quarta-feira, fevereiro 04, 2015

PAZ, PRÉVERT, HATOUM, LARSON, FISCHL, MÔNICA BELLUCCI, MARETIORE E SONIA MELLO


A HISTÓRIA DA CANÇÃOImagem: arte digital da série Trígonos, de Madhu Maretiore - A música Desejo foi concebida na segunda metade dos anos 1980 e só nos anos 2000 é que ela ganhou expressão quando a cantora Sônia Mello a incluiu no seu álbum também denominado Desejo. Daí por diante, essa canção seguiu sua própria vida: Quero ficar no seu coração e assim poder sonhar toda aventura que pintar da emoção, toda fervura que brotar das suas mãos pra iluminar a reticência que aprumou a minha vida e um dia ser feliz e nada mais. Quero ficar no seu coração e assim me agasalhar do frio impune que semeia a solidão e feito imune repetir a sensação que vai pra lua na volúpia mais fervida e um dia ser feliz e nada mais. E quando o jeito de você virar absoluta adoração será o véu perfeito e a ternura abraçará minha ilusão. Quero o meu destino a confundir-se com o seu e sermos um o que a sina prometeu. E o que sobrar de nós será um ninho verdadeiro e um dia ser feliz e nada mais. (Desejo, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja detalhes aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Friends lovers and other constellations: Ausstellung in Wien, do pintor e escultor norte-americano Eric Fischl. Veja mais aqui.


 Ouvindo: The monologue Tick Tick Boom, do compositor e dramaturgo norte-americano Jonathan Larson (1960-1996)

CONTRIBUIÇÃO PARA A PAZContribuo para a paz quando me esforço para manifestar o melhor de mim em meus relacionamentos com os outros. Contribuo para a paz quando uso minha inteligência e minhas aptidões a serviço do bem. Contribuo para a paz quando sinto compaixão pelos que sofrem. Contribuo para a paz quando tenho a mesma consideração por todos os meus irmãos e irmãs, independente de raça, cultura ou religião. Contribuo para a paz quando ouço com tolerância as opiniões que diferem das minhas ou que são contrárias a elas. Contribuo para a paz quando recorro ao diálogo em vez da força para dissipar qualquer conflito, Contribuo para a paz quando respeito a Natureza e a preservo para as futuras gerações. Contribuo para a paz quando não procuro impor aos outros o meu conceito de Deus. Contribuo para a paz quando faço da Paz o alicerce dos meus ideais e da minha filosofia. (Ralph M. Lewis, Contribuição para a paz). Veja mais aquiaqui

NA LOJA DE FLORES – O poeta e roteirista francês Jacques Prévert (1900-1977) esteve sempre voltado para as situações triviais do cotidiano e para o homem pequeno, impiedosamente massacrado pela rotina do trabalho e engrenagens  de uma sociedade que não favorece as aspirações mais legitimas do ser. Seus poemas, de construção simples, mas rigorosamente elaborada, caracterizam-se por lirismo contagiante, meios-tons de humor, pitadas de sarcasmo e até mesmo pelo colorido inesperado de uma anedota. Exemplo disso o seu Na loja de flores: “Um homem entra na loja de flores / e escolhe flores / a florista embrulha as flores / o homem enfia a mão no bolso / para pegar o dinheiro / dinheiro para pagar as flores/ mas de repente e ao mesmo tempo / ele põe / a mão no coração / e cai / Enquanto cai ; o dinheiro roda por terra / e depois as flores caem / ao mesmo tempo que o homem / ao mesmo tempo que o dinheiro / e a florista fica ali / vendo o dinheiro que roda / as flores que murcham/ o homem que morre / tudo isso é muito triste é claro / e é preciso que ela faça alguma coisa / a florista / não sabe o que fazer / não sabe / por onde começar / Já tantas coisas por fazer / pelo homem que morre / pelas flores que murcham / e com o dinheiro / esse dinheiro que roda / que não para de rodar. Veja mais aqui.


