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quinta-feira, abril 19, 2018

BAUDELAIRE, SOLJENÍTSIN, AUTRAN DOURADO, BERGMAN, JAYME GRIZ, VISCOTT, JOÃO GILBERTO & COSEY FANNI TUTTI

A GENTE NÃO SABE O QUE DIZ, NEM SABE O QUE QUER – Não é verão: Sol quente de tinir! Sol quente de rachar o chão! A insolação chega deixava a paisagem esturricada com tudo se movendo no céu azul de nenhuma nuvem, provocando fleuma pelo mormaço. O sapo Aderbal que não era sonso nem nada, estava de pernas pro ar à beira do Jereré, esperando que dele brotasse laminha que fosse, ah, nada, estava era sequinho, e ele se abanando esbaforido pelo suor, de quase morrer de inanição. Ah, isso não pode continuar assim. E tomou providência aprumando a gravata borboleta e o cinturão, futucando um e outro pruma reunião emergencial. Quando viu que ninguém levava a sério sua convocação, tornou a chamar na grande cada um do seu rol de amizade. Primeiro foi o compadre Asdrubal que chegou curioso: Que é que há, compadre? Nessa hora, Nallah apareceu invocada: Que alvoroço é esse, hem? Quando Aderbal foi abrindo a boca, Nallah deu-lhe um cascudo e perguntou pro Asdrubal: Como vai, compadre? Vou bem, comadre. Qual a novidade? Num sei, comadre, tô aqui a chamado do compadre Aderbal. Que é que estais aprontando, hem, presepeiro duma figa? Como ela falou alto pro marido, chamou atenção e logo foi juntando o Kid Malvadeza, Popó, o Lobizonzo, o Olho-de-ximbra, afora vizinhos doutras paragens que aproximaram curiosos para o espremido dela no folgado. Oba, hoje vai ter espetáculo de graça! Vai mesmo! Só quero ver o circo pegar fogo! Eu aposto na Nallah, e você? Quem é doido de apostar no Aderbal, hoje ele não escapa. E as apostas cresciam, enquanto Aderbal queria se explicar: Ôpa, atenção todos! Atenção, por favor! Só quando Nallah deu uma patada daquelas atômicas nas pedreiras que todos pararam assustados: É agora – disseram em uníssono, óóóóóóóóóóóóó! Atenção todos, vejam só: não é verão e que coisa é essa da gente passar mais de seis anos sol a pino, hem? Todos de boca aberta: óóóóóóóóó! Temos de fazer alguma coisa, senão vamos ser assados vivos! Óóóóóóó! A gente vai ter que ter um lero com o São Pedro prele abrir as portas do céu e arriar uma chuvinha pra gente se refrescar, num é não? Óóóóóóóó! Acho que o velhinho deve está cochilando e se esqueceu da gente aqui, nesse forno do inferno! Óóóóóóóó! Vamos preparar uma comissão pra gente ir lá reivindicar nossos direitos. Assim formaram a comitiva e foram até o céu ter com São Pedro. O alvoroço da chegada assustou o velhinho que cochilava: Sumpêdo! Sumpêdo! Que foi, que foi? Sumpêdo, o sinhô s’isqueceu da gente! Como assim? Faz mais de seis anos que num chove. Como pode? Ô Sumpêdo! Ói pra gente, dê um jeito na terra rachada de Sol, mande uma chuvinha, vá! Lá a gente só tem verão e isso de ano a ano, num chove desde seis anos atrás! O santo disse: Tudo a seu tempo, chuva só no inverno. Por favor, Sumpêdo, veja aí nos seus registros. O santo pacientemente levantou-se com dificuldade, foi com a maior má vontade até a sala do tempo e admirou-se: Eita, dessa vez o cochilo passou do ponto, realmente havia me esquecido! Ah, desculpem, meus filhos, podem ir, logo logo vou mandar uma chuvinha para minorar seus sofrimentos. Chuvinha? Ah, é modo de dizer! Tá certo, santo. E se despediram, retornando cada qual pro seu habitat. Também não é inverno: De repente, chuva, chuva, chuva, chuva. No começo, todo mundo feliz. Lá se vai um dia, chuva; dois, e tome chuva; três dias, maior tempestade; uma semana, parece mais um dilúvio; um mês, um ano, tudo esborrando, chuva, chuva, chuva. Do jeito que vai, morre tudo com o bucho cheio d’água! Chuva de danar a paciência! Chuva de sapo pedir aos céus clemência! Eita! Lá se reúnem de novo a comissão e, a muito custo chegam ao céu: Sumpêdo, mô fio, quer matar a gente afogado é? Não! Vai lá conferir: eu só mandei chuva pruns dias. Ah, santo, já faz mais de ano que é só chuva e chuva! Vixe, cochilei de novo, foi? Ajuda gente, Sumpêdo. E foi e mexeu, nada. Daqui a pouco ele volta coçando o cocuruto: Péssima notícia, Mãe Natura endoideceu! Como é que pode? Pois é. O que foi que houve? O bicho homem está alardeando que a Mãe Natura quer acabar com a gente, que precisamos dar um jeito nela. Como é que pode? Ah, já sei, a culpa é do bicho homem, esse só faz matar a gente, explorar a terra, sacrificar a vida. O que é que a gente faz? Quem pode contra o bicho homem? Eles estão matando a gente, a Terra e eles mesmos, o que a gente vai fazer de mesmo, hem? Quem pode com o bicho homem? Mãe Natura endoideceu e se ela que é Mãe, que é Sábia, que é Única, a cabeça perdeu... quanto mais eu, quanto mais eu! PS: texto baseado no poema Nordeste, do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, violonista e compositor João Gilberto: 50 Anos de Bossa Nova ao vivo, Voz & Violão e Live In Tokyo; da artista performática, músico e escritora inglesa Cosey Fanni Tutti: Time to tell, Ritual awakening & Licking the juice; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os outros não estão aqui para nos servir ou para serem bem-sucedidos com as perdas e as más barganhas que você sofreu; eles estão neste mundo para descobrirem seu caminho da melhor maneira que puderem. As expectativas irrealistas que você tiver sobre o comportamento das outras pessoas, as farão sentir-se usadas e tratadas como objetos sem sentimento nem direitos próprios. [...]. Trecho extraído da obra Linguagem dos sentimentos (Summus, 1982), do psiquiatra, escritor e empresário estadunidense David Viscott (1938-1996).

