segunda-feira, dezembro 10, 2018

KLIMT, FAYGA OSTROWER, SELMA DO COCO, NITOLINO & AS MULHERES AMADAS


AS MULHRES AMADAS – The kiss (1907-1908), do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). - Sou o crepúsculo na tarde azul da Áustria para que elas sejam flores na paisagem campestre de Bauerngärten e no cenário dourado de todos os jardins dos céus e da terra, todas elas desabrochando da art nouveau para serem amadas e eternizadas por todos os tempos e espaços. É da candura e fortaleza delas a se mostrarem com suas curvas de verdadeiras joias seminuas e provocantes, com suas túnicas de estampagem africana que são as armadilhas de sedução num mundo conservador. Ah é de uma delas que recolho o beijo nos braços de Emilie Flöge e me insinuo pelas madeixas das ruivas pré-rafaelitas e pela geografia das sereias dos mais profundos mares perdidos, até sentir-me senhor da nudez fatal da dominação de Judith no palácio de Nínive expondo a cabeça do general assírio que sou eu vencido aos seus encantos e feitiços. É nelas que sou herança da ouriversaria para expressá-las nuas nos painéis da Universidade, tudo queimado pela perseguição nazista aos judeus, cinzas redescobertas ao vento de todas as direções. Elas em mim resistem e renascem Danae, Adele Bloch Bauer, Serena, Mada, Fritza, Adele, as de Toulouse e aquelas entre morangos bizantinos com suas almas ao som Schubert, muitas, todas, entre quatro paredes e na orgia da cor, para amá-las no universo de dourada vida, no floral que emana de seus corpos, no tom pastel que me encanta e nas pinceladas impressionistas que as revivem na viúva Úrsula, em Gertrud Loew e as que emergiram no sanatório da convivência com Mahler e Wittgenstein, e habitam nuas e recolhidas no atelier intacto com milhares de rascunhos e em desenhos e quadros preservados que resistiram até sucumbir à apoplexia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] As potencialidades e os processos criativos não se restringem, porém, à arte. [...] O criar só pode ser visto num sentido global, como um agir integrado em um viver humano. De fato, criar e viver se interligam. [...] Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. [...] O ato criador abrange, portanto, a capacidade de empreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar. [...] Nós nos movemos entre formas. Um ato tão corriqueiro como atravessar a rua – é impregnado de formas. [...] As formas de percepção não são gratuitas nem os relacionamentos se estabelecem ao acaso. [...] Nessa busca de ordenações e de significados reside a profunda motivação humana de criar. Impelido como ser consciente, a compreender a vida, o homem é impelido a formar. Ele precisa orientar-se, ordenando os fenômenos e avaliando o sentido das formas ordenadas; precisa comunicar-se com outros seres humanos, novamente através de formas ordenadas. [...] Ainda vinculado aos mesmos padrões coletivos, ele se desenvolverá enquanto individualidade, com seu modo pessoal de agir, seus sonhos, suas aspirações e suas eventuais realizações. [...]
Trechos extraídos da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 1997), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

AGENDA:
Livros pras crianças & muito mais na Agenda aqui.
&
Publicações do Nitolino aqui.
&
A teia de Ixchel, Chantal Mouffe, Judith Butler, Lourenço Mutarelli, Viviane Mosé, Esther Erlich, Tamandaré, Vilmar Carvalho & Admmauro Gommes & Eliete Carvalho & Cavalcanti, Tom Jobim, Sarah Chang, John Lennon & Sinéad O'Connor aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da saudosa cantora e compositora Selma do Coco (1935-2015): Minha história Músicas do Nordeste, Jangadeiro, Areia & Meu sabiá & muito mais nos mais de 2 milhões & 960 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Foto de Andréa Rêgo Barros/PCR. Veja mais aqui.
 

