TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
terça-feira, janeiro 22, 2019
PIERRE WEIL, JOSUÉ DE CASTRO, SIDNEY AMARAL, AS PREGAS DE ODETE, HOMENS & CARANGUEJOS NO FESTIVAL CARIRI
domingo, novembro 01, 2015
ANDERSEN, WEIL, MICHALA, FERGUSSON, AGNÈS, PRAGUER, JURA MAMEDE & BRINCARTE DO NITOLINO!
BRINCARTE DO NITOLINO– Hoje é dia do programa Brincarte do
Nitolino para as crianças de todas as idades, a partir das 10hs (no horário de
verão), no blog do Projeto MCLAM e com apresentação de Ísis Corrêa Naves. Na programação sempre especial também tem
atrações especiais chamando a meninada com Toquinho, Chico Buarque & Milton
Nascimento, Ivan Lins & As Chiquititas, A. J. Cardiais, Mundo Bita, A onça
Felinda, Meimei Corrêa, Marina, Turma do Balão Màgico, Turminha da Natureza, Nita,
Historinha Cantada, Fabio Jr, O Reino Encantado de Todas as Coisas, A criação
do mundo & muito mais No reino encantado de todas as coisas. No blog,
muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes,
Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as
historias em quadrinhos dos Aventureiros
do Una. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.
ONDAS À PROCURA DO MAR – No livro O novo paradigma holístico: ciência, filosofia, arte e mística
(Summus, 1991), organizado por Dênis M. S. Brandão e Roberto Crema, encontro o
texto O novo paradigma holístico: ondas à procura do mar, do educador e
psicólogo francês Pierre Weil
(1924-2008), do qual destaco os trechos a seguir: [...] O sentimento de mal-estar generalizado diante dos grandes problemas da
atualidade, tais como a violência interindividual, a violência política e
internacional sob forma de guerras, o perigo de proliferação nuclear, o
desequilíbrio ecológico, entre outros, tem levado à construção de pontes sobre
todas as formas de fronteiras criadas em última instancia pela mente humana,
entre outros, podemos citar as organizações internacionais, os encontros
interdisciplinares e o advento de uma mentalidade de trabalho de equipe em
todos os domínios da ciência e da tecnologia o aparecimento de movimentos
alternativos à destruição em medicina e em terapia, o conceito de medicina
psicossomática e a abordagem holística em terapia e, enfim, os primeiros
encontros entre ciência e sabedoria. A palavra holístico está se infiltrando
sub-repticiamente na ciência, na filosofia, na educação, na terapia, sem que se
tenha feito um esforço para conhecer sua origem e traçar a história da evolução
deste conceito. [...] Uma vez que
estejam profundamente engajadas na holopraxis, as pessoas podem pensar na aplicação
da abordagem holística em determinados ramos profissionais. Assim, pode-se
falar em abordagem holística em: epistemologia, educação, psicoterapia,
medicina, política, economia, administração de empresas e organizações, paz
mundial. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
A PASTORA E O LIMPADOR DE
CHAMINÉS – O livro A pastora e o limpador de chaminés
(Ática, 1996), do escritor dinamarquês Hans
Christian Andersen (1805-1875), é uma linda história a qual passo a
transcrever: Por acaso você já viu um desses armários antigos, todos
negros de velhice, com espirais e flores esculpidas? Pois era exatamente um
desses armários que se encontrava no aposento: ele vinha da trisavó e de cima
até embaixo era ornado de rosas e tulipas esculpidas. Mas o que havia de mais
estranho, eram as espirais, de onde saíam pequenas cabeças de veado com seus
grandes chifres. No meio do armário via-se esculpido um homem de singular
aparência: fazia uma careta, pois não se podia dizer que ele sorria. Tinha
pernas de bode, pequenos chifres na cabeça e uma longa barba. As crianças o
chamavam de o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode, nome que pode
parecer longo e difícil, mas um título com o qual poucas pessoas foram honradas
até hoje. Enfim, ele estava lá, com os olhos sempre fixos no consolo colocado
sob o grande espelho, em cima do qual estava posta uma graciosa pequena pastora
de porcelana. Ela usava sapatos dourados, um vestido enfeitado com uma rosa
viçosa, um chapéu dourado e um cajado: era encantadora. Ao lado dela estava um
pequeno limpador de chaminés, negro como carvão, e de porcelana também. Ele era
muito bonito, pois, na realidade, não era senão o retrato de um limpador de
chaminés. 0 fabricante de porcelana poderia ter feito dele um príncipe, o que
teria sido a mesma coisa. Mantinha graciosamente sua escada sob um braço e seu
rosto era vermelho e branco como o de uma moça; o que não deixava de ser um
defeito que se poderia ter evitado colocando nele um pouco de preto. Ele quase
tocava a pastora: tinham-nos colocado ali e eles ficaram noivos. Assim, um
combinava com o outro: eram dois jovens feitos da mesma porcelana e todos dois
igualmente fracos e frágeis. Não longe deles havia uma outra figura três vezes
maior: era um velho chinês que sabia balançar a cabeça. Também era em
porcelana; acreditava ser o avô da pequena pastora, mas nunca pudera prová-lo.
