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segunda-feira, outubro 24, 2016

GOETHE, DAVID-NÉEL, GORZ, SCHUBERT, LYGIA CLARK, MITSUKO UCHIDA, ABRAMOVIĆ, MAKHMALBAF, HALPRIN, SIMONE SPOLADORE, GREENOUGH, CARL WARNER, TCHELLO, CURRIN, LAURA BARBOSA, TRABALHO & SERVIÇO SOCIAL

INEDITORIAL: DE GOLPE EM GOLPE A GENTE VAI APRENDENDO – Imagens: arte da pintora e escultora brasileira Lygia Clark (1920-1988) - O Brasil é uma anomalia pra lá de carnavalesca! Isso a gente já está careca de saber! Parece mais que a gente está acometido duma doença braba dessa incurável e sacudido de carona numa eterna ambulância feita dum mandú que só pega no empurrão, sem freios nem direção, dando-nos a impressão de que vai tudo se acabar com a sirene ligada no maior SOS de bateria arriada. Um desmantelo dos grandes e na maior correria como se fosse entre o acidente e o atendimento médico que nunca acontecerá, porque o motorista é um barbeiro muito do feladaputa que sai fazendo corrupios no volante, visitando parentes, aderentes, achegados, gregos & troianos fora do trajeto pra casa da peste, não distinguindo buraco de rieira, catombos e atoleiros. Como esse desgracento condutor é tão grosso de direção que sua inabilidade faz acelerar até o canto do ronco do motor quase estuporar tudo, sapecando uns freios de arrumação de nos jogar feito pacote solto no bate-volta, afora fazer uso da máquina pública pra se arrumar como pode, dirigindo a dita como se fosse um presente que lhe caiu no colo da estimação pra só mandar ver e deixar a cangalha destroçada no final e mais nada. A coisa é tão truculenta que chega dá pra ver a hora de estourar tudo motor, caixa de marcha & o escambau no maior pipoco da danação, da gente findar desvalido sem saber pra onde ir nem recorrer. Como parece mesmo que não tem jeito nem tão cedo, tenho a sensação de que a gente vai desgovernado, descendo a ribanceira pra se estrepar lá embaixo no abismo, tudo fodido e mal pago. Do jeito que vai, não vai dá outra: ou fecha os olhos para ver como é que fica, ou encara em riba da fivela pra mode ver o que a gente pode fazer pra mudar essa desgraceira toda. Senão, senão! Só uns vinte anos de atraso a mais na nossa tragédia, avalie. Diante disso, melhor mesmo a gente se aprumar nas novidades do dia: na edição de hoje destaque para a arte de Lygia Clark, as iniciações tibetanas de Alexandra David-Néel, a música de Schubert com Mitsuko Uchida, o trabalhod e André Gorz, a prática e a teoria de José Paulo Netto, a literatura de Goethe, a dança de Anna Halprin, o cinema de Mohsen Makhmalbaf, a escultura de Horatio Greenough, a arte de Marina Abramovic, a fotografia de Carl Warner, a arte de Simone Spoladore, o Encontro Clio-Psyché, a entrevista de Tchello d’Barros, a palestra e oficina de Literatura de Cordel, a pintura de John Currin & Laura Barbosa, a a croniqueta O vexame da maior presepada. Se quiser veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Voar é preciso, viver não é preciso!, Doris Lessing, Luis Buñuel, Leonardo Boff, Hans Magnus Enzensberger, Guilherme Faria, Joseph Kosma, Sérgio Telles, Alfredo Martirena, O riso doído, Psicanálise & Sociedade dos poetas mortos aqui.

E mais:
Vivendo e aprendendo a jogar, Lygia Fagundes Telles, Ziraldo, Luciano Berio, Christine Lau, Nilza Menezes, Antonio Januzelli – Janô, Todd Solondz & O Retorno da deusa aqui.
A arte de Tammy Luciano aqui.
A educação na Sociologia de Max Weber aqui.
A educação nos anos 70 e as desigualdades sociais aqui.
As trelas do Doro: a capotada do guarda aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o muxôxo dá num engasgo, o peso enverga o espinhaço de chega ficar de venta esfolando no chão aqui.

