domingo, maio 18, 2014

ROSA MONTERO, REGINA GALINDO, AMBER BENSON, LUCRETIA MOTT & POBREZA


POBREZA – O tema da pobreza tem sido objeto de atenção cada vez mais intensa por parte dos governos, organizações internacionais e, consequentemente, institutos de estatística, tendo em vista que o fenômeno da pobreza sempre existiu, mas sua interpretação tem variado muito ao longo do tempo.
Tradicionalmente, a condição de pobreza era entendida como algo natural, inevitável e inerente a uma parte grande, se não a maior, da humanidade, mas só se tornava objeto de preocupação de governantes e estudiosos dos fenômenos da economia e das populações quando os pobres, de alguma forma, saiam ou eram uma ameaça à ordem constituída, a pobreza era uma questão moral, consequência da falta de ética de trabalho e sentido de responsabilidade dos pobres, ou o efeito inevitável do desenvolvimento da economia industrial e de mercado.
Inicialmente convém conceituar pobreza para que esta possa ser observada dentro da problemática social, tendo em vista que a pobreza passa pelo problema econômico, biológico, educacional, cultural, dentre outros. Assim sendo, tradicionalmente definida como falta de poder econômico, a pobreza também significa carência de assistência médica, nutrição adequada, educação e emprego. Pessoas que não se alimentam apropriadamente são incapazes de se educar, aprender habilidades profissionais e conseguir ou manter ocupação rentável.
O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas enfatiza que cerca de 1,3 bilhão de pessoas, mais de um quinto da população mundial se sustentam com pouco mais de um dólar por dia e vivem, consequentemente, em pobreza absoluta; que aproximadamente 840 milhões de pessoas em todo mundo, em dados do início dos anos 2000, um em cada sete indivíduos sofrem de subnutrição; embora a produção mundial de alimentos seja significativa, os mais necessitados carecem de alimentação; quando os níveis de saúde e produtividade de uma nação declinam, esta torna-se vulnerável à instabilidade social, política e econômica. No entanto, é conveniente observar que as causas da pobreza não podem ser individuais, mas estruturais: a exploração do trabalho pelo capital, o poder das elites que parasitam o trabalho alheio saqueando recursos públicos, e a alienação das pessoas, criada pelo sistema de exploração, que impede que elas tenham consciência de seus próprios problemas e necessidades
A pobreza e a desigualdade, conforme Abranches (1985) e Codo (1996), são tão antigas quanto a humanidade, e sempre vieram acompanhadas de forte sentimentos morais. E conforme Oliveira (2000), para Malthus a causa principal da pobreza era a grande velocidade com que as pessoas se multiplicavam, em contraste com a pouca velocidade em que crescia a produção de alimentos. O problema se resolveria facilmente se os pobres controlassem seus impulsos sexuais e deixassem de ter tantos filhos. Ou melhor, a visão malthusiana da pobreza era extrema, e colidia com o valor da caridade, tão presente na tradição judaica, cristã e de outras religiões. Em todas as sociedades, sempre se reconheceu a virtude de ajudar aos pobres, ao mesmo tempo em que aceitava a inevitabilidade das diferenças sociais e da miséria humana.
A ideia de que as causas da pobreza e os caminhos para sua solução não dependem da vontade ou do caráter dos indivíduos, mas das relações entre as pessoas, sempre esteve presente nas formas mais radicais do cristianismo, e, na época moderna, nos escritos e movimentos políticos socialistas e comunistas. Para uns, a solução dependia ainda de uma regeneração moral, não mais dos pobres, mas dos ricos, cujo egoísmo e acaricia deveriam ser transformados em verdadeira caridade e sentimento de justiça.
