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sexta-feira, outubro 14, 2016

CIDADANIA, VIVIANE HAGNER, VERUNSCHK, GLÁUCIA MACHADO, DAGNINO, NIKI CARO & CASTLE-HUGHES, BARALDI, TALBOT, YI-CHUN WU, SORAYAMA, LUCIAH & BURACO D’ORÁCULO


INEDITORIAL: SÓ DESAMPARO NO DESCOMPROMISSO SOCIAL! – Salve, salve, gentamiga do meu Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada! Nesse tempo de cultura narcísica, em que a busca só se direciona para as demandas da gratificação imediata no prazer do momento, estamos todos afogados na rasa superfície do aqui e agora das ondas e modas, sem saber que estamos perdidos no meio do maior tiroteio das ideologias dominantes e sucumbindo com as bandeiras da frivolidade dos oportunistas que só tiram proveito da nossa confusão mental. Como ninguém sabe mais o que é e o que não é – antes fosse e quase será que é mesmo? -, com a ética empurrada para baixo dos tapetes, o que vale de mesmo é tirar vantagem da oportunidade e se arrumar, sem saber que depois dessa festança o enterro costuma voltar pra tirar tudo a limpo. Enquanto se valida aquela do cada qual que cuide si, a gente é só desamparo no descompromisso social. Mas já que a gente tem que gritar pra não se ver rendido nem levado pela avalanche da boiada, vamos conferir as novidades do dia: na edição de hoje destaque para a arte do cartunista Márcio Baraldi, a música de Viviane Hagner, a cidadania da professora Evelina Dagnino, a fotografia de Yi-chun Wu, a professora Gláucia Vieira Machado, a poesia de Micheliny Verunschk, a escultura de Michael Talbot, o teatro do Buraco d’Oráculo, o cinema de Niki Caro e Keisha Castle-Hughes, a pintura de Oresteia Papachristou, o Encontro da Abrapso, a entrevista de Luciah Lopez, as ilustrações futurísticas de Hajime Sorayama, a palestra na Semana de História da Ufal & a croniqueta A menina do sorriso ensolarado. No mais, vamos aprumar a conversa & veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O caso de Tomé & Vitalina, Hannah Arendt, Stanislaw Ponte Preta, Edward Estlin Cummings, Paul Simon e Art Garfunkel, Irene Ravache, Marcus Vinicius Cesar, Cecília Kerche & Benedito Calixto de Jesus aqui.

E mais:
Fecamepa: quando o furacão dá no suspiro do bandido, de uma coisa fique certa: a gente não vale nada aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado aqui.
Onde não tem mata-burro a gente manda ver no trupé & Maíra Dvorek aqui.
Neuroeducação aqui.
Segure a onda & tataritaritatá aqui.

DESTAQUE: 
 A arte do cartunista Márcio Baraldi. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A MENINA DO SORRISO ENSOLARADO (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). – É dela o riso de Sol que amanhece o meu dia por todas as manhãs das estações vitais, pra que eu nunca me perca na escuridão das minhas errâncias e tenha sempre a direção alternativa da saída para o que me fizer de redoma no meio dos turbilhões. É dela o riso ensolarado que clareia meu destino reverberando faroleiro ao navegante perdido, prestes a sucumbir aos tantos naufrágios recorrentes nas profundezas da dúvida que sou de mim mesmo nas quedas abissais que não é mais que desamparo das minhas próprias sofrências. É dela o riso com todos os raios solares apontando a direção exata daquilo que perdi e não restava a mínima esperança de reencontrar o prumo da vida, desencantado à toa como quem erra de tudo e a se perder pelas loas que eu próprio digiro nas minhas inquietações e regurgito por versos que nem sei mais de mim porque não são mais meus pra ser dela na voz terna que me devolve a vitalidade e a vontade de viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui e aqui.

