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quinta-feira, dezembro 28, 2017

GRAMSCI, SÉRGIO PORTO, ELBA, STEVEN CONNOR, SPOK FREVO, KENNEY MENCHER, PATRIZIA SAVARESE, MARCOS CARNEIRO & BIRITOALDO

EPIFANIA TRUCULENTA DO BIRITOALDO – Biritoaldo não acertava uma. Naquele dia, entre uma golada e outra lapada, clariou as ideias: a cachaça obra generosidades. Uma mosca voava e foi justo cair para morrer afogada no copo de aguardente. Teve pena. Providentemente, de um salto salvou-la. Encheu-se de heroísmo. Quis mostrar pros outros, ninguém deu trela, só beiços puxados de reprovação na leseira dele. Bem que eu poderia ser salva-vidas, nos afogamentos do riacho, nos tanques fundos de água, nas cacimbas, nos banhos de rios, praia não que é muito longe. Pois é, podia ser, né? Podia. Antes teria de aprender a nadar, evidentemente, não sabia. Ah, é só saber mexer os braços e as pernas, resolvido. Procurou se inteirar: técnicas de respiração, ôxe, moleza. Não era. Massagens cardíacas? É só dar uns alisados com sopapos na caixa dos peitos, pronto, feito. Nada disso. Agilidade nas ações de prevenção, hein? Lascou! Entrevado como era, um traste. Um segundo e babau. Um segundo? Tá difícil, mas vou praticar. E foi. Saía dum lado a outro de uma margem a outra do rio, pra cima e pra baixo, caçando vítimas. Ué, parece mais que ninguém morre por aqui, ora. Um dia, dois, três e nada. Só se eu começar a salvar os peixes! De quê? Mergulhou, não sabia da infestação de piranhas. Hum! A primeira deu-lhe uma mordida nos colhões dele ver estrelas. Aí não teve partes do corpo que não tivesse dentadas delas. Vôte! De tão inchado ficou irreconhecível. Ao passar pelas ruas, as crianças só: Bicho feio! Bicho feio! Voltar ali, não dava, nunca mais. Foi pro riacho e logo viu um pato se debatendo, foi lá e o mundo escureceu com o grasnado de gansos. Era hora de se salvar e nem deu conta de que se aproximava de um jegue nas proximidades. Foi. Levou um coice de ficar desacordado por dias. E quando voltou não sabia onde estava nem mesmo quem era. Pronto. Melhor praticar num aquário, melhor não. Abandonou a carreira sonhada de super-herói. Queria fazer o melhor de si, não tinha jeito, era sempre arrastado pelo cabresto do azar, vencido pelas surpresas, destrambelhado. Sonhos, tudo pelos ares. Bom humor e fome ou sono, não combinam. Onde a sorte da sua vida? Só podia estar escondida em algum lugar: no cu da vida dele, reclamava. Apesar da ideia curta, da escassa inteligência desastrada, sabia que as guerras nasciam no coração humano, apenas, e não podia ser maior que seu próprio tamanho. Enquanto sonhava com as almofadas de seda do Alcorão, arrodeado de belas e nuas donzelas dos olhos de misteriosas pétalas, a sua vida era disco arranhado de imagens bufentas. Quem era ele senão escravo do labor infindável, tedioso e cruel de todos os dias, o pecador torturado, castigado que só, mas por quê? A maldita sorte. Maldisse a si próprio. Quem sou eu? O que estou fazendo aqui, de onde em vim, pra onde vou? Bateu com o quengo na parede: Tome, seu desgraçado. Começou a esmurrar o próprio peito, revoltado consigo mesmo. Aos murros contra si próprio, eis que do seu peito saíram pombos, borboletas, corujas, araras, passarinhos, aranhas, urubus. Vixe! Virei mágico, foi? Só era o que faltava! Não, não era, sabia lá o que droga foi que aocnteceu. Sabia que o seu coração mais parecia uma bola se debatendo aos pulos, saltando alto de querer sair pela boca. Vixe! Viu-se fora de si, um outro: cara dum, cu de outro, quem não ganhar é gafanhoto. E levou um bofetão dele mesmo: salafrário! E revidou, quebrou dois dentes. Punhos, munhecas e muques na contenda. Movido por um ódio terrível na bravata, fez força e se enfrentou sob furores de trovões e relâmpagos, em selvagem combate. Agarrou-se ao pescoço do adversário que era ele mesmo e viu-se desfalecer, queria aniquilar e pôr fim na luta mortal, quase mata, ou seja, na verdade, quase morre. Ué, lutei contra mim mesmo, foi? O outro era eu! Que doidice! Foi aí que a sua alma virou pássaro e saiu voando. Ele aterrorizou-se ao se deparar com o escaravelho, a balança e a pedra, não soube o que dizer. Que droga é nove, hem? Não sabia e só se sentia um imprestável girando na roda do renascimento pelo fluxo da existência. Do Livro dos Mortos: o que você quer ser: um cinzeiro, um seixo, uma andorinha, o quê? Sou aquilo que penso e faço: uma titica catingosa, uma catota nojenta, uma pereba remelenta, um vômito da miséria, uma gangrena mortal, um inchaço purulento, uma ameba no instestino do universo, de serventia alguma. De tanto se autoimolar deu-se a metamorfose: tornou-se uma barata asquerosa fugindo de sapatos e escorpiões. Correu, fugiu, sumiu. Cadê eu? Perdeu-se de si. Sacou que sua alma havia transmigrado para um tolote de bosta. Eita! Salvei-me, pelo menos. Será? Ah, nem morri e virei merda povoada por moscas e mosquitos. Se não prestava, agora é que deu mesmo. Aceitava a sua ruína, nem servia nem pro lixo, quanto mais para troco. Era dia dos santos inocentes: e eu que pago o pato. Enjeitado do mundo, ele se perdeu no pesadelo da sua vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá prévia do Revellon de Ano Novo com especiais de show ao vivo de frevos com Elba Ramalho & Vassourinhas, Ninho de Vespa & Passo de anjo com Spok Frevo & muito mais! Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Existem diversas filosofias ou concepções de mundo e sempre se faz escolha entre elas. Como ocorre esta escolha? É esta escolha um fato puramente intelectual, ou é um fato mais complexo? E não ocorre frequentemente que entre o fato intelectual e a norma de conduta exista uma contradição? Qual será, então, a verdadeira concepção do mundo: a que é logicamente afirmada como fato intelectual, ou a que resulta da atividade real de cada um, que está implícita, na sua ação? E já que a ação é sempre uma ação política, não se pode dizer que a verdadeira filosofia de cada um se acha inteiramente contida na sua política? [...]. Trecho extraído da obra Concepção dialética da história (Civilização Brasileira, 1978), do filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). Veja mais aqui e aqui.