Entende a teoria marxista de que a desigualdade e a pobreza são produzidas inevitavelmente pelas sociedades capitalistas. Assim, para os marxistas, esta crença no poder transformador das convicções e da força moral era o que caracterizava o "socialismo utópico", que deveria ceder lugar a um "socialismo científico", que entendesse a verdadeira natureza dos conflitos sociais, e os levasse à sua conclusão natural. A história da humanidade, dizia o Manifesto Comunista, era a história da luta de classes, e era através dela que os problemas da pobreza encontrariam sua solução. No entanto, com o capitalismo, as antigas classes estavam desaparecendo, restando apenas a burguesia e o proletariado, que se confrontariam na luta final pelo fim da pobreza e da desigualdade social.
As suas consequências, para Bauman (1999), leva ao entendimento de que a pobreza leva ao processo de degradação social que nega as condições mínimas de vida humana. A soma do resultado “fome-pobreza”, derivam outros fatores que “enfraquecem os laços sociais” e passam a destruir também, os laços afetivos e familiares. Todas as tentativas de mudança encontram barreiras e sua eficiência é momentânea, pois, este sofrimento da sociedade humana tem como precedente, amaras, que são facilmente retraçadas e mutáveis pela globalização e pelo sistema de produção capitalista.
É preciso entender que definir e medir a pobreza a calcular as porcentagens dos pobres de um país ou de uma região não é uma questão só de cifras e médias. Certos fatores geográficos, biológicos, sociais, entre outros, multiplicam ou reduzem o impacto exercido pelos rendimentos sobre cada individuo. Entre os mais desfavorecidos faltam em geral determinados elementos, como instrução, acesso à terra, saúde e longevidade, justiça, apoio familiar e comunitário, crédito e outros recursos produtivos, voz nas instituições e acesso a oportunidades.
Entendem Abranches (1985) e Codo (1996) que é possível se obter duas formas para a identificação da pobreza. A primeira é o método direto, consistido este em classificar na faixa de pobreza todas as pessoas cujo nível de consumo de certos bens e serviços, aqueles considerados essenciais à sobrevivência, está abaixo de um certo mínimo; a segunda forma é chamada de método da renda, onde consiste em se calcular o nível de renda associado à satisfação mínima das necessidades básicas, estabelecendo assim uma linha de pobreza. Isto quer dizer que todo o indivíduo com rendimentos abaixo desta linha é considerado pobre. Das duas formas a de mais aceitação seria a de método da renda, pois, através dela é possível quantificar a renda mínima necessária para a sobrevivência, e todo que estivessem abaixo desta seria considerado pobre.
A pobreza aparece como um sigma, daí que os sociólogos afirmam que a pobreza evoca uma condição humana humilhante. Distingue–se, pois, três níveis de pobreza, que formam ciclos concêntricos: o maior inclui todos os pobres, qualificados em relação ao seu baixo nível de renda; o segundo, menor, reagrupa os pobres que se beneficiam de certa alocação social, mas ao mesmo tempo são considerados como pessoas depravadas e mal formadas. O terceiro reúne os que recebem ocasionalmente uma alocação (CODO, 1996).
O estigma da degradação, de maneira tradicional, confunde a pobreza com a pratica de atos ilícitos. Retrocede–se à ideia medieval dos bons e maus pobres. Neste sentido, destacam–se, também os reflexos de condenação que surge do espetáculo da pobreza. Essas atitudes e representações são interiorizadas pelos próprios pobres. Uma vida fundada sobre a exclusão social, constitui a verdadeira definição da pobreza.
Enfim, há que se entender que a pobreza é um mundo complexo e a descoberta de todas as suas dimensões exige uma análise clara. Ou seja, ser pobre não significa apenas viver abaixo de uma linha imaginaria de pobreza, mas é ter um nível de rendimento insuficiente para desenvolver determinadas funções básicas, levando em conta as circunstâncias e requisitos sociais circundantes, sem esquecer a interconexão de muitos fatores.

