que o conhecimento, a informação e uma visão mais ampla dos valores, são a base para a cidadania em sociedades plurais, cambiantes e cada vez mais complexas, nas quais a hegemonia do Estado, dos partidos ou de um setor social específico tende a ser substituída por uma pluralidade de instituições em equilíbrios instáveis, que envolvem permanente negociação dos conflitos para estabelecer consensos. (Mello: 1998). A necessidade de se voltar as atenções para a cidadania frente a era de competitividade atual que provoca uma luta desigual entre os indivíduos, via aprimoramento, competência e qualificação, traz à lume uma série de questionamentos necessários ao resgate do cidadão mediante as mudanças implementadas pela política da nova ordem expressa através da globalização, vez que os mercados precisam de indivíduos preparados que sejam capazes de desempenhar todo o tipo de atividades e tarefas que definam as novas formas de trabalho, pelo fato que, indivíduos com um nível mais alto de formação, são os que melhores se adaptam às exigências de um mercado de trabalho mutante. O compromisso com a construção da cidadania pede, necessariamente, uma prática voltada para a compreensão da realidade e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal inserida na coletividade e, consequentemente, com o seu meio. Isso se reflete de forma tal, no sentido de que o homem não pode mais pensar na vida ou no seu bem-estar, prescindindo de inerências fundamentais que estão peculiarmente interligadas ao seu convívio social, político, educacional, ambiental, dentre outras. E a educação tem sido fortalecida nessa busca de encontro entre a realidade e a consciência cidadã. Neste sentido, observa Bordenave & Pereira (1977:78) que: (...) a educação é um processo social indispensável à formação da mentalidade dos cidadãos de uma sociedade e, assim, inequivocamente, fundamental para a construção das estruturas cognitivas (no nível do indivíduo) e conceituais (no nível da produção social do conhecimento) que lastreiam o desenvolvimento de uma sociedade. Isto quer dizer que será necessário um redimensionamento na exploração das potencialidades produtivas individuais arregimentadas para uma consciência cidadã que qualifique o atual modelo e consagre a liberdade e a igualdade como meio de alcançar o fim educacional no desenvolvimento almejado. E, diante desse fato, a educação é convocada, prioritariamente, para expressar uma nova relação entre o desenvolvimento e os diversos fatores que possam contribuir para associar o crescimento econômico à melhoria da qualidade de vida sem prejuízo à consolidação dos valores humanos. A educação, portanto, vai se dirigindo a levar o ser a um ato cognoscente, tornando indispensável o diálogo, a crítica fundada na criatividade, estimulando a reflexão e ação verdadeira dos homens sobre a realidade, atenta às mudanças e que corresponda à condição dos homens no contexto do exercício da cidadania. Assim, defende Ferreira (1993:221) que "a educação para a cidadania precisaria empenhar-se em expurgar de cada homem as crenças, as fantasias, as ilusões e, quem sabe, as paixões que em nada contribuem para o desenvolvimento de uma consciência crítica". Com isso, observa, então, que as pessoas precisam do conhecimento sistemático para chegar a ser cidadãos, tratando que a cidadania vai além da aquisição do conhecimento de conteúdos sistematizados, necessitando a racionalidade técnica, com o interesse de dominação, ligada aos princípios epistemológicos do positivismo, trabalhando com os pressupostos da predição e controle, com o pressuposto do consenso social; a hermenêutica, cujo interesse é a comunicação, filiada à perspectiva da fenomenologia, na qual o binômio intencionalidade/significação é o ponto fundamental; e a emancipatória, cujo interesse básico é a libertação do homem, e avança na crítica às relações sociais, nas quais se estabelecem os óbices à emancipação dos homens: as relações de poder, as normas e as significações elaboradas pelo próprio sistema. Assim, a cidadania aparece como o resultado da comunicação intersubjetiva, através da qual indivíduos livres concordam em construir e viver numa sociedade melhor (Ferreira, 1993; Giroux, 1986). Mediante isso, destaca-se que educar o homem para a cidadania, significa, então, prepará-lo para viver em sociedade de classe, seguindo padrões de uma política necessária à existência de um mínimo de consenso social. Neste sentido, apreende-se que o homem precisará estar sintonizado de forma equilibrada consigo e com o seu ser, enquanto indivíduo coletivo, agindo interativamente e sendo co-responsável por seus aspectos positivos e negativos advindos das metaformoses da atualidade.
