Mostrando postagens com marcador Imagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imagem. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, dezembro 19, 2018

ITALO SVEVO, ROBERTA SÁ, NATHAN OLIVEIRA, CONFISSÃO & COLÓQUIO ESCRITA, SOM E IMAGEM


CONFISSÃO – Imagem: Spring nude (1962), do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010). - Falar o que se tem pra dizer: um diapasão entre a cabeça e o coração, num arco-íris emtre o que sou de Terra, água, ar e fogo, o que mais tiver de ser. Ouvi das estrelas os mistérios dos céus e o que se fez mistério dos mistérios, a se revelar do iniciático pra enxergar o que deve ser visto além das aparências: o imo das coisas e seres, o Sal do chão das raízes e mortos, o que encobre uma atitude entre o soez e o escrupuloso, o acerto improvável e os múltiplos erros da ignorância. A mim me dei e persisto, persevero com entusiasmo diante dos desafios para atender o chamado: nenhum laivo de angústia ou apelo de socorro. No meio da escuridão a Rosa desabrochou da alma e acendeu minha Cruz, recolhi a luz que veio da vela e me dispus à Natureza: o trânsito na correlação dos contrários, a Lei de Amra entre a graça e a gratidão. Das minhas mãos brotou o infinito, o alcance da essência de tudo e todas as coisas, pra fazer o que deve ser feito: vou sair daqui, encontrar o rumo da vida, a travessia do limiar e me entregar ao meu mito com serenidade espiritual: voo ao abrigo da doação. Revi o passado e futuro, vivo o presente e me retiro sem alarde, em paz e silêncio. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Rever minha infância? Já lá se vão mais de dez lustros, mas minha vista cansada talvez pudesse ver a luz que dela ainda dimana, não fosse a interposição de obstáculos de toda espécie, verdadeiras montanhas: todos esses anos e algumas horas de minha vida. [...] Na minha sonolência, recordo que o compêndio assegurava, por este sistema, ser possível recordarmos a primeira infância, a dos cueiros. De repente, vejo uma criança de fraldas, mas por que tem de ser eu? Não se parece nada comigo; na verdade, acho que se trata do bebê de minha cunhada, nascido há poucas semanas e que ela mostrava a todos como se fosse um milagre, porque tinha as mãos tão pequenas e os olhos tão grandes. Pobre criança! [...] Quando chegarás a saber que seria bom se pudesses reter na memória a tua vida, até mesmo as partes que te possam repugnar? E, no entanto, inconsciente, vais investigando o teu pequeno organismo à procura do prazer, e as tuas deliciosas descobertas te levarão à dor e à doença, para as quais contribuirão até mesmo aqueles que mais te querem. [...] Cada minuto que passa, lança-lhe um reagente. Há demasiadas possibilidades de doenças para ti, porque não é possível que sejam puros esses minutos. E além disso – pequerrucho! – és consanguíneo de pessoas que conheço. Os minutos que agora passam até que podiam ser puros, mas tal não foram decerto os séculos que te prepararam. [...] Estou analisando a sua saúde, mas não consigo fazê-lo, pois acode que, ao analisá-la, converto-a em doença. E ao escrever sobre ela, começo a duvidar sobre se aquela saúde não careceria de cura ou tratamento. Vivendo ao seu lado durante tantos anos, jamais me ocorreu essa dúvida. [...] A dúvida: eu era bom ou mau? A recordação, provocada repentinamente pela dúvida que não era nova: via-me em criança e vestido (estou certo) ainda de calças curtas, erguendo o rosto para perguntar à minha mãe sorridente: “Eu sou bom ou sou mal?” Essa dúvida devia ter sido inspirada ao menino por todos que o achavam bom, e por tantos outros que, de brincadeira, o qualificavam de mau. Não era, portanto, de admirar que a criança se sentisse embaraçada por tal dilema. Oh! Incomparável originalidade da vida! Era extraordinário que a dúvida já infligida por ela à criança, de forma tão pueril, não fosse resolvida pelo adulto depois que transposta metade de sua existência. [...] Nesta cidade, depois que rebentou a guerra, a vida é mais enfadonha do que antes e, para me recompensar da psicanálise, volto-me novamente aos meus caros escritos. Havia um ano que não consignava nenhuma palavra aqui, nisto como em tudo o mais seguindo obedientemente as recomendações do médico, que achava indispensável durante o tratamento fossem as minhas reflexões feitas ao seu lado, pois sem a sua vigilância eu estaria reforçando os freios que impediam a minha sinceridade, a minha entrega. Empregarei o tempo que me resta livre para escrever. Por isso escreverei sinceramente a história de minha cura. Toda a sinceridade entre o doutor e mim havia desaparecido e hoje respiro aliviado. [...] Foi assim que, à força de correr atrás daquelas imagens, eu as alcancei. Sei agora que foram inventadas. Inventar, porém, é uma criação, não uma simples mentira. As minhas eram invenções como as nascidas da febre, que caminham pelo quarto para que possamos vê-las de todos os ângulos, inclusive tocá-las. Tinham a solidez, as cores, a petulância das coisas vivas. [...].
Trechos da obra
A consciência de Zeno (Nova Fronteira, 2006), do escritor e dramaturgo italiano Italo Svevo - pseudônimo de Aron Hector Schmitz, depois italianizado para Ettore Schmitz (1861-1928).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, gravurista e escultor estadunidense Nathan Oliveira (1928-2010). Veja mais aqui & aqui.