ARTE & VERDADE - [...] Tenho plena confiança que conseguirei cumprir meu dever de escritor em todas as circunstâncias, e até mesmo do túmulo com mais sucesso e de maneira mais irrefutável do que em vida. Ninguém pode impedir a marcha da verdade, e para defendê-la eu estou pronto a aceitar até mesmo a morte. Mas será possível que as repetidas lições não acabarão por ensinar-nos que não podemos deter a pena do escritor durante toda a sua vida? [...]. Extraído da obra Soljenitsin: a luta contra o silêncio (Artenova, 1973) de Zhores Medvedev, sobre o escritor, dramaturgo e historiador russo Alexander Soljenítsin (1918-2008). Veja mais aqui.

ÓPERA DOS FANTOCHES - [...] A primeira vez, o homem falava pouco, mas era muito delicado. Só diz uma coisa, se eu sabia de um hotel para aonde a gente pudesse ir. Eu digo que não sei, quando sabia. O que eu conheço fica longe daqui, diz ele. Tanto faz, digo. Vamos de táxi. Muito bom, há muito tempo não ando de táxi. No quarto ele se revela falante, quer saber da minha vida. Eu conto, aumentando, dramática. Ele deve ter ficado com pena de mim. Por que eu me humilhei, quando não tinha necessidade? Às vezes tenho vontade terrível de me humilhar, de ser abjeta. Então acontece: ele tira do bolso a carteira, produz uma nota. Não quero aceitar. Não sou prostituta, digo. Ele insiste, simpático. O inverno está apertando, é para comprar um casaco de lã para a menina, diz ele depois de eu ter dito que tinha uma filha. [...]. A segunda vez, pior. De chapéu na cabeça, ele diz qual é o seu preço? Dê quanto quiser, digo. Ele tira uma nota graúda da carteira. Assim eu fico sabendo quanto valho. Ou seria generosidade dele, por causa da história que contei? [...] O perigo da vida que eu estava levando era se um dia descobrissem tudo. [...]. Trechos extraídos da obra Ópera dos fantoches (Francisco Alves,1994), do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado (1926-2012). Veja mais aqui.