CULTURA PÓS-MODERNA – [...] duas vertentes, a do surgimento do pós-modernismo a partir do modernismo e a do aparecimento da pós-modernidade a partir da modernidade, seguem caminhos adjacentes, que por vezes se cruzam, mas outras divergem entre si de maneiras significativas. [...] A comunicação de massa transferiria a vivência no real para a vivência no signo. Portanto, a cultura pós-moderna seria a cultura do simulacro. [...] A economia da cultura de massas, longe de exigir o congelamento das experiências humanas livremente contingentes em formas comerciáveis, promove conscientemente essas formas de intensidade transitória, visto que, no final, é muito mais fácil controlar e estimular a demanda de experiências espontaneamente (que de espontâneas, é claro, nada têm) sentidas como fora da representação. Do rock ao turismo, da televisão à educação, os imperativos publicitários e a demanda de consumo já não tratam de bens, mas de experiências. [...] a cultura capitalista contemporânea, longe de depender da incessante replicação dos mesmos produtos, na verdade alimenta as energias dissidentes de formas culturais marginais ou oposicionistas [...]. Trechos extraídos da obra Cultura pós-moderna: introdução às teorias do contemporâneo (Loyola, 1993), do professor e estudioso britânico Steven Connor.

UMA MULHER QUE PASSOU – Era uma mulher. Uma dessas mulheres de começo de verão, que passam num vestido justo, de cores vivas, sapato alto aberto em tiras e os cabelos soltos. Fiquei a admirar-lhe o passo despreocupado, o leve mexer dos quadris, em nada exagerado. Súbito me comoveu. Por que não sei. Mas há de ser sempre assim. Algumas mulheres nos surpreendem, muitas nos encantam e poucas – entre tantas – nos comovem. De algumas mulheres  ficam lembranças. Lembranças vagas, muitas vezes insuspeitadas e que não são necessariamente da mulher que mais amamos ou de outra por quem nos apaixonamos perdidamente – digamos – por uma semana. Nada existe de lógico nisso e muito menos de justo, porque ao homem não é dado nenhum poder sobre a memória, nem tampouco qualquer controle sobre suas sutilizas. Assim estamos redimidos perante a própria consciência. Não somos culpados de que nada, particularmente, nos faça recordar aquela a quem dedicamos um carinho maior e do qual nos orgulhamos; enquanto que outra, para a qual fomos menos afetivos, ficou para sempre num perfume, num som ou numa imagem. Para aquela namorada – furiosamente namorada em Teresópolis – ficou um apito de trem. A manhã fria da serra, quando atravessei a pracima rumo à estação, para uma despedida que sabia definitiva, poderia ter ficado para identificá-la na memória. Mas o que ficou foi o apito do trem, quando lentamente o comboio pôs-se em movimento e ela disfarçou as lágrimas com um sorriso triste. Sei disso porque – tantos anos depois! – estava passeando a cavalo pelis campos da fazenda quando um apito de trem me chamou a atenção. Vinha sozinho e alegre, todo voltado para a quietude e a beleza das paineiras, mas bastou que o trem apitasse lá longe, do outro lado do rio, para que no meu pensamento ela se fizesse tão nítida e tão fresca. Era como se ainda na véspera nós estivéssemos sentados juntos, na amurada da varanda, a dizer-nos coisas que depois não cumpriríamos. Foi aí que percebi: para sempre a sua lembrança estaria ligada