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sexta-feira, agosto 14, 2015

RAUMSOL, KAVÁFIS, KOUDELA, PANCHATANTRA, AUSTIN, VILLARES, NASCENTE & PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NASCENTE – Na edição nº 9, nov-dez/1997, do tabloide Nascente, dedicada à Consciência Negra, trago o editorial Sou da Paz. Na sessão Bate Papo uma entrevista com Milton Nascimento: “Se não houvesse esperança eu já teria parado de cantar há muito tempo”. Um artigo A esfera do dom, sobre o lançamento do cd Estreia do cantor e compositor pernambucano Ozi dos Palmares. Na seção Tabuletas, o segundo episódio das Proezas do Biritoaldo: Quando não se pensa direito, a cara sofre a maior vergonha. O artigo Aracaju: a beleza do cabrunco. Fernando Cereja falando sobre o Movimento Alternativo da Poesia. Na seção Registro, o intercâmbio com o material recebido: Contos de banheiro (para você ler lá), de Jocimar Alvares Bruno; Anuário da Poesia Brasileira/1997, editado pela Laís Costa Velho; o VIII Festival de Poesia (FESP), promovido pela Academia Rio-Pombense de Ciências, Letras e Artes; o lançado do cd de Macedo; a exposição de Javanci Bispo com poemas de Sandra Lustosa em Belo Horizonte. No Nascente Poético poemas de Zeca Domingosilva (RO), Lourdes Melo (MG), F. C. Rocha (RJ), Henry Kropf (RS), Emanoel Fay (AL), Rolando Revagiatti (Argentina), Almandrade (BA), Aparecida Ventura (PE), José Carlos Souza (BA), Jorge Saraiva (MG), Carolina Santana (PE), Jorge Luiz (AL), Edhar Franco )MG), Ricardo Machado (RJ), Maria José Ferreira (TO), Leone Cavalcante (AL), Eliane Di Santi (SP), Gessu Carisio (MG), Gisélia Paiva (PE) e Anchieta Santana (PI). Veja mais aqui e aqui.


Imagem: Modelo nua, do pintor Mário Villares Barboza (1880-1917)


Curtindo Avant Gershwin (Rendezvous, 2007), da cantora estadunidense de jazz e R&B, Patti Austin.

A HERANÇA DE SI MESMO – O livro Herança de si mesmo (Logosófica, 2012), do escritor, pedagogo e pensador humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche – o Raumsol, criador da Logosofia, traz um conhecimento de vital importância para o espírito humano, ampliando o conceito de herança ao abranger também os campos psicológico e espiritual. Da obra destaco o trecho inicial: Nada pode causar maior assombro que o fato de o homem ter permanecido alheio, desde tempos remotos, a uma realidade que tão direta e exclusivamente lhe concerne: a herança de si mesmo. Já muito se pensou e escreveu sobre a herança em seu aspecto material e psicológico – sem mencionar o jurídico –, mas sempre se atendo à ascendência e descendência das correntes que, na ordem comum, particularizam a linhagem. Ela é reconhecida nos traços fisionômicos, na composição óssea, no sangue e demais partes da constituição física, assim como são consideradas provenientes do mesmo conduto as qualidades do caráter e da inteligência, as tendências de toda ordem, a lucidez intelectual, as deficiências mentais e morais, e muitas outras peculiaridades psíquicas. Até aí chegou a investigação oficial e privada, e aí se deteve. Sem levantar questões – que estimamos neste momento inúteis – sobre a limitada visão com que se examinou este problema tão fundamental para a consciência de cada indivíduo, dedicar-nos-emos, neste trabalho, exclusivamente a assinalar a transcendência que a herança adquire do ponto de vista logosófico. A lei de herança é ampla, generosa e inexorável, como todas as leis universais. Está enraizada nos mais recônditos arcanos da existência humana, e seu segredo consiste em permanecer oculta até o momento em que é descoberta. Se bem seja certo que a célula genésica leva impressa a herança de cada indivíduo, também é certo que ela transmite só uma parte dessa herança. Tomemos, como exemplo, um casal com três ou mais filhos. É transmitido a cada um deles o conteúdo global da herança? Não, visto que não denunciam todos as mesmas características, nem compartilham, em proporção idêntica ou parecida, as qualidades boas ou más de seus progenitores, nem padecem tampouco – no caso de existirem – de iguais perturbações patológicas. Este fato é uma demonstração inquestionável de que a célula genésica faz deslizar em cada filho só uma parte da herança: a que a ele corresponde como potencial hereditário. [...] Veja mais aqui.

