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sexta-feira, julho 24, 2015

BOLÍVAR, NORBERT, NIETZSCHE, WILDE, SAURA, LOPE DE VEGA, SAINT-SAËNS, HOCHSCHARTNER & OS SONHOS.



Ernst Hochschartner (1877-1947)

Curtindo: Phryné (Frinéia, 1960/2013), do compositor, maestro e pianista do Romantismo francês Camille Saint-Saëns (1835-1921), na interpretação da soprano Denise Duval com a Orchestre & Chorale Lyrique de l'ORTF & maestro Jules Gressier. Veja mais aqui.

PROCESSO CIVILIZADOR – Os dois volumes da obra Processo civilizador (1939 – Zahar, 1990), do sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990), abordam, no primeiro volume - Uma história dos costumes -, abordando temas como sociogênese dos conceitos de civilização e cultura, fisiocracia e movimento de reforma francês, civilização como comportamento humano, mudanças de atitude nas relações entre os sexos, da agressividade e cenas da vida de um cavaleiro medieval, entre outros assuntos, enquanto que no segundo volume – Formação do Estado e Civilização – trata sobre a sociogenese do absolutismo, dinâmica da feudalização, forças centralizadores e descentralizadora, migração dos povos, cruzadas, formação de novos órgãos e instrumentos sociais, estrutura e sociogenese do Estado, mecanismo monopolista, distribuição das taxas de poder, monopólio, processos civilizadores, psciologização racionalista, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] 0 homem ocidental nem sempre se comportou da maneira que estamos acostumados a considerar como típica ou como sinal característico do homem "civilizado". Se um homem da atual sociedade civilizada ocidental fosse, de repente, transportado para uma época remota de sua pr6pria sociedade, tal como 0 período medievo-feudal, descobriria nele muito do que julga "incivilizado" em outras sociedades modernas. Sua reação em pouco diferiria da que nele e despertada no presente pelo comportamento de pessoas que vivem em sociedades feudais fora do Mundo Ocidental. Dependendo de sua situação e inclinações, sentir-se-ia atraído pela vida mais desregrada, mais descontraída e aventurosa das classes superiores desta sociedade ou repelido pelos costumes "bárbaros", pela pobreza e rudeza que nele encontraria. E como quer que entendesse sua própria "civilização", ele concluiria, da maneira a mais inequívoca, que a sociedade existente nesses tempos pretéritos da bist6ria ocidental não era "civilizada" no mesmo sentido e no mesmo grau que a sociedade ocidental moderna. Este estado de coisas talvez parece óbvio a numerosas pessoas e alguns julgarão desnecessário referi-lo aqui. Mas ele necessariamente acarreta perguntas que não podemos, com a mesma justiça, dizer que estejam claramente presentes na consciência das atuais gerações, embora estas questões não deixem de ter importância para uma compreensão de nós mesmos. Como ocorreu realmente essa mudança, esse processo "civilizador" do Ocidente? Em que consistiu? E quais foram suas causas ou forças motivadoras? É intenção deste estudo contribuir para a solução dessas principais questões. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O CAMINHO DOS SONHOS – O livro O caminho dos sonhos: em conversa com Fraser Boa (Cultrix, 1988), de da psicoterapeuta analítica, pesquisadora e escritora alemã Marie-Louise von Franz (1915-1998), aborda temas sobre a psicologia básica de Carl Gustav Jung, descida ao mundo dos sonhos, mapeamento do inconsciente, a estrutura dos sonhos, sonhos na cultura, a escada para o céu, a linguagem esquecida, a psicologia masculina, a sombra sabe, a mãe devoradora, a morte do dragão, a psicologia feminina, guia interior, relacionamentos, o self, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] Bem, todo sonho estabelece uma conexão essencial entre a nossa consciência de ego e o nosso centro interior. Uma conexão duradoura. Todo aquele que tiver observado seus próprios sonhos por alguns anos terá em mente uma série deles, da qual dirá: "Nunca me esquecerei daquele sonho e do que significa." Fica-se para sempre ligado a ele e, através dele, ao centro interior. "... Apanho uma lasca que se soltou do sonho. É feita de pão. Então digo ao rapaz: 'Isso mostra como o sonho deve ser interpretado. Você deve saber o que descartar. É como na vida.'... Ora, assim que a interpretação atinge o alvo, ou como dizemos, chega em casa, o sonho se transforma em pão da vida. Sempre que compreendemos um sonho adequadamente nos sentimos alimentados. Sentimos, por assim dizer, o alimento sobrenatural de que precisamos lá dentro e que vem do inconsciente. Isso é muitas vezes representado nos sonhos como o pão ou a água da vida, porque, quando atinge o alvo, sentimo-nos vivificados e alimentados, e temos uma sensação de felicidade e satisfação, como depois de uma boa refeição. Como se nos disséssemos: "É isso aí. Agora sei para onde estou indo. Agora posso prosseguir." Algo se tranquiliza e se satisfaz dentro de nós. Quando os penedos atingem o sonho, parte da substância, o pão, se desprega, e o que resta são parafusos e porcas que lentamente constituem uma estranha estrutura piramidal. Aí temos, por assim dizer, a forma exterior do sonho e sua substância. E podemos dizer: "Sim, a forma exterior do sonho é a sequência de imagens que precisamos ir compreendendo gradativamente." Mas então — e essa é a parte mais difícil da interpretação de sonhos — temos que nos perguntar: "Muito bem, mas qual é a essência da mensagem desse sonho? O que ele nos diz?" Faz-se necessário assim penetrar na essência da mensagem, da mensagem