O INSTANTÂNEO PRESENTE – Analisando a instantaneidade do nosso tempo contemporâneo, o escritor, tradutor e professor Milton Hatoum expressou: Nosso tempo parece hipnotizar-se com a voracidade e velocidade de imagens vazias e com a aceitação de tudo o que causa sensação, escândalo, alvoroço. A literatura é o oposto de tudo isso, pois exige do escritor e do leitor um certo tempo de reflexão e interesse pela linguagem. O prazer do texto é também o do conhecimento do mundo narrado. Sem essa leitura, que é a um só tempo critica e prazerosa, corre-se o risco de trocar gatos por lebres ou gastos por livros. Mas tudo isso faz parte do cinismo crescente que, de resto, não é apenas contemporâneo. No século passado, Chateaubriand já afirmava que ‘o cinismo dos costumes, ao aniquilar o senso moral, reaviva na sociedade uma espécie de barbárie’”. Veja mais aquiaqui


DO ESTRELATO NAS TELAS PRA HOMENAGEM EM DESEJO - A atriz e modelo italiana, Monica Bellucci abandonou o curso de Direito para brilhar nas passarelas e, posteriormente, nas telas. No cinema a sua primeira aparição ocorreu em 1992, no filme Drácula de Bram Stocker, dirigido por Francis Ford Coppola. O sucesso foi alcançado com o filme encantador Malèna, de Giuseppe Tornatore. Por causa desse filme ela foi homenageada por mim no primeiro videoclipe feito pra minha canção Desejo, interpretada pela cantora Sonia Mello. Para ambas, lindas e maravilhosas mulheres, nossas reiteradas homenagens. Afinal, todo dia é dia da mulher. Veja mais aqui.


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A educação por água abaixo pra farra dos mal-educados, o cenário escolar, Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze & Félix Guattari, Santiago Nazarian, Pierre Salvadori, Henri Cartier-Bresson, George Segal, P com P de Teatro, Eulalia Valldosera, Roger de La Fresnaye, Jussara Silveira, Crânio & Quando ciuço pacaru embarcou no maior revestrés aqui.
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terça-feira, fevereiro 03, 2015

TRAKL, ELVGREN, MENDELSSOHN, AUSTER, GERTRUDE STEIN, WOODY ALLEN, SARAH KANE & O BIG SHIT BÔBRAS!!!!!


BBB: A LÁSTIMA DA IMITAÇÃO DO PIOR DO RUIM– Claro que os equívocos da humanidade são lastimáveis, avalie. E que mais? Repetem-se. Ainda mais: e se acumulam século após século. E o que é pior: num efeito em cadeia da bôba-torreiro! Quer dizer: somos o equívoco do erro do engano. Putzgrila!!! Trocando em miúdos: imergimos pras mais profundas funduras da mediocridade. E sem direito a retorno, nem se aceitando devolução. Pois é. É aquela do falhou, lascou! E o defeito de fabricação contaminou geral. Estelionato impune, nem pra recall. Como se não bastasse o que acontece no BBB, se você quiser saber, deve ir agora mesmo pro Big Shit Bôbras: todas as horas de todos os dias e de todas as noites duma forma fidedigna de se esbaldar. Confira mais aquiaqui, aquiaqui.

Imagem: Pin Up – The Normal Rockwell of Cheesecake!, de Gil Elvgren

Ouvindo a suíte Sonho de uma noite de verão (1826), do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847), com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (OFES), sob a regência do maestro adjunto Leonardo David e as solistas sopranos Maristela Araujo e Meire Norma, narração de Uriel Oliveira e participação especial do Coro Sinfônico da FAMES, sob a regência de Sanny Souza. Veja mais aqui.