NUNCA CONFIES UM SEGREDO A UMA MULHER – O Panchatantra (Cultrix, 1962) é a primeira antologia de contos da antiga Índia, possui o núcleo central nos primórdios da era cristã e penetrou fragmentado no Ocidente. Nela encontrei a narrativa Nunca confies um segredo a uma mulher, da qual destaco o trecho: [...] Soncharma tinha uma filha já em idade de casar. Observando que o forasteiro era um ótimo brâmane que observava severamente todos os ritos, numa noite disse a sua mulher: - Nossa filha já está crescida. Se estiveres de acordo, poderemos casá-la com o grande brâmane que vive em nossa casa, em cuja vida rurual nada existe que possa ser censurado. E a mulher respondeu: - O que tu fizeres, a mim me parece bem de antemão. Na manhã seguintem, enquanto limpavam os dentes, Soncharma disse ao forasteiro: - Tornem0-nos parentes! E o brâmane arguntou: - Como posso casar-me com tua filha? Sou apenas um forasteiro. Queres dar-me tua filha, mas como é isso possível? Não sabes nada de minha linhagem, e queres fazer-me teu genro sem conhecer-me. Mas Soncharma replicou: - Tua conduta foi quanto bastou para ver quem és. Casa-te com ela! Então o outro meditou por alguns momentos, e respondeu: - Sim, caso-me com ela. E o brâmane casou-se com ela e fruiu as alegrias conjugais. [...] Em contrapartida, a filha de Soncharma, casada por seu pai com o forasteiro, ao ouvir esta conversa ficou muito triste. Na noite seguinte, ao ficar a sós com seu esposo, perguntou-lhe: - Diz-me, oh! Senhor, de que família procedes e quem são teus pais? Seu esposo respondeu: - Por que me fazes agora essa pergunta, depois do fato já consumado? Mas a mulher insistiu para que respondesse, e ele, cego de amor como estava, começou a falar assim: - Se te digo, pode cair sobre nóis dois a desgraça, a não ser que guardes o segredo em teu coração. A mulher replicou: - A quem vai a esposa desvendar o segredo de seu marido? E ele então, contou: - Procedo da raça das serpentes, e me chamo Pundarica. Antes de chegar a esta cidade mudei de figura. Casei-me contigo por indicação de teu pai. Mas sua mulher não queria acredita-lo,.e então Pundarica mostrou-se em sua verdadeira figura: a figura de um deus das serpentes. Só neste momento sua mulher acreditou nele. Assim que voltou a tomar a figura de brâmane, Pundarica recomendou: - Não contes esta história a ninguém! – Nada receies, senhor! Não abrirei a boca! Mas na manhã seguinte a mulher de Pundarica foi de novo á fonte a buscar agua. Pelo caminho não pode resistir à tentação, e disse a suas amigas: - Vossos maridos são apenas criaturas humanas; eu, porem, tenho um esposo que procede da raça das serpentes. É o deus das serpentes Pundarica. Precisamente neste instante Garuda, sob a diminuta figura que adotava, estava pousado sobre uma árvore, e ouviu estas palavras. Sob a forma de um pequeno pardal pousou sobre o cântaro da mulher, e assim chegou a casa de Pundarica. A mulher quis baixar os cântaros. Mas Garuda apertava-se de tal maneira que ela não podia tira-los da cabeça. Então exclamou a mulher: - Senhor, pega nestes cântaros; nãop sou capaz de baixa-los! Pundarica sentiu-se aterrorizado. “Certamente é Garuda que não deixa pegar os cântaros. A culpe é minha, por ter contado, a noite passada, o segredo a minha mulher” – pensou Pundarica. O brâmane forasteiro deixou-se ficar no mesmo lugar e gritou para sua mulher: - Quebra os cântaros! Mas os cântaros eram inquebráveis, porque Garuda os tinha encantado, e agora estão tão pesados, tão pesados, que a´mulher já vergava o pescoço. Então Pundarica ocorreu em socorro de sua mulher. Garuda cravou nele o seu olhar, e Pundarica caiu por terra, recitando a seguinte estrofe sânscrita: “Nunca se deve confiar um segredo às mulheres, mesmo que se corra o perigo de vida. Assim foi morta a serpente Pundaria pelo rio dos pássaros”. Recitou a estrofe em honra de Garuda. Porém Garuda acreditou que Pundarica a recitara para si mesmo. Não obstante procurou gravá-la na memoria, motivo por que começou a repeti-la. Então disse a mulher: - Recita agora esta estrofe sânscrita: - “Quem não reconheça como mestre aquele que lhe ensinou nem que seja uma silaba, residirá cem vezes nas entranhas maternas para renascer entre os que não tem casta, do ventre, de uma cadela”. Garuda ouviu esta estrofe e devolveu a vida a Pandarica, dispensando a mulher do estado de viuvez. Veja mais aqui e aqui.