ao apito distante de um trem. Onde quer que eu esteja, daqui a muitos anos, mesmo que ela não exista mais, voltará a viver no meu pensamento, com a nitidez que o tempo não vencerá. São coisas. E são inexplicáveis. Como a mulher que passou e súbito me comoveu. E a quem interessa uma resposta, quando lhe basta a sinceridade da emoção? Lá vai a moça balançando os cabelos cortados na altura da nuca, a cada passo. Vai inteiramente inocente dos sentimentos que provocou. Não teria nenhum sentido seguir ao seu lado e comunicar minha surpresa. Não teria sentido, nem seria correto. Ela não tem culpa nenhuma. Penso que se eu pudesse ser sempre assim, ponderado nas atitudes, doíam menos em mim as pequenas lembranças de que falei. Tudo pesado e bem medido, pouca esperança havia de que dela não ficasse alguma coisa na memória, para doer muito tempo depois, quando já mais nada houvesse da emoção de hoje. Foi bom que ela sumisse na esquina e eu a deixasse ir sem um gesto, uma tentativa de – pelo menos – fazer-lhe sentir o bem que me fez, vê-la passar. Foi bom ou então eu estou ficando velho. Extraído da obra A casa demolida (Agir, 2007), do escritor, radialista, jornalista e compositor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta, 1923-1968), Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

DOIS POEMAS – Doces rios e canaviais da minha infância: Doces e belos rios ;/ Una, Panelas e Pirangi / onde nadei com meus sonhos / ouvindo canários, rolinhas, curiós e juritis. / Nas matas viam-se pacas, capivaras e tatus / nos céus gaviões, sabiás e lambus / como era lindo ver a revoada de outros pássaros / quando os trens passavam pelos bambus. / Ainda corre em meu coração / rios de saudade / que vão aguando memoráveis lembranças / da minha infância e mocidade. / Aquele bueiro, ainda apita dentro de mim / aquele saudoso trem, ainda me faz viajar no tempo / naqueles rios, navego em recordações / por verdes matagais / mato brilhante dos meus eternos canaviais. A lua e o poeta: A magia da lua / que tanto inspira o amar / e sempre está nua / esperando uma roupa de um poeta com seu rimar. / Lua de todas as noites / lua guia dos apaixonados / lua dos caçadores e pescadores / lua alma dos poetas inspirados. / Lua nova, cheia, ou minguante / lua dos rios, das marés, dos mares e dos bares / lua dos Joãos, das Marias e de todos os nomes / que são rimas para a poesia / lua nova, cheia ou minguante, lua de todos amantes. / Lua eterna morada do poeta / oxigênio do orquidário das poéticas do amor / onde se imortalizam poeticamente a crença e a razão / jardim enluarado da casa do poeta-coração. Poemas do professor, psicólogo e poeta Marcos Carneiro, pós-graduado em Saúde Pública, doutorando em Psicologia.

A FOTOGRAFIA DE PATRIZIA SAVARESE
A arte da fotógrafa italiana Patrizia Savarese.

Veja mais:
Proezas do Biritoaldo aqui, aqui, aqui, aqui. aqui & aqui.
As presepadas de Tolino & Bestinha aqui.
A literatura de Manuel Puig aqui.
A arte de Giulia Gam aqui, aqui & aqui.
A poesia de Olavo Bilac aqui, aqui & aqui.
A literatura de Susan Sontag aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, escritor e professor estadunidense Kenney Mencher.
Veja mais aqui.

segunda-feira, janeiro 11, 2016

CONVITE, BAUMAN, STANISLAW, GERSHWIN, HÖLDERLIN, OSWALD, ALMÓDOVAR, LUCÉLIA, LUCIAH & MUITO MAIS!!!!



