Mostrando postagens com marcador violência.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violência.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, agosto 21, 2018

CÉLINE, IVAN JUNQUEIRA, CIORAN, COUNT BASIE, KAPROW, PATRÍCIA FURLONG, VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER & LABATUT


LABATUT, ZÉ CRAVO & MARIA ROSA – Imagem: Arte da artista visual Patrícia Furlong. - Zé Cravo, como sempre, aquele purgante: um chato de galocha. Basta ver Maria Rosa toda faceira laralilará, arrodeada de festejantes e inofensivos bichos ruminantes e outros avoadores, passarinhos fiu-fiu, saparia foi-não-foi-foi, cães au-au, gatos miau-au-au, guizos de cobras, encantos e faceirices, peitinhos acesos na blusinha de alça, sainhas nos ares rodando bambolê, a brisa do festejo. E ele se roendo todo, cagando raio, querendo estragar tudo. Logo dela se aproxima: Ei, Rosa, vamos brincar de olhos fechados? Vamos. Ele apronta: Mas você só fechou um olho, Rosa! Ah, com você é um olho na missa, outro no padre. Não dá pra brincar com você, menina. Muito menos com você, seu tratante. Você quer namorar comigo? Hem? Você só tem essa bicharada pra brincar? São meus amiguinhos. Assim não dá. E ficou assobiando. Ela, então, disse: Isso chama o tropel de Labatut. Como? Assobiar chama o monstro carniceiro, o Labatut. E eu sou menino pra acreditar numa história dessa! E saiu assobiando, fazendo pouco dela. Ao anoitecer, ela começou a contar sobre a ventania gemedora que traz o rugido dele saindo da lua e devorando tudo com suas entranhas insaciáveis e cheias de fogo. O que é isso? Eu num disse, é o Labatut, vou-me embora que eu não quero ser comida de bicho feio. Oxe, já vai, medrosa? Vou, vamos meus amiguinhos, o Labatut já está vindo. Eu não tenho medo dessas invencionices, aparecer aqui, eu pego ele e destroço todo. Escurecia na redondeza, chegava a noite e Zé Cravo sentado num tronco assobiando, nem nem. Bafejava o vento, relâmpagos e trovões de longe davam sinal do sinistro, as portas e janelas fechadas às pressas, as ruas desertas e, de longe, ouvia-se o trote do faminto Labatut que vinha do fim do mundo. O monstro ciclópico ameaçava a todos com suas presas de elefante, cabelos longos desgrenhados, corpo cabeludo, mãos compridas e pés redondos. A tudo ouve escondido no vento com seus passos largos para abocanhar qualquer alma vivente que lhe atravesse o caminho. Com a zoada ninguém toma pé da bulha que o acompanha, sempre surpreendendo a presa com seus olhos acesos na escuridão. Zé Cravo nem aí. De repente, um turbilhão com um rugido assustador. Ele ficou com os olhos esbugalhados prontos para pularem fora, deu-se a gritar, mas foi engasgado pelo medo. Totalmente arrepiado, não conseguia nem se mover. O monstro rugia na sua frente e ao atacá-lo, logo apareceu Maria Rosa com seus amigos afugentando o malfeitor que não conseguia enfrentar tantos bichos ao mesmo tempo, sendo afugentado dali, na marra. Rosa, então, aproximou-se do vitimado que estava em estado de choque, transido e sem conseguir balbuciar a mínima palavra. Tragam água com açúcar, façam-lhe sustos e alguns choques, ele precisa se restabelecer. Depois de muitos puxavanques e estapeados, ele voltou ao normal. O que era aquilo? Agora acredita, seu Zé Cravo? O que era aquilo? Aquilo era o Labatut que desce da lua para morar no fim do mundo e comer os teimosos como você. Deus me livre. Não fossem meus amigos, você agora estaria no bucho dele, seu mal-agradecido. Eu não, hem? Destá, um dia você aprende, seu chato. E ele nem aí. Dizem todos que essas desavenças entre Zé Cravo e Maria Rosa é sinal de casamento futuro, no fundo, todos admitem, não se odeiam, se amam. PS: Recriação da lenda O monstro Labatut, extraído da obra Histórias do sertão (Irmãos Pongetti, 1856), de José Martins de Vasconcelos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do pianista, compositor e bandleader de jazz estradunidense, Count Basie (1904-1984): Show of the week, Live in Paris, Chairman of the board & Jazz a Lincoln Center & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A tragédia do homem como animal desintegrado da vida consiste no fato de ele não poder encontrar satisfação nos dados e nos valores da vida. Qualquer criatura, como parte da existência, pode viver, pois, para ela, a existência da qual participa tem caráter absoluto. Para o homem a vida não é absoluto. Por isso nenhum homem, por não ser apenas animal, encontra satisfação no ato de viver. [...] Afirma-se equivocadamente que alguém se torna pessimista em razão de uma debilidade orgânica. Na verdade, ninguém se tornaria pessimista se não houvesse tido anteriormente tanto elã a ponto de ter desejado a vida com um ardor apaixonado, mesmo se esse ardor não tenha entrado em sua consciência. [...]. Trechos extraídos da obra Nos cumes do desespero (Hedra, 2012), do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995), que em outra obra, Entretiens (Gallimard, 1995), expressa que: [...] Em todo homem dorme um profeta, e quando ele acorda há um pouco mais de mal no mundo... a vida em comum torna-se intolerável e a vida consigo mesmo mais intolerável ainda. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEGADO – [...] Objetos de todos os tipos são materiais para a nova arte: tinta, cadeiras, comida, luzes elétricas e néon, fumaça, água, meias velhas, um cachorro, filmes, mil outras coisas que serão descobertas pela geração atual de artistas. Esses corajosos criadores não só vão nos mostrar, como que pela primeira vez, o mundo que sempre tivemos em torno de nós mas ignoramos, como também vão descortinar acontecimentos e eventos inteiramente inauditos, encontrados em latas de lixo, arquivos policiais e saguões de hotel; vistos em vitrines de lojas ou nas ruas; e percebidos em sonhos e acidentes horríveis. Um odor de morangos amassados, uma carta de um amigo ou um cartaz anunciando a venda de Drano; três batidas na porta da frente, um arranhão, um suspiro, ou uma voz lendo infinitamente, um flash ofuscante em staccato, um chapéu de jogador de boliche - tudo vai se tornar material para essa nova arte concreta. Jovens artistas de hoje precisam mais dizer “Eu sou um pintor” ou “um poeta” ou “um dançarino”. Eles são simplesmente “artistas”. Tudo na vida estará aberto para eles. Descobrirão, a partir das coisas ordinárias, o sentido de ser ordinário. Não tentarão torna-las extraordinárias, mas vão somente exprimir o seu significado real. No entanto, a partir do nada, vão inventar o extraordinário e então talvez também inventem o nada. As pessoas ficarão deliciadas ou horrorizadas, os críticos ficarão confusos ou entretidos, mas esses serão, tenho certeza, os alquimistas [...]. Trecho de O legado de Jackson Pollock (Zahar, 2006), do artista visual e assemblagista estadunidense Allan Kaprow (1927-2006).

