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terça-feira, julho 11, 2017

BERTRAND RUSSEL, DORIS UHLICH, LAURA KNIGHT, LEILA PINHEIRO, LUIZ MELODIA, MARISA MONTE & JARDS MACALÉ.

O RATO, A COTIA E O CACHORRO – O rato Quejino andava folgado pra cima e pra baixo, depois que chegara de São Paulo carregado de gírias e modas. A cotia Rosmivilda logo deitou simpatia pras bandas do roedor, o que levantou ciumeira no delegado de polícia, o cachorrão Mauzão, que se dava por pretendente arreado de paixão pela prendada roedora. Deu-se então da autoridade policial investir pesado nos intentos, o que restou infrutífero, vez que a bandoleira já estava de braços, pernas e saias agarradas no cotovelo do Queijino, prometendo paixonite aguda aos beijos e afagos em casamento ainda não marcado. Um verdadeiro golpe nas pretenções de Mauzão que passou a se arrastar pelos cantos, todo encolhido e sem vontade pra mais nada na vida. Nem adiantou o tigre juiz de direito, nem o macaco escrivão, muito menos o burro advogado sacolejarem pra levantar os ânimos do coitado, tanto que ele nem se deu conta dos flertes da jeitosa filha da preguiça promotra de justiça. – Esse parece que está perdido mesmo -, disse o juiz. – Enjeitar minha filha, como é que pode? -, reclamou magoada a preguiça promotora. Mas, destá. O tempo passa e no meio do idílio, a cotia descobre que o Quejino estaba enrabichado com a catita Juanita, lá pras bandas do outro lado da cidade. A situação esquentou e o pau comeu: as duas entraram em guerra! E o rato, sabido que só, pés na bunda, pernas pra que te quero. No meio do bafafá apurou-se que a Juanita estava certa e de data marcada pro casório com ele, quando a Rosmivilda bafejou que estava embuchada de filhote dele pra dali poucos dias rebentar. Como é que é? A bomba sacudiu todo lugar e redondeza. Cadê aquele filho duma ratazana? Procuraram por ele, o lugar mais limpo. Foram então ter com o delegado Auzão que levantou as orelhas e partiu com um destacamento pesado à caça do fugitivo. Depois de luas e sóis na pisada, acharam o presepeiro solto na gandaia. Quando ouviu a voz de prisão, o danado quis correr, mas foi pego pelo rabo e arrastado até a presença das querelantes. Acunhado por tabefes e tapas por ambas ofendidas, findou quase morto na prisão. Foi aí que a catita revoltou-se de não querer mais vê-lo nem pintado a ouro, e a cutia teve um troço e abortou. Nessa hora o Auzão socorreu a Rosmivilda pro pronto socorro, enquanto que a jeitosa filha da preguiça mortificada de ciúmes, peiticou com a mãe promotora para mandar soltar o Quejino. E tanto fez que conseguiu até ganhar a simpatia do rato aprisionado. Enquanto o Auzão cobria de cuidados a cotia enferma, logo ela se enamorou da autoridade e firmaram casamento pra dali alguns dias. Por conta disso, a preguiça filha passou a cuidar com atenção redobrada do rato no seu esconderijo e logo misturaram pelos e patas de findarem entrelaçados pelos vínculos do amor. Depois de tantos entreveros, cada um o seu caminho, não se sabendo, ao certo, se foram felizes pra sempre, o que é muito pouco provável, afinal, ninguém sabe, não moram mais pela redondeza pra evitar brigas e dresgraças de rixas antigas, além do  mais muito tempo já passou. Por isso o amor é lindo e paz na Terra os bichos de boa vontade! Entrando pela perna de pinto, saindo pela perna de pato, o que já é outra história porque já é outro fato. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O ELOGIO AO ÓCIO DE BERTRAND RUSSEL