CRÔNICA DE AMOR POR ELA: CONVITE - Plena tarde e o céu inteiro na pradaria: um mar espalmado que se resume ao rumor da nudez inundando todas as súplicas dos meus quereres tostados de fogo ardente. À espreita vou requestado com toda luxúria de minha alma herege confiscar toda mansa fragrância do seu milagre fabuloso, da sua majestosa divindade nua, feita para amar, para apertar com jeito, para vibrar em mim danada do céu queimando a lenha do que se faz predador e presa entre nós. Tudo é demasiado próximo no hálito quente da sua sedução a céu aberto e entregando todo o tesouro do coração, todas as posses, suplícios, encantos e eu possesso aos bocados, desesperado e faminto de emoções poderosas a morder com trela a tarde da primavera no ninho do seu corpo nu que me embriaga com o veneno da paixão. Aceito o convite e ébrio dou fé do olhar ardente na insônia de quem ama devendo o beijo, o abraço e a garanhagem libertadora. E estendida sobre o meu desejo traz o colo e sua macia tepidez para a incursão de nossa refrega a transpor toda doçura e vício na vertigem de nossas entregas. Esta a canção que afaga o dorso nu num duelo de dentes cerrados e se faz servidão na ponta dos seios duros e tomada pela pele acetinada que eterniza minha loucura em êxtase enquanto transgredimos de nós, das regras, da arena no êxodo do mundo, duelando com o passado de vigília e arrependimentos, duelando com a vida pelo que já foi e o que virá das venturas e destroços que se redimem no ardor do incenso de seu corpo que governa e que se faz tarde nas minhas mãos errantes. E do seu corpo roubo a paz que se faz tisana alquímica no meu estertor, sorvo seu sexo dando vazão a minha agonia gulosa que faz abluções no charco empoçado de delícia nas entrepernas e que se faz contenda tirânica na nossa luta corporal munida de armas das carícias até sermos derrotados, vencidos pela vida. Só o amor resiste aos escombros. E renascinzas, o amor assim é na entrega servil dos amantes. (Luiz Alberto Machado. Veja o vídeo deste poema aqui e mais aqui & aqui).

VEJA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:

PICADINHO


Imagem: Eve, do pintor do maneirismo italiano Girolamo Francesco Maria Mazzola (1503-1540), mas conhecido como Parmigiano. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Kiri sings Gershwin (EMI, 1987), com músicas do compositor estadunidense George Gershwin (1898-1938), na interpretação da soprano Kiri Te Kanawa. Veja mais aqui e aqui.

EPÍGRAFE – O homem é um deus quando sonha e não passa de um mendigo quando pensa, recolhida do livro Reflexões (Relume-Dumará, 1994), do poeta lírico e romancista alemão Friedrich Hölderlin (1770-1843). Veja mais aqui.

A PÓS-MODERNIDADE - No livro O mal-estar da pós-modernidade (Zahar, 1998), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, encontro que; [...] A multiplicidade de estilos e gêneros já não é uma projeção da seta do tempo sobre o espaço da coabitação. Os estilos não se dividem em progressistas e retrógrados, de aspecto avançado e antiquado. As novas invenções artísticas não se destinam a afugentar as existentes e tomar-lhes o lugar, mas se juntar às outras, procurando algum espaço para se mover por elas próprias no palco artístico notoriamente superlotado. Num cenário em que a sincronia toma o lugar da diacronia, a co-presença toma o lugar da sucessão e o presente perpetuo toma o lugar da história, (já não trata mais) de missões, de advocacia, de profetização, de uma e única verdade firmada para estrangular as pseudoverdades. Todos os estilos, antigos e novos, devem provar seu direito a sobreviver. [...] Quando a competição domina, há pouco espaço para [...] a confraria de ideias, escolas disciplinadas e disciplinadoras [...] Há pouco espaço, portanto, para normas e cânones coletivamente negociados e coletivamente proclamados. Toda obra de arte recua diante do quadrado e não pensa em criar família [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