VIAGEM AO FIM DA NOITE – [...] O pior é que a gente fica pensando como que no dia seguinte vai encontrar força suficiente para continuar a fazer o que fizemos na véspera e já há tanto tempo, onde é que encontramos força para essas providências imbecis, esses mil projetos que não levam a nada, essas tentativas para sair da opressiva necessidade, tentativas que sempre abortam, e todas elas para que a gente se convença mais uma vez que o destino é invencível, que é preciso cair bem embaixo da muralha, toda noite, com a angústia desse dia seguinte, sempre mais precário, mais sórdido. [...] É triste as pessoas se deitando, a gente percebe muito bem que não ligam a mínima se as coisas não andam como gostariam, a gente vê muito bem que não tentam compreender o porquê de estarmos aqui. Para elas tanto faz como tanto fez. Dormem de qualquer jeito, são umas descaradas, umas bestas quadradas, umas insensíveis, americanas ou não. Sempre têm a consciência tranquila. [...] Quanto ao resto, por mais que se faça escorregamos, derrapamos, recaímos no álcool que conserva os vivos e os mortos, não chegamos a nada. Está mais do que provado. E há tantos séculos que podemos olhar nossos animais nascerem, sofrerem e morrerem diante de nós sem que nunca lhes tenha acontecido a eles tampouco nada de extraordinário a não ser recomeçarem sem parar a mesma insípida falência no ponto onde tantos outros animais deixaram! Deveríamos entretanto ter compreendido o que acontecia. Vagas incessantes de seres inúteis vêm do fundo das eras morrer permanentemente diante de nós, e no entanto ficamos ali, a esperar coisas... Nem mesmo para pensar a morte a gente presta. [...] O grande cansaço da existência talvez seja apenas, em suma, esse enorme esforço que fazemos para mantermos vinte anos, quarenta anos, mais, o bom senso, para não sermos simplesmente, profundamente nós mesmos, quer dizer, abjetos, atrozes, absurdos. [...] Vi alguém chegar de longe, andando pelo caminho. Não fiquei muito tempo na dúvida. Mal chegou à ponte eu já o havia reconhecido. Era o meu Robinson, ele mesmo. Não havia erro possível. "Ele vem aqui para me procurar!", pensei na mesma hora... "O padre deve ter lhe passado meu endereço!... Tenho que me livrar dele correndo!" Na hora, achei-o abominável por me incomodar bem no momento em que eu começava a reconstruir meu bom pequeno egoísmo. [...]. Trechos extraídos da obra Viagem ao fim da noite (1932 - Companhia das Letras, 2009), do escritor maldito francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Veja mais aqui.