 Curtindo o álbum Ciacconna – Music by Bach, Bartok & Hartmann (Altara/Bonnier Muic, 2006), da premiada violinista alemã Viviane Hagner, interpretando música de Béla Barók, J. S. Bach & Karl Hartmann

CIDADANIA - A expressão cidadania está hoje por toda parte, apropriada por todo mundo, evidentemente com sentidos e intenções diferentes. Se isso é positivo, num certo sentido, porque indica que a expressão ganhou espaço na sociedade, por outro lado, face à velocidade e voracidade das várias apropriações dessa noção, nos coloca a necessidade de precisar e delimitar o seu significado: o que entendemos por cidadania, o que queremos entender por isso. [...] Uma das razões fundamentais da sedução que a noção de uma nova cidadania exerce hoje em dia é a possibilidade de que ela traga respostas aos desafios deixados pelo fracasso tanto de concepções teóricas como de estratégias políticas que não foram capazes de articular essa multiplicidade de dimensões que, nas sociedades contemporâneas, integram hoje a busca de uma vida melhor. Dessa capacidade de articular os múltiplos campos onde se trava hoje no Brasil a luta pela construção da democracia e pelo seu aprofundamento, depende o futuro da nova cidadania enquanto estratégia política. Trechos extraídos do artigo Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania, da professora doutora Evelina Dagnino, publicado na obra que ela organizou Anos 90: política e sociedade no Brasil (Brasiliense, 1994). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagens: a arte da fotógrafa Yi-chun Wu.

PENSAMENTO DO DIAO absurdo não está fora da razão. Todo projeto de racionalidade funda-se em algum paradoxo que, por sua vez, desdobra-se em inúmeras construções lógicas. O ocasional e o casual impõem-se no horizonte da possibilidade e exigem da linguagem o esforço de dizer o indizível, o imprevisível. [...]. Trecho extraído do artigo Guimarães Rosa: outro foco – a ironia no conto Quadrinho de História (Estudos de Literatura Brasileira – II, Revista do Centro de Estudos Portugueses, 1991), da poeta e professora universitária Gláucia Vieira Machado. Veja mais aqui e aqui.

 Imagens: a arte do escultor Michael Talbot.

OUTRO CÂNTICO - I - mulheres de Jerusalém, / vocês viram o meu amado? / pomar de romãs / meu vinho meu leite / revoada de pássaros / mirra incenso / falo. / [o meu amado / passou sua mão / pela fresta da porta / meu coração / entre seus dedos / estremeceu: / eu sou do meu amado / e ele é meu]. II - mulheres de Jerusalém / se encontrarem o meu amado / digam que guardei-lhe uma flor / semiaberta / entre as pernas / digam que desfaleço / e morro de amor. / [o meu amado / ergue-se / Monte Carmelo / tenda no deserto / torre do Líbano / suas pernas, torres / sua coroa, lírios]. III - mulheres de Jerusalém / foi por entre as romanzeiras em flor / que o meu amado me beijou / e embaixo da macieira / sua língua / cítara / entre meus dentes. / [o meu amado / passa a mão / em minha cintura / e me conduz / ao jardim / de todas as venturas. / o meu amado é belo / como o cedro / e o seu amor / mirra da mais pura]. IV - mulheres de Jerusalém / procurei o meu amado / e não o achei. / dizem que o amor / é mais forte que a morte / mas a saudade / é pedra e sepultura. / aloé açafrão e nardo / nada sara essa ferida funda. /  [ventos do oriente / soprem / seu perfume sobre mim / e deixem que o meu amado / me apascente / e coma dos frutos / do seu jardim] V - mulheres de Jerusalém, / eu quero o meu amado / e o meu amado me quer / meu nome gravado em seu anel / meu cabelo enroscado no seu brinco / seu amor oásis de leite e mel / seu desejo marfim e vinho tinto. / [é doce beijar o meu amado, / seus olhos sua testa / a curva do pescoço / os seus lábios / e espero / como a pomba / aguarda a primavera / para conduzi-lo / ao jardim / mais aromático]. Poemas da poeta e historiadora Micheliny Verunschk, autora de obras como Geografia íntima do deserto (Landy, 2003), O observador e o nada (Bagaço, 2003), Cartografia da noite (Lumme, 2010), entre outros. Veja mais aqui.