BELEZA - Sou mais bela, ó mortais! Que um sonho de granito, / e meu seio, onde cada um geme de dor, / foi feito para o poeta inspirar um amor / semelhante à matéria, isto é, mudo e infinito. / Reino no azul como uma esfinge singular; / meu coração é neve e ao mesmo tempo arminho; / odeio o que se move e faz o desalinho, / e não sei o que é rir, nem sei o que é chorar. / Os poetas, ante as minhas grandes atitudes, / que aos monumentos mais altivos emprestei, / consumirão o ser nos estudos mais rudes; / pois para esses servis amantes reservei / um puro espelho em que é mais bela a realidade: / meu olhar, largo olhar de eterna claridade. Poema do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui.

GRITOS E SUSSURROS
O DIÁRIO DE AGNESEntre outras coisas quero cobrir o rosto com as mãos e nunca mais retirá-las. Que posso fazer com esta solidão? Os longos dias, as noites silenciosas e insones.  Que posso fazer com todo este tempo que irrompe sobre mim? Então prefiro penetrar em meu desespero e deixá-lo queimar-me. Pois tenho reparado que se tento evitá-lo ou mantê-lo do lado de fora, as coisas tornam-se apenas mais difíceis. É melhor abrir-se, receber aquilo que castiga ou faz mal. Não cochilar ou desviar-se como eu fazia antes. Quando escrevo sobre a solidão, sou, aliás, injusta. Anna é minha amiga e camarada. E eu creio que a sua solidão é pior do que a minha. Eu ainda posso consolar-me com a pintura, a música e os livros. Anna não tem nada. por vezes, tento falar com ela dela mesma. Mas ela fica tímida e se tranca. [...]. Trecho extraído da obra Gritos e sussurros (Nórdica, 1977), do dramaturgo e cineasta sueco Ingmar Bergman (1918-2007), lançado no cinema em 1972, contando a história de Agnes que lentamente morre de câncer, mas suas irmãs estão tão profundamente imersas em suas próprias dores psíquicas que não podem oferecer-lhe o apoio de que ela precisa. Maria está devastada com a culpa do suicídio do marido, causada pela descoberta de seu caso extraconjugal. A autodestrutiva e suicida Karin vê sua irmã com repulsa. Apenas Anna, a empregada profundamente religiosa que perdeu o filho jovem, parece ser capaz de oferecer a Agnes consolo e empatia. Veja mais aqui.
III Prêmio Henrique José de Souza de Literatura & muito mais na Agenda aqui.
&
Da cana sou alma doce & fel, a literatura de Jack London, Ligas camponesas de Fernando Antônio Azevedo & Trabalhadores nos canaviais de Lúcio Vasconcellos de Verçoza aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, março 12, 2008

TEILHARD DE CHARDIN, BERKELEY, COSEY FANNI TUTTI, VITÓRIA RÉGIA, LITERATURA DE CORDEL & FECAMEPA

 
A arte da artista performática, músico e escritora inglesa Cosey Fanni Tutti. Veja mais aqui.