MENINO PRECOCE – O livro Garoto linda dura (Autor, 1966), do escritor, radialista, jornalista e compositor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta, 1923-1968), reúne crônicas do autor, entre as quais destaco Menino precoce: Diz que era um menino de uma precocidade extraordinária e vai daí a gente percebe logo que o menino era um chato, pois não existia nada mais chato que menino precoce e velho assanhado. Todos devemos viver as épocas condizentes com as nossas idades; do contrário, enchemos o próximo. Mas deixemos de filosofias sutis e narremos: diz que o menino era tão precoce que nasceu falando. Quando o pai soube disso não acreditou. O pai não tinha ido à maternidade, no dia em que o filho nasceu, não só porque não precisava, como também porque tinha que apanhar uma erva com o Zé Luís Magalhães Lins, para pagar a délivrance que era quase o preço de um duplex, pois a mulher cismou de ir para casa de saúde do Guilherme Romano. Mas isto também não vem ao caso. O que importa é que o menino já nasceu falando. Quando o pai soube da novidade, correu à maternidade para ouvir o que tinha o menino a dizer. Chegou perto da incubadeira e o garoto logo se identificou com um “oba”. O cara ficou assombrado e mais assombrado ficou quando o nenenzinho disse: - Papai vai morrer às 2 horas! – dito o que, passou a chupar o bico da mamadeira e mais não disse nem lhe foi perguntado. O cara voltou para casa inteiramente abilolado. Sem conter o nervosismo, não contou pra ninguém a previsão do menininho precoce, mas ficou remoendo aquilo. Dez e meia, 11, meio-dia... e o cara começou a suar frio. Uma da tarde, o cara já estava praticamente arrasado e quando passou da hora prevista um minuto ele começou a se sentir mais aliviado. E estava dando o seu primeiro suspiro, quando ouviu um barulho na casa do vizinho. Uma gritaria, uma choradeira. Correu para ver o que era: o dono da casa tinha acabado de falecer. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

MÚSICA DE MANIVELA & CANTO DO REGRESSO À PÁTRIA – O livro Pau Brasil (1925), do escritor, ensaísta e dramaturgo do Modernismo brasileiro, Oswald de Andrade (1890-1954), reúne poemas do autor, entre os quais, destaco inicialmente Música de manivela: Sente-se diante da vitrola / e esqueça-se das vicissitudes da vida / na dura labuta de todos os duas / não deve ninguém que se preze / descuidar dos prazeres da alma / discos a todos os preços. Tanto o Canto do regresso à pátria: Minha terra tem palmares / onde gorjeia o mar / Os passarinhos daqui / Não cantam como os de lá / Minha terra tem mais rosas / E quase que mais amores / Minha terra tem mais ouro / Minha terra tem mais terra / Ouro terra amor e rosas / Eu quero tudo de lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte pra São Paulo / Sem que veja a Rua 15 / E o progresso de São Paulo. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A CASA DE ANAÏS NIN – A peça teatral A casa de Anaïs Nin (Casa de Prostituição de Anaïs Nin), de Francisco Azevedo, conta a história da paixão que envolveu os escritores Anaïs Nin e Henry Miller. Tive a oportunidade de assistir a peça no Teatro Alfa Real, em São Paulo, no ano de 1998, com direção de Ticiana Studart e atuação inesquecível da atriz Lucélia Santos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CARNE TRÊMULA – O filme Carne trêmula (1997), dirigido pelo cineasta, ator e roteirista espanhol Pedro Almodóvar, conta a história uma prostituta que tem um filho em um ônibus, quando tentava chegar na maternidade, e ali mesmo lhe dá o nome de Victor. Após vinte anos, esse menino se torna um homem, que está começando sua vida adulta e tenta se encontrar com uma desconhecida, que uma semana antes teve relações sexuais com ele dentro de um banheiro. Quando telefona, ela não tem ideia de quem ele é e mesmo dizendo, ela pede que ele não ligue mais. Apesar deste corte, ele não desanima e consegue ir até o prédio dela. Pensando ser outra pessoa, ela abre a porta através do porteiro eletrônico, mas quando o vê fica bastante irritada, pois para ela foi uma transa, quando estava "doida", mas para ele foi a primeira vez. Ela decide expulsá-lo, ameaçando-o com uma arma. Os dois brigam e acontece um tiro acidental, que não fere ninguém, mas chama a atenção de uma vizinha, que alerta a polícia. Ao ver os dois policiais, ele se apavora e chega a ameaça-la colocando o revólver em sua cabeça. Eles se envolvem numa briga, a arma dispara, mas desta vez a bala atinge um deles que fica paralítico. A história se desenrola com destaque para a atriz espanhola Penélope Cruz Sanchez. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da soprano sul-coreana Sumi Jo.
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à maravilhosa pessoa, poeta e blogueira Luciah Lopez. Veja aqui, aqui e aqui.