BURACO D’ORÁCULO – O grupo teatral Buraco d’Oráculo atua em São Paulo desde 1998 na discussão do homem urbano contemporâneo e seus problemas. Surgido no bairro de Cangalha, Zona Leste da capital paulista, o grupo tem desenvolvido atividades de teatro de rua, maneira que encontraram para compartilhar momentos de reflexão e afetividade por meio da arte. Suas atividades estão embasadas num tripé que vai da rua, como espaço de promover o encontro direto com o publico; a cultura popular como fonte geradora de inspiração e motivação; e o cômico (destacando-se a farsa e as relações como o denominado “realismo grotesco”). Veja mais aqui.


THE VINTNER’S LUCK – O drama romântico/fantasia The Vintner's Luck (2009), dirigido pela cineasta neozelandesa Niki Caro, é um conto apaixonado sobre a vida de um jovem enólogo camponês e ambicioso, e os três amores de sua vida: a sua esposa, a baronesa intelectual orgulhosa e um anjo que parece até uma improvável amizade duradoura, mas que beira o erotismo com ele. Sob a orientação do anjo, ele é forçado a compreender a natureza do amor e crença no processo de luta com o sensual, o sagrado e o profano - em busca da safra perfeita. O destaque fica por conta da atriz australiana Keisha Castle-Hughes. Veja mais aqui.


Imagens: a arte da pintora grega Oresteia Papachristou.

AGENDA: ENCONTRO REGIONAL DA ABRAPSO – Acontecerá entre os dias 10 e 12 de novembro, no campus Dom Bosco da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), São João del-Rei - Minas Gerais, o XX Encontro Regional da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), propondo analisar o momento político de tantas incertezas quanto aos rumos da democracia no Brasil, de tantas incertezas quanto á consolidação de direitos e garantias civis. O debate será acerca das formas mais democráticas de se fazer política e suas interfaces com a Psicologia Social, acreditando ser necessário não desconsiderar as ameaças de retrocesso e as atuais faces do autoritarismo. Por outro lado, Políticas Públicas com importantes inserções da Psicologia precisam ser avaliadas criticamente para que os caminhos para o futuro sejam trilhados com mais liberdade e permitam a consolidação de esforços de várias gerações para sua construção coletiva. Informações Gerais: E-mail: xxencontroabrapsominas@gmail.com e no site: http://www.encontro2016.minas.abrapso.org.br/. Veja mais aqui e aqui

 ENTREVISTA: LUCIAH LOPES – A poeta, blogueira e artista visual Luciah Lopez tem comemorado a receptividade que o seu trabalho artístico tem recebido nos últimos tempos. Por conta disso, trago uma entrevista que ela concedeu falando de seu trabalho literário e dos seus projetos artísticos. Confira aqui, aqui e aqui.

REGISTRO 
Em 2009, tive oportunidade participar da mesa de debates “Literatura e pós-modernidade”, ocorrida durante a VIII Semana de História da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ao lado da professora Glaucia Vieira Machado. Por resultado, escrevi o artigo: Literatura – Modernidade x Pós-Modernidade, uma reflexão em que pontuei, em primeiro lugar, a distinção entre modernidade e pós-modernidade, para, a partir daí, localizar a literatura no período compreendido pelo estudo. Veja detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte do ilustrador e artista plástico japonês Hajime Sorayama.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA


Paz na Terra

Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

RENÉE FERRER, LIZA MARKLUND, MAVIS GALLANT, HENFIL, GUÉNON & ELIANE DE GRAMMONT

 