[...] A moral do trabalho é a moral de escravos, e o mundo moderno não precisa da escravidão. [...] Porque o trabalho é um dever, e um homem não deveria receber salários proporcionalmente ao que produz, mas proporcionalmente à virtude demonstrada em seu esforço. Esta é a moral do Estado escravista, aplicada em circunstâncias totalmente diferentes daqueles na qual surgiu. Não é surpresa que o resultado tenha sido desastroso. [...] O uso sábio do lazer, deve-se conceder, é produto de civilização e educação. Um homem que tenha trabalhado longas horas a vida inteira fica entendiado se se torna subitamente ocioso. Mas sem considerável quantidade de lazer um homem é privado de muitas das melhores coisas. Não há mais nenhuma razão para que a maior parte da população sofra dessa privação; somente um ascetismo tolo, geralmente paroquiano, nos faz continuar a insistir em excessivas quantidades de trabalho agora que não há mais necessidade. [...] Em um mundo em que ninguém seja compelido a trabalhar mais do que quatro horas por dia, todas as pessoas que possuíssem curiosidade científica seriam capazes de satisfazê-la, e todo pintor seria capaz de pintar sem passar por privações, qualquer que seja a qualidade de suas pinturas. Jovens escritores não precisarão procurar a independência econômica indispensável às grandes obras, para as quais, quando a hora finalmente chega, terão perdido o gosto e a capacidade. Homens que, em seu trabalho profissional, tenham se interessado em alguma fase da economia ou governo, serão capazes de desenvolver suas idéias sem a distância acadêmica que faz o trabalho de economistas universitários freqüentemente parecer fora da realidade. Médicos terão tempo para aprender sobre o progresso da medicina, professores não estarão lutando exasperadamente para ensinar por métodos rotineiros coisas que aprenderam na juventude, que podem, no intervalo, terem se revelado falsas. Acima de tudo, haverá felicidade e alegria de viver, ao invés de nervos em frangalhos, fadiga e má digestão. O trabalho exigido será suficiente para tornar o lazer agradável, mas não suficiente para causar exaustão. Uma vez que os homens não ficarão cansados em seu tempo livre, eles não exigirão somente diversões passivas e monótonas. Ao menos um por cento provavelmente devotará o tempo não gasto no trabalho profissional para objetivos de alguma impotância pública e, como não dependerão destes objetivos para viver, sua originalidade não será tolhida, e não haverá necessidade de adaptar-se aos padrões estabelecidos pelos velhos mestres. [...].
Trechos de Elogio ao ócio (1932 – Sextante, 2002), do filósofo, matemático e pensador inglês Bertrand Russel (1872-1970). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Lagoa da Prata, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães, Chão de mínimos amantes de Moacir da Costa Lopes, Culturas e artes do pós-humano de Lucia Santaella, a música de Belchior, a fotografia de Tatiana Mikhina, a arte de Joseph Mallord William Turner & Wesley Duke Lee aqui.

