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terça-feira, agosto 08, 2017

NÉLIDA PIÑON, ÍNDIOS & BOFF, GLÂNDULAS ENDÓCRINAS, HISTÓRIA, INTERNET & MÚSICA NA ESCOLA

SOMOS AS NOSSAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – O senso comum tem convencionado ser o cérebro o órgão mais importante do organismo humano. Pra quem não sabe, há quem diga que no topo da cabeça tudo é cérebro e, na verdade, não é bem assim. Contribuem para isso as visões mecanicistas, deterministas e fragmentadas das especializações médicas, bem como os manuais anatômicos, neurocientíficos, neurológicos, neupsicológicos e neuroanatômicos, tratando tudo por partes, separando e tratando uns de forma robusta quase beirando a absoluta verdade, enquanto outras são tratadas com meros registros, confundindo e produzindo conceitos que sequer representam uma mínima parte do que se aborda, fato que tem levado a equívocos e mal-entendidos. A despeito de tudo isso, adota-se uma perspectiva neuroanatomofisiológica, deixando claro que todo o corpo humano é uma maravilha, não havendo apenas um único órgão a se destacar, mas o todo, uma vez que cada uma das mínimas partes do corpo humano estão sistêmica, complexa e reciprocamente integradas e articuladas umas com as outras. Daí ser possível entender que não há uma ou outra parte com maior ou menor importância, tendo em vista que todas se encontram mutuamente interagindo. A guisa de modesto esclarecimento, faz-se necessário observar que o Sistema Nervoso é dividido em duas partes: os Sistemas Central e Periférico. O Sistema Central é composto pelo encéfalo - do qual o cérebro é um dos seus componentes -, e a medula espinal. E o Sistema Nervoso Periférico é composto por nervos, gânglios e terminações nervosas. Do ponto de vista funcional, destaca-se que o Sistema Nervoso é dividido em somático e visceral, e ambos são subdivididos em aferentes e eferentes. Convém enfatizar que no Sistema Visceral eferente encontra-se o Sistema Nervoso Autônomo que é dividido em Simpático e Parassimpático, importante para o fator homeostático, ou seja, para o equilíbrio de todas as atividades do corpo humano. É preciso articular a este Sistema Autônomo, um outro que se encontra completamente esparso e quase desarticulado de todo sistema nervoso na maciça maioria dos manuais: o sistema endócrino. A importância do conhecimento acerca das glândulas endócrinas se torna relevante, tendo em vista que são as mesmas responsáveis por grande parte, senão por todo funcionamento do corpo humano. Este sistema é formado pelas glândulas pineal, pituitária ou hipófise, tireóide, supra-renais, gônadas, timo, pâncreas, entre outras. Veja-se, por exemplo, a glândula pineal, conhecida como o terceiro olho, portal entre os eus psíquico e físico, representando por isso a consciência e o físico de expressão como um transformador que processa a transferência da inteligência psíquica para a objetiva. A hipófise ou pituitária é considerada a principal de todo sistema, atuando no desenvolvimento e crescimento, na regulação do sono, no esforço contínuo, na cura de doenças e na sexualidade. A tireóide atua no crescimento e na pele, cabelos e produção de energia, afetando todos os hábitos físicos e mentais. As paratiroides atuam no equilíbrio e controle nervoso e muscular, regulando o fluxo entre os sistemas nervosos simpático e espinal, aliviando a dor e no estabelecimento de uma condição harmônica. As supra-renais atuam nos músculos, nos sistemas circulatório e digestivo, bem como na pressão sanguínea e como centro das emoções. O pâncreas atua no metabolismo do açúcar por ser a sede da insulina, tão necessária ao corpo físico. As gônadas são as glândulas sexuais, ou seja, os ovários, seios e útero na mulher, e os testículos, pênis e próstata no homem, desenvolvendo o papel da geração e da reprodução. O timo atua na defesa e manutenção de ordem física do corpo, controlando os testículos e o ovário, interagindo com todas as outras glândulas, além do mais, articulado com a hipófise e as gônadas, envolve tanto a sexualidade como a homossexualidade. Vê-se, outrossim, a quantidade de inúmeras interlocuções e correlações existentes nas glândulas entre si e os demais órgãos e atividades do corpo humano. Além do mais, estudos médico-científicos assinalam que o desenvolvimento adequado ou inadequado de cada uma dessas glândulas, influencia diretamente na personalidade individual, definindo-se comportamentos e condutas pelas quais cada um de nós somos identificados na vida cotidiana. Essas pesquisas chamam atenção de médicos, psicólogos, professores e sociedade em geral, no sentido da necessidade de se estudar e compreender o funcionamento das glândulas endócrinas, para melhor entendimento acerca dos diversos comportamentos e patologias que acometem de forma diversa o ser humano. Assinalam conclusivamente estes estudos que nós somos as nossas glândulas endócrinas, entendidas como sendo os centros psíquicos, pelos quais podemos nos tornar os arquitetos do nosso próprio destino, ou adversamente malfeitores, ditadores ou malévolos, por conta do seu funcionamento inadequado ou insatisfatório. Por essa razão, asseguram que uma forma de promover o equilíbrio e a ativação de todas as glândulas endócrinas satisfatoriamente para plenitude da saúde, é a manifestação da alegria, esperança, amor, fervor espiritual e outras emoções inspiradoras. Trata-se, portanto, de uma condução de suma importância diante uma realidade sobrecarregada de situações desalentadoras, depressivas, imprevisíveis e adversas que tanto permeiam a atualidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: Sistema Endócrino

AS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – [...] É raro no ser humano glândulas endócrinas normalmente equilibradas: existem tantos tipos diferentes de desequilíbrio quantas glândulas endócrinas há. Nosso ambiente e as possibilidades de expressão ainda são por demais inibidores. Quando um homem conseguir a liberdade por que tanto anseia, então, sim, encontrará o verdadeiro equilíbrio. [...]. Nossas invejas, ódios, medos, luta pela riqueza, pelo poder, pela posição, nossos desejos carnais e as superstições apelam para o suprimento da secreção adrenal – a secreção da luta ou da atividade – até que as glândulas se esgotam [...]. Cada passo da rotina cotidiana da vida, cada fase da felicidade, de pensamento ou sentimento, é um episódio da reação endócrina do indivíduo. [...] As endócrinas formam a mente e também o físico. Sua evolução depende das atividades dessa glândula. [...] Um desejo jamais nasce apenas do cérebro, pois este não tem o poder de se carregar de energia. Ele só pode armazenar e transmitir, pois a fonte de energia está nas glândulas endócrinas. [...] O cérebro, ou órgão pensante, é formado e ativado pela presença de iodo, que dá condutividade elétrica, e do fósforo, que é um dos ingredientes mais vitais do cérebro. Estes são fornecidos pela glândula tireóide, e para isso ela tem de ser sadia. [...]. o cérebro ou a mente racional é o local de gravação ou o órgão transmutador e, tal qual o disco fonográfico, só pode registrar os impulsos que lhe são enviados e transmitir o que foi meditado e registrado. [...] Quando a sociedade alcançar uma atitude mental pura com relação ás funções da vida, e quando a matéria da saúde normal puder ser ensinada nas escolas de modo que as crianças adquiram uma visão geral das forças construtivas existentes dentro delas – as glândulas endócrinas -, então as ralas futuras tornar-se-ão mais desenvolvidas mental e espiritualmente, pois compreenderão seus impulsos e controlarão e usarão com inteligência as forças interiores que lhes foram dadas por Deus. [...]. Trechos extraídos da obra As glândulas: nossas guardiães invisíveis (Renes, 1977), do médico e cientista estadunidense M. W. Kapp. Veja mais aqui & aqui.