A EDUCAÇÃO PARA A VIDA E PARA O TRABALHO - Com a promulgação da Constituição Federal do Brasil de 1988, principalmente, a partir do seu art. 205, que define as regras que regerão as coisas afeitas à educação e que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento do cidadão, preparando-o para a cidadania e qualificando-o para o trabalho. Tais determinações levaram à Lei 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, reafirmando que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. O que quer dizer que fica especificado que as práticas sociais e políticas e as práticas culturais e de comunicação, são integrantes do exercício do cidadão. Inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, a presente LDB passou a ter a finalidade de desenvolver o educando de forma a prepará-lo para o exercício da cidadania e sua qualificação para a vida e para o trabalho. A sua característica fundamental é tratar a educação delineando princípios norteadores suficientemente maleáveis para que o ensino aconteça em cada momento e em cada local de acordo com as condições necessárias e características próprias, valorizando a integração da escola com o mundo real e do trabalho, além do aproveitamento pela escola, de todo e qualquer conhecimento ou habilidade adquiridos pelo educando em sua vida (Dornas,1997). Tal lei, entretanto, defende que a aprendizagem não esteja condicionada apenas a conteúdos específicos da pedagogia tradicional, mas que além da instrução conteudística de um currículo pré-estabelecido, estejam presentes, transversalmente, temas outros que possibilitem a formação do sujeito, a globalização do conhecimento, a preparação para o trabalho e o exercício da cidadania. Neste tocante, comenta Carneiro (1998:10) que: O texto da 9394/96 oferece um espaço de flexibilidade para que os sistemas de ensino operem, criativamente os seus ordenamentos. A lei respalda a prática da autonomia pedagógica e administrativa e da gestão financeira como condição para a escola executar, realmente, o seu projeto pedagógico. A lei abrangente como se constata, trata dos princípios básicos, da estrutura do ensino, do calendário escolar, da incumbência de todos, da gestão democrática no ensino público, da competência do estabelecimento de ensino, da educação infantil, passando pela educação especial, à distância e experimental, até o superior, calcada na estética da sensibilidade, na política da igualdade e na ética da identidade, orientando, assim, as escolas pelos valores apresentados nos fundamentos de interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, no respeito ao bem comum e à ordem democrática e no fortalecimento dos vínculos da família, os laços de solidariedade humana e tolerância recíproca. Com isso, a escola proposta será aquela que se direcionará a produzir cidadãos e cidadãs alfabetizadas na compreensão, na atitude crítica e no uso de linguagens várias, dentre elas as audiovisuais e as da informática, no contexto de indivíduos com um conhecimento cultural de base que lhes permita situar a informação e dar-lhe sentido, como, por exemplo, o de integrarem-se a um mercado de trabalho possibilitando o processo de inclusão, além de se tornarem mais solidários e tolerantes. E, neste sentido, a LDB se organiza a partir dos princípios da estética da sensibilidade, que estimula a criatividade, o espírito inventivo, a curiosidade pelo inusitado, a afetividade para facilitar a constituição de identidades capazes de suportar a inquietação, conviver com o incerto, o imprevisível e o diferente; a política da igualdade, no reconhecimento dos direitos humanos e exercício dos direitos e deveres da cidadania como fundamento da preparação do educando para a vida civil com condutas de participação e solidariedade, respeito e senso de responsabilidade, pelo outro e pelo público; e a ética da identidade, que se constitui a partir da estética e da política, para o ideal do humanismo num processo de construção de identidades, pelo desenvolvimento da sensibilidade e pelo reconhecimento do direito à igualdade, além do reconhecimento da identidade própria e do outro. Sedimentada a partir destes pressupostos, a LDB dedica do art. 58 ao 60, todo aparato legislativo para desenvolvimento da educação especial, como sendo a modalidade de educação escolar oferecida preferencial para educandos portadores de necessidades especiais. Tais artigos tratam do atendimento educacional, da oferta, do sistema através de currículos, métodos, técnicas, recursos, dentre outros, visando a terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido, bem como da formação para o trabalho visando a efetiva integração na vida em sociedade e o acesso igualitário aos benefícios. Será, portanto, desenvolvido, em seguida, todo o processo de desenvolvimento da educação especial no sentido de que possibilite a inclusão do portador de deficiências físicas no contexto educacional.