ELIANE, UMA VÍTIMA PASSIONAL... - A linda Eliane Aparecida era leonina e perdera seu pai para a miocardiopatia, enfermidade que vitimou dois de seus irmãos. Mesmo assim começou a cantar inspirada na mãe cantora e incentivada pelos sobreviventes irmãos jornalistas e do rádio. Emplacou a música Coisas Bobas, na novela da rádio Tupi, O profeta. Na esteira da ascensão conheceu o amor na RCA que se prolongou por dois anos de namoro até se casar, contrariando os parentes e com a expressão clara de separação de bens: não tinha interesse algum na fortuna do seu amor. Só descobriu o erro depois: foi proibida de cantar. Desse breve relacionamento nasceu sua filha. O seu inferno: o abuso de álcool e as crises violentas de ciúmes, deram em episódios de agressão, separações e sofridas reconciliações. Foi exigida que assinasse dez compromissos, recusou; finalmente o desquite, uma dolorosa separação. E a descoberta de ser portadora da miocardiopatia que matara vários de seus familiares. Não se deu por vencida e retomou a carreira de cantora. Mas ao se apresentar no Belle Époque, naquela noite de segunda-feira outonal, cantando a música João e Maria, da dupla Sivuca-Chico Buarque, no momento em que entoava a frase musical: Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim... Ela foi alvejada com vários tiros desferidos pelo ex-marido enciumado. O violonista que a acompanhava também foi atingido no abdome – era primo do infrator. Foi levada às pressas a um pronto-socorro e não resistiu aos ferimentos. Durante o julgamento ela foi escarnecida e desqualificada de todas as formas: mãe que descumpria suas obrigações, infiel e de conduta reprovável, tudo em nome da legítima defesa da honra do macho e sob o imaculado crime passional cometido por violenta emoção: Mulher que bota chifre tem que virar sanduíche! Quanta impunidade, o adultério era crime. Vítima de feminicídio, um combate antigo à violência contra a mulher. De luto até hoje: Quem ama não mata... É preciso repetir com todas as vozes: Eliane Gramont não vai cantar hoje. Ela está morta! Viva Eliane de Grammont (Eliane Aparecida de Grammont – 1955-1981), filha da compositora Elena de Grammont e irmã da jornalista Helena de Grammont. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS: O sucesso só pode ser medido em termos da distância percorrida. Existem muitas opiniões neste mundo, e boa metade delas são professadas por pessoas que nunca tiveram problemas... Pensamento da escritora canadense Mavis Gallant (1922-2014). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Os homens de hoje gabam-se da extensão cada vez maior das modificações que impõem ao mundo, e a consequência é que tudo se torna cada vez mais “artificial”... O “fim de um mundo” nunca é e nunca poderá ser nada além do fim de uma ilusão... Pensamento do escritora esotérico francês René Guénon (1886-1951), que na sua obra The Crisis of the Modern World (Sophia Perennis et Universalis, 2001), expressa que: […] O que os homens chamam de acaso é simplesmente sua ignorância das causas; se a afirmação de que algo aconteceu por acaso significasse que não teve causa, seria uma contradição de termos. [...] Aqueles que podem ser tentados a ceder ao desespero devem perceber que nada realizado nesta ordem pode ser perdido, que a confusão, o erro e a escuridão podem vencer apenas aparentemente e de forma puramente efêmera, que todo desequilíbrio parcial e transitório deve necessariamente contribuir para o equilíbrio maior do todo, e que nada pode, em última análise, prevalecer contra o poder da verdade. [...].

 

ALGUÉM MAIS FALOU: Por que é que vestir um homem de mulher é humilhar, é desmoralizar? Por que ser mulher é a coisa mais humilhante e desmoralizada que tem? Pior que ser cachorro, pato ou galinha? ... Pois. É por isso que um (dois, três, mil) Lindomar Castilho tem o legítimo direito de matar a Eliane de Grammont. Ah, ele é apenas misericordioso. Quis livrar a Eliane da humilhação, da desmoralização de ser... uma mulher. Manifestação do cartunista, jornalista, quadrinista e escritor brasileiro Henrique de Souza Filho, o Henfil (1944-1988), no quadro TV Homem, no programa televisivo diário TV Mulher, da Rede Globo, publicado na seção da revista hebdomadária IstoÉ, escrevendo cartas à sua mãe e comentando fatos da semana, no fatídico 8 de abril de 1981, comentando o fato de policiais vestirem um assaltante de mulher e com ele desfilaram pelas ruas como sinal de humilhação. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEXO NO ESTÚDIO - […] Que importância tinha o que ela escreveu sobre uma garota sueca morta, quando pessoas em outras partes do mundo não faziam nada além de matar umas às outras? [...]. Trecho extraídos da obra Studio sex (SUMA, 2010), da escritora e jornalista sueca Liza Marklund (Eva Elisabeth Marklund),  que na obra Sprängaren (Ordupplaget, 1999), expressa que: […] Neste momento, nunca mais conte com nada e não se concentre em suas próprias propriedades; Vieta de zi cu zi não é distorcido e deve ser irracional: nem mesmo fericiți e nem se parece com tudo isso é possível. [...], e na obra The Final Word (Corgi, 2015) expressa ainda que: […] A jornalista imparcial, pesquisadora e esclarecedora, como era aos olhos de todos, de todos os atores modernos, não seria nada além de um pequeno parágrafo na história dos homens, e foi ele, ele mesmo em pessoa, quem esteve no leme já eles gritaram direto para o inferno. [...], ao enfatizar que: Nunca haverá nenhuma revolução. A humanidade trocou-a pela Coca-Cola e pela televisão a cabo.