CIÊNCIA & QUESTÕES PSIQUICAS – [...] Milhões de pessoas pensam que quando estamos tratando de questões psíquicas, estamos lidando com coisas sobrenaturais e não-científicas, que nenhuma relação têm com as verdades cientificas. Realmente, a pessoa comum parece pensar que uma ocorrência psíquica, de qualquer natureza, é contraditória à ciência, ou uma exceção às leis cientificas. Enquanto o mundo tiver esta opinião comum quanto às questões psíquicas e os princípios psíquicos, os buscadores terão de lutar contra a ignorância e as trevas [...] que os princípios psíquicos verdadeiros são, também, fatos científicos. [...]. Trechos extraídos da obra Ensaios de um místico moderno (Renes, 1965), do escritor, ocultista e místico Dr. Ph.D Harvey Spencer Lewis (1883-1939), Veja mais aqui, aqui & aqui.

O TEXTO VIRTUAL E OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO - [...] O fenômeno da internetização e, consequentemente, por força do emprego das novas tecnologias da informação, da hipertextualização, por exemplo, permite uma coleção de informações multidimensionais disposta em rede para a navegação rápida e intuitiva [...] A comunicação eletrônica e seus múltiplos recursos ainda não são totalmente conhecidos, mas é para esse processo que mergulhamos e para o qual estamos destinados no século XXI, quando importantes transformações científicas darão suporte às novas aspirações de autores e profissionais, cada vez mais ansiosos. [...]. Trechos extraídos da obra O texto virtual e os sistemas de informação: nova leitura das propostas de Ítalo Calvino (Thesaurus, 2005), de Elmira Simeão e Antonio Miranda. Veja mais aqui & aqui.

LIBERDADE INDÍGENA - [...] O que mais apreciamos e mais nos falta nos tempos atuais é a liberdade. A complexidade da vida, a sofisticação das relações sociais, o crescimento gigantesco das instituições e a inundação desenfreada das informações geram sentimentos de prisão e de angústia. Parece-nos que a liberdade foi enviada ao cativeiro. E como ansiamos pela liberdade, o dom mais precioso, pelo qual construímos a nossa identidade e moldamos nosso destino! [...] Essa liberdade, sonho dos redimidos, parece uma utopia, mas nossos índios mostram sua possibilidade e também sua ridente realidade. Trechos extraídos da obra O casamento entre o céu e a terra: contos dos povos indígenas do Brasil (Salamandra, 2001), escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff. Veja mais aqui, aqui e aqui.

MÚSICA NAS ESCOLAS - [...] É preciso, em nome do resgate da alegria escolar, tomarmos consciência das verdadeiras carências pedagógicas no domínio do ensino musical e projetar um plano estratégico, transparente e inovador, que tenha objetivos claros e bem definidos que possam ser efetivados no cotidiano da vida escolar. [...] Se o verdadeiro objetivo é aproximar o aluno da música, levando-o a gostar de ouvi-la, apreciá-la e compreendê-la, é preciso, com urgência, preencher o vazio musical no cotidiano escolar, o qual, ao mesmo tempo, como num acellerando, deixa-se escapar aos nossos olhos e, como num allargando, deixa-se escapar aos nossos ouvidos. Não podemos permitir que a música se cale nas escolas brasileiras. [...]. Trecho da obra O ensino de música na escola fundamental (Papirus, 2003), da pianista e professora Alicia Maria Almeida Loureiro. Veja mais aqui.

A HISTÓRIA DE HOJE - [...] Atualmente, já não aceitamos uma narrativa história cujo ritmo seja marcado apenas, e principalmente, por dinastias, batalhas, ministérios, tratados, etc.; o quadro que se vislumbra, após um estudo deste tipo, parece-nos por demais estreito. Além de grandes personagens e grandes acontecimentos políticos – na verdade, mais do que a estes – aspiramos conhecer para cada período e cada sociedade, o quadro técnico, econômico, social e institucional; as pulsações conjunturas; os movimentos da população; a vida das grandes massas; e não somente a dos grupos dominantes; os movimentos e relações sociais; a psicologia coletiva. E não apenas a dos “personagens históricos”. Ainda mais, aspiramos entender os mecanismos que explicam as concordâncias e discordâncias existentes entre os diversos níveis de uma determinada sociedade, queremos ter desta uma imagem tão integrada e global quanto possível. Do acontecimento à estrutura; da curta à longa duração; do individual ao coletivo: em todos os planos considerados será fácil constatar o processo de ampliação e aprofundamento que caracteriza a visão atual da história. [...]. Trecho extraído da obra Os métodos da história (Graal, 1983), de Ciro Flamarion Cardoso e Héctor Pérez Brignoli. Veja mais aqui.

OS MISTÉRIOS DE ELEUSISEleusis tinha o hábito de morrer. Assumia diariamente novas formas. Um espetáculo a que eu ia me acostumando. Sem jamais saber se ela era o gato de plumas leves, vapor de ácido, que me contemplava. Ou havia se transformado em água de um rio em tormenta, para deste modo viver um estado difícil. Sempre lhe perguntei se não seria esta dor exagerada. [...] Então eu a imaginava convertida em tudo que lhe acendesse a paixão, sem poder resistir à tentação de se provar, e sair forte. Seu amor pelos solos estranhos haveria de prevalecer. Mas ela não aproveitava da minha ausência. Bastava olhar para ela. E por muito tempo viveu assim. Em nenhum momento pretendeu transferir-se para outra terra, ou mencionou a riqueza de outrora, ainda que eu a estimulasse. No entanto, agora que não deixava a casa, eu não a sentia minha. [...]. Trecho do conto Os mistérios de Eleusis, extraído da obra Sala de armas (Aché, 1973), da escritora Nélida Piñon. Veja mais aquiaqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem do artista plástico Élon Brasil
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segunda-feira, dezembro 14, 2015

FONTE, BOFF, JOHN MILTON, ALCÂNTARA MACHADO, ARTUR AZEVEDO, NÁ OZZETTI, LUCIAH LOPEZ & MUITO MAIS!




VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FONTE – A HISTÓRIA DA CANÇÃO - Foi na surpresa de uma manhã na segunda metade dos anos 1980, quando ela chegou na minha timidez: - Eu amo você! E não previa tal fato no meio do passeio público, transeuntes em volta, a vida agitada correndo louca e tascou-me um beijo tão possessivo quanto verdadeiro que jamais pude esquecer. Senti seus ávidos lábios salientes a dar-me com prazer o que a solidão me negava a todo momento e nos fizemos juntos por dentro da tarde até saber-lhe os segredos possíveis da primeira vez. No segundo encontro ela deu-me a alma e a calcinha: - É tudo seu. E me deu seu corpo com todas as vestes de suas encarnações. Eu já me tinha embalado em versos a solfejar a querer que ela viesse nua de manhã plantar a luz do sol com sua fonte a minar e em mim se escorrer... e se escorreu e toda manhã ela abria os braços e me guardava no refúgio de sua intimidade mais secreta até ter-lhe o âmago inteiro desvelado sobre a minha cupidez. E aguando com ternura a nossa emoção para lá de cobiçada, nascemos e renascemos todos os dias um no outro para que o amor nos desse a vida plena para amar. E beijei-lhe o ventre e ela se lambuzou no meu, como se mergulhássemos no gozo do rio pro orgasmo do mar. E nos fizemos ondas a rolar os dias e todas as nossas sensações. E foi demais na alma, no corpo, no sexo e nos beijos de todos os afagos e delícias. O tempo ruía pra nós como se tudo desexistisse enquanto ela me prendia entre as pernas, sexo no sexo, exigindo que eu lhe fizesse um poema em canção, uma poesia no seu corpo, um canto na sua alma. – Faça! E quanto mais usufruía dos seus encantos, todas as palavras se soltavam e saltavam do prazer dela para me fazer poeta da sua canção, escritor da sua alma, o cantor da sua vida. E nos incendiávamos de gozo a misturar a voz com os grunhidos de sua aflição para superar a foz que nos desse por limite o sedento de infinito pra diluir-se em flor e quando eu chegava ao ápice ela se fazia mãe com todos acalantos que eu nem sabia, pra me fazer menino na sua púbis e a me beijar até que da próxima vez não fosse o fim e que pudéssemos ir além do já fomos para sermos maiores e superiores que tudo que possa existir. E beijava meus olhos e lambia minhas mãos, tórax, língua na minha pele e por toda carne para ter em si meu gosto e eu o seu querer. Ah, era tudo demais. Muito demais. E a noite era dia e o dia a tarde e a tarde o mundo e o universo todo no seu corpo. E isso foi todas as manhãs, todas as tardes e todas as noites por anos seguidos. Nunca me senti tão poderoso, tão dono do pedaço com sua servidão que me fez senhor de tudo pela primeira vez. Ela era o meu cajado e nela tudo era possível desde as mais priscas eras até o mais remoto futuro. Ela se fez meu violão para dela tirar todas as notas e acordes e me deu uma canção pronta que exalou do seu corpo e me fez cantá-la sexualmente todas as manhãs, tardes e noites no seu voluptuoso prazer. E me fez menino por seus mimos no meu sexo, por seus beijos e carícias, e me fez amante pras suas caprichosas encenações de poderio querendo mais do que imaginava poder lhe dar. E me fez homem adulto como quem quisera uma segurança de guerreiro viril; e me fez seu escravo nas horas de se entregar para me dar o prazer até então nunca sentido. E foi assim por anos. A sua entrega além do silêncio até o meu domínio por completo e o seu gozo mais que desesperante e satisfatório. Chamei-lhe Raoom, dei-lhe uma canção e lhe escrevi a Paixão Legendária. Não só tenho história pra contar, eu vivi e amei. Veja o clipe da canção aqui ou aqui. E mais aquiaqui, aqui e aqui.


Imagem: After The Bath, da artista plástica estadunidense Mary Minifie.


Curtindo o álbum Embalar (Circus Produções, 2013), décimo disco da cantora e compositora Ná Ozzetti.

A ÁGUIA E A GALINHA – O livro A águia e a galinha – a metáfora da condição humana (Vozes, 1997), do escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff, está dividido em sete capítulos contando a história de uma águia criada como uma galinha, questionando em como equilibrar essas duas dimensões e como impedir que a cultura da homogeneização afogue a águia dentro de nós e nos impeça de voar. Da obra destaco o trecho Todo ponto de vista é a vista de um ponto: Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para . entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita. Com estes pressupostos vamos contar a história de uma águia, criada como galinha. Essa história será lida e compreendida como uma metáfora da condição humana. Cada um lerá e relerá conforme forem seus olhos. Compreenderá e interpretará conforme for o chão que seus pés pisam. Os antigos bem diziam: habent sua fata libelli, os livros têm seu próprio destino. Tinham razão, porque o destino dos livros está ligado ao destino dos leitores. E aí entram em cena a águia e a galinha, carregadas de significação, como veremos ao longo de nossa história. Esperamos que para você a águia e a galinha se transformem também em símbolos e sacramentos da busca humana por integração e por equilíbrio dinâmico. Desejamos que a águia sepultada desperte e voe, ganhando altura e ampliando os horizontes de sua releitura e compreensão de você mesmo e do mundo. Convidamos você a fazer-se, junto com as forças diretivas do universo, criadora/co-criadora do mundo criado e por criar. Veja mais aqui e aqui.