E mais:
O trabalho do antropólogo de Roberto Cardoso de Oliveira, Monções de Sérgio Buarque de Holanda, a poesia de Karl Georg Büchner, a música de Antônio Carlos Gomes, o cinema de Alfred E. Green & Carmen Miranda, a arte de William Orpen, a pintura de Ivan Gregorewitch Olinsky & Charles-Antoine Coypel aqui.
Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, a música de Antonio Carlos Gomes & Quinteto Violado, Joana Ramos & Givaldo Kleber aqui.
Recontando Caetano Veloso & Podres poderes aqui.
História dos hebreus de Flávio Josefo, Vidas paralelas de Plutarco, A civilização hispano-moura de Philipe Aziz, Cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, Violência: crimes de trãnsito & arma de fogo aqui.
Umas do Doro & o jabá, Multimidiação do processo artístico de Augusto de Campos, Vila dos confins de Mário Palmério, Artêmis, a música de Rossini & Olga Peretyatko, o cinema de Jacques Rivette, a arte de Mademoiselle Rachel & Marie McDonald, a fotografia de Greg Williams & a poesia de Dalinha Catunda aqui.
Paixão Legendária & Santanna O Cantador, A patente de Luigi Pirandello, A história do mundo de Mel Brooks, As ciências e as artes de Jean-Jacques Rousseau, Guilhermina Suggia, a xilogravura de Nena Borges, Brincarte do Nitolino, a crônica de Aldemar Paiva, a poesia de Marly de Oliveira, a música de Felipe Radicetti & pintura de Maria Luisa Persson aqui.
A culpa é da Dilma, O Projeto Atman de Ken Wilber, a música de Heitor Villa-Lobos, O sermão do bom ladrão de Padre Antônio Vieira, a pintura de Peter Paul Rubens, a poesia de Henriqueta Lisboa, Prometeu acorrentado de Ésquilo, o cinema de Abbas Kiarostami & Juliette Binoche, a arte de Alex Toth & Ekaterina Mortensen aqui.
Preciso de um culpado, Platónov de Anton Tchékov, Peri Physeos de Anaxímenes de Mileto, A arte de furtar de Padre Antônio Vieira, As odes píticas de Píndaro, o cinema de Walter Lang & Susan Hayward, a arte de Dave Saint-Pierre, a música de Stanley Clarke, a pintura de Horace Vernet & Malcolm Liepke aqui.
Lugome, sua familia, seu infortúnio, A poesia erótica de José Paulo Paes, a música de Gina Biver, Fundamentos da História do Direito, O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil, a pintura de Sofan Chan, a fotografia de Luiza Machado, a arte de Eiko Ojala & Rudson Costa aqui.
A arte de Tunga, Estética teatral de Redondo Junior, a poesia de César Vallejo, a música de Ná Ozzetti, a fotografia de Ruy Carvalho, a arte de Sônia Braga, Fecamepa & Os sapos na política de Edson Moura aqui.
Semáforos de sempre, vida adiante, Amor em tempos sombrios de Colm Tóibín, O serviço social de Marilda Villela Iamamoto, Ética & Marketing Social, a fotografia de Spencer Tunick & Esdras Rebouças Nobre, a arte de Vik Muniz & a música de Claudio Nucci aqui.
A sexta é dia da deusa, da musa, rainha, poeta, mulher, A história de Goethe, a literatura de Machado de Assis, Gozo fabuloso de Paulo Leminski, a música de Alexandra Stan, a fotografia de Marcos Guerra & a arte de Luciah Lopez aqui.
Na Volta da Jurema, Semiologia & comunicação lingüística de Eric Buyssen, Arrowsmith de Sinclair Lewis, O pensamento de Confúcio, a música de Guinga, a arte de Ida Zam & Laerte Coutinho aqui.
O amor dos namorados, A arte de amar de Erich Fromm, Sonetos de amor de Pablo Neruda, Cânticos dos Cânticos, A música de Edith Piaf, o cinema de Derek Cianfrance & Michelle Williams, a pintura de Julia Watkin & Cornelis le Mair, a arte de Henry Asencio & Grupo Femen aqui.
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MAIS DO QUE NUA DE DORIS UHLICH
Projeto Mais do que nua (2012), oficina da premiadíssima dançarina e coreógrafa austríaca Doris Uhlich no ImPuls Tanz, Festival Internacional de Dança de Viena. (Imagem: fotos de Andrea Salzmann/Theresa Rauter). Veja mais aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especial com Leila Pinheiro do Brasil & Reencontro: cantando Gonzaguinha & Ivan Lins; Luiz Melodia ao vivo Convida & Maravilhas Contemporâneas; Marisa Monte Diariamente & grandes sucessos; e Jards Macalé Real Grandeza. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora inglesa Laura Knight (1877-1970).
Veja mais aqui.