É preciso respeitar melhor a vida
no amor que traz a paz que é tão bem-vinda.
Amar para se ter além do passional
e o coração valer o ser humano universal.

É preciso respeitar as diferenças
e não se equiparar ao que é hostil nas desavenças.
Lutar contra a mantença desigual
que forja o algoz na força do poder irracional.

Se entregar agora, todo dia e a noite inteira,
testemunhar assim as coisas verdadeiras.
Colher a lágrima do olhar mais desolado
para irrigar a sede do carinho devastado.

É preciso ter no olhar a flor da vida,
trazer a luz do sol nas mãos amanhecidas.
E perceber o amor no menor gesto natural
para valer o sonho mais presente mais real.

E afinal poder sorrir
como quem vai feliz viver,
a manter a crença e o seu proceder na paz.
Semear a vida no ideal de colher
o que virá depois
pra ser alegria imensa para um mais dois, mais!
Viver a vida pelo que foi e será, é e será!
(CRENÇA, Luiz Alberto Machado)

REFERÊNCIAS
ABRANCHES, S. Os Despossuídos, Crescimento e Pobreza no País do Milagre, Rio de Janeiro, Atlas, 1985
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. 
BRASIL. Censo 2000. Brasília: IBGE, 2002
CODO, W. et al. Indivíduo, trabalho e sofrimento. Petrópolis: Vozes, 1996.
LIRA, Fernando José. Crise, privilégio e pobreza. Maceió: EDUFAL, 1997.
____. Realidade, desafios e possibilidades. Maceió: EDUFAL, 1998
OLIVEIRA, Pérsio Santos. Introdução á sociologia. São Paulo: Ática, 2000.
Veja mais sobre o tema aqui e aqui. 

 

DITOS & DESDITOS – Há muito mais neste mundo do que as aparências externas. Nossa sociedade se deleita na ilusão da normalidade todos os dias e se esconde da verdade todas as noites... Pensamento da atriz, escritora, cineasta e produtora estadunidenser Amber Benson.

 

ALGUÉM FALOU: Chorar não é para mim. Em vez disso, deixo as lágrimas fluirem para as tristezas da multidão. Meu trabalho é feito como uma fruta madura, admito o encontro. A morte não tem nenhum terror, por isso é uma lei sábia da natureza. Estou pronta... Pensamento da ativista Quaker estadunidense Lucretia Mott (1793-1880), defensora antiescravagista e ativista dos direitos da mulher. Veja mais aqui.

 


EN LA VIDA PUTA – A comédia e drama En La Puta Vida (2001), da cineasta, roteirista e professora uruguaia Beatriz Flores Silva, conta a história de Elisa que sonha em abrir um salão de beleza em Montevideo. Um dia ela sai da casa de sua mãe com seus dois filhos e rompe com Garcia, seu chefe e amante, que a enfureceu por não querer se casar. Depois de algumas decepções ela se muda para Barcelona como imigrante ilegal e acaba trabalhando como prostituta. A história é baseada na obra El huevo de la serpiente da jornalista María Urruzola, tendo como destaque o papel desempenhado pela protagonista, a belíssica atriz argentina Mariana Belén Santángelo Goldman, que também estrelou os filmes El alquimista impaciente (2002) e Miente (2009).

 

NÃO MAIS VER-TE - [...] A verdadeira dor é indecifrável. Se você pode dizer que você está acongoja de suerte: isso significa que não é tão importante. Porque quando a dor cai sobre você sem paliativos, o primeiro que você arranca é a Palavra [...] Quanto mais perto você chega do essencial, menos você consegue nomeá-lo. [...] Todos nós precisamos de beleza para tornar a vida suportável. Fernando Pessoa expressou-o muito bem: “A literatura, tal como a arte em geral, é a demonstração de que a vida não basta”. Não é suficiente, não. É por isso que estou escrevendo este livro. É por isso que você está lendo [...] Amor é encontrar alguém com quem compartilhar suas estranhezas. [...] Somente sendo absolutamente livre você pode dançar bem, fazer amor bem e escrever bem. Todas elas atividades muito importantes. [...] A felicidade é minimalista. É simples e nua. É quase nada que é tudo. [...] Porque a característica essencial do que chamamos de loucura é a solidão, mas uma solidão monumental. Uma solidão tão grande que não cabe na palavra solidão e que nem imaginamos se não estivemos lá. É sentir que você se desconectou do mundo, que não vão conseguir te entender, que você não tem #Palavras para se expressar. É como falar uma língua que ninguém mais conhece. É ser um astronauta flutuando à deriva na vastidão negra e vazia do espaço sideral. É desse tamanho de solidão que estou falando. E acontece que na dor verdadeira, na dor de avalanche, acontece algo semelhante. Mesmo que o sentimento de desconexão não seja tão extremo, você também não consegue compartilhar ou explicar o seu sofrimento. A sabedoria popular já diz: Fulano enlouqueceu de dor. O luto agudo é uma alienação. Você cala a boca e se tranca. [...] Às vezes, os relacionamentos construídos com base na dor são mais persistentes do que aqueles construídos com base no amor. [...]. Trechos extraídos da obra La ridícula idea de no volver a verte (Seix Barral, 2013), da escritora e jornalista espanhola Rosa Montero. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - COMO UM POEMA - Às vezes, \ para sobreviver \ preciso deixar minha pele\ esqueça de respirar, \ exista em outro estado. \ Como uma árvore, talvez \ como a madeira, \ como um lápis \ como uma carta \ como uma palavra, \ como um poema. GARRAS ESTÃO FORA - Muitos de nós pensamos que tínhamos sobrevivido aqueles anos, \ mas não percebemos que eles haviam enterrado os cadáveres dentro de nós \ depois de tanto tempo, \ seus cabelos cresceram e se emaranharam em nossas gargantas, \ suas garras estão para fora. Poemas da performática artista guatemalteca Regina José Galindo. Veja mais aqui.