sexta-feira, dezembro 07, 2018

NERUDA, TOM WAITS, WILLIAM MERRITT CHASE & A PRAÇA É UM SONHO


A PRAÇA É UM SONHO - Imagem: arte do artista William Merritt Chase (1849-1916). - As crianças, mãos na terra, riso de tudo, bundacanasca e trelas, embalam e embolam sonho, só querem saber de brincar, a vida é uma brincadeira, afinal, quem dera minha infância. As moças seduzem e riem, zanzam e flertam pujante liberdade nas bluzinhas e sotaques, um príncipe a qualquer momento surgirá dos sonhos e elas bamboleiam nas algazarras como se a tarde pudesse outro dia. Os rapazes metidos a sério de molecagens, gladiadores de nada, pelo futebol, pilherias e machezas, indiferentes de tudo com seu onanismo nas horas roubadas da vigilância. As mulheres, oh senhoras de luxo e nobreza, puxam seus filhos pra escola, pra feira, pro salão de beleza e pras coisas de casa, ufanas de si e tudo pra cuidar. Os homens apressados, compromissos na cabeça e nos bolsos, olhadelas pra trás dum coito a tergo naquela que passou no balanço das águas, engomam seriedade na hipocrisia, senhores de si e botam pra quebrar. Os velhos tagarelam descansando a jogar conversa fora, dominós e baralhos, valetes nas mangas, a vida já pesa no semblante do corpo claudicante à espera do remédio e da cova. O comércio em alvoroço de negócios queima no consumo dos desejos e os cães ladram festivos por gatos furtivos a se insinuarem entre ratos e mesquinharias do prazer, enquanto insetos picam o trânsito nervoso das querências aos desaforos de sapos escondidos pelos cantos mais recônditos e tudo salta fora nas pegadas que o sol imprime na praça pelas ruas e passarelas, onde os religiosos de todos os credos berram sua fé aos passantes indiferentes, entre motores, apitos, sirenes e semáforos, aos gritos de que Deus não é surdo e pouco importa porque os feirantes entopem as calçadas com ambulantes de todas as bugigangas e vendem as nuvens e os céus, o canto dos pássaros, lápides e cercas, flores e frutos, a fome e a agonia nos crediários, as gaiolas e o ar que respiram, e trocam e passam troco na esperança de dias melhores com muambas e artefatos de todas as guerras do tráfico, por sonharem com um país melhor na informalidade, porque emprego e escravidão se confundem nas relações laborais, nas quais policiais e meliantes seguem, uns aos outros no trajeto da girândola que emporcalha a cidade e fazem de tudo uma festa em que nada se comemora e é só uma praça, nada mais, uma praça de um lugar qualquer que é tomada e posta a venda em negociatas para espólio desapropriados, devolução de gentileza que só a política sabe transformar em matagal de máquinas que fabricam desertos na rede das jogadas, e a praça é só uma memória de dias que foram e não voltam mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Grato pela palavra / que agradece. / Grato a grato / pelo / quanto essa palavra / derrete neve ou ferro. / O mundo parecia ameaçador / até que suave / como uma pluma / clara, / ou doce como pétala de açúcar, / de lábio em lábio / passa, / grato, / grandes a boca plena / ou sussurrantes, / apenas murmuradas, / e o ser voltou a ser homem / e não janela, / alguma claridade / entrou no bosque: / foi possível cantar embaixo das folhas. / Grato, és pílula / contra / os óxidos cortantes do desprezo, / a luz contra o altar da dureza. / Talvez / também tapete / entre os mais distantes homens / foste. / Os passageiros que disseminaram / na natureza / e então / na selva / dos desconhecidos, / merci, enquanto o trem frenético / muda de pátria, / borra as fronteiras, / spasivo / junto aos pontiagudos / vulcões, frio e fogo, / thanks, sim, gracias, e então / a terra se transforma em uma mesa: / uma palavra a limpou, / brilham os pratos e copos, / ressoam os talheres / e parecem toalhas as planuras. / Grato, gracias, / que viajes e que voltes, / que subas / ou que desças. / Está entendido, não / preenches tudo, / palavra grato, / mas / onde aparece / tua pequena pétala / escondem-se os punhais do orgulho / e aparece um centavo de sorriso.
Ode à gratidão extraída da obra Navegações e regressos (MediaFashion, 2012), do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista William Merritt Chase (1849-1916).
Veja mais aqui.