AGENDA:
Escrita, som, imagem - II Colóquio Internacional 21 a 25 de maio de 2019, na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG - Belo Horizonte, Brasil & muito mais na Agenda aqui.
&
Tanto juntou & babau!, Friedrich Nietzsche, Francesco Petrarca, Teilhard de Chardin, Antonio Callado, Euclides da Cunha, Nathan Oliveira, Brian Booth Craig, Mapa Cultural de Pernambuco, Al di Meola & Alisa Weilerstein aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora Roberta Sá: Que belo estranho dia para se ter alegria, As melhores, Segunda Pele & Palco MPB & muito mais nos mais de 2 milhões & 990 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.


quinta-feira, maio 25, 2017

APESAR DE TUDO DE DIDI-HUBERMAN, ESCULTURA DE HODGES BAILY, A ARTE DE KÊNIA BASTOS & ELOGIO AO CONTRIBUINTE

ELOGIO AO CONTRIBUINTE - Pra se livrar das broncas, cada um dos brasileiros e brasileiras desse nosso Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada, tem que pagar o pato. O dele e o dos outros. Sim, exatamente. E isso é compulsório, inescapável. Paga pra nascer, pra viver e até pra morrer – se morrer, menos um apenas, quem ficar que lasque, né? Tudo é ilegal se favorável pra gente; do contrário, tudo é ilegal. Afinal, lei, na vera, é só um pedaço de papel arrodiado de sanções por todo lado só pra foder a vida da gente. Pode conferir: a gente é engalobado a pagar até o que não se deve, quanto mais o dos outros que foram contemplados com as benesses de verbas públicas em empréstimos ou concessões do tipo 0800, frete FOB e a fundo perdido. Sim, isso e muito mais! Por exemplo: para azeitar engrenagens e disfuncionalidades burocráticas do serviço público ou privado, ôia pra quem for o birozado, senão a coisa emperra de quase desaparecer pra nunca mais o que era tido por direito adquirido e findou prescrito. Pra descongestionar o direito de ir e vir no trânsito ou rodovia qualquer, bola pro guarda ou patrulheiro, senão de um nada a gente vira de simples infrator com tudo nos trinques pra contraventor de todas as previsões penais na horinha. Duvida? Ah, não pague pra ver! Pois é, pra manter o negócio que seja, mantido pelos sacrifícios e tinos empreendedores, lembre-se: tocos pros fiscais de renda, da prefeitura e do que for do Fisco e afins, afora oficial de justiça e outras trepeças, senão a gente se vê lavrado em autos de infrações ou mandados de execução com penhora ou arresto, prontos para sermos incursos nas penas do desacato à autoridade com formação de quadrilha, sonegação e o diabo a quatro. Ué? Isso mesmo! Eles nos chantageiam e a gente que é o infrator. Isso sem falar nas suspeitas de gato na eletricidade, jacaré na água e toda fauna ilegal pra nos levar pro cúmulo das condenações, aí o troço embica de vira bundacanasca, porque tem de contar com honorários pros advogados que comem dos dois lados, agrado pras visitas policiais, doações para manutenção dos políticos nos cargos, afora impostos de toda sorte, todos nomeados de tributos como taxas, emolumentos, custas, guias de recolhimento, etc e tal, tudo a mesma coisa e só pra chamar a gente de besta e ficar caladinho, senão, senão. Fique logo carequinha de saber de cor e salteado: pra ser atendido pra saúde ou qualquer coisa do interesse da gente, propina a granel. Não se esqueça da gorjeta pro garçom. Pague-se por baixo dos panos, viu? Não teime, ou será aquela de mãos pro alto, sacou? Nem insista, senão verá o sol quadrado por desobediência civil. Tenha logo a ciência de que se for contra a gente, serão ágeis, meticulosos, inexoráveis, pronto a gente fodido por e por mil. Se for a favor, ah, tenha esperança, ela nunca morre mesmo que a gente bata as botas e deixe tudo pra arenga dos herdeiros ou pro erário público assim de graça. Não reclame, oh, pelamordedeus, não reclame! Procure do jeitinho e, se não der, valha-se de agiotas e livre-se o mais depressa deles. Oh, praga dessa, não é só mais uma. Ah, mas não se ofenda, oh, não se ofenda, nem adianta sair de armadura pela insegurança, pela crueldade, grosseria, aspereza, escárnio, violência institucional – esse é grosso que só papel de enrolar pregos, meu! Seja razoável, não seja pão-duro, há sempre quem se ache perversamente superior ali, a nos ver tão insignificante quanto indesejáveis, mesmo que passem por amáveis fora do trabalho ou invisível pomba-lesa no lar, mas ali, no cargo, no trono dele, ah, se transformam no maior algoz da humanidade, vez que entendem que são pagos para atrapalhar nossa vida, subjugando ao poder de ferrar com a gente arrebentando tudo com toda impostura. Ah, não se desaponte, saiba que só haverá facilidade pros que fazem parte da panelinha. Está dentro? Uma vez do lado de fora, nunca haverá lado de dentro pra privilégios, só pros a favor, os que se humilharam reduzidos a insetos, passaram no teste da goma e da fidelidade – mesmo que no dia seguinte troquem de chefe como quem tira a ceroula pro enrabamento e faça da gente penicos pras suas excreções. Mantenha a calma, não se inflame, oh não se aborreça, tente manter a sua vida decorosa e aprovada pela sociedade, sem nunca ter de pensar que não viveu como devia, mesmo que não tenha gordos salários nem amigos importantes, pelo menos assim a mordida do Leão é maior para torná-lo hipossuficiente! Não é bom? Pois é, já dizia Mateus 13:13, console-se, por isso quanto mais se ganha, menos se paga; e se for ricão é isento. Já imaginou? Pense assim: a vida não pode ficar melhor do que está, mesmo que se veja impotente em mudar ou vulnerável a qualquer ameaça miúda, ou mesmo vítima de estratagemas inimagináveis, que ao redor seja uma só catástrofe, que se ache passando pro provações que não são justas, privações medonhas e com a impressão de que tudo é surrupiado com práticas pouco honestas, ah, nem ligue, é tudo corrupção mesmo, abuso de autoridade, desvio de poder, se estivesse lá você faria o mesmo, não acha? Calma, não fique furioso, oh, não vire bicho, tente aprender a lidar com isso. Uma vez vencido, perdedor até morrer. Quem mandou? Mantenha-se na ilusão da estabilidade – a vida dá voltas. E como dá, hem? Leve em conta que a gente contribui para que tudo funcione, por bem ou mal, ou ao contrário do que se espera, o que fica de mesmo é a honradez de contribuir pra tudo isso que está aí, já pensou? Você também é responsável. E viva o contribuinte que somos todos nós! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