 


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O cis, o efêmero & eu aqui.

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sexta-feira, maio 16, 2014

INGEBORG BACHMANN, SOFI OKSANEN, GURINDER CHADHA, ALICE PAUL & ROSA

 


A DANÇA DE ROSA NA ÓPERA DO CAVALO – ATO 1 – A DANÇA - Imenso salão e lá está ela em pé de costas, com seu vestido negro, ao som da Sonata para Violino nº 3 – Melodia e nº 4 Presto, de Béla Bártók. Fita as velas acesas. De repente tira os sapatos e descalça transita pelo espaço enorme. Então se deita sobre o frio piso, rola o chão, levanta-se e rodopia, braços abertos com passos firmes desenvolve uma coreografia inspirada em Anne Teresa De Keersmaeker. E lá chego na carreira para encontrá-la Fumiyo Ikeda pro nosso pas de deux. E dançamos e rolamos pelo chão e crescemos juntos e pulo no voo, tiro o paletó e faço o solo para que tenhamos o nosso momento de ir embora. ATO 2 – A ÓPERA DO CAVALO –  Lá estava ela jogadora de tênis acendendo o cigarro enquanto as bolas rolavam no piso ao som dos arcordes de Andriessen. O amante à luz noturna seguia firme, outros acompanhavam enquanto o balé pelas tábuas do piso rastejava o matadouro sob os olhos da investigadora. Ela expõe o glúteo rebolador sob a saia curta ao pegar o isqueiro, acendeu o cigarro em tragadas oníricas, sob o olhar dos supostos jogadores que passavam giz no taco imaginando-a caçapa da sinuca. À invasão de intrusos ela se desfez da peruca, largou os óculos e as vestes, seguiu ao estrado para adorar o cavalo do amante. Foi desmascarada e completamente desnudada sacudiram-na ao sofá. Ajeitou-se aboletando-se às tragadas: pensava naquele que preferia o cavalo, ignorando-a, enquanto desejava que ele a fizesse sua égua, adorando-a com o mesmo fervor que dedicava àquela montaria. O sonho dela nua sob as investidas certeiras do amo reverberava entre bailarinos e figurantes engalfinhados promiscuamente, todos fodiam como cachorrinhos ao som dos acordes da Im Sommerwind de Webern. Ele então se aproxima e espanca-a até tê-la Conchita, a estendê-la às palmadas nas nádegas, ela sorridente deliciosa, revirando-a a afagar-lhe violentamente os seios e a possuí-la inclemente. Abruptamente abandona-a e solitária ela unta o corpo nu com óleo negro provocando-o para estrupá-la por trás ao dedilhado do piano. E a trota dançante enquanto beija a partitura e a distribui aos demais presentes para que todos os cavalos trotem e possam galopar sob as ordens do ufano cavaleiro de todos os mandos, enquanto ela supliciada chora abandonada abundantemente. Fez-se égua ao seu cavaleiro. E ele cavalgava pelos desertos distantes e amava seus cavalos que escravizavam índios, caras-pálidas, dançarinos, beberrões, campesinos, abastados, o poderoso fazendeiro com seus capangas no galope. Entristecida com todas as lágrimas como se fosse a de Hiroshima do Vinícius, girava na cadeira. O trem passava tronitruante com as notícias das mortes de Bucket, Arcadio, Zick, Marseil, Juan Manuel, Butlizer, Fallthuis, Felixchange & Lennon. Ela bêbada fumando os tiros do assassinato é levada ao sacrifício, torturada, sevidiada, abusada, até ser deitada sobre o morto a chamá-lo, ambos aprisionados pela turba. Mais estupram-na e é a festa popular correndo solta, o morto enfim crucificado e ela com ele, para sempre na chuva e no fogaréu, sucumbem. Ela não sabia que renasceu no meu coração e me trouxe a sorte como se fosse a dos Ventos e se fez Amarela como presente de Afrodite a Eros e, por isso, a louvarei como se fosse a de Pixinguinha, celebrando Esmeralda com a morte do compositor. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Nunca haverá uma nova ordem mundial até que as mulheres façam parte dela. Nunca duvidei que a igualdade de direitos fosse a direção certa. A maioria das reformas, a maioria dos problemas são complicados. Mas para mim não há nada complicado na igualdade comum. Quando você coloca a mão no arado, você não consegue largá-lo até chegar ao final da linha. Pensamento da ativista feminista e sufragista estadunidense Alice Paul (1885-1977).

