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terça-feira, outubro 06, 2015

BAKER, GUILHERME ALMEIDA, ROMERO BRITTO, CAROLE, SAMARA, FENDI, MÁCLEIM, MANCHETES & PROGRAMA TATARITARITATÁ.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? MACHETES DO DIA DE SEMPRE - Estava eu à cata de um assunto para esta crônica e não me vinha nada à cabeça. Então, com a experiência de escrever crônicas diárias por cinco anos seguidos e ininterruptos, quando ocupava o respeitável cargo de chefe do departamento de redação da Rádio Quilombo dos Palmares FM, todo dia, chovesse ou fizesse sol, eu emplacava depois do Grande Jornal Quilombo, uma crônica fresquinha saída do forno na hora. Isso foi, exatamente, no período entre 1986/1991. Essa prática valeu-me apender o uso da criatividade, inventando recursos de todo tipo para não deixar passar em branco. Era uma peleja vasculhar de tudo com o fito de tascar uma ideia sapecada pras minhas palavras do dia. E como na vida do interior as coisas chegavam atrasadas e eram digeridas apressadamente pros boi-de-fogo da boataria, ou demoradamente retardadas até não valerem nada, desde então, fiquei com uma impressão danada que não me abandonou até hoje. Vamos lá. Para bater firme o centro todo dia com uma croniqueta, rebuscava notícias de jornais, fatos históricos, intrigas atuais, descasos, até desatinos. Bastava o mote, eu glosava, fosse o que fosse. Aí, dia após dias, quatro anos de pisada firme, fui descobrindo duas coisas: a primeira, ou o mundo parou ou a gente faz a mesma merda todo dia. Ou, então, ou os jornais se repetem todo dia ou copiam uns aos outros. Foi. Primeiro peguei as manchetes do dia e, ao relê-las nos diversos jornais que dispunha, tive o estalo de constatar que já havia dado essas novidades. Peraí. Não pode. Fui ver noutros jornais do dia anterior. Eita! Fui pros dos últimos dias, as mesmas; depois, semanas, deu no mesmo. Aí bem intrigado, levantei-me e fui até o quartinho onde eu reunia monturos de jornais jogados de dias passados e puxei um do primeiro monte: nossa, era de seis meses atrás. Ué, a vida não passou não, foi? Puxei doutra pilha desarrumada, era de três anos passados, nada de novo. E juntei uns dez e fui conferir detalhadamente. Conclusão: oxe! Verdade, veja: rombo com desvio de verba pública em estatal deixa população sem atendimento! Bullyin lidera nas escolas do país! Aumento da gasolina encarece produtos e serviços! Desempregados aumentam as estatísticas no Brasil! Estados Unidos lidera pesquisa! Apenas 8% dos homicídios são solucionados na Justiça brasileira! Novela bate recorde de audiência! Assaltos a banco crescem! Praia poluída causa problemas de saúde! Lixo é problema nos Municípios! Tudo pronto para o clássico do final de semana! Escolas, seguros e planos de saúde na mira dos Procons! Crise avassala todo mundo! Babau. Isso tudo, em jornais da época, diferença de dias, semanas, meses e até anos. Hoje, com as manchetes dos diários impressos, da internet, do rádio ou da televisão, que matei a charada: basta só mudar a alternância da notícia que ela será sempre nova porque tanto faz ser de 1986, 1996, 2006 ou 2016. Acredita? Então, confira agora qualquer jornal escrito, falado, internetado ou televisado. Viu? Parece com o de ontem? E anteontem? E anteantonte? Checou? Tanto faz! Jornal de hoje ou do ano passado é a mesma coisa. Ou os caras copiam, ou o mundo parou. Será? A gente está fazendo alguma coisa, ou tudo virou inútil e a gente não faz nada, só na base do bem-bom. Ah! Acho que tem outra coisa. Sim, a segunda coisa que deixei suspenso no ar. Incrédulo, digo de antemão: será? Lembro de uma crônica do Fernando Sabino, O rádio, esse mistério, em que ele fala que trabalhou alguns anos na BBC de Londres e que sempre foi bastante ouvida, mas que nunca viu ninguém falar que ouviu nada do que ele fez durante anos. Êpa! Eu também escrevi e locutei uma crônica do dia por cinco anos seguidos e nunca, nunquinha, ninguém – e lembro de viva memória sã - sequer disse ter ouvido uma frase que seja que eu tenha dito nas crônicas. Até quando estive, poucos anos atrás, apresentando o Tataritaritatá na Rádio Difusora de Alagoas, tive a mesma sensação. Peraí! Será que as pessoas estão moucas? Cegas? Ou ouvem mas não escutam, vêem mas não enxergam. Danou-se! Estou como Nietzsche: escrevendo para todos e ninguém. Que coisa!?! Ora, ora, mas naquele dia, eu tinha que escrever e a hora já azoava passando, quase tendo de entrar às pressas no estúdio e mandar ver no jornal com a respectiva crônica. Ou eu ficava na elucubração ou não escreveria nada. Ora, mesmo não sendo ouvido, ou melhor, falando pra nada e ninguém, tinha que dar uma solução. E fiz a crônica como o que ora expresso aqui. Sabia que, mesmo assim, tinha de ir pro ar, afinal ser profissional tem que estar na responsa. E fiz, mesmo com as manchetes do dia que, para mim, era de qualquer dia de antanho ou de amanhã, fiz um amálgama com as manchetes escolhidas a dedo, redigi tudo às pressas, meti as catanas na crônica e entrei no ar às sete em ponto para mais uma edição do matutino. Quando findei, me veio a sensação dolorosa que me persegue mesmo até agora: de que tanto faz ontem, hoje ou amanhã, dá no mesmo: a gente está tão mergulhado no marasmo do reino da mesmice que nem se dá conta que a vida passa e a gente vira só passado, acumulando ontens que nada mais representam pro presente quiçá futuro. Nossa, que coisa! E vamos aprumar a conversa aqui.