O PROFESSOR NO PROCESSO DE INCLUSÃO – O professor é o sujeito do processo de produção do conhecimento e uma referência para o aluno, tendo em vista o seu papel na construção do conhecimento, na formação de atitudes e valores do futuro cidadão que se forma dentro de uma sala de aula. Neste tocante, é importante que o docente esteja desenvolvendo o exercício constante de reflexão e o compartilhamento de idéias, sentimentos e ações, acompanhado do aprimoramento e atualização dos seus conhecimentos e formação, que seja capaz de se conceber como agente de mudanças do contexto social, com uma atuação comprometida com as condições da escola e com a qualidade de sua formação acadêmica, evitando os efeitos insatisfatórios das práticas docentes perante a complexidade e impulsionando a busca de novos saberes que, ao se cruzarem podem emitir sinais para a melhor compreensão da escola e da prática nela realizada. Nesta tarefa, o professor vai enfocando o processo de desenvolvimento com o objetivo próprio do processo de reconstrução e reconstituição da experiência, caminhando na direção da melhoria do processo permanente da eficiência individual. É preciso, então, entender que a prática do professor, embora individual, sempre estará carregada das condições político-sociais e institucionais, acompanhada sempre da compreensão do contexto, numa visão mais ampla e alargada que deve estar presente na reflexão sobre sua prática, além de seus esforços objetivando uma mudança de prática individual que se articule com a mudança de sua situação profissional. Assim, à medida que reflete sobre a sua ação, sobre sua prática, sua compreensão se amplia, ocorrendo com análises, críticas, reestruturação e incorporação de novos conhecimentos respaldando o significado e a escolha de ações posteriores, sempre com o questionamento intrínseco de se saber por que ensina, para que ensina, para quem e como ensina, ou sejam, o professor precisa refletir sobre os objetivos e as conseqüências do seu ensino desde a formação, robustecido das qualidades essenciais na capacidade de solidarizar-se com os educandos, a disposição de encarar dificuldades como desafios estimulantes, a confiança na capacidade de todos de aprender e ensinar, conhecendo os educandos, suas expectativas, cultura, características e problemas e suas necessidades de aprendizagem, buscando conhecer cada vez melhor os conteúdos a serem ensinados, atualizando-se constantemente. É preciso que professor tenha sempre em mente a necessidade de refletir permanentemente sobre sua prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la, com uma especial sensibilidade para trabalhar com a diversidade, favorecendo a autonomia dos educandos, estimulando-os a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, ajudando-os a tomar consciência de como a aprendizagem se realiza. Em sua prática, é preciso que se mantenha altivo e flexível na condução de discussões,  tornando-se relevante os aspectos de levantar problemas e questões desafiantes que levem o grupo discutir e trazer à tona às informações contidas na aula; recuperando conhecimentos, assuntos e temas já vistos em etapas anteriores, fazendo conexões entre informações e conceitos; estabelecendo relações com outras áreas de conhecimentos; contrapondo as hipóteses diferentes dos alunos, fazendo com que eles defendam seu ponto de vista e argumentem a favor dele utilizando textos e materiais que sirvam de fonte para intermediar a discussão; trazendo e comparando hipóteses iniciais apresentadas pelos alunos com as informações posteriormente pesquisadas e analisadas nos diversos materiais pesquisados;  apresentando e analisando o mesmo fenômeno ou fato a partir de diferentes interpretações ou pontos de vista; fazendo generalizações procurando articular diversas informações; problematizando para que os alunos possam apresentar novas hipóteses. Desta forma, introduzindo o caráter regional do ensino e o fortalecimento da cidadania, da solidariedade e do respeito ao outro, para que os alunos sintam-se cidadãos de seu próprio país e cidadãos do mundo, possibilitando que eles participem com as características como a cooperação, a interatividade