DESTAQUE: LIÇÕES DAS INICIAÇÕES TIBETANAS
É necessária uma vigilância contínua para se preservar das faltas que podem ser cometidas pelo corpo, pela palavra e pelo espírito [...] Estudai com imparcialidade todas as doutrinas que vos são acessíveis, sejam quais forem suas tendências. [...] Para manter-se independente é necessário estar livre de desejos. Quem não quiser dar a ninguém a oportunidade de passar-lhe uma corda no nariz para conduzi-lo como se conduzem bois, deve estar livre de toda espécie de apegos. [...].
Trechos extraídos da obra Iniciações tibetanas (Civilização Brasileira, 1976), da escritora e exploradora francesa Alexandra David-Néel (1868-1969).

O VEXAME DA MAIOR PRESEPADA – Vitalina andava com a orelha na frente da pulga, devido certos procedimentos escusos do Tomé, duns segredinhos mal explicados por ele, que deixaram ela pra lá de vigilante na cola. Conferindo tintim por tintim dos ocorridos, ele sempre dava uma tapiada boa que não convencia. Foi aí que ela resolveu ter com a Vera, a principal suspeita de que ele andava enrabichado pras bandas dela. Quando ela viu Vera passando na calçada, não teve dúvidas e confidenciou, entre cochichos e falsas intimidades: acho que o Tomé está me traindo! Oxe, aquele broco? Tá não mulher, ele é doido por tu. Tenho certeza. Tire isso da cabeça, quem quer aquele abestalhado fora tu, mulher? Sei não, tô de mutuca pra cima dele, tem saia no meio prele andar todo com desculpas esfarrapadas. Indagora dei uma brigada com ele, dele sair doidinho do juízo. Num esquenta, mulher, ele só vê tu no zoom. Deixa disso. E mal Vera chegou em casa, abrindo a porta com as chaves na fechadura, o Tomé chegou aperreado: tô num mato sem cachorro. Ah, a Vitalina tá toda desconfiada docê mermo. Onde essa mulé vai pensá uma coisa dessa de mim? Ocê tá dando trela pra alguém? Tô não. Olhe, ela acha que você está mijando fora do caco. Nada, eu tô tão aperreado que o juízo num funciona direito, até o carro empancou. Vixe! É bronca. Preciso dum copo d’água. Fique aí que não quero intriga com ela, vou buscar. Ele então sentou na cadeira da varanda, bebeu o copo d’água e começou sua lamurienta falta de sorte. Horas e horas de deprecações e azares. Lá pras tantas, Vera quase estourando de raiva de ter que aguentar aquilo, mandou ele embora, não antes olhar se a Vitalina estava por ali pra não virar a coisa pra banda dela. Ah, Vitalina estava lavando a calçada, olhando pros lados o tempo todo. Então Vera resolveu dar carona pro rapaz, desde que ele fosse na mala do carro. Assim acertaram e ao sair de casa, Vitalina veio às carreiras: mulher, me leva no emprego do sujeito que eu quero dar um flagra nele. Pronto! O circo estava armado, pois foi ela dizendo isso, abrindo a porta e se aboletando logo na cadeira do passageiro. Vera quase teve um troço e teve de levá-la nos cafundós de Judas. Quando Vitalina desceu, ela correu e liberou o cabra que estava na mala, todo vomitado e sem saber nem quem era. Vera, às pressas, foi explicando e empurrando ele pra dentro do trabalho. Aí ela correu pro volante e quando engatou a primeira marcha, lá vem Vitalina com Tomé pedindo carona pra voltar pra casa: ô mulé, me leva de volta que ele não está passando bem. Pronto, era a hora do enterro voltando! Apesar dele estar malemolente, ela não arredou o pé das desconfianças e baixou o calão numa briga de quase arrebentar tudo. Bate boca pesado, Vera teve que ter paciência para se safar dessa por todo o trajeto com aquela baixaria, quando, enfim, chegou na casa deles, despachou os dois e saiu dizendo: acabem com essa fuleragem, vocês se merecem, dois cachorros! E olhe que nem se casaram ainda, imagine. Ah, zarpou injuriada pelo vexame. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Curtindo os álbuns (8 cds) Plays Schubert (Decca, 2004), com músicas do compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828), na interpretação da pianista Mitsuko Uchida. Veja mais aqui.