APESAR DE TUDO DE GEORGES DIDI-HUBERMAN
[...] Não se pode falar do contato entre a imagem e o real sem falar de uma espécie de incêndio. Portanto, não se pode falar de imagens sem falar de cinzas. As imagens tomam parte do que os pobres mortais inventam para registrar seus tremores (de desejo e de temor) e suas próprias consumações. Portanto é absurdo, a partir de um ponto de vista antropológico, opor as imagens e as palavras, os livros de imagens e os livros a seco. Todos juntos formam, para cada um, um tesouro ou uma tumba da memória, seja esse tesouro um simples floco de neve ou essa memória esteja traçada sobre a areia antes que uma onda a dissolva. Sabemos que cada memória está sempre ameaçada pelo esquecimento, cada tesouro ameaçado pela pilhagem, cada tumba ameaçada pela profanação. Assim, cada vez que abrimos um livro — pouco importa que seja o Gênesis ou Os Cento e Vinte Dias de Sodoma —, talvez devêssemos nos reservar uns minutos para pensar nas condições que tenham tornado possível o simples milagre de que esse texto esteja aqui, diante de nós, que tenha chegado até nós. Há tantos obstáculos. Queimaram-se tantos livros e tantas bibliotecas12. E mesmo assim, cada vez que depomos nosso olhar sobre uma imagem, deveríamos pensar nas condições que impediram sua destruição, sua desaparição. Destruir imagens é tão fácil, têm sido sempre tão habitual [...] Nisto, pois, a imagem arde. Arde com o real do que, em um dado momento, se acercou (como se costuma dizer, nos jogos de adivinhações, “quente” quando “alguém se acerca do objeto escondido). Arde pelo desejo que a anima, pela intencionalidade que a estrutura, pela enunciação, inclusive a urgência que manifesta (como se costuma dizer “ardo de amor por você” ou “me consome a impaciência”). Arde pela destruição, pelo incêndio que quase a pulveriza, do qual escapou e cujo arquivo e possível imaginação é, por conseguinte, capaz de oferecer hoje. Arde pelo resplendor, isto é, pela possibilidade visual aberta por sua própria consumação: verdade valiosa mas passageira, posto que está destinada a apagar-se (como uma vela que nos ilumina mas que ao arder destrói a si mesma). Arde por seu intempestivo movimento, incapaz como é de deter-se no caminho (como se costuma dizer “queimar etapas”), capaz como é de bifurcar sempre, de ir bruscamente a outra parte (como se costuma dizer “queimar a cortesia”; despedir-se à francesa). Arde por sua audácia, quando faz com que todo retrocesso, toda retirada sejam impossíveis (como se costuma dizer queimar os navios”). Arde pela dor da qual provém e que procura todo aquele que dedica tempo para que se importe. Finalmente, a imagem arde pela memória, quer dizer que de todo modo arde , quando já não é mais que cinza: uma forma de dizer sua essencial vocação para a sobrevivência, apesar de tudo. Mas, para sabê-lo, para senti-lo, é preciso atrever-se, é preciso acercar o rosto à cinza. E soprar suavemente para que a brasa, sob as cinzas, volte a emitir seu calor, seu resplendor, seu perigo. Como se, da imagem cinza, elevara-se uma voz: “Não vês que ardo?”.
Trechos de Quando as imagens tocam o real (Eba/UFMG, 2012), do filósofo, historiador, crítico de arte e professor francês Georges Didi-Huberman, autor da obra Imagens apesar de tudo (KKYM, 2012), tratando sobre a ação de fotógrafos durante o processo de extermínio em Auschwitz-Birkenau, da qual destaco os trechos seguintes: [...] Para saber, há que imaginar [...] “Foi aqui”. O “foi” nos impede de esquecer o Outrora terrível dos campos, ele nos impede de acreditar que o presente só tem contas a prestar com o futuro. O “aqui” nos impede de mitificar ou sacralizar esse Outrora dos campos, o que significa distanciar e, de certo modo, se livrar dele. [...] Esta expressão denota a dilaceração: o tudo reenvia para o poder de condições históricas para as quais ainda não conseguimos encontrar resposta; o apesar resiste a esse poder unicamente pela potência heurística do singular. É um ‘clarão’ que rasga o céu quando tudo parece perdido [...] um cineasta que conhece melhor que ninguém – e não cessa de demonstrar, de desmontar – a manipulação e o ‘tratamento’ que as imagens técnicas fazem padecer o real? Isso é possível, isso é justamente necessário como o apesar de tudo é necessário para objetar algo – uma exceção – ao tudo. [...]. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Juramento, O passado e o futuro de Hannah Arendt, a poesia de Federico Garcia Lorca, Memorável viagem ao Brasil de Johan Nieuhof, a música de Gabriel Pareyon, a pintura de Leonid Afremov & Vera Rockline, a fotografia de Lionel Wendt, a arte de Rufino Tamayo & Sergio Ramirez aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa, A Divina comédia de Dante Alighieri, Ensaios de Ralf Waldo Emerson, a música de Mikko Härkin, o teatro de Luigi Pirandello, Macunaíma de Mário de Andrade, a pintura de Mark Gertler & a arte de Guido Crepax aqui.
Os amores de Edneimar, a viúva negra, o cinema de Edward Yang & Elaine Jin, A pintura de Pino Daen & Norman Lindsay, a música de Iara Rennó & Tudo quanto pode o sonho, pode o amor provar aqui.
Se essa rua fosse minha, Manuscrito de Felipa de Adélia Prado, a música de Chiquinha Gonzaga & Clara Sverner, a arte de Luciah Lopez & Quem sabe a vida o amor que nos faz vivo aqui.
Quem vê cara, não vê coração, a música de Fany Solter, a fotografia de Jack Mitchell, a pintura de Fabien Clesse, a arte de Valmir Singh & Entre tombos & topadas a gente leva a vida aqui.
Erotismo & pornografria, o tamanho da hipocrisia, O Sartor Resartus de Thomas Carlyle, a poesia de Ferreira Gullar, a música de Maria Gadú, a gravura de Edmund Joseph Sullivan, a arte de Nadir Afonso & A alegria imensa para um, dois, ou mais, todos aqui.
A ansiedade, a depressão & a medicalização, a  literatura de José Cândido de Carvalho, a música de Schuman & Maria Clodes Jaguaribe, a arte de Shirley Paes Leme & Aldemir Martins, Na festa das vitrines, tudo é do umbigo e o bolso furado no âmago aqui.
E se vem ou vai, eu voou, a música de Jehane Saade, a arte de Manuel Pereira da Silva & Paula Rego aqui.
Festa do dia 8 de dezembro, lavando a jega, a poesia de Florbela Espanca, a escultura de Camille Claudel, a música de Alaíde Costa, a arte de Militão dos Santos & Tatiana Grinberg, Quando tudo se desapruma a farra é só pro desgoverno aqui.
O fulgor do amor, Caminhos cruzados de Érico Veríssimo, a música de Jorge Drexler, a arte de Luciah Lopez & O amor premia o final de semana aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