Afirmava ter todo o poder sobre ela e foi por isso que respondeu com um amável
inclinar de cabeça ao Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode, quando
este pediu a mão da pequena pastora. "Que marido você terá ali!",
disse o velho chinês, "que marido! Creio mesmo que ele é de acaju. Fará de
você a senhora Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de--Bode; tem seu
armário cheio de pratarias, sem contar o que tem escondido nas gavetas
secretas. - Jamais entrarei naquele armário sombrio - disse a pequena pastora -
ouvi dizer que ele tem lá dentro onze mulheres de porcelana. - E daí? Você será
a décima-segunda disse o chinês. - Esta noite, quando o velho armário começar a
estalar, realizaremos o casamento, tão certo como eu ser um chinês. E ao dizer
isso ele balançou a cabeça e adormeceu. Mas a pequena pastora chorava fitando
,o seu bem-amado limpador de chaminés. - Por favor - disse ela - ajude-me a
fugir pelo mundo, não podemos mais ficar aqui. - Eu desejo tudo o que você
deseja --disse o pequeno limpador de chaminés. - Vamos fugir; creio que poderei
ajudá-la. - Contanto que nós desçamos do consolo - disse ela – não estarei
tranqüila enquanto não nos virmos fora daqui. Ele tranqüilizou-a, mostrando-lhe
como ela devia colocar seus pezinhos sobre os rebordos esculpidos e sobre a
folhagem dourada. Ajudou-a inclusive com a sua escada e logo eles atingiram o
assoalho. Mas ao se voltarem para o velho armário, notaram que tudo estava em
revolução. Todos os veados esculpidos alongavam a cabeça e viraram o pescoço. 0
Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode deu um salto e gritou para o
velho chinês: "Que fogem! estão fugindo!" Então eles foram refugiar-se
na gaveta do armário da janela. Lá se encontravam três ou quatro baralhos
incompletos e um teatrinho que tinha sido construído. Representavam ali uma
comédia, e todas as damas, que pertenciam à família dos naipes de ouros ou
espadas, de copas ou paus, estavam sentadas nos primeiros lugares e se
pavoneavam com suas tulipas; e atrás delas estavam todos os valetes, que tinham
por sua vez uma cabeça em cima e outra embaixo, como acontece com as cartas de
baralho. Tratava-se na peça de um casal que se amava, mas que não podia
casar-se. A pastora chorou muito, pois ela pensava tratar-se da sua própria
estória. "Isto me faz muito mal", disse ela, "preciso deixar
esta gaveta". Mas assim que se puseram no chão novamente e lançaram um
olhar para o consolo, perceberam que o velho chinês acordara e que se agitava
violentamente. "Aí vem o velho chinês!", gritou a pequena pastora,
caindo sobre os seus joelhos de porcelana, totalmente desolada. - Tenho uma
idéia - disse o limpador de chaminés. - Vamos nos esconder no fundo do grande
cântaro que está lá no canto. Dormiremos sobre as rosas e as lavandas, e, se
eles vierem, jogaremos água nos olhos deles. - Não, isso seria inútil -
respondeu ela. - Sei que o velho chinês e a jarra já foram noivos e fica sempre
um quê de amizade após semelhantes relações, mesmo muito tempo depois. Não, não
temos outro recurso senão fugir pelo mundo. - E você tem coragem, realmente? -
disse o limpador de chaminés. - já pensou em como o mundo é grande? Talvez
nunca mais possamos voltar para cá. - Pensei em tudo - retrucou ela. O limpador
de chaminés fitou-a longamente e disse a seguir: "0 melhor caminho para
mim é pela chaminé. Você tem mesmo coragem de subir comigo ao longo dos canos?
Somente por ali é que poderemos chegar à chaminé e lá eu saberei voltar.
Precisamos subir o mais alto possível e bem no alto encontraremos um buraco
pelo qual entraremos no mundo. Ele levou-a até a porta do fogão: "Deus!
como é negro aqui dentro!", gritou ela. Enquanto isso, ela o seguiu com
bravura e sem hesitação e de lá passaram para os canos, onde fazia uma noite
negra como breu. "Olha chaminé", disse ele. "Coragem! 0 passo
mais difícil foi dado. Não tenha medo. Olhe, olhe lá para cima e veja que
estrela maravilhosa está brilhando." Havia realmente no céu uma estrela
que, com seu brilho, parecia mostrar-lhes o caminho: e eles subiam, subiam
sempre. Era uma estrada perigosa, tão alta! Mas ele a levantava, sustentava-a e
mostrava-lhe os melhores lugares em que colocar os seus pezinhos de porcelana.