divina contida naquela estranha casca, aquela sequência de imagens absurdas e difíceis de compreender. Essa essência aponta para o Self. Os sonhos sempre apontam para o centro interior. São como centenas de formas que apontam para o mesmo centro interior. Cada sonho é uma tentativa da natureza de nos centrar, de nos religar ao nosso centro mais profundo e estabilizar nossa personalidade. A questão principal da interpretação dos sonhos é explicada ao sonhador: ou seja, o que descartar e o que reter. "E como a vida." O sonho, como ávida, tem uma superfície que deve ser descartada. Por exemplo, os sonhos, sendo natureza pura, usam alguns símiles absurdos, alguns de muito mau gosto. Lembro-me a propósito do sonho de um analisando pintor, no qual ele cagava tanto, tanto, que a merda inundava o banheiro. Daí descobrimos o que havia se passado. Na noite anterior ele tinha começado a pintar uma tela pequena. Muitas fantasias lhe vieram à mente, mas não havia espaço para elas na diminuta tela. Dá para ver — como ele era um tanto avarento, e não queria comprar uma tela maior, o sonho claramente lhe dizia o que achava de sua atitude. Percebe-se assim que os sonhos não respeitam as regras da boa educação ou as ideias de bons modos. Eles falam uma linguagem natural. A superfície é às vezes extremamente repelente, ou simplesmente estúpida. As pessoas dirão: "Esta noite tive um sonho absurdo e bobo." É preciso então descartar a imagem e atingir o significado. O importante não é a imagética, mas o sentido, a mensagem. E como diz o sonho, na vida é igual. "... Aí o sonho muda. Ainda estamos os dois sentados um de frente para o outro, mas na beira de um rio..." É como se a primeira parte do sonho tentasse explicar ao sonhador o que os sonhos são em essência e de onde eles vêm, enquanto a segunda parte procura lhe explicar como os sonhos funcionam no decorrer da vida, simbolizada pelo rio. O rio é uma imagem do fluir do tempo. Portanto não se trata apenas do que este ou aquele sonho significam, mas, antes, do sentido do grande rio da vida onírica, no qual a cada noite penetramos. O que é isso? O que significa? De onde vem esse rio, qual o princípio básico da sua vitalidade? [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O SIMÃO MACABEU DO NOVO MUNDO – O líder político sul-americano Simon Bolívar (1783-1830), nasceu na Venezuela. No seu batizado, o pai desejava chama-lo Santiago quando o padre alertou: “Tenho o pressentimento de que esse menino ainda será algum dia o Simão Macabeu do Novo Mundo”. Dizia isso, mas era perigosíssimo rebelar-se contra o governo espanhol na América Latina. Em 1781, quando Tupac Amaru tentou libertar o Peru, o governador espanhol mandou cortar-lhe a língua e depois o obrigou a assistir ao trucidamento de sua esposa e de seu filho, os quais foram atados pelos membros a quatro cavalos que os puxaram em direções opostas, despedaçando-lhes os corpos. No fim do espetáculo, a ele próprio foi dado o mesmo tratamento. Isso era ainda muito vivo no tempo que Bolívar considerava: “Neste mundo louco há duas coisas que devemos considerar antes de tudo: a santidade do corpo humano e a estupidez do espírito humano”. A sua vida era para as aventuras amorosas, até que em 1799 voltou-se para aventurar-se no Velho Mundo. Lá casou-se e ficou viúvo, até encontrar-se com intelectuais sul-americanos que, como ele, sonhava com a liberdade. Organizaram-se em sociedade secreta, tornando-se Bolívar um de seus chefes. Anos depois, regressou à terra natal pelos Estados Unidos, onde viu o espírito da independência na sua aplicação prática. Em 1811, na Venezuela, um libertador denominado Miranda, um soldado da desventura, propagava a Independência da América do Sul. Uniu-se na luta até a traição, quando Miranda foi preso e Bolívar conseguiu fugir, tendo suas propriedades confiscadas. Em seguida, organizou duzentos homens e lançou um manifesto de libertação. Enfrentou a força espanhola: derrotou um exército no grito: “Meu canhão? Eu não tinha nenhum”, conquistava Tenerife e seguiu para Mompox, pelas cordilheiras andinas. Em seis dias, travou seis batalhas e ganhou todas elas. E depois começou a galgar os Andes em direção à Venezuela: “Temos uma missão a cumprir, e nada nos deterá!”. Em meio de cenas de indescritível entusiasmo pela derrota espanhola, marchou através da Venezuela para a sua cidade natal, Caracas, na qual entraram vitoriosos em 1913. Bolívar vencera os inimigos, contudo foi incapaz de vencer os amigos que se tornaram invejosos de seus sucessos, acusando-o de ambições ditatoriais. Arruaças, motins, deserções, a Venezuela estava mergulhada em guerras civis. Venceu todos e a água em voo cobria uma espantosa vastidão de território para libertar a América de seus tiranos e traidores. Em toda parte era aclamado como um salvador: libertador da Venezuela, de Nova Granada, da Colômbia, do Equador, da Bolívia, do Chile, do Peru – “O domínio espanhol na América do Sul agora não é mais que uma recordação”. Em 1826 havia Bolívar completado a sua obra de libertação. A partir daí, a tragédia toma conta da sua vida: “Deixemos de regionalismos. Não mais Venezuela, não mais Equador, Chile, Bolívia ou Peru. Unamo-nos todos em uma só família de americanos”. Contudo, rivalidades, conspirações, assassinatos, Bolívar estava virtualmente sozinho, apenas acompanhado por sua amante Manuela, embarcando numa fragata silenciosamente para sua morte solitária, em Santa Maria, na costa da Colômbia, balbuciando em seu estertor: “Meu último desejo é ver os americanos unidos”. Veja mais aqui.