Imagem: arte do pintor, escultor e serígrafo pernambucano radicado nos Estados Unidos, Romero Britto.


Curtindo o álbum Internet Coco, do cantor, compositor e produtor musical Mácleim. Veja mais aqui, aqui e aqui.

COMO ENFRENTAR O CARÁTER: PREVENÇÃO DA COURAÇA – O livro O labirinto humano: causas do bloqueio da energia sexual (Summus, 1980), do psicoterapeuta da escola reichiniana, Elsworth F. Baker MD, trata de temas como a formação do caráter e os fatores de encouraçamento, os tipos de caráter e os efeitos do processo de encouraçamento, trabalho caracterológico e a remoção da couraça e como enfrentar o caráter e prevenção da couraça, sendo desta última parte os trechos destacados a seguir: [...] o labirinto é a estrutura emocional do homem, ou seja, sua estrutura de caráter [...] O melhor que pudemos fazer até os dias de hoje foi remover os bloqueios depois de estes terem se desenvolvido. Ninguém escapa de bloqueios esporádicos mas, na medida em que prevenimos a formação da couraça nas crianças pelo projeto descrito no último capítulo, capacitamo-las a crescerem com uma independência considerável, com autoconfiança e aptas a sentirem prazer em viver. [...] Os adolescentes sentem necessidade de serem reconfortados em seus sentimentos e urgências, que são naturais, sendo também preciso conhecimento e orientação para enfrentar a atitude antissexual da sociedade. Os adultos tornaram-se temerosos dos sentimentos e sensações naturais, por meio de sua própria necessidade de formarem uma couraça, e olham para esse funcionamento natural como algo que deve ser controlado. Além disso, não conseguem distinguir entre impulsos primários e secundários, tentando reprimir ambos. Os secundários são antissociais e precisam ser manipulados, mas os impulsos primários devem ser vistos com confiança, na sua qualidade de caminho para o julgamento equilibrado e para a supressão de dificuldades. É verdade que o adolescente saudável exije seus direitos sexuais, mas da mesma forma se retrairá frente ao sexo destituído de amor, como também da promiscuidade, do estupro, da perversão e da brutalidade. Não haveria prostituição. Os sentimentos e sensações naturais são mais morais do que os da sociedade encouraçada, mas evidenciam algumas importantes diferenças. Por exemplo, é impensável o casamento onde acabou o amor. No entanto, a sociedade encouraçada recusa este motivo “apenas” como razão suficiente para o divorcio. Um individuo que funcione naturalmente não espera que a missa absolva seus pecados da semana; os que funcionamento normalmente tampouco perseguem os que não são adeptos de suas crenças. Nossa sociedade é construída com base no terror encouraçado. Suas leis são erigidas e defendidas por esse mesmo terror. E são as leis da sociedade que devemos seguir, não importando quão irracionais elas sejam e, assim, continuarem a abafar nossos filhos e a esmagar nossos adolescentes para destruir neles toda sua natureza “animal” e então podermos “civiliza-los”. Tudo que nossa civilização pôde aprender foi a repressão e o amortecimento das revoltas. Ela não consegue nem entender nem dar apoio à vida. Há alguns milhares de anos vem o homem tentando libertar-se dessa armadilha, caindo sempre de volta no mesmo começo, pois não sabe o que foi que o levou a entrar nesse labirinto nem como o conseguiu. Sabemos hoje em dia que está preso dentro dessas malhas da própria couraça muscular que dá ensejo à ansiedade orgástica e inibe o funcionamento natural e liberto [...]. Veja mais aqui.

OS CABISBAIXOS – No livro Pela cidade (WMF Martins Fontes, 2004), do escritor, advogado, jornalista, heraldista, tradutor e crítico de cinema, Guilherme de Almeida (1890-1969), destaco a crônica Os cabisbaixos: Um dos muitos grupos de jovens estudantes que me têm procurado para entrevistar-me – visitas essas, para mim, sempre agradáveis pela sadia e contagiosa lufada de mocidade que me trazem – dirigiu-me, entre as perguntas do seu inteligente questionários, uma que eu não quis responder de improviso. Pareceu-me importante: e prometi-lhes refletir com vagar e responder por este meu retalho de jornal, o que ora faço. A pergunta: - Como vêem os poetas o mundo de hoje? A resposta: - Imagino, julgando-os por mim, que há de ser apenas com a conformada humildade dos derrotados. Porque o prático mundo de hoje venceu o teórico mundo de ontem, que era o nosso: o que tinha o Mistério por princípio, a Imaginação por meio e a Beleza por fim. Venceu. E, vencedor, visando à alma, primeiro, inventou a psiquiatria, que devassou o hemisfério da nossa Loucura; e a psicanálise, que desencantou o hemisfério do nosso Sonho. Insatisfeito com essas conquistas, inventou ainda a parapsicologia que se propõe rasgar o nosso sagrado véu do Oculto. Depois, mirando os Espaço Exteriores, por eles ordena que viagem seus engenhos, a desvendar a face secreta da Lua, nossa amada proibida; ou espionar, viciosos voyeurs, a gloriosa nudez de Vênus, rainha das nossas Musas; ou devastar o campo mitológico das constelações a que demos nome e sentido. Vencidos, pois, os poetas de hoje são cabisbaixos. Quer dizer: curvada a cerviz sob o jugo do vencedor, resignadamente caminhando olhando o chão: esse chão bem baixo, com seus rasteiros problemas étnicos, sociais, econômicos, políticos. E dizem-se “participantes”, para consolar-se e mascarar o revés. Os cabisbaixos! Eu mesmo... é verdade! Eu... ontem achei maravilhoso, um verdadeiro poema o áspero roteiro, que acompanhei, de uma formiguinha aleijada tentando levar um pedaço de folha ao longo de uma laje de pedra do meu jardim. Veja mais aqui.

