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quarta-feira, outubro 26, 2016

BAGHAVAD GITA, BALDOMERO LILLO, RENATO ORTIZ, MARSON, PAULA MORELEMBAUM, BOURDELLE, SCIGLIANO, REWALD, WAYNE WANG & GONG LI, ULISSES TAVARES, KATIA ALMEIDA, LISA YUSKAVAGE, WANDA PEPI & GERALDO DE BARROS


INEDITORIAL: PRA TUDO TEM JEITO, MENOS PRO QUE NÃO PODE OU NÃO QUER (Imagem: Abstrato, da artista plástica Katia Almeida) - Tem gente que acha que sabe de tudo: bota moral, arrota verdades e arenga no arrazoado. Afinal, tem gente pra tudo: os que sabem de mesmo, os que não sabem nada e enrolam bem só com leitura das orelhas, ou do prefácio ou de meia página dum calhamaço de oitocentas, basta; os que sabem mais ou menos pelo que viram das manchetes ou beberam dos outros e não passam de intelectual de sovaco; os que fingem sabedoria e só sabem do raso e do ouvir dizer; e os que não sabem nada e ficam calado só na base da lagartixa. Pudera, desde 1500 que tudo no Brasil é anomalia e ela é reproduzida, desde sempre, na nossa educação: quando não ensinam o errado – ou melhor, o que atende aos interesses das inverdades inventadas pras conveniências e arranjados históricos -, incutem o ralo que não se sustenta à primeira testagem de comprovação. Tanto é que tenho um amigo advogado que vive de colecionar palavras difíceis no dicionário para sapecar no primeiro discurso da oportunidade. Diz ele que, mesmo nem sabendo o que significam – pra que mesmo saber, ninguém sabe mesmo -, o discurso sai bonito e dá pra deixar a boa impressão de sabichão respeitável pros ouvintes. Teve até uma hora que ele engasgou-se com uma proparoxítona de quase ficar mudo de repente e botar tudo a perder em pleno Tribunal do Júri. Isso não é nada, tem coisa até muito pior por aí. Por isso que aqui tudo é confusão: acredita-se tanto no que seja certo e, no fim, só dá errado. Desde que inventaram o politicamente correto que a coisa desandou a fole e tanto mais que a passada errada na hora da topada dada, que ninguém mais se importa com o desliza: gafe cometida só dá pro risível. Aí a razão do ditado: quem diz tudo que quer na lata, de antemão já se sabe de quem se trata. Como pra tudo se vale da astúcia pra dar jeito, não faltam cinismos e cretinices para levar a coisa na base do indubitável. No fim, fica o dito pelo não dito, ninguém está nem aí pra conferir. Quem é besta? Pois é, pra tudo dá um jeito. Só não tem jeito mesmo é pra morte: não há como negociar nem dá uma de sabido. Quando chega a hora é vupt! A redenção pra quem vai, lição pros que ficam. E vamos aprumar a conversa nas novidades do dia: na edição de hoje destaque para a consciência fragmentada de Renato Ortiz, a teoria e a prática de Adalberto Marson, o Baghavad Gita, a literatura de Baldomero Lillo, o Congresso Brasileiro de Terapias Cognitivas, a pintura de Frida Kahlo & Lisa Yuskavage, a música de Paula Morelembaum, as Fotoformas de Geraldo de Barros, a escultura de Émile-Antoine Bourdelle, a coreografia de Eugenio Scigliano & Balletto di Toscana, o teatro de Rubens Rewald, o cinema de Wayne Wang & Gong Li, a entrevista de Ulisses Tavares, a arte pop de Wanda Pepi, a palestra de Neuroeducação & a croniqueta Até tu, Zé Corninho. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Cocão do padre, Darcy Ribeiro, Oswald de Andrade, Hilda Hilst, Éric Rohmer, Belchior, Rosamaria Murtinho, Zouzou, Isadora Duncan & Zsigmond Kolozsvary aqui.

E mais:
Cantiga do mamoeiro & outras loas aqui.
Fecamepa no aluado mundo mágico aqui.
A arte de Catarina Maul aqui.
Miolo de pote: na volta da Teibei, filosofia de boteco aqui.
Antecipação da tutela aqui.