AGENDA:
Pré Bienal da UNE na UFRPE & muito mais na Agenda aqui.
&
A caça & a fuga do caçador, Jean-François Lyotard, João Antonio, Juliana Merçon, Úrsula Garcia, Gian Lorenzo Bernini & Lucinda Lyons, Jucati, Eliane Elias & Emerson, Lake & Palmer aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do cantor, compositor, instrumentista e ator estadunidense Tom Waits: No visitors after midnight live, Rockpalast, Live in Bremem & On Broadway & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.


quinta-feira, dezembro 06, 2018

ALYSON NOËL, FRANCESCA TANDOI, ROCLOF FRANKOL & MARSA&SEUPEREIRA&COLETIVO401


PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA ENSINO-APRENDIZAGEM - Imagem: arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984). - Seguindo o mote da casa/escola emburrecedora, do saudoso educador Rubem Alves, desde alguns anos atrás, venho realizando palestras a respeito de práticas pedagógicas para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. A primeira delas, Brincar para aprender, realizada a convite da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió - AL (Veja detalhes aqui) e em diversas instituições de ensino, levava a proposta de inserção das atividades artísticas durante os trabalhos em sala de aula. Concomitantemente comecei a realizar Oficinas de Cordel, que foram realizadas em diversas ocasiões com o objetivo de promover a utilização da Literatura de Cordel como recurso pedagógico. Aprofundando a questão, passei a desenvolver atividades na área da Psicologia Social & Educação, quando apresentei os resultados do trabalho sobre A Educação & Arte na Escola Pública, experiência realizada com atividades artísticas para melhoria do processo de ensino-aprendizagem, realizado na Faculdade Cesmac e envolvendo a Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, de Maceió – AL (Veja detalhes aqui). Por conta disso, realizei os estudos que redundaram na palestra Contribuição do Teatro no Desenvolvimento da Linguagem Infantil: uma abordagem acerca da teoria de Vygotsky, apresentada na Uninove, em São Paulo e no Cesmac, em Maceió (Veja detalhes aqui). Dando continuidade a esses estudos e pesquisas, participei do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, na Faculdade Cesmac, ocasião em que realizei a palestra A Neuroeducação nas práticas pedagógicas de ensino-aprendizagem, que venho realizando desde então em diversos eventos e instituições (Veja detalhes aqui e aqui). Todas essas atividades que tenho desenvolvido nos últimos quinze anos compreendem a articulação que fiz das áreas de Direito, Educação e Psicologia com as Artes, na busca por melhores práticas pedagógicas em sala de aula, desde a Educação Básica, como também a Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Profissional e Educação Especial, nas mais diversas modalidades de ensino. Para tanto, tenho utilizado como embasamento teórico as propostas de Paulo Freire e de outros teóricos não menos importantes, com as mais inovadoras atividades artísticas voltadas para a educação, sobretudo nas áreas de Teatro, Música e Literatura. As experiências foram exitosas em diversas escolas públicas e na minha caminhada encontrei uma série de outras iniciativas, a exemplo do poeta e professor Janduhi Dantas Nóbrega, da Paraíba, que utiliza a Literatura de Cordel nas aulas de Gramática e Língua Portuguesa (Veja detalhes aqui). Também o escritor e professor Arantes Gomes do Nascimento, que elaborou os jogos pedagógicos Dominando a acentuação gráfica e Desembaralhando o Verbo (Veja detalhes aqui), entre outras tantas iniciativas que tenho encontrado de educadores, arte-educadores, psicopedagogos e psicólogos, todas procurando otimizar a atividade pedagógica com os mais diversos recursos artísticos para melhoria do processo de ensino-aprendizagem. São experiências como estas, acrescidas de temas como afetividade, transversalidade, transdisciplinaridade, neuroeducação, entre outros, que podem levar a um melhor relacionamento entre o professor e o aluno, possibilitando o desenvolvimento de uma educação de verdade, pública e de qualidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura verdade. No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu morri. Tive o que as pessoas chamam de "experiência de quase morte", ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de “quase" no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima lembrança... os airbags inflados, o carro inteiramente destruído e eu lá, assistindo a tudo do lado de fora. Olhando para os destroços — os estilhaços de vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um pinheiro num abraço letal -, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo. Fui ao encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar, querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo. [...] Sei que o preço da eternidade é alto, mas sei também que as coisas podem se arranjar. Riley prometeu mandar algum tipo de sinal; depois disso vejo o que faço. E se a eternidade começa hoje, é assim que vou vivê-la: até o fim do dia, e só. Sabendo que Damen estará sempre ao meu lado. Tipo assim, sempre, certo? Ele busca meu olhar, esperando uma resposta. — Eu amo você — digo baixinho. — Também amo você — ele devolve, os lábios pedindo os meus. — Sempre amei. [...].
Trechos da obra Para sempre – Os imortais I (Intrínseca, 2009), da premiadíssima escritora estadunidense Alyson Noël. Veja mais aqui.