sábado, julho 23, 2016

BAUDRILLARD, DAVID LYNCH, DORIS UHLICH, BERNARD MIÈGE, EFIGÊNIA ROLIM, VICENTE REDONDO, EDILSON VIRIATO, SANDRA HIROMOTO, ÉRICA CHRISTIEH & SARAH BRASIL

ELUCUBRAÇÕES DAS HORAS CORRIDAS –(Imagem: arte do diretor, roteirista, produtor, artista visual, músico e ator estadunidense David Lynch) – Há tempos eu não sei o que dizer de certas coisas, penso eu haver equívocos demais: intolerância, superficialidade, engodo, tautologias, embustes, ofensas. Danou-se! A cada dia que se passa as pessoas se ofendem com mais e maior facilidade, por isso as relações se tornaram tão voláteis, descartáveis, de tudo não valer um cuspe – principalmente quando ele bate na cara: aí é revertério de pernadas, mãozadas, injúrias, blasfêmias, até perdigoto acidental vira pé de guerra. Como há tempos já se dizia que visita de mais de três dias é a pior das indesejáveis, amizade que dure esse período já é exitosa, avalie: não se atura mais o outro, ou desfizeram-se os laços - amizade só dura o tempo do interesse, amigo só quando se precisa. A necessidade dita as relações, quando fica congestionada por incompreensões ou contaminadas pelas indiferenças – já não há graça alguma em nada -, uma nova substitui feito uma roupa que se troca no cabide, sentimentos na lata de lixo. Tudo só é agradável até a hora da discordância, quando por um cabelinho de sapo emerge inimizades que, no apurado, não se sabe direito como foi que tudo começou: a era da descontinuidade. Parece mais que todo mundo está de saco cheio, sobrecarregado de tédio, esborrando angústia desconhecida, asco de tudo. O adulto gregário só no bar ou na foto de família – esta, por sua vez, só em enterro ou festa que finda com farpas e canivetes afiados -, o umbigocentrismo ocupou tudo e cada um falando pelos cotovelos. Blábláblá. Algaravias. Enquanto isso, eu vou só e a pé pelas ruas, acenando, sorrindo, no luxo que me dou de ser estrangeiro a dar bom dia em qualquer lugar no país em que nasci. Às vezes até me vejo Garabombo, o invisível, destá. E pra quem achou que eu havia morrido, ainda estou vivinho da silva e carregando o coração na ponta dos dedos, acaso algum assaltante fantasma resolva me surpreender pra que eu não tenha mais nada o que fazer. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte da pintora, designer, poeta visual, editora de Artes Visuais do Jornal Memai e especialista em Marketing e poéticas da arte contemporânea, Sandra Hiromoto.

 Curtindo as músicas dos álbuns Saga de Virgulino Ferreira, o Lampião, Astro Rei, Eu quero é cantar Luiz e Sarah Brasil e a sinfonia da passarinhada, da cantora e compositora Sarah Brasil.

PESQUISA:
[...] Uma nova comunicação que se de si para si mesma e onde reina o tautismo, neologismo que condensa tautologia, autismo e totalidade.
Trecho extraído da obra O pensamento comunicacional (Vozes, 2000), do teórico da mídia, administrador acadêmico e professor Ph. D em Economia, Bernard Miège, apresentando a evolução e as principais correntes fundadoras do pensamento comunicacional, destacando as problemáticas surgidas sobre temas como indústrias culturais, a introdução das tecnologias de informação e comunicação na sociedade e nas organizações, e a análise das teorias da comunicação.

LEITURA
[...] Respiro fundo. Essa maldita ansiedade que não me deixa aproveitar mais a minha profissão. Por mais que seja lindo ser professor, ainda há um espinho incomodando o meu coração, que se contorce e queima ao se lembrar do depoimento da Naomi. O fato de agressões sem motivos ou razão acontecerem tão frequentemente com professores, no Brasil, me aterroriza. Não posso evitar de pensar, que talvez a próxima vítima seja eu. Chega até ser ridículo sentir medo daquilo que eu sonhei para minha vida. Enquanto me aproximo da sala, sinto uma mão puxar a minha blusa delicadamente e desperto surpresa com aquele rosto tão angelical, que me olha sorrindo.
Trecho do livro Meu delírio, a ser lançado pela escritora Érica Christieh.