DESTAQUE: DOS FRAGMENTOS DO SABER
[...] Tudo se passa como se os pólos de positividade e negatividade fossem excludentes, heterogêneos, partes antagônicas de um fenômeno idêntico, mas jamais analisado na sua ambigüidade própria. Fragmenta-se a totalidade da ambivalência para apreendê-la enquanto dualidade. [...].
Trecho extraído da obra A consciência fragmentada – ensaios de cultura popular e religião (Paz e Terra, 1980), do sociólogo e antropólogo Renato Ortiz.

ATÉ TU, ZÉ-CORNINHO!?! – Zé Corninho passou o maior vexame. De novo? Ah, sempre! Não bastando as gaias dele que execram tanto na mangação, como pelos problemas que causam no fornecimento de energia elétrica – ih, faltou energia? Foi aquele fidapeste gaiúdo do Zé Corninho que arrancou os fios de alta tensão! Pode ver! E era mesmo. Ele até já estava acostumado com as chacotas e se defendia: - Todo mundo, quer queira, quer não, é corno! Todavia, dessa vez, foi mais que desmoralizante. Todos tinham o sujeito como destemido e desassombrado. O cabra não arredava o pé de enfrentar envultamentos ou exorcismo de qualquer coisa ruim que lhe aparecesse, nem arregava de enfrentar escuridão de breu na mata ou no cemitério, nem se acovardava de situação que fosse. Botasse o desafio, ele só dava uns tapas para assentar o topete mode não dá curto-circuito na raiz das galhetas do quengo, abria a caixa dos peitos e enfrentava o revestrés que topasse. Era famoso por isso: - Tirante as gaias, o cabra é macho mesmo! -, anuíam todos. Porém, naquele dia, a coisa foi além de todos os limites. Quem se lembra, cai na gaitada. Tem nego que nem aguenta vê-lo a qualquer hora do dia, que corre segurando a pança pra não estourar de tanto rir. De tudo que já mangaram dele, nada tirava ele do sério. Entretanto, essa a única mácula, a única coisa que o deixa até hoje puto de raiva. Ninguém sabia, quando souberam, vixe, coitado. Basta acontecer e toda homência do cabra se destrona: abre a caixa da ferramenta da viadagem, dele se atrepar aos gritos no que tiver por perto, transido e transtornado. Se não demoverem aquela insignificância de perto dele, não tem jeito: ele berra de chorar noite e dia. Ainda hoje se interrogam todos: - Como é que um cabra véio, de fio barbado e tudo, tem medo histérico de lagartixa, hem? Cada qual, cada qual. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui. 

 Curtindo o álbum Telecoteco: um sambinha cheio de bossa (Universal, 2008), da cantora Paula Morelembaum.

DA TEORIA E DA PRÁTICA - [...] Partimos do princípio de que, na formação de um conhecimento (como um modo de saber e não mera apropriação) de um determinado objeto, a teoria acompanhada de certos métodos e técnicas seja uma relação constitutiva da prática. O esforço é dirigido não para comprovar a validade de uma teoria, ou de uma hipótese prévia, mas para entender a razão daquele objeto se constituir de uma tal maneira. A mediação fundamental da teoria e da prática, uma se constituindo dentro da outra, vem a ser a reflexão constante, inclusive com a alteração de eventuais interpretações no curso da investigação [...] ato de reflexão, fundamento da teoria [...]. Trecho extraído de Reflexões sobre o procedimento histórico (Marco Zero, 1984), do historiador Adalberto Marson.


Imagens: as Fotoformas do pintor, gravurista, artista gráfico, desenhista industrial e fotógrafo Geraldo de Barros.

PENSAMENTO DO DIA: BAGHAVAD GITA - [...] Como o fumo cobre o fogo, a poeira cobre o espelho e o útero cobre o feto, de maneira similar o ser vivo está coberto por camadas de luxúria [...]. Trecho extraído do Baghavad Gita – Canção do Divino Mestre (Companhia das Letras, 1998), o milenar épico indiano traduzido pelo poeta Rogério Duarte. Trata-se de um capítulo do Mahabharata, o poema em sânscrito de 100 mil estrofes, escrito por volta do ano 3 mil aC.