A ARTE DE ROCLOF FRANKOL
A arte do pintor neerlandês Roclof Frankol (1911-1984).

AGENDA:
Marsa e SeuPereira & Coletivo401 - NE TOUR 18 – 16/12, das 16 às 21hs, Casa Astral Rua Joaquim Xavier de Andrade, 104 - Poço da Panela, Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
A vida é muito mais, Agostinho da Silva, Marcia Tiburi, Alcântara Machado, Ricardo Corona, Lucinda Lyons, Celso Antunes, Natasha de Albuquerque & Maria Eugência Matricardi & Pamela Guimarães, Pesqueira, Antônio Meneses & Alina Ibragimova aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista Francesca Tandoi & Trio: Live at Jazz on Air, Live at Luca’s Jazz Corner, Clair de Lune de Denussy & How did he look no KC KV Bzaal & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, dezembro 05, 2018

MARIA LAINÁ, STOCKHAUSEN, EPIFANIO BEZERRA & ANA DE FERRO


AS ARTESANIAS DE EPIFÂNIO – Imagem: arte do artesão Epifanio Bezerra. - Durante a edição do Pintando na Praça deste ano, tive a grata surpresa de encontrar um trabalho artesanal que me chamou atenção. De quem é esse trabalho? E me disseram tratar-se de um jovem palmarense que tinha um nome familiar. Fotografei as peças e disse aos amigos que quando ele aparecesse gostaria de bater um papo. O evento se desenrolou, conversa vai e vem, gente que só, muitos para rever e abraçar, reencontros dos bons, afora ter de subir ao palco do anfiteatro para desafinar e trastejar minhas loas do cantarau, a exemplo do que fiz na edição anterior do evento. Lá pras tantas, eu totalmente empolgado com a festa, atendi ao chamamento do amigo João Paulo de Araújo, que me apresentou Epifânio. Gente que vinha e passava falando comigo, pilhérias, folganças, saudações, isso me deixou atordoado a ponto de não entender direito quem o parente conterrâneo do apresentado. Conversamos rapidamente, voltei ao expositor de suas obras, tirei novas fotografias e destaquei uma delas na edição do blog sobre o evento (Veja detalhes aqui). Foi preciso que o amigo João Paulo marcasse posteriormente um encontro com o Epifanio na Biblioetca Fenelon Barreto, para que me pudesse esclarecer as confusões que rondavam a minha cabeça. Foi exatamente aí que fiquei sabendo direito sobre o trabalho do artesão Epifanio Bezerra que, por coincidência, é neto do meu saudoso advogadamigo Epifânio, pessoa querida que muito me assistiu durante a adolescência e na minha condução ao curso de Direito, em Caruaru. Guardo na memória os momentos de risadagens que me proporcionou seu avô e das conversas com a sua avó Tânia, seu pai Epifaninho, sua mãe Jaciara, suas tias, especialmente a Vica que era bem doidona e privava da intimidade do meu lar. Saudade de todos. O jovem artesão Epifanio Bezerra concluiu o 2º grau na Escola Eliseu Pereira de