FUI, QUANDO SURGIREM, UMA NOITE & JURA - No livro Poemas (Nova Fronteira, 1982), do poeta grego Konstantínos Kaváfis (1863-1933), traduzido pelo também poeta José Paulo Paes, encontrei os seus belíssimos poemas, entre os quais destaco inicialmente o seu poema Fui: Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui / em busca de volúpias que em parte eram reais / em parte haviam sido forjadas por meu cérebro; / fui em busca da noite iluminada. / E bebi então vinhos fortes, como / bebem os destemidos no prazer. Também o poema Quando surgirem: Esforça-te, poeta, por retê-las todas, / embora sejam poucas as que se detém. / As fantasias do teu erotismo. / Põe-nas, semi-ocultas, em meio ás tuas frases. / Esforça-te, poeta, por guardá-las todas, / quando surgirem no teu cérebro, de noite, / ou no fulgor do meio-dia se mostrarem. Além destes, Uma noite: Era o quarto vulgar e miserável, / escondido no andar de cima da taverna / suspeita. Da janela avistava-se o beco, / um beco imundo e estreito. Lá de baixo, / vinham as vozes de alguns operários / que jogavam às cartas, divertindo-se. Ali, num leito reles, ordinário, / eu tive o corpo do amor, desfrutei-lhe dos lábios / rosados e sensuais toda a ebriez -  / tal ebriez dos lábios róseos, que ainda agora, / ao escrever, tantos anos depois, / nesta casa vazia, eu de novo me embriago. Por fim, Jura: A cada pouco jura começar vida nova. / Mas quando a noite vem com seus conselhos, / seus compromissos, com suas promessas; / mas quando a noite vem com sua força / (o corpo quer e pede), ele de novo sai, / perdido, atrás da mesma alegria fatal. Veja mais aqui e aqui.

CAMINHOS DO FAZ-DE-CONTA - No livro Jogos teatrais (Perspectiva, 1984), da escritora, tradutora e professora universitária Ingrid Koudela, encontrei a parte Caminhos do faz-de-conta, da qual destaco o trecho: [...] A passagem do jogo dramático para o jogo teatral representa a transformação do egocentrismo em jogo socializado. O desenvolvimento progressivo do sentido de cooperação leva à autonomia da consciência, realizando a revolução copérnica que se processo no individuo, ao passar da relação de dependente para a de independencia. O processo de jogos teatrais visa efetivar a passagem do teatro concebido como ilusão para o teatro concebido como realidade cênica. A mesma revolução que ocorre com a criança em desenvolvimento pode ser acompanhada no processo de crescimento do individuo no palco. Traduzimos a transformação da subjetividade em objetividade no trabalho do ator quando ele compreende a diferença entre estória e ação dramática. Ao corporificar (mostrar) o objeto (emoção ou personagem), ele abandona quadros de referencia estáticos e se relaciona com os acontecimentos, em função da percepção objetiva do ambiente e das relações no jogo. O ajustamento da realidade de suposições pessoais é superado a partir do momento em que o jogador abandona a estória de vida (psicodrama) e interioriza a função de foco, deixando de fazer imposições artificiais a si mesmo e permitindo que as ações surjam da relação com o parceiro. [...] Veja mais aqui e aqui.