Imagens: a arte do escultor francês Émile Antoine Bourdelle (1861-1929)

O CALDEIRÃO DO DIABO – [...] Jamais se soube como saltou a barreira, entravada por cabos e níveis;; mas foi vista por um instante, agitando suas pernas descarnadas no vazio e depois, sem um grito, desaparecer no abismo. Alguns segundos depois, um ruído surdo, longínquo, quase imperceptível, brotou da faminta boca do poço, da qual escapavam baforadas de tênues vapores: era o hálito do monstro, sequioso de sangue, no fundo do seu covil. Trecho extraído do conto O caldeirão do diabo (Cultrix, 1968), do escritor e contador de história chileno Baldomero Lillo (1867-1923).


Imagens: do premiado espetáculo Giselle, do coreógrafo Eugenio Scigliano com o Junior Baletto di Toscana, dirigido por Cristina Bozzolini.

O NARRADOR – Peça teatral experimental O narrador (1996), do diretor, roteirista e dramaturgo Rubens Rewald, conta a história sobre as interferências da cidade nas relações humanas. Na peça a personagem principal é uma cega que percorre a metrópole à noite e em seu rastro se desenvolve a trama, da qual faz parte o público, que segue o elenco e escolhe a cena que mais lhe interessa. Assim, o público participa da trama e é usado como metáfora do cidadão moderno, ao mesmo tempo em que, a cidade, em vez de mero cenário, influi como personagem decisivo. Tive oportunidade de ver o espetáculo dirigido pelo professor, pesquisador, diretor e ator Adriano Cypriano, em uma ótima apresentação, em 1998, no Porão 796, do Centro Cultural São Paulo. Veja mais aqui.


CHINESE BOX – O filme Chinese Box (O último entardecer, 1997), dirigido por Wayne Wang, conta a história que se passa às vésperas de entregar Hong Kong ao governo chinês, quando um veterano correspondente entre em crise existencial causada, em parte, por sua frustrada paixão por uma dona de bar. Na trama são nove histórias diferentes que se desenrolam em níveis diversos, todas que se passam quando da ocorrência do fato nuclear que percorre todo enredo. O destaque fica por conta da atuação da bela atriz chinesa Gong Li. Veja mais aqui.

 Homenagem ao Dia dos Músicos.

AGENDA: CONGRESSO BRASILEIRO DE TERAPIAS COGNITIVAS - Acontecerá entre os dias 18 e 22 de abril de 2017, no Rafain Palace Hotel e Convention Center, em São Paulo, o XI Congresso Brasileiro de Terapias Cognitivas, com apresentação de temáticas como tecnologia e psicoterapia, neurociência, disseminação dos conhecimentos da TCC, principio de transdiagnóstico para transtornos mentais e integração das abordagens da Terceira Onda com as tradicionais Informações pelo mail: organizacaocbtc@hotmail.com ou pelo fone (19) 3241-0032. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: ULISSES TAVARES – O escritor, jornalista, professor, compositor letrista, dramaturgo e publicitário Ulisses Tavares, já publicou mais de 74 livros e me concedeu uma entrevista reveladora sobre sua trajetória e sua arte. Confira a entrevista aqui.

REGISTRO: PALESTRA NEUROEDUCAÇÃO
Resultado de estudos durante vários anos e das atividades desenvolvidas como membro do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, coordenado pelos professores Álvaro Queiroz e Janne Eyre Sarmento Araújo, orientador pela professora doutora Daniela Botti, tenho realizado palestras sobre o tema Contribuições da Neuroeducação na prática de ensino-aprendizagem da escola pública de Ensino Médio de Maceió. Veja detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens: a arte da pintora estadunidense Lisa Yuskavage.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Floral Peace Pop Art by Wanda Pepi
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sexta-feira, maio 06, 2011