e o respeito às diferenças que são aspectos que precisam ser priorizados em todas as instâncias e setores educacionais. Ademais, o professor precisa ter a consciência de que sua ação profissional competente trabalhando, vez que a formação de qualidade dos docentes deve ser vista em um amplo quadro de complementação às tradicionais disciplinas pedagógicas e que, inclui entre outros, um razoável conhecimento em variadas e diferenciadas atividades de aprendizagem. Isto quer dizer que é preciso que ele tenha conhecimentos razoáveis e que esteja preparado para interagir e dialogar junto com seus alunos com outras realidades fora do mundo da escola. Mais ainda que, em um mundo que muda rapidamente, o professor deve estar preparado para auxiliar seus alunos a analisarem situações complexas e inesperadas a desenvolverem suas criatividades; a utilizarem outros tipos de racionalidades, tais como a imaginação criadora, a sensibilidade táctil, visual e auditiva, dentre outras. O respeito às diferenças e o sentido de responsabilidade são outros aspectos básicos que o professor deve estar preparado para trabalhar com seus alunos, para aprenderem a ser, ambos, professor e alunos, cidadãos do país e do mundo, como um dos principais objetivos da educação atual. Essas competências não excluem a obrigação primordial do professor e do ensino que é a de promover uma sólida formação nas disciplinas básicas e uma boa cultura geral, encarando a si mesmo e seus alunos como uma equipe de trabalho com desafios novos e diferenciados a vencer e com responsabilidades individuais e coletivas a cumprir no respeito mútuo, na colaboração e no espírito interno de grupo. Assim, portanto, o professor assume a postura de um incansável pesquisador, que reinventa a cada dia, que aceita os desafios e a imprevisibilidade da época para melhorar-se cada vez mais e que procura conhecer-se para definir seus caminhos a cada instante.  Com isso, precisa saber orientar os educandos sobre onde colher informação, como tratá-la e como utilizá-la, como um encaminhador de autopromoção e conselheiro da aprendizagem dos alunos, estimulando o trabalho individual e apoiando sempre o trabalho de grupos. Numa apropriada observação, Mercado (1999:91/3) traçou o perfil do professor e as exigências de sua formação, que deve levá-lo a ser: (...) Comprometido com as transformações sociais e políticas, com o projeto político-pedagógico assumido com e pela escola; competente, evidenciando uma sólida cultura geral que lhe possibilite uma prática interdisciplinar e contextualizada, dominando novas tecnologias educacionais; crítico que revele, através da sua postura, suas convicções, os seus valores, a sua epistemologia e a sua utopia, fruto de uma formação permanente; aberto à mudanças, ao novo, ao diálogo, à ação cooperativa e que contribua para que o conhecimento das aulas seja relevante para à vida teórica e prática dos estudantes; exigente e que promova um ensino exigente, realizando intervenções pertinentes, desestabilizamdo e desafiando os alunos para que desencadeie a sua ação reequilibradora; e interativo, que concorra para a autonomia intelectual e moral dos seus alunos trocando conhecimentos com profissionais da própria área e com os alunos, no ambiente escolar, construindo e produzindo conhecimento em equipe, promovendo a educação integral, de qualidade, possibilitando ao aluno, desenvolver-se em todas as dimensões: cognitiva, afetiva, social, moral, física, estética. E assim, articulado com uma proposta que se baseie em princípios educacionais construtivistas, pautada na cooperação, na autonomia intelectual e social, na aprendizagem ativa e na cooperação propiciando o desenvolvimento global de todos os alunos, bem como a capacitação e o aprimoramento profissional dos professores, que o professor desenvolverá importante papel na inclusão que implica no envolvimento, no fazer parte, no pertencer, de seus alunos. Ou seja, por inclusão, deve-se entender como ação que envolve quem estar excluído por falta de condições adequadas, significando trazer para dentro de um conjunto alguém que já faz parte dele. E como disse Fávero (2002), "a educação é um dos pilares para alcançarmos essa almejada sociedade inclusiva. É começando pelas crianças, com a conscientização delas sobre as diversidades que as necessidades especiais de alguns alunos passarão a ser vistas como devem ser, como algo natural, que faz parte da natureza humana". Isto de conformidade com a Resolução n.