DIA INTERNACIONAL DO OBRIGADO
 

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.

quarta-feira, outubro 14, 2015

ARENDT, STANISLAW, CUMMINGS, RAVACHE, KERCHE, CALIXTO, SIMON & GARFUNKEL, BRINCARTE DO NITOLINO & TOMÉ & VITALINA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DO CUSTOSO CASO DE TOMÉ & VITALINA - Tem gente que vê dente de coelho em tudo! Pronto, esse é o Tomé, sujeito mão-de-figa mais desconfiado que esse tá pra existir na face da terra. O bocó é tão precavido que até da sombra ele interpela: - Pronde é que você vai? -, duvidando logo qualquer ruína ou má-fé até dela. Imagina? Pirangueiro que só, seu ditado é: - Não gosto de gastar. Parece mais disco arranhado num samba de uma nota só. Bote avareza e, por prevenção, anda com uma pata leporina no bolso. E sempre com um pé atrás: - Ué, pode ser que seja, pode ser que não seja. Homem prevenido vale por dois! Assim é ele que vê a vigência da teoria da conspiração pra todo lado e que chega até a ter parecença com aquele exótico Giorgio Tsoukalos do History Channel, de tanto suspeitar que está sendo ludibriado por alguma coisa. Tanto é que passou mais de trinta e cinco anos de sua vida zelando por sua castidade, sem arrumar uma que fosse por namorada. Quando encontrou, foi justo Vitalina, pense duas trepeças juntas. Pra se ter ideia, eles nasceram no mesmo dia, mês e ano! Um achado. A diferença é que ele era duma localidade denominada Casa de Caixa Pregos e ela num lugar duma lonjura tão grande que o povo só conhecia como Fim de Mundo. Não deixa de ser mais uma coincidência, né não? Apois, foi. Ele um hesitante que só anda com o pé direito na frente para evitar o sestro agouro; ela, uma crédula devota de todos os credos e sincretismos, que não sai de casa sem antes passar o horóscopo, fazer simpatias com todas as orações do rosário e viver de catar fórmulas e ocultidões para livrá-la de malsinações. Pronto, está feito o pacto mais perfeito. Sem saber se vai dar certo ou não, o certo mesmo é que embromaram no relacionamento por quase quinze anos entre achegamentos pudicos, meu bem pra lá e pra cá, com as inevitáveis divergências ocasionais que quase viraram definitivas, não cedessem diante da fortaleza de personalidade de ambos. Entre altos exultantes e baixos deprimentes, conseguiram empacar na novela do casamento depois de tanto tempo na identificação das afinidades e, um detalhe, sem noivado. A bronca vai até hoje. Por que? Ora, primeiro não conseguiram avançar do estágio de namoro pra nubente por completa falta de segurança – vai ver que um ou outro desista e não querem passar por esse vexame. Por via de dúvidas, prosseguiram na deles. Resolveram então pular a etapa e foram logo pro casório, não antes testarem de tudo: de fidelidade até conferência da vida dos familiares de cada um. Vencido o estágio de verificação se havia alguma pá virada entre os parentes deles, passaram para a cerimônia, não antes se desentenderem no descarte do celebrante, findando apenas no juiz e mais ninguém. Foram superando divergências de credo, de gastos, de convivas, de acomodação e muitas tantas outras que os dois emperraram de se engancharem em mata-burros intransponíveis, até chegarem pra escolha do dia pro matrimônio: não pode ser uma segunda porque ela nunca será a outra, vire; terça é dia de carnaval e ela não está pra ser deixada na folia, foi; quarta lembra a de cinzas, cruz-credo!; quinta, ela não quer ser categorizada como imprestável, arreda!; sexta, não quer sofrer como uma crucificada, sai-te!; sábado, é dia da libertinagem de Zé-Pereira, pula; domingo... hum, domingo. Ela refletiu que pode ser um domingo. Será? Depois da maior lengalenga, agora o nó-cego é escolher o mês, pois ela precisa passar no conferido da numerologia, das cartas e de todas as superstições inimagináveis de sua ciosa certificação. E isso leva tempo. Pelo jeito não será tão cedo. E vamos aprumar a conversa aqui.

 Imagem: Crianças (1892, Óleo sobre Tela Dim. : 51 x 63 cm), do pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo Benedito Calixto de Jesus (1853-1927).


Curtindo o álbum Bridge over Troubled Water (Columbia Records, 1970), da dupla Paul Simon e Art Garfunkel, que inspirou a canção Ponte sobre águas turvas, que compus sobre poema de Juareiz Correya. Veja aqui.