QUANDO O NÓ SE DESATA, BOTE BANCA PORQUE O AFOLOSADO É A MAIOR MOLEZA, VIU? - Gentamiga, como as flatulências dos Fabos das altas esferas da patriamada pipocam de instante em instante, a gente tem que andar precavido das ventas porque, senão, a gente pode ser enrolado numa boca-de-caieira dessa, da gente mesmo ficar azuretado com a cara de tacho do como é que é à toa, viu? Sacumé? Cheio de nó pelas costas. Apois, tá certo. Indagorinha dei de cara com outra dessas cavernosas sacadas dos deputantes & cinicadores do Congresso Nacional. Os caras são nó-cego mesmo, não param de fabricar bostências fedorentas a torto e a direito. Não bastam estar nos maiores estalidos de peido-de-véia que fedem mais que uma pandorenta carniça pelos escândalos vituperados, pela CPMF revalidada por não sei mais quantos anos, pelo corporativismo da justiça que solta seus apaniguados enrolados com coisas escusas, pelas sandices & arrumadinhos em nome de democracias fajutas, pelas afanações que resultam na miséria do povo, enfim, por tudo que faz desta Nação qualquer coisa próxima da contraproducência, retardamento e a bixiga-lixa do retrocesso, agora a gente não sabe mais o que fazer. Tá tudo desenquadrado! Até a Lei 8.313/91 dita Rouanet que foi concebida para ser destinada à promoção e ao incentivo de investimentos nas áreas culturais, agora é alvo também da sede por bufunfa dos religiosos. Verdade! Deu na Folha de São Paulo, numa irrisória e quase insignificante nota que a Comissão de Educação do Senado aprovou projeto de lei do senador Marcelo Crivella, do PRB-RJ, contemplando os templos religiosos entre os beneficiários da lei de incentivo à cultura. O projeto ainda vai a plenário para ser votado na Câmara. Mas pelo andar da carruagem, se a gente não fizer zoadeiro com chiado de indignação, os caras lá fazem vista grossa e pei buft! Já era. O argumento do indigitado senador da igreja Universal é de que os templos religiosos estão entre os elementos constituintes do patrimônio cultural. E como o lobby dos sectários faz coro grosso no Congresso Nacional, a coisa periga vingar. Ave! Vai ser talqualmente os empata-foda conservadores que engancham as discussões acerca do reconhecimento do matrimônio homossexual, do aborto e doutras necessárias acomodações do tempo contemporâneo. Instado a respeito, o padre Bidião suspendeu suas escrevinhações para se manifestar: “A gente precisa é tirar Jesus da cruz! Deixá-lo viver em paz! Infelizmente esse papa tá chegando e vai ser o maior atraso de vida! Vai ser o mesmo que Bushit fez pros mamoeiros da cana, pois, enquanto Bushit veio dar fôlego e mercado pros caras que só querem dinheiro alimentando a desgraça, o paparebento vai tomar o restinho de verba que ainda dá um oxigeniozinho pros artistas brasileiros. Deus tem que intervir. E eu vou dar pano pras mangas: vou entrar na briga! Se segurem que lá vou eu! Tenho dito”. Por isso mesmo, gente, quando o nó se desata é a hora de meter bronca porque o afolosado já está que é a maior moleza. E se a gente está numa peínha de nada, ou esperneia ou se descabela. Então, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui



PENSAMENTO DO DIA - [...] Os males de que estamos a sofrer tiveram a sua base na própria criação do pensamento humano. [...] As palavras dele refletem os perigos de um mundo dominado por um cérebro insensível que parece dizer “Eu sou tudo”, enquanto o coração, frequentemente menosprezado, diz: “Sem todos os outros não sou nada”. As sete orientações da cardiocontemplação comentadas são modos através dos quais poderemos fazer com que a Mente, constituída de cérebro, coração e corpo, nos auxilie a propiciar a significação e o equilíbrio para o trabalho do cérebro. Procedendo assim poderemos estar mais aptos a seguir a sugestão de Thoreau: “Se construístes castelos no ar, não há razão para julgardes perdido o vosso trabalho. Colocai agora o alicerce sob eles”. [...]. Pensamento do filósofo, paleontólogo e teólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Veja mais aqui.

AS PAIXÕES - [...] as paixões que estão na mente do outro são em si mesmas invisíveis para mim. Posso no entanto percebê-las pela vista, embora não de forma imediata, mas através das cores com que elas tingem a face. Muitas vezes enxergamos a vergonha ou o medo na aparência de um homem, vendo as mudanças no seu rosto, que cora ou empalidece. [...]. Pensamento extraído das Obras filosóficas (UNESP, 2010), do filósofo idealista irlandês George Berkeley (1685-1753). Veja mais aquiaqui.