MANA MARIA – O livro Mana Maria (José Olympio, 1936), é um romance inacabado do escritor Alcântara Machado (1901-1937), do qual destaco o trecho do capítulo I: - Vá perguntar pra mana Maria. Era assim desde que a mãe morrera. Era assim a propósito de tudo. Mana Maria é que resolvia, mandava, punha e dispunha, fazia, desfazia. E Ana Teresa obedecia. Quando Dona Purezinha morreu, deixou Ana Teresa com dez anos. Tinha duas tranças compridas e com uma delas quis enxugar as lágrimas diante do cadáver da mãe. E foi ai que sentiu pela primeira vez a nova autoridade. Mana Maria deu um puxão na trança e lhe pôs um lenço na mão: - Enxugue com o lenço. Lenço seco. De fato a coragem de mana Maria foi uma coisa que admirou toda a gente. Não derramou uma lágrima. Não teve um gesto, uma expressão de sofrimento. Ninguém esperava tanta fortaleza de ânimo num corpo tão franzino. Dona Purezinha agonizou seis meses com um cancro no piloro. Era gorda, foi ficando magrinha. Também era boa, paciente, e foi ficando má, impertinente. Parecia que tudo nela morria, menos os olhos que enxergavam uma sombra de poeira na cômoda e os ouvidos que percebiam lá longe, na cozinha, o bater de um prato na pia. Em torno dela foi se fazendo um silêncio que já era de túmulo. Primeiro se suprimiu o piano de Ana Teresa. Para ela foi uma alegria. Mesmo a aula de Português, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Religião, Desenho e Caligrafia, tudo ensinado por Dona Mercedes, passou para o porão. No porão vivia. Subia para almoçar, lanchar, jantar, dormir. Fora disso, mal punha os pés na escada que conduzia â copa, uma criada, a irmã, o pai, alguém falava: - Não venha que mamãe está doente. Era o estribilho. Pegava no voador, rodava dez metros no cimento do jardim, uma janela se abria: - Não faça barulho! Mamãe está doente! Na mesa, não queria sopa ou queria pão com manteiga e açúcar: - Seja boazinha. Olhe que mamãe está doente. Aos poucos se habituou. Ficava no quarto grande do porão horas e horas vendo a arrumadeira passar roupa. Também ia visitar o galinho garnisé. Corria atrás dele, ele não se deixava pegar, ela dizia: - Não faça barulho que mamãe está doente. Até que chegou também o dia do garnisé. O canto dele incomodava Dona Purezinha. Foi para a faca. E Ana Teresa nem direito de chorar teve porque mamãe estava doente. Já era sossegada de natureza, ficou uma santinha na opinião da cozinheira. Parecia gente grande. Amorteceram com algodão a campainha da entrada, a campainha do telefone. Todos se entendiam por gestos. Joaquim Pereira pensou até em imitar o vizinho senador que quando a mulher esteve para morrer arranjou uns grilos que não deixavam os choferes tocarem cláxon nas imediações. Mas desprovido de qualquer influência política desistiu da ideia. Ana Teresa passou a fazer parte do silêncio: se perturbava quando falavam perto dela. Quase no ouvido da professora segredava as capitais dos Estados do Brasil. E ficou com o hábito de responder movendo a cabeça, sacudindo os ombros, movendo as mãos. A boniteza dela não entristeceu: ficou indiferente, perdeu a vivacidade, ficou distante. Uma madrugada mana Maria acordou Ana Teresa. Como estava, de camisola e descalça, foi levada até o quarto de Dona Purezinha. O pai a ergueu nos braços, molhou de lágrimas o rosto dela, abraçou forte, beijou muito a filha. Depois falou: - Venha beijar sua mãezinha que foi pro céu. No quarto estavam um padre, o médico, a enfermeira, tio Laerte e a mulher dele, tia Carlota. Ana Teresa sacudida pelo choro agarrou na mão da morta, deu um beijo. Porém silencioso. Alguém falou: - "Pobrezinha". Com certeza tia Carlota que a tirou do quarto. Ana Teresa viu no fundo do corredor uma vela acesa nas mãos de mana Maria. Teve medo, dobrou o braço no rosto. Voltou carregada pro seu quarto. Ainda ouviu mana Maria falar: - É bom que tio Laerte vá encomendar o caixão. Na hora do enterro é que mana Maria não a deixou enxugar os olhos com a trança. Foi o primeiro gesto de mando. E por isso Ana Teresa nunca mais esqueceu dele. Era um quadro que ela via sempre. Sobretudo de noite, no escuro, de olhos fechados, na cama: a sala repleta, o caixão muito alto e florido, a cara barbuda do pai, o jeito duro com que mana Maria lhe puxou a trança, lhe deu o lenço. Lenço seco. E três dias depois, logo de manhã cedo, Ana Teresa teve a revelação física de mana Maria. Até então nunca reparara direito na irmã. Quer dizer: reparara sim, mas sem compreender. Nessa manhã ela principiou a compreender. Pela primeira vez a viu de óculos. E isso já foi uma surpresa. Nunca suspeitara da existência daqueles óculos de aros de tartaruga. Nunca, nunca mana Maria pusera os óculos na presença dela. Pois mana Maria a recebeu assim, de óculos. Estava com a costureira e mandara chamar Ana Teresa para tomar as medidas. Ana Teresa ficou em pé, no meio do quarto, imóvel, com os olhos nos óculos. A arrumadeira entrou, Ana Teresa olhou para ela e viu também nos olhos dela a mesma surpresa dos óculos. Nunca, nunca mana Maria aparecera de óculos para ninguém. Ana Teresa se deixou dominar por aqueles vidros redondos, aqueles aros de tartaruga manchada. Sentiu a autoridade daqueles óculos. Aumentou nela o respeito que já tinha pela irmã mais velha e que a levava instintivamente a chamá-la mana Maria. Não Maria simplesmente. A irmã, quinze anos mais velha, impôs-se desde logo ao respeito de Ana Teresa. E esse respeito se exprimiu como de regra por um título: mana Maria valia por Doutora Maria, Excelentíssima Senhora Baronesa Maria, Sua Majestade a Rainha Maria. Sempre a chamou assim. [...] Veja mais aqui.