Melo e participou de diversos cursos na área promovidos pela Fundação de Hermilo, participando hoje dos cursos de Serigrafia e Desenho do Instituto de Belas Artes Vale do Una. Ele desenvolve seu trabalho nas técnicas de papietagem, arame, cartonagem e origami, tendo realizado exposições em Recife, Ribeirão, Barra de Guabiraba e Palmares, integrante da Associação dos Artesãos Palmarenses. Também é instrumentista autodidata, tendo participado da Emosc – Santa Cecília, sob a maestria de Aluisio Farias de Oliveira, e tornando-se executante de instrumentos como violão, guitarra, baixo, gaita, flauta doce e sax alto. Nossa! Se ele sozinho tocar todos esses instrumentos, já seria uma banda e que podia ser chamada de Os Epifânios e, se preferir, juntar umas participações especiais de Epifanetes – nome dos bons para um conjunto desses de dança e muito som, hem? Fica a dica. Afora isso, ele também é lutador de artes marciais e enxadrista – se me sobrasse tempo a gente ia pruma partida de xadrez que há uma data lá longe não cometo, vontade é o que não falta. Fica valendo. Agora o que quero mesmo dizer aqui é do seu excelente trabalho de artesão, meritório de aplausos. Parabéns, Epifânio, por sua excelente arte. Vamos sempre juntos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
NEM SEMPRE
Eu desprezo a poesia / nem sempre / quando o sangue bate nas paredes / quando as panelas estão quebradas no chão / e a vida escorregou / como uma bobina / Eu cuspo minha tristeza e completamente / poesia de desprezo / quando as cores atormentam minha alma / os azuis alaranjados e amarelos / Eu mantenho ódio e calmamente / poesia de desprezo / quando no meu estômago ele mergulha / o mergulhador dos seus olhos / Também / nem sempre / poesia de desprezo / quando eu sinto isso como uma espécie de ambição / achado raro / em um banco macio em uma sala futura.
PAR A PAR
A sombra não é luz / mas consegue vencê-la ; assim como a solidão não é amor / mas o confronta / de olhos abertos. / De olhos abertos / dentro da sombra / o amor vigia / nossa solidão.
Poemas extraídos da obra Mudança de Paisagem (Allagi Tioíou, 1975), da poeta grega Maria Lainá.

A ARTE DE EPIFÂNIO BEZERRA
A arte do artesão Epifanio Bezerra. Veja mais aqui.

AGENDA:
Ana de Ferro, a Raínha dos Tanoeiros, peça teatral do poema de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
Maravilha de viver, Emily Dickinson, Hannah Arendt, Adolfo Bioy Casares, Margaret Cho, Jin Shangyi, Tacaimbó, Escola Eliseu Pereira de Melo, Egberto Gismonti & Diana Damrau aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do compositor alemão Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Oktophonie, Stimmung, Inori & Sirius & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