O TRABALHO - [...] Para todas as classes industriais anteriores, conservar intacto o antigo modo de produção era condição prévia de sua existência [...] a burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os meios de produção, isto é, o conjunto das relações sociais [...] A organização científica do trabalho industrial constituiu o esforço constante para distinguir o trabalho, categoria econômica quantificável, da pessoa viva do trabalhador. [...] A verdadeira racionalidade consiste em transformar o trabalho em “atividade pessoal”, mas em um nível superior, em que “a união voluntária” dos indivíduos substituirá a divisão capitalista do trabalho pela “colaboração voluntária” e submeterá o processo social de produção ao controle dos produtores associados. Cada indivíduo será “na qualidade de indivíduo”, por meio da colaboração voluntária, mestre e senhor da to talidade das forças produtivas; seu “trabalho” será “atividade autônoma” (Selbsttatigkeit) do “indivíduo total”. [...] Ela impedirá que vivam a execução de sua tarefa como cooperação e pertencimento a um grupo. Sua “solidariedade orgânica” (o próprio Durkheim reconheceu-o) não existe como uma relação vivida para eles, mas apenas para o observador externo que crê perceber uma colaboração auto-regougada ali onde, na realidade, há uma organização do tipo militar, por pré-recortes de tarefas complementares. [...] O indivíduo socializado pelo consumo não é mais um indivíduo socialmente integrado, mas um indivíduo levado a desejar “ser ele mesmo” distinguindo-se dos outros que, canalizado socialmente ao consumo, aos outros só se assemelha pela recusa em assumir, por meio de uma ação comum, a condição comum. [...] O trabalho só aparece agora como “fragmentado, subsumido no processo de conjunto da maquinaria” de tal modo que, diante de seu “potente organismo”, o trabalhador individual experimenta “a insignificância de seu agir”: não é mais “que um acessório vivo dessa maquinaria”, sua capacidade de trabalho, infinitamente diminuída, desaparece no produto qualquer relação com a necessidade imediata do produtor e, portanto, qualquer relação com seu valor de uso imediato”. O processo de trabalho foi “transformado em um processo científico, subjugando as forças da natureza a seu serviço” e “o trabalho do indivíduo agora só é produtivo à medida que se insere no conjunto dos trabalhos que submetem a natureza”. [...]. Trechos extraídos da obra Adeus ao proletariado - para além do socialismo (Forense/Universitária, 1987), do filósofo austro-francês André Gorz (1923-2007), também conhecido pelo pseudônimo Michel Bosquet. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte do escultor e arquiteto estadunidense Horatio Greenough (1805-1852).

PENSAMENTO DO DIA: SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA E TEORIA – [...] nenhuma das vertentes racionalistas do pensamento moderno considera que o conhecimento do social é a apropriação, pelo sujeito, das aparências dos fenômenos – parece consensual que a fenomenalidade é tão-somente o ponto de partida, embora obrigatório do conhecimento. O que as discrimina e especifica, pois, está para além deste consenso, que aponta como alvo do conhecer a processualidade em que emergem os fenômenos sociais. [...]. Trecho extraído das Notas para a discussão da sistematização da prática e teoria em Serviço Social (Cadernos ABESS – Cortez, 1989), do professor doutor em Serviço Social pela PUC-SP, José Paulo Netto.

 Imagens: a arte da artista performativa sérvia Marina Abramović, em diversas exposições explorando as relações entre o artista e a platéia, os limites do corpo e as possibilidades da mente. Veja mais aqui.

O CORAÇÃO HUMANO - [...] que é então o coração humano? [...] Que é o homem, para ousar lamentar-se a respeito de si mesmo? [...] Quero fruir o presente e considerar o passado como passado. Você tem razão: os homens sofreriam menos se não se aplicassem tanto (e Deus sabe por que eles são assim!) a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se por tornar suportável um presente medíocre. [...] os mal-entendidos e a indolência talvez produzam mais discórdias no mundo do que a duplicidade e a maldade; pelo menos, estas duas últimas são mais raras. [...]. Trechos extraídos da obra Werther (Abril, 1971), do escritor do Romantismo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE SIMONE SPOLADORE – A trajetória da atriz Simone Spoladore teve início em 1995, quando participou de espetáculos curitibanos, a exemplo da peça teatral Meno Male,com direção de Sale Wolokita, Juventude de Felipe Hirsch e Onde estiveste à noite, de Edson Bueno. A partir de então passou a participar de curtas-metragens e longas, até integrar o elenco de Lavoura Arcaica (2001) e Desmundo (2003). Estreia na televisão com a minissérie Os Maias (2001), participando depois de telenovelas da Globo e da Record. Assim, dividindo suas atuações no teatro, cinema e televisão ela vai construindo uma carreira meritória de aplausos e sucesso.