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino para as crianças de todas as idades, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação especial do Dia das Crianças, com duas horas de duração, atrações especiais chamando a meninada com Chico Buarque & Vinicius de Moraes, Turma da Mônica, Moraes Moreira, Toquinho, Lucinha Lins, Paulinho Boca de Cantor, Vida de criança, Menino da beira do rio, Balão Mágico & Djavan, Trem da Alegria, Meimei Corrêa, Disco Clube da Criança, Nita - Pais, mães, crianças e brinquedos, Galinha Pintadinha, Isabella Taviani, Chaves & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

A CRISE NA EDUCAÇÃO – No livro A crise na educação (Partisan Review, 1957), da filósofa política alemã Hannah Arendt (1906-1975), destaco o trecho seguinte: [...] O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, desde a Antiguidade até aos nossos dias, mostra bem como pode parecer natural querer começar um mundo novo com aqueles que são novos por nascimento e por natureza. No que diz respeito à política há aqui, obviamente, uma grave incompreensão: em vez de um indivíduo se juntar aos seus semelhantes assumindo o esforço de os persuadir e correndo o risco de falhar, opta por uma intervenção ditatorial, baseada na superioridade do adulto, procurando produzir o novo como um fait accompli, quer dizer, como se o novo já existisse. É por esta razão que, na Europa, a crença de que é necessário começar pelas crianças se se pretendem produzir novas condições tem sido monopólio principalmente dos movimentos revolucionários com tendências tirânicas, movimentos esses que, quando chegam ao poder, retiram os filhos aos pais e, muito simplesmente, tratam de os endoutrinar. Ora, a educação não pode desempenhar nenhum papel na política porque na política se lida sempre com pessoas já educadas. Aqueles que se propõem educar adultos, o que realmente pretendem é agir como seus guardiões e afastá-los da atividade política. Como não é possível educar adultos, a palavra «educação» tem uma ressonância perversa em política — há uma pretensão de educação quando, afinal, o propósito real é a coerção sem uso da força. Quem quiser seriamente criar uma nova ordem política através da educação, quer dizer, sem usar nem a força e o constrangimento nem a persuasão, tem que aderir à terrível conclusão platônica: banir todos os velhos do novo estado a fundar. Mesmo no caso em que se pretendem educar as crianças para virem a ser cidadãos de um amanhã utópico, o que efetivamente se passa é que se lhes está a negar o seu papel futuro no corpo político pois que, do ponto de vista dos novos, por mais novidades que o mundo adulto lhes possa propor, elas serão sempre mais velhas que eles próprios. Faz parte da natureza da condição humana que cada nova geração cresça no interior de um mundo velho, de tal forma que, preparar uma nova geração para um mundo novo, só pode significar que se deseja recusar àqueles que chegam de novo a sua própria possibilidade de inovar. [...] Deste modo, o que faz com que a crise da educação seja tão especialmente aguda entre nós é o temperamento político do país, o qual luta, por si próprio, por igualar ou apagar tanto quanto possível a diferença entre novos e velhos, entre dotados e não dotados, enfim, entre crianças e adultos, em particular, entre alunos e professores. É óbvio que este nivelamento só pode ser efetivamente alcançado à custa da autoridade do professor e em detrimento dos estudantes mais dotados. No entanto, é igualmente óbvio para quem alguma vez esteve em contato com o sistema educativo americano que esta dificuldade, enraizada na atitude política do país, tem também grandes vantagens, não apenas do ponto de vista humano, mas no plano da educação. De qualquer forma, estes factores gerais não podem explicar a crise em que nos encontramos no presente nem justificar as medidas que a precipitaram. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