PENSAMENTO DO DIA: 
 [...] não estamos mais no drama da alienação, mas no êxtase da comunicação. E este êxtase é obsceno. [...] caminhamos para um mundo inteiramento funcional, operatório, racional, positivo, sem o mínimo buraco, de uma transparência total, logo, extremamente mortal. [...] o virtual e o viral caminham juntos, a recente irrupção dos vírus eletrônicos oferece uma anomalia remarcavel: diríamos que existe um prazer moleque das máquinas em amplificar; ou em produzir efeitos perversos, em exceder suas finalidades pelas suas próprias operações. Existe aí uma peripécia irônica e apaixonante. Pode ser que a inteligência artificial se parodie a ela mesma nessa patologia viral, inaugurando aqui uma espécie de verdadeira inteligência.
Trecho extraído da obra El otro por si mismo (Anagrama, 1988), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: 
A arte da premiadíssima dançarina e coreógrafa austríaca Doris Uhlich. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Reino dos Sonhos, Osman Lins, Denise Levertov, Laszlo Moholy-Nagy, Mike Todd aqui.

DESTAQUE
A arte da poeta, contadora de história, artista plástica, escultora e estilista Efigênia Rolim – a Rainha do Papel.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu - Acrílico e pastel sobre madeira, do pintor espanhol Vicente Romero Redondo.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: arte do escultor, pintor, gravador, desenhista, professor de dança e curador Edilson Viriato.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



quarta-feira, junho 29, 2016

FABIAN ALMAZAN, CASSIANO NUNES, DORIS UHLICH, NICOLAI FECHIN, ROBERTO PRUSSO, FOLCLORE PERNAMBUCANO & FILOSOFIA DA LINGUAGEM


 MANCHETES DO DIA: ATACA O NOTICIÁRIO MATINAL – No pavilhão de dona Zefinha, dos alvoroços da segunda aos puxencolhes de sexta e sábado, o rádio estridulava gasguito o noticiáio entre o zoadeiro dos pedidos, pigarros, tossidas, risadas, seis horas, um estralado com meiota! Fungado, espremida. Avião cai no Atlântico com 300 passageiros! Vixe! Fodeu! Eita, gota! Quantos? Assim num tem coragem que dê ir de avião pronde for, hem? Escarro, cuspida. Dois queijos e um misto com pingado. Presidente corrupto diz que vai moralizar Administração Pública! Eita, raposa faz festa no galinheiro! Essa é boa, tem que pagar pra ver! Seis e quarenta e cinco. Baticum no balcão, coceira, impado. Ô, seu menino, o que foi mesmo que o locutor disse? Hômi, eu ouvi, mas não prestei atenção. Ah, tá! Dois brotes e um caldo de cana. Bandidos invadem igreja e assaltam padre e fiéis! Nem as igrejas!?! Isso é a moléstia do cachorro da bôba torrero! Um mata-fome com groselha. Ah, besteira, tem dois atacando de moto a torto e a direito, assaltando tudo. Sacolejo, amolegado. Terror mata 36 em Istambul! Os caras nesse lugar aí gostam de brincar de matar gente, né não? Se eu tivesse lá acabava esse bafafá em dois tempos! E o que tu ias fazer, ineivado? Ôxe, baixava a lei do desarmamento, ora, queria era ver neguinho andar armado pra fazer guerra. Destá, ia era ser outra guerra em cima, bestão! Ah! Aperto de mãos, intrigas. Como se aqui não tivesse isso! Lá foram mais de 30 mortos e 150 feridos, aqui são dez vezes isso de morte e a gente nem dá conta disso! É morte matada, morrida, no trânsito, de rixa, de cruzeta, de tráfico, de tudo. Do jeito que vai a gente num chega fim do ano! Fraude descoberta por operação policial! Rapaz, me diga cá uma coisa: será que depois desse Lava-Jato vai sobrar alguém pra governar o Brasil? Do jeito que vai não sobra presidente, ministro, juiz, doutor algum pra tocar esse país pra frente. É uma roubalheira disgramada, desviam dinheiro de tudo, da educação, da saúde, da segurança, todo mundo é ladrão, só sendo. Crise abala situação da economia! Isso é uma carestia da bixiga lixa! Sete e quinze. Oxe, o peixe aumenta na páscoa, o comércio reajusta os preços pra promoção no dia das mães, automóveis com financiamento a perder de vista, descontos especiais pro dia dos pais, dólar aumenta e os juros sobem nas compras, a folia come no centro no carnaval, bolsas caem em todo mundo, viva São João! Países abandonam a União Europeia – eita, porra! Chuta que é macumba! Num brinca. Encontrado corpo carbonizado, decapitado e irreconhecível! No papo. Goiabada com queijo e suco de laranja. É natal. Congresso resolve cassar mandato de remanescente da ditadura. Feliz ano novo! Mulher é espancada na porta da delegacia. Sete e trinta. Ô menino, aumenta a difusora aí que agora é hora do futebol! Ah, agora o negócio é sério! Num oferecimento da funerária Esperança do Futuro e papel higiênico Cu Feliz, a sua resenha esportiva! E terê teitei. Ô meu, vamos aprumar conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais a respeito aqui, aqui e aqui.