 

ALGUÉM FALOU: Eu sei que parece muito estranho, mas somos todos crianças que buscamos a aprovação de nossos pais. Quando lhe dizem que, como cineasta negra, as histórias que você quer contar não são comerciais o suficiente, você começa a pensar: 'Vou contá-las de qualquer maneira.' Quanto mais faço filmes, mais me sinto menos inclinada a falar sobre eles e apenas deixar as pessoas assisti-los. Sinto que as fotos contam a história e não posso acrescentar nada, exceto apenas falar sobre os detalhes técnicos do que aconteceu naquele dia. Pensamento da cineasta e roteirista queniana Gurinder Chadha.

 

ROSA – O curta-metragem Rosa (1992), dirigido por Peter Greenaway, apresenta o encontro de um casal de bailarino durante dois movimentos da Sonata para Violino, de Béla Bartók, foi filmado na Gent Opera House com coreografias de Anne Teresa De Keersmaeker. Já o longa-metragem Rosa, A Horse Drama (1994), é uma ópera em 12 cenas do compositor holandês Louis Andriessen com libreto da série Death of a Composer de Peter Greenaway, que explora as mortes de dez compositores do século 20, dois reais, nos casos de Webern e Lennon, e os demais fictícios, contando a história do compositor argentino fictício Juan Manuel de Rosa, que escreve trilhas sonoras para faroestes e é assassinado no Uruguai. Sua noiva Esmeralda inveja o cavalo de Rosa, porque ele o ama mais do que ela. Rosa se apaixona por seu cavalo enquanto maltrata sua noiva, Esmeralda Boscano, que escreve constantemente para a mãe sobre esses acontecimentos. Num movimento desesperado para atrair a atenção de Rosa, ela se despe e se cobre com tinta preta, na tentativa de se parecer com o cavalo de Rosa, uma égua preta. Enquanto isso, dois cavaleiros, possivelmente irmãos de Esmeralda, avançam sobre Rosa enquanto ele cavalga e o matam a tiros. Eles então realizam o casamento de Esmeralda com o cadáver de Rosa. Acontece que Rosa deixou um testamento com uma frase "Quando eu morrer, mate meu cavalo e queime-o". A ópera termina com o cadáver nu de Rosa montado em seu cavalo morto que foi eviscerado e agora contém Esmeralda e todo o dinheiro de Rosa. Tudo é então queimado. A ação se passa em um matadouro abandonado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

JANE - [...] Bem, você quer fazer alguma coisa? - Eu acho que não. - Acho que você quer ir a algum lugar, ver gente? - Na verdade. Não tenho nada a ver com ninguém. Não há nada para conversar com ninguém. Não há o que conversar quando você não vê ninguém, não faz nada, não vai a lugar nenhum. - Você deveria ir a algum lugar e fazer alguma coisa? - Por que? - Bem, havia algo para conversar. - Mas você não sabe se quero falar com alguém. Por que eu falaria? [...]. Trecho extraído da obra Baby Jane (WSOY, 2005), da escritora e dramaturga finlandesa Sofi Oksanen, que da sua arte expressa: Escrever é como representar, a questão é que está no papel, escrever um ato político e os livros são importantes para criar opinião.