Imagem: a arte do fotógrafo inglês Carl Warner.

SAFAR E GHANDEHAR – O premiado filme iraniano Safar e Ghandehar (A caminho de Kandahar, 2001), dirigido por Mohsen Makhmalbaf, conta a história de uma jovem jornalista afegã que reside no Canadá e decide retornar ao seu país, após receber uma carta de sua irmã relatando que irá se suicidar antes que ocorra o próximo eclipse solar. A partir do momento de sua entrada no país, ela se atualiza sobre a situação do Afeganistão e vive momentos de suspense para ir ao encontro da irmã. Veja mais aqui.


Imagens: a arte experimental da dançarina e coreógrafa pós-moderna estadunidense Anna Halprin.

AGENDA: ENCONTRO CLIO-PSYCHÉ – Acontecerá entre os dias 9 e 11 de novembro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o XII Encontro Clio-Psyché – Saberes Psi: outros sujeitos, outras histórias, com o objetivo de trazer reflexões historiográficas que envolvam os eixos as ciências do Homem entre a criança e o menor; a insanidade, desvio e loucura; gênero e sexualidade: construção e desconstrução; minorias étnicas e outras reflexões. Informações por mail: encontrocliopsyche@gmail.com; Sítio: http://encontrocliopsyche.wix.com/xiicliopsyche - Endereço: UERJ - Rua São Francisco Xavier, 524. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: TCHELLO D´BARROS – Depois de uma boa conversa regada a umas cervejas, o poeta e artista visual Tchello d’Barros concedeu uma entrevista exclusiva para o Guia de Poesia do Projeto SobreSites, falando de sua trajetória e projetos. Confira a entrevista & muito mais aqui.

REGISTRO: OFICINA DE CORDEL
A publicação do meu folheto de cordel Tataritaritatá (Nascente, 2008) que, inicialmente, era uma martelada e, depois, virou mesmo um martelo agalopado, se deu pelo resultado de palestras e oficinas de literatura de cordel que ministrei em diversos colégios e eventos. Tenho ministrado essas palestras e oficinas regularmente e, aproveito o ensejo, para trazer todo o projeto aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do pintor estadunidense John Currin, que desenvolve pinturas figurativas satíricas que lidam com temas sexuais e sociais provocativas.
Vej mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Peace and Love, Laura Barbosa
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sábado, janeiro 31, 2015

SCHUBERT, BAUMAN, TUNGA, KENZABURO, TEREZA COSTA REGO, KEN WILBER, MARIA JOÃO PIRES & KATE BECKINSALE



HORA DE CHEGADA – Podia ser festa, não era; outra vez – e sempre – fora adiada. Paisagem advena, inopinada. Novo oxigênio no pulmão, novo cerzir na vida. Qual nada, dias escorregadios. Nada tão diferente dos afagos arredios, noites abafadas, esquálido anteontem, pálido ontem. São na sacada, degraus, chegada – malgrado a partida. A horagá: continência pra amanhã – um fio de prumo ébrio. E o néscio nada Pangloss, afinal que dia - previu muitas léguas, tiranas de errâncias, desandares. Sua noção de linho, desalinhada; o vinco, abarrotado. As linhas se misturam nas mãos, um passado vivo, sem futuro, presente incerto, tragado; poeira nos olhos, enevoados; couro curtido, sal pisado; sol na moleira, ombro calejado de cruz. Barruadas de cara de tacho: só livre da greia, por enquanto. Haverá novos chistes, embustes. Muxoxos na guarita, os olhos ao redor e qual agulha, tudo e a todos vestidos, finda nu tal deus de Mallarmé. Veja mais aqui, aquiaqui.