AS TRÊS MENINAS & BRANCA ROSA – No livro Pequeno romanceiro (Martins, 1957), do escritor, advogado, jornalista, heraldista, tradutor e crítico de cinema, Guilherme de Almeida (1890-1969), destaco inicialmente o poema As três meninas: Tres meninas na varanda, /com seu mister cada qual: / uma fiando fio claro / como fio de cristal; / outra liando contas de âmbar / com trancelim e torçal / a terceira, ponto a ponto, / bordando o seu enxoval. / Tres meninas na varanda, / com seu mister cada qual. / Cavaleiro, que passava / no seu ginete real, / uma rosa na manopla / tauxiada de ouro e coral, / lança a rosa às três meninas / (qual das três é o seu ideal?), / finca esporas, vai-se e voa / no seu corcel Vendaval. / Sustam logo as três meninas / o seu mister cada qual. / Quem cortou meu fio claro / como fio de cristal? / - Quem deixou fugir as contas / ao trancelim e ao torçal? / - Quem quebrou a minha agulha / com que eu bordava o enxoval? / Tres meninas acenando / com seu lenço cada qual. / - Volta, volta! Cavaleiro, / no cavalo Vendaval! / Vinde buscar vossa rosa, / que essa rosa é flor de mal: / é um coração cada pétala, / e cada espinho, um punhal! / Tres meninas na varanda. / Mais nada. Ponto final. E também Branca Rosa: - Branca Rosa, Branca Rosa, / por que está tão branca assim? / É a neve, que caiu tanta / esta noite no jardim. / Não será neve, que a neve / não pode ser branca assim. / - Vesti minha cambraia lavada / com aguinha de alecrim. / - Cambraia, por mais lavada, / não chega a ser branca assim. / - Fiei-a em roca de prata / com meu fuso de marfim. / - Não há marfim, nem há prata / que sejam brancos assim. / - O luar dormiu comigo / no meu lençol de cetim. / Não houve lua esta noite, / nem há luar branco assim. / - Branca Rosa, Branca Rosa, / por que está tão branca assim? / - Má hora passou o conde / e o conde olhou pra mim. / Vesti vestido de noiva, / branco do véu ao chapim. / Mandou que eu visse e esperas: / e por isso foi que vim. / E, volte ou não volte o conde, / esperarei até o fim: / até que daqui me levem / amortalhada, ai de mim! / Branca Rosa, Branca Rosa, / vai tão branca, sem camim! / Rosa branca desfolhada / nunca foi tão branca assim. Veja mais aqui.

O GUARANI & MARILYN MONROE - A jovem e bela atriz de teatro, cinema e televisão Samara Felippo objetivava tornar-se ginasta quando decidiu estudar teatro, conseguindo aos 17 anos uma vaga na oficina de atores da Rede Globo e, depois, cursou cinema no Rio de Janeiro. Em 2001, ela estava participando do filme O dono do mar (2006) e protagonizou o filme Concerto Campestre. No teatro ela iniciou com O Guarani (1998), Comunhão de bens (2000) e Êxtase (2007), Hamlet (2011), Mulheres alteradas e, em 2013, na peça teatral Orgulhosa demais, frágil demais, ela interpreta Marilyn Monroe. Participou de outras peças como Comunhão de bens e Intenções perigosas. Por seu talento, ela desenvolve uma trajetória promissora, aplausos. Veja mais aqui.

BOLERO – O drama Bolero (1934), dirigido pelo cineasta estadunidense Wesley Ruggles (1889-1972), conta a historia de um arrogante dançarino do teatrão de variedades, em Paris, que tem por ambição ser o rei dos clubes noturnos da Europa. Ele estava à procura de parceira ideal para atingir seus objetivos, quando conhece uma bela mulher com quem faz um par de muito sucesso, sob a condição de uma promessa: nunca misturarem sentimentos com trabalhos. A promessa foi mantida até certo tempo, quando os dois se apaixonam e ela se desilude porque ele só tem objetivo na carreira e quando a guerra surge, ele alista-se ao exército, retornando mais tarde para reencontrá-la devidamente casada com um conde, e ele dono de um clube, sem parceira e a convida. É quando os dois dançam o ponto máximo do filme: a dança do Bolero, do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937). Nesse momento acontece o inesperado. O destaque do filme vai para a atriz estadunidense Carole Lombard (1908-1942). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do pintor, gravador e litógrafo austríaco Peter Fendi (1796-1842).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa & com muitas atrações. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Leitora Tataritaritatá!!!!
Veja mais aqui.
 

terça-feira, agosto 11, 2015

ONETTI, ARRABAL, SCHÖNBERG, GROTOWSKI, RENOIR, GIROD, TAO DA EDUCAÇÃO, PONTO DE ENCONTRO &PROGRAMA TATARITARITATÁ!