DOIS POEMAS - E SE EU DISSER – E se eu disser que te amo - assim, de cara, / sem mais delonga ou tímidos rodeios, / sem nem saber se a confissão te enfara / ou se te apraz o emprego de tais meios? / E se eu disser que sonho com teus seios, / teu ventre, tuas coxas, tua clara / maneira de sorrir, os lábios cheios / da luz que escorre de uma estrela rara? / E se eu disser que à noite não consigo / sequer adormecer porque me agarro / à imagem que de ti em vão persigo? / Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro / em tua ausência - essa lâmina exata / que me penetra e fere e sangra e mata. PALIMPSESTO – Eu vi um sábio numa esfera, / os olhos postos sobre os dédalos / de um hermético palimpsesto, / tatear as letras e as hipérboles / de um antiquíssimo alfabeto. / Sob a grafia seca e austera /algo aflorava, mais secreto, / por entre grifos e quimeras, / como se um código babélico / em suas runas contivesse / tudo o que ali, durante séculos, / houvesse escrito a mão terrestre. / Sabia o sábio que o mistério / jamais emerge à flor da pele; / por isso, aos poucos, a epiderme / daquele códice amarelo / ia arrancando como pétalas / e, por debaixo, outros arquétipos / se articulavam, claras vértebras / de um esqueleto mais completo. / Sabia mais: que o que se escreve, / com a sinistra ou com a destra, / uma outra mão o faz na véspera, / e que o artista, em sua inépcia, / somente o crê quando o reescreve. / Depois tangeu, em tom profético: / "Nunca busqueis nessa odisséia / senão o anzol daquele nexo / que fisga o presente e o pretérito / entre os corais do palimpsesto."/ E para espanto de um intérprete / que lhe bebia o mel do verbo, / pôs-se a brincar, dentro da esfera, / com duendes, górgonas e insetos. Poemas do poeta, jornalista e crítico literário Ivan Junqueira (1934-2014).

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

AGENDA
Palestras e Oficinas & muito mais na Agenda aqui.
&
Chato de galocha aqui e aqui.
&
O Cravo & a Rosa aqui.
&
Eliseu Pereira: de poemas & óperas, a literatura de Paulo Mendes Campos, a poesia de Jessier Quirino, a arte de Cícero Santos, Janilson Sales, A Mulher Rural, Corpo & Consumo aqui.