º 2, de 11 de setembro de 2001, do Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação Básica, que institui as diretrizes nacionais sobre a educação especial na educação básica. Esta inclusão ocorrendo, conforme D'Antino (1998:16) observa que: Pode-se dizer que a integração é um processo bilateral que pressupõe a participação e a ação compartilhada, ao mesmo tempo dividida e somada. É um movimento de conquista de espaço, interno e externo, tanto daquele que pertence ao chamado grupo minoritário quanto dos demais membros participantes da comunidade. Isto quer dizer que é necessário refletir sobre a integração da pessoa com deficiência mental implica necessariamente repensar o sentido atribuído à educação e em atualizar as concepções e dar significado aos propósitos educacionais, compreendendo a complexidade e a amplitude que envolvem o processo de construção de cada indivíduo, seja ou não deficiente. Carvalho (1999d:51) trata que: A educação inclusiva é anunciada como a forma mais recomendável de atendimento educacional para os alunos que apresentam, deficiência, altas habilidades e condutas típicas de síndrome. É identificada hoje, como o caminho eficiente para a construção da cidadania e da participação social em consonância com a perspectiva da educação para todos e com todos. A seu ver, os parâmetros curriculares nacionais constituem referências válidas para guiar a educação dos alunos com necessidades especiais e, também, para todos os demais alunos, tendo em vista que os seus pressupostos, objetivos e indicações consideram questões pedagógicas atuais, admitindo a pluralidade de concepções pedagógicas e do fazer educativo, de forma a atender à diversidade dos alunos na escola e às particularidades de sua cultura. Além disso, a vivência escolar tem demonstrado que a inclusão pode ser favorecida quando se observam as seguintes providências: preparação e dedicação dos professores; apoio especializado para os que necessitam; e a realização de adaptações curriculares e de acesso ao currículo, se pertinentes. (Carvalho, 1999d). Foi, portanto, a partir de tais questionamentos que, para melhor embasamento no presente estudo de pesquisa, foi realizado uma pesquisa de campo, na tentativa de investigar a real situação do professor que atua com PNE's nas escolas públicas de Alagoas, com o objetivo de contribuir para uma atuação mais adequada junto à sua clientela, identificando a problemática significativa apresentada pelos professores, face a necessidade de adaptação a esta realidade.
CONCLUSÃO - Considerando o que foi visto no decorrer do presente trabalho investigatório, chegou-se a entender que a escola precisa ser um espaço de democratização, onde a sua gestão, o seu fim, o seu serviço à comunidade, a sua horizontalidade nas relações interpessoais, possibilitem consolidar os eixos norteadores de uma escola que se possa denominar cidadã, pela integração entre a educação e cultura, a escola e a comunidade, entre as relações de poder dentro da escola no enfrentamento das mais diversas questões inclusivas, com uma visão interdisciplinar e na formação permanente de seus educadores. Neste sentido, se expressa Mello (1998:36) que "espera-se da escola, portanto, que contribua para a qualificação da cidadania, que vai além da reivindicação da igualdade formal, para exercer de forma responsável a defesa de seus interesses". Isto quer dizer que a a autonomia e a gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza do ato pedagógico, como uma exigência de seu projeto político-pedagógico exigindo uma mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade escola, mudança que implica deixar de lado o velho preconceito de que a escola pública é apenas um aparelho burocrático do Estado e não uma conquista da comunidade. Por outro lado, torna-se imprescindível que a escola esteja preparada para lidar com as diferenças, que ofereça oportunidades de atendimento educacional que prevejam as necessidades, as limitações, as potencialidades e os interesses de cada aluno, ou seja, individualizando o ensino de acordo com sua necessidade específica, entendendo que cada indivíduo, com personalidade própria e padrões específicos de desempenho, é dotado de um potencial que, convenientemente orientado, pode permitir a sua auto-realização. A construção de uma sociedade inclusiva que estabeleça um compromisso com as minorias, dentre as quais se inserem os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, merecem, na observação de Carvalho (1999:18) um atendimento capacitado e qualificado, de formas que: (...) às pessoas portadoras de deficiência, cujos direitos de cidadania têm sido desrespeitados em decorrência, entre outros fatores, da