UNDER THE SKIN – O filme de ficção científica Under the Skin (Sob a pele, 2013), dirigido por Jonathan Glazer, é uma adaptação livre do romance homônimo do escritor holandês Michel Faber, contando a história de uma sedutora sobrenatural que ataca os homens na Escocia, recuperada nua por um motociclista na beira da estrada, levando-a na parte trazeira de uma van. A partir disso, a sedutora sobrenatural começa a fazer uma série de ações estranhas desenrolando-se uma série de casos que vão acontecendo na trama do filme. O destaque vai para a lindíssima atriz, cantora e modelo Scarlett Johansson. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Turma do 5º Período Vespertino do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, após o desenvolvimento de atividades sobre os pioneiros da educação brasileira, na disciplina Psicologia da Educação e da Aprendizagem, ministrada pela profª Ms Rosiete Pereira.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Some Moments, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa & Verney Filho. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
Gravura de Ana Pirolo.
Veja mais aqui

quarta-feira, março 18, 2015

LIANE MORIARTY, MALLARMÉ, UPDIKE, CÉLINE SCIAMMA, NITOLINO & GUARANÁ

 


A HISTÓRIA MAUÉ – Um casal maué pediu a Tupã um filho e, ao serem atendidos, nasceu Cauê. Desde o nascimento do curumim que os maués festejavam suas colheitas abundantes. O menino crescia conversando com árvores e animais, uma alegria para todos. Um dia o menino fora picado por uma cascavel e do ferimento morreu. A comunidade pranteou em grandes lamentações por horas seguidas. Tupã comoveu-se e determinou: - Tirem os olhos da criança, plantem na terra firme, reguem com suas lágrimas e nascerá a planta da vida. Assim fizeram e plantaram os olhos do curumim que, durante quatro luas, toda comunidade velou regando a terra com suas lágrimas. Uma nova planta surgiu: travessa como os curumins, procurando subir às árvores próximas, de hastes escuras e sulcadas como os músculos dos fortes guerreiros. E quando frutificou, seus frutos eram da cor de azeviche, envoltos no arilo branco e embutido em duas cascas vermelh0-vivas. A sua forma com uma polpa branca e a semente escura lembrava os olhos do curumim. Era wara'ná, que para os sateré-mawé significa "a fonte de sabedoria". Para os nativos passou a ser uma planta poderosa que curava doenças, fortalecia e servia para ser usado no amor. Aqueles frutos multiplicaram e os seus grãos trouxeram abundância porque fortalecia os fracos, conservava os jovens e rejuvenescia os mais velhos. Por todo território maué e pela Amazônia todos conhecem por guaraná. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Talvez toda vida parecesse maravilhosa se tudo o que você visse fossem os álbuns de fotos... Pensamento da escritora australiana Liane Moriarty, que no seu livro Big Little Lies (Amy Einhorn, 2014), expressou que: […] Dizem que é bom deixar de lado os rancores, mas não sei, gosto bastante do meu rancor. Eu cuido dele como um pequeno animal de estimação. [...] Todo conflito pode ser atribuído aos sentimentos de alguém sendo ferido, você não acha? [...] Todos os dias eu penso: 'Nossa, você parece um pouco cansada hoje', e recentemente me ocorreu que não é que eu esteja cansada, é que é assim que estou agora. [...]. Também no seu livro The Husband's Secret (Amy Einhorn, 2013), ela expressa que: […] Apaixonar-se foi fácil. Qualquer um poderia se apaixonar. Foi aguentar que foi complicado [...] Nenhum de nós jamais conhece todos os rumos possíveis que nossas vidas poderiam ter tomado e talvez devessem ter tomado. Provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem permanecer secretos para sempre. Basta perguntar a Pandora [...]. Já no seu livro What Alice Forgot (Large Print Press, 2009), ela expressa que: [...] Cada lembrança, boa e ruim, era outro fio invisível que os unia... Era tão simples e complicado quanto isso. Amor depois dos filhos, depois de vocês terem se machucado e perdoado um ao outro, entediado e surpreendido um ao outro, depois de terem visto o pior e o melhor... bem, esse tipo de amor é inefável. “Merece sua própria palavra.” [...].