SONETOS – No livro Sonetos (La isla de los ratones, Santander, 1960), do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635), destaco dois deles, o primeiro Soneto de Repente: Um soneto me pede Violante, / nunca na vida estive em tal aperto; / quatorze versos dizem que é soneto: / brinca brincando lá vão três avante. / Não pensei que encontrasse consoante, / e na metade estou de outro quarteto; / mas, se me vem o início de um terceto, /cá nos quartetos nada há que me espante. / No primeiro terceto vou entrando, / e parece que entrei com o pé direito, / pois fim com este verso lhe vou dando. / Estou já no segundo, e ainda suspeito / que vou os treze versos acabando; / contai se são quatorze, e ei-lo: está feito. O segundo soneto Definição de Amor: Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso, / áspero, terno, liberal, esquivo, / alentado, mortal, defunto, vivo, / leal, traidor, covarde e valoroso; / não ver, fora do bem, centro e repouso, / mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo, / enfadado, valente, fugitivo, / satisfeito, ofendido, receoso; / furtar o rosto ao claro desengano, / beber veneno qual licor suave, / esquecer o proveito, amar o dano; / acreditar que o céu no inferno cabe, / doar sua vida e alma a um desengano, / isto é amor; quem o provou bem sabe. Veja mais aqui e aqui.

SALOMÉ – A tragédia em um único ato Salomé (1894), do escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), conta a história bíblica de Salomé (14-71dC), eleita a musa da estética decadentista e enteada do tetrarca Herodes Antipas, que, para desgosto de seu padrasto, mas para o deleite de sua mãe Herodias, pede a cabeça de Jokanaan (João Batista) em uma bandeja de prata como um recompensa para dançar a a dança dos sete véus. A peça foi escrita em francês em 1892 para ser representada por Sarah Bernhardt em Paris. Também foi adaptada para o cinema em 2002, pelo cineasta e roteirista espanhol Carlos Saura, contando a história a partir de uma perspectiva de uma companhia de dança flamenca, sobre o amor e a vingança da figura mítica e bíblica. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Homenagem à atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923) que em sua vida teve mais de 1.000 homens diferentes.