QUASE TUDO & A ARTE KÊNIA BASTOS
Seu perfume 
é energia eminente,
sutileza
e conseqüência
dos seus traços
marcantes
Sua presença
inebria meus olhos
intensidade e ternura
emoção e milagre
a soma e a mistura
de uma louca
miragem
quase sonho
quase realidade
um pouco de tudo
até saudade
Quase tudo, poema da poeta, professora e artista visual/virtual Kênia Bastos.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: arte do escultor inglês Edward Hodges Baily (1788-1867).
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.

segunda-feira, setembro 16, 2013

CARMEN BERENGUER, ANNE HÉBERT, PRVOSLAV VUJCIC, ODETS, HUMOR DO DORO & LITERÓTICA


IRMÃO NÃO QUE VOCÊ NÃO É EVANGÉLICO - Doro, como sempre, zanzava às chineladas enchendo a rua de pernas.

Era que ele procurava por instituição pública para resolver-lhe pendências. Coisas do Brasil.

Depois de muitas idas e vindas desacertando paradeiro da tal repartição, ele achou por bem de inquirir ao primeiro transeunte que passasse.

Eis que vinha um casacudo, paletó bufento, gravata encardida, calça com cinturão bucho acima e ele.

- Irmão, por um acauso sabe adonde qui fica essa ripartição?

- Você é evangélico?

- Claro que não, mas perguntei premero.

- Então não me chame de irmão. Sou o pastor Creonte Berg Vingren e irmãos só os evangélicos.

- É? Humpf.... eita, irmão!

- Não me chame de irmão que eu não gosto não, isso é um vitupério! Sou um enviado de deus e não posso me misturar com essa mundiça.

Bradou e zarpou. Doro, então, cuspiu desdém:

- Ige! Rimou e desrimou. E quem quer ser uma droga dessa? Acho que pisei mermo foi num rasto de corno!

Iiiiihhhhhhh!!!!

Veja mais Doro aqui, aqui & aqui. 

 


DITOS & DESDITOS - Garoto, acorde! Seja alguma coisa! Faça da sua vida algo bom. Pelo amor de um velho que vê na sua juventude a sua nova vida, por tal amor tome o mundo nas suas duas mãos e faça-o como novo. Saia e lute para que a vida não seja impressa em notas de dólar. Qualquer idiota pode enfrentar uma crise – é a vida cotidiana que desgasta você. Se lhe disserem que ela morreu por causa de pílulas para dormir, você deve saber que ela morreu de uma dor devastadora, de um sangramento lento na alma. Pensamento do escritor, dramaturgo e roteirista estadunidense Clifford Odets (1906-1963).

 

ALGUÉM FALOU - A maioria das pessoas cansadas e enrugadas (nas máquinas de lavar roupa e de dinheiro), não têm força e energia suficientes para separar o pensamento do pó ou o trabalho do fato. Depois de experimentar tudo o que a cultura material oferece, você perceberá o quão vazia ela é sem significado espiritual em sua vida. Quem acredita em milagres, cria milagres... Pensamento doescritor sérvio Prvoslav Vujcic.