Chegaram assim até o rebordo da chaminé. Ele saiu em primeiro lugar; e ela o
seguiu, muito feliz por deixar finalmente aquele caminho sombrio. Sentaram-se
para descansar, tão fatigados estavam! E tinham motivos para isso! 0 céu com
todas as suas estrelas se estendia acima deles e os tetos da cidade apareciam
lá embaixo. Passearam seus olhares bem longe em volta deles, por aquele mundo
que eles viam pela primeira vez. A pequena pastora, que vivera até então no
consolo, jamais pensara que o mundo fosse assim tão vasto: apoiou a sua cabecinha
no ombro do limpador de chaminés e chorou tanto, que suas lágrimas lhe chegaram
até a cintura. "E' muito", disse ela; "muito mais do que eu
poderia suportar. 0 mundo é muito grande: oh! não estou mais em cima do
consolo, perto do espelho! Não seria feliz se não voltasse. Segui-o pelo mundo;
agora leve-me novamente para lá, se você me ama verdadeiramente." E o
limpador de chaminés falou-lhe sensatamente; lembrou-lhe os dias monótonos que
ela passara sobre o consolo, o velho chinês e o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode.
Mas ela não se deixou convencer, queria descer a todo custo e soluçava tão
forte, agarrando-se ao seu pequeno limpador de chaminés, que este não pôde
fazer mais do que ceder, embora achasse isto insensato. Dizendo adeus ao céu
estrelado, eles começ4ram a descer a muito custo pela chaminé; a pequena
pastora escorregava a cada passo mas o limpador de chaminés a amparava;
chegaram finalmente ao fogão. Não fora por certo uma viagem de prazer e eles
pararam na porta do fogareiro sombrio para ouvir o que se passava no aposento.
Tudo estava muito tranqüilo: docemente eles puseram a cabeça para fora, a fim
de ver o que havia por ali. Ai de mim! o velho chinês jazia no assoalho. Caíra
do consolo ao querer persegui-los e se quebrara em três pedaços. As costas
tinham-se destacado do restante do corpo e a cabeça rolara para um canto. O
Grande-General-Comandante-em-Che-fe-Perna-de-Bode conservava sempre a mesma
posição e refletia. "E' terrível", disse a pequena pastora, "o
velho avô quebrou-se e nós é que fomos a causa! Oh! não poderei sobreviver a
essa infelicidade!" E cheia de desespero em frente ao seu avô partido em
três pedaços, ela apertava as suas mãozinhas. "Podemos colá-lo",
disse o impador de chaminés; "sim, podemos colá-lo. Vamos, não fique
triste; se colarmos as costas dele e pusermos uma boa atadura na nuca, ele
ficará tão sólido e parecerá novo e poderá ainda dizer-nos uma série de coisas
desagradáveis. Vamos, pare de chorar. Garanto-lhe que nada está perdido; seu
estado não é desesperador. - Você acha? - perguntou ela. E eles subiram para o
consolo onde viviam há tanto tempo. "Veja onde chegamos disse o limpador
de chaminés, que era muito sensato; "por que fizemos tão longa viagem?
Poderíamos ter poupado tanto trabalho." - Oh! Ainda se ao menos o velho
avo estivesse colado! Que felicidade para mim - disse a pequena pastora. - Acha
que essa operação custará muito caro? E o avo foi colado. Chegaram até a
colocar-lhe uma atadura no pescoço e ele ficou como novo. Só que não podia mais
mexer com a cabeça. "O senhor está muito bem depois da sua enfermidade - disse-lhe
o Grande-General-Comandante-em-Chefe-Perna-de-Bode. Parece-me que não tem
nenhum motivo para ficar tão abatido; afinal, quer me dar a mão de sua neta ou
não?" O limpador de chaminés e a pequena pastora lançaram um olhar terno
sobre o velho chinês: sabiam que ele não moveria a cabeça; mas não podia
fazê-lo, e teria vergonha de confessar que tinha uma atadura no pescoço. Graças
a essa enfermidade, o casal de porcelana pôde continuar junto; renderam graças
à atadura no pescoço do avô e se amaram até o dia em que eles mesmos foram
quebrados. Veja mais aqui e aqui.
POEMA MEMÓRIA & ÂNCORA
DO TÉDIO – Conheci o
poetamigo Jura Mamede (Jurandir Mamede
de Santana), em 2010, quando ele me presenteou o seu livreto O sol fugitivo
(Maceió, 1986). Já conhecia algumas de suas obras e pudemos, ao longo de tardes
e noites por três anos seguidos, dialogar e trocar ideias a respeito da sua
atividade poética. Na ocasião em que o encontrei, ele estava se abstendo de
escrever poesias, alegando não haver mais nenhum sentido para poetar. Logo
estranhei, claro, um sujeito como ele em que eu havia recebido referências das
mais diversas vertentes poéticas de norte a sul do país, virar um completo
avesso ao ato que ele mais prosperara nas mais diversas localidades desse
Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, era não menos
decepcionante. Mas bastou a primeira talagada na bebericagem e lá estava
traindo seu propósito e poetando noite adentro. Assim foi, até quando nos
últimos dias recebi a notícia de que ele havia produzido um livro cometendo
novíssimos poemas e que está já em andamento de publicá-lo. Fiquei, deveras,
animado com o retorno do poetamigo. Tanto é que registro aqui dois dos seus
poemas. Primeiro, o Poema Memória, do seu livro Cosmo das Águas (Maceió, 1985):
Com aquele que olha o abismo / e não voa,
/ que sem tristeza chora. / Com o náufrago que não desiste do naufrágio / com
os passos afogados na areia. / Com a poesia amorosa, raivosa / uma estrada
caminha em si / e não volta do abismo / exceto o poema / que voa anônimo do
precipício. Também um outro que ele participou recentemente de um sarau em
Maceió, o Âncora do tédio: Partem naus / Do
porto do tédio, / Náufragos da cidade. / Ancora, marinheiro, / Toda tristeza em
todo cais, / Regressa a pique / Com a despedida do sol e da lua. / O mundo fica
por viajar do outro lado das águas. E veja mais aqui e aqui.