PARAÍSO PERDIDO – A obra poética do século XVII, Paraíso perdido (Paradise Lost, 1667), do poeta, polemista e intelectual inglês John Milton (1608-1674), foi construída em dez cantos e, posteriormente, em doze cantos em memória à Eneida de Virgilio, descrevendo a história cristã da queda do homem, através da tentação de Adão e Eva por Lúcifer e a sua expulsão do Jardim do Éden. Da obra destaco o trecho do Livro I: Proposição do assunto do poema: a desobediência do homem, resultando-lhe daqui a perda do Paraíso em que fora colocado; a Serpente, ou antes Satã dentro da Serpente, motivou esta desgraça, depois que ele, revoltando-se contra Deus, e metendo em seu partido muitas legiões de anjos, foi expulso do Céu e arrojado ao Inferno com toda essa multidão por ordem de Deus. Depois lança-se logo o poema para o meio do assunto, e mostra Satã com seus anjos dentro do Inferno, descrito não no centro da criação (porque Céu e Terra devem então supor-se ainda não feitos), mas nas trevas exteriores mais propriamente chamadas Caos. Ali Satã, boiando com seu exército num mar de fogo, crestados todos pelos raios e perdido o tino, afinal torna a si como de um letargo, chama pelo que era o seu imediato em dignidade e poder, e que ali perto jazia; conferem ambos acerca de sua miserável queda. Satã brada por todas as suas legiões que até então se conservavam na mesma confusão e letargo: levantam-se elas; mostra-se o seu número e ordem de batalha; dizem-se os nomes de seus principais chefes que correspondem aos ídolos conhecidos depois em Canaã e países adjacentes. Satã dirige-lhes a palavra, anima-os com a esperança de ainda reconquistarem o Céu, e ultimamente noticia-lhes que vão ser criados um novo mundo e nova qualidade de criaturas, atendendo a uma antiga profecia ou rumor em voga pelo Céu (pois que, segundo a opinião de muitos antigos Padres, existiam os anjos muito antes da criação visível). Para achar a verdade desta profecia e o que se há de fazer depois, ele convoca uma plena assembleia. Procedimento de seus sócios. O Pandemônio, palácio de Satã, ergue-se subitamente construído no Inferno; os pares infernais ali se assentam em conselho. Do homem primeiro canta, empírea Musa, A rebeldia — e o fruto, que, vedado, Com seu mortal sabor nos trouxe ao Mundo A morte e todo o mal na perda do Éden, Até que Homem maior pôde remir-nos E a dita celestial dar-nos de novo. Do Orebe ou do Sinai no oculto cimo Estarás tu, que ali auxílios deste Ao pastor que primeiro aos escolhidos Ensinou como do confuso Caos Se ergueram no princípio o Céu e a Terra? Ou mais te agrada Sião e a clara Siloé Que mana ao pé do oráculo do Eterno? Lá donde estás, invoco o teu socorro Para este canto meu que hoje aventuro, Decidido a galgar com vôo inteiro Muito por cima da montanha Aônia, De assuntos ocupado que inda o Mundo Tratados não ouviu em prosa ou verso. E tu mais que ela, Espírito inefável, Que aos templos mais magníficos preferes Morar num coração singelo e justo, Instrui-me porque nada se te encobre. Desde o princípio a tudo estás presente: Qual pomba, abrindo as asas poderosas, Pairaste sobre a vastidão do Abismo E com almo portento o fecundaste: Da minha mente a escuridão dissipa, Minha fraqueza eleva, ampara, esteia, Para eu poder, de tal assunto ao nível, Justificar o proceder do Eterno E demonstrar a Providência aos homens. Dize primeiro, tu que observas tudo No Céu sublime, no profundo Inferno, Dize primeiro a causa irresistível Que mover pôde os pais da prole humana, Em tão próspera sina, ao Céu tão caros, A apostatar de Deus que o ser lhes dera E a transgredir a lei que lhes ditara, Sendo só num objeto restringidos, No mais senhores do universo Mundo: Quem lhes urdiu a sedução malvada Que os lançou em tão feia rebeldia? O Dragão infernal. Com torpe engano, Por inveja e vinganças instigado, Ele iludiu a mãe da humana prole, Lá depois que seu ímpeto soberbo O expulsara dos Céus coa imensa turba Dos rebelados anjos, seus consócios. Confiado num exército tamanho, Aspirando no Empíreo a ter assento De seus iguais acima, destinara Ombrear com Deus, se Deus se lhe opusesse, E com tal ambição, com tal insânia, Do Onipotente contra o Império e trono Fez audaz e ímpio guerra, deu batalhas. Mas da altura da abóbada celeste Deus, coa mão cheia de fulmíneos dardos, O arrojou de cabeça ao fundo Abismo, Mar lúgubre de ruínas insondável, A fim que atormentado ali vivesse Com grilhões de diamante e intenso fogo O que ousou desafiar em campo o Eterno. Pelo espaço que abrange no orbe humano Nove vezes o dia e nove a noite, Ele com sua multidão horrenda, A cair estiveram derrotados Apesar de imortais, e confundidos Rolaram nos cachões de um mar de fogo. Sua condenação, porém, o guarda Para mais fero horror: e vendo agora Perdida a glória, perenal a pena, Este duplo prospecto na alma o punge. Lança em roda ele então os tristes olhos Que imensa dor e desalento atestam, Soberba empedernida, ódio constante: Eis quando de improviso vê, contempla, Tão longe como os anjos ver costumam, A terrível mansão, torva, espantosa, Prisão de horror que imensa se arredonda Ardendo como amplíssima fornalha. Mas luz nenhuma dessas flamas se ergue; Vertem somente escuridão visível Que baste a pôr patente o hórrido quadro Destas regiões de dor, medonhas trevas Onde o repouso e a paz morar não podem, Onde a esperança, que preside a tudo, Nem sequer se lobriga: os desgraçados Interminável aflição lacera E de fogo um dilúvio alimentado De enxofre abrasador, inconsumptível. A justiça eternal tinha disposto Para aqueles rebeldes este sítio: Ali foram nas trevas exteriores Seu cárcere e recinto colocados, Longe do excelso Deus, da luz empírea, Distância tripla da que os homens julgam Do centro do orbe à abóbada estrelada. Oh! como esse lugar, onde ora penam, É diverso do Céu donde caíram! Logo o monstro descobre a turba vasta Dos tristes que na queda tem por sócios Arfando em tempestuosos torvelinos Do undoso lume que hórrido os flagela. Próximo dele ali coas vagas luta O anjo, imediato seu em mando e crimes, Que foi chamado nas vindouras eras Belzebu, nome à Palestina grato. Então o arqu’inimigo, que no Empíreo Foi chamado Satã desde esse tempo, O silêncio horroroso enfim quebrando, Nesta frase arrogante assim lhe fala: “És tu, arcanjo herói! Mas em que abismo Te puderam lançar! Como diferes Do que eras lá da luz nos faustos reinos, Onde, sobre miríades brilhantes, Em posto tão subido fulguravas! Mútua liga, conselhos, planos mútuos, Esperanças iguais, iguais perigos Uniram-nos na empresa de alta glória; Mas agora a desgraça nos ajunta Deste horrível estrago nos tormentos! Caídos de que altura e em qual abismo Nos achamos aqui tão derrotados! Co’os raios tanto pôde o que é mais forte. Té’gora quem sabia ou suspeitava Dessas armas cruéis a valentia? Mas nem por elas, nem por quanta raiva Possa infligir-me o Vencedor potente, Não me arrependo, de tenção não mudo, Posto mudado estar meu brilho externo. Rancor extremo tenho imerso n’alma Pela alta injúria feita a meu heroísmo: Ele impeliu-me a combater o Eterno, E trouxe logo às férvidas batalhas Inúmera aluvião de armados Gênios Que dele o império aborrecer ousaram, E, a mim me preferindo, opor quiseram [...]. Veja mais aqui.

MAMBEMBE – Na burleta em três atos e doze quadros O Mambembe (1904), do dramaturgo, escritor e jornalista Artur Azevedo (1855-1908), destaco o quadro I do ato primeiro: Sala de um plano só em casa de dona Rita. Ao fundo, duas janelas pintadas. Porta à esquerda dando para a rua, e porta à direita dando para interior da casa. CENA I MALAQUIAS, moleque, depois EDUARDO. (Ao levantar o pano, a cena está vazia. Batem à porta da esquerda.) MALAQUIAS (Entrando da direita.) — Quem será tão cedo? Ainda não deu oito horas! (Vai abrir a porta da esquerda.) Ah! é seu Eduardo! EDUARDO (Entrando pela esquerda.) —Adeus, Malaquias. Quedê dona Rita? Já está levantada? MALAQUIAS — Tá lá dentro, sim, sinhô. EDUARDO — E dona Laudelina? MALAQUIAS — Inda tá drumindo, sim, sínhô. EDUARDO — Vai dizer a dona Rita que eu quero falar com ela. MALAQUIAS — Sim, sinhô. (Puxando conversa.) Seu Eduardo onte tava bom memo! EDUARDO — Tu assististe ao espetáculo? MALAQUIAS — Ora, eu não falho! Siá dona Rita não me leva, mas eu fujo e vou. Fico no fundo espiando só! EDUARDO — Gostas do teatro, hein? MALAQUIAS — Quem é que não gosta do que é bão? Que coisa bonita quando seu Eduardo fingia que morreu quase no fim! Xi! Parecia que tava morrendo memo. Só se via o branco do olho! E dona Laudelina ajoelhada, abraçando seu Eduardo! Seu Eduardo tava morrendo, mas tava gostando, não é, seu Eduardo? EDUARDO — Gostando, por quê? Cala-te! MALAQUIAS — Então Malaquia não sabe que seu Eduardo gosta de dona Laudelina? EDUARDO — E ela?... Gosta de mim? MALAQUIAS — Eu acho que gosta... pelo meno não gosta de outro... eu sou fino; se ela tivesse outro namorado, eu via logo. Aquele moço que mora ali no chalé azu, que diz que é guarda-livro, outro dia quis se engraçá com ela e ela bateu coa jinela na cara dele: pá... eu gostei memo porque gosto de seu Eduardo, e sei que seu Eduardo gosta dela! EDUARDO — Toma lá quinhentos réis. MALAQUIAS — Ih! Obrigado, seu Eduardo. (Vai a sair pela direita. Entra dona Rita.) DONA RITA — Que ficaste fazendo aqui, moleque? MALAQUIAS — Nada, não, senhora; fui abri a porta a seu Eduardo e ia dizê a vosmecê que ele tava ai. DONA RITA — Vai acabar de lavar a louça, mas vê lá se me quebras alguma coisa. (A Eduardo.) Não se passa um dia que este capeta não me quebra um prato... um copo... uma xícara... Vai! MALAQUIAS — Sim, senhora. (Sai pela direita.) [...]. Veja mais aqui e aqui.