quarta-feira, agosto 10, 2016

BAUDRILLARD, BLANCA VARELA, RÉGIS DE MORAIS, PEDRO JÓIA, FLÁVIO DE CARVALHO & SONINHA PORTO


SOU UM PEDAÇO DE NADA ARRODIADO DE VIOLÊNCIA POR TODOS OS LADOS - Viver torna-se cada dia mais difícil. Botou o pé fora de casa, a guerra começa: caras fechadas e aborrecidas – muita gente acorda de bragulha virada ou pra trás! -, reclamos e discussões ásperas com ofensas e hostilidades – muita gente acorda reclamando que pisou em rastro de corno! -, assaltos, infrigências no trânsito, bate-boca nas calçadas, desfalques nas contas públicas, malversações e falcatruas, superfaturamentos, propinas, fura-fila e privilégios, espancamentos, assassinatos! Ufa, peraí. Aqui não é a resenha matutina das nossas emissoras de rádios, nem a manchete dos jornais que espremidos só sobram sanguinárias notícias, nem os programas vespertinos da televisão: a violência banalizada. A vida humana, no meio disso tudo, é nada. Apenas, uma manchete de jornal, só pra vender, propagar o ódio e o medo. As muitas formas de violência são geradas por dois modos de ação: a primeira, aquela escondida nos ambientes fechados, gabinetes e escritórios de conivência e antiética, ocasião em que se promovem a injustiça, o desrespeito, o escamoteio e o ludíbrio do erário, da honra e da vida pública; a outra, aquela que surge como efeito e consequência da primeira, em que o ódio, a insensatez e o poder da força irracional humana se viram contra o próprio ser humano e quem quer que seja que se encontre próximo ou ao alcance. Ambas são deploráveis, irrespondíveis e injustificáveis. Sim, afinal estamos no século XXI com as mesmas práticas e comportamentos da mais remota ignorância. Tradução: a gente não evoluiu nada. Enquanto a ciência vai ao ápice para alcance da excelência, continuamos seres primitivos que mal aprendemos a lascar a pedra direito. A indignação cedeu lugar ao banal e costumeiro – todos pensam que tudo isso só acontece com os outros, nunca conosco. A guerra é lá longe, as brigas são pra lá, os problemas são dos outros: essa a cegueira incapaz de ver ao lado – bem do ladinho, tão próximo, quase pegando você aí, olhe o bote! - tudo corroendo e se esvaindo destrutivamente. É que o umbigo não permite olhar nem um palmo além do nariz, muito menos o discernimento de que essa violência é responsabilidade de cada um de nós. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. 


Curtindo o álbum Pedro Jóia ao vivo com a Orquestra de Câmara Meridional (2015), do guitarrista, compositor e diretor musical português Pedro Jóia.

PESQUISA:
[...] Onde há medo, há ameaças; e onde estão as ameaças está a violência. [...] a violência está em tudo que é capaz de imprimir sofrimento ou destruição ao corpo do homem, bem como o que pode degradar ou causar transtornos à sua integridade psicquica. Resumindo-se: violentar o homem é arrancá-lo da sua dignidade física e mental. Na verdade, a violência devia ser um anacronismo entre homens desde há tanto tempo doutrinados para o respeito pela vida e pelo semelhante. Isto só mostra, contudo, a inutilidade das doutrinações – principalmente quando são de uma tal hipocrisia que faz compreensível o nível atual da agressividade irracional. [...].
Trecho extraído da obra O que é violência urbana (Brasiliense, 1981), do professor e filósofo Régis de Morais.

LEITURA
Junto ao poço cheguei, / Meu olho pequeno e triste / se fez fundo, interior. / Estive junto a mim, / plena de mim, ascendente e profunda, / minha alma contra mim, / golpeando minha pele, / afundando-a no ar, / até o fim. / A escura poça aberta pela luz. / Éramos uma só criatura, / perfeita, ilimitada, / sem extremos para que o amor pudesse agarrar-se. / Sem ninhos e sem terra para o domínio.
Fonte, poema extraído da obra Canto Villano. (1978 - Voz de la autora (Entre Voces), da poeta peruana Blanca Varela (1926-2009). Tradução de Antonio Miranda – Portal da Poesia Íbero-Americana. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] Mas foi o próprio sistema quem criou as condições objetivas dessa reação brutal: recolhendo para si todas as cartas, ele força o Outro a mudar o jogo e a mudar as regras do jogo. As novas regras do jogo são ferozes porque o jogo é feroz. A um sistema cujo excesso de poder coloca um desafio insolúvel, os terroristas respondem por um ato cujo intercambio é insolúvel e impossível. Então é o terror contra o terror. [...] O terror não tem uma finalidade, é um fenômeno extremo, isto é, ele está para além de sua finalidade, de certa forma: ele é mais violento que a violência. [...] o que é insuportável é muito menos a infelicidade, o sofrimento ou a miséria do que a potência e sua arrogância. O que é insuportável e inaceitável é a emergência dessa recente potência mundial.
Trecho de A violência mundial, extraído da obra A violência do mundo (Anima, 2004), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: GRATIDÃO/CONVITE
Manifesto a minha gratidão pela deferência e convite generoso da poetamiga Soninha Porto, para o evento que será realizado pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele (Imagens: arte de Giovaniung Jung Oliveira). Veja mais aqui.

Veja mais sobre Nascente Poético, Jean-François Lyotard, Jorge Amado, Gonçalves Dias, Flavio Rangel & Millôr Fernandes, Damiano Damiani, Deusa Opália, Emilia Biancardi & Raízes Musicais da Bahia, Max Klinger & Ivoneide Lopes aqui.