ENREDO E AÇÃO – No livro Evolução e sentido do
teatro (Zahar, 1964), do educador, professor e crítico de teatro e
mitologia Francis Fergusson (1904-1986), destaco o trecho Enredo e ação:
A distinção entre enredo e ação é
fundamental, mas muito difícil de ser feita em termos gerais. Mostrei-a
claramente na maioria das peças estudadas, sendo as ações e os enredos dessas
peças sempre diferentes entre si. Aristíteles não explica a distinção, mas nos
primeiro nove capítulos da Poética, enquanto trata da tragédia em si, antes de
estudar os propósitos, ou analisar os tipos de tragédias, ele parece presumir
aquela distinção. [...] Aristóteles
nos dá uma definição geral de enredo – arranjo, ou síntese, de incidentes – mas
não define ação. Para mim, como já disse, ação é um conceito analógico, só
compreensível, portanto, com referência ações determinadas. Nesse estudo a
palavra se refere à ação que a peça imita; aos atos miméticos do dramaturgo –
estruturação de enredo, personagem e falas – que vão constituir a peça; e aos
atos miméticos dos atores que reproduzem, por meio de seus próprios seres, as versões
individualizadas ou características da ação que o autor tinha em mente. Assim o
livro todo é um estudo de ação em algum de seus muitos aspectos; e proponho,
pois, deixar os exemplos no lugar de uma definição geral. Se o leitor quiser
considerar a dificuldade de uma definição desse termo, é convidado a ler o
simpósio intitulado What is action?, realizado em 1938 pela Sociedade
Aristotelica Britânica. Macmurray, Franls e Ewing leram comunicados; todos
viram a diferença entre ação e os acontecimentos pelos quais é manifestada; e
todos concordaram quanto á fundamental importância do conceito. Mas não
conseguiram uma definição que nos ajudasse. É interessante notar que nenhum
deles mencionou a arte de imitir a ação. Se a ação não pode ser definida abstratamente,
de que serve o conceito no estudo das artes dramáticas? Serve para indicar a
direção que uma análise da peça deve tomar. A direção do objeto que o
dramaturgo tenta mostrar-nos; e precisamos dessa orientação se queremos
compreender a arte complexa do autor; estruturação do enredo, dos personagens,
da linguagem, do pensamento e a coerência entre eles. Com esse propósito podem
ser estabelecidas regras práticas como a famosa do Teatro de Arte de Moscou.
Diz ela que a ação de um personagem ou de uma peça deve ser indicada por uma
frase definitiva. Em Édipo, por exemplo, seria “achar o réu”. Esse expediente
não chega a ser uma definição, mas leva o ator à determinada ação que o autor
pretendeu. Assim, para quem se interessa pela arte do dramaturgo ou pela arte
do ator, a distinção entre enredo e ação é essencial. Veja mais aqui e
aqui.
LE GOÛT DES AUTRES – A comédia Le goût des autres (O gosto dos outros, 2000), dirigido pela
cineasta francesa Agnès Jauoi e
roteirizado por ela e por Jean-Pierre Bacri, conta a história de um rico
empresário acometido de depressão, entediado com a sua esposa, e que para fazer
um grande contrato internacional terá de fazer cursos de inglês e que passa a
ter um guarda-costas que é um ex-policial, desiludido e amargo. Nesse meio
termo, se apaixona pela professora de inglês que também é atriz que vê-lo como
um milionário sem graça, mas que depois de certo tempo, o vê como um ser humano
e capaz de evoluir acima de tudo. Trata-se, portanto, das confusões amorosas e
sociais de um grupo de personagens de diferentes gostos, classes e ambições:
desde o industrial novo-rico e sua professora de inglês; o truculento
guarda-costas e uma garçonete traficante. Pela comedia igualmente engraçada,
inteligente e sedutora sobre esnobismo, tolerância e as cegueiras da paixão. O
destaque do filme vai para a diretora Agnès Jauoi que além de atriz que atuou
em várias dezenas de filmes e no teatro, também é escritora com vários livros
publicados e que dirigiu também Como uma imagem (2004), Tal about the rain
(2008) e No final do conto (2013). Veja mais aqui.
CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA – Nos dias 14 e 21 de novembro, no
horário das 13 às 18hs, na Escola de Idiomas Wizard, em Três Corações (MG),
acontecerá mais um Curso Dinâmico de
Oratória – modalidade interativa e muito prática, com duração de 10 horas
de curso. Informações & Local de Inscrições: Rede Pizza Pré-Assada (Ao lado
do Frigorífico Loha) Rua Cel. Francisco Antonio Pereira, 197 – Centro
Telefones: (35) 93232-1039 ou (35) 98814-9720 (Com Meimei Corrêa) & Escola
de Idiomas Wizard, Praça Cônego Zeferino Avelar, 26 – Centro Três Corações –
MG, Telefone: (35) 93234-1918 Realização: Meimei Corrêa Produções/ Alan Miranda
Cursos/ Projeto MCLAM/ Diário do Tataritaritatá/ Escola de Idiomas Wizard. Veja
mais detalhes aqui.domingo, novembro 09, 2014
ERPENBECK, VONNEGUT, VARDA, HUELVA & IANGAÍ
OH, LINDA IANGAÍ!... (Imagem: acervo ArtLAM) – Aquela menina caeté sonhava
e uma tarde abriu a janela do tempo e viu-se bela moça aos olhos gentis. Ruborizava,
contida, mantendo-se nos afazeres domésticos. Ao pôr do sol sentava à beira do
rio, contava as estrelas e quantas luas passadas: um dia serei uma delas,
jurava. Ali mesmo desvelava os segredos dos poderes do mato e o que a vida
reservava a cada ser vivente. No meio do seu devaneio era sempre surpreendida
por galantes visitas, das quais escapulia com um mergulho profundo nas águas do
rio. Ao ser acossada sempre se evadia aos timbungues e, pela correnteza,
aprendeu a liberdade e de como se esquivar de gentilezas indesejáveis.
Alcançava a margem do outro lado e seus olhos por todos os morros na imensidão
da paisagem, inspirada pelos aromas da terra e do ar. Aos seus ouvidos os
silvos das aves e os rugidos de todos os bichos, davam na boca o gosto de todas
as raízes e frutos. Às suas mãos o calor de todos os afetos e afazeres.
Tornou-se, assim, afeita às águas e, um dia, escorreu abaixo e alcançou o mar.
Lá estava Camura, aquele que tocou seu coração e a fez a mulher mais bela do
mundo. Dali se fizeram, ele e ela, carne e unha. Onde um, o outro lá estava.
Iam e vinham. Ao soar o boré, ela não se esquivou de segui-lo para enfrentar os
forasteiros invasores; também foi, teimou. E foram pelas matas de palmira,
prontos para o embate. Não demorou muito e o combate das flechas, luta renhida,
findaram vencidos. Foram capturados pelos inimigos. Cativos agora, viam-se
entre gentes como nunca tinha visto, entre muita gente de pele pálida. Como
prisioneiros foram conduzidos à presença do maioral. A punição seria severa,
porém, ela não escapou aos olhos cobiçosos do donatário: Oh, linda! Os demais
foram escoltados para serem executados. Ela, porém, encaminhada com outras
serviçais para dependência exclusiva. E a cada investida dele, oh, linda!, ela
recusava, como também rejeitou aos privilégios de escolhida, mantendo-se
hostil. Não deu o pulso a torcer, nem se rendeu. Desprezou a comida servida, a
hospedagem e ficou sem se alimentar por dias. Certa tarde, enclausurada pelas
ameaças, aguçou o ouvido com o tumulto e logo um barulho ensurdecedor. À
espreita, chegou à janela. Juntou as ideias e pulou do primeiro andar, saindo
às carreiras. Ávida pela presença dos seus, a tragédia: encontrou-os todos
mortos, inclusive Camura. Todos os seus foram sacrificados. Ela chorou e gritou
insurreta. Levantou-se enfrentando o insulto e seus olhos flagravam o quão
terrível era tudo aquilo: o sangue engrossou a saliva. O cheiro fatídico elevou
sua coragem e seus braços e pernas mais enrijeceram por resistência. Aos seus
ouvidos os ventos traziam maus presságios, seus lábios ao coração maldiziam dos
intrépidos algozes. Ecoou no seu peito o toré, havia de ser na marra. Seu corpo
era só revolta insubmissa e de si nada mais restava além da fuga. Assim o fez e
foi caçada pelos quatro cantos do mundo. Só foi encontrada dias depois, o corpo
envolvido por folhas de timbó: honrou sua estirpe, encolhida, libertando sua
alma alada. Logo tornou-se uma estrela e toda boquinha da noite ela reaparece
brilhante. Dá até para ouvir baixinho, lá longe, a cantiga do seu lamento
atravessando nuvens e distâncias. E toda gente ao vê-la: Oh, linda! E assim
ficou o nome do lugar: Olinda. (Releitura da lenda homônima da fundação da
cidade de Olinda, Pernambuco). Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja
mais aqui, aqui & aqui.