 

ALGUÉM FALOU: Eu acho que todos os filmes são políticos. Os que não são políticos intencionalmente são os piores, e têm a pior política, eu acho... Não estou dizendo que você tem que amar tudo. Mas, sim, você deve amar tudo... Pensamento da cineasta e roteirista francesa Céline Sciamma, diretora dos filmes Naissance des Pieuvres (2007), Tomboy (2011) e Bande de filles (2014).

 

CANSADO DO REPOUSO AMARGO & SEM TÍTULO – O livro Mallarmé (Perspectiva, 1974), organizado, traduzido e com estudos críticos de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, reúne poemas do poeta e crítico literário francês Stéphane Mallarmé (1842-1898), com Mallarmagem de Augusto de Campos, Tridução de Décio Pignatari, Um relance de dados de Haroldo de Campos, entre outros textos. Na obra destaco Cansado do repouso amargo (fragmento final): Uma linha de azul fina e pálida traça / um largo, sob o céu de porcelana rara, / um crescente caído atrás da nuvem clara / molha no vidro da água um dos cornos aduncos, / junto a três grandes cílios de esmeralda, juntos. E também este sem título: Uma negra que algum duende mau desperta / Quer dar a uma criança triste acres sabores / E criminosos sob a veste descoberta, / A glutona se apresta a ardilosos labores: / A seu ventre compara alacre duas tetas / E, bem alto, onde a mão não se pode trazer, / Atira o choque obscuro das botinas pretas / Assim como uma língua inábil ao prazer. / Contra aquela nudez tímida de gazela / Que treme, sobre o dorso qual louco elefante / Recostada ela espera e a si mesma zela, / Rindo com dentes inocentes à infante. / E em suas pernas onde a vítima se aninha, / Erguendo sob a crina a pele negra aberta, Insinua o céu torvo dessa boca experta, Pálida e rosa como uma concha marinha. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Imagem: Themoonsrapture, do ilustrador estadunidense de ficção científica e fantasia Frank Frazetta (1928-2010)

Ouvindo: A retirada da Laguna (1997), do compositor brasileiro de música erudita César Guerra-Peixe (1914-1993), com a Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC. Veja mais aqui e aqui.

PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Tudo começou a publicação do meu oito livro infantil, Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas (Nascente, 2010), resultado de recreações, adaptações teatrais e contações de histórias que iniciei no início dos anos 1980, quando da criação das Edições Bagaço, em Pernambuco. Isso foi intensificado a partir de 2008 com a criação do livro mencionado, transformando-o em peça teatral, que está em cartaz desde a publicação do livro. Com as veiculações no blog de temas voltados para a música, o teatro, a literatura, a psicologia e a educação infantis, ocorreu a ideia do programa Brincarte do Nitolino, produzido por mim e pela querida Meimei Corrêa, com apresentação da garotinha Isis Corrêa Naves, consolidando o Projeto MCLAM. Desde então todos os domingos a partir das 10hs dá-se a veiculação do programa, agora com reprise todas as quartas, nos horários alternativos das 10 às 11hs, e das 15 às 16hs. Para conferir online o programa é só clicar aqui ou aqui.

JOGOS TEATRAIS – O livro Jogos teatrais (Perspectiva, 1984), da escritora, tradutora e professora universitária Ingrid Koudela, aborda temas como o teatro e a educação, a função simbólica – o símbolo da arte e a evolução do símbolo na criança -, o jogo teatral, a evolução e a regra do jogo, o gesto espontâneo, improvisação em cena, o projeto experimental com crianças e adolescentes, o processo e a experiência, lista de jogos realizados, teatro para crianças – teatro infantil na década de setenta e a oficina de dramaturgi -, Genoveva Visita a escola ou a galinha assada, a apresentação e caminhos do faz-de-conta. Ela é uma das figuras centrais no estudo da didática do teatro, desenvolvendo o pensamento de Viola Spolin, dos pressupostos de construção do conhecimento de Jean Piaget e especialista das obras de Bertolt Brecht. Veja mais aqui e aqui.