 

SEM DELICADEZAS - Nada mais me agrada. \ Devo\ guarnecer uma metáfora\ com uma flor de amêndoa?\ crucificar a sintaxe\ sobre um efeito de luz?\ Quem despedaçará o crânio\ por coisas tão superficiais —\ Aprendi a levar em consideração\ as palavras\ que lá estão\ (para a classe mais baixa)\ fome\ vergonha\ lágrimas\ e\ escuridão.\ Saberei lidar\ com o soluço impuro,\ com o desespero\ (e ainda me desespero de desespero)\ com a muita miséria,\ o estado dos doentes, o custo de vida.\ Não desprezo a escrita,\ mas a mim.\ Os outros sabem\ sabe Deus\ se entender com as palavras\ Não sou meu assistente.\ Devo\ aprisionar uma ideia,\ conduzi-la até uma célula iluminada da frase?\ alimentar olho e ouvido\ com bocados \de palavras da melhor qualidade? \ analisar a libido de uma vogal,\ investigar o valor erótico de nossas consoantes?\ Tenho que\ com a cabeça destruída por granizo,\ com a cãibra por escrever com esta mão,\ sob a pressão da tricentésima noite,\ rasgar o papel,\ varrer as tramas de palavras operísticas,\ destruindo assim: eu tu e ele ela isso\ nós vós?\ (Devo, sim. Devem os outros.)\ Minha parte, que se perca. Poema da da poeta e filósofa austríaca Ingeborg Bachmann (1926-1973). Veja mais aqui.

 


DO INDIVIDUALISMO POSSESSIVO AO UMBIGOCENTRISMO DA FUTILIDADE – Já dizia o filósofo e político italiano, um dos expoentes da pós-modernidade, Gianni Vattimo: “[...] significa que hoje temos laços comunitários menos fortes, enraizamentos menos profundos na família e com a comunidade do território, não acreditamos mais na raça”. Veja mais do Umbigocentrismo. Veja mais do autor aqui. 


A MULHER E A SORTE PARA SÖREN AABYE KIERKEGAARD (1813-1855) – “[...] A sorte não nos bafeja muitas vezes, devemos pois aproveitá-la o mais possível quando se apresenta; o mal está em que não é de modo algum difícil seduzir uma jovem, mas sim encontrar uma que valha a pena ser seduzida”. (Diário de um sedutor, Kierkegaard). Veja mais Filosofia. Veja mais do autor aqui.

A VIDA SEMPRE POR UM TRIZ – Já dizia Baudelaire: “Felizmente, essa imaginação interminável só durou um minuto, pois num intervalo de lucidez, às custas de um grande esforço, você conseguiu olhar para o relógio. Mas já outra corrente de ideias o está levando; por mais um minuto o fará rolar no seu redemoinho vivo, e esse outro minuto será uma eternidade. Pois as proporções do tempo e do ser estão totalmente distorcidas pela quantidade e intensidade das sensações e das ideias. Parece que se está vivendo várias vidas de homem no espaço de uma hora”. (Charles Baudelaire, O poema do haxixe. Rio de Janeiro: Newton Compton, 1996). Veja mais aqui. 

TRIBO IK – Por força de uma determinação governamental, a tribo Ik caçadores das montanhas do norte de Uganda, foi transferida das suas terras de caça para um território com solo árido e rochoso. O resultado dessa decisão provocou a fome entre esse povo montês, definhando por falta de alimento e deteriorando sua estrutura social. A fome predominava e, por causa disso, uns se voltaram contra os outros, abandonando os sentimentos de amor e afeição que havia entre eles. As crianças da tribo que não conseguiam encontrar comida eram deixadas em cercados à espera da morte, juntamente com os avós deixados à míngua.


ANTÍPODAS TROPICAIS, DE ADRIANO NUNES – Já tem data marcada para o lançamento do segundo livro do poeta alagoano Adriano Nunes, Antípodas Tropicais, pelo selo da Editora Vidráguas, da poetamiga e editora Carmen Presotto. Em Maceió, o lançamento ocorrerá no próximo dia 28/05, às 11hs, na Editora/Livraria Edufal, no campus da Ufal. Imperdível. Veja mais Adriano Nunes.


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