LA MUJER SIN CABEZA – O filme La mujer sin cabeza (A mulher sem cabeça, 2008), da premiada cineasta argentina Lucrecia Martel, é um drama e mistério que conta a história de uma mulher que comete um acidente atropelando alguém na estrada, pelo qual ela se envolve de preocupações até achar ter esse mau momento acabado quando surge a notícia de uma descoberta macabra que revive todos os seus temores. Trata-se de um encantador filme realizado por uma cineasta que é meritória de aplausos reconhecidos pelos prêmios arrebatados. Veja mais aqui.


ENTREVISTA, VERSOS & BLOGS – (Imagem: Fotos do acervo de Luciah Lopez) Conheci a poeta e blogueira paranaense Luciah Lopez já faz um bom tempo, inclusive destacando seu trabalho poético nas minhas páginas. Costumo sempre visitar um de seus blogs, o Arquétipo, do qual destaco inicialmente o poema Mulher: Eu sou Aquela que você não vê / ___a que caminha sobre a Água e sobre o Fogo / e não teme o Vento que levanta as ondas / nem os Raios que acordam os medos / Sou a Hora dos dos teus Delírios / e dos teus Anseios de mais querer ____ sou endiabrado Ser que te persegue / Mulher de Ouro e Prata / de Fogo e gema preciosa____ sempre nas mãos os cabelos / à tecer o teu destino / (emaranhado, enovelado) preso no tear dos / fios e dos cílios de olhares enviesados / Eu sou a boca que te sorri / sou a Redenção da pele em Espasmo / sou a metade da tua Sombra e o Sal / do teu suor / Eu sou o Sono que espera o Sonho / sou o Caminho dos teus Pés / Sou o Tempo ante o tempo que te persegue. Também o delicioso poema Orgasmo: teu falo e teu falar / incendeiam o meu corpo / em ondas ora mansas ora tormentas à me embalar num possuir sem fim... / Teu falo / teu ferro em brasa; / tua marca na minha pele arde e dói enquanto me faz submissa à beijar te os pés... / Teu falo / me fala e deságua gametas em profusão / na fusão do gozo / orgasmo que é só meu. Por fim, o seu poema Vem, não demora: _________com o olhar percorro a distância / quilômetros de ansiedade a eriçar-me os pelos / e ferver o sangue / nas corredeiras sob a pele. / Meu corpo tenso__meu ventre em fogo / arde! / Te quero! / Vem, / ajuda-me a saciar a fome da sua pele / a sede do teu suor na minha língua / a minha boca engolindo a sua. / Não demora! / Vem, / traga o seu desejo / o seu sexo / a sua força / o seu corpo sobre o meu. / Traga a sua loucura / se deite com a minha insanidade / deixa as suas mãos me rasgando a carne / e sua boca balbuciando obscenidades / _______desrespeite a minha pureza! / Me segure / me bate / me morde / me lambe / não deixe nada no lugar / ...e antes que a noite termine, ; adormeça-me no teu peito nu. Depois desses deliciosos versos, ela me concedeu uma entrevista e pude reunir alguns de seus belos poemas selecionados por ela mesma. Veja a entrevista aqui.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da atriz e cantora inglesa Jane Birkin. Veja mais aqui e mais aqui, aqui e aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à atriz Adriana Alves, rainha da bateria da Unidos de Vila Maria e madrinha da bateria da escola de samba Pérola Negra.
 

segunda-feira, novembro 02, 2015

BOFF, VISCONTI, PSICODRAMA, NÚBIA MARQUES, PEDRO CABRAL & MUITO MAIS!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – PRA SABER VIVER NÃO BASTA MORRER – Pra mim tudo começa assim: um entre muitos milhões, sei lá, uma gota do oceano. Por aí. E aí, assim no monte, na tuia, a gente vai de correr no meio da boiada pra ver no que vai dar. Quando chega a hora, lá vai todo mundo encangado e levado na marra e só um acerta no alvo. Nove meses depois, lá tá a gente na vida com só uma certeza: a gente nasce pra morrer. Aí ensinam pra gente família, etiquetas pra ser gente – de preferência doutor de anel no dedo; andar na linha, ajuntar dinheiro – se possível do muito; andar todo de grife e não fazer papel safado; quando entrar não deixar rastro na saída; quando fizer, faça bem feito; evitar pessoas derrotadas e fugir de mau agouro, comprar uma casa – ou melhor, quantas puder; um carro – ou vários, porque quem tem um só não tem nenhum; sair de saia justa e evitar bronca, sem dar moleza pro azar– recomendável que seja livrado de tudo ileso e impune; tirar proveito de tudo que a vida é uma só; se peidar que seja bem educado; se fraquejar, dê a volta por cima; corra, senão o bicho pega; tenha fé em Deus e pé na táboa até que a terra lhe seja leve. Pronto. Afinal, cada um paga o que deve. Uns de morte morrida; outros, de morte matada. Pros de morte morrida a gente sempre arruma uma desculpa: falência múltipla dos órgãos, enfermidade tal, mas tão jovem, nossa, devia ter se cuidado, etc&tal. Pros de morte matada, que coisa ingrata, tão jovem, um futuro brilhante pela frente, uma bala perdida, um poste no caminho, uma avença mal resolvida e lá vai teibei. Por isso, hoje é dia de homenagear os entes queridos que se foram – e, também, os não tão queridos assim, né? Mas como a gente sabe que se nasce pra morrer, a sabedoria popular já ditou o riscado: pra morrer basta tá vivo! E fim de papo. Ora, o que isso quer dizer? Que se esqueceram de avisar que na vida a gente tem uma missão a cumprir. E é? Ou será que a vida é só nascer, crescer, foder e se lascar, crescer e escapar, envelhecer e babau?!? Pois é, não deve ser só pagar e passar troco, fazer os outros de otário, só se dar bem e ir só na boa, alimentar o umbigo pra resolver o que é seu e os outros que se fodam, e teréns e laralás pra no fim voltar ao que era: um entre muitos milhões, uma gota no oceano. Será? Se for assim, tudo bem – viva em paz e seja feliz ou não; se não, encontre sua missão e seja feliz para sempre, ora! E vamos aprumar a conversa aqui!

 Imagens: a arte do arquiteto, professor, artista plástico e escritor Pedro Cabral Filho. Veja mais abaixo.


Curtindo o álbum ao vivo Emerson, Lake & Palmer in Concert no Estádio Olímpico, Montreal (Atlantic Records, 1979), da banda de rock progressivo britânica Emerson, Lake & Palmer (ou ELP), formada por Keith Emerson (teclados), Greg Lake (guitarra, baixo e vocais) e Carl Palmer (bateria).