 

KAMOURASKA - [...] Isso é o que significa estar fora de si. Deixar-se levar por um sonho. Para lhe dar espaço, deixe-o crescer selvagem e espesso, até que tome conta de você. [...] Eu bato palmas. (Onde consigo a força, a explosão de energia?) Para afugentar os fantasmas. Dissipe meus medos. Organize o sonho. Mantenha uma espécie de equilíbrio [...] Meu amor, estou aqui. Esperarei a vida inteira até que você termine, lá na enseada de Kamouraska. Até você lavar suas mãos encharcadas de sangue e voltar para mim [...] Meu Deus, será que nada dentro de nós é lavado? Continuamos vivendo como se nada tivesse acontecido e, de repente, o veneno que está no fundo de nossos corações vem à tona. [...] Nós dois, juntos no mesmo delírio, nos unimos para a mesma tarefa. Arrastando as águas, juntos. Nossas enormes redes vasculhando o fundo do oceano em busca de seus escassos tesouros. Infalível, a memória de um louco arrasta detalhes como cascas de mexilhões. [...]. Trechos extraídos da obra Kamouraska (House of Anansi, 2002), da escritora canadense Anne Hébert (1916-2000). Veja mais aqui e aqui.

  

DOIS POEMAS – LOBA: de onde é essa careta essa boca esse rosto \ Esta máscara este casaco \ De onde vem essa loucura? \ Para te acompanhar à noite \ Com esse preto e esse vermelho \ Esse lenço que é uma palhaçada \ E essa vitrine que devolve essa pirueta \ Esta cerveja artesanal feita sob encomenda \ E a língua desse lobo sem noção isso te lambe. REDOBRANDO O RITMO DO QUE EU DISSE: Digamos que sou uma Rotunda amarga! \ como cicuta \ Para persuadir a alma \ Neste momento! Ninguém me alcança. \ Deixando de lado certa dureza como um lesa morto está embrulhado nele. \ Oh! Se ele redobrasse como se estivesse falando. \ A avó fala de um velho papagaio, tum tum responde a neta. \ É assim que as tias falam com as sobrinhas, \ quando a língua fixa sua muda. \ E o jargão é vivo, leve, muito furtivo, vai e vem o que não diz. \ Pausa, aí, oh! Poemas da escritora e artista visual chilena Carmen Berenguer.

 