PROGRAMA TATARITARITATÁ – Hoje é dia de mais uma edição do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre emocionante de Meimei Corrêa. Na programação de hoje: Paul McCartney, Chico Buarque, Emilia Biancardi, Milton Nascimento & Maria Rita, Elis Regina, Maria Bethania, Maysa, Zizi Possi, Armandinho, Sonia Mello, Maciel Melo, Ozi dos Palmares, Mu Chebabi, Monsyerrá Batista, Marisa Serrano, Lelo Praxedes, Sérgio Santos, Carlos Miúdo, Meimei Corrêa, Wilson Monteiro, Danny Reis & Sonekka Osmar Lazzarini & Gilvandro Filho, Naldo Miranda & Eduarda Flores, Nilson Chaves & Felipe Cerquize, Chiko Queiroga & Ana Vitória, Simone Guimarães, Mestre Acordeon, David Bisbal, Fábio Jr, Amélia Simone, Juanes, Juarez Moreira & muito mais! Para conferir ao vivo e online ligue o som e acesse aqui. 

 Imagem: Nude in the sun do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). Veja mais aqui e aqui.


Curtindo Verklarte Nacht, Op. 4 (1899 – Teldec, 1995), do compositor austríaco de música erudita e criador do dodecafonismo, Arnold Schönberg (1874-1951), performer & conductor Daniel Barimboi, Chicago Symphony Orchestra,

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? INCIDÊNCIA NO PROSTÍBULO – Era 1982 e eu estava me aprontando para publicar o meu primeiro livro de poesias quando, para minha surpresa, recebo uma correspondência da Grafipar, de Curitiba (PR), informando que um conto meu havia sido escolhido para constar numa das publicações da editora, a revista Ponto de Encontro. No envelope, a missiva estava acompanhada de alguns exemplares da revista e de um cheque a mim nominal num valor que nem sei o quanto representaria em moeda de hoje. Nunca tinha visto a revista em banca alguma, nem sabia como o meu conto – diga-se de passagem, o meu primeiro conto e, ainda por cima, erótico, ou pornográfico? Sei lá -, foi parar por lá. Saber, sabia, não queria era acreditar. Depois de muito remoer nas catracas do quengo, descobri que poucos meses antes disso, eu estava em São Paulo, participando de um festival de música e, como sempre, faço minhas apresentações solo e zarpo. Subo no palco na maior tremedeira e saio mais tímido ainda, quando, nesse dia, mais alvoroçado que nunca e numa situação de quem caiu numa piscina e não encontrou os pés no chão, para minha salvação – ou piorando a minha situação porque jamais esperei que tal acontecesse -, uma certa pessoa me aplacou a fuga, me parabenizando pela ousadia. Sem saber nem o que fazer, daquele jeito de quem procura um buraco para se socar, fugindo de tudo, ela, amavelmente insistente, abriu um papo comigo. Ainda cheio de pernas, todo desencontrado, eu balbuciava qualquer coisa no afã de me evadir dali, respondendo de forma monossilábica, fato que levou a pessoa a perceber que eu queria mesmo era sair fora para ir pruma pousada ou hotel, próximo do aeroporto de preferência que, logo cedo, tinha que pegar o avião de volta. Acho que pensei alto ao ponto dessa pessoa me oferecer carona e me levar prum botequim pra melhor apaziguar minha forma inheta de estar. Aboletados numa mesa de bar, assim foi e ficamos bebericando e jogando conversa fora. Tomando pé da situação e do ambiente, como sou bastante tagarela, danei-me a falar, contar história e aproveitei o momento para restaurar minhas conexões mentais que se encontravam desarticuladas por completo. Nisso fiquei sabendo tratar-se de uma paranaense que estava acompanhando o festival para fechar uma matéria sobre eventos alternativos da capital paulista. E tome papo vai, papo vem, falei que estava publicando meu primeiro livro de poesias e que estava ali apenas participando do festival para adquirir experiência e, no meio da conversada, pela curiosidade dela com as minhas coisas, falei desse conto, sacando uma cópia para ela ler – esse e outras troncheiras que eu andava no alforje. Papo dos bons, madrugada adentro até que, ao amanhecer, chegou a hora de ir pro aeroporto pegar o avião. Paguei a conta e saímos, trocamos endereços e nos prometemos futuras trocas de ideias. Poucos meses depois, veio o resultado: antes do livro sair, vejo meu contículo publicado numa revista para maiores de dezoito anos, se é que me entende. Surpresa pra lá de agradável. E depois conto como foi que pude agradecer pela iniciativa da pessoa. Por enquanto, vamos aprumar a conversa e veja mais aqui.