A POBREZA – No livro Teologia do cativeiro e da liberação (Vozes, 1980), do escritor, teólogo e professor universitário Leonardo Boff, encontro no capítulo XII - Pobreza e libertação: espiritualidade de compromisso e solidariedade, da qual destaco o trecho de A pobreza é um mal que ofende o homem e Deus não quer: [...] Sobre a pobreza reinam as mais confusas representações. Os vários níveis em que ela vem articulada se prestam a encobrir, às vezes, o seu verdadeiro cerne evangélico: assim o nível econômico-social, o nível espiritual, o nível pessoal, comunitário, político, etc.  Em primeiro ligar devemos manter claro que a pobreza não é nenhum valor em si mesmo. Pobreza concreta inclui míngua, fome, escravidão à doença e a toda sorte de limitações que poderiam ser superadas pela ausência da pobreza. Não raro faz-se uma reflexão mística sobre ela sem se advertir realmente o que está se dizendo. Como afirma com acerto Berdiaeff, o problema de nossa própria pobreza se apresenta como uma questão material, enquanto para os outros apresenta-se como um problema espiritual. Em outras palavras: quando realmente a pobreza nos assola e sofremos suas limitações, esquecemos todas as considerações místicas. Batemos no concerto, na infraestrutura da vida humana. [...] O homem foi feito senhor e não escravo da terra. [...] Pobreza e riqueza são geradas dentro de um certo tipo de relacionamento entre as pessoas na mediação dos bens materiais. Pobreza e riqueza possuem uma relação dialética; se implicam mutuamente. A pobreza é empobrecimento; a riqueza é enriquecimento. Há uma riqueza que se constitui fazendo outros pobres, debulhando-os, tirando-lhes a dignidade, roubando-lhes os bens e com isso privando-os das condições materiais para serem dignamente homens. A pobreza denuncia a presença de injustiça e a existência de uma riqueza desonesta. Semelhante pobreza que significa empobrecimento é resultado da desmesurada ganancia de ricos. Ela não é nenhum bem, porque se deriva de um mal. [...] Não é por causa desta dignidade humana vivida e conservada apesar do mal da pobreza que vamos ideologicamente justiçar a pobreza. Antes pelo contrário: por causa da dignidade inviolável de cada pessoa devemos combater a pobreza, não para contrapô-la à riqueza e propor que riqueza como ideal, mas para buscar relações mais justas entre os homens que impeçam a emergência de ricos e pobres. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DIONÍSIO – No livro Dente na pele (Achiamé, 1986), da escritora, professora e ativista política feminista Núbia Marques (1927-1999), encontro o belíssimo conto Dionísio: Tenho a impressão que Dionísio vem numa boa para me ver. Tive pressentimento, quando desligue o telefone. O tom baixo e quase sensual de sua voz deixa-me com uma pontinha de excitação. “Jocasta, posso ir aí hoje?” Claro, pode, então, por que esta pergunta de menino traquino e sonso? Tudo passa na minha mente como num cinema. as imagens em preto e branco, filme um tanto ou quanto desenxabido. De colorido só mesmo nossos corações. E que flores brotam dos meus peitos, dos meus olhos de, ah! Não quero ser pornográfica. Deixe pra lá muitas explicações dos sentimentos que ainda caminham pelas horas na espera muito gostosa da noite. Há tempo. Haja relógio e o caminhar quase lento das hroas, quando fico em casa presa à mesa, aos jarros com flores, ao espelho. O sabonete, a toalha de banho. Já estou pensando numa canção que diz “eu quero ser o seu sabonete, quero ser sua toalha” e por aí vai. Só não se quer se a proteção e o carinho de ninguém. E lá vem aquela de chupar tudo que cai em nossas mãos. Comer na voracidade de alimentar-se ao máximo de tudo e de todos. Quando menos se espera não se comeu o outro, mas fomos comidos. Lá está o rombo no peito, e a jugular escorrendo morno de nossas artérias. Mortos de susto nos agarramos às paredes, tontos de decepção. Puxa, eu ia comer e fui comida! Zorra de exploração. O trogloditismo da sociedade do amor descartável está se tornando um campo de luta física. O encontro amoroso voa pelos ares. Salve-se quem puder. Não, a voz de Dionisio, tão macia e com aquele tom picante de quem está afim de mim, hoje à noite, não pode caber engano. O mundo está de pernas para o ar, mas nós nos entendemos tão bem! Desde o olhar malicioso que Dionisio me lançou na festa, tudo me parece particular, diferente. “Jocasta, se eu lhe disser que estou amarrado em você:” Verdade, Dionísio? “Sim, verdade, você duvida?” Os olhos dele dirigidos a mim, parecem dois sóis entardecidos, me dão confiança de que não vai ser encontro fortuito e descompromissado. Não sei, mas acho Dionísio tão diferente do bando de desorientados que vive por aí. O gesto que Dionísio faz com a mão é muito partilhar. Sempre tem um toque preciso, ou direção certa par aa expressão. Depois, o queixo quadrado, que ele tem é um sarro! Bem, não é só isto. Não se pode explicar com detalhes a gamação. Estamos gamados um pelo outro. Melhor de tudo é que Dionisio não dá a menor importância à idade que a mulher tem. Até penso que ele gosta da que tem ar de ser sua mãe. E olha a Jocasta aqui! Passo pelo espelho, jogo meus olhos em direção ao cristal. Faíscas luminosas espelham-se no ar. Ajeito meu vestido. As flores do vaso parecem tristes. Remanejo-as. Ponto a ponto vou tomando as providências cabíveis para o encontro não tanto mitológico. Dionisio deve ter, pelo menos, certo compromisso com o seu nome. Já vi muitos contrastas. Um colega que tinha o nome de Hércules, era mais frágil do que caniço de pântano. Um menino com quem brinquei na minha infância, no colégio primário, chamava-se Aristóteles, mas vá ser tapado assim no raio que o parte. Não, Dionísio tem um ar bem gostoso, tem sabor de vinhos e de alegra. Trim... trim... corro até o telefone. “Jocasta, posso chegar aí?” por que pergunta? “Quero vê-la o mais breve possível, acho que estou tenso, saudoso, excitado e quero pôr termo a este estado inexplicável”. Ah! Bobinho, não precisa ficar assim. Hoje cada um de nós é mais ou menos tenso. Não entre nesta de tensão, que você finda caindo na crise existencial. Aí, meu filho, é uma zoeira sem limite. Crise existencial é mesmo que dor de cotovelo, não tem doutor que dê jeito. Só depois que a gente assume a crise é que passa. “Chego já aí”. “Tudo bem, um beijo”. Puxa, meu coração começa a bater fortemenete. Qual é essa de marinheiro de primeira viagem! Não tem graça, Jocasta, você entrar nessa. Meus órgãos parecem caixinhas desarrumadas. Respiro fundo. Pego no bar um Martini seco, coloco duas pedras reluzentes de gelo, rodopia-as com a mão. Cruzo as pernas e começo a balança-las, levemente, enquanto estudo algumas posições de estátuas gregas. Programada, a música em surdina é detalhe importando. A luz morta e amarela do canto da sala é melhor. Acendo-a. o coração começa a gongar. Ziriguidum, ziriguidum. Porcaria de expectativa. Beberico aos poucos o Martini. Consulto o relógio. Puxa vida! Será que Dionisio parou numa bacanal? Não é possível, a voz dele me dava certeza absoluta da sua vinda. Chego até a vidraça da janela, espreito a rua. Ninguém passa. Silêncio. Também, já 23 horas, esta província é de amargar. Viver nela é tarefa para atletas do quilate de correr q5 quilômetros, em 14 minutos. Volto ao sofá, descanso o braço na poltrona, fico olhando a unha do meu pé, esmaltada. Exatamente por isto estou convicta de que enxergo um palmo além do nariz, um não, muitos. Que bom! Logo, não vou enganar-me com Dionísio. Sobressalto-me, batem à porta. O olho mágico indica a presença de Dionísio. Abro a porta lentamente. Ele me segura pela mão, me enlaça nos seus braços e vamos entrando na minha sala quase alcova. Seu olhar demorado, suas mãos inquietas inflamam sentimentos represados no esbarro que damos todos os dias com acontecimentos insólitos. De repente a sala toma um tom azul-marinho, profundo. Caminhamos como velejadores submersos de um submarino. Tons violáceos cobrem o espelho bem grande da sala. Um Olimpo indisfarçado retoma o tempo e o nosso espaço. “Jocasta, estou muito confuso. Não sei o que há comigo. Tive um dia de muito trabalho. Quase fui assaltado na rua”. Um longo beijo nos une. “Jocasta, estou tão tenso”. Eu entendo tudo. Não tem importância. O sol da manhã lambe meus pés ainda calçados. Nos meus cabelos em desalinho o vento passa, lento. Dormi fora da cama. Levanto-me, penso, estou atrasada para o trabalho. Hoje é domingo. Volto ao sofá, deito-me, meus olhos estão vazados pela claridade da manhã que desbaratou a noite. “Jocasta!” Quem me chama? Veja mais aqui.