TRÊS POEMAS & RELATOS DEVASSOS DE AMOR – DELIRANTE ENTREGA: Nesse momento, recordações, \ O quarto convidativo e silencioso,\ A cama larga a nos esperar,\ Nossos corações acelerados em uníssono,\ O desejo irrefreável e intenso,\ E o impulso imediato, ardoroso.\ A porta que se abre em frenesi\ Nosso abraço fascinante e enlouquecido,\ Os olhares a se cruzarem absorventes,\ Tantos pensamentos alucinantes,\ A química inflamável e inquietante,\ E a paixão a pedir o beijo insaciável.\ Nossas línguas se cruzando deliciosas,\ Numa procura febril e enlouquecida,\ A sensação dos lábios a se colarem,\ O paraíso lentamente aparecendo,\ Nossos corpos unidos e trêmulos,\ Finalmente a entrega delirante. I - Levantando a saia e muito sorridente porque espero você para eu me entregar completamente, expondo a calcinha para que você veja e deseje ardentemente a sua fonte úmida, como eu desejo seu pênis - “o que é meu”, só meu. E possa senti-lo muito dentro de mim, explorando os mais recônditos segredos de paixão. Desejo desesperadamente recitar meus versos e delinear closes que vão lhe seduzir até o mais profundo de seu corpo e alma. Rendida eu já estou, quero sentir sua sanha priápica até perder completamente a lucidez enquanto você degusta cada pontinho do meu corpo que é seu, somente seu. E quando me sentir desnudada, explorada, fodida, sempre vou querer mais a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada, o dia inteiro e todo dia e você estará dentro de mim convulsivamente arrebatado de prazer e terá essa certidão em carne viva. E nossos gozos se sucedendo em uma apoteose máxima de entrega um no outro e sempre. Só e para sempre sua. Todinha sua. Eu quero você além de todos os limites imaginados. Eu quero você demais... BEIJAR TEUS PÉS - Quero beijar teus pés,\ O desejo tomando conta de mim,\ A cobiça pelo teu corpo me desesperando,\ Subindo pelas tuas pernas em beijos ardentes,\ Alcançando meu tesouro, ah como eu quero,\ Que minhas carícias te façam gritar enlouquecido...\ Ambiciono beijar teus lábios,\ Minha língua sentindo o sabor enclausurado,\ Há tanto tempo e tão intensamente,\ Descendo pelo céu da tua boca ,\ Sentindo tua saliva tão deliciosamente\ E se entrelaçando em sua língua docemente\ Desejo beijar teu corpo todinho,\ Usufruindo o sabor dos frutos do éden,\ Aspirando o odor inebriante e prosseguindo,\ E conseguindo aportar no Nirvana,\ Sem ao menos sentir os minutos que passam.\ Em sensações jamais experimentadas.\ Ah como espero teu corpo quente a me cobrir,\ Em louca escalada de prazer a nos consumir,\ Na cavalgada por caminhos onipotentes,\ Satisfazendo teu corpo sedento em tua fonte,\ E nos afogando em desejos e sensações,\ Meu tesouro, tua fonte unida, exauridos de prazer... II - Isso mesmo, meu amor. Só sua. Maravilhoso. Eu quero fazer a festa do seu pênis. O que é meu é só dele, que fica todo inchado e cheio de tesão. É isso mesmo que eu quero. Afogar seu sexo nos meus “olhos de mar “para realmente ser só e todo meu. E não insinuo só. E quero mesmo e demais submeter o seu sexo à sanha de minha boca e poder lambê-lo, afagá-lo e beijá-lo apetitosamente e tê-lo em minha língua que vai enchê-lo de carícias e clarear totalmente a sua vida como se o sol estivesse iluminando o nosso amor. Sim, meu amor, vamos descontar o tempo pedido e quero fazê-lo muito feliz. Só sua, meu querido amor, na festa maravilhosa, completamente desnudos um no outro, entregues á nossa paixão mútua, intensa, fascinante e sempre juntos. Amo você demais! Sempre, apaixonadamente sua. A CAMISOLA - A camisolinha negra e transparente,\ Muita curta a mostrarem minhas coxas,\ A calcinha mínima retirada ás pressas,\ E meu corpo quente e enlouquecido.