COELHO CORRE – A obra Coelho corre (Record, 1984) é o primeiro volume das novelas Rabbit, iniciada em 1960 pelo escritor e critico literário estadunidense John Updike (1932-2009), pela qual ganhou duas vezes o Prêmio Pullitzer, tornando-se famoso e mundialmente reconhecido, contando a vida do jogador de basquetebol Harry Rabbit Angstrom. O livro é um ambicioso panorama da vida norte-americana nas últimas três turbulentas décadas, contando a vida do jovem Coelho, casado há poucos anos e prestes a ser pai pela segunda vez, ao se confrontar com uma vida que lhe parece mesquinha e sufocante, despedindo-se de suas ilusões juvenis, sem abandonar a inquietação existencial que o torna um dos personagens mais interessantes da literatura contemporânea. Da obra destaco o trecho: [...] Coelho chega o meio-fio, mas em vez de virar à direita para continuar a dar a volta no quarteirão ele pisa no asfalto, com uma sensação enorme, como se aquela ruazinha fosse um rio largo, e atravessa a rua. Quer viajar até a próxima mancha de neve. Embora este quarteirão de prédios de tijolo e três andares seja igualzinho ao anterior, algo nele o faz sentir-se feliz. As escadas nas entradas dos prédios, os parapeitos das janelas parecem piscar e mover-se no canto de sua visita, vivos. Esta ilusão o impele. Suas mãos levantam-se, por si só, e ele sente o vento nos ouvidos tal como antes, no inicio os calcanhares batendo na calçada com força, mas aos poucos, sem esforço, movidos por uma espécie de pânico delicioso, ficam mais livres, mais rápidos, mais silenciosos, ele corre. Ah: corre. Corre. Veja mais aqui, aquiaqui.

LUCY – O filme de ação franco-americano Lucy (2014), do cineasta e escritor francês Luc Besson. Lucy é uma jovem estudante de vinte e cinco anos interpretada pela atriz, cantora e modelo estadunidense de ascendência dinamarquesa e polonesa, Scarlett Johansson, que se vê obrigada a trabalhar como mula de drogas da máfia coreana, transportando uma droga sintética CPH4. Seu namorado envolvido com a máfia é assassinado e ela capturada, tendo sido implantado no seu abdômen a droga juntamente com três outras mulas que transportarão para Europa. Numa tentativa de estupro que ela se recusa, um de seus raptores dá-lhe socos e chuta seu estômago, acarretando que o saco da droga se rasgue e libere grande quantidade no seu corpo. Ela adquire poderes antes não existentes, com habilidades superiores com a capacidade de matar de matar seus raptores e fugir. Dá-se inicio a uma ação de crescentes poderes que, ao cabo de um tempo, começa a desestabilizá-la, chegando a se metamorfosear até atingir 100% de sua capacidade cerebral, desaparecendo dentro de um continuum espaço-tempo: eu estou em toda parte. A vida nos foi dada um bilhão de anos atrás. Agora você sabe o que fazer com ela. Veja mais aqui.


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Alguma coisa assim..., a música de Ken Burns, a pintura de Jules Joseph Lefebvre, O cinema de Esmir Filho & poemiudinho aqui.

E mais:
A divina encrenca de Juó Bananére, a Personologia de Murray, O sexo na história de Reay Tannahill, o teatrod e Borná de Xepa, a música de Zeca Baleiro, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, Brenda Starr de Dale Messick, Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
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Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Castro Alves & Eugênia Câmara, a literatura de Carlos Heitor Cony,a música de Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, a pintura de Jules Joseph Lefebvre & a arte deDiane Kruger aqui.
O brinde do amor, Paulo Freire, A música de Vanessa da Mata, Luciah Lopez & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, a poesia de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, a arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, a música de Gonzaguinha, a poesia de William Blake & Gleidstone Antunes, a pintura de Duarte Vitória & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro, Hannah Arendt, a pintura de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar, que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a música do Duo Graffiti, a escultura de Phillip Piperides, a pintura de Tracey Moffatt & a arte de Tanise Carrali aqui.
A lição de cada amanhecer, a música de Anne Schneider, a lenda da origem do Solimões, a pintura de Alice Soares, a escultura de Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, a poesia de Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a pintura de Raoul Dufy, a arte de Mat Collishaw & Danicleci Matias Souza aqui.
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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