POIS É – Eis um sujeito dos bons de arretado que tenho o maior prazer de gostar no coração e de grátis: o arquiteto, professor, artista plástico e escritor Pedro Cabral Filho. Esse cabra do bem é também editor do excepcional PoisÉ: jornaleco de opiniões e picuinhas e que realizou recentemente a belíssima exposição Raízes do Coração. Da sua lavra, eis alguns da tuia dos ditos & desditos excelentes dele, como o Sonata dos sentidos: Ela compôs a sonata dos sentidos, tamborilando uma clave de sol sob uma noite enluarada. Depois tocou seus arrepios com um pouco de silêncio. E cheirou sua paciência com toda a vontade do mundo. E moveu as montanhas de ruídos para o lado oculto das visitas invulgares. E nada mais lhe restou do que um zumbido dos deuses. Esse ótimo Ta-te-tijolo-to-tu: Ontem, me dediquei a conversar com meus alunos de arquitetura sobre Paulo Freire, o brilhante educador pernambucano. Minha intenção era mostrar, assim como Paulo Freire fez com seu método de alfabetização, que o aluno deve compreender o tijolo, além de um simples elemento construtivo. Pensar o edifício para quem, e não somente como um objeto de desenho. Ah! se nós nos dedicássemos mais a essas grandes figuras brasileiras e não a essas falsidades célebres... O não menos ótimo Causa mortis: Ministério da Saúde adverte: cheirar calcinha demais pode causar infarto. O pra lá de muito demais Sepulcral: Neste feriado, um cemitério está mais festivo do que a cidade de Maceió. Não vou negar, eu gostei. Pelo menos em se falando de trânsito. O que não nem um pouco bão demais Chove chuva: Quando se aproxima um feriado ou um fim-de-semana, e quando um deles se prenuncia a chuva, sempre ouço alguém falar mal da chuva, que vai atrapalhar seus planos. E eu, cá comigo fico a pensar como alguém pode ser tão ingrato à Natureza e filosofo: Por não querer a chuva o deserto ficou só. O provocativo vocativo Ô, galera fuleira: Pichação num muro do Jacintinho: "Vende-se tornozeleira eletrônica banhada a ouro, já desbloqueada". O não menos sugestivo Ainda há esperança pra um mundo melhor: O mundo ainda não se acabou. Contam que o Big Brother Brasil está caindo pelas tabelas no Ibope. O excelentemente bão demais O despudor da burocracia: O mundo está ficando menos sisudo. Até cartas de amor cabem nos Diários Oficiais. E o ótimo dos ótimos O curso das coisas e o corso da vida: Maceió era assim: os carros todos nas ruas, fazendo o corso, num engarrafamento longo, barulhento e feliz. No restante do ano, ruas pacatas e tranquilas. Hoje é o inverso. Hoje, infelizmente, é o inverso. Por isso, o chamado bons tempos. Gente, nunca será demais dizer que sou fã desse cara, o cara! Veja mais aqui.

PSICODRAMA & TEATRO ESPONTÂNEO - No livro Do animal ao humano: uma leitura psicodramática (Ágora, 1998), do psiquiatra, professor e psicodramatista José Carlos Landini, destaco os trechos da parte Da noogênese à sociogênese: matriz de identidade, tele-relação e papéis: O homo spontaneus inaugurou o homo cultura. Olhando-se a escala animal, vê-se que, nos invertebrados, o processo socializante é exclusivo de programas genéticos. Nos vertebrados, começa a inverter-se com a existência de comportamentos inatos e adquiridos. À medida que progride na escala evolutiva, a tendência é a predominância de comportamentos adquiridos, o que atinge o seu clímax nos seres humanos. [...] A espontaneidade (ou fator “e”) e os conceitos de tele e papéis são os pilares de sustentação teórica da sociometria. Nesse triângulo, cada vértice se articula aos outros complementarmente. A espontaneidade representa a dimensão individual, enquanto a tele representa o social e o papel é a forma e o meio em que a relação se concretiza. [...] A espontaneidade representa a dimensão pessoal, mas é o fluxo de sentimentos na direção do estado espontâneo de uma ou outra pessoa, do que resulta uma situação interpessoal à qual se dá o nome de tele. O fator “e” é apresentado numa dupla dimensão: a afetiva, que confere ao individuo um caráter de originalidade e não está restrita a área psíquica, mas a extrapola ao dar lugar à tele, inserindo-se na esfera sociológica; e a cósmica, na qual o universo é aberto às novidades e à constante criatividade. O individuo espontâneo, também aberto às novidades, não pode ser compreendido pelas leis da conservação de energia (libido). [...]. Veja mais aqui e aqui.

L’INNOCENTE – O filme L’innocente (O inocente, 1976), do cineasta italiano Luchino Visconti (106-1976), é baseado no romance homônimo do escritor e dramaturgo italiano Gabriele d’Annunzio (1863-1938), contando a história de um aristocrata que torna a esposa amorosa e submissa em cúmplice ao revelar os seus casos adulterinos, entre os quais com uma condessa, ocasião em que descobre que ela está grávida de um filho que não é seu, pelo qual passa a nutrir feroz ódio, encarregando-se de causar a morte do inocente, expondo-o a um frio desumano. Assim, tal como o livro, trata-se da trajetória de concepção, gestação e morte da personagem-título. O filme é espetacularmente maravilhoso, merecendo destaque a atuação da atriz italiana Laura Antonelli. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 A deusa Felicitas, a Fausta Felicitas, que desempenho um importante papel no culto imperial e abrangia na antiga cultura romana a ideia de frutífera, abençoada, feliz, afortunada, felicidade, a fertilidade da mulher, boa sorte, riqueza, potência sexual. Os seus principais atributos são o caduceu e a cornucópia, além de ser reproduzida em moedas e no apotropaic do falo - símbolo fálico acima – encontra-se a inscrição Hic habitat Felicitas que significa “Felicitas mora aqui”.
Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Crônica de Amor, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA
Veja mais detalhes aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...