A POESIA DO SOL E DO NASCIMENTO – O poeta expressionista austríaco Georg Trakl (188701914) é autor de uma poesia bastante elogiada por Ludwig Wittgestein, Martin Heidegger e Klaus Schulze. Trata-se de uma obra que é marcadamente subjetiva e angustiada com a melancolia do desespero humano, priorizando o mundo interior. Dele destacamos O Sol: Todos os dias o sol amarelo aparece sobre a colina./ Bela é a floresta, o animal escuro, / O homem, caçador ou pastor. / Avermelhado, o peixe sobe no regato verde. / Sob o céu redondo / O pescador segue, silencioso, na canoa azul. / Lenta a uva amadurece , o grão, / Quando calmo o dia se inclina, / O mal e o bem estão preparados./ Quando anoitece, / O peregrino ergue suavemente as pálpebras pesadas; / do desfiladeiro sombrio o sol desponta. E também o seu belíssimo e festejado poema Nascimento: Montanhas: negridão, silêncio, neve. / Vermelha, a caça sai da floresta; / Oh! O musgoso olhar do animal. / O silêncio da mãe; debaixo dos abetos negros / Abrem-se as mãos adormecidas,  / Quando, decaída, a lua fria aparece. / Oh! O nascimento do Homem. Nocturna, a água azul  / Rumoreja no fundo do rochedo. / Suspirando, o anjo caído observa o seu rosto. / Uma palidez acorda no quarto embotado. / Duas luas / Iluminam os olhos da velha empedernida. / Ó aflição! O grito do parto. Com asas negras / As têmporas do menino tocam a noite, / Neve que cai suavemente da nuvem purpúrea. Veja mais aqui, aquiaqui.

CIDADE DE VIDRO DA TRILOGIA DE NOVA YORK – O escritor e cineasta estadunidense Paul Auster é autor é diversos livros, entre eles A trilogia de Nova York (Planeta De Agostini, 2003), que utiliza o método de caixa chinesa sucedendo histórias no interior umas das outras. Desse romance destacamos Cidade de Vidro (fragmento): “[...] A questão é a história em si, e não cabe à história dizer se ela significa ou não alguma coisa. [...] simplesmente deixando-se levar por suas pernas. Nova York era um espaço inesgotável, um labirinto de caminhos intermináveis, e por mais longe que ele andasse, por melhor que conhecesse seus bairros e ruas, a cidade sempre o deixava com a sensação de estar perdido. Perdido não apenas da cidade, mas também dentro de si mesmo. Toda vez que saía para dar uma volta, tinha a sensação de que estava deixando a si mesmo para trás e, ao se entregar ao movimento das ruas, ao reduzir-se a um olhar observador, ele se descobria apto a fugir da obrigação de pensar, e isso, mais do que qualquer outra coisa, lhe trazia uma certa paz, um saudável vazio interior. O mundo estava fora dele, em volta, à frente. E a velocidade com que o mundo se modificava sem parar tornava impossível para Quinn deter-se em qualquer coisa por muito tempo. O movimento era a chave da questão, o ato de colocar um pé diante do outro e se abandonar ao fluxo do próprio corpo. Ao caminhar sem rumo, todos os lugares se tornavam iguais e já não importava mais onde estava. Em suas melhores caminhadas, chegava a sentir que não estava em parte alguma. E isso, afinal, era tudo o que sempre pedia das coisas: não estar em lugar nenhum. Nova York era o lugar nenhum que ele havia construído em torno de si mesmo, e Quinn se deu conta de que não tinha a menor intenção de um dia deixá-la outra vez [...]”. Veja mais aquiaqui.