 

TRÊS POEMASDEJEÇÃO - Esvazie o copo da indiferença,\ a ferrugem do distanciamento,\ e confinado em seu corpo\ deixe-se levar em direção ao seu eu primitivo;\ absorve lentamente a orfandade\ que traz você\ Que banquete para um coração gelado.\ Com o próprio desamparo\ enxugue a baba\ da teimosa aranha que te encurrala,\ e deixe ir:\ não tente mais, \ você não é ninguém. CONVICÇÃO - Úmido e germinado em desejo,\ estranho diante de um perfil que não conheço,\ Eu fecho portas,\ Fecho o país da febre.\ As pessoas que amo me veem partir;\ Eles mantêm minha concha vazia.\ Eu sou um navio\ com o leme encalhado em frente ao penhasco\ de onde vem a palavra,\ prisioneiro de paredes caducas\ que assedia um vendaval estéril.\ Por trás do impulso do pensamento\ meu sulco de ternura torna-se estéril.\ Eu sou uma bola de gude que nega\ o beijo elementar,\ o doce momento,\ esbanjando elogios\ ao verbo:\ meu carrasco. MÚSICA DENTRO DO SEU CORPO - Ouço dentro do seu corpo uma nota de sustentação;\ uma cotovia sobe no andaime do tempo, um tempo\ que vive em você e flui em seu pulso. Você não ouve?\ Com sua garganta de cristal dissipa a névoa que escurece sua testa;\ seu canto sobe até seus pensamentos, abunda em seus braços, multiplica-se,\ atraindo você para as ilhas dos meus beijos.\ ouço tuas artérias prolongadas num solo de ternura;\ perdido atrás da minha melancolia a mesma nota se repete na celestialidade dos seus olhos.\ Como se dissesse aqui estou, uma melodia como a de um trapezista atravessa seus olhos aumentando minha alegria,\ e do seu coração, meu amor, seus arpejos desenterram meus mistérios.\ A nota é uma pequena chave que tilinta em suas mãos, inaugurando a flâmula da minha impaciência; aquecendo-me ao lado da chama, estou inundado de coros gloriosos,\ seus lábios na chama, acordes na minha boca.\ Busque a nota em seu corpo, busque-a: ela é feita de luz; \ na tua fundição vejo uma revoada de andorinhas alegres;\ em seus músculos ressoa a música do universo,\ e eu me rendo aos ditames do desejo. Poemas da escritora e dramaturga paraguaia Renée Ferrer de Arréllaga.

 

SACADOUTRAS

  

SATYAGRAHA & O DIA DA NÃO-VIOLÊNCIA - Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), o grande Mahatma Gandhi que foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano atuou como advogado na África do Sul defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo por seus direitos. Ele tornou-se o maior defensor do Satyagraha como desobediência civil e meio de revolução, por meio do seu programa de cinco pontos exibidos pelos dedos da sua mão: igualdade, nenhum uso de álcool ou droga, unidade hindu-muçulmano, amizade e igualdade para as mulheres. Esses pontos estavam conectados ao pulso significando a não-violência. Utilizou também a estratégia política do swadeshi – boicote a todos os produtos importados. Por sua luta em defesa da paz e do povo hindu, ele foi assassinado no dia 30 de janeiro de 1948, em Nova Déli, pelo hindu radical Nathuram Godse. Seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas no rio Ganges. Veja mais aquiaqui

Imagem da atriz inglesa Vanessa Redgrave no filme Blow-Up, do cineasta italiano Michelangelo Antonioni. Veja mais aqui

Ouvindo Phil Collins cantando no Genesis Firth Of Fifth & I Know What I Like (In Your Wardrobe), ao vivo no show When in Rome, 2007. Veja mais aqui.