AFINAL, PRA QUE SOLIDARIEDADE
? – O sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende que a solidariedade pode melhorar o mundo e pode nos salvar. Tal afirmação está na sua ideia de que os sistemas fazem os indivíduos, e não o contrário; e o mundo fabrica lixo humano de excluídos como membros imperfeitos da sociedade, traformada da ética do trabalho à ética do consumismo. Uma sociedade que passou dos ideais de comunidade de cidadãos responsáveis para um agregado de consumidores satisfeitos e interessados em si mesmos. Em vista disso, para ele a mobilidade social é uma mentira e a equidade é um disfarce para o fantasma feio da assistência dentro de um albergue. Em um artigo, Diálogo sobre o homem (Jornal La Republica, 21/5/2012), ele escreve que: [...] O que "unifica" o precariado, o que mantém unido esse conjunto extremamente diversificado, tornando-o uma categoria coesa, é a sua condição de máxima fragmentação, pulverização, atomização. Todos os precários sofrem, independentemente da sua proveniência ou pertencimento, e cada um sofre sozinho. Mas todos esses sofrimentos suportados individualmente mostram uma surpreendente semelhança entre si. Reduzem-se a uma única coisa: a pura e simples incerteza existencial, uma assustadora mistura de ignorância e de impotência que é fonte inexaurível de humilhação. Contudo, esses sofrimentos não se somam, ao contrário, se dividem e separam aqueles que os sofrem, negando-lhes o conforto de um destino comum, e fazem parecer risíveis os apelos à solidariedade. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui

Imagem: Verão, da artista plástica pernambucana Tereza Costa Rego. Veja mais aqui e aqui.

Ouvindo: Sonata nº 14, D, 784, do compositor austríaco Franz Peter Schubert (1797-1828), com a pianista portuguesa naturalizada brasileira Maria João Pires. Veja mais aqui, aqui e aqui


A FILOSOFIA E A PSICOLOGIA INTEGRADAS – O filósofo norte-americano Ken Wilber é o criador da Psicologia Integral que envolve um universo de estudo que vai desde a física, química, biologia, medicina, neurofisiologia, bioquímica, ecociências, teoria do caos, ciências sistêmicas, complexidade, psicologia e filosofia, além de artes, antropologia e mitologia, matemática, política, econômica, sociologia, negócios e escolas contemplativas e místicas. O seu sistema operacional integral funciona a partir dos níveis ou ondas de consciência, das linhas ou correntes de desenvolvimento, dos estados de consciência, dos tipos de personalidade e dos quatro quadrantes que são intencional, comportamental, cultural e social, considerando as linhas de desenvolvimento Cognitiva (Piaget, Kegan), Moral (Kohlberg, Gilligan), Interpessoal (Selman, Perry), Valores (Graves, Beck e Cowan), Necessidades (Maslow) e Emocional (Goleman). A respeito de suas propostas diz ele: Não acredito que a mente humana seja capaz de errar cem por cento. Assim, em vez de questionar qual abordagem está certa e qual está errada, assumo que cada abordagem é verdadeira, mas parcial. Então, procuro visualizar um modo de encaixar essas verdades parciais, de integrá-las, não escolhendo uma e livrando-me das outras”. Veja mais aqui, aquiaqui