A LENDA DA VITÓRIA RÉGIA - A enorme folha boiava nas águas do rio. Era tão grande que, se quisesse, o curumim que a contemplava poderia fazer dela um barco. Ele era miudinho, nascera numa noite de grande temporal. A primeira luz que seus pequeninos olhos contemplaram foi o clarão azul de um forte raio, aquele que derrubara a grande seringueira, cujo tronco dilacerado até hoje ainda lá estava.  – Se alguém deve cortá-la, então será meu filho, que nasceu hoje”, falou o cacique ao vê-la tombada depois da procela. Ele será forte e veloz como o raio e, como este, ele deverá cortá-la para fazer o ubá com que lutará e vencerá a torrente dos grandes rios…” Talvez, por isso, aquele curumim tão pequenino já se sentisse tão corajoso e capaz de enfrentar, sozinho, os perigos da selva amazônica. Ele caminhava horas, ao léu, cortando cipós, caçando pequenos mamíferos e aves; porém, até hoje, nos seus sete anos, ainda não enfrentara a torrente do grande rio, que agora contemplava. Observando bem aquelas grandes folhas, imaginou navegar sobre uma delas, e não perdeu tempo. Pisou com muito cuidado – os índios são sempre muito cautelosos – e, sentindo que ela suportava o seu peso, sentou-se devagar, e com as mãozinhas improvisou um remo. Desceu rio abaixo. É verdade que a correnteza favorecia, mas, contudo, por duas vezes quase caiu. Nem por isso se intimidou. Navegou no seu barco vegetal até chegar a uma pequena enseada onde avistou a mãe e outras índias que, ao sol, acariciavam os curumins quase recém-nascidos embalando-os com suas canções, que falam da lua, da mãe-d’água do sol e de certas forças naturais que muito temem. Saltando em terra, correu para junto da mãe, muito feliz com a façanha que praticara: – Mãe, tenho o barco. Já posso pescar no grande rio?” – Um barco? Mas aquilo é apenas um uapê; é uma formosa índia que Tupã transformou em planta.” – Como, mãe? Então não é o meu barco? Você sempre me disse que eu um dia haveria de ter meu ubá…”  – Meu filho, o teu barco, tu o farás; este é apenas uma folha. É Naia, que se apaixonou pela lua…” – Quem é Naia?”, perguntou curioso o indiozinho. – Vou  contar-te… Um dia, uma formosa índia, chamada Naia, apaixonou-se pela lua. Sentia-se atraída por ela e, como quisesse alcançá-la, correu, correu, por vales e montanhas atrás dela. Porém, quanto mais corriam, mais longe e alta ela ficava. Desistiu de alcançá-la e voltou para a taba. – A lua aparecia e fugia sempre, e Naia cada vez mais a desejava. – Uma noite, andando pelas matas ao clarão do luar, Naia se aproximou de um lago e viu, nele refletida, a imagem da lua. – Sentiu-se feliz; julgou poder agora alcançá-la e, atirando-se nas águas calmas do lago, afundou. – Nunca mais ninguém a viu, mas Tupã, com pena dela, transformou-a nesta linda planta, que floresce em todas as luas. Entretanto uapê só abre suas pétalas à noite, para poder abraçar a lua, que se vem refletir na sua aveludada corola. – Vês? Não queiras, pois, tomá-la para teu barco. Nela irás, por certo, para o fundo das águas. – Meu filho, se te sentes bastante forte, toma o machado e vai cortar aquele tronco que foi vencido pelo raio. Ele é teu desde que nasceste. – Dele farás o teu ubá; então, navegarás sem perigo. Deixa em paz a grande flor das águas…” Eis aí, como nasceu a história da vitória-régia, ou uapê, ou iapunaque-uapê, a maior flor do mundo. Lenda recolhida por Irene Machado (Scipione, 1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

MOIRÃO TROCADO DE LOURIVAL BATISTA & SEVERINO PINTO - Lourival: Eu, da graça, faço o riso, / e, do riso, faço a graça! Severino Pinto: E da massa, faço o pão, / e do pão, eu faço a massa! Lourival: Você desgraçou a peça: / que u’a misturada dessa / não há padeiro que faça! Extraído da Antolohia ilustrada dos cantadores (Fortaleza, 1976), de Francisco Linhares e Otacilio Batista. Veja mais aqui.


A arte da artista performática, músico e escritora inglesa Cosey Fanni Tutti. Veja mais aqui.




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Fecamepa: a independência do Brasil aqui.

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A primeira vez no avião, Fernando Sabino, Manuel Bentevi, Nana de Castro, Jean-Paul Riopelle, Kiriku e a feiticeira, Inteligências Múltiplas & Aline Barros aqui.
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Tolinho & Bestinha: Quando a lei do semideus é cachaça, tapa e gaia aqui.
O cinema no Brasil aqui.
Manchetes do dia de sempre, Elsworth F. Baker, Guilherme de Almeida, Wesley Ruggles, Peter Fendi, Romero Britto, Mácleim, Samara Felippo & Carole Lombard aqui.
A Primavera de Ginsberg, Libelo & Anátema aqui.
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Teibei, a batida aqui.
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História do cinema aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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