desinformação sobre as deficiências e dos inúmeros preconceitos e estigmas que povoam o imaginário coletivo acerca dessas pessoas. (...) se constatam inúmeras práticas de exclusão contra as pessoas portadoras de deficiência, seja do convívio social integrado, seja do acesso e usufruto dos bens e serviços historicamente acumulados e disponíveis na sociedade, os movimentos históricos marcados pela exclusão e segregação das pessoas portadoras de deficiência têm sido substituídos por propostas inclusivas. Isto quer dizer, que o comportamento atual se direciona para a formulação e a implementação de políticas públicas voltadas para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência, inspiradas por uma série de documentos contendo declarações, recomendação e normas jurídicas produzidas por organizações internacionais e nacionais envolvidas com a temática da deficiência. Exemplo disso, é a realização do Programa de Ação mundial para as pessoas com deficiência, aprovado na assembléia geral das Nações Unidas, de dezembro de 1982, com a finalidade servir de fonte permanente de consulta a todos os países interessados na luta pela defesa dos direitos de cidadania das pessoas portadoras de deficiência, inspirando a elaboração de inúmeras propostas atuais referente a prevenção, evitando o surgimento, a proliferação ou o agravamento de deficiências; reabilitação, entendendo como um processo que visa levar o portador de deficiência ao alcance de níveis funcionais, mentais, sociais ou físicos ótimos, de maneira a poder modificar sua própria vida; e equiparação de oportunidade, processo através do qual a sociedade se torna acessível a todos, com remoção de barreiras arquitetônicas, reformas legislativas, aumento de participação comunitária, no âmbito da educação e do emprego para a população de deficientes das zonas urbanas e rurais (Carvalho, 1999). Normas Uniformes sobre a linguagem de oportunidades para a pessoa portadora de deficiência, aprovadas em 20 de dezembro de 1993, na Assembléia Geral das Nações Unidas, pela resolução n.º 49/96, onde revisam os conceitos de incapacidade e deficiência à luz da evolução registrada na década das nações unidas para pessoas portadoras de deficiências; e reutilizam os três preceitos básicos, adotados no programa de ação mundial para a pessoa portadora de deficiência: prevenção, reabilitação e conquista da igualdade de oportunidades (Carvalho, 1999). Estes e outros importantes documentos estão sendo elaborados, culminando no Brasil com a Resolução n.º 2, de 11 de setembro de 2001, do Conselho Nacional de Educação, já mencionada anteriormente. Para a execução ampla da inclusão, observa Goffredo (1999:30) que "nosso sistema educacional precisa saber não só lidar as desigualdades sociais, como também com as diferenças. Precisamos saber, então, associar o acesso à permanência com qualidade e eqüidade". Isto quer dizer que a proposta de educação inclusiva recomenda que todos os indivíduos portadores de necessidades educativas especiais sejam matriculados em turma regular, o que se baseia no princípio de educação para todos. E que, frente a esse novo paradigma educativo, a escola deve ser definida não como uma instituição social que tem por obrigação atender todas as crianças, sem exceção, devendo, entretanto, ser aberta, pluralista, democrática e de qualidade (Goffredo, 1999). Neste sentido, a escola deve promover o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo, moral e social dos alunos com necessidades educativas especiais, ao mesmo tempo facilitar-lhes a integração na sociedade como membros ativos. Para Carvalho (1999b:35), "(...) Integração implica reciprocidade. Sob o enfoque escolar, é um processo gradual e dinâmico que pode adotar formas diferentes de acordo com as necessidades e habilidades dos alunos". Assim, a seu ver, a integração escolar tem sido conceitualizada como um processo de educar/ensinar crianças ditas normais junto com crianças portadoras de deficiência, durante uma parte ou na totalidade do seu tempo de permanência na escola. Trata-se de um processo gradual e dinâmico, que assume várias formas segundo as necessidades e características de cada aluno, sempre levando-se em consideração o seu contexto socioeconômico. Desta forma, esse conceito traduz o que se conhece como teoria do ambiente o menos restritivo possível, que é centrada nas aptidões daqueles alunos que devem ser preparados para a integração total no ensino regular. Isto sim, é a formação de uma escola inclusiva, ou seja, a escola para todos, que deve estar inserida num mundo inclusivo sem desigualdades (Carvalho, 