HISTÓRIA DE UM NOME – No livro O homem do lado (José Olympio, 1958), do escritor, radialista, jirnalista e compositor Sérgio Porto (1923-1968) - o magistral Stanislaw Ponte Preta -, encontro História de um nome: No capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha avó a paterna - dizia: — Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria! É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e — vá lá — fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família morava. Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu — o "Seu" Wagner — porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás, mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o nome leguminoso de Wagem — "wag" de Wagner e "em" de Emília. É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com "v", enquanto o filho de "Seu" Wagner herdara o "w" do pai. Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que eram apresentados ao menino Wagem. Mas deixemos de lado as birras de minha avó — velhinha que Deus tenha, em Sua santa glória — e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos. "Seu" Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente, foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal. Lembro-me bem dos filhos de "Seu" Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio pegou o vício do pai - vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de "Seu" Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira. "Seu" Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo, fez a graça: — Vai levar a biblioteca para o banho? "Seu" Veiga ficou queimado durante muito tempo. Dona Odete — por alcunha "A Estante" — mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter tantos filhos homens e não ter uma menina "para me fazer companhia" - como costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da idéia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria. As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando uma enormidade. Os vizinhos comentaram que "Seu" Veiga não gostou, ainda que se conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras relacionadas a livros para denominar a criança. Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas — bom católico — acabou concordando em parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da Veiga. Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de "Seu" Veiga. Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUARENTA POEM(A)S -  No livro 40 poem(a)s (Brasiliense, 1986), do poeta estadunidense Edward Estlin Cummings ( e.e.cummings 1894-1962), destaco inicialmente o poema 19: platão lhe / disse: ele não / quis ouvir (jesus / lhe disse; ele / não soube / ouvir) lao / tse / certamente lhe / disse, e o general / (sim / senhora) / shreman: / e até / (acredite / ou / não) você / lhe disse: eu lhe / disse: nós lhe dissemos / (ele não ouviu, não / senhor) foi preciso / um pedaço niponizado do / velhor elevado da 6ª / avenida; / no meio da testa: pra que ele ou / visse. Também o poema 24: quando as serpentes paguem para ser serpentes / e o sol para ganhar seu pão recorra à greve - / quando o espinho olhe a rosa com suspeita / e o arco-íris faça seguro contra a neve / quando tordo nenhum puder cantar enquanto / todos os mochos não fizerem a censura / - e os mares tenham que fechar para balanço / se as ondas não tiverem posto a assinatura / quando o carvalho pedir vênia ao vidoeiro / para gerar seu fruto – o vale casse a vista / dos montes, porque são altos, e fevereiro / acuse março de ser terrorista / então acreditaremos nessa incri / vel humanidade inanimal (e só aí). Veja mais aqui.

ACONTECEU EM IRKUTSK & OS HOMENS SÃO DE MARTE - A trajetória da atriz de teatro, cinema e televisão Irene Ravache começou em 1961, quando atuou como atriz na peça Aconteceu em Irkutsk. Em 1962 quando começou a fazer um curso de interpretação na Fundação Brasileira de Teatro (FBT) e, no ano seguinte, atuou na peça Eles não usam black-tie e, também, Aonde vais, Isabel? Em 1964, fez um novo curso de interpretação no Teatro dos Quatro. Em 1966 é a vez da peça Pindura a Saia e, em 1968, A cozinha. Nos anos de 1970 faz curso de técnica vocal no Método Espaço Direcional e, em São Paulo, frequentou aulas de Butoh. A partir de então vieram as atuações nas peças A ratoeira (1971), Os inocentes (1972), Roda cor de roda (1975), Os filhos de Kennedy (1977), Bodas de papel (1978), Tem um psicanalista na nossa cama (1980), Pato com Laranja (1980), Afinal uma mulher de negócios (1981), Filhos do silêncio (1982), De braços abertos (1984), Uma relação tão delicada (1989), Eu me lembro (1995), Brasil S/A (1996), Inseparaveis (1997), Intimidade indecente (2001) e A reserva (2008). Atuando como diretora nas peças teatrais As avestruzes (1979), A gema do ovo da ema (1979), Beijo de humor (1995), Clarice em casa (1995) e As vantagens de ser bobo (1998). No cinema ela estreia com Geração em fuga (1972), seguindo-se O supermanso (1974), Lição de amor (1975), Curumim (1978), Doramundo (1978), Que bom te ver viva (1989), Ed Mort (1997), Até que a vida nos separe (1999), Amores possíveis (2001), Viva sapato! (2002), Depois daquele baile (2005) e Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou (2014). Também atuou em novelas e series de tv, tornando-se uma atriz, diretora e produtora de teatro respeitada com indicação internacional. Veja mais aqui.

ESPELHO D’ÁGUA – O belíssimo e premiado drama Espelho d'Água: Uma Viagem no Rio São Francisco (2004), dirigido por Marcus Vinicius Cesar, com roteiro do diretor Yaya Wursch e Lara Francischetti, e música de Naná Vasconcelos. O filme foi ganhador do premio de melhor ator coadjuvante para Francisco Carvalho e melhor atriz coadjuvante para Regina Dourado no Cine PE – Festival do Audiovisual, tendo sido realizado após quatro anos de pesquisa e um minucioso período de preparação e e escolha de locações antes do inicio das filmagens que aconteceram durante oito semanas, em 2001. O filme é encantador e fascinante com destaque pro elenco e pra trilha sonora, bem como ser construído num cenário paradisíaco com uma história para lá de tocante. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da bailarina brasileira Cecília Kerche.

Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...