DITOS & DESDITOS - Seja
qual for o seu brilhantismo, o seu pessimismo, os seus pensamentos sobre a
existência, a resposta é sempre... Vida. Não é uma ideia
dialética, é uma contradição vivida... Sim, qualquer coisa pode
ser arte. Qualquer coisa poderia
ser bela... E isso é transformar a vida em - você sabe, encontrar
não só beleza - diversão, alegria. Encontrar diversão onde às vezes é apenas
chato; encontrar diversão quando
é um fardo. Você sempre pode fazer
algo parecer diferente. O que é uma forma de
dizer que estou, de certa forma, protegida de ser infeliz...
A felicidade é uma fruta linda que tem gosto de crueldade...
Pensamento
da cineasta, roteirista, fotógrafa e artista belga Agnès Varda
(1928-2019). Veja mais aqui, aqui e aqui.
ALGUÉM FALOU: Meu
desejo vence. Ninguém nos prometeu um
amanhã, viva o presente...Pensamento da ativista espanhola Elena Huelva (2002-2023).
Veja mais aqui.
O FIM DOS DIAS - [...] Seu
corpo é uma cidade. Seu
coração é um grande quadrado sombreado, seus dedos são pedestres, seus cabelos
são a luz dos postes de luz, seus joelhos são duas fileiras de prédios. Ela
tenta dar caminhos às pessoas. Ela
tenta abrir suas bochechas e suas torres. Ela
não sabia que as ruas doíam tanto, não que houvesse tantas ruas nela, para
começar. Ela quer levar o corpo para
passear, fora do corpo, mas não sabe onde está a chave. [...]
quando ela está dormindo, ele gosta de sentar-se ao lado da cama dela e
fazer mais uma tentativa de desvendar o que lhe pareceu o maior enigma de toda
a história da humanidade: como processos, circunstâncias ou eventos de natureza
geral – como como
a guerra, a fome, ou mesmo o salário de um funcionário público que não aumenta
juntamente com a inflação galopante – podem infiltrar-se numa face privada. Aqui
eles tornam alguns cabelos grisalhos, ali devoram um par de lindas bochechas
até que a pele fique esticada sobre mandíbulas singulares; a
secessão da Hungria, por exemplo, poderia resultar num par de lábios mordidos
no caso de uma mulher em particular, talvez até da sua própria esposa. Por
outras palavras, há uma tradução constante entre o exterior e o interior, só que
existe um vocabulário diferente para cada um de nós, o que sem dúvida explica
porque nunca se percebeu que esta é uma língua em primeiro lugar – e de facto , o
único idioma válido em todo o mundo e para todos os tempos. [...] O fim de um dia em que
terminou uma vida ainda está longe de ser o fim dos dias. [...].
Trechos extraídos da obra The End of Days (New Directions Publishing
Corporation, 2012), da escritora e diretora de ópera alemã Jenny Erpenbeck.
Veja mais aqui.
UM POEMA DO CAIXA DE RAPÉ
BAGOMBO -
[...] Agora é a hora do doce adeus \ Ao que nunca poderia ser,
\ Às promessas que nunca poderíamos cumprir, \ À magia que você e eu. \ Se
tentássemos provar o nosso amor, \ o nosso amor estaria em perigo. \ Vamos
colocar nosso amor além de qualquer dano. \ Adeus,
doce e gentil estranho. [...]. Poema extraído da obra Bagombo Snuff Box
(1999), do escritor
alemão Kurt Vonnegut (1922-2007), que traz, também, dicas para
escritores: Você vai fazer um completo estranho gastar horas com a sua
história. Faça com que ele ou ela não sintam que foi uma perda de tempo. Dê ao
leitor ao menos um personagem por quem ele possa torcer. Todo personagem deve
querer alguma coisa, nem que seja apenas um copo d`água. Toda frase deve fazer
ao menos uma de duas coisas: revelar mais sobre um personagem ou fazer a ação
se desenrolar. Comece o mais próximo possível do final. Seja sádico. Não
importa o quão doces e inocentes sejam os seus personagens principais, faça com
que coisas terríveis aconteçam com eles – para que o leitor sinta do que eles
são capazes. Escreva para agradar apenas uma pessoa. Não abra a janela e tente
abraçar o mundo – os seus personagens vão pegar pneumonia. Dê aos seus leitores
o máximo de informação possível, o mais rápido possível. Que se dane o
suspense. Os leitores devem ter um entendimento tão completo (do que está
acontecendo, onde e por quê) que eles poderiam terminar a história por si
mesmos, mesmo que baratas comessem as últimas páginas. Como
um romance é tão longo, lê-lo é como estar casado para sempre com alguém que
ninguém conhece ou com quem ninguém se importa... todos ainda estariam
cometendo o mesmo erro terrível: ser bons uns com os outros. Veja
mais aqui e aqui.