 Imagem: a arte do pintor russo Nicolai Fechin (1881-1955).


Curtindo o álbum Rizoma (Blue Note/ArtistShare, 2014), do pianista de jazz e compositor de trilhas sonoras cinematográficas cubano Fabian Almazan.

PESQUISA
[...] a história da linguística é feita, por um lado, de polêmicas sobre pontos reputados essenciais (consonantismo, por exemplo), sobre problemas de validade (fatalidade das leis fonéticas), por outro lado, porém da sucessão de modelos de simulação. [...], trecho da obra Filosofia da Linguagem (Almedina, 1975), de J. Sumpf, G, Granger, J. Bouveresse e J, Gauvin, qye trata acerca da linguagem e sua filosofia, a linguagem ordinária, a língua e sistemas formais, o discurso da filosofia sistemática, experiências de leituras, investigações de estrutura, entre outros temas. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
[...] Sei bem que não posso expressar, com clareza e lógica, a emoção que me causa este verso: pensa na chuva, caindo sobre os sítios hipotecados. Recitando este único verso, que enceguece com sua própria cintilação, despeço-me seguro apenas de que transmiti humildemente o sinal da beleza misteriosa da poesia.
Trecho final da conferência Multiplicidade de Lêdo Ivo, inserida na obra Vinte vezes Cassiano (Thesaurus, 1997), reunindo o trabalho do escritor, critico literário, conferencista e jornalista Cassiano Nunes (1921-2007), da coleção Elysio de Carvalho, organizada pelo jornalista e escritor Maurício Melo Júnior.

PENSAMENTO DO DIA: ESTÓRIA DE BREVES
Um homem que viajava pelos sertões, pediu agasalho em uma casa, já muito noite; e como lho negassem por motivo de estar a dona da casa em grave perigo sem poder dar à luz havia uatro dias, disso o magano, que ele sabia de certas palavras mágicas, que escritas e postas ao pescoço da parturiente, eram um remédio infalível; mas só faria isso, se lhe dessem rancho por aquela noite. foi logo acolhido: escreveu as misteriosas palavras em um papel, recomendando que nunca o abrissem, sob pena de perder-se toda a virtude miraculosa, e para isso coseu o embrulho em muitos panos. Posto ao pescoço da mulher, não passou meia hora, que não desse à luz com grande felicidade, e com pasmo de toda a família. Bem é de imaginar quão obsequiado fosse o sujeito por tal prodígio havia operado. Dai por diante andava o breve de casa em casa para iguais apertos, e tais maravilhas obrou que assentaram de o abrir, apesar da recomendação do viageiro, e viram, que as palavras, que tantos milagres faziam, eram estas: Tenha eu rancho e o meu cavalho, que para a burra não dá-me abalo.
Recolhido do livro Folclore pernambucano (Imprensa Nacional, 1908), do historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa (1851-1923).

IMAGEM DO DIA 
 Performance das bailarinas em espetáculos da premiadíssima dançarina e coreógrafa austríaca Doris Uhlich no National Dance Center and the Austrian Cultural Forum.

Veja mais sobre a Arte de Furtar, Anton Tchékov, Píndaro, Dave Saint-Pierre, Horace Vernet, Stanley Clarke, Anaxímenes de Mileto, Walter Lang, Malcolm Liepke & Susan Hayward aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Sutekina geisha, by Roberto Prusso.
Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Peace on Earth!
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.

MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...