terça-feira, dezembro 04, 2018

ROBERTO CREMA, OTTO DIX, MARIA GADÚ & FOTOGRAFIA CRIATIVA DE MACEIÓ


OUTRO CANTO – Imagem: arte do pintor expressionista alemão Otto Dix (1891-1969). - Renasço a cada instante com o mormaço da tarde que sorri dentro de mim e o aguaceiro estival vespertino lava o peito os olhos para o rio que vou vida afora. E tudo me ocorre a cada instante, pancadas ouço e outras mais ouvi da noite ao dia por sonhos de olhos abertos e os que se perderam pela madrugada, enquanto o mundo a girar no tempo que passa, sempre atento para que o inusitado nunca me escape e aprenda a cada momento o que é para viver. Persigo a esperança de cabeça erguida céu aberto e olho para trás pra saber o que foi que fiz e deixei, para cada lado o átimo quem sabe de mãos ocultas em auxilio apontem alguma direção, e para baixo as pedras que se arrepiam ensinando os pés a segura caminhada, para cima o que não acaba nunca mais a orientar na imensidão e para frente o que posso ir e não sei e voo pro que der e vier. E canto na caminhada anos a fio medindo o silêncio na rota asfixiada pelos conflitos do meu tempo que são muitos e outros na minha terra, um deserto em derredor entre pressas e retardos, de apodrecer antes de madurar, cenários que vem e ficam onde sempre estiveram e mudam de lugar, umbrais para atravessar, nasceres e morreres da travessia. Persisto da esperança e sei certo dia por ali passou a morte, eu vi os nomes lidos no chão, ninguém sabe, renasceram comigo e encheram meu canto como se minha fossem as muitas vozes e agora uma só para que seja até mais. O meu canto enfim entoando minha última escrita, os meus últimos versos vão soltos nas asas das minhas mãos até onde for. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Hoje sabemos o quanto nos desviou da saúde integral a concepção moderna que dissociou o corpo da alma e do espírito. Perdemos a coesão e a congruência; mais do que isto, perdemos a transparência. A fragmentação epistemológica também refletiu-se no indivíduo e na sociedade, separando o organismo do meio ambiente, enfatizando as fronteiras e os conflitos. [...] Temos sido modelados para a especialização e o especialista fechado é a pessoa que perdeu o olhar aberto, simples e natural. É alguém com a nuca rígida, a “cerviz dura”. Que perdeu a flexibilidade de olhar para os lados, para cima, para baixo e para trás. É alguém com uma viseira, cujos cacoetes adquiriram status. Neste olhar estreito e minimizado, o inusitado nos escapa. Perdemos o deslumbramento, o espanto essencial. No caminho viciado e repetitivo, a estagnação assassina o milagre do servir. Escapa-nos o poder inocente do arquétipo da Criança Divina. Na tumba do conhecido padecemos, já não nascemos mais para “a eterna novidade do mundo”. [...].
Prefácio do antropólogo e psicólogo Roberto Crema, na obra O corpo e seus símbolos (Vozes, 1999), de Jean-Yves Leloup. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor expressionista alemão Otto Dix (1891-1969).
Veja mais aqui.

AGENDA:
I Encontro de Fotografia Criativa em Maceió & muito mais na Agenda aqui.
&
A cidade mulher amada, Wilhelm Brasse, Raimundo Carrero, Reina María Rodríguez, Adelina Nishiyama, Nutrição & Alimentos de Jacques Diouf, Sanharó, Gilberto Gil & Yuja Wang aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora Maria Gadú: Shimbalayê, dois shows ao vivo na Ilha Verão e ao vivo com Lenine no Jazz Tour & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja aqui.