\ Somente para ti\ Meu peito saliente sob a lingerie macia,\ Os mamilos em riste a pedirem tuas carícias,\ E a calcinha jogada, a fonte úmida,\ Nádegas em lenta e sensual coreografia.\ ansiando por ti\ Exuberante, as alcinhas se desprendem,\ E o corpo voluptuoso te oferece.\ No exercício da soberba paixão,\ O furor ensandecido e insaciável do prazer\ Sempre para ti\ Ah, meu corpo cheio de desejo,\ Numa aflição atordoadora e persistente,\ Sinto teu tesouro penetrando-me\ Minhas longas pernas dando passagem a ti,\ Tuas mãos em volta dos meus glúteos \ E tu o cavaleiro a suavemente cavalgar,\ Nossas pernas trançadas em lascivo apogeu,\ Eu inclinada docemente a te oferecer,\ A outra fonte mágica que tua Glande irá explorar,\ E o líquido fluido e viscoso a jorrar o teu prazer.\ A essência a fazer-me sentir odor mágico,\ Que leva em seu aroma a atração.\ Eu ali nua, bela encantadora e impudica,\ A te levar a paraísos escondidos,\ Enlouquecendo-te em fascinante luxúria\ Tu, meu sedutor, estranha magia,\ Meu homem feitiço tentador e eterno\ Teu pênis intumescido a me levar ao éden,\ Tua alma a me transmitir paixão e loucura. III – E você me desnudando e explorando cada espaço de tudo que é seu, somente e unicamente seu. Sinto seus toques mágicos, seu olhar devassador, nossos beijos e a ânsia com que eu espero “o que é meu” penetrando meu sexo. Ah e você me tem mesmo nua com seu pênis entre minhas coxas e se apodera de tudo, como o único dono, senhor e meu rei que possui todos os poderes mágicos, estupendos e capaz de me tornar rainha, dama ou putinha. E para tê-lo em meus braços serei tudo que você quiser e determinar. Sinto você se apoderando de meu corpo, que já é seu como é seu o meu coração e a minha alma. Quero desesperadamente sentir suas mãos a me acariciarem, beijando os lábios de minha vagina assim como quero acariciar seu pênis colocando-o dentro de minha boca onde encontrará minha língua a se contorcer no “que é meu” e somente meu, indo até o céu de minha boca. Quero sentir o gosto delicioso de seu sêmen e lamberei e chuparei com meus lábios desejando sentir o maná do céu e possuir tudo que é seu. Quero cheirar você suado e ofegante e sentir entre orgasmos e gozos tudo que lhe pertencer e tomarmo-nos um só ligados pela paixão indomável. Quero ficar toda lambuzada e nossos corpos grudando de paixão. Fico transida de tanta sensualidade a imaginar tudo que quero nessa vida e nós dois juntos, um com o outro, olhos nos olhos, sexo no sexo e para sempre juntos como se fôssemos um só. E sou só sua, todinha sua e só para você. Você excitado com “o que é meu’ se avolumando no seu ventre e os meu dedos acariciantes a lhe tocar deixando-o mais priápico, com tesão intenso a querer meu corpo e eu ainda recitando versos do nosso amor. É assim que quero me penetrando loucamente, descobrindo todos os segredos e se apossando deles sempre para você e só para você. Minha boca entreaberta e alisando seu sexo, já alucinada e de desejo enlouquecida para que me tome em seus braços e me beije, desnudando-me para vivermos nossa paixão desvairada. Como é bom estar em seus braços e poder sentir explorá-lo também todinho, sentindo seu corpo quente e suado e podendo me entregar a ele completamente. Ah como eu quero você e como senti saudades, desejando-o a cada minuto desses dias e sonhando com você em carne viva. Poemas e textos da escritora Vânia Moreira Diniz. Veja mais aqui.