O TAO DA EDUCAÇÃO – No livro O Tao da Educação: a filosofia oriental na escola ocidental (Ágora, 2000), da doutora em psicologia educacional pela Unicamp, Luiza Mara Silva Lima, encontro o trecho que: [...] A educação é um campo vasto e intrigante para aqueles que têm avidez em procurar e satisfação em descobrir. Diante das inúmeras dificuldades encontradas neste caminho, aqueles que têm avidez em procurar alternativas ocupam-se mais em investir no tempo para fazer alguma coisa do que em gastar o tempo para reclamar das coisas. Daí, a satisfação em descobrir novos caminhos torna-se incalculável. É claro que, detectando falhas no sistema educacional, temos a possibilidade de, no mínimo, não repeti-las. Entretanto, apenas não repetir erros não assegura a melhoria de um processo. O fato de algo ter sido bem-sucedido até determinado momento não significa necessariamente que continue tendo êxito no decorrer do tempo. Os problemas educacionais (como a falta de recursos, a repetência, a evasão, o descaso das autoridades e tantos outros) não restringem as possibilidades de ação. Pelo contrário, dão margem à imaginação e instigam a busca de novos caminhos, novas soluções, novas propostas, novas perspectivas. [...] Veja mais aqui.

JUNTA-CADÁVERES – O livro Junta-cadáveres (Civilização Brasileira, 1968), do escritor uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994), conta a história de pequena cidade na qual se é montado um prostibulo que passou doze anos para ser aprovado pela câmara de vereadores, resultado de acordos e concessões, causando escândalo na cidade e veementes protestos da Liga da decência. Da obra destaco o trecho inicial: Arfando e luzidio, perniaberto sobre os saltos do vagão, no ramal de Enduro, Junta caminhou pela passagem estreita para aproximar-se do grupo de três mulheres, alguns quilômetros antes de o trem chegar em Santa Maria. Sorriu, animado, para as caras carregadas pelo aborrecimento, incendiadas de calor, de bocejos e comentários. O verde dos campos próximos ao rio apoiava uma débil frescura contra as janelas empoeiradas. – “É só dizer que estamos chegando, começam logo a conversar, a se pintar, recordam seu oficio, fazem-se mais feias e velhas, põem caras de senhoritas, baixam os olhos para examinar as mãos. São três, e não demorei quinze dias. Barthé tem mais do que merece, ele e toda a população, mesmo que talvez riam ao vê-las e continuem rindo durante dias e semanas. Já não tem mais quinze anos e estão vestidas de modo a esfriar qualquer macho. Mas são gente, são boas, são alegras e sabem trabalhar”. – Falta pouco – resignou-se a dizer, com entusiasmo; bateu no joelho de Maria Bonita e sorriu para as outras duas, para a cara infantil, redonda, de Irene, e para as sobrancelhas amarelas de Nelly, muito altas, retas, desenhadas, cada manhã para coincidir com o desinteresse, a imbecilidade, o nada que podiam ofertar seus olhos. – Imagino: já era hora – contestou Maria Bonita. Franziu a boca voltada para a janela e iniciou a abertura de bolsas, o baile de espelhos, pós, lápis de lábios. – Tinha razão, depois de tudo. A tal de Santa Maria deve ser um buraco. – É certo o que tu disseste – concordou Nelly; usava uma unha para retocar a pintura da boca. Irene batia nos costados do nariz com a almofada de pó, languida, sem fé; tinha os grossos joelhos separados, e o chapéu de palha, carregado de adornos, a aba grande, retorcia-se achatado contra o encosto. Fez um semicírculo com as costas da mão no vidro da janela; viu um arco-íris de gramas ressequidas, de plantações, de distancias cinza, verde e ocre, misturadas pela tarde de ceu coberto. – A mim, pouco importa. Claro que não é a capital; mas me agrada o campo. – isso é certo ter – disse Maria Bonita irritada, zombando. Tinha terminado de se arrumar e fumava rapidamente, ereta, tranquila, segura de sua oculta capacidade de domínio. – “Uma mulher” – pensou Junta com severidade e orgulho. – Não penses em andar em compras e festinhas. Ficar em casa, trabalhar e saber guardar dinheiro [...]. Veja mais aqui.

O BEIJO DA FELATRIZ – O poema Minha felatriz idolatrada (Bolonha, noite de 6 a 7 de Jetas de 136 da E. P. (31-I a 1-II-09 «vulgaris»), do poeta, dramaturgo, roteirista e diretor de cinema Fernando Arrabal, traduzido por Miguel de Carvalho, é uma das expressões do espírito controvertido do seu autor: Sim, é uma depravação lamber o teu falo / Sim, é um horror infringir os meus princípios / Sim, é uma porcaria chupar o teu meato / Sim, é uma incongruência fazê-lo por amor / Sim, é uma insanidade engolir o teu esperma / Sim, é uma aberração inclinar-me sobre o teu sexo / Sim, é uma fraqueza abdicar da minha liberdade / Sim, é um sacrifício de saliva e de alma / Sim, é uma contradição sufocar-me de amor / Sim, é um absurdo curvar-me diante do teu ventre / Sim, é lascivo devorar o teu cetro / Sim, é uma loucura que a minha boca seja uma vulva / Sim, é um pecado grave sendo também condenado por Deus… / …por todos os séculos e séculos. Adoro ser eterna para o teu tempo e o teu cio / Adoro acolher-te no meu nicho de seios / Adoro invadir o teu ânus com o meu dedo / Adoro antecipar os teus desejos mais perversos / Adoro sugar-te imóvel «à pleine bouche» / Adoro acariciar-te ao mesmo tempo os gêmeos / Adoro ser a tua droga do mundo mais imundo / Adoro que o meu cu seja parte do teu céu / Adoro que dites os teus caprichos no meu corpo / Adoro que a minha língua se cubra de pimenta / Adoro que a minha boca te embale íntima / Adoro que mergulhes a tua faca no meu véu / Adoro provocar a explosão do teu suco / …por todos os séculos e séculos. / Sinto-me realizada quando me baixo ao teu sexo / Vejo-me desejada quando aqueço a tua adaga / Julgo-me humilhada pelo meu ritmo lascivo / Adoro que dirijas a minha nuca com as tuas mãos / Torno-me borboleta com o teu músculo febril / Encanta-me a impudícia de o beijar sem fim / Regozijo corrompida por atiçar o teu vício / Deixo-me acanalhar, com a tua flor tocando na minha glote / Perco-me quando roço a negrura do teu poço / Excita-me seguir a regra do teu êxtase / Enlouquece-me fumar com o teu filtro do amor / …por todos os séculos e séculos. / A tua espada ressoando…. tocas o sino. / Menear-te entre os meus lábios… vives em glória. / Envolvido na minha roçadura… avistas paraísos. / Entrançado de carícias… sonhas o impossível. / Palpitando animal… voltas ao nirvana. / Pelo céu da boca… percorres o mistério. / Penetrando a minha cara… capturas a imagem. / Esperando o êxtase… atrása-lo sempre. / Primeiro o teu rabo… treme o universo. / As lágrimas de gozo… chegam gotejando. / O teu néctar rociado… rega a minha garganta. / Comungamos unidos… os dois e para sempre / …por todos os séculos e séculos. Veja mais aqui e aqui.