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O amor de Naipi & Tarobá, Arte e percepção visual de Rudolf Arnheim, Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a música de Vivaldi & Max Richter, a fotografia de Fernand Fonssagrives, a coreografia de Regina Kotaka, a pintura de Fernand Léger & a arte de Eugénia Silva aqui.

E mais:
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Duofel, três por um, A sociedade do consumo de Jean Baudrillard, Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe, Tristão & Isolda de Richard Wagner, a coreografia da arte de Pina Bausch, o cinema de Roger Vadim, a pintura de Alice Kaub-Casalonga & Vicente do Rego Monteiro, a arte de Miles Williams Mathis, Amores impossíveis, Poetas de Palmares & Jayme Griz aqui.
Passando a limpo, O mundo líquido de Zygmunt Bauman & muito mais aqui.
A cidade, a urbanização e as enchentes & a arte de Márcia Spézia aqui.
Reino dos sonhos, a literatura de Osman Lins, a poesia de Denise Levertov, A palavra na democracia e na psicanálise de música de Renato Borghetti, a fotografia de Laszlo Moholy-Nagy, a arte de Mike Todd aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: The Last Chapter, da pintora australiana Janet Agnes Cumbrae Stewart (18883-1960)
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Paz na Terra:
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domingo, janeiro 04, 2015

GIOVANNA FRENE, NANCY LEE, JHUMPA LAHIRI, HELEN CRESSWELL & NINA DE CALLIAS.

 


NINA DE CALLIAS - Era Anne-Marie aquela canceriana filha do advogado de Lyon e que era Gaillard antes do seu casamento com o conde Callias do Le Figaro. Na verdade era Nina, conhecida por seu salão literário e artístico de Paris, aquela mesma do caso de amor que inspirou o Le Coffret de santal do Cross. Sim, era a Parisiena com um soneto decorado pela paixão. Era a Dame aux éventails de Manet deitada preguiçosamente no sofá e eu um simples jovem que ao seu redor me embevecia com o Parnassians, em seu apartamento da Chaptal. Tão sedutora ao piano, eu me encantava com La Jalousie du jeune Dieu. Era a Odalisc de Manet com o seu apaixonante dedilhado no Tristan & Iseult. Era cortejada, celebrada aos versos, admirada nas festas. Mas a Guerra Franco-Prussiana a fez fugir para Genebra adotando exilada o sobrenome materno Villard. Ao retornar na primavera teve participação efetiva no Dixains Réalistes e no The Hydropaths. E me embalou ao som da Fantaisie sur Rigoletto instalada perto da barreira de Clichy. Desprezada por todos, sou a ela fiel e viajei por seu Noturno, fui atento ao seu Romance e me esbaldei diante do Souvenir de Vichy. O seu salão era tido por suspeito, desclassificado, marginal, mas foi ali que testemunhei o Feuillets parisiens, vivi o La Duchesse Diane, me encantei com La Jalousie du jeune Dieu. Era a poeta pianista encantadora e talentosa, uma apaixonante mulher que vivia sua fantasia independente e fora das regras sociais, despreocupada e mundana à loucura e à morte. Insone e nervosa, alcoolizada e morta-viva. Eu quis dançar com ela para sempre à sua Valse Brillante. O meu tributo para a compositora, pianista e escritora francesa Anne-Marie Gaillard (1843-1884), a Nina que era de Villard e de Callias. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - As máquinas são o ópio das massas. Se todas as máquinas fossem lançadas amanhã no Mar do Norte, estaríamos de volta ao Jardim do Éden. E o tempo provavelmente melhoraria. A mãe e o pai dizem que devemos nos orgulhar das conquistas. Dizem que é um erro inato subestimarem-se. Seu pecado favorito é o orgulho que imita humildade... Você deve ter a coragem de suas convicções... A única boa razão para nadar, até onde posso ver, é escapar de um afogamento. Nasci na família errada. O senso de humor é considerado um sinal de saúde mental - além dos trocadilhos excessivos, que é outra questão. Um véu de segredo deve ser preservado... Pensamento da escritora inglesa Helen Cresswell (1934-2005).