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS E A SINA DE MÃE – A Associação de Moradores saiu de casa em casa convocando os moradores para uma palestra sobre cuidados dos filhos. Falou em filhos, é o mais importante assunto para Marcialita. No dia e hora marcados lá foi ela com os seus cinco bruguelinhos de cabelo de milho, tudo enganchado no cós da saia. Assistiu a tudo, apertou os olhos por não entender patavina, mas não arredou o pé. Ao final, o palestrante saiu perguntando aos presentes a respeito do tema abordado. Na vez dela, no jeito xucro dela, esbravejou: - Lá em casa é assim: escreveu num leu, pau cumeu pra num virá imprestáve e não me dá mais sossego pru resto da vida. Prurisso, reza tudo de joêio ni pedra, todo santo dia e adispois dô uma pisa em cada um pra aprendê e me livrá de duas maledicença: ser mãe de político ou de juiz de futebó. Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! Veja mais aquiaqui

DOS GIBIS AOS CATECISMOS DO ZÉFIRO – Desde menino que fui colecionador de gibis, de ter sacos e sacos cheinhos deles. E de tudo: desde os da Turma da Mônica que já circulava, passando pelos clássicos dos super-heróis da gringada, até os que às escondidas carregava dentro das revistas: os catecismos de Zéfiro. Ainda hoje sou fã de quadrinhos. E como hoje é o Dia Nacional dos Quadrinhos, quero homenagear o rockcartunistamigo Márcio Baraldi e à roteirista e divulgadora Michelle Ramos. Veja mais aqui, aqui e aqui


A VOZ DOS DESENHOS – A atriz canadense Jennifer R. Hale, além de apresentadora de televisão e de atuar em cinema, é também uma das vozes mais conhecidas do planeta por sua voz em jogos, animações, comerciais e filmes da Disney e de Hollywood. Entre os games estão o Tales of Symphonia, o Star Wars, o The Metroid Prime series, entre outros. Por meio dela a nossa homenagem para todos os locutores e dubladores do planeta. Veja mais aqui.

ELA DO TEATRO, CINEMA & TELEVISÃO – Hoje também é dia de homenagear a atriz, apresentadora de TV e diretora Maria Luísa Mendonça, que se formou pela Casa de Arte das Laranjeiras, em 1991, para brilhar na televisão, no cinema e no teatro. Atuou em peças teatrais de Nelson Rodrigues, Pirandello e Shakespeare, além das suas maravilhosas participações em filmes como Jogo Subterrâneo, Amar, Quem matou Pixote, dentre outros, e pela direção dos filmes Everyday Art, Indonesia: Islands on Fire e Nasci Mulher Negra. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
O reino das águas aqui.

E mais:
Eu nasci entre um rio e um riso de mulher aqui e aqui.
Cantando às margens do Una aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar aqui.
Penedo, às margens do São Francisco aqui.
Sou deste chão como a terra, o fogo, a água e o ar, André Gide, Brian Smith, Friedrich Hundertwasser & Carol Andrade aqui.
O que era Mata Atlântica quando asfalto que mata, António Salvado, João Parahyba, Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
Existe gente pra tudo, Os Apinajé, Harriet Hosmer, Josefina de Vasconcelos, Anelis Assumpção & Banksy aqui.
Rascunho solitário, Edino Krieger, Arturo Ambrogi, Jean-Baptiste Camille Corot & Jim Thompson aqui.
Centenário de Hermilo Borba Filho, Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, Augusto Boal, Joshua Reynolds, Ginofagia & Sedução aqui.
As águas de Alvoradinha, Bhagwan Shree Rajneesh, Milan Kundera, Endimião & Selene, Jorge Ben Jor, Anatol Rosenfeld, Lena Olin, Anthony van Dyck, Teco Seade,:Socorro Cunha & João Lins aqui.
O monge e o executivo de James Hunter, Neuropsicologia, Ressocialização penal, Psicologia escolar & educacional aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade & educação sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação Pedagógica, Direito Constitucional Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Homofobia, Sexualidade, Bissexualidade & Educação para as diferenças aqui.
A literatura de Goethe aqui, aqui, aqui & aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...