O ATOR E SUA FUNÇÃO NO TEATRO – No livro Para um teatro pobre (Forja, 1975), o diretor de teatro polaco Jerzy Grotowski (1933-1999), aborda sobre o ator e sua função no teatro: O ator é um homem que trabalho em publico com o seu corpo, oferecendo-o publicamente. Se esse corpo se limita a mortrar o que é – o que qualquer pessoa pode fazer – não realiza um ato total. Se é explorado por dinheiro, ou para granhar favores do público, a arte do ator toca a prostituição. É um fato que, durante muitos séculos, o teatro andou associado à prostituição, nuym ou noutro sentido da palavra. Houve tempo em que as palavras atriz e cortesã eram sinônimas. Hoje estão separadas por uma linha um pouco mais nítida, não devida a mudanças no mundo do ator, mas porque a sociedade se modificou. Hoje, a diferença entre a mulher respeitável e a cortesã é que se tornou imprecisa. O que, nos nossos dias, nos impressiona quando observamos o mundo do ator é a sua miséria: a especulação com um corpo explorado pelos seus protetores – empresário, encenador – o que, por sua vez, cria uma atmosfera de intriga e de revolta. Tal como, segundo os teólogos, só um grande pecador se pode tornar santo – não esqueçamos o Apocalipse: “...e, pois que és morno, pois que não és frio nem quente, vomito-te pela boca” – a miséria do ator pode ser transformada numa espécie de santidade. A historia do teatro disso nos oferece inúmeros exemplos. Compreendam-me. Falo de santidade não sendo crente. Concebo uma santidade laica. Se ao por-se a si mesmo um repto publicamente, o ator desafia os outros e, pelo excesso, pela profanação e pelo sacrifício ultrajante, se revela, arrancando a mascara quotidiana, torna possível ao espectador assumir um processo similar. Não vende o corpo – sacrifica-o. repete a expiação, aproxima-se da santidade. Se uma tal ação não for passageira nem fortuita, se não for um fenômeno previsível no espaço nem no tempo – se queremos um grupo de teatro em que o pão de cada dia seja este tipo de trabalho, temos de seguir um método especial de pesquisa e de treino. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

LE TRIO INFERNAL – O filme Le trio infernal (The Infernal Trio, 1974), dirigido pelo cineasta francês Francis Girod, com roteiro do diretor e Jacques Rouffio, música de Ennio Morricone, é inspirando numa real de humor negro e realismo arrepiante, conta a história de um advogado desonesto e falador que organiza fraude de seguro com a cumplicidade de duas irmãs alemãs que se tornam suas amantes. O destaque do filme é para a sempre bela atriz austríaca Romy Scheneider (1938-1982). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Imagem da primeira bruxa na Stregheria - tradição italiana - Aradia di Toscano (Herodias, 1313) que, segundo a tradição e o folclore, foi enviada a Terra por sua mãe Diana, a Grande Deusa das Bruxas e Fadas, para que ela ensinasse os homens as suas artes com objetivo de reflorescer a antiga religião pagã. Ela é considerada uma avatar feminina, deusa que encarnou na Terra para trazer liberdade às classes oprimidas pelo clero e nobreza.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
Veja mais aqui. 