 

ALGUÉM FALOU: Você ainda é jovem, livre. Faça um favor a si mesmo. Antes que seja tarde demais, sem pensar muito nisso primeiro, arrume um travesseiro e um cobertor e veja o máximo que puder do mundo. Você não vai se arrepender. Um dia será tarde demais... Pensamento da premiada escritora estadunidense de origem indiana. Jhumpa Lahiri, que no livro Interpreter of Maladies (Mariner, 1999), expressou que: [...] Mesmo assim, há momentos em que fico perplexo com cada quilômetro que viajei, cada refeição que comi, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por mais comum que tudo pareça, há momentos em que está além da minha imaginação. [...] Enquanto os astronautas, heróis para sempre, passaram apenas algumas horas na Lua, eu permaneci neste novo mundo durante quase trinta anos. Eu sei que minha conquista é bastante comum. Não sou o único homem a buscar fortuna longe de casa e certamente não sou o primeiro. Mesmo assim, há momentos em que fico perplexo com cada quilômetro que percorri, cada refeição que fiz, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por mais comum que tudo pareça, há momentos em que está além da minha imaginação. [...]. No The Lowland (Vintage, 2014), expressou que: [...] O isolamento oferecia a sua própria forma de companheirismo: o silêncio confiável dos seus quartos, a tranquilidade inabalável das noites. A promessa de que encontraria as coisas onde as colocasse, de que não haveria interrupção, nenhuma surpresa. Ele a cumprimentava no final de cada dia e ficava quieto com ela à noite. [...]. Já no Unaccustomed Earth (Vintage, 2009), expressou que: […] Ele possuía uma câmera cara que exigia reflexão antes de apertar o obturador, e eu rapidamente me tornei seu modelo favorito, rosto redondo, falta de dentes, minha franja grossa precisando de um corte. Ainda são as fotos minhas que mais gosto, pois transmitem aquela confiança de juventude que não possuo mais, principalmente diante de uma câmera. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

GAROTAS MORTAS - [...] Você tenta separar aquele garoto da sua vida. A cirurgia é complicada, como algo cortado na selva sem anestesia. Você desconfia das suas preferências, dos seus hábitos, dos seus habituais, se pergunta quais você adotou por causa dele. Quando você começou a preferir os americanos aos cappuccinos? Quando você decidiu que cinquenta dólares era muito para pagar pelo jantar? Na fila de um supermercado, você vasculha sua bolsa em busca do talão de cheques. Você já se perguntou se foi sugestão dele comprar orgânicos, pular o corredor dos cereais e nunca comprar manteiga de amendoim ou laranja da Flórida. [...]. Trecho extraido da obra Dead Girls (Faber & Faber, 2004), da escritora canadense nascida no País de Gales, Nancy Lee, que na obra The Age (McClelland & Stewart, 2014), expressou que: […] Urgentes, necessários e poderosos, estes poemas expõem a hipocrisia de uma sociedade que exige a verdade e depois destrói sistematicamente aqueles que ousam dizê-la. Com destreza lírica e visão impressionante, Amber Dawn detalha a difícil trajetória de criar arte a partir da vida enquanto navega em instituições mergulhadas na opressão estrutural. Não há como exagerar o valor e a importância deste livro, uma tábua de salvação para os sobreviventes, um ponto de viragem, um acerto de contas. [...].

 

DESCRIÇÃO - Eles colocam as mãos em torno de seu sexo primeiro \ enquanto ele ainda está seminu.\ Seus olhos estão bem abertos e ele não sente vergonha.\ Sua boca também está tão aberta que ele não consegue\ falar ou talvez ninguém tenha tempo de ouvi-lo.\ Em segundo lugar, enquanto ele ainda está deitado,\ limpam-lhe o corpo com uma esponja macia,\ apoiando-o nas costas ou nos braços para que não se canse.\ Precisamos prepará-lo como um banquete. Você não pode\ perder a festa\ quando ela estiver preparada.\ Não é hora de ter vergonha de todas aquelas mulheres.\ Eles andam de um lado para o outro \ eles andam para cima e para baixo\ na sala como abelhas em um jardim de inverno.\ Sua voz se perde no zumbido. Eles procuram\ o melhor vestido\ os sapatos mais pretos.\ O que ele deve estar pensando enquanto olha para o teto\ quase surpreso... \ Em terceiro lugar, eu queria dizer,\ agora que estou vestido, não posso falar\ com esse curativo na cabeça e não posso\ ver com minhas pálpebras tão abaixadas.\ Eu olho para suas mãos acima do peito\ transversalmente.\ Um morto não tem pulmões para respirar fundo: está todo\ concentrado na sua morte,\ não pensa no amanhã:\ amanhã \ não existe. Poema da escritora italiana Giovanna Frene (pseudônimo de Sandra Bortolazzo), autora das obras Immagine di voci (Facchin, 1999); Mudança. Poema para a memória (Lietocolle, 2000); Datità, (Manni, 2001); Estado aparente (Lietocolle, 2004); Sara ri (D'If, 2007); O conhecido, o novo (Transeuropa, 2011); e Técnica de sobrevivência para o Ocidente que afunda (Arcipelago Itaca, 2015).