UMA QUESTÃO PESSOAL – O escritor japonês Kenzaburo Oe foi o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1994, possui vários dos seus livros traduzidos e lançados no Brasil, a exemplo do seu Não matem o bebé (Civilização, 1994), Dias tranquilos (Difel, 1995), Um eco do céu (Difel, 1998), Uma Questão Pessoal (Companhia das Letras, 2003), Jovens de um Novo Tempo, Despertai!.(Companhia das Letras, 2006) e 14 Contos (Companhia das Letras, 2011). A mais importante das suas obras é Uma questão pessoal (Companhia das Letras, 2003), e dela trazemos os seguintes excertos: Lá estava o mapa da África, em exposição no mostruário. Vistoso, belo como um cervo africano. Bird deixou escapar um suspiro abafado. Enfiadas em uniformes e com as partes expostas do corpo arrepiadas de frio, as vendedoras da livraria não lhe deram atenção. Entardecia. Como o corpo de um gigante recém-falecido, a atmosfera em volta da Terra fora perdendo aos poucos o calor daquele início de verão e se resfriara por completo. As pessoas pareciam querer recuperar das sombras do subconsciente a memória do calor do dia, cujo resquício a pele ainda retinha, e suspiravam desoladas. Junho, seis e meia da tarde. Ninguém mais suava na cidade. Exceto sua própria mulher, que àquela altura estaria transpirando intensamente por todos os poros do corpo desnudado. Estendida sobre um lençol de borracha e com os olhos fortemente cerrados, perdiz atingida em voo e em plena queda. Gemendo de dor, tomada de angústia e ansiedade. [...] Queria ver o próprio rosto refletido nos olhos do menino. De fato, pôde vê-lo no espelho dos olhos negros e cristalinos da criança, mas a imagem era tão minúscula que não lhe permitiu constatar as novas feições de seu rosto. Assim que chegasse em casa planejava se olhar no espelho. E, depois, consultar o dicionário que o repatriado Deltcheff  havia lhe dado, com a palavra esperança escrita na capa interna. Pretendia fazer sua primeira consulta nesse dicionário de um pequeno país da península balcânica. Buscaria a palavra paciência. Veja mais aquiaqui.

Imagem sem título do escultor, desenhista e ator de performance pernambucano de Palmares, Antonio José de Barros de Carvalho e Mello Mourão, o Tunga. Veja mais aqui e aqui.

DO UNDERWORLD, SNOW ANGELS & ET CÉTERA- O primeiro filme que assisti da atriz, modelo e garota de propaganda inglesa Kathrin Romary Beckinsale, simplesmente a linda e extraordinarimanete belíssima Kate Beckinsale, foi por acaso: Underworld (2003). O filme nunca fez nem faz o meu gênero, mas como eu estava na sala de cinema apenas para fazer companhia e, como nada no filme me prendia, a beleza dela me cativou. Depois, os filmes seguintes que ela fez do gênero, meus amigos colocavam para rodar – eu baixava o som e ficava esperando ela entrar em cena. Era aí que eu voltava, dava pausa e ficava fitando a sua performance: lindamente bela. Isso num bocado de filme dela que vi de todos os Underwoord que vieram, do tal do Van Helsing – meu primo Paulo Rogério era fã desse filme de assistir e reassistir direto -, do Whiteout, Contraband, Total Recall, Snow Angels e por aí vai. Ela, indubitavelmente faz parte do panteão das beldades homenageadas pela campanha todo dia é dia da mulher. Veja mais aqui.



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Slavoz Žižek & Jacques Lacan, Modest Mussorgsky, Peter Brook, Charlotte Dubreuil, Tan Ngiap Heng, Marie-Christine Barrault & Cicero Melo aqui.

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Fecamepa, Sonhoterapia, Psicologia escolar, A família mutante & Maristher Moura Vasconcellos aqui.
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Maria Lenk, Martin Luther King Jr, Egberto Gismonti & Naná Vasconcelos, Marie Duplessis, Greta Garbo & Débora Arango aqui.
Gilles Deleuze, Dian Fossey, Susan Sontag, Padre Bidião, Sigourney Weaver, Washington Maguetas & João Pinheiro aqui.
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Darcy Ribeiro, Loius Claude de Saint-Martin, Autran Dourado, Damaris Cudworth Masham, Juan Orrego-Salas & Irina Vitalievna Karkabi aqui.
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A cruzeta na volta que a vida dá, Artur Bual & Manuel Cargaleiro aqui.
Tem hora pra tudo e a vida é outra coisa, Ariano Suassuna & Quinteto Armorial, Emilia Kallock, Ciro Veras & Alexandra Lacerda aqui.
Nada melhor que a vida e viver além dos próprios limites, Antônio Nóbrega, lenda Umutina da criação dos homens, Oskar Kokoschka & Mozart Fernandes aqui.
Dos revezes que não poupam a amizade e o amor, Hermeto Pascoal, Lydia Cabrera, Hiram Powers, Nicola Axe & Rosalyn Drexler aqui.
Na vida, como no sonho, não há lógica, Algaravia, Winfried Nöth & Francis Bacon aqui.
Soou a vida o paraíso do amor, Tibério Gaspar, Marcos Rey & Helena Ramos, Catherine Nolin & Luciah Lopez aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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