quinta-feira, março 07, 2013

NOELLE-NEUMANN, LEIBER, HAROLD PINTER, STEPHENIE MEYER, COHEN, DENNETT,REPÚBLICA & PGM TTTTT


PROGRAMA TATARITARITATA (PGM TTTTT) – Tudo começou em 2002 com a criação deste blog na plataforma Weblogger. Em 2006, mudei de plataforma e criei o Zine Tataritaritatá, numa edição de 5 mil exemplares e que era distribuído inicialmente em Alagoas e, posteriormente, pelas minhas andanças por todos os espaços e territórios de norte a sul, leste a oeste do país, circulando alternativamente como sequência do projeto Nascente: Publicação Lítero-Cultural. Ainda em 2006, passei a apresentar o Programa Tataritaritatá, que foi veiculado em diversas emissoras radiofônicas, AM, FM e WebRádio, a exemplo da Difusora de Alagoas, Cidade FM (MG) e meio mundo de outras delas por aí afora. Em 2008 publiquei o Cordel Tataritaritatá para as minhas aprsentações poético-musicais, bem como para as recreações, palestras e oficinas que tenho realizadoem instituições educacionais e eventos culturais e artisticos pelo Brasil, como bienais, feiras de livros, tardes de autógrafos, pocket show, entre outras. A partir de 2010 estreei o Cantarau Tataritaritatá nos mais diversos palcos brasileiros, ora acompanhado pela banda Cianônima Ilimitada, ora em shows solos. Então do blog todos os tentáculos criados serviram de difusão da ideia do diálogo e das atividades artísticas que desenvolvi na minha trajetória de 31 anos de estrada. Veja mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Estamos no mundo de forma tão superficial. É no amor que somos feitos. É no amor que desaparecemos... A realidade é uma das possibilidades que eu não posso dar-me ao luxo de ignorar... A privação é a mãe da poesia... Pensamento do poeta, cantor, compositor e escritor canadense Leonard Cohen (1934-2016). Veja mais aqui.

 

ALGUEM FALOU: O amor é irracional, eu lembrei pra mim mesma. Quanto mais você ama alguém, menos sentido as coisas fazem... Pensamento da escritora estadunidense Stephenie Meyer.

 

QUALIA - [...] Acho que alguns filósofos pensam que toda a minha abordagem aos qualia não é jogar limpo. Não respeito as regras padrão dos experimentos de pensamento filosófico. “Mas Dan, sua visão é tão contra-intuitiva!” Sem brincadeiras. Esse é o ponto principal. Claro que é contra-intuitivo. Em nenhum lugar está escrito que a verdadeira teoria materialista da consciência deve ser brandamente intuitiva. Eu sempre insisti que isso pode ser muito contra-intuitivo. Esse é o problema com o método filosófico “puro” aqui. Ela não tem recursos para desenvolver, ou mesmo levar a sério, teorias contra-intuitivas, mas como é uma boa aposta que a verdadeira teoria materialista da consciência será altamente contra-intuitiva (como a teoria copernicana - pelo menos a princípio), isso significa que A filosofia “pura” deve apenas admitir a impotência e recuar para a antropologia conceitual conservadora até que o avanço da ciência a tire de sua miséria. Os filósofos têm uma escolha: podem jogar com conceitos populares (a filosofia da linguagem comum sobrevive, como uma espécie de antropologia social apriorística) ou podem levar a sério a alegação de que alguns desses conceitos populares são geradores de ilusões. A maneira de levar essa perspectiva a sério é considerar teorias que proponham revisões desses conceitos. [...]. Techos extraídos da obra Sweet Dreams: Philosophical Obstacles to a Science of Consciousness (MIT Press, 2006), do filósofo estadunidense Daniel Clement Dennett, que deficou estudos para definição da qualia como sendo um termo filosófico que define as qualidades subjetivas das experiências mentais conscientes, que desempenham papel importante na filosofia da mente, por se apresentearem como uma refutação do fato do fisicalismo. O autor identifica quatro propriedades que são comumente associadas aos qualia: são inefáveis, porque não podem ser comunicadas ou apreendidas por outros meios diferentes da experiência direta; intrínsecas, porque são propriedades não relacionais, que não se alteram conforme a relação da experiência com outras coisas; privadas, porque todas as comparações intersubjectivas dos qualia são sistematicamente impossíveis; e diretas ou imediatamente apreensíveis pela consciência, porque experienciar um quale é "saber-se que se experiencia um quale, sabendo-se que é isso mesmo tudo quanto há a saber sobre esse quale".

 

ESPIRAL DO SILÊNCIO – A obra La espiral del silencio: Opinión pública: nuestra piel social (Paidós, 2010), da cientista política alemã Elisabeth Noelle-Neumann (1916-2010), traz a teoria da Espiral do Silêncio, explicando como a opinião pública influencia o comportamento do indivíduo, com o objetivo de explicar a razão pela qual as pessoas permanecem, em muitos casos, silenciosas quando têm a quase sempre falsa sensação de que a suas opiniões e filosofias, visão de mundo, concepção do mundo, ou sua ideia geral da organização do cosmos de acordo com as descobertas científicas ou até mesmo o seu conjunto de intuições estão em minoria. Esta teoria começou a ser estudada na década de 1960, com base nas pesquisas sobre efeitos dos meios de comunicação em massa sobre a população, baseando-se em três premissas: O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceberem as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabeleça como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por quase todos. Nessa teoria o importante são as opiniões dominantes, e estas tendem a se refletir nos meios. Sobre essa teoria é importante lembrar que existe um isolamento dos indivíduos no silêncio, quando estes têm opiniões diferentes das veiculadas pela mídia. A Teoria do Espiral do Silêncio ajuda a entender como a mídia funciona em relação à opinião pública e silencia suas ideias, através de três mecanismos pelos quais a teoria influencia a mídia sobre o público: acumulação, que se refere ao excesso de exposição de determinados temas na mídia; a consonância, que se refere à forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas e finalmente a Ubiqüidade, que se refere à presença da mídia em todos os lugares.