A ÂNSIA NO TEATRO – A dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999) é autora de diversas peças teatrais, entre elas Ânsia que se caracteriza pela profundidade psicológica dos personagens e pelas imagens agressivas e chocantes. Desta peça destacamos a passagem: “[...] E quero brincar de esconde-esconde e dar minhas roupas para você e dizer que eu gosto dos seus sapatos e sentar nos degraus enquanto você toma banho e massagear seu pescoço e beijar seus pés e segurar a sua mão e sair para jantar e não me importar quando você comer minha comida e encontrar você no Rudy e falar sobre o dia e digitar suas cartas e carregar suas caixas e rir da sua paranoia e te dar fitas que você não vai ouvir e assistir a belos filmes e assistir a filmes horríveis e reclamar do rádio e tirar fotos de você quando você estiver dormindo e levantar para te levar o café e pãezinhos e geleia e ir ao Florent e tomar café à meia-noite e deixar você roubar meus cigarros e nunca achar os fósforos e contar pra você sobre o programa de TV que eu vi na noite passada e te levar ao oculista e não rir das suas piadas e querer você de manhã mas deixar você dormir mais um pouco e beijar suas costas e acariciar sua pele e dizer quanto eu amo seu cabelo seus olhos seus lábios seu pescoço seus peitos sua bunda sua... e sentar nos degraus e fumar até seu vizinho chegar em casa e sentar nos degraus e fumar até você chegar em casa e me preocupar quando você estiver atrasada e me surpreender quando você chegar mais cedo e te dar girassóis e ir à sua festa e dançar até não poder mais e me desculpar quando eu estiver errado e ficar feliz quando você me perdoar e olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde que você nasceu e ouvir sua voz no meu ouvido e sentir sua pele na minha pele e ficar assustado quando você estiver zangada e um de seus olhos ficar vermelho e o outro azul e seu cabelo cair para a esquerda e seu rosto parecer oriental e dizer para você que você é linda e te abraçar quando você estiver ansiosa e segurar você quando você se machucar e querer você toda vez que eu te cheirar e te ofender quando te tocar e choramingar quando estiver do seu lado e choramingar quando não estiver e babar nos seus seios e cobrir você de noite e sentir frio quando você tirar meu cobertor e calor quando você não tirar e me derreter quando você sorrir e me acabar por completo quando você gargalhar e não entender por que você acha que estou te rejeitando quando eu não estou te rejeitando e pensar como você pôde achar que alguma vez te rejeitei e pensar em quem você é e te aceitar de qualquer jeito e te falar sobre o garoto da floresta encantada que atravessou o oceano porque te amava e escrever poemas para você e pensar por que você não acredita em mim e sentir tão profundamente que eu não ache palavras pra expressar esse sentimento e querer te comprar um gatinho do qual eu teria ciúmes porque ele teria mais atenção do que eu e deixar você ficar na cama quando você tiver que ir e chorar como um bebê quando você finalmente for e me livrar das pontas e te comprar presentes que você não queira e levá-los de volta e pedir para você casar comigo e ouvir você dizer não mais uma vez mas continuar pedindo porque apesar de você achar que eu não estava falando sério eu sempre falei sério desde a primeira vez que te pedi em casamento e vagar pela cidade achando que ela está vazia sem você e querer o que você quer e achar que estou me perdendo mas saber que estou seguro quando estou com você e te contar o que eu tenho de pior e tentar te dar o que eu tenho de melhor porque você não merece nada menos do que isso e responder suas perguntas quando eu preferir não responder e dizer a você a verdade mesmo quando eu realmente não queira e tentar ser honesto porque eu sei que você prefere assim e achar que está tudo acabado mas agüentar por mais dez minutos antes de você me jogar fora de sua vida e esquecer quem eu sou e tentar ficar mais próximo de você porque é lindo aprender a te conhecer e vale a pena o esforço e falar mal alemão com você e falar hebraico pior ainda e fazer amor com você às três da manhã e de alguma forma de alguma forma de alguma forma expressar um pouco deste esmagador embaraçoso interminável excessivo insuportável incondicional envolvente enriquecedor-de-coração ampliador-de-mente progressivo infindável amor que eu sinto por você”. Veja mais aqui, aquiaqui.


MEIA NOITE EM PARIS - A escritora e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946) é autora do livro Autobiografia de Alice B. Toklas, que se tornou a obra fundamental para a vanguarda das três primeiras décadas do século XX, identificada como precioso documento sobre as origens da arte moderna e de seus criadores. A obra é narrada por Alice, companheira da própria autora, reunindo jovens que se tornaram os maiores nomes das artes, a exemplo de Picasso, Joyce, Nijinski, Matisse, Hemingway, Cocteau, Pound, Apollinaire, Eliot e Fitzgerald, todos os que privavaram de convivência com a escritora. Tudo isso serviu de base para o desenvolvimento do filme Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011), uma comedia romântica e de fantasia, escrita e dirigida por Woody Allen, estrelado por Owen Wilson, Marion Cotillard e Rachel McAdams, e que foi o vencedor do Oscar de melhor roteiro original do próprio Woody Allen. Veja mais aqui e aqui.


ADRIANA DA MEIA-NOITE DE PARIS – Nada mais justo, então, que incluir na nossa campanha todo dia é dia da mulher, o papel desempenhado pela atriz Marion Cotillard na personagem Adriana do filme do Woody Allen, Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011). Veja mais aqui.

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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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