1999b). Desta forma, observa Goffredo (1999b:45) que: A escola, para que possa ser considerado um espaço inclusivo, precisa abandonar a condição de instituição burocrática, apenas cumpridora das normas estabelecidas pelos níveis centrais. Para tal, deve transformar-se num espaço de decisão, ajustando-se ao seu contexto real e respondendo aos desafios que se apresentam. O espaço escolar, hoje, tem de ser visto como espaço de todos e para todos. Este novo desenho da escola implicará a busca de alternativas que garantam o acesso e a permanência de todas as crianças e adolescentes no seu interior (Goffredo, 1999b) Isto traduz que a partir do movimento de inclusão, o professor precisa ter capacidade de conviver com os diferentes, superando os preconceitos em relação às minorais. Tem de estar sempre preparado para adaptar-se às novas situações que surgirão no interior da sala de aula. Além disso, a formação de professores para educação inclusiva carece de: mecanismos funcionais de cognição das pessoas com deficiência; consciência das suas próprias condições, conhecimentos pedagógicos e metacognitivos; desenvolvimento da capacidade de auto-regular e de tomar consciência das etapas do processo de ensino-aprendizagem; coerência entre sua maneira de ser e ensinar, entre teoria e prática; capacidade de ministrar aulas sobre um mesmo conteúdo curricular a alunos que têm níveis diferentes de compreensão e de desempenho acadêmico; respeito ao ritmo de aprendizagem de cada aluno; utilização flexível dos instrumentos de avaliação de desempenho escolar, adequando-os às necessidades dos alunos (Goffredo, 1999c). É importante ressaltar, no entanto, que a formação dos profissionais da educação deverá estar de acordo com os fundamentos previsto no capítulo VI da Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação, a já citada Lei n.º 9394/96, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase de desenvolvimento do educando. Esta mesma lei prevê, no capítulo V, correspondente à Educação Especial, que os alunos com necessidades especiais devem ser atendidos por professores com especialização adequada, de nível médio ou superior, para o atendimento especializado, bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. É preciso, também resgatar e exigir o pleno cumprimento da Portaria n.º 1.793/94 do MEC, que recomenda a inclusão da disciplina "aspectos ético-político-educacionais da normalização e integração da pessoa portadora de necessidades especiais, prioritariamente, nos curso de Pedagogia, Psicologia, em todas as Licenciaturas. Recomenda, ainda, a inclusão de conteúdos relativos à disciplina acima citada nos cursos de Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Terapia Ocupacional e Serviço Social (Goffredo, 1999c). Assim, observando o cenário encontrado nas escolas públicas, foram encontrados os problemas que foram eleitos por Sasaki (1999:82), identificados na situação do "preparo profissional inadequado dos usuários de instituições especializadas; a discrepância de atitude, arquitetura e dos programas das escolas para receber alunos e formar trabalhadores com deficiência". Neste sentido, prescreve que para cada escola caberá preparar o aluno para o sucesso profissional e a vida independente: provendo profissionalização (trabalhador capacitado, produtivo, etc); provendo programa de desenvolvimento de habilidades e de conhecimentos da vida profissional e da vida independente (trabalhador responsável, pessoa com habilidades sociais e cidadão independente). Nesse sentido, Sasaki (1999) ainda trata que é necessário preparar a própria escola para incluir nela o aluno com deficiência para um papel mais ativo em prol de uma escola inclusiva e de uma sociedade inclusiva; em habilidades assertivas na montagem de um programa educativo baseado na assertividade; e, finalmente. preparar a escola, as empresas e a comunidade para inserção profissional de alunos com deficiências múltiplas ou mais severas. : montagem de um programa de emprego apoiado. É preciso, então, entender, que a inclusão beneficia a todos, uma vez que sadios sentimentos de respeito à diferença, de cooperação e de solidariedade podem se desenvolver no recinto escolar. E conforme Carvalho (1999c), as mudanças necessárias estão pautadas na remoção de barreiras à aprendizagem, na flexibilidade e na abertura à diversidade consciente das funções sociopolíticas, ao lado das pedagógicas, formando uma escola sintonizada com os valores democráticos. Veja mais Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
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