XENOFONTE, ADÍLIA LOPES, GERALDO DE BARROS, FRANCISCO DANTAS, LUIS MENDONÇA, LITERÓTICA & SHOW TATARITARITATÁ


A SÍNDICA DOS SEIOS ONÍRICOS - Imagem: Luis Mendonça - Geruza enviuvara, ficando triste aquele rostinho lindo de Fernanda Abreu. Fora trágica para quem soubera sempre amante, duvidando, se fora, possivelmente amada no mesmo tanto. Dava para imaginar a sua dor naqueles seios com cheiro de mar no decote pronunciado que sempre exibia. Parece uma dor sem fim, seis anos de ininterrupta e enclausurada viuvez. Não dava nem as caras pro mundo, só recebendo, quando muito, familiares com advogado para resolver-lhe questões do falecido. Dava, também, para notar seu encabulamento ao tratar de apólices de seguro, pensão e bens inventariados a partilhar. Por certo, não era do seu feitio essas coisas de justiça, porque sempre fora das lides domésticas, quando muito acompanhava o marido nas compras, reduzindo-se, apenas, a cuidar da casa, estudar, embelezar-se e fortuitamente participar de alguma comemoração com casais amigos. Não tivera filhos nos dois anos de vigência do matrimônio. Resultara viúva e só. Uma misantropia flagrante, o que, misteriosamente, ainda mais realçava na sua beleza. E a cada dia mais exuberante ficava no apetite dos meus olhos. Ah, se me fosse dado o privilégio de provar de sua reclusa. Não, ela não dava espaço. Leseira minha de sonhar acordado. Raramente via-lhe sair para algum lugar. Até que certa noite, uma reunião ruidosa e cheia de querelantes, destituiu-se o síndico e abriram um pleito eleitoral para a escolha de um outro representante para tomar conta do nosso prédio. Geruza nem se dera conta do que sucedia, chegara ali para saber apenas das providências tomadas quanto a algo do seu apartamento, quando de sopetão seu nome entrou na roda. Vi-lhe ruborizada, intrigando-se com o assédio para que se colocasse seu nome em votação. Aí, eu que sempre me fizera alheio a tudo em reunião de condomínio, pois que até então só ouvira baixaria, pendenga mesquinha, interesses escusos, agora, encontrava um motivo para melhor participar daquela chateação, avalizando o nome dela naquela votação. Eu fora o primeiro a votar e percebi-lhe os olhos aboticados em minha direção e, depois disso, não desgrudou mais. A unanimidade fez-lhe síndica sem mais delongas. Tudo ventava a seu favor: dedicada aos afazeres domésticos, tempo integral no ambiente, disponibilidade para se ocupar com alguma coisa além do cotidiano. Satisfeito com tudo, eu exultava com a solidariedade de todos enquanto ela não conseguia ver-me menos imantada, atraída com intriga no olhar. A noite para mim seguia em polvorosa sem que ela ao menos insinuasse um mínimo sorriso, como que ainda não entendendo tudo aquilo acontecer à sua revelia. Era cada vez mais lindo aquele jeito desprotegido de ver o mundo se transformando na sua frente sem poder sequer sugerir nada. Estava realmente surpresa com aquilo. Foi aí que me aproximei em seu auxílio, tentando-lhe explicar e, ao mesmo tempo, oferecendo meu irrestrito apoio. Ela, assustada, nada entendia. A votação correra tranqüila e fim de papo. Dei-lhe meus parabéns afetuosos, seguido de todos os cumprimentos dispensados pelos presentes. Eu que falei por ela, aceitando a empreitada e já marcando a retomada dos trabalhos normais para o dia seguinte. Nisso ela nem balbuciara nada e me olhava com um ar ainda mais de esquisitice, interrogativa com o meu procedimento. Um a um dos presentes se despedindo, restando, ao final, apenas nós dois. Ela muda fisgada em mim, eu dissimulado acenando para a despedida de todos que se evadiam para seu regaço. Chamei o porteiro, entreguei os livros de ocorrências e anunciei que daquele momento em diante, Geruza era a síndica, esperando que ele passasse a colaborar de forma com maior afinco a partir de então, ao que ele positivamente acenou com a cabeça. Retornei ao seu encontro e desejei-lhe uma boa noite e até amanhã. Percebi que ela seguiu rumo ao elevador ainda tocada pelos acontecimentos. Ao cabo de dias não pude disfarçar a constatação do condomínio mais limpo, mais florido, mais cheio de vida, parece que ela resolvera dar o seu toque em tudo ali. Certa ocasião eu avexava para jantar fora e ao deixar algumas recomendações ao porteiro, vi Gerusa descer magnificamente linda, num vestido bege, decotado, discretamente maqueada, fantasticamente