 

ATO ADMINISTRATIVO VICIADO – Para desenvolver um trabalho acadêmico sobre esta temática, faz-se necessário tratar acerca dos institutos de preservação do ato administrativo viciado, convalidação e estabilização, quando visam promover a celeridade administrativa bem como garantir a segurança jurídica, tratando-se, portanto, da existência e formação do ato administrativo, surgimento de um vício, às possibilidades de preservação do vício, o cabimento da convalidação ou da estabilização, às restrições quanto sua aplicação, efetuando uma abordagem acerca do instituto da convalidação e da estabilização dos efeitos do ato administrativo viciado como meios de preservação do ato administrativo, eftuando revisão da literatura sobre o conceito e princípios da administração pública, bem como do ato administrativo, seus elementos, requisitos, competência, objeto, forma, motivo, finalidade, atributos, presunção de legitimidade, auto-executoriedade, formação e efeitos, exequibilidade e classificação, para, finalmente, tratar sobre a convalidação e estabilização como formas de preservação do ato administrativo viciado. Veja mais aqui.

DIREITO DE ARREPENDIMENTO – Para desenvolver trabalho acadêmico sobre este tema, conveniente efetuar uma revisão da literatura a partir da abordagem histórica das relações de consumo e o Código de Defesa do Consumidor (CDC), os direitos do consumidor, os princípios básicos, o direito de arrependimento e sua previsão legal, o posicionamento doutrinário e jurisprudência, a manifestação em relação ao Código Civil e as discussões provocadas pelo Projeto Lei 182/2012. Veja mais aqui.

DIVULGAÇÃO DE IMAGENS E INVASÃO DE PRIVACIDADE – Para desenvolver um trabalho acadêmico a respeito desta temática, convém abordar inicialmente a fundamentação teórica acerca da responsabilidade, a responsabilidade objetiva e subjetiva e a responsabilidade civil. Em seguida tratar por meio de uma abordagem histórica e conceitual acerca da imprensa, seu papel e a responsabilidade com as características, danos causados pela divulgação de imagens e invasão de privacidade, tratando da reparação do dano, previsão doutrinária e jurisprudencial. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Cheiro da felicidade & Segunda feira do Trâmite da Solidão aqui.

E mais:
Caboclinhos aqui.
O frevo aqui.
Martin Buber, Julio Verne, Rick Wakeman, Pier Paolo Pasolini, Abelardo & Heloisa, Vangelis, Gustave Courbert & Arriete Vilela aqui.
Empreendedorismo & o empreendedor aqui.
A fotografia de Sebastião Salgado aqui e aqui.
Uma cachaçada e uma casa no meio da rua aqui.
O trânsito e a fubica do Doro aqui.
A varanda na noite do amor aqui.
A obra de Pedro Abelardo, Projeto Carmin & Cruor Arte Contemporânea aqui.
Recontando Caetano Veloso & Podres Poderes aqui.
Recitando Castro Alves & O Navio Negreiro aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui& maisaqui e aqui.




GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...