OUTRAS SACADAS
DECEPÇÃO POLÍTICA – Passado alguns dias do embate eleitoral
deste ano, no qual apesar dos reclamos e protestos da população contra a
violência, a falta de educação e de saúde, enfim, dos problemas que grassam o
Brasil, o resultado foi o mesmo de sempre com extremismos que chegaram às raias
da mediocridade: reeleição de fichas sujas e outros facínoras da sociedade, os
mesmos de sempre de volta, aqui, ali, acolá, em todo o nosso Brasilzão véio,
arrevirado e de porteira escancarada. Afinal, parece mais que não se mesmo sabe
mesmo o que se diz nem o que se faz. Teve até um ensaio de separatismo que não engrossou
o coro porque se engasgou no equívoco de sempre e, no final, todo mundo colocou
o rabinho entre as pernas porque a culpa é toda nossa mesmo (nossa que digo é
de nós mesmos, o povo brasileiro). Nessa hora, acho apropriadas as palavras do
educador e psicólogo francês Pierre Wiel (1924=2008): “Na política [...] predomina um
reducionismo em torno de conceitos tecnológicos de produtividade e de
consumismo, sem consideração pelo meio ambiente. O homem é na maioria das vezes
considerado um cidadão cumpridor de leis e regulamentos. O sistema de valor
reinante é a luta pelo poder; beleza, verdade e amor são considerados meras
fantasias ou, no melhor dos casos, bons argumentos para conseguir prestigio e
votos. Em todos os países, a decepção do público com a política aumenta
constantemente. Resulta disto uma situação de descrença das populações em seus próprios
dirigentes”.
(Pierre Weil, O novo paradigma holístico: ondas
à procura do mar). Veja mais aqui e aqui.
NUM DIA DE DOMINGO – Toda vez que ouço a música A minha alma
(a paz que eu não quero), do Rappa na maravilhosa interpretação de Maria Rita, logo me vem à
cabeça o pensamento do poeta, músico e dramaturgo bengali, Rabindranath Tagore (1861-1941), a
respeito das raízes de nossa mania de redomas domiciliares: “Na longínqua
Grécia a civilização amadureceu entre as muralhas de duas cidades; nas
civilizações modernas, a cultura também foi confinada entre muralhas. Esta defesa
material deixou marca profunda na alma dos homens, introduzindo na nossa
inteligência a formula dividir para reinar, isto é, o costume de cercar o
terreno conquistado com muros protetores que o separe do resto do mundo”. Veja mais aqui, aqui e aqui.
OS EQUÍVOCOS DESDE ANTANHO – Quem se der ao trabalho e tiver o topete
de analisar a História desde as mais remotas eras até os momentos atuais,
poderá fazer a verificação de que a humanidade sempre optou pelo equívoco.
Talvez essa opção equivocada se deva sempre por encolerizadas imposições,
talvez por comodismo de alguns tantos adeptos que adoram a via da facilidade e reproduzem
impositivamente sobre os demais, talvez porque talvez seja menos dispendioso
seguir a manada do que trilhar o árduo caminho da verdade. Quando tal
desencanto sonda minhas ideias, as palavras salvadoras do psiquiatra e
psicoterapeuta suíço, Carl Gustav Jung (1875-1961), me levam para uma maior
compreensão: “[...] O conceito que formamos a
respeito do mundo é a imagem daquilo que chamamos mundo. E é por esta imagem
que orientamos a adaptação de nós mesmos à realidade”. (Carl Gustav Jung, A dinâmica
do inconsciente, Vozes/1984). A PSICOLOGIA ANALÍTICA – O psiquiatra e
psicoterapeuta suíço, Carl Gustav Jung (1875-1981) desenvolveu a psicologia
analítica em oposição à grande parte do trabalho de Freud. Por meio desse
modelo ele desenvolveu uma teoria da personalidade resultado dos estudos das
forças inconscientes enterradas bem abaixo da superfície da mente. Essa teoria
definia como a fase mais importante do desenvolvimento da personalidade é a meia-idade,
contrariando Freud que defendia ser a fase da infância a mais importante para
tal. A psicologia analítica foi influencia pelos estudos do seu autor sobre
mitologia e expedições para estudos dos processos cognitivos de indivíduos
pré-alfabetizados. Com isso, reconhecia que o sexo desempenhava um papel
pequeno na motivação humana, enfocando o crescimento interior em lugar do
cultivo das relações sociais. Em vista disso se referia à libido como uma
energia de vida generalizada da qual o sexo apenas fazia parte. Essa energia
básica expressava-se no crescimento, na reprodução e em outras atividades,
dependendo do que o indivíduo considerava crucial em determinado período. Ele
acreditava na pessoal moldada não apenas pelos acontecimentos do passado, como
também pelas próprias metas, esperanças e aspirações futuras. Por essa razão,
para ele a personalidade não era totalmente determinada pelas experiências
vividas os primeiros anos de vida, mas que podia ser modificada ao longo da
vida. O INCONSCIENTE: PESSOAL E COLETIVO
– O inconsciente pessoal continha as lembranças, impulsos, desejos, percepções
indistintas e outras experiências da vida do individuo suprimidas ou
esquecidas. As experiências do inconsciente pessoal são agrupadas em complexos
que são padrões de emoções e de lembranças com temas comuns. O complexo
consiste basicamente em uma personalidade menor na personalidade total. O
inconsciente coletivo é formado pelas experiências herdadas das espécies
humanas e de seus ancestrais animais. Nesse inconsciente estão armazenadas as