 

EFEITO FORER - O efeito Forer, também chamado de falácia de validação pessoal ou efeito Barnum, definiu-se depois que o showman estadunidense Phineas Taylor Barnum (1810-1891), assinalou que: "temos de tudo para todos", trazendo a observação de que as pessoas julgam exageradamente corretas as avaliações de suas personalidades que, supostamente, são feitas exclusivamente para elas, mas que na verdade são vagas e genéricas o bastante para se aplicarem a uma grande quantidade de pessoas. Este efeito explica parcialmente a grande aceitação obtida por certas crenças e práticas que não sobreviveram a rigorosa análise proposta pelo método científico.. Um fenômeno mais genérico e relacionado ao efeito Forer é o da validação subjetiva que ocorre quando dois eventos aleatórios ou sem ligação parecem estar conectados porque as crenças, expectativas ou hipóteses exigem tal ligação. Por isso, as pessoas buscam uma conexão entre sua percepção da personalidade e o texto de um horóscopo.

 

O GRANDE MOMENTO – [...] Claro, se você assumir uma conspiração grande o suficiente, você pode explicar qualquer coisa, incluindo o próprio cosmos. [...]. Trecho extraído do livro The Big Time (Aegypan, 2011), do escritor estadunidense Fritz Leiber (1910=1993), que em outra obra The Wanderer (Open Road Media Science & Fantasy, 2013), expressou que: [...] Quanto maior a variedade de vida inteligente que Don via, mais ele se tornava sensível à sua presença. [...].

 

DOIS POEMAS - O TEU OLHAR NOS MEUS OLHOS - Sempre onde tu estás \ Naquilo que faço \ Viras-te agarras os braços \ Toco-te onde te viras\ O teu olhar nos meus olhos \ Viro-me para tocar nos teus braços \ Agarras o meu tocar em ti \ Toco-te para te ter de ti \ A única forma do teu olhar \ Viro o teu rosto para mim \ Sempre onde tu estás \ Toco-te para te amar olho para os teus olhos. O MUNDO ESTÁ PRESTES A REBENTAR - Não olhes. \ O mundo está prestes a rebentar. \ Não olhes. \ O mundo está prestes a despejar a sua luz \ E a lançar-nos no abismo das suas trevas, \ Aquele lugar negro, gordo e sem ar \ Onde nós iremos matar ou morrer ou dançar ou chorar \ Ou gritar ou gemer ou chiar que nem ratos \ A ver se conseguimos de novo um posto de partida. Poemas do ator, poeta, roteirista e diretor britânico Harold Pinter (1930-2008). Veja mais aqui.

 



PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA – Esse resumo observa que as proclamações da república é um texto que faz parte da obra A formação das almas: o imaginário da República no Brasil, escrito pelo professor mineiro, José Murilo de Carvalho, graduado em Sociologia e Política, pela UFMG e mestre e doutor em Ciência Política, pela Universidade de Stanford, Califórnia (USA). Por causa dessa obra, recebeu o Prêmio Jabuti, em 1991, tendo, posteriormente sido condecorado Comendador da Ordem de Rio Branco e da Ordem Nacional do Mérito Científico. Neste ensaio o autor discute as diversas proclamações da República e o conseqüente impasse simbólico - proveniente das lutas pela criação de um imaginário social entre as diferentes vertentes político-filosóficas - externado nas figuras-símbolo de Deodoro, Floriano Peixoto e Benjamim Constant. Aborda as questões da proclamação, considerando não só as disputas por poder entre Deodoro, Benjamim Constant, Quintino Bocaiúva, Floriano Peixoto, mas todos os atores, a exemplo da Guerra dos Vivas, envolvendo a participação desses personagens, notadamente os das escolas militares da Praia Vermelha e Superior de Guerra, até o que redundou num movimento pacífico a 15 de novembro de 1889.
A República Militar de Deodoro defendida pelos oficiais superiores que havia lutado no Paraguai e que buscavam posição de maior prestigio e poder, tornando o momento um ato estritamente militar, corporativo e executado sob a liderança de Deodoro da Fonseca, consolidando-se o ato final da Questão Militar com solução definitiva pela eliminação do regime dominado por uma elite bacharelesca infensa aos interesses castrenses, desrespeitosa dos brios militares.
A república sociocrática de um dos ícones da trindade cívica, o catequista, apóstolo, evangelizador, doutrinador, cabeça pensante, preceptor, mestre e ídolo da juventude militar, Benjamim Constant era representada por uma corrente política e ideológica que simbolizava o avanço da sociedade brasileira em direção do seu destino histórico em sua fase positivista, almejando a salvação da pátria. Positivistas não militarista, repugnava a força na política, predominando o pacifismo com o fim dos exércitos, com o recolhimento de todas as armas ao museu da história, apresentando, enfim, uma visão elaborada de república, implantando a ditadura para promover a república social, garantindo todas as liberdades espirituais e promovendo a incorporação do proletariado à sociedade mediante a eliminação dos privilégios da burguesia.
A república liberal de Quintino Bocaiúva representada pelos propagandistas civis. Enfim, nesta parte da obra, o autor discorre sobre várias Proclamações da República. Isto é, a busca de uma simbologia, - pois os embates já se evidenciavam entre as diferentes correntes político-filosóficas no sentido de a qualquer custo se criar uma simbologia no imaginário da nação. Daí a digladiação dos sujeitos históricos Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamim Constant. Percebe-se que as tentativas de se construir o mito original da república revelam as contradições que marcam o início de regime, como afirma o próprio autor. Diante desse embate, surge um projeto militar que clama por “uma figura que não dividisse, que fosse o próprio símbolo não só da união militar mas da união da própria nação”. Veja mais aqui e aqui.

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
CARVALHO, José Murilo de. As proclamações da republica. In: A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,1990, p. 35-44.




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