linda, de me abestalhar e não conseguir desgrudar-lhe o olhar, ao que, notando, dirigiu-me um cumprimento de boa noite afetado de mexer com as minhas entranhas e deixar-me abobadado. Meu deus, meus olhos vira a manifestação perfeita do milagre vital. Esqueci da fome, perdi a hora de jantar, acompanhei-lhe abrir a porta, sentar-se comodamente, acionar o motor e sutilmente sair em seu veículo. Acompanhei o seu trajeto até perdê-la de vista. - Dona Geruza botou para abafar, num foi? -, era o porteiro roubando a minha imaginação. - Pelo amor de deus! -, respondi com a maior cara de babaca. Ora, se ela já se encontrava no centro da minha cobiça, agora conseguia enlouquecer-me de vez. E enquanto pensava nela, não conseguia sair dali para lugar algum. Dei-me a vaguear pelo canteiro, pelo estacionamento, abestalhado e consumido pela sua beleza. Não sei por quanto tempo fiquei assim, sei que só me dei conta quando ela estacionava de volta o seu veículo. Disfarcei e, meio atabalhoado, rumei direção para o elevador. E ao aguardá-lo eis que ela se aproxima com seu perfume – ah, senti-lhe a fragrância viçosa de sua vagina acendendo meus sentidos - e, ao que parece, ela notando a minha embriaguês com todo o seu espetáculo. - Tudo bem? -, disse-me ela altiva e desleixadamente. - Tudo bem. Nossa, não conseguia dizer mais nada, estava embasbacado e boquiaberto com o seu reluzente decote abissal. A porta do elevador abriu-se, despejou fora dois vizinhos e esperei que ela entrasse para que a seguisse. Assim fez, adentrou-se, recostando-se no canto do elevador, desprotegida, pronta para a minha fúria de ataque. Apertei o indicador do sexto, o andar dela, e esqueci de acionar o meu andar. Nem bem quando o elevador deu partida, deu-se a escuridão. Ficamos presos, assustados, acompanhando o zoadeiro que se ouvia vindo do lado de fora. - Que foi isso? -, perguntou-me. - Sei lá. Não consigo entender nada. Senti-lhe um nervosismo e uma leve aproximação nervosa. Não sabia se me esforçava por sair dali ou se mantinha uma posição de ali ficar em sua companhia, esperando melhor momento. - Vamos aguardar –, disse-lhe tentando acalmá-la já que não se continha em si. Nada dizia, sentia-lhe a respiração, o nervosismo, o perfume, tudo embaralhando minha cabeça que nessa hora não conseguia conciliar as idéias. Senti sua mão no meu braço, tímida e trêmula. Foi aí que minha incoerência buscou-lhe a presença, alcançando a sua cintura perfeita. - O fornecimento de energia normaliza já, viu? -, repeti-lhe mais uma vez, tentando tranqüilizá-la. Enquanto eu tentava oferecer-lhe segurança tateava suas formas curvilíneas, o seu corpo palpitando, os seus seios arfantes, sua alma trêmula, eu frente a frente, a mesma altura, o mesmo tope, aproximando-me mansamente, nenhuma resistência. Busquei-lhe o pescoço com uma das mãos e ao encontrá-lo, trouxe seu rosto na direção do meu e beijei-lhe os lábios carnudos, acordando uma fera furiosa que me agarrou com sofreguidão. Fui intensamente invadindo sua viuvez, remexendo-lhe as intimidades, até que alcancei sua saia, puxando-a para cima até chegar-lhe na calcinha e notar-lhe fuviando úmida e desejosa. Removi-lhe para o lado alcançando-lhe o corte íntimo e enfiando-lhe o dedo devagar até sentir-lhe abrindo-se mais, escancarando para a melhor ser penetrada, levantando uma de suas pernas até ao lado da minha cintura, matando minha sede com o arriar do zíper, até alcançar-lhe as mais profundas águas saborosas. Acompanhei o seu gemido louco, investi irresponsavelmente por sua intimidade gostosa, enfiei-lhe toda minha loucura apressadamente até alcançarmos o ápice do orgasmo. Aaaaaaaaah! Depois de um longo tempo desligado do mundo e de todos, notamos o silêncio que circundava, ouvindo-se apenas a nossa respiração. Foi aí que tentamos aos poucos nos recompormos satisfeitos, quando o fornecimento de energia fora restaurado, dando para ver-lhe o modo saciado de carente secular com que me fitava. Ouvimos o porteiro instando por nós, ficamos escondidos. E em pouco tempo, tudo normalizado, e nos despedíamos daquela louca e adorável situação. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Da janela espio estrelas pisando na ponta dos pés para não acordar o céu. Estou cansado da minha sombra. Pensamento do pintor, fotógrafo, gravurista e artista gráfico e industrial Geraldo de Barros (1923-1998).