segunda-feira, dezembro 03, 2018

EDUARDO GALEANO, STÉPHANE GRAPPELLI, SARAH MEYOHAS & ALDEIA UNIDA PELO PARQUE


APONTAMENTOS DE VIAGEM – Imagem: arte da artista visual franco-americana Sarah Meyohas. - Uma vez, duas, mil vezes às ruas da cidade e o meu país é estampa corroída, como um dia e outro nunca na ironia do calendário. Olho e não me perco, apesar da travessia. O mundo cresce e todos morrem um dia, como se o canto vivo fosse reunião dos mortos que renascem e nem se sabe como outro dia o susto ressurreto, como se não tivessem existido e nada acontecesse. Agora ali na porta está o luto das imundícies, uma herança vil do ouro puro e sem sangue que tantos amofinam e não aguentam mais a vida soterrada nos cadernos das contas com seus medos de balas e bigodes, esparros e estultices. Porque no céu deles não existe nada e intranquilos temem, só sabem temer e temem, aliás, por eles mesmos, por serem eles mesmos fabricantes do terror e temem carrascos que também se tornam vítimas um dia e se quebram como um bisqui, vísceras e intestícios, e não restará nenhuma ameaça no pó, a poeira de cinza perecível, erosões, tremores: o vento arrasta tudo, a água lava tudo, o fogo queima tudo, a terra enterra tudo. E o poema errante e perdido entre tesouros desmoronados, desposses do inútil na estirpe de órfãos e matricidas com olhos que doem escancarados. Tudo pereceu ao meio dia e perderam os que queriam das asas da serpente ao topázio do rancor, as moedas do sol, o lugar incalculável com telhados estéreis, tudo desabado ao redor na pena instransferivel da sorte calcinada de minha pátria desfeita e a horrenda desgraça de quem desconhece a gratidão de quem agradece, o perdão de quem perdoa, o amor de quem ama. Só o meu canto vive ardente e fragrante com as pequenas e supremas celebrações do véu da luz ao caminhante cego que acha meu poema infiel, nunca foi, nem pode ser. Só o canto da viagem leva o peso dos golpes. Não há ninguém nem mel nas mãos, a lembrança é um relâmpago e chega para que eu cante na torre da tristeza e sorrio, passo a passo, voando com o vento para quem só tem para guardar os ossos. Tudo se move e eu conheço o movimento eterno do mar porque sou a chuva e não sei de muro, cercas, arames, fronteiras, a minha duradoura solidão como pungente violão alimentando amores e adeuses de desterrado: o destino não existe, o acaso inexiste. Na ausência da minha rua, passou o passado e o cofre vazio na paz profunda do elefante. O coração lateja de outro jeito, aos farrapos, ensanguentado, troando forte para retumbar no canto construído de uma estrela que brilha no céu de ásperos dias e duros tempos, na dor do esquecimento para quem não esqueceu entre cicatrizes e castigos: um homem entre a semente e o pó, a carta da mulher amada e o grande beijo nos lábios dela. Saúdo a solidão e beijo o abismo dos antigos sonhos, uma rosa na tempestade colhida ali onde nasci, uma pedra na primavera. Vou embora e me despeço de tudo e de todos, vou com meu violão e o canto a fundar todo dia a esperança e a flor do sorriso paratodos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colombia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de figueirinhas. — O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos são bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.
O mundo, extraído da obra O livro dos abraços (L&PM, 1991), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE SARAH MEYOHAS
A arte da artista visual franco-americana Sarah Meyohas.

AGENDA:
Aldeia Unida pelo Parque & muito mais na Agenda aqui.
&
Eu xexéu & Quintana passarinho, Carlos Drummond de Andrade, Hermilo Borba Filho & Virginia Gisele Carvalho, Victor Hugo, Djanira Silva. A multidão e o comum de Antonio Negri, Luiz Felipe Pondé, São Caetano, Rosana Paulino & Lori Shorin Clay, Sônia Mello & Ricardo Machado aqui.
&
É sim e como é que não pode, Josué de Castro, Thomas Mann, Autran Dourado, Jessier Quirino, Teatro de Pernambuco, Carlos Alberto Fernandes, Venturosa, Barbara Heinisch, Maria Callas & Toninho Horta aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do violonista francês de jazz, Stéphane Grappelli (1908-1997): Live in San Francisco, Umbia Jazz Festival, In Tokyo & com Baden Powell – La grande reunión & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.




ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...