experiências acumuladas das gerações anteriores, inclusive os ancestrais
animais, sendo pois universais e evolutivas que formam a base da personalidade
e que são inconscientes. OS ARQUÉTIPOS
– Consistem em determinantes inatos da vida mental, que levam o individuo a
comportar-se de modo semelhante aos ancestrais que enfrentaram situações
similares. A experiência do arquétipo normalmente se concretiza na forma de
emoções associadas aos acontecimentos importantes da vida, tais como o
nascimento, adolescência, o casamento e
a morte, ou às reações diante de um perigo extremo. São, portanto, tendências
herdadas contidas no inconsciente coletivo que levam o individuo a comportar-se
de forma semelhante aos ancestrais que passaram por situações similares. Os
arquétipos ocorrem com mais frequência são a persona, a anima e o animus, a
sombra e o self. A persona seria a mascara que o individuo usa quando está em
contato com outra pessoa, para representá-lo na forma como ele deseja parecer
aos olhos da sociedade. A noção de persona é semelhante ao conceito sociológico
do desempenho de papel, em que a pessoa atua da forma como crê que as outras
pessoas esperam que ela atue nas diferentes situações. Os arquétipos da anima e
do animus refletem a noção de que cada individuo exibe algumas características
do sexo oposto. A anima refere-se às características femininas presentes no
homem, e o animus denota as características masculinas observadas na mulher. A
sombra é o self mais sombrio, consite na parte animalesca da personalidade. É
herdada das formas inferiores de vida, contendo as atividades e os desejos
imorais, violentos e inaceitáveis, comportamentos que não nos permitiríamos
ter. por isso, a sombra é a parte mais primitiva da natureza do individuo. Ela
pode ser positiva, quando responsável pela espontaneidade, criatividade,
insight e pela emoção profunda, características necessárias para o total
desenvolvimento humano. O self é o principal arquétipo integrando e
equilibrando todos os aspectos do inconsciente e proporcionando unidade e
estabilidade à personalidade. É um impulso de autorrealização, para a
harmonização, a completude e o total desenvolvimento das habilidades
individuais. Para ele a autorreliazação é atingida na meia idade, entre os 30 e
40 anos de idade, sendo, portanto, essa a fase mais importante para o
desenvolvimento da personalidade. A
INTROVERSÃO E A EXTROVERSÃO – Para Jung o individuo extrovertido libera
energia de vida que é a libido dentro dele, direcionando-a aos acontecimentos e
às pessoas do mundo exterior. O introvertido direciona a libido para o seu
interior. Esse tipo de pessoa é pensativo, introspectivo e resistente às
influências externas. O introvertido é mais inseguro do que o extrovertido ao
lidar com pessoas e situações, porém nenhum individuo é completamente
extrovertido ou introvertido. Dessa forma ele distingue as diferenças de
personalidade pela expressão além das atitudes introvertidas ou extrovertidas,
como também por meio das quatro funções: o pensamento, o sentimento, a sensação
e a intuição. Essas funções consistem em formas de orientação seguidas pelo
individuo para se comportar tanto diante do universo exterior objetivo, como
diante do universo interior subjetivo. O pensamento é o processo conceitual que
proporciona o significado e a compreensão. O sentimento é o processo subjetivo
de ponderação e avaliação. A sensação é a percepção consciente dos objetos
físicos. E a intuição envolve a percepção de maneira inconsciente. O pensamento
e o sentimento são modos racionais de reação que envolvem processos cognitivos
e de raciocínio e julgamento. A sensação e a intuição são consideradas
irracionais, por não envolvem o uso da razão. Dentro dessas funções, apenas uma
função é dominante porque é a combinação dessas funções dominantes com a
atitude dominante de extroversão e introversão que produzem os oito tipos
psicológicos. O TESTE DE ASSOCIAÇÃO DE
PALAVRAS – Foi desenvolvido por Jung ao usar uma lista de 100 palavras como
estimulo. Ele acreditava que essas palavras eram capazes de provocar emoções,
medindo o tempo que levava para o paciente responder a cada palavra, bem como
às reações fisiológicas da pessoa, para determinar a intensidade emocional das
palavras de estimulo. Esse teste influenciou o teste de personalidade indicador
de tipo Myers-Briggs, bem como a fórmula introversão-extroversão influenciou o
teste de inventário de personalidade maudsley, de Hans Eysenc. A PSICOLOGIA
DO INCONSCIENTE – A obra Psicologia
do inconsciente, de Carl Gustav Jung, traduzido por Maria Luiza Appy, trata de
temas que abordam a psicanálise, a teoria do Eros, a vontade de poder, os
problemas dos tipos de atitude, o inconsciente pessoal e o inconsciente
suprapessoal ou coletivo, o método sintético ou construtivo, os arquétipos do
inconsciente coletivo, a interpretação do inconsciente, as noções gerais da
terapia, os novos caminhos da psicologia, os primórdios da psicanálise e a
teoria sexual, entre outros temas. Veja mais aqui, aqui e aqui, aqui e aqui.ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA
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