 

ALGUÉM FALOU: É coisa mais ilustre e mais louvável deixar após si muitos benefícios, do que deixar muitos troféus. Pensamento do historiador e discípulo socrático, Xenofonte (430-355aC), autor da obra Anábase (Sementes De Mudança, 2008), contando a jornada de um grupo de soldados gregos que, em 401 a.C, marcharam desde a costa até o interior do império persa, governado pelo rei Artaxerxes II. Ela é composta por sete livros, contando a saga do Exército dos Del Mil e a marcha desde o campo de batalha de Cunaxa até ao mar, correspondendo ao termo grego Catábase, ainda reunindo os livros da Parábase, que narram a marcha ao longo da costa desde Trapezunte até o Helesponto. Veja mais aqui e aqui.

 

SOB O PESO DAS SOMBRAS - [...] Se a escrita serve de remédio para os nervos, conforme palavra dos entendidos, se é expelida pelos nossos gemidos interiores, e salva a gente dos naufrágios, decerto a minha página de ontem deve ter se nutrido da frustração que me acompanha [...] um fantasma persistente que tem me prejudicado, que procura se encarnar fora de horas. [...]. Trechos extraídos da obra Sob o peso das sombras (Planeta, 2004), do escritor e professor Francisco Dantas, contando a história de um burocrata provinciano apaixonado por literatura e que é humilhado durante toda sua vida pelo superior, decidindo escrever sua história carregada de amargura e lucidez.

 

UM POEMA - A MINHA MUSA antes de ser / a minha Musa avisou-me / cantaste sem saber / que cantar custa uma língua / agora vou-te cortar a língua / para aprenderes a cantar / a minha Musa é cruel / mas eu não conheço outra. Poema da poeta, cronista e tradutora portuguesa Adília Lopes – Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira.

 

TATARITARITATÁ NO PALCO ABERTO – No próximo dia 19 de maio, às 20hs, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, em Maceió, acontecerá o show poético-musical Tataritaritatá de Luiz Alberto Machado.

O SHOW - Show autoral poético-musical de Luiz Alberto Machado e banda, será realizado com 17 músicas de diversos gêneros como xotes, baiões, martelo agalopado, sertanejo de raiz, toada, balada, rock, pop, frevos, poemas e causos. Na ocasião ocorrerá a gravação do cd e do dvd ao vivo do espetáculo.

O AUTOR – Luiz Alberto Machado é escritor, compositor musical e radialista, editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites no Rio de Janeiro, membro da Cooperativa dos Músicos de Alagoas - Comusa e escreve regularmente para jornais, revistas e alternativos além de blogs, sites e portais da internet. Já publicou 6 livros de poesias, 7 infantis, 2 de crônicas além de ter vários textos publicados em veículos impressos e virtuais do Brasil e do exterior. Parte do seu trabalho está reunido na sua home www.luizalbertomachado.com.br

O PROJETO – O Projeto Palco Aberto é um conjunto de ações e produtos para a valorização da cultura e, em especial, da música produzida em Alagoas. Possui a visão de ser um centro de referência de capacitação e captação para a cultura alagoana. Tem a missão de promover atividades que permitam capacitar a cadeia produtiva e o mercado alagoano, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento da produção artística e, cada vez mais, ampliar a visibilidade dessa produção. O projeto já realizou 4 Edições da Música Alagoana realizadas, com 01 DVD e 03 CDs publicados, mais de 100 shows realizados com 41 artistas que já participaram c/ shows individuais e autorais.

SERVIÇO: Show Tataritaritatá no Palco Aberto de Luiz Alberto Machado e banda. Dia 19 de maio, às 20 hs, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas (Av. Fernandes Lima, ao lado do CEPA), Maceió – AL. Informações: 82.8845.4611 ou acessando www.luizalbertomachado.com.br   Veja os clipes do show no YouTube.


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A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
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Eros & Erotismo, Johnny Alf, Mário Souto Maior & o Dicionário da Cachaça, Ricardo Ramos, Max Frisch, Marcelo Piñeyro, Letícia Bretice, Frank Frazetta, Ricardo Paula, Pero Vaz Caminha, Gilmar Leite & Literatura Erótica aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitoras comemorando a festa do Tataritaritatá!
(Arte by Ísis Nefelibata)
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...