DESTAQUE; NEUROFILOSOFIA & NEUROCIÊNCIA COGNITIVA
A reunião regular do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, cedeu lugar para a reunião do projeto Café, Sabor e Saberes, definindo a realização do curso As Pensadoras: As Grandes Mulheres Filósofas da História, a ser ministrado pelo professor Álvaro Queiroz, a partir do dia 30 de agosto, no auditório Iris II, do Cesmac – Maceió – AL. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do do arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, escritor, filósofo e músico Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



terça-feira, fevereiro 16, 2016

AS PERNAS DA REPÓRTER GRACINAURA


A REPÓRTER GRACINAURA (Imagem: Silêncio, do artista plástico Pedro Moreira)– Graciosa, destemida e justiceira, Gracinaura nasceu contemplada com a mais caprichosa engenhosidade de Deus: linda, bem feita e inteligente. Ela rivalizava com todas as maravilhas do planeta, chamando atenção para si de todos os olhares. Não bastasse ter um par de pernas bem torneados e um corpo para lá de exuberante, possuía uma belíssima voz, logo capturada para ser locutora na emissora local. Não era o que queria, na verdade, porém aceitou na condição de apresentar um programa jornalístico de meio dia, apresentando problemas da população e crônica policial. Estava concluindo o segundo grau e sonhava entrar pra faculdade de jornalismo. E agora empregada na emissora, poderia bancar seus estudos na capital, vez que na sua localidade não possuía o desejado, apenas cursos noutras áreas fora do seu interesse. Assim dedicou-se a apresentar o programa, amealhando fazer seu pé de meia. Não faltou quem patrocinasse o programa e logo ela fora chamada para fazer inserções comerciais e apresentações de eventos. Folgava, radiante e promissora. Denunciava no programa os descasos da cidade, como problemas de saneamento básico, reclamações comunitárias, até dar de cara com duas broncas sérias: a malversação do erário público com práticas de nepotismo do prefeito, e roubo de cargas, direcionada aos empresários da região com seus armazéns de atacado. Inexorável nas suas denúncias, não arredava o pé de seus propósitos e senso de justiça, arranjando com isso uma legião de desafetos. Não poupava o microfone para todos os envolvidos que, na horagá, encarados de frente nas entrevistas, recebiam-na apenas para ver-lhe a formosura e, com respostas evasivas, tentavam dissuadi-la dos seus intentos e granjear-lhe a simpatia. Trabalho perdido, vez que ela mantinha-se firme nas suas intenções e, consequentemente, prestígio popular. Tornando-se uma espinha na garganta dos seus algozes, logo viu-se em apuros, sem, no entanto, ceder um mínimo de milímetro nas suas denúncias. Uma rede de envolvidos logo entrou em conluio e às escondidas, proporcionando que, numa certa madrugada, quase amanhecendo, seu corpo fosse encontrado: estuprada, seminua, cravejada de balas e irreconhecível. E aquelas belas pernas ficaram vivas para sempre na memória de todos que presenciaram aquela horrível cena. Virou manchete de jornais no Brasil afora, foto de capa destacando as pernas que escondiam a brutalidade. A população protestou por dias seguidos. Pouco mais de um mês, contudo, o inquérito policial fora arquivado por insuficiência de provas, nem identificação de autoria. Mais um crime impune nas páginas policiais do Brasil (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.

Veja mais:


 Veja as homenageadas aqui.


Veja mais sobre:
Alvorada na Folia Tataritaritatá, Pablo Neruda, João Ubaldo Ribeiro, Egberto Gismonti, Capiba, Ricardo Palma, Tsai Ming-liang, Cristiane Campos, Fernanda Torres, Chen Shiang-Chyi, Revista Germina, Digerson Araújo, Asta Vonzodas & O cérebro autista aqui.

E mais:
Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Felix Mendelssohn, Woody Allen, Gil Elvgren, Marion Cotillard & Big Shit Bôbras aqui.
Ginofagia & as travessuras do desejo na manhã aqui.
Rio São Francisco: Velho Chico, Turíbio Santos, Cláudio Manuel da Costa, Lampião de Isabel Lustosa, Ítala Nandi, Hugo Carvana, Paulette Goddard, Natalia Goncharova, Música & Saúde aqui.
Penedo às margens do Rio São Francisco aqui.
Simone Weil, Simone de Beauvoir, Emma Goldman, Clara Lemlich, Clara Zetkin & Tereza Costa Rego aqui.
O homem ao quadrado de Leon Eliachar aqui.
Febeapá, de Stanislaw Ponte Preta aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui& maisaqui e aqui.


ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...