 

SACADOUTRAS


 

PENSAMENTO DO DIA – “Estamos numa época de transição para a humanidade. Uma tomada de consciência se opera, certamente bastante incompleta e imperfeita, mas algo de novo se esboça. [...] Não somos joguetes de uma força obscura ou luminosa. Nosso destino está em nossas mãos, tanto no plano individual quanto no coletivo. [...] Cada um é livre para pensar e agir como melhor lhe convier, segundo suas convicções, suas próprias experiências, seu meio, sua profissão, etc. [...]” (Christian Bernard, Tomada de posição). Veja mais aqui

Imagem: Nu, do artista plástico brasileiro Julio Hübner.

Ouvindo: The Köln Concert, álbum musical premiado pelo Grammy Hall of Fame, de 1975 – ECM Records, de Keith Jarrett.


O GÊNESE AFRICANO: LENDA DA CRIAÇÃOQuando as coisas não existiam ainda, Mebere, o Criador, fez o homem de argila. Tomou a argila e modelou um homem. Assim começou este homem e começou-o como lagarto. Mebere pôs o lagarto num charco de água do mar. Cinco dias se passaram: passou cinco dias com ele no charco das águas e manteve-o lá dentro. Sete dias: esteve dentro sete dias. No oitavo dia, Mebere foi olhar e eis que o lagarto salta, e eus que salta para fora. Transforma-se num homem. E dia ao Criador: Obrigado. (Maravilhas do Conto Africano, organizado por Fernando Correia da Silva. São Paulo: Cultrix, 1962). Veja mais aqui


UNS ACHADOS E DITOS DE NEWTON – O cientista, físico, alquimista, astrônomo e matemático inglês Isaac Newton, além de ser o nome da ciência moderna, sempre saía com umas das suas. Uma delas: “Não sei o que possa parecer aos olhos do mundo, mas aos meus pareço apenas ter sido como um menino brincando à beira-mar, divertindo-me com o fato de encontrar de vez em quando um seixo mais liso ou uma concha mais bonita que o normal, enquanto o grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente”. Apesar de ouvir cobras e lagartos – das doenças, de Liebniz e de outros matemáticos seus contemporâneos - a respeito desse grande cientista, outra dele merece destaque: “Se fiz descobertas valiosas, foi mais por ter paciência do que qualquer outro talento”. Veja mais aqui


UMA DE POETA – O grande poeta Casimiro de Abreu (1837-1860), quando tentou publicar a sua coletânea dos poemas da juventude, As Primaveras, em 1859, teve de, genuflexo, suplicar ao pai que bancasse o livro. O zoadeiro no juízo do impaciente paterno foi tão grande, que o mesmo pensou consigo: “Vou dar logo esse dinheiro para ver se esse menino tira esse negócio de poesia da cabeça”. Ledo engano. Com a empreitada exitosa, o poeta que, então, se assinava apenas Casimiro Abreu, narrou o fato numa carta que seus poemas desse livro são: “[...] flores que o vento esfolhará amanhã e que valem apenas como promessas dos frutos do outro” e arrematou: “Aumentei o meu nome com o “de”; fica mais aristocrático, o que, no entanto, não priva da pessoa ficar plebeia como sempre”. (Ilka Laurito, O destemido caçador de borboletas). Veja mais aqui e aqui.


O TANGO DE SAURA – Entre os tantos filmes do cineasta espanhol Carlos Saura que me extasiaram, um deles quero destacar agora: Tango. Lindíssimo, extraordinário, cheio de muita sensualidade e maravilha. Envolvente, uma dança que invejo e que jamais aprendi, tocante principalmente nas cenas em que eu podia sacar amiudadamente a beleza da Mia Maestro. Veja mais aqui.


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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...